24 abril 2014

Israel ataca Gaza após anúncio de formação de governo de união, seis feridos

Pelo menos seis pessoas ficaram hoje feridas, uma das quais gravemente, quando um avião militar israelita atacou o norte da Faixa de Gaza, anunciou a administração do movimento de resistência islâmica Hamas.


Lusa | RTP

O ataque surgiu quando milhares de pessoas celebravam nas ruas de Gaza o anúncio da formação de um governo de união, nas próximas semanas, entre o Hamas e a Organização de Libertação da Palestina (OLP), para pôr fim a sete anos de divisão política.

A Faixa de Gaza é administrada pelo Hamas desde junho de 2007, enquanto a Cisjordânia é governada pela Autoridade Palestiniana, presidida por Mahmud Abbas, do Fatah.

O Hamas é considerado uma organização terrorista pela UE e Estados Unidos.


Aliança dos EUA com Japão inclui defesa de ilhas disputadas com a China

O Presidente norte-americano, Barack Obama, afirmou hoje, no Japão, que a aliança de segurança entre Washington e Tóquio inclui "todos os territórios administrados pelo Japão, incluindo as ilhas Senkaku", disputadas com a China.


Lusa | RTP

Obama apontou que os Estados Unidos não se envolvem nas questões de soberania entre os dois países, mas recordou que o arquipélago, reivindicado por Pequim, "tem sido historicamente administrado pelo Japão", uma situação que "não deve ser alterada de forma unilateral".

Em conferência de imprensa, realizada hoje em Tóquio, a primeira etapa da sua visita oficial à Ásia, o Presidente norte-americano defendeu que o conflito diplomático deve ser "resolvido de forma pacífica" e evitadas "provocações".

Afirmando que aliança de segurança entre Washington e Tóquio inclui "todos os territórios administrados pelo Japão, incluindo as ilhas Senkaku", designadas de Diaoyu pela China, um eventual ataque iria obrigar a uma intervenção dos Estados Unidos.

"O artigo quinto (do tratado de segurança EUA-Japão) abarca todos os territórios sob administração japonesa, incluindo as Senkaku", frisou.

A disputa pela soberania territorial das ilhas Senkaku/Diaoyu dura há décadas, mas a compra, em setembro de 2012, por parte de Tóquio, de três dos cinco ilhotes do pequeno arquipélago, de apenas sete quilómetros, administrado, de facto, pelo Governo japonês, veio agudizar o conflito.

O arquipélago desabitado, mas potencialmente rico em recursos minerais, fica no Mar da China Oriental, a cerca de 120 milhas náuticas de Taiwan, que também reclama a sua soberania, e a 200 milhas náuticas de Okinawa, no extremo sul do Japão.


Israel suspende conversações de paz e insta líder palestiniano a recuar no pacto com o Hamas

O negociador palestiniano Saeb Erekat respondeu à suspensão unilateral das negociações de paz dizendo que a direção palestina vai "estudar todas as opções" de resposta a Israel. "A prioridade para os palestinianos é a reconciliação nacional," sublinhou Erekat.


Graça Andrade Ramos | RTP

O primeiro ministro de Israel afirmou que nunca irá negociar com um governo palestiniano "apoiado por uma organização terrorista" cujo principal objetivo é a destruição de Israel. Ao início da tarde, o Governo israelita anunciou a suspensão das negociações de paz com os palestinianos, devido ao acordo de reconciliação firmado na quarta-feira entre os dois grupos rivais palestinianos, Fatah e Hamas, que pôs fim a sete anos de rutura.

O acordo entre as duas fações palestinianas prevê a formação de um governo conjunto "dentro de semanas."

Em entrevista à NBC News, Benjamin Netanyahu afirmou que o Presidente palestiniano Mahmmoud Abbas ainda pode renunciar à sua aliança com o Hamas anunciada esta quarta-feira e retomar as negociações de paz "genuínas" com Israel.

"Ele (Abbas) ainda pode recuar e abandonar este pacto. Espero que o faça" acrescentou o primeiro-ministro israelita.

"Porque, se encontramos uma liderança palestiniana e um governo palestiniano que esteja pronto a prosseguir negociações de paz genuínas, estaremos presentes. Eu estarei presente," garantiu Netanyahu.

A reconciliação palestiniana colocou para já um ponto final a uma negociação de nove meses iniciada pelo secretário de Estado norte-americano, John Kerry e que devia durar até à próxima terça-feira. As partes estavam a tentar prorrogar o prazo inicial.

No domingo dia seis de abril de 2014, o mesmo Netanyahu havia reagido a um impasse nas conversações, sublinhando durante a reunião do Gabinete israelita que estava disposto a prosseguir as negociações de paz mas "não a qualquer preço."

A decisão de cortar todos os contactos com os palestinianos foi tomada por unanimidade pelo gabinete de segurança de Israel, após uma reunião de cinco horas. Antes, Israel tinha suspendido uma reunião de paz marcada para a própria quarta-feira.

Autoridades ucranianas suspendem operações militares no Leste do país

Voz da Rússia

O portal online ucraniano KyivPost informou, citando suas fontes nos serviços de inteligência da Ucrânia, que as autoridades de Kiev suspenderam as operações contra a população no Leste do país. Isso aconteceu após terem aparecido tropas na fronteira, do lado russo.

O ministro da Defesa russo, Serguei Shoigu, havia anunciado a realização de exercícios das Forças Armadas russas nas áreas fronteiriças, em resposta à operação das Forças Armadas da Ucrânia.



França enviará caças para patrulhar espaço aéreo do Báltico

Voz da Rússia

A França vai reforçar a presença da OTAN no Báltico enviando para a região quatro caças, disse nesta quinta-feira a jornalistas o chefe do Estado-Maior General francês, Pierre de Villiers, durante uma visita a Washington.

"(Os aviões) vão participar da missão nos países bálticos, sendo estacionados na Polônia", especificou.

Os quatro jatos – Mirage 2000 ou Rafale – serão disponibilizados já no próximo domingo. Além disso, a França decidiu enviar uma aeronave equipada com um sistema aéreo de alerta e controle (AWACS), que irá patrulhar o espaço aéreo da Romênia.



Tropas de Mísseis Estratégicos serão protegidas por robôs

Em breve, as Tropas de Mísseis Estratégicos da Rússia (TME) podem receber o mais novo sistema de ataque e reconhecimento robótico móvel que servirá para proteção e defesa das instalações.


Oleg Nekhai | Voz da Rússia

Agora foi dado início aos testes do seu protótipo. O robô militar foi projetado especialmente para as unidades equipadas com complexos de mísseis Topol-M e Yars.

O complexo terá como tarefa a eliminação de sabotadores junto com a máquina anti-subversão Typhoon. Esse é um carro de combate não tripulado com lagartas, guiado por controle remoto a uma distância de até 5 km. O complexo está equipado com vários tipos de munições, entre quais - uma metralhadora Kalashnikov, uma metralhadora Kord e um lançador automático de granadas de 30 mm.

Existe a ameaça de ataques de sabotadores e terroristas nos objetos estratégicos. E como esses são objetos de grande importância, que formam a base das Forças Nucleares Estratégicas russas, os militares devem reagir a tais ameaças, explica o analista militar Viktor Murakhovsky:

"Todos os objetos das Tropas de Mísseis Estratégicos , da Marinha e da Força Aérea que dizem respeito a armas nucleares estratégicas e também a armas nucleares táticas, e não se trata apenas dos sistemas de armamento em si, mas também das armas ofensivas - todos esses objetos precisam de gama completa de ferramentas e sistemas de segurança, projetados para rechaçar qualquer tipo de ameaça".

As TME devem se proteger contra ameaças que representam um perigo real. A proteção contra os ataques aéreos é da responsabilidade das Tropas de Defesa Antimíssil e das Tropas de Defesa Espacial, já que as TME não possuem sua própria defesa antimíssil.

O mais novo sistema robótico tem a capacidade de apontar armas, monitorar e destruir alvos em modos de controle automático e semiautomático e é dotado de estações de reconhecimento eletroótico e radiogoniométrico.

O sistema de reconhecimento e o sistema de mira permitem realizar a busca e o monitoramento de alvos em quaisquer condições climáticas, tanto durante o dia como à noite, e relatar os resultados ao operador. Porém, a decisão de abrir fogo é somente do operador, por enquanto, essa é a posição firme tanto de clientes, como de desenvolvedores dos sistemas robóticos não-tripulados. Ampla experiência no uso de veículos não-tipulados pelos norte-americanos, prova que existe uma grande chance de receber danos colaterais, destacou Viktor Murakhovsky:

"Grosseiramente falando, é quando em vez de um carro com os membros do Taliban é destruido um carro com noivos no dia do casamento deles. Tais incidentes são bem frequentes. Se o direito de tomar a decisão de abrir fogo passar para os sistemas robóticos, isso poderá não apenas causar danos significativos, mas também surgirá a possibilidade de uma utilização de ferramentas de guerra radioeletrônica contra nossas próprias tropas".

Os testes do mais novo sistema robótico incluem a realização de treinamento de tiro de combate na cidade de Klimovsk, na região de Moscou. Além do sistema robótico móvel, na Rússia existem outros complexos similares que estão sendo testados por outros ramos das Forças Armadas.

Por sinal, o carro de combate não-tripulado e guiado por controle remoto já foi testado, ainda nos anos 80 do século passado. Nos anos 90, testes foram suspensos, mas agora foram retomados de novo. Foi estabelecido um centro para o desenvolvimento de veículos robóticos terrestres, foram definidos os clientes, as fábricas, além dos requisitos táticos de desempenho para tais sistemas. Em conformidade com o programa do estado em vigor para armamentos, sistemas similares entrarão no serviço operacional do Exército até 2020.



Fragata francesa está aproando para o mar Negro

Voz da Rússia

Segundo noticia hoje a mídia romena, a fragata francesa Duplex vai entrar este fim de semana nas águas do mar Negro.

Atualmente, no mar Negro já se encontram três navios da OTAN: um contratorpedeiro e uma fragata dos EUA e um navio de reconhecimento francês. Os acordos internacionais preveem que essas belonaves poderão permanecer no mar Negro até ao final de abril.


Como Su-24 russo paralisou destroier americano

Na semana passada, na Internet russa foi discutido ativamente um comunicado de como um bombardeiro da frente russo Su-24 equipado com um o sistema de neutralização radioeletrônica de última geração havia paralisado no mar Negro o mais sofisticado sistema americano de combate Aegis a bordo do destróier Donald Cook.


