09 Novembro 2009

Jobim duvida que EUA transfiram tecnologia

"O problema com os Estados Unidos é o passado", diz ministro no Rio ao lembrar o histórico de embargos norte-americanos

Durante visita ao Centro Tecnológico do Exército, ministro da Defesa diz que os Estados Unidos têm um histórico de embargos

RAPHAEL GOMIDE
DA SUCURSAL DO RIO - FOLHA DE S.PAULO

O ministro Nelson Jobim (Defesa) disse ontem abertamente que tem dúvidas de que os EUA vão cumprir a promessa de transferir tecnologia caso o Brasil opte pela compra dos caças americanos da Boeing.

"O problema com os Estados Unidos é o passado. O passado é o grande exemplo de embargo em transferência de tecnologia. Agora hoje assistimos a isso aqui: as informações que tivemos no CTEX em relação a alguns produtos" [que os EUA venderam, mas não transferiram a tecnologia], disse Jobim no Centro Tecnológico do Exército, no Rio de Janeiro.

Um caso simbólico foi o veto dos EUA à venda de aviões Super Tucanos, que tinham componentes americanos, à Venezuela. Jobim disse que ainda não recebeu da Aeronáutica os relatórios técnicos com a avaliação dos três caças -o francês Rafale, da Dassault, o Super Hornet, da Boeing, e o sueco Gripen NP, da Saab. De acordo com ele, esse material deve ser entregue a ele no fim do mês.

Segundo Jobim, "se não houver nenhuma objeção técnica, a decisão [da licitação] é política".

Ao conversar com os oficiais do CTEX, Jobim fez questão de perguntar se tinham componentes estrangeiros e como era a transferência de tecnologia.

Em vários casos, disse, "tivemos informações de que uma empresa americana só poderia fornecer daqui a dez anos, pelo preço altíssimo, o que mostra que são mecanismos de embargo. Isso faz parte do jogo. Todos os países do mundo não querem que os outros se desenvolvam, mas o Brasil vai se desenvolver tecnicamente", afirmou.

A Folha ouviu um alto oficial das Forças Armadas que relatou diversos problemas com os EUA neste assunto -e citou o caso da compra de quatro helicópteros Blackhawk adquiridos pelo Exército em um pacote que previa outras seis aeronaves. O contingenciamento de recursos impediu o restante do negócio: segundo esse militar, os norte-americanos se recusaram a trocar o motor e a atualizar os helicópteros. Outros episódios em que fabricantes norte-americanos dificultariam as vendas e o acesso a novas tecnologias são frequentes, disse.

Ontem, o jornal francês "Libération" publicou que a Dassault reduziu em 40% o valor do avião, de 90 milhões para 50 milhões. A Dassault nega.

Militares investigam hipótese de ''fogo amigo'' ter feito vítimas

Diante do caos, muitos soldados tentaram ajudar os colegas usando a própria roupa para fazer bandagens

REUTERS E AP

Vestindo uniforme militar, o major Nidal Malik Hasan entrou no centro de atendimento médico da Base de Fort Hood, no Texas, às 13h30 locais carregando duas pistolas, nenhuma pertencia às Forças Armadas. Segundo os militares, uma das armas era uma semiautomática, o que explicaria a dimensão e a rapidez do massacre. Em apenas 10 minutos, Hasan matou 12 soldados, 1 policial e feriu outras 30 pessoas. Cerca de 400 militares estavam no prédio no momento do ataque, a maioria aguardando atendimento médico.

O que se viu a seguir, segundo testemunhas, foi um verdadeiro caos: tiros para todos os lados e soldados se jogando no chão em busca de proteção. Diante da confusão, os investigadores não descartam a possibilidade de que algumas das vítimas tenham morrido por "fogo amigo" em meio à intensa troca de tiros.

O general Bob Cone, um dos comandantes da Base de Fort Hood, afirmou ontem que testemunhas disseram que Hasan, durante a matança, teria gritado "Deus é grande" ("Allahu akbar", em árabe). De acordo com o general Cone, no entanto, os investigadores ainda não confirmaram oficialmente a informação.

Quem interrompeu o massacre foi a policial civil Kimberly Munley, autora dos quatro disparos que derrubaram Hasan. Na troca de tiros com o major, Kimberly também se feriu - segundo o comando militar, a policial está hospitalizada e seu estado é estável.

O general Cone contou que Kimberly e uma parceira policial responderam ao chamado do tiroteio em menos de três minutos. "Foi realmente uma resposta fantástica e bastante agressiva dessa policial", afirmou o general.

Depois que o atirador foi abatido, os próprios sobreviventes lacraram a entrada do prédio e as sirenes, normalmente usadas para alertar sobre tornados, foram ligadas para manter a população da cidade de Fort Hood dentro de suas casas.

Detalhes sobre o que ocorreu nos dez minutos de massacre ainda são um mistério. Os investigadores militares trabalham em sigilo, com a ajuda do FBI (polícia federal). Eles estão analisando as trajetórias dos disparos , as armas e o tipo de munição usada.

O comando militar revelou também que muitos soldados, diante da quantidade de feridos, tentaram ajudar os colegas rasgando as próprias roupas para fazer bandagens. Dos 30 feridos, 28 foram internados e pelo menos a metade teve de passar por cirurgias na noite de quinta-feira. Ontem, todos apresentavam estado de saúde estável.

Investigadores buscam motivos de major para matança em base

Problemas psiquiátricos, medo de ser enviado ao front e perseguição religiosa são possíveis razões; 13 foram mortos

Gustavo Chacra - O Estado de S.Paulo

Problemas psiquiátricos, insatisfação pela possibilidade de ser enviado ao Afeganistão para lutar ao lado das tropas americanas, perseguição por ser muçulmano e radicalismo islâmico eram algumas das possíveis motivações citadas ontem como responsáveis por levar o major Nidal Malik Hasan, de 39 anos, a matar outras 13 pessoas na base militar de Fort Hood, no Texas, na quinta-feira.

Temendo as consequências do episódio, o presidente dos EUA, Barack Obama, pediu para que as pessoas não tirassem conclusões apressadas. "Não temos as respostas ainda e peço cautela para evitar conclusões antes que tenhamos todos os fatos", afirmou. A Casa Branca não comentou o ataque de um franco-atirador ontem, em Orlando, na Flórida, que deixou um morto e seis feridos.

Hasan escapou dos tiros de outros militares que tentavam conter seu ataque, mas foi atingido pela policial Kimberly Munley. Ele está internado em coma, segundo a rede CNN. De acordo com autoridades americanas, não há condições de interrogá-lo. Por enquanto, as investigações estão focadas no seu histórico pessoal e em suas atividades durante o dia do ataque.

Horas antes de começar a atirar indiscriminadamente contra outros oficiais e civis, o major, vestindo uma roupa típica muçulmana, comprou café e um bolo em uma lanchonete da base, onde vivem 65 mil pessoas, a grande maioria militares que retornam e soldados que embarcam para o Iraque e o Afeganistão. Nas cenas gravadas pelo sistema de segurança, ele sorria e aparentava calma. Outra imagem exibe o major entrando em um carro no estacionamento, com a mesma vestimenta.

O comando militar da base de Fort Hood informou ontem que, em sites voltados para radicais islâmicos, há comentários de uma pessoa com o nome de Nidal Hasan que compara os suicidas islâmicos aos camicases japoneses, defendendo este tipo de ação.

Entidades islâmicas e árabes dos EUA condenaram o ataque de Hasan em comunicados divulgados por internet, em TVs e rádios. Elas disseram que, em vários outros casos de atiradores, não é levada em consideração a origem do responsável. Desta vez, segundo as mesmas entidades, a fé muçulmana e a origem árabe de Hasan estão sendo enfatizadas apenas por preconceito. Nascido nos EUA, o major é filho de um bem-sucedido empresário do ramo de restaurantes que imigrou de uma cidade palestina próxima a Jerusalém há mais de quatro décadas.

INSATISFAÇÃO

Hasan, de acordo com alguns relatos, estaria insatisfeito com sua provável mobilização para o Afeganistão. O major não concordava com as guerras e demonstrava decepção com o presidente Obama. Ele tentou até mesmo pagar de volta ao Exército os gastos com sua educação para poder se livrar do front. Hasan formou-se em bioquímica e, posteriormente, cursou medicina.

Em seu período no Exército, sempre trabalhou como psiquiatra, atendendo veteranos do Iraque e do Afeganistão. As histórias dos pacientes teriam deixado Hasan ainda mais preocupado e contrariado com seu provável deslocamento. Pessoas próximas do major disseram que ele temia sofrer o mesmo estresse dos militares que tratava. Nos últimos anos, depois do 11 de Setembro, segundo sua tia, ele também passou a reclamar do preconceito de colegas pelo fato de ser muçulmano. A família divulgou uma nota lamentando o ataque.

Marinha terá nova base perto da Amazônia

Segunda Esquadra será instalada na Baía de São Marcos, no Maranhão

Tânia Monteiro - O Estado de S.Paulo

A segunda esquadra da Marinha do Brasil vai ter como base às águas da Ponta da Espera, na Baía de São Marcos, em São Luís (MA). É um megaempreendimento que integra o planejamento da Estratégia Nacional de Defesa e que implicará a transferência para a região da capital maranhense de pelo menos 6 mil militares. No total, considerando os familiares, o Estado receberá em torno de 12 mil pessoas diretamente ligadas à base da nova esquadra.

