27 junho 2015

França impõe condições para acordo com Irã sobre programa nuclear

O chefe da diplomacia francesa expôs neste sábado três condições para um acordo com o Irã sobre seu programa nuclear: limitação das capacidades iranianas, inspeções internacionais e sanções em caso de violação.


Correio do Brasil, com ABr - de Viena

Em sua chegada a Viena, capital da Áustria, que recebe a última e decisiva rodada de negociações com o Irã, o ministro das Relações Exteriores da França, Laurent Fabius, disse que busca “um acordo robusto, que reconheça ao Irã o direito a um programa nuclear civil, mas que garanta que o Irã renuncie efetiva e definitivamente às armas nucleares”.


Armas-nucleares-França-Laurent-Fabius
O ministro das Relações Exteriores da França, Laurent Fabius

Para isso, a França identifica três condições “indispensáveis”: uma “limitação duradoura” das capacidades nucleares iranianas; o acesso internacional a todas as instalações iranianas, incluindo as militares; e o retorno automático das sanções internacionais contra o Irã, em caso de violação do acordo. Estas exigências “ainda não foram aceitas por todos” os negociadores, mas constituem “uma base indispensável para um acordo”, na opinião da França, que considera que “respeita a soberania do Irã”.

Irã de um lado, Estados Unidos, Rússia, China, França, Reino Unido e Alemanha do outro, tentam chegar a um acordo neste domingo ou segunda-feira, já que o prazo para um decisão é terça-feira. A alta representante da União Europeia, Federica Mogherini, que coordena o grupo internacional, chegará a Viena neste domingo.

Os principais pontos de discórdia são o regime de inspeções a que o Irã deve se submeter e as modalidades de levantamento das sanções internacionais, que Teerã exige suspensão imediata após o cumprimento do acordo.


Putin e Obama discutem Ucrânia, Irã e Síria em conversa telefônica

O presidente russo, Vladimir Putin, e o seu homólogo dos EUA, Barack Obama, realizaram uma conversa telefônica ontem à noite discutindo a implementação dos acordos de paz de Minsk sobre a Ucrânia, as medidas contra o grupo Estado Islâmico, a atual situação na Síria e as negociações nucleares do Irã.


Sputnik

De acordo com o porta-voz do Kremlin, Dmitry Peskov, os presidentes abordaram uma série de questões na sua conversa, iniciada pelo presidente russo.


Barack Obama escuta Vladimir Putin
Vladimir Putin e Barak Obama © AFP 2015

Os dois mandatários discutiram a crise ucraniana, em particular, a implementação dos acordos de Minsk. Neste contexto, os presidentes concordaram que, num futuro próximo, a secretária adjunta de Estado dos EUA Victoria Nuland e o vice-chanceler russo Grigory Karasin se reunirão para discutir a implementação destes acordos.

Os acordos de Minsk foram alcançados em fevereiro, após conversações entre os líderes da Rússia, Alemanha, França e Ucrânia na capital bielorrussa. O acordo foi assinado pelos membros do Grupo de Contacto sobre a Ucrânia, composto por representantes de Kiev, autoproclamadas Repúblicas Populares de Donetsk (RPD) e Lugansk (RPL), Rússia e Organização para a Segurança e Cooperação na Europa (OSCE).

O acordo de paz prevê um cessar-fogo entre a as milícias da RPD e RPL e as forças de Kiev que começaram ima operação militar contra o sudeste da Ucrânia em abril de 2014 em resposta à recusa dos habitantes locais a reconhecer o governo golpista.

Este acordo também prevê a retirada das armas pesadas da linha do conflito e a a descentralização do poder na Ucrânia.

A OSCE, que é encarregada de monitorar a situação na Ucrânia, tem relatado violações do cessar-fogo em regiões do sudeste do país, apesar da trégua.

Obama: Rússia deve cumprir acordos de Minsk

Washington pediu Moscou a cumprir os acordos de Minsk durante a conversa, disse a Casa Branca em um comunicado.

Por sua vez, Barack Obama insistiu novamente em que Moscou deve "respeitar os seus compromissos" no âmbito dos acordos de Minsk para solucionar o conflito na Ucrânia, o que se traduz, em particular, na retirada por parte da Rússia "da totalidade das tropas e do equipamento militar russo estacionado em território ucraniano".

Os EUA e a União Europeia acusam os russos de fomentar a crise na região. Moscou, que enfrenta sanções econômicas por causa disso, nega as acusações. No começo desta semana, a OTAN anunciou que pretende aumentar a presença militar no leste da Europa.

Os líderes falam sobre ameaça terrorista e do Estado Islamico

De acordo com o porta-voz do Kremlin Dmitry Peskov, Putin e Obama também levantaram a questão do terrorismo durante a conversa, incluindo a ameaça da organização extremista Estado Islâmico na Síria.

Os dois chefes de Estado debateram também a "situação cada vez mais perigosa na Síria" e abordaram "a necessidade" de deter o grupo ultrarradical Estado Islâmico (EI), que controla grandes parcelas de território no Iraque e na Síria.

A Rússia é um dos principais aliados internacionais do presidente sírio, Bashar Assad, que enfrenta quatro anos de guerra civil no país. Nos últimos meses, Damasco veio perdendo controle de várias áreas devido a ações dos extremistas do EI.

De acordo com Peskov, Putin e Obama concordaram que o secretário de Estado dos EUA John Kerry e o Ministro do Exterior russo Sergei Lavrov iriam realizar um encontro para discutir questões relacionadas com o terrorismo no futuro próximo.

Questão nuclear do Irã em curso: negociações continuam

Os líderes também abordaram o tema das negociações em curso entre o P5+1 e o Irã que estão sendo realizadas com o objetivo de garantir o caráter pacífico das atividades nucleares de Teerã, Peskov acrescentou Peskov.

A Casa Branca disse em um comunicado que Obama e Putin salientaram a importância da unidade entre mediadores do "sexteto", que incluem a Rússia, China, França, Reino Unido, Estados Unidos e Alemanha.

O Irã e o grupo 5+1 ("sexteto") entram no próximo fim de semana, em Viena, e sem garantia de êxito, na reta final de uma maratona de negociações para fechar o espinhoso dossiê nuclear iraniano antes do prazo de 30 de junho.


‘Amigos’ ocidentais de Poroshenko não irão ajudar Ucrânia, diz especialista sueco

Em vez de ajudar a Ucrânia, os países ocidentais preferem punir a Rússia com sanções e acusar Vladimir Putin. É um “jogo extremamente cínico”, opina especialista sueco


Sputnik

O Ocidente irá primeiro deixar a Ucrânia fracassar de que irá negociar com a Rússia, escreve especialista em Rússia e Europa do Leste professor Stefan Hedlund no jornal sueco Aftonbladet. 


O presidente da Ucrânia, Piotr Poroshenko (C) cumprimenta a chanceler alemã, Angela Merkel, e o presidente francês, François Hollande durante encontro em Kiev
Angela Merkel, Piotr Poroshenko e François Hollande © REUTERS/ Mikhail Palinchak

Segundo o especialista, fica cada vez mais óbvio que os “amigos” ocidentais de Poroshenko não pretendem proporcionar nenhuma ajuda significante à Ucrânia. Em vez disso, os países do Ocidente concentraram-se na punição da Rússia por meio de sanções e acusações em relação ao presidente russo Vladimir Putin, opina o especialista. Isto não traz benefícios à Ucrânia.

O professor lembra que o PIB da Ucrânia no primeiro trimestre de 2015 desceu por 17,6 por cento comparado com o ano passado, volume de produção industrial em maio 2015 foi 20 por cento inferior do nível de maio 2014, e o nível de inflação constitui 60 por cento. O país é de fato bancarrota, o risco de uma nova rebelião cresce, opina o especialista.

O Ocidente respondeu à este desenvolvimento da situação com o fortalecimento das sanções antirrussas. Segundo o ponto de vista de Hedlund, é um “jogo extremamente cínico” que resultara numa “sentença histórica” muito severa.

No desenvolvimento dos acontecimentos no futuro dois fatores irão ter um papel decisivo, continua o autor do artigo. Um deles consiste em que as hostilidades em Donbass devem ser paradas. O segundo fator consiste em necessidade de negociar com os credor a possibilidade de suavização do passo da dívida.

Ambos os fatores são fortemente ligados um com o outro – em particularidade, a consequência mais grave do conflito militar em Donbass é uma indefinição completa no que se toca ao futuro da Ucrânia. Enquanto isso, a ameaça constante de escalação do conflito espanta investidores o que prejudica a economia ucraniana.

Hedlund lembra as negociações de Kiev com os credores – se eles falharem, o que segundo ele é muito provável, o Fundo monetário Internacional irá se encontrar numa situação muito difícil e provavelmente terá de adiar a proporção de novos créditos prometidos.

O especialista sueco opina que ambos os fatores são estritamente ligados à Rússia. Ao mesmo tempo, ele opina que a Rússia podia mostrar mais flexibilidade com a Ucrânia, mas permanece a questão se a Rússia deve ser tão serviçal nas relações com a Ucrânia, escreve o professor.