Vladimir Fedorov | Voz da Rússia

O destróier participava das manobras americano-romenas que tiveram como missão demonstrar a força, diz Pavel Zolotarev, perito em assuntos políticos:

“Em 10 de abril, o Donald Cook armado de mísseis cruzeiro Tomahawk entrou em águas neutras do mar Negro. Os exercícios tiveram por fim intimidar e demonstrar a força em resposta à posição da Rússia na Ucrânia e na Crimeia. Destaque-se que a entrada de navios militares americanos neste espaço aquático contraria a convenção sobre o caráter e os prazos de permanência no mar Negro de vasos de guerra dos países não banhados por este mar.

A Rússia, por seu lado, enviou um avião desarmado Su-24, para sobrevoar o destróier americano. Contudo, este avião, como consideram peritos, foi equipado com um sistema russo de luta radioeletrônicade última geração. Segundo esta versão, o Aegis ainda de longe teria interceptado a aproximação do avião dando alerta de combate.


Sukhoi Su-24 Fencer
Tudo decorria como de habitude, tendo os radares da nave calculado a distância até o alvo. Mas de repente todos os telas se apagaram. O Aegis deixou de funcionar e os mísseis não receberam a indicação do alvo. Entretanto, o SU-24 sobrevoou a coberta do destróier, fez uma viragem de combate e imitou um ataque de mísseis. Depois fez uma volta e repetiu durante 12 vezes consecutivos a manobra.

Pelo visto, todas as tentativas de reanimar o Aegis e indicar o alvo ao sistema de defesa antiaérea fracassaram. A reação da Rússia à pressão militar dos EUA foi terrivelmente tranquila, considera Pavel Zolotarev:

“A demonstração foi bastante original. Um bombardeiro sem armas, mas equipado com um sistema de neutralização radioeletrônicade radares do inimigo deu certo atuando contra o destróier com o sistema mais sofisticado de DAA e de DAM a bordo. Mas este sistema de baseamento móvel, neste caso marítimo, tem um defeito considerável – as possibilidades de acompanhar os alvos, que funcionam bem quando há vários navios e é possível coordenar-se entre si. Mas neste caso havia só um destróier. Ao que tudo indica, o algoritmo de trabalho dos radares da nave no sistema Aegis não funcionou sob a ação do sistema de neutralização radioeletrônicaa bordo do Su-24. Por isso foi provocada não apenas uma reação de nervos ao próprio fato do sobrevoo, praticado largamente só no período da Guerra Fria. Houve a seguir mais uma reação ao fato de o sistema mais sofisticado, em primeiro lugar a sua parte informativa, de radares, não ter funcionado em plena medida. Por isso, a parte americana reagiu tão nervosamente”.

Após o incidente, como escreve a mídia estrangeira, o Donald Cook entrou com urgência num porto da Romênia, onde 27 tripulantes do navio solicitaram demissão escrevendo nos pedidos, como se diz, que não pretendem arriscar suas vidas. Tal é confirmado indiretamente por uma declaração do Pentágono, em que se afirma que esse ato tem desmoralizado a tripulação do destróier americano.

Quais podem ser as consequências militares do incidente no Mar Negro, provocado pelos Estados Unidos? Comenta Pavel Zolotarev:

“A meu ver, os americanos irão refletir sobre o aperfeiçoamento do sistema Aegis. Este é o puro lado militar. Mas é pouco provável que politicamente sejam dados quaisquer passos por uma ou outra parte. Essas ações são suficientes. Entretanto, este é um momento desagradável para os americanos. Em geral, o sistema de DAM, que estão desenvolvendo, absorve meios colossais e é necessário provar cada vez que eles devem ser canalizados do orçamento. Ao mesmo tempo, a componente terrestre do sistema de DAM – contra-mísseis em poços – foi testado em condições ideais, mostrando uma baixa eficácia. Este fato é escondido minuciosamente pelo Pentágono. O mais sofisticado sistema Aegis de estacionamento marítimo também revelou neste caso seus defeitos”.

O sistema com que o Su-24 havia chocado o destróier americano Donald Cook tem o nome convencional de Khibiny, como se chama um maciço montanhês na península de Kola, na região polar da Rússia.

O Khibiny é um sistema de neutralização radioeletrônicade última geração com que serão equipados todos os aviões prometedores russos. Há pouco o sistema foi testado em exercícios num polígono na Buriátia. Pelo visto, os testes foram bem-sucedidos, se em breve foi decidido testar o sistema em condições próximas do combate.



Crise na Ucrânia: as opções do Ocidente para conter a Rússia

Diplomacia entre o Ocidente e a Rússia está ficando mais complicada


BBC Brasil

O governo ucraniano disse que suas tropas conseguiram desmantelar postos de controle erguidos por milícias pró-Rússia na cidade de Sloviansk e que pelo menos cinco "terroristas" forma mortos na operação.

Em outra cidade da região leste do país, Mariupol, o governo diz que conseguiu expulsar milicianos que ocupavam a prefeitura.

O presidente russo, Vladimir Putin, disse nesta quinta-feira que se o governo da Ucrânia usasse seu Exército contra "seu próprio povo", isso poderia ter "consequências sérias".

Enquanto aumenta o número de mortos e os confrontos se intensificam no país europeu, o Ocidente considera suas opções sobre como lidar com a situação, em particular com uma eventual ação militar russa.

Até agora, os Estados Unidos têm insistido em sanções a membros do governo russo como forma de pressionar o país, mas outras opções também podem ser consideradas.

Veja abaixo as possíveis linhas de ação que têm sido consideradas:


Ater-se à diplomacia


O caminho óbvio para aumentar a pressão diplomática - o Conselho de Segurança da ONU - está bloqueado porque a Rússia é membro permanente e pode vetar qualquer ação proposta. Outros órgãos da ONU, como a Assembleia Geral, poderão aprovar resoluções não compulsórias, mas a Rússia poderá simplesmente ignorá-las.

Onde é possível, o Ocidente tem feito movimentos para isolar a Rússia, como cancelar uma reunião do G8 no início do ano e suspender a adesão de Moscou. Mas a Rússia não pode ser expulsa tão facilmente do Conselho de Segurança ou da Organização Mundial do Comércio, que Moscou esperou tanto tempo para integrar. Os países podem ainda suspender vistos e aplicar outras restrições nas relações com a Rússia.

Há sempre um ponto de interrogação sobre medidas punitivas. Elas ajudam ou são um obstáculo? Como princípio geral, países do Ocidente pregam publicamente os benefícios do diálogo e consideram o isolamento uma medida extrema.

Mas o diálogo não foi capaz de impedir o avanço russo - ou forçar uma mudança de atitude de Moscou. A Rússia agiu rápido anexando a Crimeia, e o pior cenário é que o país poderia integrar outras partes da Ucrânia, como áreas com grandes populações de etnia russa.

A opção militar

Aeronaves já foram mobilizadas para patrulhar o espaço aéreo do Báltico e jatos dos Estados Unidos estão realizando exercícios na Polônia. Unidades de paraquedistas estão sendo enviadas para Polônia, Lituânia, Letônia e Estônia.

Exercícios militares de pequena escala serão realizados e poderão continuar ao longo deste ano. Eles provavelmente são adequados para tranquilizar aliados da Otan na região - mas não o suficiente como uma arma de dissuasão.

É quase inimaginável que a atual crise na Ucrânia possa levar a um confronto militar em grande escala entre a Otan e a Rússia. A Otan não vai enviar tropas à Ucrânia. Se a Rússia enviar suas tropas para a região leste da Ucrânia, a resposta provavelmente será através de sanções econômicas severas – e não uma ação militar.

No entanto, qualquer movimento por parte da Rússia para ameaçar ou desestabilizar as repúblicas bálticas poderá levar a um potencial confronto militar.

A longo prazo, é improvável que a Otan eleve gastos com defesa e a aliança vai ter que analisar novamente uma forma melhor de defender os países membros que vivem perto das fronteiras da Rússia.

Ampliar sanções econômicas

É provável que haja uma divisão entre a UE e os Estados Unidos sobre a possibilidade de ampliar as sanções econômicas. Empresas europeias têm laços muito mais estreitos com a Rússia, e a recuperação econômica da zona do euro continua frágil.

Os Estados Unidos têm muito menos negócios com a Rússia, e poderiam ir muito mais longe em suas medidas. O governo americano já impôs sanções ao Banco Rossiya e congelou bens e proibiu vistos de políticos, empresas e figuras militares russas. Especialistas acreditam que o primeiro passo seria ampliar esta lista de sanções.

Novas sanções poderiam ter como alvo uma ampla lista de empresas estatais, incluindo aquelas que vão além do círculo íntimo do presidente Putin.

Mas o Ocidente não parece estar disposto a atacar o setor de energia da Rússia, tendo em conta a dependência da Europa do gás russo e possíveis represálias de Moscou. Por isso, os Estados Unidos estariam sozinhos.

Não fazer nada

O Ocidente pode acreditar que suas sanções moderadas, a retórica e a postura militar podem deter a Rússia.

No entanto, alguns especialistas em política russa sugerem que o presidente Vladimir Putin está tentando forjar uma "Grande Rússia" usando uma retórica anti-Ocidente e uma filosofia de contornos místicos. Outros dizem que seu objetivo é trazer ordem a uma parte caótica do mundo.

Se a aposta em "não fazer nada" falhar, as repercussões poderão ser sentidas em todo o mundo. Líderes de países menos ilustres do que a Rússia poderão se sentir encorajados a anexar pedaços de terra que sempre cobiçaram, rebeliões como a ocorrida na Crimeia poderão se repetir, ameaçando a estabilidade e o desenvolvimento econômico.

Em suma, não fazer nada pode ser a maior aposta de todas.


Rússia promete “resposta adequada” em caso de ataque contra russos

Sergei Lavrov criticou os Estados Unidos por tentarem jogar a responsabilidade para Moscou


Diário da Rússia

O Ministro dos Negócios Estrangeiros da Rússia, Sergei Lavrov, ao comentar a situação em torno da Ucrânia, disse que, no caso de um ataque contra a Rússia e seus cidadãos, o lado russo dará uma resposta adequada. Segundo ele, "se os interesses legítimos de Moscou e de seus cidadãos forem diretamente atacados como foi, por exemplo, na Ossétia do Sul, então não há outra forma senão responder, em plena conformidade com o direito internacional". A declaração aconteceu durante uma entrevista ao canal Russia Today na quarta-feira, 23.