Para a Marinha, a escolha é técnica e levou em conta a estrutura portuária, as condições de navegabilidade na Baía de São Marcos, a grande variação de marés e as características do litoral - reentrâncias e profundidade do canal marítimo. Todas esses parâmetros foram considerados favoráveis para operar embarcações 24 horas por dia, como exige o projeto da Força Naval.

A localização da nova esquadra também deixa a estrutura da Marinha mais próxima do apoio às demandas de outro projeto da Estratégia Nacional de Defesa, batizado de Amazônia Segura - prevê instalação de 26 postos navais na região para aumentar a presença do Estado e a segurança territorial.

A primeira esquadra está fundeada no Rio de Janeiro. O planejamento da Marinha prevê que nada seja retirado de lá ou de outros pontos do País para reforçar a Amazônia, mas que sejam criados e adquiridos novos meios navais para reaparelhar a Força. No projeto de reequipamento para criação da segunda esquadra está prevista a aquisição, no prazo de 30 anos, de um porta-aviões, um navio de múltiplas tarefas - que recebe helicópteros - e outros tipos de embarcações.

Está prevista também a compra de dois navios de apoio logístico, que transportarão água, combustível e peças de reposição, além de um barco para socorro de submarino, um rebocador de alto mar e um navio de transporte de apoio.

Trina e seis novos helicópteros, 24 aviões de interceptação e ataque, quatro aviões de alarme aéreo antecipado, quatro aviões de transporte e reabastecimento em voo, e quatro aviões de vigilância marítima com radar equiparão o sistema que vai servir no Norte do País.

A Marinha quer ainda criar uma espécie de Sivam do Mar, um sistema que funcionaria como um grande centro de operações navais. Alguns dos braços do sistema já existem, mas terão de ser integrados e ampliados.

Para isso, será preciso comprar pelo menos radares de longo alcance, que serão instalados no litoral - terão como missão cobrir a Amazônia Azul e ajudar na proteção do pré-sal. Hoje, a Marinha não possui nenhum radar de longo alcance.

Pelo planejamento estratégico, esses radares de longo alcance serão instalados na Bacia de Campos, na Bacia de Santos, em um ponto extremo do Nordeste, chamado área do Cabo Calcanhar, próximo a Natal (RN), em Fernando de Noronha, na fronteira marítima norte e na fronteira marítima sul.

Está prevista ainda a compra de 10 veículos aéreos não tripulados, os chamados VANTs.

Ministro critica EUA no caso da compra dos caças

LUCIANA NUNES LEAL - O Estado de S.Paulo

Em visita ao Centro Tecnológico do Exército (CTEx), o ministro da Defesa, Nelson Jobim, criticou ontem a resistência dos países, em especial os Estados Unidos, em transferir tecnologia. Jobim ouviu vários relatos sobre a resistência de empresas norte-americanas em repassar tecnologia ao Exército brasileiro, travando o avanço de projetos como a fabricação de componentes para mísseis.
 
"Faz parte do jogo. Todos os países do mundo não querem que os outros se desenvolvam tecnologicamente, mas o Brasil vai se desenvolver", disse.
 
A transferência de tecnologia é um dos pontos mais importantes que serão levados em conta pelo governo brasileiro na compra de 36 caças para a FAB.

"O problema com os Estados Unidos são as questões do passado. O passado é um grande exemplo de embargo da transferência de tecnologia. Hoje assistimos isso aqui, com informações que tivemos no CTEx em relação a alguns setores", disse o ministro.

Irã teria testado ogiva nuclear avançada

Jornal do Brasil
 
A agência nuclear da ONU pediu que o Irã explicasse evidências que sugerem que os cientistas iranianos fizeram experimentos com um projeto de ogiva nuclear avançado, relatou o jornal The Guardian na edição ontem.

O jornal, citando o que descreve como "documentação previamente inédita" de um dossiê da Agência Internacional de Energia Atômica (AIEA), disse que os cientistas iranianos podem ter testado componentes altamente explosivos de um dispositivo de "implosão de dois pontos".

A AIEA disse em setembro que não tem provas de que o Irã mantenha ou de que já manteve um programa de bomba atômica.

O Ministério das Relações Exteriores do Irã e a Organização de Energia Atômica do Irã (AEOI) não quiseram comentar a notícia.

O comunicado da AIEA em setembro foi uma resposta a relatos anteriores citando o que chamou de um documento secreto da AIEA, dizendo que especialistas da agência concordaram que o Irã agora tinha os meios de construir bombas atômicas e estava desenvolvendo um sistema de mísseis capaz de levar uma ogiva nuclear.

O Guardian disse que mesmo a existência de uma tecnologia de ogiva nuclear de implosão de dois pontos é oficialmente secreta tanto nos EUA quanto na Grã-Bretanha.

Essa tecnologia permite a produção de ogivas menores e mais simples, tornando mais fácil colocar uma ogiva em um míssil, explicou o jornal.

Dassault nega que tenha reduzido preço de caça

Jornal do Brasil
 
A francesa Dassault negou ontem ter reduzido, a pedido do governo da França, o preço de seus caças Rafale em 40% nas negociações para vender a aeronave à Força Aérea Brasileira, como foi publicado no jornal francês Libération. O Rafale disputa a preferência brasileira com o sueco Gripen e o americano F-18.

Por meio de um porta-voz, a Dassault afirmou que as informações "são falsas" e que a empresa "não costuma negociar em público".

A redução de preços teria sido resultado de pressões do presidente francês, Nicolas Sarkozy, que durante sua visita ao Brasil em setembro se comprometeu diante das autoridades brasileiras a oferecer um preço equivalente ao que as Forças Armadas francesas pagam pelos Rafale – quase 50 milhões de euros cada um. O valor inicial seria de 98 milhões de euros por aeronave.
 
Segundo o Libération, o corte nos preços pode ser insuficiente para que a França ganhe a disputa. Uma fonte não identificada citada pelo jornal diz que a Dassault "aposta em uma escolha política do Brasil a favor dos Rafale para não diminuir tanto o preço, como Paris gostaria".

As autoridades governamentais francesas defendem um preço muito baixo que permita fechar a operação e lançar assim outras possíveis vendas deste avião, cuja trajetória comercial até agora tem sido decepcionante – apenas a França o usa.

No início de outubro, as três empresas que disputam a preferência brasileira apresentaram suas propostas ao governo brasileiro para a venda de 36 caças, o que incluía a transferência de tecnologia e, em alguns casos, o compromisso de compra de aviões brasileiros.

O ministro da Defesa, Nelson Jobim, garantiu ontem que a disputa entre os fabricantes para fornecer os aviões ao Brasil está "fortíssima", mas evitou polemizar.

– Não entro em briga de empresa.

O problema com os Estados Unidos são as questões do passado.

O passado é um grande exemplo de embargo da transferência de tecnologia – alertou.

Jobim explicou que ouviu relatos dos militares denunciando que as empresas norte-americanas só iriam fornecer tecnologia para a conclusão de equipamentos militares, como baterias, pilhas térmicas e propelentes, daqui a 10 anos. Mas a dificuldade de concretizar acordos de troca de tecnologia, na avaliação do ministro, é um problema para vários países.

– Isso faz parte do jogo – afirmou.

– Todos os países do mundo não querem que os outros se desenvolvam tecnologicamente. Mas o Brasil vai se desenvolver.

O Ministério da Defesa pretende anunciar o vencedor da licitação para a compra de 36 aviões caça até o fim do ano. A Aeronáutica ainda avalia as propostas recebidas.

(Com agências)

Lugo troca cúpula militar de novo

Substituição é a quarta no governo; para oposição, presidente acusou oficiais destituídos de golpe
 
O Globo

ASSUNÇÃO. Pela quarta vez em sua gestão, o presidente do Paraguai, Fernando Lugo, substituiu todo o alto comando de Marinha, Exército e Força Aérea do país. A medida causou protestos entre a oposição e os militares.

Ontem, o general Juan Oscar Velázquez foi promovido a comandante das Forças Armadas, 48 horas após ser destituído do posto de chefe do Exército. Segundo o governo, as substituições foram "procedimentos administrativos normais e legais".

Na quarta-feira, Lugo desmentira a suspeita de que um golpe militar estaria sendo tramado. A atual controvérsia agrava a crise política vivida pelo líder, que assumiu em agosto de 2008.

Segundo comunicado oficial, as mudanças "são uma atribuição única e exclusiva do presidente".

Na terça-feira, Lugo dissera que havia "bolsões" golpistas entre militares, mas depois desmentiu as especulações.

Para a oposição, porém, as mudanças são uma forma de Lugo assegurar a lealdade da cúpula militar. Juan Oscar Velázquez — considerado um homem de confiança do presidente — foi nomeado para o cargo máximo das Forças Armadas no lugar de Cíbar Benítez. Após reunir-se com Lugo para acertar sua saída, Benítez teria dito, segundo a Rádio Nacional, que Velázquez "é oriundo de San Pedro, onde anos atrás conheceu o presidente Lugo quando (este) ainda era bispo daquela diocese".