Kiev está realizando, desde meados de abril, uma operação militar para esmagar os independentistas no leste da Ucrânia, que não reconhecem a legitimidade das novas autoridades ucranianas, chegadas ao poder em resultado do golpe de Estado ocorrido em fevereiro de 2014 em Kiev. Segundo os últimos dados da ONU, mais de seis mil civis já foram vítimas deste conflito.

Desde 9 de janeiro, a intensidade dos bombardeios na região aumentou, bem como o número de vítimas do conflito. Isto fez regressar ambas as partes às negociações. O novo acordo de paz, firmado em Minsk entre os líderes da Rússia, da Ucrânia, da França e da Alemanha inclui um cessar-fogo global no leste da Ucrânia, retirada das armas pesadas da linha de contato entre os dois lados, assim como uma reforma constitucional com a entrada em vigor até o final do ano de 2015 de uma nova Constituição, com a descentralização como elemento-chave.


EUA ameaçam a Rússia ao colocar sistema da defesa aérea no mar Negro

Os Estados Unidos não planejam instalar permanente sistema de defesa aérea no mar Negro, mas, se for necessário, poderão fazer isso.


Sputnik

“Os Estados Unidos não planejam instalar permanente os sistemas de defesa aérea Aegis no mar Negro. Nós seguimos a Convenção de Montreux, que proíbe a implantação de forma permanente. Mas se houver qualquer circunstâncias imprevistas, temos a oportunidade de enviar pra lá os navios, equipados com o sistema de defesa aérea Aegis”, disse o secretário de Estado adjunto para Controle de armas, verificação e cumprimento, Frank Rose.





“Podemos enviá-los lá para proteger nossos aliados contra a ameaça de mísseis balísticos. E como vocês sabem, houve vários casos quando enviamos os navios para o mar Negro, mas para outras missões”, acrescentou ele, relata RIA Novosti.

Mais cedo, o secretário de Defesa dos Estados Unidos, Ashton Carter, confirmou a intenção americana de posicionar 250 tanques em sete países do Leste Europeu e dos Bálcãs.

Em resposta ao posicionamento de armas do Estados Unidos no Leste Europeu a Rússia pode fortalecer sua presença militar no enclave báltico de Kaliningrado, afirmou um parlamentar russo.

Segundo comunicou reiteradas vezes o Ministério da Defesa da Rússia, durante o último ano e meio a intensidade da preparação militar das tropas da OTAN junto às fronteiras da Rússia aumentou consideravelmente após acusações de interferência russa na crise ucraniana. Moscou negou as alegações e agora enfatiza que a expansão militar em direção às fronteiras russas prejudicam a segurança regional e aumenta as tensões.


Pequim usa o Mar do Sul da China para alocar sua frota submarina

Segundo especialista australiano, um dos objetivos da intensificação das atividades de Pequim no Mar do Sul da China é alocar a frota nuclear submarina em suas águas.


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Durante meses seguidos, China tem intensificado suas atividades no Mar do Sul da China, irritando os EUA e aumentando as tensões entre os dois países e na região como um todo. Especialistas ao redor do mundo têm especulado se Pequim, além da construção das ilhas artificiais e de infraestrutura militar, teria também intenções veladas em seus projetos.


submarino chinês
© flickr.com/ US Navy Page

Segundo artigo do jornal australiano Sydney Morning Herald, de 23 de junho, a resposta para essa pergunta seria a frota submarina do país asiático. Pequim estaria tentando ocultar a alocação de sua frota submarina no Mar do Sul da China.

Segundo o autor do artigo, China possui uma frota bastante potente, comparável a de outras potências. O país possuiu um número considerável de submarinos nucleares equipados com mísseis balísticos. China estaria buscando desenvolver e aumentar o poderio da sua frota submarina e o Mar do Sul da China seria uma das melhores opções para sua disposição.

“O Mar do Sul da China é uma das melhores localidades para ocultar os submarinos nucleares chineses”, disse em entrevista à Sydney Morning Herald o especialista em assuntos de segurança, doutor da Universidade da Nova Gales do Sul, Carl Thayer.

“A profundidade do mar é de alguns mil metros, com cordilheiras de montanhas submersas, o que é ideal para esconder os submarinos”, disse o acadêmico.

Segundo Thayer, Pequim considera o Mar do Sul da China como um ativo estratégico de grande valor, pois serviria como linha de defesa para o sul do país. A frota chinesa, segundo ele, teria criado um sistema de túneis submersos, para entrada e saída dos submarinos equipados com mísseis balísticos.

Até 2014, China construiu 56 submarinos, 5 dos quais são nucleares. Pelo menos 3 deles estão equipados com mísseis balísticos. Segundo Pentágono no final de 2014, Pequim planeja construir mais 5.

Segundo Sydney Morning Herald, nas últimas décadas, com base em tecnologias russas e norte-americanas, China desenvolveu diversos programas de contenção nuclear, inclusive a frota submarina.

O míssil balístico JI2, instalado nos submarinos chineses, não tem autonomia para chegar até os Estados Unidos a partir do Mar do Sul da China, mas Pequim está trabalhando para aumentar o seu alcance. Por isso, segundo especialistas militares, o país pretende usar o Mar do Sul da China como uma fortaleza para a sua frota.

Os submarinos chineses são considerados de fácil detecção, por isso não seria fácil alcançarem a parte ocidental do Pacífico. No entanto, aumentando o alcance dos mísseis, a frota chinesa não precisará mais navegar até a costa dos EUA.

Washington tem demonstrado preocupação com a instalação unilateral por Pequim do sistema de indentificação antiaérea no Mar do Sul da China (sistema ADIZ). Isso impedirá voos de aeronaves estrangeiras na região e a detecção de submarinos chineses.

Em maio de 2015, uma aeronave norte-americana P-8A Poseidon, com jornalistas da CNN a bordo, estava sobrevoando áreas de construção das ilhas artificiais chinesas, quando recebeu aviso de interceptação e foi obrigada a deixar a região pela força aérea chinesa. Este foi o primeiro incidente do gênero. Segundo Carl Thayer e outros analistas, Pequim dará prosseguimento às suas atividades de construção de ilhas artificias no Mar do Sul da China.



Palestina entrega ao tribunal evidências de crimes de Israel na guerra em Gaza

A Palestina entregou ao Tribunal Penal Internacional (TPI) em Haia, o primeiro pacote de documentos que podem criar a base jurídica para o julgamento de autoridades israelenses por crimes de guerra, informa a agência France-Presse.


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“O Estado palestino se obrigou cooperar com o TPI, transferindo as informações, e hoje cumpriu sua obrigação”, disse o ministro das Relações Exteriores da Palestina, Riyad al-Maliki, deixando o prédio do tribunal em Haia.


O ministro das Relações Exteriores da Palestina, Riyad al-Maliki, em Haia
O ministro das Relações Exteriores da Palestina, Riyad al-Maliki, em Haia © AFP 2015/ ROBIN VAN LONKHUIJSEN

Segundo ele, as informações entregadas podem ser suficientes para a abertura imediata de uma investigação. Elas consistem de dois arquivos: um deles descreve os crimes de guerra, supostamente cometidos por Israel durante o conflito no verão de 2014, quando morreram mais de dois mil palestinos e pelo menos 70 civis israelenses. O segundo arquivo contém informações sobre a "ocupação israelense da Cisjordânia e Jerusalém Oriental" e os prisioneiros palestinos.

“Alcançar a justiça é absolutamente necessário para as vítimas palestinas, mortas e vivas. Palestina tinha escolhido um caminho de busca da justiça, não vingança, por isso estamos aqui hoje”, acrescentou al-Maliki.

Em janeiro o procurador do TPI, Fatou Bensouda, anunciouo inicio do "estudo preliminar da situação na Palestina" e possíveis crimes, cometidos no ano passado na Faixa de Gaza ações e na Cisjordânia.

Os documentos apresentados por palestinos na quinta-feira não foram divulgados, mas o diplomata Ammar Hijazi discutiu o conteúdo com os repórteres. Hijazi disse que os documentos revelam o processo de colonização ilegal de Israel na Cisjordânia, relata The Washington Post.

Israel argumenta que a Cisjordânia não está ocupada, mas é um território em disputa e que seus assentamentos são legais. Por sua vez, a administração de Barack Obama descreve os assentamentos como ilegais e não úteis para o processo de paz entre os israelenses e palestinos.

Anteriormente foi publicado o relatório encomendado pelo Conselho de Direitos Humanos da ONU que encontrou evidências de que ambos os lados do conflito puderam cometer os crimes em combates do ano passado.

O primeiro-ministro israelense, Benjamin Netanyahu, e os ministros do governo negaram veementemente que Israel violou o direito internacional na guerra de Gaza. Ele chamou o relatório de "falho e tendencioso" e pediu ao mundo ignorá-lo.

Israel lançou neste mês o seu próprio relatório que descreve os militares israelenses como cautelosos e morais. Ele culpou o Hamas pelas mortes de civis, porque o grupo usou "escudos humanos" e instalou as armas perto de hospitais, mesquitas, escolas e igrejas.