A diplomacia ucraniana, por sua vez, interpretou as palavras do chanceler russo como uma preparação da Rússia para a agressão contra a Ucrânia. De acordo com o governo de Kiev, a suposição de que possa haver um ataque contra os russos não parece razoável, tendo em vista os esforços que estariam sendo feitos acalmar o conflito e resolvê-lo pacificamente.

Ao responder as acusações do Ocidente sobre os militares russos que se encontram na fronteira com a Ucrânia, Lavrov disse que "as tropas estão em território da Rússia e participam de exercícios que se tornaram regulares desde que Sergei Shoigu tornou-se ministro da Defesa".

Já quanto à posição dos Estados Unidos, o chanceler declarou que os norte-americanos estão tentando jogar a responsabilidade na Rússia não só na resolução da crise ucraniana, mas também outros conflitos internacionais. Segundo ele, trata-se de abordagem não realista e egoísta.


Presidente da Ucrânia chama de covardes militares que aderiram aos separatistas

Olexander Turchynov dissolveu a única brigada aerotransportada do país


Diário da Rússia

O Presidente da Ucrânia, Olexander Turchynov, deterninou a dissolução da única brigada aerotransportada no país cuja base funciona em Dnepropetrovsk, no leste do país. O chefe de Estado, que também preside a Suprema Rada (parlamento ucraniano) tomou esta decisão depois dos militares do grupo terem se recusado a investir contra os moradores da região de Donetsk, onde os habitantes são partidários da tese de federalização da Ucrânia.

Além de se recusar a atacar os manifestantes contrários ao governo ucraniano, os militares depuseram as armas e passaram para o seu lado. Segundo o analista político da Rádio Voz da Rússia, Andrey Fedyashin, o Olexander Turchynov determinou a prisão de todos os militares por indisciplina e sublevação. O presidente disse ainda que, ao se negar a cumprir as ordens do governo ucraniano, os militares deram prova de covardia.

Por sua vez, Oleg Tyagnibok, líder do partido nacionalista Svoboda, defendeu o início imediato do treinamento de voluntários nos quartéis e sugeriu a aprovação de uma lei que permita aos civis portar armas de fogo para defender a Ucrânia.

Síria já destruíu mais de 90% das armas químicas

Voz da Rússia

A Síria retirou ou destruiu 92,5% das suas armas químicas, declarou esta quinta-feira a coordenadora especial da missão conjunta da Organização para a Proibição de Armas Químicas (OPAQ) e da ONU, Sigrid Kaag, em sua página no Twitter.

Há dois dias, essa percentagem era de 88%. Naquela altura, a OPAQ observou que, em abril, o transporte de materiais tóxicos a partir do porto sírio de Latakia seria acelerada.

A retirada de armas químicas da Síria foi retomada em 4 de abril. Este processo havia sido temporariamente suspenso devido a dificuldades com a segurança.

De acordo com o plano, até 27 de abril, todo o arsenal de armas químicas deverá ser retirado da Síria. Até 30 de junho deste ano, as armas deverão ser completamente destruídas.



Shoigu: exército russo inicia exercícios nas áreas fronteiriças com Ucrânia

Voz da Rússia

"Nas áreas fronteiriças com a Ucrânia, começaram os exercícios de grupos táticos das unidades combinadas dos distritos militares do Sul e do Oeste", disse o ministro da Defesa russo, Serguei Shoigu.

"Além disso, a aviação realizará voos para testar missões próximo da fronteira nacional", acrescentou Shoigu.

De acordo com ele, a operação militar ucraniana contra civis no Sudeste da Ucrânia envolve um grupo de tropas que conta com mais de 11 mil homens, 160 tanques, mais de 230 veículos de infantaria e veículos blindados, mais de 150 peças de artilharia e um grande número de aviões.


Bombardeio aéreo deixa mais de 20 mortos na Síria

Pelo menos 21 pessoas morreram, entre elas três crianças.
Ataque foi feito contra mercado na província de Aleppo.


France Presse

Pelo menos 21 pessoas - entre elas três crianças - morreram nesta quinta-feira em um bombardeio aéreo contra uma mercado em uma cidade do norte da Síria, na província de Aleppo, anunciou uma ONG opositora.

O bombardeio é parte de uma ofensiva do regime sírio contra as zonas controladas pelos rebeldes na província, segundo o Observatório Sírio dos Direitos Humanos (OSDH).

A ONG afirma que a ofensiva, iniciada em dezembro, provocou centenas de mortes, a maioria de civis, e obrigou milhares de famílias a abandonar suas casas.

"Vinte e uma pessoas morreram no bombardeio contra o mercado da localidade de Atareb, incluindo três crianças", afirma um comunicado do OSDH.

Os militantes distribuíram imagens de vídeo nas quais é possível observar corpos no chão do que parece um mercado.

Desde março de 2011, o conflito na Síria deixou mais de 150 mil mortos, um terço deles civis, segundo o OSDH, que tem sede na Grã-Bretanha. Além disso, 2,5 milhões de sírios fugiram do país e 6,5 milhões foram obrigados a um deslocamento dentro das fronteiras.


Exército russo avança na fronteira com a Ucrânia em resposta a Kiev

O exército russo iniciou novas manobras na fronteira com a Ucrânia, nesta quinta-feira (24), em resposta à operação militar de Kiev contra os separatistas pró-Moscou no leste do país


Do UOL, em São Paulo

O exército russo iniciou novas manobras na fronteira com a Ucrânia, nesta quinta-feira (24), em resposta à operação militar de Kiev contra os separatistas pró-Moscou no leste do país, anunciou o ministro da Defesa da Rússia, Serguei Shoigu. Segundo o Ministério do Interior da Ucrânia, cinco separatistas morreram em confronto com o exército, embora porta-voz dos rebeldes tenha dito que dois combatentes foram mortos.

"Nos vemos obrigados a reagir a esta evolução da situação", declarou Shoigu, citado pelas agências russas. "Unidades dos distritos militares do sul e do oeste iniciaram exercícios. A aviação sobrevoa a região da fronteira", disse.

O ministro expressou "grande preocupação" com o ataque das tropas ucranianas contra os separatistas em Slaviansk, reduto dos insurgentes pró-Rússia no leste do país, que deixaram "até cinco mortos" entre os insurgentes, segundo Kiev.

"Autorizaram o uso de armas contra os civis de seu próprio país. Se não pararmos esta máquina militar hoje, isto provocará muitos mortos e feridos", disse Shoigu.

Mais cedo, Estados Unidos e Rússia trocaram acusações sobre a crise ucraniana. Moscou condenou a operação em Slaviansk, cidade tomada por rebeldes pró-Rússia. O presidente russo, Vladimir Putin, afirmou que o avanço do exército ucraniano contra a população do leste do país é um "crime grave" e terá consequências.

"Se o atual regime de Kiev começou realmente a utilizar o exército contra a população no país é um crime muito grave contra seu próprio povo", declarou Putin. "É uma operação repressiva que terá consequências para as pessoas que tomam estas decisões, em particular para as relações intergovernamentais. Se as autoridades atuais de Kiev fizeram isto, então trata-se simplesmente de uma junta, de uma espécie de grupo criminosos".

O chanceler russo, Sergei Lavrov, disse hoje que os Estados Unidos devem usar sua influência para persuadir Kiev a implementar sua parte do acordo internacional assinado em Genebra, na semana passada, para reduzir as tensões na Ucrânia.

Já o presidente dos EUA, Barack Obama, rebateu dizendo que houve descumprimento, por parte da Rússia, do acordo. Ele afirma que mais sanções podem ser aplicadas contra o país se o governo russo não cumprir os termos do documento.

"Há sempre a possibilidade de que a Rússia, amanhã, ou depois, inverta seu curso e tenha uma abordagem diferente", disse Obama.


Confrontos

O acordo de paz tem sido colocado em perigo por rebeldes ucranianos pró-Rússia que ocupam edifícios públicos no leste da Ucrânia. Slaviansk é a cidade-fortaleza dos rebeldes, cuja maioria da população fala russo.

O Ministério do Interior ucraniano informou em seu site que, no combate entre o exército ucraniano e os separatistas, "cinco terroristas" morreram na destruição de três postos de controle na cidade. Um soldado ucraniano ficou ferido.

Na região sudeste da Ucrânia, as forças de segurança ucranianas recuperaram o controle da prefeitura da cidade de Mariupol, também ocupada por separatistas pró-Rússia, segundo o ministro do Interior.

"A prefeitura foi liberada e pode funcionar normalmente", escreveu Arsen Avakov em sua página Facebook, que prometeu uma "resposta severa aos terroristas, até eliminá-los".

O edifício estava ocupado desde 13 de abril. O governo da Ucrânia disse também ter retomado Sviatogorsk das mãos de homens armados na quarta-feira (23), enquanto reativava sua operação "antiterrorista" para recuperar o controle do leste russófono. 

(Com Agências Internacionais)

23 abril 2014

Rússia ameaça resposta firme se seus interesses forem violados na Ucrânia

Chanceler diz que repetirá em território ucraniano medidas tomadas em 2008 na Ossétia do Sul em caso de ataque contra russos. Moscou e Ocidente seguem troca de acusações sobre cumprimento do acordo de Genebra.


Deutsch Welle

A Rússia responderá a qualquer ataque aos seus interesses na Ucrânia assim como fez na Geórgia em 2008, por meio de uma intervenção militar, declarou nesta quarta-feira (23/04) o ministro das Relações Exteriores russo, Serguei Lavrov, em entrevista ao canal de TV Russia Today (RT).

"Se nos atacam, claro que responderemos. Se nossos interesses legítimos, se os interesses dos russos são atacados diretamente, como ocorreu na Ossétia do Sul, não vejo outro caminho senão responder conforme o direito internacional", afirmou o chanceler.

Em 2008, a Rússia interveio militarmente na Geórgia e, após um conflito armado de cinco dias, reconheceu a independência das repúblicas separatistas georgianas da Ossétia do Sul e da Abkházia.

No leste da Ucrânia, há uma grande maioria russa, inclusive com passaporte. Moscou insistiu nesta quarta-feira para que o governo de Kiev retire as forças especiais enviadas ao leste do país para combater rebeldes pró-russos, que ocuparam prédios governamentais em diversas cidades. Além disso, Moscou pede o inicio de diálogos entre todas as regiões do país e forças políticas.