Ex-chefe das Forças Armadas, o general Bernardino Soto Estigarribia, hoje reservista e opositor, disse que as destituições foram "humilhantes" e lançaram sobre os oficiais substituídos o "estigma de golpistas". O chefe destituído da Força Aérea, general Darío Dávalos, se disse "irritado", já que ficou sabendo de sua saída "por meio da imprensa", sem explicação oficial.

Jobim quer papel de polícia para as Forças Armadas

Projeto ainda será enviado ao Congresso; diretor da PF critica, Tarso e Gilmar apoiam

Flávio Tabak e Tatiana Farah - O Globo

RIO E SÃO PAULO. O ministro da Defesa, Nelson Jobim, disse ontem que Marinha e Aeronáutica estão preparadas para atuar como polícia nas regiões de fronteira, como pretende o governo, e que isso aconteceria na ausência de policiais. A proposta de mudança na Lei Complementar 97, que regulamenta parte das atribuições das Forças Armadas, está na Casa Civil e, segundo o ministro, "já está tudo definido e revisado pelo presidente da República, só falta enviar ao Congresso".

Jobim, porém, não deu prazo para esse envio: — Se por acaso não tiver nenhum policial civil ou federal, Aeronáutica e Marinha poderão fazer o flagrante.

O ministro lembrou que, em 2004, uma outra lei já deu força de polícia para o Exército atuar nas divisas do país.

— O Exército já pode fazer patrulhamento, revistas e prisões em flagrante suplementando o trabalho da Polícia Civil nessas regiões — disse o ministro, destacando que, fora de áreas de fronteira, as Forças Armadas podem apenas atuar na garantia da lei e da ordem.

Segundo Jobim, o narcotráfico utiliza canais marítimos e aéreos e é preciso dar agilidade às Forças Armadas neste combate. Pela legislação atual, uma aeronave da FAB pode interceptar um avião a serviço do narcotráfico, mas, na ausência de policiais federais no momento do pouso, os militares não têm competência legal para efetuar revistas e a prisão em flagrante. O mesmo ocorre com embarcações da Marinha.

Se aprovada a proposta da Defesa, Marinha e Aeronáutica também poderão fazer revistas e efetuar prisões em flagrante.

O presidente do Supremo Tribunal Federal, ministro Gilmar Mendes, disse considerar que a proposta é uma "boa iniciativa".

Segundo o ministro, Exército, Marinha e Aeronáutica precisam trabalhar de forma integrada com outros órgãos de segurança pública: — No Rio, há uma crise que acaba sempre respingando nas autoridades locais. A droga vem de fora e há um grande problema no policiamento. As Forças Armadas têm condições de monitorar as fronteiras.

O ministro da Justiça, Tarso Genro, também disse ser favorável às mudanças. Segundo ele, a atuação de Forças Armadas na segurança pública não afetará as funções das polícias, "apenas será preenchido o vácuo, na ausência dos policiais, principalmente em áreas de fronteira na Amazônia".

O diretor-geral da Polícia Federal, Luiz Fernando Corrêa, discorda. Ele disse ser temerário dar poder de polícia às Forças Armadas. Segundo ele, não se trata de "uma visão corporativa", mas os papéis de cada poder devem estar bem definidos na Constituição.

Centro de desenvolvimento esportivo apoiado pelo CISM começa a funcionar com curso de voleibol

Ministério da Defesa
 
Brasília, 5/11/2009 - Um curso destinado a preparar militares treinadores de voleibol para os 5º Jogos Mundiais Militares, que acontecerão em julho de 2011 no Rio de Janeiro, foi o primeiro evento organizado pelo Centro Regional de Desenvolvimento do Conselho Internacional do Esporte Militar (CISM).

O Curso de Treinador de Voleibol aconteceu entre 18 e 25 de outubro no Centro Brasileiro de Treinamento de Voleibol, em Saquarema, Rio de Janeiro, local onde a seleção brasileira de voleibol costuma se preparar antes de competições de alto nível, como a Liga Mundial e os Jogos Olímpicos. Foi organizado pela Comissão Desportiva Militar do Brasil, em cooperação com a Comissão de Desportos do Exército e a Confederação Brasileira de Voleibol.

A criação de um centro de desenvolvimento esportivo regional no Brasil tem o apoio do CISM e objetiva formar técnicos e atletas em modalidades olímpicas. Durante sete dias, 12 participantes provenientes de cinco países membros do CISM -- Brasil, Chile, Irã , Paraguai e Venezuela -- tiveram aulas teóricas e práticas. A carga horária foi de 54 horas. O principal instrutor do curso foi Percy Oncken, seis vezes campeão do mundo como treinador da equipe brasileira de voleibol juvenil e júnior.

O programa abrangeu todos os aspectos relacionados com a condução de equipes de voleibol nas áreas: física, psicológica, técnica, tática, processo decisório, estatística e fisiológicas. No final do curso, os participantes foram testados em três domínios distintos: apresentação teórica, prática e oral.

Colômbia diz que levará ameaças de guerra da Venezuela à ONU e à OEA

Ameaça foi feitas por Chávez, no programa "Alô Presidente".
Colômbia diz que não fará um só gesto de guerra.
 
Da Efe
 
O Governo da Colômbia anunciou neste domingo (8) que levará as ameaças de guerra lançadas pelo presidente venezuelano, Hugo Chávez, ao Conselho de Segurança da Organização das Nações Unidas (ONU) e à Organização dos Estados Americanos (OEA).

"A Colômbia não fez nem fará um só gesto de guerra à comunidade internacional, muito menos a países irmãos", diz um comunicado divulgado pela presidência da Colômbia. O texto diz que o governo "mantém sua disposição ao diálogo franco" para sair da crise com a Venezuela.

Em discurso feito em seu programa dominical "Alô Presidente", Chávez pediu neste domingo (8) a militares e civis venezuelanos que se preparem para a guerra em uma advertência aos governos da Colômbia e dos Estados Unidos.

"Não se engane e ordene um ataque contra a Venezuela utilizando à Colômbia, nós estamos dispostos a tudo", disse referindo-se ao presidente americano Barack Obama.

Chavez, que em repetidas ocasiões acusou Washington de ter um plano para desestabilizar seu governo, ordenou na rádio aos membros da Força Armada Bolivariana a "preparar-se para a guerra como a melhor forma para evitá-la".

"Nós sempre fomos cautelosos com o triunfo do presidente Obama, mas bem cedo começamos a entender toda a verdade. O império está aí, vivo e mais ameaçador do que nunca", disse Chávez. Ele também advertiu que o conflito se estenderia a todo o continente e duraria "cem anos". 

Afirmação de Fidel

Chávez lembrou uma afirmação do ex-presidente cubano Fidel Castro de que os Estados Unidos se juntaram à Colômbia e agora tem livre acesso ao continente através da permissão para que os soldados americanos utilizem as bases militares do país sul-americano.

O governante venezuelano ressaltou que Castro, com todo o peso de sua autoridade histórica, denunciou a entrega de um país do qual não há precedente.

"O Governo da Colômbia transformou um país irmão em uma colônia ianque", disse Chávez, antes de afirmar que não hesita em que "algum dia a Colômbia será novamente um país livre, como hoje é a Venezuela".

05 Novembro 2009

Tiroteio em base militar nos EUA deixa ao menos 7 mortos e 20 feridos


 
 
 
Em São Paulo
 
Sete pessoas morreram e outras 20 ficaram feridas nesta quinta-feira (5) em um tiroteio na base militar de Fort Hood, em Kileen, no Estado norte-americano do Texas, informou o Pentágono.
 
O general Rusell Honoré, antigo subcomandante da base, disse ao canal "CNN" que o incidente foi protagonizado por dois soldados armados com rifles M16.

Um dos autores dos disparos foi preso, mas o outro conseguiu fugir, disse o Exército.

O Pentágono não deu mais detalhes do incidente e ainda não se sabe se as vítimas são civis ou militares.

O presidente Barack Obama já teria sido informado dos fatos ocorridos na base, que está temporariamente fechada.

As autoridades destacaram equipes de emergência da base militar para fazer o atendimento às vítimas.

*Com informações das agências internacionais

EUA usarão aeroportos comerciais

Polêmico acordo entre os dois países prevê utilização dos sete terminais internacionais por jatos militares americanos, segundo publicou a imprensa colombiana
 
Jornal do Commércio

BOGOTÁ – Aviões militares dos Estados Unidos poderão usar aeroportos comerciais de operação internacional da Colômbia no âmbito do acordo militar assinado na última sexta-feira entre os dois países. "Irá se estabelecer um mecanismo para determinar a estimativa do número de voos que farão uso de aeroportos internacionais, em conformidade com as leis e regulamentos colombianos", diz o texto do tratado, de acordo com informação divulgada anteontem no site do Ministério das Relações Exteriores da Colômbia.

O país sul-americano tem atualmente sete pistas aéreas internacionais – Barranquilla, Cartagena e San Andrés (Caribe, ao norte), Bogotá (centro), Cali (Sul), Medellín (noroeste) e Bucaramanga (leste).