Novo robô russo vai enganar submarinos

O veículo robótico subaquático Glider-T foi apresentado no fórum militar internacional Army 2015 e impressionou por sua tecnologia de última geração.


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O novo robô subaquático, com aparência de torpedo, pode navegar sem o sistema de navegação Glonass. O Glider-T pode operar de forma autônoma por até 180 dias e encontrar sua rota sem intervenção humana. 


Glider-T
Glider-T © Foto: ROSTEC

O robô conseguirá determinar o tipo de navio localizado em suas proximidades apenas pelos sons emitidos pela embarcação. O Glider-T também conseguirá obstruir sonares inimigos, enganando outros submarinos e torpedos.

Desenvolvedores do robô subaquático alegam que ele será capaz de executar missões de patrulha e coletar amostras de água para determinar seu nível de contaminação. Também será possível usar o robô para fotografar vários objetos marinhos.

O veículo robótico conseguirá, inclusive, transmitir informações para computadores via modem GSM, ondas de rádio ou via satélite.


Máquina do Inferno surpreende aficionados em armamentos

O Fórum Internacional Técnico-Militar Army-2015, que aconteceu recentemente na região de Moscou, continua a surpreender os aficionados em armamentos como muitas as armas que foram reveladas ao público: uma delas é o novo veículo multiuso de colocação de minas da Rússia UMZ-K, apelidado de Máquina do Inferno.


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O automotor foi projetado para instalar minas terrestres antipessoas, antiparaquedistas e antitanques. O UMZ-K difere de seu antecessor, o UMZ, em primeiro lugar, por seu chassi. O anterior era montado sobre um caminhão ZIL-131B. O novo sistema é baseado em um KamAZ-63501.


UMZ-K
UMZ-K © otvaga2004

Este caminhão utilitário pesado é membro da família Mustang e um dos maiores da linha KamAZ. De design inteiramente convencional, trata-se de uma versão renovada do anterior com um aumento da capacidade de carga útil de 15 mil kg.

Na plataforma do caminhão, ficam seis lançadores múltiplos de carga rotativos com mecanismos de elevação fixos. Em batalha, este equipamento é apontado para cima. O ângulo de inclinação chega a 50 graus, enquanto a sua cobertura horizontal é de 90 graus. A carga é de 180 minas.

Os campos minados que a Máquina do Inferno cria tem 15 metros de profundidade e cobrem uma extensão de 240 metros. Sua velocidade de colocação de minas é de até 40 km/h. A tripulação operacional consiste de duas pessoas.



26 junho 2015

Chefe do Pentágono se prepara para confrontação prolongada com a Rússia

Em vez de construir pontes e ter em conta a posição da Rússia, os EUA e a Aliança do Atlântico Norte escolheram preparar-se para um confronto prolongado com Moscou.


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Este confronto pode durar por muitos anos, de acordo com o chefe do Pentágono. Ashton Carter defende os jogos de guerra dos EUA e da OTAN, a presença militar nas fronteiras com a Rússia e uma retórica cada vez mais beligerante.


Pentágono
Pentágono © flickr.com/ Michael Baird

"As adaptações de que eu estava falando são especificamente na expectativa de que a Rússia pode não mudar sob Vladimir Putin, ou mesmo depois dele. Eu chamo a isso de uma abordagem forte mas equilibrada em relação a Moscou ", disse o secretário de Defesa dos Estados Unidos aos jornalistas, durante o voo para a Europa.

O chefe do Pentágono também observou que ele não tem a certeza se Putin irá mudar sua política, referindo-se a esta como "retrógrada".

"Os Estados Unidos, pelo menos, continuam mantendo a perspectiva de que a Rússia, talvez não sob Vladimir Putin, mas talvez algum dia no futuro, irá retornar para uma linha avançada e flexível, ao invés de uma linha retrógrada", afirmou Carter.

Os países ocidentais acusam a Rússia de interferir nos assuntos da Ucrânia e de representar uma ameaça para os seus vizinhos europeus. Moscou sempre negou estas alegações infundadas, ressaltando que o Ocidente colocou a segurança e a estabilidade europeia em risco muito antes de a guerra civil ter eclodido na Ucrânia.

No entanto, os Estados Unidos e a OTAN aproveitaram a oportunidade para acumular forças e equipamentos militares nas fronteiras com a Rússia, causando tensões consideráveis entre Moscou e o Ocidente.

A aliança liderada pelos EUA também intensificou seus jogos de guerra (pelo menos quatro grandes exercícios militares foram agendadas para junho) e criou uma elevada prontidão da Força Tarefa Conjunta (VJTF). Com o objetivo de enfrentar os desafios à segurança, esta força parece ser um desafio de segurança em si mesma.

Durante o Fórum Econômico Internacional em São Petersburgo, Vladimir Putin reagiu à situação lembrando que os EUA saíram do Tratado ABM (Tratado de Mísseis Antibalísticos) empurrando assim a Rússia para nova corrida armamentista.

"As decisões globais, como a saída dos Estados Unidos do Tratado de Mísseis Antibalísticos, vão empurrar a Rússia para uma nova rodada da corrida armamentista", disse o presidente russo Vladimir Putin.

O objetivo do Tratado ABM entre os EUA e a Rússia foi o de evitar um desequilíbrio estratégico. No entanto, Washington saiu desse tratado em 2001.

"Não são os conflitos militares que levam à Guerra Fria, mas decisões globais como a saída unilateral dos EUA do Tratado ABM. Isso realmente é um passo que nos empurra em uma nova rodada da corrida armamentista, o que muda os princípios do sistema de segurança global", frisou o presidente russo.

Apesar disso, os Estados Unidos estão planejando fornecer armamento pesado para a Europa Oriental e os países bálticos e até instalar mísseis nucleares na Europa sob o pretexto infundado que a Rússia violou o Tratado INF testando um míssil balístico lançado do solo com um alcance entre 500 e 5.500 km.


Os EUA se dizem surpreendidos pela política da Rússia em relação à Ucrânia

A política da Rússia em relação à Ucrânia foi uma surpresa para os EUA, disse o secretário de Defesa dos Estados Unidos, Ashton Carter.


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"Nós não queremos estes novos desafios, porque nos últimos 15 anos temos estado muito ocupados. Nós tivemos o Iraque e o Afeganistão, nós tivemos um monte de coisas para fazer. Mas, de repente, surgiu este comportamento da Rússia", disse o chefe do Pentágono dirigindo-se às tropas dos EUA na Estônia e aos soldados que participaram nos exercícios BALTOPS, da OTAN, no mar Báltico.


O secretário da Defesa dos EUA, Ashton Carter
Ashton Carter © AP Photo/ Martin Meissner

Ele também anunciou que os EUA enviarão armas pesadas, incluindo tanques e veículos blindados, para seis países da Europa Central e do Leste Europeu: Bulgária, Estônia, Letônia, Lituânia, Polônia e Romênia. O anúncio foi feito em Tallinn, capital da Estônia, por Ashton Carter, ao lado de ministros da Defesa da Estônia, da Letônia e da Lituânia. "Não procuramos uma guerra fria e muito menos quente com a Rússia, mas vamos defender nossos aliados", disse Carter.

Segundo Carter, o material bélico vai circular na região e será usado para treinamento e exercícios militares. "Os equipamentos não são estáticos. A finalidade é permitir uma melhor formação e maior mobilidade às forças na Europa", disse Carter. A embaixada dos EUA em Varsóvia afirmou que o deslocamento é temporário.

Tudo isso é feito sob o pretexto da intervenção russa no conflito ucraniano. No entanto, o anúncio de que os EUA vão instalar armas pesadas nos países bálticos é visto por muitos como um passo altamente provocativo em relação à Rússia. Vale lembrar o fato de que a Rússia nunca foi a iniciadora do agravamento das relações bilaterais. As autoridades russas reiteram que não é a Rússia quem se aproxima das fronteiras da OTAN, mas é a aliança que está se aproximando das fronteiras da Federação da Rússia. Estados Unidos esqueceram a sua promessa de que a OTAN não iria expandir para o Leste.

Todos esses passos, como a acumulação de forças da OTAN na Europa Oriental, e planos dos EUA sobre o envio de armas não letais para a Ucrânia, são criticados na Rússia. O porta-voz do presidente russo, Dmitry Peskov, disse que as medidas "certamente não contribuem nem para o reforço de confiança, nem para a redução das tensões no conflito". Eis a opinião do próprio Vladimir Putin: "A crise ucraniana não surgiu pela culpa da Rússia. Foi o resultado de tentativas dos EUA e seus aliados ocidentais impor a sua vontade em todos os lugares do mundo".

As autoridades da Rússia têm afirmado repetidamente que o país não tem nada a ver com o conflito ucraniano, que teve lugar em Donbass. O presidente russo, Vladimir Putin tem dito repetidamente que ele apoia a solução pacífica da situação no sudeste da Ucrânia, observando que a UE e os Estados Unidos têm uma influência sobre Kiev, mas ignoram as ações das novas autoridades ucranianas.