As declarações do ministro russo ocorreram após as autoridades ucranianas anunciarem na terça-feira o reinício de uma operação "antiterrorista" contra as forças separatistas do leste da Ucrânia, que haviam sido paralisadas durante o feriado de Páscoa. O retorno das operações iniciou-se horas após a partida do vice-presidente dos Estados Unidos, Joe Biden.

Troca de farpas

EUA e Otan já deixaram claro uma série de vezes que um ataque militar na Ucrânia não seria tolerado. E na entrevista ao canal RT, Lavrov declarou que as decisões do governo ucraniano são “influenciadas” pelos americanos.

"É evidente que os Estados Unidos escolheram o momento da visita do vice-presidente para anunciar a retomada da operação, a mesma que tinha sido lançada imediatamente após a visita a Kiev de John Brennon, diretor da CIA”, afirmou Lavrov.

O secretário de Estado americano, John Kerry, teria afirmado, em telefonema com Lavrov, que está “extremamente preocupado” em relação à falta de medidas russas para solucionar o conflito. Kerry também ameaçou endurecer as sanções contra a Rússia caso não haja progresso em relação ao tratado de Genebra.

O ministro russo diz que Kiev não está cumprindo os termos do acordo de Genebra, assinado na quinta-feira por Ucrânia, Rússia, Estados Unidos e União Europeia. Por outro lado, a Ucrânia e os Estados Unidos também acusam a Rússia de não seguir o combinado, insistindo para que o Kremlin se distancie das forças separatistas do leste ucraniano.

O acordo prevê, entre outras medidas, o desarmamento de todos os grupos ilegais e a evacuação de todos os edifícios públicos ocupados na capital.


Conflito no Sudão do Sul não tem motivação étnica, mas política

Lealdade política e filiação étnica estão interligadas no país, e líderes tiram proveito dessa situação. Verdadeira causa da violência são as reservas de petróleo, afirmam especialistas.


Deutsch Welle

Diante do massacre de centenas de pessoas na cidade sul-sudanesa de Bentiu, resta a pergunta se a intenção dos dois grandes grupos étnicos dos país é liquidar um ao outro. Depois de o conflito entre o presidente Salva Kiir e seu ex-vice Riek Mashar ter evoluído para um violência brutal, com milhares de mortos e dezenas de milhares de refugiados, houve uma radicalização dos grupos rivais.

De acordo com a Missão da ONU no Sudão do Sul (Unmiss), os rebeldes de Mashar atacaram e mataram centenas de civis que se refugiaram numa mesquita, numa igreja e num hospital na semana passada. Somente na mesquita, calcula-se que houve 200 mortos. Muitos deles pertenciam à etnia dinka – a maior do Sudão do Sul e a mesma de Kiir, adversário de Mashar. Este, por sua vez, pertence ao grupo étnico nuer.

Ao mesmo tempo, jovens membros da etnia dinka atacaram um acampamento da Unmiss onde se encontravam principalmente membros do grupo étnico nuer. Ao menos 50 pessoas foram mortas, outras cem ficaram feridas.

Lealdade étnica e interesses políticos

Apesar disso, não se trata em primeira linha de um conflito entre os dinka e os nuer, opina Sarah Tangen, representante da Fundação Friedrich Ebert (ligada ao Partido Social-Democrata da Alemanha) no vizinho Uganda, também responsável pelo Sudão do Sul.

Para ela, o verdadeiro estopim da violência é o conflito político. "No Sudão do Sul, lealdade política e filiação étnica sempre estiveram ligadas. Por esse motivo, é muito difícil separar a dimensão étnica das rivalidades políticas", afirma Tangen.

"Fatores étnicos são facilmente mobilizados em prol de interesses políticos e econômicos e, por essa razão, frequentemente se tira proveito deles para esse fim." E quem faz isso não leva em conta o sofrimento que isso acarreta para a população, comenta Tangen.

Assim, o conflito não teria origem na hostilidade entre as etnias, mas na hostilidade entre os líderes políticos. O pano de fundo é o acesso às grandes reservas de petróleo no norte do país, responsáveis por quase toda a receita do Sudão do Sul. O objetivo dos rebeldes é assumir o controle dessas reservas.

Mas é verdade que há ressentimentos entre os dois grupos étnicos: os nuer se sentem desfavorecidos frente aos dinka (que são numericamente superiores) desde a independência do Sudão do Sul, há quase três anos – por exemplo, na divisão dos cargos políticos e das terras cultiváveis.

Apesar disso, também Ulrich Delius, da ONG Sociedade de Povos Ameaçados, disse acreditar que o conflito não está baseado no ódio entre as etnias. No entanto, devido à violência dos últimos meses, cada vez mais os membros de uma etnia veem as pessoas do outro grupo étnico como agressores. "O problema é que, para as pessoas comuns, tudo isso se apresenta como um conflito étnico", diz Delius.

O resultado é que as pessoas somente se sentem seguras no ambiente da própria etnia, o que eleva a importância do fator étnico na definição da identidade pessoal e também alimenta o ódio à outra etnia – um círculo vicioso fatal.

Mashar se apresenta como conciliador

O líder rebelde Mashar apresenta a situação de uma maneira bem diferente. Há poucas semanas, ele declarou em entrevista à DW: "Com mais de 60 povos, o Sudão do Sul é um país de grande diversidade étnica. Nós queremos reunir essa diversidade para formar um Estado viável."

Tangen diz ver nessas declarações uma retórica inteligente para tranquilizar os países estrangeiros. "Eu não acredito que ele tenha interesse em pacificar o país." Se quisesse mesmo evitar uma espiral de violência, Mashar teria sinalizado disposição para conversar desde o início dos confrontos. Mas o que aconteceu foi justamente o contrário, argumenta Tangen.

Enquanto isso, representantes do governo sul-sudanês e dos rebeldes se encontram na vizinha Etiópia. Em Adis-Abeba, eles deverão dar prosseguimento às negociações interrompidas no mês passado. É improvável que as discussões levem a um acordo: até agora, as partes conflitantes não puderam chegar nem mesmo a uma agenda comum. A União Africana fixou um prazo até 30 de abril para que se chegue a um acordo, mas não há ameaças de sanções em caso de fracasso.



Moscou acusa Kiev de romper acordo sobre Ucrânia

O ministro das Relações Exteriores da Rússia, Sergei Lavrov, acusou as autoridades de Kiev de romper o acordo assinado em Genebra, na semana passada, para tentar resolver a crise na Ucrânia.


BBC Brasil

Lavrov disse que o governo de Kiev, que não é reconhecido por Moscou, não tomou medidas para desarmar grupos ilegais de ativistas, em especial o grupo paramilitar ultranacionalista conhecido como Setor Direito.

"Os extremistas estão ditando as regras", disse o russo, comentando um tiroteio que deixou pessoas mortas perto de Sloviansk, no leste da Ucrânia.

Ele também condenou os contínuos protestos na praça Maidan, em Kiev.

É "totalmente inaceitável" que as autoridades da Ucrânia tenham falhado em por um fim ao que ele qualificou de protestos ilegais na capital.

Nesse ínterim, o vice-presidente americano Joe Biden desembarcou em Kiev para dois dias de reuniões com os líderes do país, em uma demonstração de apoio ao governo ucraniano.


'Violações'

Na manhã de domingo, pelo menos três pessoas foram mortas em um tiroteio em uma barreira controlada por separatistas pró-Rússia perto de Sloviansk.

Os relatos são contraditórios. Separatistas locais disseram que o ataque foi obra de militantes do Setor Direito. Kiev, por sua vez, disse que o ataque foi uma "provocação" armada por forças especiais russas.

Lavrov disse que o incidente provou que Kiev não quer controlar "extremistas".

Ele disse que a exigência mais importante do acordo de Genebra era a "prevenção de qualquer violência" e ela não está sendo cumprida.

"Medidas estão sendo tomadas - principalmente pelos que tomaram o poder em Kiev - que violam gritantemente os acordos alcançados em Genebra", disse Lavrov durante uma coletiva para a imprensa em Moscou.

O acordo firmado em Genebra no dia 17 de abril após negociações entre Rússia, Ucrânia, União Europeia e Estados Unidos exigiu o fim imediato da violência no leste da Ucrânia e ordenou que grupos armados ilegais entregassem suas armas e desocupassem prédios oficiais.

Ânimos Exaltados

Militantes pró-Rússia ainda ocupam prédios públicos em pelo menos nove cidades na região de Donetsk, no leste da Ucrânia.

O governo provisório em Kiev disse que havia suspendido operações contra militantes pró-Rússia durante a Páscoa e apelou por unidade nacional.

As autoridades prometeram atender a algumas das exigências dos manifestantes pró-Rússia, entre elas, a descentralização do poder e garantias ao status da língua russa na Ucrânia.

França aceita mulheres em submarinos e elimina bastião masculino na Marinha

Após mais de um século de presença exclusivamente masculina nos submarinos franceses, a Marinha do país decidiu acabar com um dos últimos bastiões reservados aos homens nas Forças Armadas.


Daniela Fernandes
De Paris para a BBC Brasil

O ministro da Defesa, Jean-Yves Le Drian, anunciou que pela primeira vez, a partir de 2017, três mulheres poderão embarcar em submarinos para missões de patrulha.

"É preciso que a presença feminina seja generalizada. Por isso, haverá mulheres até mesmo nos submarinos. É o símbolo que elas participam totalmente à defesa do país", declarou Drian.

A escolha das voluntárias será realizada neste ano, e o treinamento dessas oficiais para integrar a tripulação de submarinos começará em 2015, informou o ministério.

Várias funções na Marinha estão em estudo para integrar as missões, como médica, especialista em energia nuclear e de comando-adjunto das operações.

A medida diz respeito somente aos submarinos a propulsão nuclear equipados com mísseis com ogivas nucleares (SSBN, segundo o código da organização militar internacional Otan).

Esses submarinos são bem maiores, com cabines mais privativas, de apenas dois ou três leitos, para uma tripulação de cerca de uma de centena de membros.
'Promiscuidade'

De acordo com o Ministério da Defesa, essa primeira experiência com mulheres a bordo de submarinos "poderá, no futuro, levar à abertura perene dessa atividade da marinha à tripulação feminina".

Até então, vários motivos eram alegados para excluir as mulheres de operações em submarinos, que podem durar dois meses e meio sem retornar à superfície.

Oficialmente, a Marinha sempre alegou problemas de "promiscuidade" em relação aos dormitórios e banheiros.

