19 abril 2015

Premiê de Israel critica entrega de mísseis S-300 russos ao Irã

O primeiro-ministro israelense, Benjamin Netanyahu, começou a reunião semanal de domingo (19) do governo com a condenação do fornecimento pela Rússia de mísseis antiaéreos S-300 ao Irã.


Sputnik

No início desta semana, o chefe do gabinete israelense discutiu o assunto com o presidente russo, Vladimir Putin, tendo este último, de acordo com o serviço de imprensa do Kremlin, sublinhado que os S-300, pelas suas características táticas e técnicas têm uma finalidade puramente defensiva e não afetam a segurança do Israel e outros países do Oriente Médio.


Benjamin Netanyahu, primeiro-ministro de Israel
Benjamin Netanyahu

"Israel vê como um assunto de extrema gravidade a venda de mísseis S-300 ao Irã, enquanto este país está intensificando a agressão na região e ao longo das fronteiras do Estado de Israel", disse Netanyahu, na abertura da sessão do governo, citado pelo seu serviço de imprensa.

A venda para o Irã de 40 lançadores de S-300PMU-1 fora acordada ainda em 2007. Três anos depois, a execução do contrato, avaliado em US$ 800 milhões, foi suspensa por causa das sanções internacionais impostas à República Islâmica. Na segunda-feira, o Kremlin anunciou a assinatura de um decreto que removeu a proibição de fornecimento de S-300 ao Irã.

Durante a Linha Direta da quinta-feira, o presidente Putin ressaltou que o fornecimento dos complexos S-300 não está na lista das sanções ocidentais. Por isso a Rússia não viola nenhuma norma ou resolução internacional ao continuar o fornecimento, interrompido em 2010 em razão da situação instável na região.



Rússia e Irã ampliam cooperação na área da defesa

A Rússia pode enviar seus instrutores para formar operadores de complexos S-300 no Irã, acredita especialista iraniano.


Sputnik

Na quinta-feira, o ministro russo da Defesa, Sergei Shoigu, teve um encontro com o seu colega iraniano, Hossein Dehghan para discutir o fornecimento dos complexos de mísseis S-300 russos ao Irã. A reunião deu-se no quadro da Conferência sobre a Segurança Internacional em Moscou.


Um destacamento de S-300 em São Petersburgo
© Sputnik/ Aleksei Danichev

De acordo com o redator-chefe do jornal Iran Press, Emad Abshenass, contatado pela Sputnik, a retomada do processo de fornecimento dos S-300 significa um aumento de contatos e mobilidade profissional entre os dois países:

"Anteriormente, no momento da assinatura daquele negócio que ficou suspendido [em 2012], a parte russa organizou cursos de formação de especialistas iranianos que deveriam operar os S-300. Eu acho que após as negociações que estão em curso agora, a Rússia irá fornecer seus especialistas para isso. É possível que o Irã envie à Rússia uma delegação de seus especialistas para se formarem".

O especialista acredita que além dos S-300, o Irã pode obter os complexos S-400:

"No momento, as partes estão discutindo a possibilidade de fechar novos acordos de fornecimento de armas russas ao Irã. Segundo eu saiba, não só trata dos complexos S-300, senão também dos sistemas de nova geração, S-400. Claro que o conteúdo das negociações não é divulgado, por razões de segurança. Vamos saber os detalhes só após a assinatura do acordo".

Abshenass nota que a produção dos complexos S-300 de configuração básica terminou há pouco, menos de três anos após a suspensão de fornecimentos ao Irã. A Rússia realizou fornecimentos à Grécia e à Argélia, os restantes S-300 permanecem em várias regiões russas.

A Rússia pode oferecer ao Irã também modificações mais modernizadas desses complexos. O complexo Antei-2500 é um exemplo delas.

Não obstante um eventual aumento do valor do contrato (o anterior era estimado em cerca de 800 milhões de dólares), o Irã "é interessado em aquisições de armamentos russos por preços altos", assegura Abshenass.

"Além disso, o estimado presidente Vladimir Putin disse na coletiva de imprensa [Linha Direta] ontem que agora não há nenhuma restrição ou proibição de fornecimentos de armamentos ao Irã, e a cooperação na área militar entre os dois países será ainda mais ativa. O Irã reagiu com entusiasmo às palavras do líder russo", frisou o especialista.

Durante a Linha Direta da quinta-feira, o presidente Putin ressaltou que o fornecimento dos complexos S-300 não está na lista das sanções ocidentais. Por isso a Rússia não viola nenhuma norma ou resolução internacional ao continuar o fornecimento, interrompido em 2010 em razão da situação instável na região.


Pentágono: atividades russas no Círculo Pacífico já equivalem ao período da Guerra Fria

Rússia aumentou de modo considerável as atividades no Círculo Pacífico, disse o almirante Samuel Locklear, que chefia o Comando das Forças Armadas Americanas no Pacífico, ao se apresentar no comitê de assuntos militares do congresso norte-americano.


Sputnik

“Nos últimos meses, a Rússia retomou as atividades (no Círculo Pacífico) em um nível equivalente ao período da Guerra Fria”, disse o representante do Pentágono.

“Além disso, sabemos que a Rússia pretende aperfeiçoar a estratégia de contenção atômica”, disse Locklear.


Navios da Frota do Pacífico da Marinha da Rússia em Vladivostok
© Sputnik/ Vitaliy Anykov

O almirante destacou que a “Rússia está modernizando a frota submarina e demonstra crescente influência no Ártico, bem como no nordeste e no sudeste asiático”.

Em 13 de março do corrente ano, o ministério das Relações Exteriores da Rússia, ao comentar os alarmes soados por Washington sobre aumento da frequência dos exercícios das forças aéreas russas no Pacífico, reiterou que as manobras militares da Rússia “são realizadas em estrita conformidade com as normas internacionais, bem como acordos bilaterais, e não estão voltadas contra nenhum país, nem configuram ameaça à paz na região da Ásia e do Pacífico”.

“Estranhamos ouvir tais insinuações de representantes de um Estado, cujas forças armadas estão permanentemente deslocadas em uma série de países do Círculo Pacífico e que continua aumentando a sua presença e atividades militares na região”, complementaram as fontes no ministério da Defesa da Rússia.



Grécia negocia com a Rússia a compra de mísseis para sistemas de defesa antiaérea S-300

Atenas está negociando com Moscou uma série de contratos militares, dentre estes, a compra de novos mísseis para sistemas antiaéreos S-300, declarou o ministro da defesa grego, Panos Kammenos, em visita à capital russa.


Sputnik

"A Federação Russa e a Grécia mantêm negociações sobre o suporte técnico dos sistemas (de defesa antiaérea) S-300, Tor M-1, Kornet e outros, assim como sobre a compra de novos mísseis para os S-300", disse o ministro.


Sistema S-300.
© AP Photo

Kammenos adicionou que a Grécia "se limitará a substituir os mísseis (disponíveis) pelos novos."

Vários sistemas Tor M-1, fornecidos pela Rússia em 2002, estão localizados na ilha de Creta onde compõem o sistema S-300, vendido originalmente ao Chipre e logo realocado para a Grécia.

O ministro grego chegou à capital russa na quarta para participar de uma conferência internacional organizada pelo Ministério da Defesa da Rússia.

O fórum, que ocorrerá nos dias 16 e 17 de abril, tem como lema "Segurança global: desafios e perspectivas."

Para a conferência foram convidados representantes de Ministérios da Defesa de 80 países, organizações internacionais, especialistas e cientistas.


Especialista diz que EUA estão preocupados com superioridade dos caças de Rússia e China

Os EUA estão preocupados com os últimos jatos de combate da Rússia e da China e investem agora em um caça de 6ª geração que faça frente ao russo Т-50 e ao chinês J-20. A conclusão é do jornalista norte-americano Dave Majumdar e foi publicado na revista norte-americana "National Interest".


Sputnik

Especializado em questões militares, ele classificou os caças da Rússia e da China como os mais avançado do mundo. Segundo Majumbar, o T-50 e o J-20 estão melhor equipados para lidar com as ameaças atuais do que os aviões dos EUA.


Kampfjet T-50
© AP Photo/ Mikhail Metzel

Um alto funcionário da indústria de defesa norte-americana teria dito ao jornalista que, “quando se vê o chinês J-20 ou russo T-50 com seus modernos mísseis, é claro que a nossa superioridade desaparece".

O T-50 multifunção (também conhecido como PAK FA) é fabricado pela Sukhoi, fez seu voo inaugural em janeiro de 2010 e entrará em produção em série em 2016.



17 abril 2015

Brasileiro fala de guerra pelos EUA e diz que conheceu 'sniper americano'

Militar com nacionalidade americana serviu às Forças Armadas por 20 anos.