"O uso de aeronaves exigem aparelhamento em terra para o fornecimento de combustível e em alguns casos para análise técnica, o que exigirá funcionários estrangeiros nesses aeroportos", afirmou o jornal colombiano El Tiempo em sua edição de ontem.

Antes de entrar em vigor esse acordo de dez anos entre Colômbia e EUA, aviões militares americanos eram obrigados a desembarcar no aeroporto Eldorado de Bogotá e de lá viajar para outros destinos.

DESPREZO

O líder cubano Fidel Castro acusou ontem o presidente dos Estados Unidos, Barack Obama, de tratar com "desprezo" a América Latina ao assinar o acordo o uso de sete bases militares colombianas pelo Exército americano.

Em um artigo publicado no jornal oficial Granma, Fidel ressalta que, com o uso dessas bases, os EUA "ameaçam não só a Venezuela, como todos os povos do centro e do sul de nosso Hemisfério". "Não se trata de um ato do governo (George W.) Bush. É Barack Obama que assina esse acordo, violando normas legais, constitucionais e éticas, enquanto os frutos da funesta base militar ianque de Palmerola, em Honduras, ainda são exibidos ao mundo", ressaltou.

O ex-presidente cubano, de 83 anos, que se afastou do governo há três anos e meio por motivos de saúde, lembrou que o golpe de Estado em Honduras "foi efetuado durante a atual administração" de Obama. "Nunca se tratou com tanto desprezo os povos latino-americanos deste Hemisfério. Se equivoca o presidente dos Estados Unidos e se equivocam seus assessores, se seguirem por esse caminho sórdido e depreciativo em relação aos povos da América Latina", acrescentou Fidel.

O texto do acordo foi considerado desequilibrado a favor dos EUA e potencialmente violador da soberania colombiana pelo Conselho de Estado da Colômbia, órgão jurídico consultivo máximo do país.

Morte de civil em abate de aeronave vai à Justiça Militar

Jornal do Senado
 
Projeto do senador Magno Malta (PL-ES) que atribui à Justiça Militar a competência para julgar integrante da corporação que cometer crime doloso contra a vida de civil no caso de ação de abate de aeronave, conhecida como "tiro de destruição", foi aprovado ontem pela Comissão de Constituição, Justiça e Cidadania (CCJ). A decisão terminativa caberá à Comissão de Relações Exteriores e Defesa Nacional (CRE).

Relatado pelo senador Alvaro Dias (PSDB-PR), que recomendou a aprovação, o projeto (PLS 218/09) altera o artigo 9º do Código Penal Militar, que atribui à Justiça comum a competência para julgar crimes militares em tempo de paz, com intenção de matar e cometidos contra civil. O projeto abre exceção para abate de aeronave.

A aeronave poderá ser detida por autoridades aeronáuticas, fazendárias ou da Polícia Federal em várias situações, segundo o Código Brasileiro de Aeronáutica (artigo 303): no caso de voo no espaço aéreo brasileiro com infração das convenções ou atos internacionais, ou das autorizações para tal fim; se, entrando no espaço aéreo, desrespeitar a obrigatoriedade de pouso em aeroporto internacional; para exame dos certificados e outros documentos indispensáveis; para verificação da carga no caso de restrição legal ou de porte proibido de equipamento; e para averiguação de ilícito. Poderão ser empregados os meios que a autoridade julgar necessários para forçar a aeronave a pousar.

Modificado pela "Lei do Abate" (Lei 9.614/98), o código estabelece ainda que, esgotados os meios coercitivos previstos em lei, a aeronave fica sujeita à medida de destruição após autorização do presidente da República ou da autoridade por ele delegada.

Segundo Magno Malta, com o Decreto 5.144/04, a Força Aérea Brasileira pode tomar medidas que conduzam ao abate da aeronave e, "muito provavelmente", à morte de seus ocupantes. "O piloto estaria assim cometendo crime doloso contra a vida, devendo ser levado ao tribunal do júri", explicou.

Para o senador, parece evidente que a conduta do militar que cumpre ordens e derruba aeronave civil considerada hostil não pode ser equiparada ao comportamento de alguém que cometa um homicídio comum, sujeitando-se ao tribunal do júri.

Transferência de tecnologia é essencial

Virgínia Silveira, para o Valor, de São José dos Campos

O presidente da Associação das Indústrias Aeroespaciais do Brasil (AIAB), Walter Bartels, disse que o processo efetivo de absorção de tecnologia ocorre através da realização da inovação ou do desenvolvimento tecnológico dentro da indústria. "É difícil transferir tecnologia de quem criou para quem vai produzir. Como regra geral, a tecnologia sensível ou para elevação do nível militar, não se transfere, não se adquire, incorpora-se."

Para o executivo, a compra de caças supersônicos de empresas estrangeiras é necessária neste momento, pelas necessidades de curto prazo da FAB, mas o país necessita possuir, obrigatoriamente, uma capacidade real de dissuasão e isso só será possível se os respectivos meios forem de domínio tecnológico brasileiro, desenvolvidos e produzidos no país. "A indústria aeroespacial brasileira espera que, futuramente, não sejam mais necessárias aquisições no exterior mas, em casos excepcionais, sejam feitas através de um contratante principal brasileiro como ocorre em países desenvolvidos", afirmou.

Bartels cita o caso do programa AMX, em que o Brasil levou vantagem porque pagou 30% do seu desenvolvimento e dominou 100% do avião. Entre as tecnologias resultantes desse projeto de cooperação, que o presidente da AIAB participou ativamente pela Embraer, Bartels destaca a aerodinâmica transônica, sistema de aviônica de navegação e ataque integrado, usinagem mecânica de peças complexas e comandos de voo "fly by wire", que depois foram aplicados no desenvolvimento dos jatos comerciais da Embraer.

Para o presidente da Associação Brasileira das Indústrias de Materiais de Defesa e Segurança (ABIMDE), Carlos Frederico Queiroz de Aguiar, o processo de aquisição dos caças do programa F-X2 é um dos melhores dos últimos 30 anos. "O processo de hoje se baseia na experiência dos erros e dos acertos do passado e tem sido um processo de aquisição mais realista e mais adequado ao tipo de aquisição, ou seja, a de um equipamento que tem de gerar no país um efeito multiplicador de absorção de tecnologia pela base industrial de defesa do país."

Segundo Aguiar, qualquer que venha a ser a decisão, haverá grandes benefícios para a indústria nacional, graças à política de "offset" (contrapartida) que a FAB e o Ministério da Defesa vêm reafirmando desde o início do processo do F-X2. O executivo lembra que a FAB estabeleceu que 80% do offset deverá se constituir em transferência de tecnologia direta no programa. Além disso, segundo ele, os três concorrentes têm se aplicado em oferecer também trocas comerciais significativas, ou seja, compras de equipamentos no Brasil, principalmente aeronaves da Embraer.

O fato de a decisão ser política, na opinião do presidente da ABIMDE, não exclui as demais considerações inerentes ao processo. O executivo disse que os empresários envolvidos no processo estão satisfeitos com os acordos até agora firmados e que muitos já se preparam para a fase de contratação e operacional que virá logo após a decisão final. "De um modo geral percebo um clima de satisfação e de expectativa nas empresas de grande porte como também nas de médio porte".

Fornecedores dizem que Gripen vai gerar mais negócios no país

FAB enviou pedido de informações para várias empresas que atuam no setor aeroespacial

Virgínia Silveira, para o Valor, de São José dos Campos

A gerência do programa F-X2, de renovação dos caças da Força Aérea Brasileira (FAB), solicitou às empresas do setor aeroespacial uma nova avaliação das últimas propostas, que foram encaminhadas pelas três fabricantes que disputam o contrato estimado entre US$ 4 e 7 US$ bilhões - Boeing, Dassault e Gripen. Segundo informações de duas empresas consultadas pela FAB, foi feito um pedido adicional de esclarecimento sobre a expectativa de geração de emprego nas empresas do setor com os possíveis programas de transferência de tecnologia do F-X2.

O pedido, de acordo com especialistas que acompanham o processo de compra dos caças, foi enviado para a Embraer, Aeroeletrônica, Mectron, Atech, Friuli, Winnstal, Akaer, Imbra Aerospace, Focal , Graúna, entre outras. As últimas respostas foram encaminhadas à FAB na quarta-feira da semana passada. A Aeronáutica está finalizando o relatório técnico de avaliação das três concorrentes e a previsão é que ainda este mês o documento seja encaminhado ao ministro da Defesa, Nelson Jobim.

A reportagem solicitou ao Centro de Comunicação Social da Aeronáutica (Cecomsaer) informações sobre o novo pedido de esclarecimento encaminhado pela FAB às empresas, mas não obteve retorno até o fechamento desta edição.

Ao contrário do programa de aquisição dos helicópteros franceses, em que a FAB optou por reforçar as contrapartidas industriais, com maior envolvimento das empresas brasileiras na produção de peças e na prestação de serviços, o programa dos caças tem como foco estratégico a capacitação tecnológica da indústria nacional para a construção futura de um caça supersônico. Entre as empresas que atuam mais na área de desenvolvimento de engenharia a preferência se dá pelo sueco Gripen, pela proposta de desenvolvimento conjunto da aeronave.