Há alguns anos, ainda havia um esquema, para ganhar espaço nos submarinos de antiga geração, de compartilhamento dos leitos em turnos distintos.

Havia apenas duas camas para três oficiais, sendo que um deles sempre estaria em operação, de acordo com os turnos de trabalho. Também não haveria condições, por falta de espaço, de limitar o uso de um banheiro apenas às mulheres.

Riscos de saúde, ligados a uma suposta sensibilidade maior das mulheres às taxas mais elevadas de dióxido de carbono nos submarinos e seu possível impacto em caso de gravidez, também eram destacados oficialmente.

Estudos provaram, no entanto, que esse risco é mínimo, de acordo com a Marinha, que exigirá, mesmo assim, exames de gravidez antes do embarque nos submarinos.

"Os submarinos da geração atual não foram concebidos para acolher em um espaço restrito uma tripulação mista em condições decentes", dizia o Ministério da Defesa, em 2012, em um documento ao Senado francês.


Estrutura adaptada

A nova geração de submarinos nucleares de ataque, da classe Barracuda, que será lançada a partir de 2017, já prevê infraestruturas adaptadas a uma tripulação feminina, informa o Ministério da Defesa.

Mas extraoficialmente outros argumentos também eram evocados para impedir a presença de mulheres em submarinos. Após meses no fundo do mar, poderia haver "tensões sexuais" a bordo, segundo oficiais da Marinha.

Além disso, muitas esposas de membros da tripulação se opõem à medida. Algumas delas protestaram na imprensa francesa após o anúncio recente feito pelo ministério.

A Marinha francesa possui 14% de mulheres, segundo a revista Le Point. Desde 1993, a Escola Naval francesa forma uma dezena de oficiais mulheres por ano. Desde então, apenas 23 exerceram funções de comando, escreve o Le Monde.

Nos navios, a presença de oficiais mulheres começou a partir de meados dos anos 90 e representa de 10% a 15% da tripulação.

Bastiões masculinos

Há ainda algumas áreas reservadas exclusivamente aos homens nas Forças Armadas e na polícia militar francesa.

Não há soldados femininos na Legião Estrangeira francesa. Não existe o recrutamento de "legionárias", mas as mulheres podem exercer outras funções de carreira na Legião Estrangeira, como a de oficial.

As mulheres também não podem integrar os "pelotões de intervenção" da divisão da polícia militar "móvel" (que pode realizar operações no exterior, como as Forças Armadas).

Mas elas podem exercer funções administrativas, de logística ou até de comando nessa divisão da polícia militar.

O argumento é de que os policiais militares que atuam em campo passam cerca de nove meses por ano fora de casa, muitas vezes em áreas sem infraestrutura de higiene.


Serguey Lavrov: Governo de Kiev age sob as ordens dos Estados Unidos

Ministro dos Negócios Estrangeiros da Rússia fala no momento em que as forças do governo interino ucraniano voltam a operar no Leste do país


Diário da Rússia

Os Estados Unidos exercem grande influência sobre os políticos ucranianos – afirmou nesta quarta-feira, 23, o ministro dos Negócios Estrangeiros da Rússia, Serguey Lavrov, falando a jornalistas em Moscou. O chefe da diplomacia russa disse que os governantes de Kiev anunciaram o relançamento da fase ativa da operação especial no Leste do país justamente após a visita à Ucrânia do vice-presidente americano, Joe Biden.

Segundo Lavrov, Kiev não cumpre os acordos firmados na semana passada em Genebra. Além disso, o chanceler observou que, em conformidade com esses acordos, a parte ucraniana apresentou um projeto de lei de anistia, que, aparentemente, não vai ser aplicável aos presos políticos. Lavrov ressaltou também que o grupo radical ucraniano Setor de Direita ainda se mantém muito ativo no Leste do país.

Quanto à planejada visita do primeiro-ministro interino da Ucrânia, Arseni Yatsenyuk, ao Papa Francisco, no sábado, 26, Lavrov comentou que, na atual situação ucraniana, seria mais relevante que Yatsenyuk, em vez de ir ao Vaticano, fosse ao Sudeste de seu país e conversasse com os manifestantes nas ações de protesto.

"Na semana passada, quando o premier ucraniano visitou o Leste do país, tomado pelos protestos, ele se reuniu apenas com pessoas que ele mesmo nomeou, e não organizou uma reunião sequer com os manifestantes", disse Lavrov.

Setor de Direita está formando batalhão para combater no Leste da Ucrânia

Voz da Rússia

O Sector de Direita, de ânimos nacionalistas radicais, começou a formação de um batalhão especial, o Donbass, para atuar na região carbonífera de Donetsk, no leste ucraniano, anunciou, esta quarta-feira, o seu líder, Dmitri Yarosh, procurado pela polícia russa.

“Estamos coordenando nossas ações com o Conselho Nacional de Segurança, o Ministério do Interior e o Serviço de Segurança da Ucrânia, disse.

O Setor de Direita crescentou não ter receios de que a participação dos seus ativistas da operação especial possa provocar uma vasta vaga de confrontos com a população do Leste da Ucrânia.



EUA e Turquia podem ter fornecido armas químicas aos rebeldes da Síria

Voz da Rússia

Damasco dispõe de informações sobre a participação de uma série de países, incluindo dos EUA e da Turquia, no fornecimento de substâncias tóxicas aos terroristas, que as usaram contra a população e as Forças Armadas da Síria, anunciou, esta quarta-feira, o vice-ministro das Relações Exteriores, Faisal Mikdad, numa reunião com o chefe da Missão da ONU e da OPAQ, Sigrid Kaag.

Conforme ressaltou o diplomata, as autoridades sírias “continuam a desmentir e a negar, de forma peremptória, as acusações de terem supostamente usado armas químicas no território do seu país”.


Honduras modernizam aviões de treino Tucano

Voz da Rússia

As Honduras e o Brasil alcançaram um acordo intergovernamental visando a modernização de aviões de combate e treino T-27 (EMB-312) Tucano, noticia a Infodefensa.


Honduras modernizam aviões de treino Tucano

Nos termos do convênio, serão modernizados aviões da Força Aérea hondurenha. Os trabalhos programados no âmbito do projeto se avaliam em 2,5 milhões de dólares por um T-27. Ao todo, se pretende reequipar 21 engenhos dessa marca, inclusive aqueles que o Brasil irá fornecer a República das Honduras.

O acordo citado permite ainda a compra de aviões brasileiros A-29 (EMB-314) Super Tucano. As partes planejam dar início às negociações relativas ao fornecimento destes aparelhos. Todavia, não foram adiantados detalhes sobre tal contrato.

O acordo foi firmado à margem das celebrações do 83º aniversário da fundação da Força Aérea hondurenha.



Os cinco sistemas de defesa aérea mais eficientes da Rússia

A qualidade dos equipamentos de defesa aérea russos é reconhecida até mesmo pelo comando militar dos EUA. São sistemas de mísseis e sensores de defesa aeroespacial capazes de rastrear simultaneamente vários alvos e atingir objetivos a longas distâncias.


Tatiana Russakova | Gazeta Russa

1. O mais popular: Igla-S

Alcance operacional: 6000 m
Envelope de voo: de 10 a 3500 m

O sistema portátil de defesa aérea Igla-S apresenta um design bastante simples, composto por apenas um tubo lançador e o próprio míssil, e é projetado como meio de defesa contra aviões, helicópteros e drones voando em baixa altitude. O míssil se orienta pela emissão térmica (infravermelha) do alvo.




O Igla-S possui grande resiliência em ambiente de contramedidas, além de contar com alta precisão. Suas qualidades de combate vem sendo constantemente demonstradas em uma série de conflitos, como na ex-Iugoslávia e Síria.

2. O mais eficaz: S-300VM “Antey-2500”

Alcance operacional contra alvos balísticos: 40 km

Alcance operacional contra alvos aéreos: 200 km.

Envelope de voo: 25 - 30km.



Os cinco sistemas de defesa aérea mais eficientes do país
S-300 é capaz de combater mísseis balísticos lançados de uma distância de 2.500 km Foto: ITAR-TASS
O S-300VM “Antey-2500” é um complexo de mísseis de defesa aérea capazes de combater mísseis balísticos lançados de uma distância de 2.500 km, bem como contra todos outros alvos aéreos. O sistema S-300VM é composto por dois radares: um de pesquisa e detecção aérea, e outro de acompanhamento e guia. O primeiro busca no espaço aéreo alvos que ofereçam ameaças, como aviões, helicópteros e mísseis. O segundo serve para orientar os mísseis que são lançados. Este sistema, o mais poderoso que a Rússia já exportou, é atualmente usado pela Venezuela.

3. O mais completo: Pantsir S-1

Alcance operacional: 1.2 – 20 km

Envelope de voo: 15m – 15 km

O complexo Pantsir S-1 foi projetado para defesa área de instalações civis e militares, incluindo outros sistemas de defesa área pesados de longo alcance. Também pode efetuar a proteção contra ameaças terrestres e marítimas.




O Pantsir S-1 teve seu batismo de fogo na Síria, onde as qualidades do sistema foram confirmadas – entre elas, a capacidade de entrar em operação em apenas 5 minutos, o alto poder de fogo e precisão. O Pantsir é capaz de derrubar qualquer alvo, desde de um pardal até um caça.

Atualmente está em serviço na Argélia, Irã, Emirados Árabes Unidos e Omã.

4. O mais recente: S-400 “Triumph”

O S-400 “Triumph” foi concebido para enfrentar aeronaves táticas e estratégicas, de guerra eletrônica como o “AWACS” e de inteligência, incluindo aquelas que estão sendo desenvolvidas com tecnologia “stealth”, a uma distância de até 400 km. O sistema também é capaz de neutralizar ameaças de mísseis balísticos e outros alvos hipersônicos.



S-400 Triumph (SA-21 Growler)
Em comparação com seu antecessor, o S-300, o “Triumph” aumentou em 2,5 vezes o seu poder de fogo. A exportação desse sistema está programada para começar a partir de 2016.

5. O mais promissor: S-500

O S-500 faz parte de uma nova geração de sistemas de mísseis de defesa aérea que se baseiam no princípio de separação de tarefas de combate contra alvos aéreos e balísticos. O principal objetivo do S-500 será neutralizar mísseis balísticos e intercontinentais e de médio alcance, sendo capaz de lançar mísseis capazes de alcançar satélites em órbita baixa, plataformas e outros objetos espaciais de caráter militar. O S-500 está previsto para entrar em serviço em 2017.