Ele afirma que esteve em operações com Chris Kyle, que inspirou filme.


Daniel Corrá | G1 Vale do Paraíba e Região
Entre tantas tatuagens no braço direito do brasileiro Francesso Tessitore, duas chamam atenção: o nome "US Marine", que demonstra devoção a um dos ramos das Forças Armadas dos Estados Unidos, e um tributo ao maior franco-atirador da história do país, Chris Kyle, conhecido por deixar 160 inimigos mortos em operações de guerra.



A tatuagem de caveira no corpo do militar é símbolo da história de Kyle, retratada no filme "Sniper Americano" (2014). O brasileiro, inclusive, afirma ter conhecido o atirador em Fallujah, cidade palco de um dos conflitos mais sangrentos durante a Guerra do Iraque.

“Tive a oportunidade de conhecer Chris Kyle, porque ‘limpávamos’ [varredura em busca de inimigos e para proteção de civis] Fallujah e tínhamos que saber onde estavam os snipers. Nós tivemos uma reunião e conheci ele, de bater um papo mesmo. Foi bem no comecinho da carreira dele também”, afirma. A batalha em Fallujah foi a primeira do atirador americano e é uma das principais cenas do longa-metragem, vencedor do Oscar por melhor direção de som neste ano.

Segundo ele, a homenagem ao "sniper" foi motivada pela importância do trabalho dele para os militares americanos em campo de batalha. Kyle foi morto em 2013, pelas mãos de um fuzileiro naval, quando estava em processo de recuperação do período pós-guerra. “A morte dele nos afetou muito. Tivemos muitos amigos, às vezes até eu mesmo, que foram salvos por ele”, lembra o brasileiro.

Trajetória

Apesar de ter nascido em São Paulo, Tessitore passou a infância em São José e, desde pequeno, tinha o sonho de servir às Forças Armadas dos EUA. No início da década de 1990, ele deixou o Brasil para tentar se alistar no serviço militar americano. Mais de 20 anos depois, acumula combates no Iraque e no Afeganistão pelas tropas americanas. “Como você vai correr atrás dos seus sonhos sem recursos para isso? O Brasil não me oferecia nada disso. Meu sonho era ser Marine e ponto”, afirma.

Para ingressar no US Marine, entretanto, ele conta ter passado por um processo rigoroso. Vivendo nos Estados Unidos, Tessitore se casou com uma americana e se alistou na infantaria do país, quando a legislação era menos rigorosa para o ingresso de estrangeiros.

Seis anos anos depois, ele renunciou à cidadania brasileira e adquiriu de vez a cidadania americana, conseguindo assim, servir ao "US Marine". "Desde o ataque terrorista às Torres em 2001, mudou muita coisa para o ingresso nas Forças Armadas e as leis federais na área de imigração continuam mudando", explica.

Emocional

De acordo com Tessitore, os treinamentos intensos das Forças Armadas têm o objetivo de eliminar o inimigo durante a guerra. Para ele, qualquer tipo de hesitação em campo de batalha pode comprometer uma operação inteira. "Somos treinados para matar. Estamos lá pelos nossos companheiros, para salvar a vida de quem está do nosso lado. Depois nós fazemos a parte humanitária no local, mas o inimigo está ali e temos que repeli-lo”, diz o militar.

Após deixar os combates em 2013, o brasileiro enfrentou depressão, como muitos outros americanos que serviram ao país. "No pós-guerra, você volta para casa e fica desligado do mundo, não consegue sair para fazer uma compra porque fica com medo. Descobri com ajuda que o medo que eu sentia era porque essa realidade de vivenciar a guerra não era mais minha", afirma ele, que acabou se separando da esposa durante o período.

Hoje, Tessitore conta que faz parte do setor de operações sigilosas das Forças Armadas nos Estados Unidos. Recentemente, voltou a São José dos Campos, onde se casou com uma brasileira que se mudará com ele para os EUA nos próximos meses.

Mesmo deixando os campos de batalha, as marcas da guerra seguem presentes no corpo forte do militar. Entre a caveira em homenagem ao sniper e o nome do "US Marine", está uma das mais significativas: o número 14 em algarismos romanos, em referência ao total de companheiros que Tessitore perdeu na guerra. Entre tantas batalhas vencidas, é justamente esta a derrota mais significativa de Tessitore com as tropas americanas.

11 abril 2015

Roberto Kovalick voa a quase 900 km/h em caça comprado pela FAB

Brasil comprou 36 caças Gripen, que ainda estão sendo desenvolvidos pela fabricante sueca, a Força Aérea e seis empresas brasileiras.


Fantástico

É aventura para quem tem estômago forte, é o Gripen, o caça sueco que vai defender o espaço aéreo brasileiro. Até agora, apenas 600 pessoas voaram nele. Entre elas, os capitães brasileiros Gustavo Pascotto e Ramon Fórneas. Escolhidos entre 50 militares da Força Aérea Brasileira para serem os primeiros pilotos nacionais a aprender a voar e combater nesses caças.


Clique na imagem para assistir a reportagem.



E não é fácil. Ao chegar à Suécia, eles tiveram que passar em um teste que até pilotos treinados não suportam. Em um equipamento chamado centrífuga, eles aguentaram durante 15 segundos uma força da gravidade que os pilotos chamam de Força G, nove vezes maior do que a gente sente normalmente. Se falhassem, não poderiam pilotar o avião.

“Dolorido. O primeiro de sintoma estar sendo afetado pela Força G é sua visão, a visão tubular, eles falam. Começa a fechar e você tende a ver somente em uma direção, um cone realmente. Então, quando esse sintoma começa a aparecer, é o momento em que você tem que iniciar com as técnicas de respiração e contração muscular para suportar”, diz o capitão da FAB Ramón Santos Fórneas.

Fantástico: Se vocês não fizerem isso, vocês desmaiam?
Ramon Fórneas:
Desmaia, fatalmente vai desmaiar.

O treinamento dos pilotos tem muitos segredos militares e industriais. Não dá para mostrar tudo, mas o fabricante do avião - a empresa Saab - concordou em dar uma demonstração de como se prepara um piloto do Gripen. Um simulador de demonstração aparece no vídeo acima sem as informações militares sigilosas. É por isso que a equipe do Fantástico pode fazer imagens dele. Tirando isso, é igual ao usado pelos pilotos brasileiros para aprender a voar no Gripen.

“Com um dia de simulador, eu não conseguiria fazer isso, mas já deu para me aventurar um pouco. O comandante está dizendo que o básico eu já aprendi, já consigo controlar mais ou menos o avião e que estou pronto para manobras mais arriscadas, como o looping, que é aquela volta no ar. É só puxar aqui, o controle principal e dando uma volta no ar, como fazem os pilotos de caça. Aqui no simulador é fantástico. É uma sensação espetacular. A gente vê a Terra girando e eu vejo rios em cima de mim e eu estou dando uma volta completa com o avião. É uma sensação espetacular. É como se estivesse acontecendo na realidade, só que em total segurança. Se algo der errado, ninguém se machuca”, diz Roberto Kovalick.

Os pilotos brasileiros passaram três meses aprendendo a manobrar o Gripen e, agora, eles fazem o treinamento de combate, que, nos caças modernos, com toda a tecnologia, pode ocorrer entre pilotos que nem veem os inimigos, a 60 quilômetros de distância um do outro.

“E também está previsto o treinamento de combate visual, que é o antigo que se via em filmes, que é realmente o combate olho no olho”, diz capitão da FAB Ramón Fórneas.

Não é qualquer pessoa que pode voar em um caça. É preciso estar em boas condições físicas. Uma enfermeira vai fazer exames médicos no correspondente do Fantástico. Ele precisa passar nos exames para poder voar nesse caça.

“Você vai passar por uma bateria de exames. E também não pode ter mais de 1,90 m nem ser muito gordo, se não a pessoa não cabe no avião”, diz a enfermeira.

É um check-up completo: exame de sangue, de audição, eletrocardiograma, pressão. Tudo depois é avaliado por um médico. Qualquer problema e a reportagem terminaria aqui. Mas felizmente. “Pronto para o voo”, diz o médico.

A preparação não terminou aí. Falta a roupa, que é desenhada em cada detalhe para ajudar o piloto a enfrentar as condições de voo e os imprevistos. Um traje para suportar a força da gravidade.

“Todas as aeronaves de caça utilizam esse equipamento. Ele que infla quando o piloto está sob alta carga G. Ele infla a parte do abdômen e das pernas, evitando que o sangue desça para os membros inferiores. E ajuda a gente a sustentar a carga G”, explica o capitão da FAB Gustavo Oliveira Pascotto.