"A proposta da Saab é a que melhor atende aos interesses da indústria do setor, porque prevê um trabalho conjunto de desenvolvimento do avião. Num prazo de 10 a 15 anos teremos competência de fazer um caça supersônico com engenharia brasileira", comenta o diretor presidente da Imbra Aerospace, Jairo Cândido. O executivo, que também é diretor do Departamento de Defesa da Fiesp, coordenou as rodadas de negociação das três concorrentes do F-X2. Segundo ele, a maior parte das 150 empresas que participaram desses encontros também revelaram uma preferência pela oferta sueca, no que diz respeito a transferência de tecnologia.

"Este é o sentimento da indústria e o governo brasileiro também tem dito que não compra mais produtos de prateleira na área de defesa". A opinião do empresário também é compartilhada pelo diretor do Ciesp de São José dos Campos, Almir Fernandes. Segundo ele, pelo menos 30 das cerca de 50 empresas da cadeia Aeronáutica brasileira acreditam que a Saab oferece melhores oportunidades de participação dessas empresas no desenvolvimento de tecnologias estratégicas, desde a fase de projeto até o nível de produção.

Lideradas pela Akaer, as empresas Friuli, Winnstal, Minoica e Friuli já estão trabalhando no desenvolvimento do novo caça sueco Gripen NG, projeto que foi ofertado pela fabricante Saab ao programa F-X2. A T1, holding que reúne as cinco empresas brasileiras, será a responsável pelo projeto e produção da fuselagem central, fuselagem traseira e asas do Gripen NG.
 
"Fabricar peças não agrega nenhum valor. O que nós queremos é dominar a tecnologia de desenvolvimento dos caças para, em poucos anos, sermos exportadores desse tipo de aeronave e de tecnologias que consolidarão a expansão da nossa indústria Aeronáutica, hoje bastante dependente de apenas um fornecedor, que é a Embraer", ressalta o diretor executivo da Akaer, César Augusto da Silva.
 
No fim de outubro, o vice-presidente da Embraer para o Mercado de Defesa, Orlando José Ferreira Neto, declarou ao Valor que, do ponto de vista de transferência de tecnologia, a "oferta da empresa sueca Saab é a que vai assegurar ao Brasil o conhecimento e a agregação de tecnologia dentro da premissa ´on the job doing´, ou seja, aprender fazendo".
 
Segundo o executivo, o Gripen é o único que oferece oportunidade para o Brasil começar o desenvolvimento de um caça do zero. "Não estamos interessados em fabricar peças. Buscamos o domínio de conhecimento que ainda não temos e que nos será útil no desenvolvimento de futuras aeronaves." A capacitação da indústria nacional, segundo Ferreira Neto, é primordial para garantir a autonomia do país no futuro para fazer modificações nos aviões que a FAB vai adquirir e para construir um novo caça.

O presidente da Atech, uma das empresas do setor de defesa, consideradas estratégicas pelo governo brasileiro, Tarcísio Takashi Muta, disse que, a exemplo do que aconteceu com o sistema de tráfego aéreo no país, a escolha dos novos caças deve priorizar o aspecto de domínio dos sistemas da aeronave para sermos capazes de fazer as modificações que a FAB julgar necessárias. A Atech participou do processo de absorção de tecnologia de controle de tráfego aéreo, o que permitiu que o Brasil atingisse autonomia no gerenciamento do seu espaço aéreo.

"Ajudaremos a Colômbia e a Venezuela a vigiar a fronteira"

El País
Em Madri

Ele é o homem mais influente do entorno do presidente brasileiro, Luiz Inácio Lula da Silva, e um dos artífices da decolagem definitiva do Brasil em política externa. De passagem por Madri, convidado pela Fundação Marcelino Botín, Marco Aurélio Garcia insiste que a liderança do Brasil pretender ser integradora e aponta soluções para a explosiva situação na fronteira entre Venezuela e Colômbia.

El País: O Brasil está preparado para assumir o lado escuro - crítica, imagem negativa - de ser um líder mundial?

Marco Aurélio Garcia: Tentamos não assumir essa idéia do Brasil como potência por uma questão do que devem ser as relações em nossa região. Fizemos todos os esforços necessários para que se diminua essa imagem de potência, apesar de isso ter nos criado problemas internos como quando não reagimos a certas atitudes belicosas da Bolívia em relação ao gás ou quando assinamos recentemente um acordo com o Paraguai pela eletricidade.

El País: A liderança não é só como um a vê, mas como os demais a veem. E a percepção é de que o Brasil é uma potência que começa a agir como tal.

Garcia: O Brasil ganhou muita visibilidade, sem dúvida, devido à personalidade de Lula e por sua diplomacia, mas essencialmente porque deixamos de ser o país do futuro e enfrentamos os desafios que temos pela frente, especialmente o da desigualdade. É muito importante que no Brasil os governantes não se embriaguem com os sucessos, porque o país sempre teve altos e baixos, o que sempre foi um desastre total. Finalmente as coisas começaram a mudar, e isso se nota.

El País: E, como se não tivesse suficiente destaque internacional, o Brasil vai ocupar um lugar no Conselho de Segurança da ONU em um momento crucial deste, sobretudo com o assunto do Irã e a energia atômica.

Garcia: Nossa posição nesse assunto é insistir em que a energia nuclear iraniana deve servir para fins pacíficos e deve existir um controle da Agência Internacional de Energia Atômica. Mas, sobretudo, é preciso reduzir a tensão. Obama nos disse que acha importante conversarmos com o Irã. Talvez os iranianos escutem de nós coisas que não escutam de outros.

El País: Obama dá mais atenção a América Latina que Bush?

Garcia: Os movimentos da diplomacia de Obama ainda são contraditórios. Por exemplo, em relação a Cuba e a Honduras. Quanto ao que aconteceu com a Colômbia e as bases [cedidas aos EUA], não nos parece correto. Não podemos impedir que a Colômbia tome suas decisões, mas há necessidade de garantias de que não ocorrerá um desequilíbrio na região.

El País: Mas até agora se considerava que esse desequilíbrio vinha mais de Chávez.

Garcia: Sempre apostamos nas soluções dialogadas: por exemplo, seria muito interessante que a Venezuela e a Colômbia acordassem um sistema de vigilância conjunta de sua fronteira comum. E eu não excluiria um pacto de não-agressão.

El País: E que papel tem o Brasil?

Garcia: Para a monitoração conjunta, ajudaríamos com meios técnicos, como aviões de vigilância.

Tradução: Luiz Roberto Mendes Gonçalves

Lula proclamou a aliança com a França antes de haver tempo para consideração de questões

O silêncio dos negócios
 
Jânio de Freitas - Folha de S.Paulo

A propaganda de vendedor feita pelo ministro da Defesa francês, Hervé Morin, respondeu apenas com um fugidio "sans problème" à questão essencial para que o Brasil não compre ilusão supondo pagar bilhões de dólares pela tecnologia, com o direito de utilizá-la para vendas internacionais, de aviões de caça. Sejam os franceses Rafale da Dassault, os suecos Gripen da Saab ou os norteamericanos F-18 da Boeing.

Hervé Morin veio receber com Nelson Jobim o prêmio Personalidade França-Brasil-2009, mais do que justificado pela venda de submarinos e de uma obra gigante suspeitamente presenteada à Odebrecht. Mas usou a oportunidade para antecipar-se, na promoção do negócio com os Rafale, à chegada dos dirigentes da Boeing para promover o seu F-18.

"Estamos oferecendo ao Brasil um índice de transferência de tecnologia como a França jamais propôs a outro país", apregoou Morin e nada há, em princípio, a opor a tal afirmação. Apesar disso, é aí que estão a obscuridade e o risco em que Lula embarcou às cegas.

Se parte dos preços siderais dos aviões incluem a transferência de sua tecnologia, para que o Brasil possa vir a construí-los e vendê-los, são indispensáveis garantias de que a transferência não está sujeita a restrições de terceiros e, além disso, de que não haverá divisão de áreas internacionais para vendas, como já se deu com a indústria automobilística. Tais garantias não estão nem sequer mencionadas nem mesmo pela parte brasileira.

Os Rafale têm componentes de fabricação ou de patente norte-americanas, os Gripen as têm de origem inglesa. Um e outro estão autorizados pelas indústrias e pelo governo dos Estados Unidos e da Inglaterra a transferir o domínio de seus produtos e até autorizar a serem vendidos, no futuro, pelo Brasil? Nada é dito a respeito, quer pelo Ministério da Defesa brasileiro, quer pelos três ofertantes dos aviões.

Sabe-se, porém, que as restrições a componentes são frequentes, e comuns por parte dos Estados Unidos quando se trata de equipamento militar. A Embraer foi impedida de fechar valiosa venda de aviões Tucano à Venezuela pelos Estados Unidos, por haver componentes norte-americanos em seu avião. Os russos ganharam o negócio com seu admirado Sukhoi, já excluído da "concorrência" brasileira sob outro silêncio do Ministério da Defesa brasileiro.

Sem a explicitada concordância dos fabricantes e detentores de patentes de todos os equipamentos dos aviões, o Brasil por certo terá problemas idênticos ao da Embraer. E talvez até de produção para uso próprio, a depender de circunstâncias políticas internacionais.