Putin: OTAN é que se aproxima da Rússia, não o contrário

São as forças da OTAN que se aproximam das fronteiras da Rússia, e não o contrário. Por isso, o Kremlin se verá obrigado a orientar suas forças militares contra as regiões que são foco de ameaça, declarou o presidente da Rússia, Vladimir Putin.


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"Se alguém representa ameaça a alguma parte de nosso território, nós respetivamente teremos que orientar as nossas Forças Armadas, nossos meios modernos de ataque contra as regiões que são foco de ameaça", disse Putin, antes de adicionar: "E de que outra forma poderia ser? É a OTAN que vem se aproximando de nossas fronteiras, e não nós que avançamos." Estas declarações foram feitas em uma entrevista coletiva ao fim de sua reunião com o presidente finlandês, Sauli Niinisto, que está de visita a Moscou.


Exercícios da OTAN na Lituânia
Exercício da OTAN na Lituânia © AP Photo/ Mindaugas Kulbis

A Rússia já expressou repetidas vezes sua preocupação pelo fortalecimento da presença militar da OTAN perto de suas fronteiras.

Nesta terça-feira, na Estônia, foi inaugurado um centro de comando da OTAN que entrará em funcionamento em junho do próximo ano. Nele estarão soldados de EUA, Holanda, Canadá, Noruega, Polônia, França, Alemanha, Grã-Bretanha e Hungria.

Em março, a Estônia abrigou tanques e equipamentos militares americanos em seu território para a realização de manobras militares. Em fevereiro, os ministros da Defesa dos países da OTAN decidiram estabelecer seis unidades de comando na Estônia, Bulgária, Letônia, Lituânia, Polônia e Romênia. O objetivo é assegurar que as forças da Aliança possam "atuar de forma unificada desde o início" no caso de uma crise.

Anteriormente, na terça-feira, o vice-ministro da Defesa da Rússia Anatoly Antonov manifestou que a OTAN está arrastando a Rússia para uma nova corrida armamentista.



OTAN decide aumentar para 40 mil soldados a sua força de reação rápida

Os ministros da Defesa da OTAN decidiram ampliar o efetivo de suas forças de reação rápida, que passarão a contar com 40 mil soldados, informou nesta quarta-feira o secretário geral da Aliança, Jens Stoltenberg.


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"Decidimos reforçar a potência e a capacidade da força de reação da OTAN, incluindo os componente aéreo, marinho e as forças especiais. No total, elas estarão formadas por 40 mil soldados efetivos", disse Stoltenberg. O secretário afirmou ainda que trata-se de um grande aumento em comparação com os 13 mil militares que integravam as forças da OTAN anteriormente.


Soldados estadounidenses en Lituania
Soldados dos EUA na Lituânia © AP Photo/ Mindaugas Kulbis

Durante o encontro de fevereiro deste ano, a Aliança anunciou que o contingente de 13 mil soldados seria ampliado para 30 mil.

O líder da OTAN assegurou que sua organização "estuda detalhadamente a atividade nuclear da Rússia, inclusive seu discurso" a respeito, já que "os problemas nucleares são muito sérios."

"A atividade nuclear, os investimentos da Rússia em novas possibilidades nucleares, assim como as manobras atômicas que Moscou pratica nessa esfera, são parte de um panorama mais amplo, no qual a Rússia se comporta de maneira agressiva", ressaltou Stoltenberg.

Segundo o secretário geral da Aliança, a OTAN "já está respondendo de maneira cuidadosa e responsável à conduta da Rússia."

Stoltenberg afirmou ainda que o "conceito estratégico" de sua organização não sofreu mudanças no momento em relação à Rússia. Ele ressaltou que a OTAN não busca "um confronto" nem pretende fomentar "uma nova corrida armamentista." "Não discutimos hoje, mas podemos voltar a essa questão caso seja necessário", disse o secretário.

Os ministros da Defesa também aprovaram a criação de novos Estados Maiores "pequenos", de cerca de 40 oficiais, em Bulgária, Estônia, Letônia, Lituânia, Polônia e Romênia. Também houve um acordo para desenvolver a capacidade de defesa da Moldávia.


Rússia reforça fronteira ocidental com dez caças polivalentes

A Força Aérea da Rússia posicionará em suas bases no oeste do país uma esquadrilha de caças ultramodernos Su-35 e Su-30SM, segundo informou o porta-voz do Distrito Militar do Oeste (DMO), Oleg Kochetkov.


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"Ao todo, as bases aéreas do DMO receberão este ano mais de dez caças polivalentes Su-35 e Su-30SM como parte do programa de rearmamento de 2015", ressaltou Kochetkov.


Caza Su-35
© Sputnik/ Vladimir Astapkovich

Atualmente, os pilotos e os funcionários auxiliares estão finalizando o ciclo de capacitação.

O programa de rearmamento é um plano ambicioso do governo russo para renovar em até 70% o arsenal nacional. O plano é acompanhado por amplos exercícios militares e inspeções-surpresa em todo o país.


'Pânico' europeu diante da Rússia faz EUA posicionarem armas, dizem especialistas

Os planos dos Estados Unidos de posicionar equipamento bélico na Europa são “um truque” para tranquilizar os aliados da OTAN diante da suposta ameaça russa, avaliam vários especialistas entrevistados pela Sputnik nesta terça-feira.


Sputnik

O chefe do Pentágono, Ashton Carter, afirmou nesta terça-feira que os EUA posicionarão 250 tanques e outros veículos blindados em sete países europeus.


Vehículos blindados estadounidenses en Georgia
© AP Photo/ Shakh Aivazov

“As 250 unidades são muito pouco para uma brigada. É um modo de tranquilizar os membros da OTAN do Leste Europeu, que estão muito preocupados com a suposta ameaça russa”, analisou Vladimir Batiuk, do Centro de Estudos Políticos e Militares da Academia de Ciências da Rússia.

Segundo Batiuk, a Rússia certamente responderá à iniciativa dos EUA. “Podem ser várias respostas, como o posicionamento de novos mísseis da classe Iskander nas regiões ocidentais da Rússia.”

Dmitry Polikanov, vice-presidente do Centro de Estudos de Segurança Internacional PIR, classificou a decisão de Washington como insignificante.

“É uma insignificância, 250 tanques no Leste Europeu não mudam o cenário, sobretudo levando em consideração que as guerras de hoje não são feitas com tanques”, afirmou.

Polikanov indicou que a iniciativa dos EUA serve para acalmar os vizinhos europeus da Rússia “que estão em pânico por acreditarem que serão as próximas vítimas da ‘agressão’” depois da Ucrânia.

Yevgeny Buzhinski, do Centro PIR, indicou que Moscou e Washington têm diferenças no que diz respeito a se esses planos americanos violam a Ata de Fundação OTAN-Rússia.

“Sempre tivemos diferenças sobre quais forças militares se consideram significativas. Eles dizem que uma brigada não é significativa. Nós dizemos que sim”, disse.

Anteriormente, o embaixador americano na OTAN, Douglas Lute, defendeu a medida ao afirmar que ela tem como meta aumentar a eficácia de exercícios militares e não viola a Ata de Fundação OTAN-Rússia, assim como outros documentos internacionais.



Rússia pode fortalecer presença militar em Kaliningrado

De acordo com um parlamentar russo, o país pode reforçar sua presença no enclave báltico de Kaliningrado em resposta ao posicionamento de armas americanas na Europa.


Sputnik

A Rússia pode fortalecer sua presença militar no enclave báltico de Kaliningrado em resposta ao posicionamento de armas do Estados Unidos no Leste Europeu, afirmou um parlamentar russo nesta terça-feira.


Flying Su-27 fighters in the Kaliningrad region
© Sputnik/ Igor Zarembo

Mais cedo, o secretário de Defesa dos Estados Unidos, Ashton Carter, confirmou a intenção americana de posicionar 250 tanques em sete países do Leste Europeu e dos Bálcãs.

“Isto será primeiramente refletido no princípio do aquartelamento territorial de nossas tropas no território de nosso país, inclusive, acredito, a região de Kaliningrado”, disse o vice-líder do Comitê de Defesa do parlamento russo, Sergey Zhigarev, à rádio russa Govorit Moskva.

A OTAN aumentou sua presença militar ao longo das fronteiras com a Rússia após acusações de interferência russa na crise ucraniana. Moscou seguidamente negou as alegações e enfatiza que a expansão militar em direção às fronteiras russas prejudicam a segurança regional e aumenta as tensões.


24 junho 2015

França convoca embaixatriz dos EUA após revelações de espionagem

Jane Hartley foi chamada de volta pelo chanceler francês Laurent Fabius.
WikiLeaks revelou que EUA espionaram os últimos 3 presidentes franceses.


France Presse

A embaixatriz dos Estados Unidos na França, Jane Hartley, foi convocada nesta quarta-feira (24) pelo chanceler francês Laurent Fabius, após a revelação de que o governo americano espionou os três últimos presidentes franceses, informaram fontes diplomáticas.



A medida foi adotada após uma reunião do Conselho de Defesa nesta quarta, com a presença do presidente François Hollande e de seus principais ministros nas áreas militar e de inteligência.

"A França não tolerará nenhum ato que questione sua segurança", afirmou presidência ao fim da reunião de emergência.