Justiça absolve militar acusado pelo incêndio na base da Antártica

Juiz considerou que perícia não comprova responsabilidade do réu.
Ministério Público vai recorrer da decisão ao Superior Tribunal Militar.


Juliana Braga
Do G1, em Brasília

A primeira instância da Justiça Militar absolveu, por quatro votos a um, o suboficial Luciano Medeiros, acusado de ter sido responsável pelo incêndio que deixou dois mortos na Estação Antártica Comandante Ferraz da Marinha, em 2012.

Na avaliação do juiz, elementos da perícia feita pela Polícia Federal não permitem garantir que a atuação de Medeiros tenha ocasionado o incêndio. O Ministério Público Militar informou que vai recorrer da decisão ao Superior Tribunal Militar.

De acordo com a denúncia oferecida pelo Ministério Público Militar, Medeiros, então primeiro-sargento da Marinha, era o responsável pela transferência do óleo diesel antártico, material de combustão imediata, de um tanque externo para outros dois menores, na praça de máquinas da estação. Cada um dos tanques menores tem capacidade de 5 mil litros.

Na noite de 24 de fevereiro de 2012, por volta das 23h30, estava havendo uma confraternização para a despedida de uma pesquisadora. O oficial, que realizava a transferência do diesel, decidiu deixar a praça de máquinas para participar da confraternização, já que toda a operação costuma durar cerca de meia hora.

Ainda de acordo com a denúncia, o sargento permaneceu na confraternização até cerca de 0h40 do dia 25, quando houve uma variação de energia e ele se lembrou do procedimento. Ao retornar à casa de máquinas, deparou-se com o incêndio, já de grandes proporções.

Perícias do Núcleo de Polícia Judiciária Militar da Marinha do Brasil, da Diretoria de Engenharia Naval e Setor Técnico Científico do Departamento de Polícia Federal, argumentou a acusação, concluíram que o 1º sargento não havia encerrado o procedimento de transferência de combustível em tempo hábil e, por consequência, o diesel de um dos tanques transbordou e entrou em combustão ao entrar em contato com o gerador da Praça de Máquinas.

A Promotoria pediu a acusação por incêndio culposo com multiplicidade de mortes.

O juiz do caso, Frederico Veras, utilizou um elemento do laudo da Polícia Federal para absolver o sargento. Segundo a perícia, a válvula do tanque que teria transbordado estava fechada ou parcialmente fechada. Com base nisso, argumentou o juiz, não seria possível afirmar categoricamente que Medeiros teria deixado de encerrar o procedimento de transferência de combustível.

"O que eu não vou fazer nunca é não ter base para uma condenação, e me sentir à vontade para condenar. Esses laudos não me convenceram da culpa do acusado", disse o juiz. Veras argumentou ainda que era preciso considerar que o sargento era réu primário, com bons antecedentes, e que ele próprio se feriu no incêndio, tentando salvar os companheiros.

Na sentença, os jurados levaram em consideração para absolvê-lo também o fato de o alarme de incêndio não ter funcionado, de não haver sistema de escoamento do combustível ou mecanismo de segurança para evitar o transbordamento além da ausência de equipamentos para o combate de um incêndio de grandes proporções.

Para a promotora, a válvula parcialmente fechada não exime o militar de responsabilidade. "O Ministério Público entende que se esse fato fosse relevante para excluir a responsabilidade do acusado, o laudo teria apontado este fato como eximente da responsabilidade dele no início do incêndio. Não foi isso que o laudo falou", argumentou.

O sargento foi julgado pela 1ª instância da Justiça Militar. O júri é formado por um juiz e quatro militares da mesma força que o acusado, no caso a Marinha, mas de patente superior. Somente um voltou pela condenação de Luciano Medeiros.

"O papel de que me acho imbuído é de representar a União, mas mais especificamente, a Marinha. Concordo com a senhora promotora que a Marinha perdeu com essa situação, mas eu acho que ela perdeu dois grandes militares. Essa é a grande perda que não vamos ter de volta. Por isso votei pela condenação", declarou o capitão Osvaldo Peçanha Caninas.

Os oficiais Carlos Alberto Vieira Figueiredo e o sargento Roberto Lopes dos Santos morreram no incêndio. Eles foram promovidos, post mortem, ao posto de segundo-tenente; admitidos na Ordem do Mérito da Defesa, no grau Cavaleiro, honraria concedida pela presidente Dilma Rousseff. Também foram agraciados com a Medalha Naval de Serviços Distintos, dada pelo comandante da Marinha.

Em razão das mortes, a Promotoria havia pedido, inicialmente, a condenação de Luciano Medeiros por homicídio culposo e dano culposo. Durante a audiência, a promotora Ione de Souza Cruz pediu a alteração da acusação para incêndio culposo, com multiplicidade de mortes.


21 abril 2014

Sem cortes, programa de submarinos já consumiu R$ 10,3 bi

Cinco novos submarinos, que estão sendo construídos na costa fluminense, deverão ser entregues até 2023, segundo a Marinha brasileira


Terra

Proteger as riquezas nacionais de ameaças navais que emerjam no futuro é a justificativa da Marinha para os R$ 23 bilhões que o Brasil está investindo para construir um submarino com propulsão nuclear e quatro modelos convencionais que substituirão a frota atual.

Com o Programa de Desenvolvimento de Submarinos (Prosub), que tem previsão de entrega dos cinco veículos até 2023, o País ingressará em um seleto grupo que dispõe de tecnologia para a construção de submarinos nucleares, hoje formado apenas por Estados Unidos, China, Rússia, Reino Unido e França. Esta última é a parceira escolhida para a transferência tecnológica que possibilitará a fabricação do veículo naval em território nacional. Lançado em 2008, o Prosub contempla, além dos submarinos, a construção de um estaleiro e de uma base naval.

Embora seu cronograma físico-financeiro se estenda até 2025, a Marinha mantém a previsão de conclusão do submarino nuclear, chamado de Guardião da Amazônia Azul, para 2023. Até o momento, o Prosub não sofreu cortes ou contingenciamentos que prejudicassem o cronograma. “O programa está sendo executado dentro do previsto, com pequenas alterações”, afirma o contra-almirante José Roberto Bueno Junior, diretor do Centro de Comunicação da Marinha.

Encerrada a fase de concepção, o submarino nuclear passa agora pela etapa do projeto básico. As fases seguintes incluem o detalhamento e a construção e testes. Para tanto, o Brasil já investiu R$ 10,3 bilhões no programa - aproximadamente 48% do aporte necessário. Neste ano, a previsão é de injeção de mais R$ 2,261 bilhões. Até a sua conclusão, outros R$ 11 bilhões devem ser aplicados.

Efeito dissuasório

De acordo com Bueno, o submarino nuclear terá um “efeito dissuasório”. Sob esse prisma, aquele que desejar atentar contra o País, independentemente de sua motivação, será compelido a frear seu ímpeto bélico pela presença da embarcação. O investimento encontra-se em um patamar de elevada importância, conforme o militar, porque mais de 90% do petróleo brasileiro é extraído do mar, que ainda serve como via de transporte para 95% do comércio exterior. O submarino será também, na sua visão, um instrumento de defesa da “Amazônia Azul” - extensa área oceânica, adjacente ao continente, com incalculáveis bens naturais.

O argumento é o mesmo utilizado pelo coordenador do Prosub, o almirante de esquadra Gilberto Max Roffé Hirschfeld, em audiência realizada pela Comissão de Relações Exteriores e Defesa Nacional do Senado, em fevereiro. Segundo ele, o País é foco de ambições, em virtude de suas riquezas e capacidades, e necessita estar preparado e com uma Força Armada potente. “Não para entrar em guerra. Ao contrário, exatamente para ter o poder de dissuasão”, declarou.

Para Bueno, outro aspecto relevante é a transferência de tecnologia, a qual permitirá a fabricação nacional de equipamentos e sistemas dos submarinos, muitos deles com alto teor tecnológico e passíveis de serem aplicados em outros setores industriais. “Ao término do programa, o Brasil terá aumentado significativamente sua capacidade dissuasória e de gerenciamento de empreendimentos dessa envergadura, além de ser reconhecido pela sua capacidade de projetar, desenvolver e construir submarinos convencionais e com propulsão nuclear”, aposta.

Atualmente, cinco submarinos integram a frota da Marinha do Brasil. O mais antigo, o Tupi (S-30), foi construído na Alemanha e incorporado em 1989. O mais novo, o Tikuna (S-34), foi construído no Rio de Janeiro e incorporado à frota em 2005. Eles serão substituídos pelos novos submarinos convencionais, com custo estimado em 500 milhões de euros por unidade.

Vantagens sobre convencional

Armado com torpedos e mísseis, o Guardião da Amazônia Azul terá 100 metros de comprimento, cerca de 10 metros de diâmetro e 17 metros de altura. Com autonomia ilimitada (alimentada por um reator nuclear), poderá imprimir até 25 nós (45 km/h) a 350 metros de profundidade. Sua tripulação será composta por 100 militares.

Embora a capacidade de ocultação seja comum a embarcações do tipo, o submarino nuclear não precisa se expor na superfície para recarregar as baterias em determinados intervalos - período no qual o modelo convencional torna-se vulnerável, podendo ser detectado por radares de aeronaves ou navios. Assim, afirma Bueno, a embarcação dispõe de maior mobilidade, o que é tido como um fator importante para a defesa.

Com fonte virtualmente inesgotável de energia, ele pode desenvolver altas velocidades por tempo ilimitado, cobrindo rapidamente áreas geográficas consideráveis. “Pode chegar a qualquer lugar em pouco tempo, o que, na equação do oponente, significa poder estar em todos os lugares ao mesmo tempo”, afirma.

Estratégia acertada

Na opinião de Leonam dos Santos Guimarães, doutor em Engenharia Naval e Oceânica, que atuou por 20 anos no Programa Nuclear da Marinha, a estratégia brasileira é acertada e o investimento se justifica não apenas por questões comerciais, como também por aspectos geográficos e demográficos. Ele salienta que o país possui 7.408 quilômetros de extensão de costa oceânica e que mais de 70% da população brasileira reside numa faixa litorânea que se estende por até 100 quilômetros do mar.

“Para preservarmos tantos interesses, é essencial que estejamos preparados para, caso necessário, controlar áreas marítimas estratégicas ou negar o seu controle por potências estrangeiras e impedir a exploração econômica por um outro país sem nossa concordância”, afirma.