Ao todo, são 15 quilos de roupas e equipamentos.

“A missão do hoje é a aeronave-caçador interceptando dois alvos simulados”, diz diz capitão da FAB Ramón Fórneas.

Fantástico: A que distância, você vai estar destes aviões?
Ramón Fórneas:
Em torno de 60 a 80 km.

“Eu também vesti uma "armadura". E olha, gente, não foi nada fácil. É. Mas tão difícil quanto vestir a roupa é entrar no avião. É muito estreito, tudo muito apertado”, conta Roberto Kovalick.

Avião na cabeceira da pista. É hora da aventura começar. Veja no vídeo acima como foi a aventura de Roberto Kovalick no caça sueco Gripen.

“Nós estamos finalmente decolando com o Gripen. Uma das características deste avião é que ele precisa de uma pista muito curta para decolar. Seiscentos metros já está bom. Já estamos no ar a uma velocidade inicial de 230 km/h, que vai crescendo aos poucos. Já estamos no ar. Já estamos voando no caça Gripen”, diz Roberto Kovalick.

Pilotos de caça têm que estar preparados para manobras bruscas a qualquer momento. Comparado com o que acontece dentro do avião, a pior montanha russa do mundo não é nada.

“A velocidade agora é de mais ou menos 800 km/h. E agora nós vamos acelerar para quase 900 km/h”, diz o piloto.

Em um combate, o piloto tem que fazer tudo isso em uma velocidade alucinante. Como todo caça, o Gripen é supersônico, ou seja, voa mais rápido que o som.

“Agora, nós quebramos a barreira do som. Estamos voando mais rápidos do que o som”, conta o piloto.

Quando baixamos um pouco a velocidade, foi a vez de Roberto Kovalick testar o que aprendeu no simulador.

“Agora, sou eu que estou controlando o avião. Olha só, vou fazer um movimento bem devagar aqui para esquerda. Agora eu vou mover o avião para a direita, suavemente. A gente não sente como se o avião estivesse voando, mas como se a gente estivesse voando, é o nosso corpo que está voando”, conta Roberto Kovalick.

O piloto assume o comando e mostra outra manobra: a gravidade negativa, como se a gente fosse um astronauta.

“Mas aí foi demais para um passageiro inexperiente. Agora eu estou outra vez passando mal. Essa gravidade negativa... Agora, eu estou passando muito mal” diz Roberto Kovalick.

Finalmente em terra firme, Kovalick conta: “É um voo espetacular, mas eu estou tonto, exausto. Realmente, exige muito do ser humano. Por isso que o trabalho do pessoal que pilota esses caças é espetacular”.

Os pilotos brasileiros tiveram que fazer tudo isso, acertar os aviões inimigos e voltar sãos e salvos. Claro que foi tudo simulado, mas eles têm que agir como se fosse uma situação real. O Brasil comprou, inicialmente, 36 caças Gripen, que ainda estão sendo desenvolvidos pela fabricante sueca, a Força Aérea e seis empresas brasileiras.

“Em agosto, receberemos 30 engenheiros brasileiros, que vão trabalhar em conjunto com os nossos nesse avião”, conta Mikael Fránzen, gerente do programa Gripen-Brasil.

A Força Aérea Brasileira exigiu uma série de mudanças, como aumento do tanque de combustível e da turbina, para que o Gripen tenha maior autonomia de voo e possa patrulhar um país tão grande como o nosso. Os primeiros chegam em 2019. Mas para substituir a frota atual, formada pelos jatos americanos F5, que tem mais de 30 anos, o Brasil vai alugar, já a partir do ano que vem, caças semelhantes ao que o repórter do Fantástico voou.

Em breve, os brasileiros verão esses aviões cruzando os céus do país ou eles estarão tão rápidos que mal vai dar pra ver.



10 abril 2015

Estrangeiros agradecem Rússia por evacuação no Iêmen

Nesta segunda-feira (6), quinto avião russo transportou mais 150 fugitivos da guerra para a base aérea Tchkálovski, nos arredores de Moscou.


TASS

O modelo Ilyushin-62 ficou encarregado pelo transporte de cidadãos da Rússia, Uzbequistão, Tadjiquistão, Ucrânia, Bielorrússia, Armênia, França, Alemanha, Iêmen, Cazaquistão, Quirguistão e Iraque. Havia trinta e quatro crianças entre os passageiros.


Estrangeiros agradecem Rússia por evacuação no Iêmen
Foto: Vitáli Beloussov/RIA Nóvosti

As pessoas a bordo do avião disseram à agência de notícias Tass que a situação no Iêmen estava se deteriorando de um dia para o outro e não havia esperanças de melhoria. A situação crítica fez com que muitos estrangeiros decidissem abandonar o país com urgência.

“Entramos em contato com os ministérios do Exterior alemão e francês e eles fizeram um acordo com a Embaixada da Rússia”, conta o alemão Banda Azelvi, que deixou o Iêmen junto com sua esposa e filhos.

“Nos registramos junto à Embaixada da Rússia e, em seguida, eles nos ligaram e disseram para vir ao aeroporto”, diz. “Estamos tomando um voo para Frankfurt agora de manhã.”

Muitas pessoas que receberam a ajuda agradeceram as autoridades russas pela assistência e destacaram a eficiência da Embaixada russa em Sanaa.

“Agradecemos a Rússia e a Pútin por nos tirar do país”, diz Nurlus Salamov, médico uzbeque que trabalhou durante sete anos no Iêmen.

Cidadãos da Ucrânia, que não tem embaixada no Iêmen, também estão viajando para casa graças à ajuda da Rússia.

Todos os passageiros tiveram que passar por exame médico e controle de imigração na base aérea de Tchkalovski. Em seguida, eles foram levados de ônibus para o centro de evacuação do Ministério dos Negócios Estrangeiros russo, onde eram aguardados por diplomatas de seus países de origem.

As pessoas que planejavam continuar suas viagens para outras localidades foram encaminhadas para os aeroportos internacionais de Moscou.


Kalashnikov recorre a mísseis guiados para sobreviver à crise

Grupo Kalashnikov, que no ano passado perdeu o seu tradicional mercado de armas ligeiras nos Estados Unidos, não só está diversificando mercados, mas também reformulando sua própria produção e buscando novos nichos.


Tatiana Russakova | Gazeta Russa

Em fevereiro passado, o Grupo Kalashnikov anunciou o desenvolvimento de veículos aéreos não tripulados e lanchas para fins civis e militares. Além disso, a empresa vem produzindo mísseis guiados Vikhr-1 (whirlwind) encomendados pelo Ministério da Defesa.




Em 2013, a empresa Izhmash, que integra o Grupo Kalashnikov, venceu a licitação para a produção de tais mísseis e, ao longo deste ano, começarão as primeiras entregas para as tropas. O volume da produção é estimado em 12,5 bilhões de rublos.

O atual objetivo da empresa é compensar os modestos volumes de contratos com órgãos de defesa do Estado com uma política de marketing ajustada e o desenvolvimento dos mercados da região Ásia-Pacífico, África e América Latina.

“Ao final de 2014 a companhia Kalashnikov registrou lucro líquido pela primeira vez em sete anos”, diz Aleksêi Krivorutchko, diretor-geral do Grupo Kalashnikov. Com a desvalorização do rublo, a produção de fabricantes russos passou a ter maior demanda no mercado mundial.

Rápido e inteligente

O Vikhr-1 é um míssil guiado com asas dobráveis, construído de acordo com o esquema aerodinâmico “utka” (pato), projetado para destruir veículos blindados e alvos aéreos a baixa velocidade (até 800 km/h). Ele pode ser tanto instalado em helicópteros de ataque, como integrar o sistema aéreo de mísseis Vikhr.

O míssil possui velocidade supersônica (610 m/s) e leva apenas 9 segundos para atingir um alvo localizado a 4 km. As características de desempenho do míssil permitem com que o helicóptero equipado ataque vários alvos simultaneamente e aumentam a sua capacidade de sobrevivência em caso de ataque.

O míssil está equipado com sistemas de orientação inteligente e de rastreamento automático do alvo. Isto é, o piloto detecta a imagem do alvo na tela térmica, realiza a captura na mira e ativa o modo de rastreamento automático do alvo. O sistema lança o foguete automaticamente depois de atingir a distância permitida.

Além do sistema de rastreamento garantir alta precisão dos disparos, o sistema de orientação a laser emite radiação de baixa potência e não pode ser detectado pelos recursos de guerra eletrônica do inimigo.



Veículos não tripulados são aposta para futuros aviões de combate

Aeronaves controladas remotamente prometem realizar as mesmas tarefas de um piloto e reduzir baixas.