"Os compromissos assumidos pelas autoridades americanas, que se comprometeram no fim de 2013 a não espionar mais os aliados, devem ser recordados e estritamente respeitados", destaca um comunicado da presidência, que condena "atos inaceitáveis".

O Conselho de Defesa foi convocado na terça-feira à noite por Hollande, depois que a imprensa francesa revelou que o governo dos Estados Unidos espionou as conversas de Hollande e de seus antecessores, Nicolas Sarkozy e Jacques Chirac.

A reunião contou com as presenças de Hollande, do primeiro-ministro Manuel Valls, vários ministros e os comandantes militares e da área de inteligência.

A espionagem americana dos últimos três presidentes da França, revelada pelo jornal Liberation e pelo site de notícias Mediapart com base em informações do WikiLeaks, foi condenada por todos os partidos, ligados ao governo ou de oposição.

A Casa Branca afirmou que não espiona as comunicações de Hollande.


Sem dinheiro, Marinha interrompe construção de navio hidroceanográfico no Ceará

Poder Naval

Por falta de recursos orçamentários, a Diretoria de Engenharia Naval (DEN) da Marinha suspendeu, nesta quinta-feira (18.06), por 30 dias, o contrato celebrado com o estaleiro INACE (Indústria Naval do Ceará), para a construção de um navio hidroceanográfico fluvial (NHoFlu).

Caso haja recursos, é possível que a DEN autorize a retomada da construção no próximo mês. Do contrário, o órgão emitirá um novo “Aviso de Suspensão”.

A construção do barco deve durar 18 meses. Ela está inserida no Projeto de Cartografia da Amazônia, realizado pela Força Naval em parceria com o Exército Brasileiro, a Força Aérea Brasileira e o Serviço Geológico do Brasil, sob a coordenação do Centro Gestor e Operacional do Sistema de Proteção da Amazônia (CENSIPAM) – órgão subordinado ao Ministério da Defesa e incumbido de repassar os recursos financeiros indispensáveis à fabricação das embarcações que servirão ao Projeto.

Coube à Marinha do Brasil (MB), por meio da Diretoria de Hidrografia e Navegação (DHN), coordenar o Subprojeto de Cartografia Náutica, de modo a apresentar, como produto final dos trabalhos, cartas náuticas da Bacia Amazônica atualizadas na escala de 1:100.000.

Projetado para operar em um raio de ação de 3.000 milhas náuticas, com uma autonomia de 25 dias, o navio que está sendo fabricado pelo INACE será dotado de modernos sensores científicos, como ecobatímetros, perfiladores acústicos de correntes, sensores inerciais, medidor de velocidade do som e sistema de aquisição de dados de hidroceanografia.

Missões 


O navio em construção será empregado na coleta de dados hidroceanográficos e em atividades inerentes à segurança da navegação. Adicionalmente poderá ser empregado em outras missões tipicamente militares: 

(1) na formação e adestramento de pessoal, 

(2) nas ações de presença em função de necessidades da política externa brasileira, 

(3) na coleta de dados ambientais em apoio ao planejamento e à execução de operações ribeirinhas e 

(4) em missões de esclarecimento.

A embarcação também poderá realizar, de maneira limitada, a prestação de socorro a embarcações e obtenção de informações operacionais, em apoio aos órgãos governamentais, na Defesa Civil, nas Ações Cívico-Sociais e na preservação do meio ambiente, bem como prover apoio logístico restrito aos Avisos Hidroceanográficos Fluviais (AvHoFlu), durante a realização das chamadas campanhas hidroceanográficas.

A 17 de dezembro de 2014, no cais da Indústria Naval do Ceará, em Fortaleza (CE), ocorreu o Batismo, Mostra de Armamento e Transferência para o Setor Operativo do Navio Hidroceanográfico Fluvial (NHoFlu) “Rio Branco”, de 55 m de comprimento, 9 m de boca moldada e deslocamento (vazio) 560 toneladas. A tripulação é de 7 oficiais e 36 subalternos.

NHoFlu Rio BrancoNavio hidroceanográfico fluvial “Rio Branco”

Com cerca de 70% de conteúdo nacional, o NHoFlu “Rio Branco” teve seu projeto de concepção realizado pelo Centro de Projetos de Navios, tendo sido posteriormente detalhado pelo estaleiro cearense.

Nesse planejamento destacam-se os aprimoramentos introduzidos nas linhas de casco, que possibilitaram a redução do custo de posse do navio, moderno Sistema de Controle e Monitoramento (SCM) e a incorporação tecnológica do sistema de sanitários a vácuo e de uma Unidade de Tratamento de Águas Servidas (UTAS), que incorporam importantes conceitos de sustentabilidade, em atendimento aos Diplomas Ambientais vigentes.

Aviso 

Segue abaixo o aviso de suspensão da construção da unidade ora em fabricação no estaleiro cearense:

DIRETORIA DE ENGENHARIA NAVAL

AVISO DE SUSPENSÃO

Contrato Nº 45000/2012-007/00

Fica suspensa, temporariamente, nos termos do art. 57, § 1º, inciso III 1ª parte e art. 78, inciso XIV, observado o art. 8º, parágrafo único e o art. 26, da Lei nº 8.666/1993, a execução do contrato nº 45000/2012-007/00, entre a Diretoria de Engenharia Naval e a Indústria Naval do Ceará S/A (INACE). Objeto: Construção de um Navio Hidroceanográfico (NHoFlu).

Prazo: 30 dias a partir de 18/06/2015.

MANOEL R. MACHADO FRANÇA

2ª Gerente de Obtenção de Meios Distritais e da DHN

Marinha indefere recurso de finlandeses para ficar com a reconstrução da base na Antártida

Poder Naval

A Comissão Interministerial para Recursos do Mar negou provimento ao recurso da empresa OY FCR Finland Ltd., que tentou reverter decisão da Marinha, datada de 20 de maio último, de atribuir ao grupo chinês CEIEC o contrato para a reconstrução da estação científica Comandante Ferraz, na Antártida.


Estação Antártica Comandante FerrazA nova estação brasileira tem linhas arrojadas, e abrigará seus pesquisadores com segurança e conforto

De acordo com a Marinha, a proposta dos chineses – 99,6 milhões de dólares (cerca de 302,1 milhões de Reais) – foi a menor oferecida entre os três concorrentes ao serviço no Pólo Sul.

Em janeiro deste ano, a Marinha já havia emitido parecer anunciando sua opção pela CEIEC, mas a OY FCR e o consórcio brasileiro-chileno Ferreira Guedes/Tecnofast apresentaram recursos judiciais contra a decisão, o que forçou a suspensão da licitação, em fevereiro. O processo foi retomado em abril.

O novo complexo científico vai substituir a antiga base, destruída por um incêndio em 2012, que causou a morte de dois militares da Marinha.

A obra estava prevista para ser entregue em março de 2015, mas, devido aos atrasos na licitação, a entrega da estação pode ocorrer só em 2018.

Leia os termos do comunicado sobre a decisão:

SECRETARIA DA COMISSÃO INTERMINISTERIAL

PARA OS RECURSOS DO MAR

AV I S O CONCORRÊNCIA N 2/2014

PROCESSO Nº 61165.000287/2014-93 –

Espécie: O Secretário da Comissão Interministerial para os Recursos do Mar, ao analisar o recurso interposto pela licitante OY FCR FINLAND LTD contra a decisão da Comissão Especial de Licitação na fase de julgamento das Propostas de Preços do supracitado certame, DECIDIU: a) Pelo recebimento do recurso apresentado pela empresa OY FCR FINLAND LTD; b) Pelo indeferimento do mérito solicitado pela empresa OY FCR FINLAND LTD; e c) Pela manutenção da classificação da proposta da empresa CEIEC, mantendo-a como a mais vantajosa para a Administração Pública.

VICE-ALMIRANTE MARCOS SILVA RODRIGUES

Secretário da Comissão Interministerial para os Recursos do Mar.


Exército e Marinha estudam os dirigíveis para, um dia, ter 26 deles levando carga sobre a Amazônia

Poder Naval

O Exército e a Marinha do Brasil julgam que poderiam empregar 26 dirigíveis operados remotamente para o transporte de carga sobre a floresta amazônica.

A informação constitui o dado mais recente do longo histórico de interesse da força terrestre pelos aeróstatos, termo que designa os veículos de um tipo especial de balão cativo, cujo formato lembra o de um dirigível convencional (imortalizado pela silhueta do famoso Zeppelin alemão).

O Exército estuda documentos produzidos por seus oficiais acerca da utilidade de dirigíveis na Amazônia desde a década de 1970.

Esse meio de transporte sempre pareceu um instrumento muito atraente para que a força terrestre realize sua logística estratégica em áreas de fronteira. Mas há outros aplicativos.

Os aeróstatos também podem ser empregados como plataformas para sensores e antenas integrantes de sistemas de vigilância e/ou monitoramento e/ou telecomunicações – sendo possível que todas essas funções sejam atendidas simultaneamente em função dos equipamentos que estiverem instalados como carga paga (payload).