Guimarães lembra que a ideia de construção do submarino nuclear passou a ser amadurecida pela Marinha em 1978. Também ressalta as vantagens do projeto na comparação com o modelo convencional, considerando-o muito superior na distância que pode navegar e na velocidade empreendida. Por fim, entende que o Prosub é viável do ponto de vista técnico e econômico, mas acredita que possa haver dificuldades para vencer os prazos estabelecidos. “As disponibilidades financeiras ano a ano podem comprometer a previsão de entrega até 2023”, avalia.

Combatente britânico na Síria revela dia a dia de um jihadista estrangeiro

Vídeos postados na internet revelam como é a vida dos extremistas que lutam contra o governo de Bashar al-Assad


Richard Hall | Independent | O Globo

LONDRES — Como uma versão surreal da série de sucesso da MTV “Cribs”, um cidadão britânico que está lutando com os rebeldes na Síria divulgou um vídeo que mostra a casa que divide com outros rebeldes no país. Com os serviços de segurança do Reino Unido cada vez mais preocupados com o número de britânicos que viajam para se juntar a grupos extremistas na Síria, o vídeo oferece uma visão única do dia a dia daqueles que já fizeram a jornada.

— Hoje queremos mostrar para vocês a vida com os irmãos na base – diz o homem, conhecido apenas pelo seu nome de guerra, Abu Abdullah. - Tem-se falado muito da chamada “jihad cinco estrelas” e a maneira como os mujahedeen vivem nestas casas e mansões com armários cheios de doces. Mas a verdade está longe disso.

Abu Abdullah, que acredita-se ser integrante do grupo extremista Estado Islâmico do Iraque e do Levante (Isis), aparece em numerosos vídeos similares em que convoca os britânicos islâmicos a se juntarem a ele na Síria. Enquanto muitas peças de propaganda de organizações jihadistas procuram glamorizar a vida de um rebelde, o vídeo de Abu Abdullah's parece dirigido para apresentar um retrato mais realista das dificuldades que eles enfrentam.

— Este é o quarto onde os mujahedeen dormem — diz para a câmera, imitando o estilo de um show da MTV no qual celebridades convidam o público para passear por suas casas. — É uma vida muito simples. Você tem seu colchão aqui onde seis ou sete irmãos dormem no chão. Na maior parte do tempo não temos eletricidade. Não é o hotel cinco estrelas que as pessoas dizem. Este aquecedor não funciona e só usamos água fria.

Este último vídeo é parte de uma tendência mais ampla dos grupos extremistas da Síria de usar as redes sociais para promover sua causa e encorajar outros a se juntarem à guerra civil, que já dura três anos. No Facebook, Twitter e YouTube, os grupos rebeldes com operações de mídia postam fotografias e vídeos que exploram os campos de batalha e orgulhosamente exibem suas armas. O vídeo foi colocado na internet por um grupo que autointitula Rayat al Tawheed (Bandeira de Deus) e alega ser o braço de mídia em inglês do Isis.

O Isis — que anteriormente foi afiliado à al-Qaeda até se dissociar do grupo — é dominado por combatentes estrangeiros que acreditam na criação de um Estado islâmico na Síria, Iraque e Líbano. O grupo opera atraves das fronteiras da Síria e Iraque e tem atraído extremistas islâmicos de ao redor do mundo para sua causa. Ele também tem sido apontado como culpado por uma série de atrocidades contra seus rivais.

O número total de britânicos que participa do conflito é estimado em “centenas”, com pelo menos 20 já tendo morrido nos combates. Charles Farr, chefe do setor de terrorismo do Home Office (departamento ministerial do Reino Unido responsável por questões de imigração, segurança, lei e ordem), recentemente alertou que os britânicos que vão para a Síria representam “o maior desafio” para os serviços de segurança desde os ataques às Torres Gêmeas do Wolrd Trade Center, em Nova York, em 2001.

À medida que o Isis e outros grupos jihadistas estão sendo submetidos a maiores pressões de outros rebeldes, muitos combatentes estrangeiros fugiram da Síria e retornaram aos seus países de origem. Autoridades de segurança dizem que cerca de 250 “turistas extremistas” britânicos voltaram para casa e agora são suspeitos de planejaram ataques em solo britânico. A Scotland Yard revelou no início deste ano que as prisões relacionadas ao terrorismo sírio subiram para 16 até o momento, comparadas a um total de 24 em todo ano de 2013.


Japão faz primeira expansão militar em mais de 40 anos

País instala estação de radar em uma ilha próxima a Taiwan e movimento arrisca irritar China


O Globo
com agências internacionais

YONAGUNI, Japão - O Japão começou a sua primeira expansão militar em mais de 40 anos neste sábado, instalando uma estação de radar em uma ilha tropical próxima a Taiwan, na parte ocidental de seu arquipélago. O movimento pode irritar a China devido a disputas entre os dois países sobre o domínio de algumas ilhas na região.

O ministro da Defesa japonês, Itsunori Onodera, que participou da cerimônia na Ilha de Yonaguni para marcar o início da construção da instalação, sugeriu que a presença militar poderia ser ampliada para outras ilhas nos mares do Sudoeste das principais ilhas japonesas.

- Esta é a primeira implantação desde que os EUA devolveram Okinawa (em 1972) e crescem as demandas para ficarmos mais atentos - afirmou Onodera. - Quero construir uma operação capaz de defender adequadamente as ilhas que fazem parte do território do Japão.

A estação de radar militar em Yonaguni faz parte de um plano antigo para melhorar a defesa e vigilância e dá ao Japão a possibilidade de acompanhar movimentos em torno de ilhas reivindicadas pela China. A base também pode estender o monitoramento japonês sobre o continente chinês e acompanhar navios chineses e aviões circulando sobre as ilhas em disputa, chamadas de Senkaku pelo Japão e de Diaoyu pela China.

Com 30 quilômetros quadrados, Yonaguni é o lar de 1.500 pessoas e conhecido por forte licor de arroz, pecuária, cana-de-açúcar e mergulho. A decisão do primeiro-ministro Shinzo Abe de colocar tropas no local evidencia preocupações do Japão sobre a vulnerabilidade de suas milhares de ilhas e a ameaça da China.

Rússia acusa Ucrânia de violar acordo de Genebra

Ministro Serguey Lavrov aponta violações da parte de Kiev em relação ao acertado semana passada na conferência quadripartite


Diário da Rússia

As autoridades atuais de Kiev violam flagrantemente os acordos de Genebra, firmados na semana passada numa reunião entre a Federação Russa, os Estados Unidos, a União Europeia e a Ucrânia, segundo afirma o ministro dos Negócios Estrangeiros da Rússia, Serguey Lavrov.

Além disso, Lavrov classificou como "absolutamente inaceitável" a decisão das autoridades de Kiev de manter a ocupação da Praça da Independência (Maidan) por apoiadores do movimento que derrubou o Presidente Viktor Yanukovich em fevereiro.

"Os dirigentes nomeados pela Suprema Rada [o Parlamento ucraniano] declaram abertamente que os acordos de Genebra não se aplicam a Maidan, porque a Câmara da cidade de Kiev tinha decidido que o movimento pode ser conservado e que ele está procedendo legitimamente”, disse o chanceler russo nesta segunda-feira, 21, numa entrevista coletiva em Moscou. E Lavrov concluiu: “Isto é absolutamente inaceitável.”


Hollande diz não existirem provas de emprego de armas químicas por Damasco

Voz da Rússia

François Hollande, presidente de França, declarou que a França não dispõe de provas de que as autoridades da Síria tenham empregue armas químicas durante os recentes combates.

Em abril foi noticiado que, durante um ataque à cidade síria de Kafr Zita, foi lançado cloro tóxico, tendo feito dois mortos e cerca de cem feridos.

O governo de Assad acusou o grupo islamita Frente Al-Nusra, ligado à Al-Qaeda, do emprego de gás tóxico.

Por sua vez, representantes da oposição declararam que dezenas de pessoas teriam ficado feridas em resultado de um ataque de aviões governamentais


Rússia impedirá tentativas de desencadear guerra civil na Ucrânia

Voz da Rússia

O chefe da diplomacia russa, Serguei Lavrov, afirmou que a Rússia não vai permitir que um conflito sangrento ecloda na Ucrânia.

"São cada vez mais e mais frequentes os apelos à Rússia para defender (a população pacífica do Leste da Ucrânia) desta avalanche de ilegalidade desenfreada. Colocam-nos em uma posição muito difícil", frisou Lavrov em uma coletiva em Moscou.

"Qualquer ator que está aplicando deliberadamente uma política visando desencadear a guerra civil, na esperança de, aparentemente, provocar um conflito de grande proporção, grave e sangrento, dedica-se a uma política criminal. E nós não só condenamos essa política, mas também iremos suprimi-la", especificou o chanceler russo.



Milícia de Slavyansk prepara-se a rechaçar assalto da cidade

Voz da Rússia

Em Slavyansk a noite passada foi tranquila. Na cidade entrou em vigor o toque de recolher, as ruas ficaram vazias.

O quartel-general de autodefesa recomendou aos habitantes permanecer na medida do possível em suas casas e não aparecer nas ruas da cidade sem uma permissão especial no período desde meia-noite até seis horas da manhã.

Surgiu a informação de que está sendo preparado o ataque ou, como afirmam as autoridades de Kiev, “o expurgo da cidade”. Os combatentes da autodefesa mantêm o mais alto nível de prontidão, reforçam os postos de bloqueio nos acessos à cidade. Patrulhas reforçadas percorrem o centro da cidade.


Três navios de desembarque completam o grupo naval russo no Mediterrâneo

Voz da Rússia

Grandes navios de desembarque Georgiy Pobedonosets, Minsk e Novocherkassk, pertencentes a esquadras do oceano Glacial Ártico, dos mares Báltico e Negro, incorporaram-se na unidade operativa permanente da marinha de guerra russa no mar Mediterrâneo.


Georgiy Pobedonosets

Esta informação foi publicada segunda-feira pelo Quartel-General da Marinha de Guerra Russa.

A bordo destes navios encontram-se grupos "anti-terror" que fazem parte de unidades de fuzileiros navais. O quartel-general esclareceu que os navios tinham vindo no quadro da rotação permanente da composição deste grupo naval da marinha russa que cumpre a sua missão nesta região. A composição do grupo naval é renovada permanentemente mediante a vinda de belonaves procedestes das outras frotas russas.