Mir-robotov.ru

O engenheiro aeronáutico e diretor do centro OKB Mikoian, Ovanes Mikoian, que é filho do famoso construtor soviético de caças MiG, declarou ao jornal “Mokovski Komsomolets” que o futuro da aviação de combate pertence aos caças não tripulados.


Veículos não tripulados são aposta para futuros aviões de combate
Produzido pela Mig, modelo “Skat” foi apresentado pela primeira vez durante a exposição Maks-2007 Foto: Photoshot/Vostock-Photo

“Esta temática precisa ser desenvolvida. Não precisamos enviar pilotos para a linha de frente. Basta um operador no chão que coordene os voos do veículo não tripulado, decidindo quase todas as mesmas tarefas de um piloto. Dessa forma, as baixas serão mínimas”, diz Mikoian.

Praticamente todos os escritórios de engenharia aeronáutica estão envolvidos com projetos de aviões não-tripulados, inclusive a OKB Mig. “Temos muitas ideias e projetos. Esperamos agora o suporte do Estado, pois acreditamos que este é o futuro – não somente para a empresa que leva o nome do meu pai –, mas para todo o parque aeronáutico russo”, acrescenta o engenheiro.

O escritório da MiG, juntamente com o fabricante de turbinas Klimov, durante a exposição Maks-2007, o modelo “Skat”, um veículo aéreo não tripulado (UAV) a jato de alto desempenho, com peso máximo de 10 toneladas e 4 km de teto de voo. Projetado com tecnologia moderna, o perfil da fuselagem lembra o análogo americano X-47 B, apresentado pela primeira vez ao público em 2008.

Apesar das características promissoras, o programa foi encerrado de forma misteriosa na época. O motivo do encerramento só foi anunciado em 2012: a Sukhôi estaria desenvolvendo um conceito similar de UAV pesado, na faixa de 10 a 20 toneladas, após vencer uma licitação aberta pelo Ministério da Defesa russo.

UAVs na esteira

O governo russo vem investindo em uma série de UAVs, após a dramática experiência do conflito com a Geórgia, quando ficou provado a necessidade de aviões não tripulados para reconhecimento e ataque. Além disso, também ficou evidente que os antigos drones soviéticos Ptchela e Reis já estavam completamente obsoletos.

Em 2010, o Ministério da Defesa havia alocado 5 bilhões de rublos para o desenvolvimento de um UAV russo. Porém, diante de resultados não satisfatórios, decidiu-se comprar equipamento da empresa israelense IAI, os UAVs Searcher MkII e Bird Eye 400, produzidos sob licensa na Rússia, onde receberam a denominação de Fortpost e Zastava.

No processo de desenvolvimento de UAVs russos foram envolvidas também as empresas Transas, de São Petersburgo, e a OKB Sokol, de Kazan. No início deste ano, foi anunciado que o protótipo do UAV Altius M realizará seu primeiro voo no final do ano.

Recentemente, o Ministério da Defesa russo aprovou ainda dois UAV de pequeno porte usados para reconhecimento, o Orlan-10 e o Grucha. As Forças Aerotransportadas (VDV) estão testando o UAV Iskatel, mas ainda não informaram sobre sua adoção à tropa.


Síria aprova propostas da Rússia para resolver a guerra civil no país árabe

Uma delegação do governo da Síria concordou com as propostas estabelecidas pelos mediadores russos durante a segunda rodada de negociações, realizada em Moscou nesta semana para resolver a guerra civil síria, revelou uma fonte familiarizada com as negociações à Sputnik nesta quarta-feira (8).


Sputnik

A agenda proposta pela parte russa e aprovado pela Síria incluiria a avaliação da situação atual, a união de forças nacionais para enfrentar desafios, incluindo o terrorismo, e a construção da confiança entre a oposição e a sociedade civil, disse a fonte à Sputnik.


Ataques aéreos na Síria
© AP Photo/ Vadim Ghirda
Além disso, ela afirmou que o plano de Moscou descreve o estabelecimento de um processo político, bem como passos em fases, no âmbito de um programa de reconciliação nacional. A rodada anterior de negociações aconteceu no final de janeiro e rendeu os chamados Princípios de Moscou, delineando uma plataforma política para a reconciliação nacional.

Na terça-feira (7), o porta-voz do secretário-geral da ONU, Ban Ki-moon, saudou as conversações em curso, a primeira tentativa de resolver o conflito sírio em mais de um ano desde que uma conferência em Genebra não conseguiu produzir resultados.

A guerra civil síria resultou em mais de 220 mil mortes e forçou muitos milhões de pessoas a fugir de sua terra natal desde o seu início em 2011.



Tropas da OTAN na fronteira Romênia–Rússia são de confronto

O porta-voz do Ministério das Relações Exteriores da Rússia, Alexander Lukashevich, afirmou nesta quarta-feira (8) que as tropas que a OTAN planeja implantar na Romênia, muito perto da fronteira russa, são de confronto.


Sputnik

"Na verdade, é uma transformação sequencial do país em mais um ponto de apoio para os EUA e a OTAN perto da fronteira com a Rússia. Já comentamos várias vezes sobre essas medidas por países membros da aliança, observando sua forma de confronto e insistindo na sua inadequação e redundância, tanto militarmente quanto financeiramente", disse Lukashevich.


“Marcha de dragões” do OTAN na Europa
© REUTERS/ Ints Kalnins

Segundo o porta-voz, o governo romeno está sacrificando a segurança da região, ao concordar em enviar forças militares do bloco. "Somos tentados a concluir que as autoridades romenas atuais, a fim de elevar o seu 'perfil' aos olhos dos estrategistas estrangeiros, estão dispostas a sacrificar a manutenção da estabilidade na região do Mar Negro por razões táticas."



Yatsenyuk: Ucrânia vai assinar dois acordos com OTAN

A Ucrânia vai assinar com a OTAN dois acordos sobre comunicação e informação na área da defesa, disse o primeiro-ministro da Ucrânia, Arseny Yatsenyuk.


Sputnik


O primeiro-ministro da Ucrânia Arseny Yatsenyuk chega para a reunião do Conselho de Segurança em Kiev 4 de novembro de 2014
© REUTERS/ Valentyn Ogirenko
“O governo decidiu assinar o Memorando entre a Ucrânia e a OTAN sobre a comunicação e informação (realização de consultas, controle, inteligência e reconhecimento) no âmbito do programa "Parceria para a Paz", disse Yatsenyuk.

"O governo também assinou o acordo entre o Conselho de Ministros da Ucrânia e a OTAN sobre apoio no âmbito de quatro projetos, incluindo a cooperação técnico-militar, comunicações, novas comunicações e novas tecnologias de informação", acrescentou o primeiro-ministro ucraniano.


09 abril 2015

Ministério da Defesa menos otimista com as chances do Prosuper em 2015

Roberto Lopes
Editor de Opinião da Revista Forças de Defesa e autor do livro “As Garras do Cisne”

Passam os meses e é cada vez menor, na Marinha, o otimismo acerca da possibilidade de a presidenta Dilma Roussef escolher ainda este ano o grupo empresarial estrangeiro que fornecerá os 11 navios (5 fragatas de 6.000 toneladas, 5 navios-patrulha oceânicos e um navio de apoio logístico) requeridos por meio do Programa de Obtenção de Meios de Superfície (Prosuper).

Oficiais da Força ouvidos pelo Poder Naval sentem que o desânimo já contamina seus colegas do Ministério da Defesa.

Essas fontes relatam que, nas primeiras semanas do ano, havia a expectativa de que, tendo o Palácio do Planalto anunciado o nome da corporação vencedora do Prosuper, os contratos de aquisição dos navios pudessem ser firmados em 2016 – condição indispensável ao início da fabricação das primeiras embarcações.

Mas diante das repetidas manifestações da presidenta acerca da necessidade de “cortar na carne” as despesas dos diferentes ministérios, até mesmo esse vagaroso cronograma parece inviabilizado.

Na Presidência da República, o silêncio acerca do Prosuper é completo. No Ministério da Defesa já se comenta abertamente que 2015 tem tudo para ser um ano perdido para o programa, que tem como objetivo renovar a força de superfície da Esquadra.

O Prosuper representa um custo estimado em 5,46 bilhões de dólares, e apesar de alguns oficiais da Marinha já admitirem seu desmembramento, como forma de deixá-lo menos caro – ou de dispêndio mais aceitável para a área econômica do governo –, nada, nesse momento, parece capaz de tornar o PROSUPER mais palatável no âmbito do Executivo.