Lula proclamou a aliança estratégica com a França (e

Nelson Jobim
toca os negócios com o estaleiro DCNS, a Odebrecht e a Dassault), com base só na sua "preferência" napoleônica, muito antes de haver tempo para a consideração das questões essenciais pela parte brasileira. O montante multibilionário da transação e seu projetado desdobramento, previsto para quatro vezes o gasto atual, dão ao país ao menos o direito de ser informado sobre as garantias dos negócios que se fazem à sua revelia.

Pacto de EUA e Colômbia é detalhista

RICARDO BONALUME NETO
DA REPORTAGEM LOCAL - FOLHA DE S.PAULO

Esta lá, com todas as letras: EUA e Colômbia se comprometem neste novo acordo suplementar de defesa a respeitar a soberania e a não intervir em terceiros países. Mas não há dúvida de que o venezuelano Hugo Chávez, ou um de seus aliados na esquerda latino-americana, buscará pelo em ovo no minucioso texto.

Muito mais que descrever operações militares potenciais, o acordo dá detalhes que regulam o cotidiano dos militares americanos e seus dependentes em sete bases colombianas, desde o pagamento ou não de impostos e taxas ao uso de uniformes, até questões de correio e telecomunicações.

O texto do acordo, de 25 artigos com quase 6.000 palavras, não usa nenhuma vez o termo "combate". O Congresso dos EUA proíbe seus militares de entrarem em combate na Colômbia. Seu papel é de meros assessores, além de apoiarem o uso das bases por aviões e navios de guerra americanos.

O texto deixa claro que o objetivo é cooperar em ações contra drogas e terrorismo, que é como os EUA e a Colômbia definem as atividades de grupos irregulares como as Farc (Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia), que combatem o Estado colombiano.

Em termos militares, o acordo revela as áreas de cooperação: "interoperabilidade, procedimentos conjuntos, logística e equipamento, treinamento e instrução, trocas de inteligência, capacidades de vigilância e reconhecimento, exercícios combinados e outras atividades mutuamente definidas, a fim de lidar com ameaças comuns à paz, estabilidade, liberdade e democracia".

Não há nada de muito espetacular nessas definições. Há anos existe uma tendência mundial de operações e exercícios militares entre forças de vários países; o caso mais óbvio é o das missões de paz. Parte fundamental no processo é ter procedimentos operacionais padronizados, por exemplo na área de comunicações.

O uso das bases dentro da rede mundial americana de transporte aéreo também deverá ser detalhado em arranjos posteriores. Os países deverão estabelecer conjuntamente os procedimentos para entrada, sobrevoo e pouso de aeronaves do governo dos EUA, "consistentes com a lei colombiana".

Convém repetir o óbvio: se quiserem atacar um dia a Venezuela ou outro país que considerem hostil, os EUA não precisarão de bases na Colômbia. Além de causar transtornos diplomáticos ao anfitrião, seria militarmente desnecessário.

Bases no Caribe permitem a bombardeiros alcançar a Venezuela diretamente. As distâncias das bases da fronteira com a Venezuela são irrelevantes.

Um -dos 11- porta-aviões nuclear dos EUA carrega 85 aviões de combate, mais poderio que a maioria das forças aéreas latino-americanas.

Ironicamente, o Brasil já firmou pactos similares com os EUA. Um deles foi assinado em maio de 1942, já com os dois países envolvidos na Segunda Guerra, contra Alemanha e Itália. Mas uma versão preliminar fora assinada em outubro de 1941, antes mesmo que os dois entrassem na guerra.

Os EUA entraram em guerra em dezembro de 1941, e o Brasil, só em agosto de 1942. Ou seja, por mais de meio ano o país estava em estado de nem paz, nem guerra, com aviões e navios dos EUA realizando missões de patrulha ao longo do litoral brasileiro. Eventualmente essa esquadra americana na América Latina foi batizada de 4ª Frota, agora recriada.

Como a Colômbia, o Brasil fez questão de prover a vigilância das suas bases com seus próprios soldados e permitiu a construção de prédios pelo aliado, que depois da guerra reverteram a controle brasileiro (como prevê o acordo entre Washington e Bogotá).

Mas, com a entrada do país na guerra, o Brasil fez algo que nem os colombianos estão fazendo.

Por motivos operacionais óbvios, a pequena força aeronaval brasileira ficou sob comando dos EUA. A Força Naval do Nordeste era, de fato, parte da hoje "polêmica" 4ª Frota.

Lugo afasta os chefes das Forças Armadas

O Estado de S.Paulo
 
O presidente do Paraguai, Fernando Lugo, afastou ontem os comandantes do Exército, da Marinha e da Aeronáutica, segundo um comunicado entregue à imprensa. Os afastamentos ocorrem um dia após Lugo ter descartado a possibilidade de um golpe militar no país. O comunicado entregue apenas reproduziu a decisão, sem explicar os motivos para as mudanças e indicando que hoje novos comandantes assumirão as chefias do Exército, da Marinha e da Aeronáutica.

Para Itamaraty, acordo abre brecha para ataque

Denise Chrispim Marin, BRASÍLIA - O Estado de S.Paulo

O governo brasileiro não duvida que o acordo militar entre a Colômbia e os EUA, firmado na sexta-feira em Bogotá, abrirá uma brecha para ataques à Venezuela e a outros países sul-americanos. A análise preliminar do texto reforçou a convicção do Itamaraty de que as garantias de que os países vizinhos não serão agredidos pelas forças colombianas e americanas são insuficientes. Também provocou surpresa a constatação de que, além do uso de sete bases aéreas da Colômbia, o acordo prevê que aviões militares americanos possam usar os sete aeroportos internacionais do país.

Ciente das cobranças de "transparência" que recebeu nos últimos meses dos países vizinhos, o governo colombiano permitiu o acesso ao texto integral do acordo, desde anteontem, no site do Ministério das Relações Exteriores. Mas, não enviou previamente o documento às chancelarias sulamericanas.

O chanceler Celso Amorim obteve uma cópia ontem. O texto enfatiza a necessidade de fortalecer a relação estratégica de segurança entre EUA e Colômbia para ''enfrentar as ameaças comuns à paz, à estabilidade, à liberdade e à democracia''.

A mesma expressão está reproduzida entre os objetivos do acordo que, em princípio, deveria se ater à luta contra o narcotráfico e ao terrorismo. Para o Itamaraty, isso seria suficiente para justificar iniciativas conjuntas dos EUA e da Colômbia contra a Venezuela, que há anos converteu-se em inimigo de Bogotá.

Brasil negocia pacto de não-agressão

Acordo ajudaria região a superar desconfianças surgidas após assinatura de tratado militar entre Colômbia e EUA

Denise Chrispim Marin, BRASÍLIA - O Estado de S.Paulo

O Itamaraty começou a negociar um tratado de não-agressão na América do Sul, como meio de contornar os conflitos provocados pelo acordo militar entre a Colômbia e os EUA, assinado sexta-feira. O tratado terá o objetivo garantir aos signatários que não serão alvos de ataques de vizinhos que venham a atuar em cooperação militar com países de outras regiões. O Itamaraty espera convencer o Equador, país que preside este ano a União das Nações Sul-Americanas (Unasul), a encampar a ideia e levá-la à consulta das chancelarias dos outros membros do bloco.

A seus assessores, o ministro das Relações Exteriores, Celso Amorim, afirmou que essa saída multilateral será uma forma de lidar com a polêmica causada pela decisão da Colômbia de fechar um acordo que permitirá aos EUA manter militares em sete bases no país. Segundo o ministro, o tratado reforçaria garantias fundamentais que venham a ser escritas sem ênfase nos acordos bilaterais e permitiria a tão ambicionada "construção de confiança" entre os países da América Sul. Seria, por fim, um meio de dissipar temores - os reais e os infundados.

O tratado de não-agressão serviria como um princípio básico de garantia jurídica a ser respeitado em todos os compromissos na área de defesa dos países da Unasul, sem exclusões. Assim, apaziguaria Bogotá, ao contemplar sua insistente preocupação de que todos os acordos de defesa fechados pelos parceiros sul-americanos com países de fora da região deveriam ser postos sobre a mesa e incluir garantias. Essa exigência tem como fundamento a ausência de garantias de não-agressão nos acordos celebrados pela Venezuela com Irã e Rússia.

Para que o tratado alcance o objetivo imaginado por Amorim, o Conselho Sul-Americano de Defesa deverá debater pelo menos duas questões básicas. Primeiro, se o novo acordo seguirá a receita do Tratado de Tlatelolco, de 1967, pelo qual nações militarmente mais desenvolvidas se comprometem a não minar o status da América Latina e Caribe como região livre de armas nucleares. Uma resposta positiva significaria a negociação para que EUA, Rússia, Irã e França, entre outros, forneçam garantias de que não alimentarão nem participarão de conflitos na América do Sul.

A segunda questão diz respeito ao registro dos acordos no Conselho de Defesa, ou seja, a quebra da confidencialidade do documento.

Israel apreende um navio de armas

Jornal do Brasil
 
A Marinha israelense apreendeu um navio de contêineres no Mediterrâneo que levava mais de 60 toneladas de mísseis, foguetes e armas antitanque do Irã para o grupo militante libanês Hezbollah, segundo autoridades de Defesa de Israel. A embarcação foi levada para o porto israelense de Ashdod, no sul do país.