A principal dúvida que subsiste sobre a eficácia dos voos de dirigíveis na Região Norte do país diz respeito à sua resistência às fortes tempestades – fenômeno meteorológico comuníssimo na Amazônia.

Mas isso não impediu a força terrestre de, nos anos de 1990, criar o “Projeto Dirigível do Exército Brasileiro”.

Airship 


Quando, em 2004, a força terrestre coordenou a criação de uma sociedade de propósito específico (SPE) para o desenvolvimento de dirigíveis, materializada na assinatura de um memorando de entendimento, diferentes empresas foram signatárias do documento, dentre elas a Transportes Bertolini Ltda (TBL).

Airship

O projeto evoluiu e, em 1° de junho de 2005, formalizou-se a constituição da Airship do Brasil Indústria Aeronáutica Ltda. (ADB), uma sociedade que contava com a participação inicial de três outros sócios, além da própria TBL.

Instalada inicialmente no município paulista de Barueri, onde o Exército possui o Arsenal de Guerra de São Paulo – uma grande organização militar de apoio logístico –, a empresa, a 5 de outubro de 2010, foi transferida para a cidade de São Carlos, 240 km a nordeste de São Paulo.

Na metade final dos anos de 1990, o Centro de Pesquisas Renato Archer (CenPRA), entidade sediada em Campinas que pertence ao Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação, desenvolveu o chamado Projeto Aurora – nome que, na verdade, representa a siglaAutonomous Unmanned Remote monitoring Robotic Airship (dirigível robotizado monitorado remotamente não-tripulado de deslocamento autônomo) –, de um veículo capaz de transportar até 25 kg de carga.

O projeto foi apresentado pelo CenPRA aos oficiais da 2ª Companhia de Comunicações Blindada do Exército, sediada em Campinas – unidade orgânica da 11ª Brigada de Infantaria Leve.

Voo inaugural 

No dia 27 de março de 2015, a Airship do Brasil, inaugurou sua nova sede, na cidade de São Carlos no Estado de São Paulo. A empresa prevê, para 29 de dezembro deste ano, o vôo inaugural do aeróstato ADB-A-150

Nos dias 14 e 15 de outubro do ano passado, a Airship realizou um voo de ensaio com o ADB-A-150 na Chácara das Rosas, município de São Carlos.

O teste foi acompanhado por uma comitiva do Exército que fora incumbida de avaliar a possibilidade de utilização de aeróstatos nos sistemas estratégicos de defesa brasileiros. A visita dos militares serviu também para dar prosseguimento ao processo de credenciamento da ADB como empresa estratégica de defesa (EED), conforme estabelecido pela Lei 12.598/12, de 21 Mar 12.

Os testes realizados na primeira quinzena de outubro de 2014 visaram constatar o comportamento do ADB-A-150 em situações e condições reais, possibilitando, assim, levantar aspectos que podem ser aperfeiçoados – motivo pelo qual está em andamento intenso programa de aumento de confiabilidade e redimensionamento que alguns sistemas do aeróstato.

O aeróstato ADB-A-150 é um equipamento derivado das pesquisas da empresa com um diversificado leque de dirigíveis não tripulados: o ADB-1 (4 metros de comprimento e disponibilidade para dois quilos de carga paga), o ADB-2 (16 m de comprimento e disponibilidade para 20 kg de carga), e o ADB-3-30, um veículo cargueiro que deverá nascer do trabalho de nacionalização do dirigível americano 138S Skybus.

Com 50 m de comprimento e capacidade de carga de 30 toneladas, o Skybus brasileiro será sustentado no ar por 4,5 mil metros cúbicos de gás hélio.

LTA 

Nos últimos dez anos a Airship do Brasil tem trabalhado em pesquisas e desenvolvimento de aeronaves mais leves que o ar (lighter than air ou LTA, como são conhecidas internacionalmente).

No aspecto administrativo, a empresa que nasceu com vocação para ser uma prestadora de serviços na área de logística, logo evoluiu para o segmento da indústria aeronáutica.

Complementarmente a esses projetos, a ADB vem trabalhando na montagem e estruturação dos currículos e de cursos a serem ministrados para a formação de recursos humanos tanto para a operação como para a manutenção dos equipamentos por ela produzidos, estando prevista para funcionar em São Carlos, a primeira escola latino-americana formadora de pilotos, tripulações, mecânicos e gestores operacionais de dirigíveis.

Copa do Mundo 

A 28 de novembro de 2013, dirigentes da Airship do Brasil reuniram-se, em Brasília, com o então comandante Militar do Planalto (CMP), general Gerson Menandro Garcia (hoje na chefia do setor de Assuntos Estratégicos do Ministério da Defesa). O objetivo do encontro era apresentar à força terrestre as opções que incrementariam a confiabilidade do sistema de segurança em estruturação, para funcionar durante os jogos da Copa do Mundo que iriam acontecer na capital brasileira.

O comandante Militar do Planalto era, à época, a autoridade do Exército incumbida da missão de coordenação das ações de defesa, segurança e inteligência, visando garantir que a Copa do Mundo de Futebol transcorresse com tranquilidade.

Na reunião de Brasília, um executivo da área de Relações Estratégicas e Institucionais da ADB explanou a ideia de se estabelecer vigilância e enlaces de comunicações com sensores e antenas instalados em aeróstatos fabricados por sua companhia. Além disso, tratou-se da possibilidade de integração desses equipamentos ao sistema já existente no Comando Militar do Planalto – que possuía, em sua sede, a estrutura de um centro de coordenação e controle (C2) bastante avançado.

O general Menandro mostrou-se interessado no plano da ADB. Ele opinou que a tecnologia desenvolvida pela Airship teria excelente efeito dissuasório, demonstrando avançada capacidade do País em termos de C2, mas o assunto, a partir desse encontro, pouco progrediu.

Bourget 

Passados pouco mais de 18 meses, o tema dos dirigíveis continua na ordem do dia.

Esta semana, durante a 51ª edição do Salão de Aeronáutica e Espaço de Le Bourget, na França, Orlando P. Carvalho, vice-presidente executivo da divisão de Aeronáutica da prestigiosa companhia americana Lockheed Martin, anunciou que sua empresa planeja oferecer ao mercado um novo dirigível, com capacidade de transportar até 20 toneladas.

O chamado veículo LMH-1 (Lockheed Martin Híbrido-1), baseado no protótipo Skunk Works P-791, que voou pela primeira vez em 2006, é o resultado de mais de 20 anos da famosa Lockheed Martin no campo da tecnologia dos dirigíveis híbridos.



Trata-se de um veículo dotado de quatro motores diesel de 300 HP, com velocidade de cruzeiro em torno dos 60 nós horários e capacidade de voar por 1.400 milhas (o equivalente a 2.520 km) antes de precisar voltar ao chão. Sua capacidade de carga é de 21 toneladas, ou até 19 passageiros instalados com total conforto.

Tal como acontece com todas as aeronaves híbridas, o LMH-1 é realmente um veículo mais pesado que o ar, com 80% da sua capacidade de decolagem determinada pela flutuabilidade do gás hélio encerrado dentro do dirigível. O mais interessante é que ele não requer postes de amarração ou o esquema de tie-down (pontos para fixá-lo no chão).

Em vez disso, ele usa um sistema de colchão de ar semelhante ao de um hovercraft, permitindo que o veículo manobre no terreno.

Outra novidade: o LMH-1 americano também produz um jato de sucção que o prende de maneira mais eficiente ao solo – um mecanismo utilíssimo durante as fainas de carregar ou descarregar cargas.


FAB: 50 anos do primeiro pouso a bordo

Grupo de Aviação Embarcada operou a bordo de porta-aviões brasileiro entre 1965 e 1996


Poder Aéreo

Imagine pousar um avião de aproximadamente 9 toneladas em apenas cem metros de uma pista de pouso de aço que balança no meio do mar. Foi esse o feito realizado há exatos 50 anos, em 22 de junho de 1965, quando o primeiro P-16 Tracker da Força Aérea Brasileira (FAB) pousou a bordo do porta-aviões A-11 Minas Gerais da Marinha do Brasil. Durante o pouso, a desaceleração brusca levava a aeronave de 200 km/h a 0 km/h em pousos segundos.


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“Não é tão difícil assim quanto a turma fala!”. Quem brinca é o Brigadeiro Luiz Carlos Boavista Acciolly, já na reserva, piloto de P-16 com a experiência de ter sido do 1° Grupo de Aviação Embarcada entre 1960 e 1969.

Ele estava lá no dia do pouso pioneiro, mas em uma função bem específica: ele era o Oficial Sinalizador de Pouso, responsável por conduzir a tripulação da aeronave até o toque no convés do porta-aviões. “O mais importante de tudo é conhecer os pilotos: o oficial sinalizador de pouso não sinaliza para um piloto que não seja do esquadrão dele. Tem que conhecer os pilotos muito bem”, explica o Brigadeiro, na época no posto de Capitão.

O primeiro pouso a bordo do Minas Gerais foi realizado pelo então Major Antônio Claret Jordão, tendo como co-piloto o Capitão Iale Renan Accioly Martins de Freitas. “Foi uma alegria para todos nós. Por uma dessas coincidências foi o Jordão, que era uma das figuras mais queridas na embarcada”, lembra o Brigadeiro Accioly.