Alternativas 


Hoje, o preço médio pedido pelos fornecedores estrangeiros por cada fragata é de, aproximadamente, 710 milhões de dólares (650 milhões de Euros).

Nesse cenário de desalento, os representantes de algumas empresas interessadas no PROSUPER começam a imaginar se a Marinha brasileira não se verá forçada a, mais uma vez, recorrer a navios usados.

Brandenburg
Classe Brandenburg
Um ano atrás circulou a informação de que o governo alemão poderia concordar em transferir para o Brasil até quatro escoltas, além de um navio de apoio logístico.

Os navios de escolta poderiam ser as fragatas do tipo 122 – construídas na década de 1980 – ou as do tipo 123 – fabricadas nos anos de 1990.

A primeira hipótese, que se refere à classe Bremen – de navios de 3.700 toneladas comissionados entre 1982 e 1990 – desperta pouco (ou nenhum) entusiasmo entre os militares brasileiros. Especialmente por causa do armamento antiquado e da falta de predicados relativos à furtividade.

A segunda alternativa, das fragatas classe Brandenburg, de 4.500 toneladas (a plena carga), é considerada de maior utilidade para a Marinha – em particular por terem quase todas menos de 20 anos de uso, possuírem silos para lançamento vertical de mísseis e um projeto que incorpora design stealth (furtivo).


Incorporação do Navio de Pesquisa Hidroceanográfico ‘Vital de Oliveira’ à Marinha do Brasil

Poder Naval

Em uma cerimônia de batismo, mostra de armamento e transferência para o setor operativo, o Navio de Pesquisa Hidroceanográfico Vital de Oliveira foi incorporado, no dia 24 de março, à Marinha do Brasil. O evento, realizado no cais de Keppel Marine, Cingapura, foi presidido pelo Chefe do Estado-Maior da Armada, Almirante-de-Esquadra Wilson Barbosa Guerra, e contou com a participação de autoridades civis e militares.


Vital de Oliveira - 1

O Capitão-de-Fragata Aluizio Maciel Oliveira Júnior irá comandar esse meio naval equipado com o que há de mais avançado em termos de tecnologia, podendo receber até 40 cientistas embarcados. A aquisição foi feita por meio de um acordo de cooperação entre o Ministério de Ciência, Tecnologia e Inovação, a Petrobras S. A., a Vale e a Marinha do Brasil.

Construído pelo estaleiro Hangtong, em Xinhui, na China, o navio será empregado em pesquisas científicas para caracterização física, química, biológica, geológica e ambiental das áreas oceânicas estratégicas do Atlântico Sul.


A Marinha do Brasil precisa, para já, de 4 (bons) navios usados

Roberto Lopes
Editor de Opinião da Revista Forças de Defesa e autor do livro “As Garras do Cisne”

Parece claro, a essa altura dos acontecimentos – ou da falta de acontecimentos (no campo do PROSUPER) –, que alguma medida precisa ser tomada, no sentido de garantir o funcionamento da força de superfície da Esquadra pelos próximos nove ou dez anos.

Temos, hoje, apenas um dos nossos cinco submarinos de tecnologia alemã disponível – o Tapajó –, mas a renovação dessa flotilha já está em andamento, e com a prioridade adequada.

Entre os escoltas a situação é diferente.




Há anos que fragatas e corvetas vêm sendo usadas até o limite das suas capacidades. E isso em um contexto de intensa demanda, cujas consequências são agravadas pela falta de todos os recursos necessários à manutenção dos navios.

O resultado é que das seis fragatas classe Niterói, apenas três estão disponíveis, sob diferentes graus de restrição operacional; entre as três classe Greenhalgh (Tipo 22), apenas a Rademaker pode ser considerada em razoável estado; e das quatro corvetas, só a Barroso estaria em condições de, hoje, responder a uma convocação de emergência.

Espera-se que a Júlio de Noronha inicie ainda este ano os seus testes de motores – e que, portanto, também ela esteja de volta ao setor operativo da Marinha em 2016. Mas essa, por enquanto, é só uma expectativa.

O outro aspecto preocupante é que os navios-patrulha oceânicos classe Amazonas – barcos construídos (não nos esqueçamos!) para a Guarda Costeira de Trinidad Tobago – vêm sendo comissionados como se fragatas ligeiras fossem. E isso a despeito de seu fraco armamento e das suas conhecidas carências (para a guerra antissubmarino e a simulação de combates de superfície) – que, nos exercícios, as transformam quase que em meros elementos de figuração.

É impossível pensar que a Esquadra possa singrar mais uma década composta apenas por oito ou nove navios cansados, que sequer chegam a constituir um modesto agrupamento dessa ordem, visto que um deles precisa estar, permanentemente, a serviço da Força-Tarefa Marítima das Nações Unidas no Líbano.

E pensar que, até 2013, a Marinha ainda planejava estender sua presença, de forma mais sistemática, ao Golfo da Guiné e ao Chifre da África (como parte da força antipirataria da Operação Atalanta)…

Deixemos esses devaneios de lado.

É preciso focar no fato de que, para a renovação da força de superfície, não há, nem mesmo, estaleiros nacionais preparados. E mesmo a alternativa representada pelo histórico e valoroso Arsenal de Marinha do Rio de Janeiro (AMRJ) não pode ser considerada, ainda, uma opção.

O atual comandante da Marinha enxerga com propriedade a necessidade urgente de recuperação das carreiras 1 e 2 do AMRJ, de obras nos diques principais dessa OM – como, de resto a modernização do próprio Arsenal –, mas esse é um plano que vem sendo considerado prioritário desde, pelo menos, 2008, e pouca coisa (além de planejamentos) pôde ser feita até aqui…

A grave crise na indústria naval brasileira só torna o cenário ainda mais difícil e urgente.

Estamos gastando cinco anos para fabricar um navio-patrulha de 500 toneladas, que deveria estar sendo produzido nos estaleiros nacionais ao ritmo de um a cada 18 ou 24 meses… (Como faremos para atender o contrato firmado com a Marinha de Angola, de fornecimento de sete NPa de 500?)

Ainda que a Presidência da República escolhesse hoje, nesse momento, um dos seis grupos empresariais estrangeiros que se dispõem a atender o Programa de Obtenção de Meios de Superfície – o festejado PROSUPER (5 fragatas de 6.000 toneladas, 5 navios-patrulha oceânicos e um navio de apoio logístico) –, permitindo à Marinha encomendar suas novas unidades já no primeiro trimestre de 2016, parece claro que a força de superfície da Esquadra não poderia ser reforçada com uma nova geração de fragatas antes de 2023 ou 2024. Isso, claro, no caso de o novo parceiro da Marinha identificar um estaleiro nacional capaz de absorver as modernas tecnologias construtivas de navios militares; ou seja, no caso de tudo ir muito bem, sem imprevistos importantes.

Como não se prevê que o Executivo venha a demonstrar preocupação com a defesa naval – ou o PROSUPER –, e a Marinha seja capaz de, por seus próprios meios, encomendar algum navio (por mais simples que seja), urge que os chefes navais mobilizem seus contatos, dentro do governo e com as marinhas de nações amigas, no sentido de localizar e buscar, no mercado internacional, ao menos quatro escoltas usados, aptos a agregarem valor ao atual nível de modernidade da Esquadra.

Precisamos dessa flotilha de embarcações para fazer a travessia da Força Naval brasileira até o fim da década de 2020, rezando (muito) para que até 2030 já tenhamos, no mínimo, duas fragatas do PROSUPER em operação.

Será, portanto, forçoso visitar – ou revisitar – as parcelas mais antigas das principais frotas que empregam sistemas ocidentais de navegação, de varredura eletrônica e de armas. Barcos considerados disponíveis, prestes a serem declarados desimpedidos ou em vias de terem a sua disponibilidade confirmada nos próximos dois ou três anos (no máximo).

Os critérios de seleção dos navios deverão, obviamente, servir para orientar, não para representar um óbice à escolha: fragatas e/ou destróieres (de preferência) polivalentes lançados a partir de 1990 (ou em torno dessa época), com deslocamento entre 3.000 e 5.000 toneladas, algum design furtivo e capacidade de transportar helicópteros, dotados de sensores e de sistemas de armas que – mediante atualização – possam, dentro da próxima década, manter certa eficácia. E aqueles que, por suas boas condições de casco, de operação e de manutenção (não dispendiosa em demasia), devam ser considerados de interesse da Marinha do Brasil.

Há muitos modelos de embarcações que se enquadram nesses padrões.

As fragatas Brandenburg alemães, as KDX I sul-coreanas, as fragatas leves tipo Floréal francesas e as Tipo 23 da Royal Navy são algumas delas, além das fragatas classe Oliver Hazard Perry, desativadas pela Marinha dos EUA. Mas, de novo, é preciso saber se elas estarão desembaraçadas para se tornarem alvo de uma “compra de oportunidade”.