– Havia (foguetes) Katyusha, cujo propósito é atingir civis – acusou o vice-ministro da Defesa, Matan Vilnai, à Rádio do Exército israelense, acrescentando que o armamento fortaleceria o Hezbollah e aumentaria sua capacidade de atingir Israel.

Segundo o Ministério da Defesa israelense, a captura ocorreu na madrugada de ontem, perto de Chipre. Em entrevista coletiva, Vilnai expressou dúvidas sobre se a tripulação sabia que as armas estavam a bordo. A Marinha israelense não forneceu provas de que o material iria para o grupo militante xiita do Líbano. Esta foi a segunda maior apreensão de armas realizada por Israel.
 
Pr ecedente O Hezbollah disparou quase 4 mil foguetes contra Israel numa guerra em 2006, e autoridades israelenses afirmam que o grupo vem se rearmando desde o conflito, que durou 34 dias.
 
Uma porta-voz militar israelense afirmou que a Marinha havia avistado, durante checagens de rotina, o cargueiro Francop operando sob o disfarce de um navio de auxílio humanitário, tendo como capitão um polonês e levando a bandeira de Antígua a 160 quilômetros da costa israelense.

– Eles suspeitaram que o navio carregava armas e, depois de uma inspeção inicial, munições foram encontradas. O navio foi levado ao litoral – disse a porta-voz.

O correspondente para assuntos militares da Rádio Israel identificou o navio como o Francop, uma embarcação de 137 metros que transporta contêineres, e afirmou que ele está agora atracado no porto de Ashdod, ao sul de Tel Aviv.

A emissora de TV israelense Channel 10 disse que Israel tinha informações antecipadas sobre a embarcação. Fontes militares afirmaram que comandos navais abordaram o navio ainda em águas internacionais.

Em comunicado oficial, o ministro da Defesa israelense, Ehud Barak, disse que o armamento tinha como destino "a arena terrorista no norte", numa aparente referência ao Hezbollah.

Em outra nota, o primeiroministro israelense, Benjamin Netanyahu, afirmou que as armas encontradas "poderiam ter atingido cidades israelenses". Um alto oficial do Exército libanês se recusou a comentar a notícia, dizendo que o fato ocorreu fora das águas do país.

04 Novembro 2009

Jornada debate segurança operacional da aviação de helicópteros

I COMAR

A segurança operacional da aviação de helicópteros na região amazônica é o tema da I Jornada Amazônica de Segurança de Vôo, realizada pelo Primeiro do Oitavo Grupo de Aviação (1º/8º Gav – Esquadrão Falcão), unidade aérea de asas rotativas sediada na Base Aérea de Belém (BABE). O evento acontece no dia 07 de novembro, das 08h às 17h, no Belém Soft Hotel. As inscrições podem ser feitas no site www.jornadaamazonica.com.br.

Voltado para pilotos, mecânicos, controladores de voo, empresários do setor aéreo, fabricantes, oficinas de manutenção e qualquer outra empresa ou pessoa que presta serviço para operadores de helicópteros, este evento visa atualizar conhecimentos que aumentem a segurança e qualidade da aviação de asa rotativa no norte do país através de palestras de especialistas em aviação militar.

A Jornada faz parte das comemorações do 37º aniversário do Esquadrão Falcão e presta uma homenagem às vítimas do acidente com o helicóptero H-UH FAB 8532 ocorrido no dia 14 de novembro de 2008, onde 4 militares do efetivo do Esquadrão Falcão faleceram.

Os participantes terão oportunidade de atualizar conhecimentos por meio de palestras sobre responsabilidade no transporte aeromédico; análise dos riscos da operação de helicópteros em região amazônica; meteorologia e a segurança de vôo, procedimentos emergenciais em helicópteros monomotores, aspectos médicos em tripulantes de helicópteros, aviação de segurança pública e defesa civil em região de floresta tropical, dentre outras.

1º GCC se mobiliza para Operação Comdaex-Laçador no Sul do País

CECOMSAER

 

O Primeiro Grupo de Comunicações e Controle (1º GCC) permanece em intensa mobilização no Estado do Rio Grande do Sul para as instalações, montagens e o transporte dos equipamentos e infraestruturas de defesa aérea a serem utilizadas na Operação Comdaex-Laçador.

Na última quarta-feira, 28 de outubro, o Esquadrão Mangrulho, 4º/ 1º GCC, deslocou da Base Aérea de Santa Maria – em um comboio de duas carretas, dois caminhões e duas viaturas – o Radar de Defesa Aérea Tridimensional MRCS-413, e demais materiais de apoio, para o Aeroporto de Santa Cruz do Sul, no interior do RS, que assim como Canoas, Santa Maria e Pelotas, abrigará recursos instalados pelo GCC.

Desde a chegada, o equipamento vem passando por um complexo processo de instalação e ajustes, que consiste também na montagem de outras estruturas de apoio, como geradores de energia, antenas para comunicação por satélite, além de shelters que abrigarão as equipagens das áreas técnicas e administrativas.

O trabalho dos esquadrões do 1º GCC, nessa fase de preparativos para o exercício, é de vital importância para o sucesso da Operação, que unirá Aeronáutica, Exército e Marinha durante praticamente todo o mês de novembro.

Responsável pelo provimento de meios transportáveis de comunicação, controle e alarme aéreo em locais desprovidos destes recursos ou com instalações fixas insuficientes, a unidade é a única de toda a Força Aérea Brasileira com expertise e pessoal especializado para o transporte e a montagem destas estruturas imprescindíveis em operações deste porte.

O apoio do 1º GCC a mais uma operação de grande porte com o fornecimento de serviços altamente especializados será tema de uma reportagem especial da Revista Aeroespaço na edição de dezembro.

 

03 Novembro 2009

Confira os aviões de caça que o governo brasileiro quer comprar






 
Os repórteres do Fantástico embarcaram nos aviões de caça mais modernos do mundo e por alguns momentos chegaram a pilotar. Um dos modelos será escolhido pelo governo para proteger o espaço aéreo.

Momentos de apreensão na Floresta Amazônica

Jornal do Brasil

Depoimentos prestados pelos sobreviventes do acidente com o avião da C-98 Caravan da Força Aérea Brasileira (FAB), na região Amazônica, revelaram que a orientação dada pela tripulação e a calma dos passageiros foram fundamentais para que, das 11 pessoas à bordo, nove sobrevivessem. De acordo com o servidor da Fundação Nacional de Saúde (Funasa) Marcelo Nápoles, em nenhum momento os militares que estavam na aeronave perderam a calma. Marcelo destaca que foi o suboficial Marcelo Dias – um dos ocupantes do avião que não sobreviveu – quem abriu a saída de emergência, segurou a porta e esperou para que todos saíssem.

– Quando a aeronave foi batendo na água, o tenente Ananias disse 'quem confia em Deus, confie agora porque a gente vai pousar na água' – lembra Nápoles.

Segundo os relatos, no momento da queda, todos os passageiros estavam com vida. Depois que a aeronave fez o pouso forçado, os passageiros tiveram pouco tempo para sair e tentar pisar em terra firme antes que a água invadisse a aeronave. Os sobreviventes relataram que a queda ocorreu em cerca de cinco minutos, mas eles não conseguem se lembrar com detalhes de todo o ocorrido.

– A situação causou desespero. Só acalmou quando o avião voltou e avistou a gente. Todos se emocionaram muito. Nos abraçamos e choramos juntos.

A sobrevivente Maria das Graças Nobre conta que todos foram orientados pelo segundo-tenente José Ananias da Silva Pereira a se prepararem para o pouso forçado, colocandose em posição de emergência e de proteção. Segundo ela, o local onde o avião pousou ficava perto da parte rasa do Igarapé Jacurapá e uma das maiores preocupações entre os ocupantes do voo era com a enfermeira Josiléia Vanessa de Almeida, que não sabe nadar.

– Na medida do possível, as pessoas conseguiram manter a calma.

Tínhamos muita confiança de que o resgate seria feito – disse.

Segundo Josiléia, o fato de não não saber nadar a deixou ainda mais assustada. Contudo, ela conta que conseguiu ser auxiliada pelos militares e chegar à margem do pequeno rio com segurança.

Josiléia está grávida de três meses e, de acordo com a Fundação Nacional de Saúde (Funasa), sofreu uma fratura em uma das costelas e uma pequena lesão na coluna cervical. Para ela, os militares tiveram total habilidade para conduzir a situação.

– Ouvimos um barulho estranho.

O mesmo barulho se repetiu.

O mecânico foi lá, olhou e disse que não teria jeito. Pediu para que todos ficassem em posição de impacto e tirassem sapatos, relógios, tudo o que pudesse obstruir nossa saída – diz.

O tenente de infantaria Wanderson Menezes – um dos membros da equipe de resgate – contou que a expectativa inicial era encontrar todos vivos. Segundo Menezes, Josiléia foi a primeira a subir para o helicóptero que fez o resgate dos sobreviventes.

– Nesse momento, temos que colocar a emoção de lado e fazer com que o trabalho aconteça com a maior segurança possível. No caso da Josiléia, para a nossa felicidade, salvamos duas vidas, a dela e a do bebê – lembra.