Já no dia seguinte, os P-16 da FAB realizaram 36 pousos e decolagens a bordo. O objetivo era tornar o Grupo de Aviação Embarcada apto a cumprir suas missões de patrulha marítima e guerra antissubmarino a partir do porta-aviões. “A gente operando a partir da Base Aérea de Santa Cruz ficava muito limitado. O avião era para operação a bordo de navio aeródromo”, lembra.

Uma das características marcantes eram as asas dobráveis, necessárias para que os aviões coubessem no hangar do porta-aviões. Também havia um gancho para pouso: o P-16 engatava em um dos quatro cabos colocados sobre o convés e assim conseguia parar rapidamente. A bordo, as aeronaves possuíam sistemas para localizar submarinos, além de poder levar torpedos e foguetes.

Entre 1961 e 1996, a FAB operou 13 aviões P-16A e oito P-16E. Entre 22 de junho de 1965 e 13 de agosto de 1996, o Grupo de Aviação Embarcada registrou 1.382 dias no mar com suas aeronaves, tendo realizado 14.072 pousos diurnos e 2.674 noturnos. Os P-16 foram aposentados em 1996 e as atividades de patrulha marítima e de guerra antissubmarino foram assumidas pelos aviões P-95 Bandeirante Patrulha e P-3AM Orion, ambos baseados no continente.

Já o porta-aviões Minas Gerais operaria até 2001, tendo, ainda naquele ano, realizado operações com os caças AF-1 da Marinha do Brasil.


Embraer diz que cortes orçamentais não terão ‘grande impacto’ no programa KC-390

Poder Aéreo

O presidente da Embraer, Frederico Curado, considera que o corte de 25% no orçamento do ministério de Defesa no Brasil não vai ter “grande impacto” no programa do avião militar KC-390, admitindo apenas a possibilidade de alguma reprogramação.




“A minha expetativa é de que não tenha um grande impacto, nada que não possamos resolver. Pode haver alguma reprogramação, mas estou otimista de que isto não vai ser necessário”, disse Frederico Curado.

O responsável falava à margem da entrega do prémio “Personalidade do Ano” 2014, com que também foi galardoado a par com do fundador e presidente do Conselho de Administração do Grupo Sonae, Belmiro de Azevedo, numa iniciativa promovida pela Câmara de Comércio e Indústria Luso-Brasileira, em Lisboa.

O presidente da Embraer falou do corte de 25% no orçamento do ministério de Defesa no Brasil, explicando que ainda “não há uma definição específica” sobre os programas que vão ser afetados, mas reforçou que a expectativa é a de que o KC-390 “seja preservado”, até pela importância estratégica que tem para o país, a Força Aérea, o exército e as exportações do Brasil.

“Já estamos com 80% do avião desenvolvido. Estamos aguardando nas próximas semanas [julho] uma definição, com a expetativa positiva de que o programa vai ser preservado. Acho que o programa permanece bastante bem protegido, essa é a nossa expectativa”, disse.

Portugal está envolvido no projeto do KC-390 através do Centro de Excelência para a Inovação e Indústria CEIIA (desenvolvimento e testes) e das unidades da Embraer no país: as OGMA, em Alverca, e as fábricas de Évora (construção de componentes).

Tal como outros 30 países, Portugal assinou uma carta de intenção de compra do KC-390, de até seis aeronaves.

O ministro da Defesa, José Pedro Aguiar-Branco, afirmou, no passado dia 04 de fevereiro, que a decisão para aquisição das aeronaves para a Força Aérea pode vir a avançar este ano.

Questionado sobre a concretização desta intenção por parte de Portugal, para substituir os atuais aviões Hércules C-130 da Força Aérea, Frederico Curado apenas disse: “Estamos torcendo para que sim”.

A nova aeronave da empresa brasileira, da terceira maior construtora aeronáutica do mundo, foi apresentada oficialmente (“roll-out”) a 21 de outubro do ano passado e realizou já este ano com sucesso o seu primeiro voo (para avaliação da qualidade e desempenho).

O KC-390, segundo a Embraer, é um avião que poderá ser usado para o transporte e lançamento de cargas e tropas, reabastecimento aéreo, busca e resgate e combate a incêndios florestais.


FAB avalia rever plano de modernização do jato de ataque AMX

Poder Aéreo | Valor Econômico

A Força Aérea Brasileira (FAB) está revisando o programa de modernização dos caças AMX, realizado pela Embraer, e estuda a possibilidade de redução do número de aeronaves a serem modernizadas. O Valor apurou que o estudo contempla a redução de 43 para 30 aeronaves, mas o número está sujeito a alterações. Procurada, a Embraer Defesa e Segurança disse que não comentaria o assunto.




“O projeto AMX está em processo de estudo, tendo em vista os novos cenários operacionais e logísticos, principalmente com a chegada da aeronave Gripen”, disse o presidente da Copac (Comissão Coordenadora do Programa Aeronave de Combate), brigadeiro do ar Paulo Roberto Chã. À medida que o Gripen for sendo incorporado aos esquadrões da FAB, a partir de 2019, segundo Chã, o AMX vai aos poucos saindo de cena. “A previsão é que a frota de AMX seja desativada até 2030″, disse.

A modernização daria uma sobrevida de mais 20 anos à frota de AMX. O projeto tem R$ 54 milhões no orçamento da FAB para este ano, embora na proposta de Lei Orçamentária estivessem previstos R$ 600 milhões. A Embraer entregou 3 AMX modernizados para a FAB. O cancelamento do programa, segundo o brigadeiro da Copac, não está em questão. “O Gripen ‘alugado’ não é uma realidade. Ainda está em processo de negociação”, afirmou.

Em situação similar ao AMX, encontra-se o programa de modernização do lote de onze caças F-5, que também está sujeito à redução. Um lote de 46 aeronaves já foi modernizado pela Embraer. Para o segundo lote, a FAB conta com uma verba orçamentária de R$ 46 milhões este ano. O programa do F-5 está atrasado cerca de um ano e meio e, segundo o Valor apurou, a FAB estuda reduzir de onze para sete o número de aeronaves modernizadas.

O presidente da Copac voltou a afirmar que o carro chefe dos projetos da FAB em 2015 é desenvolvimento do KC-390 e dos caças Gripen NG, para os quais conta com recursos da ordem de R$ 1,7 bilhão. O projeto F-X2, segundo ele, tem R$ 1 bilhão para este ano. Mas o valor poderá ser escalonado, segundo declarações recentes do ministro da Defesa, Jacques Wagner. O valor do repasse seria reduzido para R$ 200 milhões em 2015.

O brigadeiro da Copac explicou, porém, que a Lei Orçamentária de 2015 aprovou R$ 1 bilhão para o F-X2, sem corte nenhum. “Portanto, estamos autorizados a gastar esse valor em 2015. Não tenho nenhuma informação oficial de que o dinheiro será reduzido. No máximo, o que pode acontecer, é de faturarmos em dezembro uma parcela maior deste valor para pagamento na virada do ano”, disse. A redução do valor do repasse aos suecos, se acontecer de fato, segundo Chã, pode ser uma medida para garantir o equilíbrio fiscal e assegurar o cumprimento da meta de superávit primário.

O caça de ataque ar-superfície AMX, que na FAB é conhecido pela sigla A-1, é a principal ferramenta a ser utilizada pelo Brasil em caso de dissuasão de forças hostis nas fronteiras terrestres, nos limites das águas jurisdicionais brasileiras, além de impedir o uso do espaço aéreo nacional. Com a modernização, a FAB pretende ampliar a capacidade operacional e de sobrevivência da aeronave em ambientes hostis.


Dilma pede à Suécia revisão de juros de financiamento dos 36 caças Gripen

Poder Aéreo

Diante da pressão do ministro da Fazenda, Joaquim Levy, para que o contrato de financiamento dos 36 caças gripen tenha seus juros rebaixados, para ajudar no ajuste fiscal, a presidente Dilma Rousseff, conversou, por telefone na manhã desta terça-feira, 23, com o primeiro ministro da Suécia, Stefan Löfven. Dilma pediu a Löfven adiamento do prazo para a assinatura do contrato de financiamento, que expira nesta quarta-feira, dia 24 de junho, para que se possa renegociar as taxa de juros.


Gripen NG montagem com cores da FAB - imagem K Tokunaga - Saab

Levy tem alegado que a alteração da taxa representará uma redução de gasto da ordem de R$ 1 bilhão, em 25 anos. O ministro quer usar ainda este contrato como modelo para renegociar outros acordos internacionais já assinados por outros ministérios, sob a alegação de que os juros na Europa caíram e o Brasil pode ser beneficiado com isso.

O Comando da Aeronáutica está muito preocupado com esta alteração dos termos da proposta já assinada com a SAAB, fabricante dos aviões. A FAB teme que outras cláusulas importantes do contrato possam sofrer correção e atrapalhe o projeto de construção conjunta dos aviões, com transferência de tecnologia. Para a FAB a economia é muito pequena para um período tão longo de 25 anos, pelo desgaste da alteração dos termos da proposta. Os suecos alegavam que o contrato já foi assinado e que os seus termos já foram aprovados pelo congresso daquele país.