Apesar dos desmentidos oficiais, os planejadores da Armada vêm, há alguns anos, lidando com esse tipo de pesquisa.

Em 2013, a correspondente do grupo editorial britânico Jane’s em Montevidéu, Patricia Samfelt, obteve a informação de que oficiais brasileiros examinavam o estado de fragatas italianas da classe Maestrale – navios da década de 1980 que, afinal, pareceram não oferecer vantagens além das já exibidas pela classe Greenhalgh, por exemplo.

Não há dúvidas de que a busca continua. E também não há dúvidas de que, em face das circunstâncias, hoje ela é muito mais urgente do que era em 2013.

STATUS DA ESQUADRA BRASILEIRA EM 2015, COM BASE EM INFORMAÇÕES OSTENSIVAS


TipoNomeStatus
Navio-AeródromoSão Paulo (A12)Parado, em reforma até 2019
FragataNiterói (F40)Vai docar para reparos em Aratu-BA
FragataDefensora (F41)Parada em PMG, há vários anos
FragataConstituição (F42)Operacional
FragataLiberal (F43)Operacional
FragataIndependência (F44)Em reparos
FragataUnião (F45)Quebrou no Líbano, em reparos
FragataGreenhalgh (F46)Operacional
FragataBosísio (F48)Prestes a dar baixa
FragataRademaker (F49)Operacional
CorvetaInhaúma (V30)Em reparos, há vários anos
CorvetaJaceguai (V31)Em reparos, há vários anos
CorvetaJulio de Noronha (V32)Em reparos, há vários anos
CorvetaBarroso (V34)Operacional
SubmarinoTupi (S30)Em reparos
SubmarinoTamoio (S31)Em reparos
SubmarinoTimbira (S32)Em reparos
SubmarinoTapajó (S33)Operacional
SubmarinoTikuna (S34)Em reparos

Submarinos de Israel terão mais capacidade de despistar torpedos inimigos

Poder Naval

A Marinha de Israel decidiu submeter os seus três submarinos mais antigos da classe Dolphin – o Dolphin, o Leviathan e o Tkuma –, de projeto germano-israelense, a uma modernização concentrada na elevação da capacidade desses navios de sobreviver a ataques torpédicos do inimigo.

Os submarinos, de 1.640 toneladas, foram incorporados à frota de guerra do governo de Tel-Aviv entre julho de 1999 e julho de 2000.


MIDEAST-ISRAEL-60 YEARS-NAVYSubmarino Dolphin, incorporado à frota israelense em 1999

O upgrade será feito por meio da instalação de melhores contramedidas de despite de torpedos; por sinal, as mesmas que já equipam os dois submarinos mais novos de Israel, da chamada classe Super-Dolphin.

Recebidos entre 2012 e 2013, o Tannin e o Rahav foram dotados de AIP (sigla em inglês de propulsão independente do ar), o que elevou seu deslocamento ao patamar das 2.000 toneladas, e também a sua possibilidade de operar com discrição – ou seja, de permanecer submerso por mais tempo, sem precisar subir à superfície.

De acordo com uma informação obtida pelo grupo britânico Jane’s, especializado em assuntos militares, a flotilha israelense de submarinos tem realizado “dezenas” de operações secretas tipo SIGINT (Inteligência de Sinais) ao largo das costas de países considerados inimigos dos judeus.

Segundo a mesma fonte, algumas das comissões duram semanas. Muitas operações SIGINT consistem na espionagem das comunicações, dos tipos de manobra e das assinaturas acústicas de embarcações inimigas – o que, eventualmente, permitirá aos militares israelenses enfrenta-las com muito maior eficiência.



Paquistão renovará frota de submarinos com projeto chinês ‘tipo exportação’

Poder Naval

Na última terça-feira (31.03), chefes navais do Paquistão notificaram oficialmente o Comitê de Defesa da Assembléia Nacional local, de que o governo de Islamabad aprovou a compra de oito submarinos de ataque de projeto chinês.

Os militares paquistaneses selecionaram o modelo conhecido por S20, de 2.200/2.300 toneladas (submerso) e propulsão diesel-elétrica, acerca do qual existem poucas informações confirmadas.


2009-PLAN-ss-01


Acredita-se que o S20 seja uma versão simplificada – de exportação – do navio Tipo 039A, um classe Song modernizado com alguns sistemas e sensores do modelo Yuan (Tipo 041) – o mais moderno submarino convencional de ataque da Marinha do Exército de Libertação Popular.

Considerado na China como um barco de desempenho comparável ao dos mais letais submarinos convencionais do Ocidente, o Yuan é um barco grande, que mede 75 m de comprimento e desloca 3.600 toneladas. Sua capacidade de destruição repousa sobre um carregamento de mísseis antinavio YJ-12, e um mix de torpedos Yu-4 (de busca passiva) e Yu-3 (de busca ativa).

Os representantes da Marinha paquistanesa não informaram se os seus novos submersíveis serão dotados de sistema Stirling, de propulsão independente do ar (AIP, na sigla em inglês), que os chineses costumam usar em seus navios. E nem a que profundidade essas embarcações poderão chegar – dado que as marinhas consideram, normalmente, altamente confidencial.

Mas a notícia da negociação com a China não é nova.

Preços 


Ela era conhecida desde 2011, época em que, nos meios diplomáticos de Islamabad, circulou a notícia de que a Marinha desejava contratar seis – não oito – submarinos de propulsão diesel-elétrica.

Os entendimentos com a indústria naval chinesa tiveram início depois que a Marinha do Paquistão considerou inaceitáveis os valores pedidos (e várias vezes recalculados) por empresários da Alemanha para fabricar três submarinos convencionais de ataque (supostamente equipados com AIP).

Fontes da indústria de Material de Defesa da Europa Ocidental estimam que cada submarino S20 não sairá, aos paquistaneses, por menos de 500 milhões de dólares – valor que pode parecer alto para um barco chinês de pouco mais de 2.000 toneladas, mas é consideravelmente menor que o que vem sendo pago pela Marinha da Índia para renovar a sua própria flotilha de submarinos.

Os indianos fecharam com o grupo DCNS, da França, a contratação de seis navios classe Scorpene, ao custo unitário de 763 milhões de dólares.

Presume-se que, na Marinha paquistanesa, a flotilha agora encomendada à China vá substituir completamente os barcos franceses classe Agosta: dois classe Hashmat (Tipo 70) comprados na década de 1970 e três Khalid (Tipo 90B) contratados nos anos de 1990.

Características 

A primeira notícia sobre a existência do projeto S20 data de fevereiro de 2013.

Dados não confirmados oficialmente estimam que as características do navio sejam as seguintes:

  • Comprimento: 66 m;
  • Largura: 8 m;
  • Calado máximo: 8 m;
  • Deslocamento (submerso): 2.200 toneladas;
  • Velocidade máxima: 20 nós (aproximadamente);
  • Tripulação: 40
  • Armamento: 6 tubos de torpedos aptos a lançar torpedos pesados e mísseis antinavio.
  • Capacidade especial: disseminar minas e transportar equipes de forças especiais.

Marinha venezuelana testou blindados anfíbios chineses sob condições ideais

Poder Naval

O sábado, 14 de março, amanheceu ensolarado na Baía de Turiamo, um dos principais destinos turísticos do Estado venezuelano de Aragua. Mas, nesse dia, o programa não era de paz.

A Infantaria de Marinha da Armada Bolivariana da Venezuela escolhera a data para testar o estágio de prontificação de uma grupo-tarefa anfíbio, constituído pelos navios de desembarque Goajira (T-63) e Los Roques (T-93). O exercício fazia parte das grandes manobras militares Escudo Bolivariano 2015.

O Goajira é um classe Capana, de desenho inspirado nos LST (acrônimo de Landing Ship,Tank) produzidos nos Estados Unidos ao tempo da 2ª Guerra Mundial. Fabricado na Coreia do Sul na década de 1970, ano passado ele completou 30 anos na Esquadra venezuelana. Na baía de Turiamo o navio exibia forte desgaste no casco – visível porque a embarcação estava bastante leve.

Designado para transportar cerca de 400 homens da 1ª Brigada de Infantaria de Marinha venezuelana, o Goajira cumpriu a missão levando a tropa no convés principal.

O Los Roques, da classe Los Frailes, foi construído em Cuba recentemente e, apesar da rampa na proa, está classificado como “transporte multipropósito”.