20 abril 2014

Porto cubano financiado por Dilma é usado em contrabando de armas para a Coreia do Norte, diz ONU

Mídia Inversa

Relatório de peritos do Conselho de Segurança da ONU, publicado em 6 de Março deste ano, revela detalhes de como o Porto de Mariel, em Cuba, recentemente reformado pelo conglomerado brasileiro Odebrecht com aporte de recursos do BNDES da ordem de US$ 900 milhões e forte articulação política do governo brasileiro, foi usado para o contrabando de 240 toneladas de armas, incluindo mísseis e armamento pesado, para a Coréia do Norte.

O relatório explica, inclusive, a razão da escolha do Porto de Mariel para estas transações criminosas, de modo a impedir a detecção da carga ilegal e evitar o seu rastreamento. É o site Capitol Hill Cubans (http://www.capitolhillcubans.com/2014/03/why-odebrechts-port-was-chosen-for.html) o primeiro a trazer a matéria à tona.

Confira o relatório da Organização das Nações Unidas que denuncia a operação:http://www.un.org/ga/search/view_doc.asp?symbol=S/2014/147. É recomendada especial atenção aos anexos do relatório, especialmente do anexo IX ao XXI.

Por Gabriel Castro:

(…) Um relatório elaborado por um painel de especialistas do Conselho de Segurança da Organização das Nações Unidas (ONU) mostra que Cuba utilizou o Porto de Mariel para abastecer com 240 toneladas de armamento um navio norte-coreano, em descumprimento a sanções internacionais contra o regime autoritário da Coreia do Norte. A operação, realizada há menos de um ano, fracassou porque a carga secreta foi descoberta por autoridades do Panamá, já no caminho de volta à Ásia.

Por causa do flagrante, foi possível encontrar os registros de navegação e reconstituir a rota do navio: em 4 de junho, o cargueiro Chong Chon Gang parou em Havana, onde descarregou rodas automotivas e outros produtos industriais. Em 20 de junho, o navio aportou secretamente em Mariel. Lá, o material bélico foi embarcado. Em 22 de junho, o Chong Chon Gang chegou a Puerto Padre, onde recebeu a carga de açúcar que seria usada na tentativa de esconder o armamento.

A maior parte da carga era formada por componentes que seriam usados em mísseis terra-ar, dos modelos C-75 Volga e C-125 Pechora. Dois caças MiG-21, desmontados, estavam no carregamento. Muita munição foi encontrada. Também havia lançadores de mísseis, peças de radares, antenas, transmissores e geradores de energia. Para diminuir os riscos, parte do material enviado recebeu uma nova mão de tinta: os containers perderam a cor verde, indicativa da carga militar, e foram pintados de azul.

Entre os fatos que chamaram a atenção dos investigadores, aparece justamente a escolha pelo Porto de Mariel: o relatório cita que a opção, em detrimento de Havana e Puerto Padre, é mais uma prova das más intenções de cubanos e norte-coreanos. “A carga foi aceita pelo navio sem os documentos básicos de envio, recibos de carregamento, relatórios de carregamento e relatórios de inspeção de carga”, diz o texto da ONU. O navio Chon Chong Gang trazia uma declaração falsa de que carregava apenas açúcar-mascavo. E, na lista de portos pelos quais a embarcação passou, não há referência a Mariel.

Os dois governos admitem que Cuba estava enviando as armas para a Coreia do Norte, mas alegam que o material passaria por reparos e seria devolvido à ilha dos irmãos Castro. O painel da ONU não se convenceu: o fato de a carga estar escondida se soma a orientações por escrito, encontradas a bordo, orientando a tripulação a preparar uma declaração falsa e enganar as autoridades do Panamá. O relatório fala em “clara e consciente intenção de burlar as resoluções”.

As sanções que proíbem a venda de armas para a Coreia do Norte são consequência da insistência do regime comunista em manter seu projeto nuclear, inclusive para fins militares.


O que parece que ninguém está vendo

O que estamos vendo acontecer ante nossos olhos é o fim de um sistema internacional e o surgimento de outro, qualitativamente diferente.


The Saker | The Vineyard of the Saker | Pravda

Interessante: Putin disse que, para ele, o ponto de não retorno foi ultrapassado quando os EUA e aliados no Conselho de Segurança da ONU e a OTAN, aberta e grosseiramente, distorceram a intenção do CS sobre a Líbia, e "ampliaram", o que deveria ter sido uma "zona aérea de exclusão", convertendo-a em "zona de tiro-livre" para atacar e bombardear a Líbia [claro que Putin via com perfeita clareza que a parte da Resolução em que se lia "todos os meios necessários para proteger civis" era convite descarado para que os anglo-sionistas "interpretassem" a Resolução como quisessem. Agora, Putin diz que "mentiram à Rússia", para não culpar Medvedev por ter metido o pé num buraco muito fundo. Mas, aqui, isso não é relevante].

Putin disse que, dali em diante, convenceu-se de que não é possível negociar com o Ocidente; que, simplesmente, dali em diante tratar-se-ia de deter o Ocidente. Então, aconteceu a Síria: pela primeira vez desde o fim da 2a. Guerra Mundial, os EUA decidiram fazer algo e foram impedidos por potência externa e do modo mais humilhante possível.

A atuação dos russos no caso da Síria foi desafio direto à hegemonia mundial dos EUA. Foi entendida assim, claramente, em Washington; e agora, depois da crise na Ucrânia, os russos já admitiram tudo, abertamente.

Assim sendo, eis o que realmente está em jogo na guerra civil na Ucrânia: para os EUA, se trata de punir a Rússia por ter-se atrevido a desafiar hegemonia mundial dos EUA; para a Rússia, se trata de deslocar essa hegemonia e substituí-la por um sistema internacional multipolar, no qual estados soberanos agem no limite da lei internacional.

Pode-se dizer que, apesar de até a maioria do Conselho de Segurança ter-se oposto veementemente, a Rússia está tentando mostrar ao mundo que os EUA não são donos da ONU; que só representam 1/5 do P5; e são só 1/15 avos do Conselho de Segurança da ONU.

O Ocidente acocorou-se em posição de total submissão aos EUA e às suas ferramentas de dominação sobre a Europa: a União Europeia e a OTAN. Europeus da Europa Central até se ofereceram voluntariamente para virar protetorado dos EUA, território à disposição para instalar sistemas de mísseis e prisões secretas da CIA.

Com exceção do Irã e da Síria, o mundo árabe e muçulmano deixou-se vender em liquidação, uns para os EUA, outros para a Arábia Saudita, quase tudo ao mesmo tempo. A América Latina esforça-se muito, mas ainda depende pesadamente dos EUA; e a África só tenta sobreviver como possa.

Quanto à Ásia, algumas partes estão entregues, como a Europa (Japão, Coreia); outros estão tentando manter perfil discreto; e a China está silenciosamente apoiando a Rússia, mas de modo externamente não declarado - apesar de a China ser o país que mais tem a ganhar, dentre todos do planeta, com uma mudança na ordem internacional.

Os russos teriam preferido esperar, ganhar tempo. Mas a decisão dos EUA, de castigá-los pela ousadia de ter-se oposto a eles na Síria, literalmente forçou os russos escolher entre ou render-se e encolher-se, ou aceitar abertamente o desafio norte-americano e fincar pé.

Repito aqui mais uma vez e quantas mais precisar repetir - Putin não teria outra escolha possível.

E agora, com tudo isso já exposto, podem todos ter certeza absoluta de que a Rússia não está nesse jogo para voltar ao status quo ante. Com incrível sinceridade e franqueza, ambos, Putin e Lavrov, declararam abertamente o objetivo do que fazem. E declararam pela televisão russa (Lavrov, no programa "Domingo à Noite com Vladimir Soloviev"; e Putin, na longa sessão (quase quatro horas) de entrevista ao vivo pela televisão, ontem).

Então, esse é o objetivo dos russos: desalojar os EUA do papel de hegemon mundial. E esse objetivo implica esforço muito mais longo, sustentado e maior do que apenas forçar os doidos de Kiev a sentar à mesa de negociações.

Dentre outras coisas, esse objetivo implica que a Rússia tem de:

1) Forçar os europeus a perceber o preço escandaloso que estão pagando por serem vassalos obedientes e calados dos EUA; e lentamente meter uma cunha entre EUA e Europa.

2) Forçar os EUA a admitir que não têm a força militar necessária para castigar nem - e ainda menos - "mudar regime" de todos que não agradem aos EUA.

3) Encorajar China e outras potências asiáticas a alinharem-se abertamente ao lado da Rússia, exigindo que o Ocidente se submeta à lei internacional.

4) Gradualmente substituir o dólar por outras moedas no comércio internacional e assim desacelerar o ritmo no qual o resto do planeta continua a financiar a dívida dos EUA.

5) Criar condições para que América Latina e África consigam fazer escolhas sobre o próprio futuro e substituir o atual monopólio que favorece o Ocidente, no que tenha a ver com definir os termos das relações Norte-Sul.

6) Apresentar outro modelo civilizacional que rejeita declaradamente o atual paradigma ocidental de sociedade comandada por elites pequenas e arrogantes.

7) Desafiar a atual ordem econômica liberal e capitalista corporificada no Consenso de Washington e substituí-la por um modelo de solidariedade social e internacional (quem queira, pode chamar de "socialismo do século 21").

Todos os itens acima podem ser sintetizados numa palavra: re-soberanização.

Desde que foi eleito, Putin mencionou várias vezes a necessidade de re-soberanizar a Rússia. A crise ucraniana forçou-o a revelar o objetivo final real de sua agenda: re-soberanizar todo o planeta.

É plano de ordem muito alta e exigirá muitos anos, possivelmente décadas, até atingir o objetivo, embora eu, pessoalmente, sinta cada dia mais que a total incompetência e a infinita arrogância dos plutocratas -1% que governam o mundo ocidental continuarão a acelerar esse processo.

A grande pergunta agora é:

- o Império Anglo-Sionista pode seguir o exemplo do Império Soviético e deixar-se desmontar sem, para que isso aconteça, disparar massacre massivo e vastos banhos de sangue, enquanto despenca do alto abaixo?

Claro que haverá violência, como também houve na extinta União Soviética. Mas se apenas conseguirmos evitar uma conflagração global ou, até, guerra em grande escala, já se poderá considerar bem-sucedida a empreitada, porque é quando os impérios estão desabando que eles se tornam mais imprevisíveis e mais perigosos.