Assim, qualquer alteração, necessitaria de nova aprovação pelo plenário do congresso sueco. O governo brasileiro, no entanto, acha que poderá contar com a boa vontade dos suecos porque eles também têm interesse no projeto e o sinal disso foi que eles já aceitaram um pedido do Levy de redução de R$ 1 bilhão para R$ 200 milhões do desembolso da primeira parcela, em função do forte ajuste fiscal que está em curso no País.

Na conversa com o primeiro ministro da Suécia, a presidente Dilma tentou tranquilizá-lo avisando que o governo brasileiro não tem interesse em romper o contrato, mas apenas renegociar as taxas de financiamento. Lembrou ainda que é tradição brasileira a segurança jurídica em relação aos contratos e explicou os benefícios para o País, em momento de dificuldades econômicas. Segundo apurou a reportagem, a reação do primeiro ministro foi “propositiva” e ele ficou de dar uma resposta ao governo brasileiro.

Para Levy, as taxas de juros do contrato podem ser alteradas. Já os suecos, consideram que não. O diretor da Saab no Brasil, Bengt Janér, ao falar sobre as dificuldades de qualquer tipo de alteração no contrato, informou que “no ato da assinatura do acordo comercial os juros estabelecidos foram congelados”. Para ele, a discussão é que o Brasil quer baixar ainda mais as taxas, que os bancos suecos dizem que já estão de menores que a da OCDE. “Só que os suecos têm de seguir as regras escritas, que são claras e dizem que os juros são congelados quando da assinatura do contrato porque senão vira subsídio à indústria de defesa da Suécia”.

De acordo com Bengt Janér, não tinha como baixar os juros “a não ser que o contrato voltasse ao parlamento sueco e se iniciasse toda uma nova discussão e negociação e, neste caso, o atraso será irreversível”.

Por ora estão mantidos os prazos de entrega do primeiro dos 36 aviões em 2019, completando dez no fim de 2021, para que se forme um esquadrão e eles comecem a operar. A previsão de entrega do último avião é 2024. Desde a primeira sinalização da compra, em dezembro de 2013, o contrato subiu 12% do preço a preços de hoje, segundo a FAB, agora está em US$ 4,8 bilhões. Cada dia de demora na assinatura do contrato de financiamento adia a ida dos 100 engenheiros brasileiros para começar a trabalhar na construção da nova geração do Gripen.


Até agora, foi assinado um pré-contrato, em outubro de 2014, e um dos seus itens prevê que, em até oito meses, tem de ser ratificado o financiamento com o banco de fomento sueco SEK. Caso isso não ocorra, todo o processo de negociação perde efeito e todos os termos do acordo da compra dos aviões terão de ser reavaliados. Outro problema é que, no caso de adiamento, de acordo com técnicos da Força Aérea e da empresa fabricante do caça, “a transferência de tecnologia é afetada de forma irreversível”.


22 junho 2015

Russos rebatem críticas sobre atualização de arsenal nuclear

A recente declaração do presidente Vladímir Pútin sobre a incorporação de 40 mísseis balísticos ao arsenal russo provocou uma onda de acusações de quebra do Tratado de Redução de Armas Estratégicas (Start, na sigla em inglês). Russos alegam que palavras de Pútin foram deturpadas, e que se trata apenas de modernização das forças nucleares.


Guevorg Mirzaian | Gazeta Russa

Na última terça-feira (16), o presidente russo Vladímir Pútin declarou que “este ano as forças nucleares [da Rússia] vão incorporar mais 40 de novos mísseis balísticos intercontinentais, capazes de superar qualquer sistema de defesa antimíssil”. Pouco depois, alguns políticos ocidentais, encarando o anúncio de Pútin como o início de uma nova corrida armamentista, não pouparam críticas à liderança russa.


Russos rebatem críticas sobre atualização de arsenal nuclear
Complexo de mísseis Yars, na Praça Vermelha de Moscou Foto: Ria Nôvosti/Vladímir Astapkovitch

“Isso não ajuda em nada a esfriar a escalada dos conflitos”, disse o porta-voz da Casa Branca, Josh Earnest. Já o secretário-geral da Otan, Jens Stoltenberg, declarou que “a retórica militar [do Kremlin] não se justifica, é perigosa e desempenha um papel desestabilizador”, enquanto o comandante das forças da Otan na Europa, Philip Breedlove, se referiu à Rússia como uma “potência nuclear irresponsável”.

No entanto, a questão foi analisada sob um ponto de vista diversos por alguns observadores russos. “A atualização do arsenal nuclear da Rússia não é surpresa para ninguém. Ela se enquadra no programa de modernização das Forças Armadas, e o número de mísseis é ainda menor do que o previsto”, disse à Gazeta Russa o professor Dmítri Ofitserov-Belski, da Escola Superior de Economia.

Além disso, Pútin teria falado não apenas sobre mísseis, mas das Forças Armadas como um todo. “Ele também disse que em breve será colocado ao serviço do Exército o cruzador submarino estratégico Vladímir Monomakh, e que tanto a Marinha como a Aeronáutica estão sendo complementadas”, destacou Ofitserov-Belski.


Vladímir Monomakh

Alarmismo sem causa

“As palavras de Pútin caíram em solo fértil, uma vez que as relações políticas entre a Rússia e os EUA/Otan entraram no domínio da troca de acusações e ameaças”, disse à Gazeta Russa Piotr Topitchkanov, funcionário do Centro Carnegie de Moscou. “Assim, o anúncio de que o país ganha estas ou outras capacidades no campo das armas nucleares ou convencionais é entendido como uma ameaça ao adversário.”

Topitchkanov ressaltou, contudo, que o programa de renovação das forças nucleares russas “não foi iniciado hoje nem ontem” e a complementação anunciada não coloca as forças russas de dissuasão nuclear para além do limite máximo estipulado no Start. “Esse tratado estabelece um regime de inspeções que restringe seriamente a possibilidade de violações do mesmo”, afirmou.

Ainda segundo o especialista do Centro Carnegie, a possibilidade de conflito militar não é interessante nem para a Rússia, nem para o Ocidente. “Tanto Moscou como Washington e Bruxelas entendem que qualquer conflito armado entre a Rússia e a Otan seria difícil de conter em termos de escalada para uma guerra nuclear.”

Corrida cara

Após as críticas ocidentais, as autoridades russas também negaram qualquer ameaça nas palavras do presidente Vladímir Pútin. “Nós não estamos entrando em nenhuma corrida armamentista – somos contra isso, pois iria apenas enfraquecer as nossas capacidades na esfera econômica”, declarou o assessor da presidência, Iúri Uchakov.

O assessor de imprensa do Kremlin, Dmítri Peskov, acrescentou ainda que a Rússia não pretende atacar ninguém – pelo contrário, o país teme se tornar vítima de agressão. “Pútin explicou detalhadamente ao seu homólogo finlandês que não é a Rússia que está se aproximando das fronteiras de ninguém. A infraestrutura militar da Otan é que está se aproximando das fronteiras da Rússia e estão sendo tomadas medidas destinadas a mudar o equilíbrio estratégico de forças”, disse Peskov.


Revista americana conta aos leitores como comprar tanque soviético

Todas as pessoas que têm 50 mil dólares podem comprar um tanque soviético T-72 de segunda mão, escreve o site Wired.


Sputnik

As autoridades militares da República Checa, Eslováquia, Hungria e Polônia, que após a queda da Cortina de Ferro têm muitos tanques e outro armamento soviético, estão vendendo o equipamento para dar espaço para seus análogos da OTAN. Os vendedores, principalmente da República Checa, têm um amplo conjunto de propostas: tanques T-55 e T-64 e os mais complexos T-80. Além disso, eles oferecem helicópteros de combate, artilharia autopropulsada, veículos de combate de infantaria e veículos blindados de transporte, diz o artigo.


Tanque T-80
T-80 © Sputnik/ Evgeny Biyatov

"O T-72 é um tanque russo de guerra, um peso-pesado, 45 toneladas de problemas com uma arma de fogo de 127 milímetros", escreve a edição.

Todas as reparações necessárias são incluídas no preço do tanque. Antes de enviar a encomenda, os vendedores verificam os principais sistemas da máquina. No entanto, se o cliente quiser que o tanque pareça absolutamente novo, terá de pagar cerca de 30 mil dólares mais. A reparação começa após obtenção de uma licença de exportação.

A revista escreve que os compradores dos EUA devem lembrar que o envio custará 15 mil dólares para a costa leste e 25 mil — para a costa oeste. Além disso, o transporte será cancelado se o tanque não tiver as "metralhadoras cerradas".

A deslocação de tanques pelas vias públicas nos Estados Unidos é proibido, por isso o comprador tem que ter uma propriedade pessoal.

"Destrua o gramado. Assuste a sério os vizinhos. Tire o lixo e esmague-o. Não importa o que você vai fazer com o tanque — você já é nosso herói", ironiza a edição.