Seu desenho corresponde àquilo que os cubanos chamam de um buque multipropósitos de cabotaje modelo holandês Damen Stan Lander 5612. Trata-se, portanto, de uma embarcação desarmada, não projetada originalmente para o uso militar, apesar de capacitada a receber metralhadoras nos dois bordos do passadiço e a exercitar seus préstimos sob condições favoráveis – como as que existiam na baía de Turiamo.

Lagoa 


Além do pessoal da 1ª Brigada, as duas embarcações transportaram um grupamento de viaturas anfíbias: cinco Norinco 8×8 VN-1 chinesas (todas embarcadas no Los Roques), e quatro LVTP-7, de origem americana – ambas de transporte de pessoal.

Venezuela treina desembarque com blindados chineses - 7
Norinco 8x8 VN-1
Os resultados do exercício foram plenamente satisfatórios, ainda que seu nível de exigências tenha sido, praticamente, nenhum.

A simulação não opôs à força de desembarque qualquer tipo de resistência armada, o mar estava calmo, o vento fraco, e as águas da enseada no fundo da baía de Turiamo mais pareciam as de uma lagoa.

Foi a primeira vez que os fuzileiros venezuelanos fizeram seus blindados chineses descerem de uma embarcação e os conduziram, por cerca de 200 metros, em navegação de formatura até a areia, a uma velocidade em torno dos 5 km/h. Não houve registro de incidentes. Os blindados mostraram boa flutuabilidade e aceleração adequada dentro d’água.

As viaturas chegaram à Venezuela em dezembro de 2014, e antes do exercício de 14 de março haviam sido testadas apenas no mês de janeiro, nas águas interiores da base naval Contra Almirante Agustín Armario, em Puerto Cabello (a oeste da Baía de Turiamo). Nessa ocasião, os VN-1 deslizaram, pacificamente, entre fragatas e navios-patrulha da Esquadra venezuelana.

O blindado que a Norinco entregou à Marinha venezuelana pode transportar entre sete e 10 combatentes (dependendo do equipamento que eles tenham consigo). Está dotado de um canhão de 30mm e de metralhadora coaxial de 7,62mm. Rampas instaladas nas laterais da torre permitem que o carro dispare mísseis antitanque HJ-73.


Índia lança seu primeiro submarino ‘Scorpene’ construído localmente com assistência da DCNS

Poder Naval

MUMBAI, ÍNDIA: O Ministro da Defesa Manohar Parrikar lançou na segunda-feira o primeiro submarino Scorpene construído na Índia, no estaleiro no Mazagon Dockyard Ltd (MDL). O Scorpene, batizado de INS Kalvari, é parte do ambicioso Projeto 75 (P75I) do Programa de Submarinos da Marinha indiana, realizado com a colaboração francesa da DCNS, que incluirá seis desses navios que vão se juntar à frota nos próximos anos.


LAUNCHING OF SCORPENE SUB

Parrikar, juntamente com o Chefe de Pessoal Naval Almirante RK Dhowan, ministro-chefe Devendra Fadnavis e outras autoridades participaram da cerimônia ‘puja’ para marcar o lançamento auspicioso do submarino que deverá ser incorporado em setembro de 2016. Atualmente, a Marinha Indiana tem 14 submarinos convencionais diesel-elétricos que incluem 10 classe “Kilo” russos e quatro classe U209/1500 da HDW alemã. Parikkar está na cidade para avaliar o progresso da Programa Projeto 75 realizado pelo Comando Naval Ocidental e também para obter um relatório sobre os destróieres Projeto 15B furtivos que estão sendo construídos no MDL.

Acordo foi feito em 2005

Em 2005, a Índia escolheu o projeto Scorpene; comprou seis submarinos por US$ 3 bilhões (US$ 500 milhões por unidade). Estes submarinos estão sendo fabricados no âmbito de um acordo de transferência de tecnologia francesa para as docas estatais Mazagon em Mumbai e serão entregues entre 2016 e 2019. A construção começou em 23 de maio de 2009 e o projeto está sendo executado com quatro anos de atraso.

A Índia planeja incorporar o sistema de propulsão independente do ar (AIP) desenvolvido pela DRDO (Defence Research & Development Organisation) para os dois últimos submarinos que estão sendo construídos e também para equipar os demais submarinos P75I. O primeiro Scorpene será entregues em setembro de 2016, com os outros cinco submarinos seguintes em intervalos de 10-12 meses cada. O primeiro submarino INS Kalvari deve começar os testes de mar ainda em 2015. Foi relatado em novembro de 2014, que o sistema AIP desenvolvido pela DRDO para equipar os últimos dois submarinos Scorpene indianos estaria pronto para testes em fevereiro de 2015.


Diplomatas críticos do PT dizem que Gripen ‘argentino’ é ‘jogo de cena’

Roberto Lopes
Editor de Opinião da Revista Forças de Defesa

Um embaixador que esteve na ativa até a primeira gestão do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, e ocupou alguns dos cargos mais expressivos da carreira diplomática brasileira, desdenhou a importância da assinatura, nesta terça-feira (07.04), por autoridades dos governos de Brasília e de Buenos Aires, do documento intitulado “Declaração pela Democracia e Paz”.




O texto, firmado na capital argentina por Jaques Wagner, ministro da Defesa brasileiro, e por Agustín Rossi, ministro da Defesa argentino, menciona especificamente a abertura de negociações entre o Brasil e a Argentina para, no futuro – dentro de (no mínimo) dez anos – começar a transferir 20 caças-bombardeiros Gripen NG, fabricados pela Embraer, à Força Aérea Argentina.

A possibilidade de uma eventual cessão de caças Gripen aos argentinos é vista pelo Foreign Office (Ministério do Exterior britânico) como inaceitável – mesmo tendo as aeronaves sido fabricadas em território brasileiro. A Argentina contesta vigorosamente a soberania exercida pelo Reino Unido sobre as Ilhas Malvinas – que Londres chama de Falkland Islands. Mas esse não é o único óbice à existência de um Gripen “argentino”.

A aeronave fabricada pela SAAB sueca, que ganhou a concorrência destinada a renovar a aviação de caça brasileira – e por volta de 2020 começará a ser produzida nas instalações da Embraer –, possui uma longa lista de componentes fornecidos por indústrias britânicas. E tais equipamentos não estarão, claro, à disposição dos militares argentinos.

Imprudência 


Em Brasília, o Ministério das Relações Exteriores vem anotando, nos últimos meses, as repetidas demonstrações de desconforto do governo do Premiê David Cameron relacionadas ao assunto do Gripen “argentino”. Mas o diplomata que atuou no governo Lula e hoje é um crítico enfático da administração petista, diz que nem serão elas que vão inviabilizar o fornecimento de caças Embraer Gripen para a Força Aérea Argentina.

“A primeira equipe de governo não-petista que vier a se estabelecer em Brasília vai, ela própria, enterrar essa negociação”, diz o embaixador ouvido pelo Poder Aéreo, “que é totalmente prematura e inconveniente”.

Na verdade, não seria a primeira vez que um acordo de governo a governo entre Brasil e Argentina é descontinuado pela administração seguinte. No fim da década de 1980, a iniciativa tomada pelo Inpe (Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais) de propor aos argentinos a construção de um satélite de sensoriamento remoto – consequência de uma ordem expressa do então presidente da República José Sarney –, foi discretamente descontinuada pelo governo Fernando Collor.

A assinatura da “Declaração pela Democracia e a Paz” foi o segundo ato protocolar do processo de cooperação entre os dois países no campo aeronáutico. O primeiro, no fim do ano passado, protagonizado por Rossi e pelo então ministro da Defesa Celso Amorim, estabeleceu a chamada “parceria estratégica” entre Brasil e Argentina no setor.

As repetidas démarches realizadas pelo Ministério das Relações Exteriores, em Brasília e em Londres, no sentido de tentar explicar ao Foreign Office o avanço na colaboração com os argentinos não vem sendo bem aceitas pelas autoridades britânicas.

Segundo o Poder Aéreo pôde apurar, por duas vezes este ano, representantes do Itamaraty precisaram ouvir uma enfática manifestação – verbal por enquanto – de que Londres vê “com reservas” a tal “parceria” pelo Gripen “argentino” – um comportamento do governo Dilma Roussef que os diplomatas do Reino Unido consideram “imprudente”.

Nem os argumentos esgrimidos pelos diplomatas brasileiros acerca do despreparo militar dos argentinos para encetar qualquer ação de força contra as Ilhas Malvinas têm servido para tranquilizar seus interlocutores.

“Marginal” 

Na manhã desta quarta-feira (08.04), ao terminar uma palestra sobre integração latino-americana na Faculdade de Direito do Largo de São Francisco, no centro de São Paulo, o ex-embaixador do Brasil em Washington durante o governo Fernando Henrique Cardoso, Rubens Barbosa, defendeu os seus colegas diplomatas:

“Se perguntarem ao Mauro Vieira [ministro das Relações Exteriores], ele também vai defender a cooperação aeronáutica com os argentinos, mas porque isso faz parte dessa estratégia de liderança que os petistas perseguem na América do Sul. Só por isso. A participação do Itamaraty é marginal nesse assunto. Isso é um programa do Ministério da Defesa”.

A Embraer, que tem no contrato com a SAAB um acordo para fabricar os caças Gripen no Brasil, também já externou, por diversas vezes, tanto ao Ministério da Defesa como ao Itamaraty, a sua preocupação com os possíveis prejuízos que o assunto do Gripen “argentino” poderia acarretar à parceria com os suecos.

Em uma dessas vezes, o próprio presidente da Embraer, Frederico Curado, tratou do tema com o então ministro das Relações Exteriores, Luiz Figueiredo, ouvindo da parte do diplomata palavras tranquilizadoras.

Contudo, agora, os próprios profissionais do Itamaraty já temem que, na tentativa de fazer Brasília entender o alcance de seu desconforto, os ingleses considerem as tratativas sobre o caça um “ato inamistoso” de parte do governo brasileiro.

O diplomata crítico aos petistas não acredita que o assunto evolua de forma tão desfavorável para as relações entre Brasília e Londres.

“Os ingleses estão só querendo marcar posição. Eles sabem que o Gripen da Embraer ainda não tem um parafuso, que é tudo jogo de cena”, resume ele.

Visita 

Mas o cuidado da administração Dilma Roussef em mostrar seu comprometimento com os argentinos é observado em outras áreas da administração britânica.

A própria Marinha Real vem percebendo: apesar de toda a vontade manifestada, ano passado, de cooperar com a modernização da Marinha do Brasil – disposição esta exposta em 2014 ao então comandante da Marinha brasileira, almirante Moura Neto, durante a visita oficial que ele fez à Inglaterra –, os brasileiros tratam os oferecimentos britânicos de navios e equipamentos, sistematicamente, com muita reserva.

Um oficial da Marinha em posição de mando argumentou para o Poder Aéreo que, normalmente, tais ofertas se tornam inviáveis por seu alto custo, mas os ingleses consideram que a postura da Força Naval brasileira reflete a preocupação de Brasília de não irritar o comportamento mercurial da presidenta Cristina Fernández de Kirchner.

Em artigo recente intitulado Los amigos que le quedan en el mundo (“Os amigos que lhe restam no mundo”), publicado no jornal La Nación, o colunista Joaquín Morales Solá revelou:

“Um diplomata europeu saiu da Chancelaria [sede da diplomacia argentina], nos últimos dias, aturdido por uma revelação. Seu interlocutor, um alto funcionário argentino, o havia notificado formalmente de uma novidade: ‘os aliados estratégicos da Argentina são China e Rússia’, disse”. E os fatos parecem confirmar essa assertiva.

No fim deste mês – menos de 90 dias depois de ter regressado de Pequim – a presidenta Cristina estará embarcando para uma visita oficial a Moscou.


Revelados os termos da negociação argentina pelo caça JF-17 Block II

Poder Aéreo

A Força Aérea Argentina negocia um lote entre 14 e 24 caças-bombardeiros leves sino-paquistaneses JF-17 Thunder (“Trovão”) Block II, dotados de motor russo Klimov RD-93, a um custo unitário entre 25 e 30 milhões de dólares sem armamento.


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As informações foram publicadas nesta segunda-feira (06.05), no site Interdefensa Militar Argentina, pelo editor Marcelo Cimino, um dos mais importantes comentaristas civis de assuntos militares argentinos.

Em seu texto – intitulado Argentina evalúa el FC-1/JF-17 “Thunder” – Cimino relata que a missão técnica argentina que partiu no último dia 20 de março para uma visita oficial à indústria aeronáutica da China, liderada pelo chefe do Estado-Maior da Força Aérea, brigadeiro Mario Callejo, já está de volta a Buenos Aires.

Callejo viajou acompanhado do chefe de Doutrina de sua corporação, brigadeiro José Videla, do presidente da Fábrica Argentina de Aviões Brigadeiro San Martín, Matías Savoca, do vice-presidente da empresa, engenheiro Franco Giuggioloni e do gerente-geral da companhia, engenheiro Tulio Calderón.

A comitiva foi recepcionada pela direção da CATIC (China National Aero Technology Import & Export Corporation) e pode assistir a uma demonstração de pilotagem do caça em simulador.

”Incógnitas” 


O JF-17 ainda não é utilizado pela Força Aérea do Exército de Libertação Popular da China – que trata a aeronave pela sigla alfanumérica FC-1. A CATIC dispõe apenas de um protótipo, mas a reportagem não esclarece se os argentinos puderam conhecê-lo.

O Ministério da Defesa da Argentina prepara agora a viagem de uma equipe de pilotos de combate ao Paquistão, onde os sul-americanos poderão testar o JF-17. A Força Aérea Paquistanesa opera cerca de 50 aeronaves desse tipo, na versão Block I.

“O FC-1/JF-17 representa todo um livro cheio de incógnitas sobre a vida útil de sua célula, a confiabilidade e contundência dos equipamentos eletrônicos e aviônicos chineses, disponibilidade do Block II a curto prazo etc.”, escreve Cimino. “[O JF-17] Está impulsionado por um motor de origem russa cujo TBO (time between overhauls) é de 600 horas, não obstante o caça sino-paquistanês ser uma opção econômica, que aporta todo um sistema de armas completo e moderno com 0hs de uso. Além disso traz consigo capacidade BVR, comandos FBW, está habilitado a utilizar mísseis ar-ar com duas possibilidades de alcance, pode carregar mísseis antinavio, mísseis antirradiação, bombas guiadas etc. Está na habilidade negociadora argentina a chave na hora de obter a menor quantidade de restrições [de transferência de informações por parte dos chineses] e os códigos de acesso [códigos-fonte] da aeronave”.

Propulsão


Em seu artigo Cimino se estende em considerações sobre a propulsão do caça sino-paquistanês, a cargo do motor Klimov RD-93, que pertence “à família RD-33 tem um TBO de 600 horas, não obstante os paquistaneses declarem que este é de 800 horas. Por sua parte o fabricante Klimov assegurou estar trabalhando para estender o tempo de revisão. No caso do motor RD-33MK conseguiu-se estender o TBO para 1.000 horas. Em 2005 a China fechou um contrato com a Klimov por 100 motores RD-93, a mencionada operação teve um custo de 238 milhões de dólares, tendo a entrega dos mesmos sido encerrada em 2010”.

A reportagem admite que, nessa fase preliminar de contatos, o aproveitamento das instalações da Fábrica Argentina de Aviões (FAdeA) na construção dos jatos chineses ainda é incerta, e que essa possibilidade será maior, na medida em que os militares argentinos se decidam pela aquisição do lote mais numeroso, de 24 aeronaves.

Chama a atenção, no texto, o assunto preço.

Se o JF-17 Block II sairá entre 25 e 30 milhões de dólares sem o armamento, o mais correto é considerar que, por menos armamento que se compre inicialmente, o valor unitário do avião a ser adquirido irá superar os 30 milhões de dólares. Nesse caso, o valor da compra será significativamente maior que o imaginado originalmente pelos militares argentinos, que, a princípio, trabalhavam com uma faixa de preço unitário entre 20 e 30 milhões de dólares.

Prazos 

Cimino não esclarece como será solucionada a questão – que para os militares de seu país é urgente – dos prazos em que as aeronaves chinesas poderão ser entregues, já que elas, aparentemente, se destinam a substituir os caças Mirage III da VI Brigada Aérea, sediada em Tandil, província de Buenos Aires.

Na última quinta-feira, durante uma entrevista polêmica, o ministro da Defesa argentino, Agustín Rossi, declarou que os Mirages são os únicos aviões de combate argentinos que ainda alcançam velocidade supersônica, mas que, em consequência do desgaste a que foram submetidos, apenas três deles estão voando…

Como o JF-17 Block II só começou a realizar os seus primeiros vôos em fevereiro, supõe-se que um lote de série só estará disponível para ser transferido aos argentinos no primeiro semestre de 2017 ou, na melhor das opções, no final de 2016. A não ser, claro, que o governo de Buenos Aires se contente em receber algumas aeronaves Block I.

A reportagem de Cimino também não faz referência ao caça chinês J-10, de préstimos comparáveis ao F-16 americano, que um respeitado articulista militar (e ex-piloto de provas) da China qualificou de muito mais vantajoso que o JF-17.