O Tenente Carlos Wagner Ottone Veiga disse ontem que conseguiu acionar o instrumento de localização de emergência antes da queda do avião da FAB. Segundo Veiga, depois da decolagem, o avião foi nivelado a 3 mil metros acima do solo. Depois de 50 minutos de voo, houve perda de potência e a temperatura do motor subiu muito rápido.

– Não chegou a parar. Lembramos de acionar o instrumento de localização de emergência e optamos por fazer um pouso forçado. Ou fazíamos na selva ou no rio e a decisão da tripulação foi fazer no rio – disse Veiga. Após o pouso, o piloto contou que a tripulação fez uma rápida contagem das pessoas que estavam na água. – A aeronave flutuou pouco tempo, começou a afundar muito rápido.

Contamos dez pessoas que saíram, mas infelizmente o senhor João Abreu, da Funasa, não conseguiu sair. Não houve tempo de ajudar, porque tínhamos que ajudar as pessoas na água.

A tripulação, segundo o piloto, orientou as vítimas a nadarem para a margem do rio.

– Alguns sabiam nadar, mas outras que não sabiam. Nós tivemos de ajudar muitas pessoas – disse Veiga.

Após a primeira noite na selva, o grupo escutou o barulho da aeronave.

– Nesse momento, tínhamos certeza que seríamos resgatados.

Fizemos a sinalização com bolsas laranja, fumaça. A felicidade foi muito grande.

A Funasa confirmou ontem a realização um ato ecumênico de ação de graças em homenagem aos sobreviventes do acidente aéreo e uma missa solene em memória de João de Abreu Filho, funcionário do órgão, ambos marcados para amanhã em Tabatinga. Em nota, a fundação informou ainda que o corpo de Abreu Filho foi trasladado de Cruzeiro do Sul (AC) para Tabatinga, e que o enterro do técnico ocorreu ontem no município de Benjamin Constant (AM), onde ele morava. João de Abreu deixou duas filhas: Braene, de 10 anos, e Bruna, de 11.

Já o corpo do suboficial Marcelo dos Santos Dias, a outra vítima do acidente, chegou ontem à tarde na Base Aérea do Galeão, no Rio de Janeiro, e foi sepultado na capital fluminense. Segundo os sobreviventes, Dias foi fundamental para que a maioria dos ocupantes da aeronave sobrevivessem ao acidente.

– Marcelo saiu da poltrona, foi até a porta atrás, abriu a saída de emergência e ficou. Até todo mundo sair, ele aguentou – lembra o sobrevivente Marcelo Nápoles.

(Com agências)

'Motor não chegou a parar', diz piloto

Avião sofreu aquecimento e tripulação optou por pouso forçado
 
O Globo
 
BRASÍLIA. O piloto do avião Caravan C-98 da Força Aérea Brasileira (FAB) que caiu na quintafeira no Amazonas, matando duas pessoas, contou ontem que a aeronave perdeu potência e teve aquecimento de temperatura do motor, o que o fez optar pelo pouso forçado. O tenente Carlos Wagner Ottone Veiga disse ainda que, para evitar uma queda brusca na água, desligou o motor pouco antes do pouso. A FAB começou ontem o resgate da aeronave, que afundou no igarapé Jacurapá.
 
Segundo o piloto, os problemas começaram 50 minutos depois da decolagem, quando o avião voava a 3 mil metros de altitude. Ele disse que a temperatura do motor subiu rapidamente, mas ele permaneceu funcionando.
 
— Não chegou a parar. Lembramos de acionar o instrumento de localização de emergência e optamos por fazer um pouso forçado. Ou fazíamos na selva ou no rio, e a decisão da tripulação foi fazer no rio — contou Veiga, em entrevista concedida em Manaus.
 

Segundo o tenente, o avião afundou rapidamente no igarapé.

 
— A aeronave flutuou pouco tempo. Contamos dez pessoas que saíram, mas infelizmente o senhor João Abreu, da Funasa, não conseguiu sair. Não houve tempo de ajudar, porque tínhamos que ajudar as pessoas na água.
 
Após a contagem, a tripulação orientou os passageiros a nadar para a margem do rio.
 

— Alguns sabiam nadar, mas outros não sabiam.

 
Nós tivemos de ajudar muitas pessoas — disse o piloto.
 
Ainda segundo o tenente Veiga, os passageiros não tiveram contato com índios antes do resgate. Ele contou que o grupo se tranquilizou após a primeira noite na selva, quando escutou o barulho de uma aeronave.
 

Ontem pela manhã, um helicóptero levou 13 militares e equipamentos do Corpo de Bombeiros do Acre para a clareira aberta no local do acidente. Hoje, 17 militares devem desembarcar na área para desmontar os destroços do avião. Em comunicado, a FAB informou que o Centro de Investigação e Prevenção de Acidentes Aeronáuticos (Cenipa) não tem prazo para apresentar seu relatório sobre o acidente.

29 Outubro 2009

Brasil deve fabricar avião supersônico para defesa, afirma Marcelo

Jonral da Câmara
 
O presidente da Frente Parlamentar em Defesa da Indústria Aeronáutica Brasileira, deputado Marcelo Ortiz (PV-SP), defendeu a fabricação, pelo Brasil, de aviões supersônicos de guerra ou de defesa. Segundo ele, apesar de o País não ser beligerante, deve ter meios para defender sua soberania, caso isso seja necessário.
 
"Precisamos ter nossa defesa para que, quem queira, numa hipótese, prejudicar a nossa soberania, saiba que o País não se quedará inerte e terá condições de rebater aos ataques que venham a ser proferidos", destacou.

O parlamentar apresentou restrições à compra desse tipo de aeronave de outros países, mesmo que haja transferência de tecnologia. Em sua opinião, o domínio sobre o avião por parte do Brasil deve ser "completo e absoluto". "Não podemos passar - e não estou colocando em dúvida as empresas que estão oferecendo os aviões para venda - pelo que passou a Argentina, que tinha um instrumental para a sua defesa, fabricado pela França e Inglaterra. Na chamada Guerra das Malvinas, não pôde usar o seu aparelhamento bélico: o primeiro que usou acabou explodindo, porque se chocou contra um navio", contou.

Marcelo Ortiz explicou que nenhuma empresa fabrica aviões - e sim os monta. Ele disse que, com base em um projeto, compra-se, por exemplo, o trem de pouso de uma companhia e as turbinas, de outra. Ao afirmar que empresas como Avibras e Mectrib fabricam o armamento necessário para os aviões supersônicos atuarem na defesa do Brasil, declarou que há, no País, "pessoas capazes, que poderão, de uma forma precisa, com resultado positivo, dar ao Brasil aquilo de que necessita". Ele ainda citou a empresa Eleb, que atua no País, formada pela união da Liebherr, companhia alemã radicada no Brasil há 40 anos, e da Embraer. Elas fabricam trem de pouso de avião, exportando-o para vários países.

DCA-BR busca diversificar clientela

Virgínia Silveira, para o Valor, de São José dos Campos

A DCA-BR, única organização brasileira com expertise em certificação Aeronáutica, está investindo no desenvolvimento de novos negócios nas áreas de qualidade, segurança de voo, manutenção e proteção ambiental no setor aeroespacial, para diversificar a sua carteira de clientes.

Nesse sentido, acaba de fechar um contrato com a Gol, para prestar consultoria sobre os procedimentos exigidos na aprovação do uso de equipamentos eletrônicos portáteis (celulares e computadores) a bordo de aeronaves.

Outra área em que a DCA-BR vem intensificando as suas ações é a de certificação militar. A organização fechou um termo de parceria com o Instituto de Fomento e Coordenação Industrial (IFI), vinculado ao Departamento de Ciência e Tecnologia Aeroespacial (DCTA) da Aeronáutica, para prestar consultoria na área de certificação espacial e de defesa. Segundo o diretor geral da DCA-BR, Jolan Eduardo Berquó, o processo de certificação da aeronave Super Tucano, que a Embraer exportou para a Colômbia, também contou com a participação da consultoria.

Ainda na área militar, o diretor destaca um contrato recente envolvendo a aeronave Bandeirante, que a Força Aérea Brasileira (FAB) está modernizando. "A empresa Akaer subcontratou a DCA-BR para orientar o projeto de certificação das modificações que serão incorporadas à parte elétrica e estrutural do avião", explica Berquó.

A DCA-BR foi criada há três anos por ex-funcionários da Embraer e do DCTA para assessorar a Agência Nacional de Aviação Civil (Anac) no trabalho de certificação civil, que antes era feito pelo IFI. O contrato com a Anac, segundo o consultor de Novos Negócios da DCA-BR, Heitor Fernandes Serra, que inclui o treinamento de funcionários, é de cinco anos, mas pode ser renovado por mais cinco. "Já fornecemos mais de 263 consultorias e 5 mil horas/aula de treinamento e formação de pessoal para a Anac".

A DCA-BR (Organização Brasileira para o Desenvolvimento da Certificação Aeronáutica) é uma associação civil de direito privado e sem fins lucrativos. As atividades que desenvolve para a Anac respondem hoje por 90% de sua receita, que foi de R$ 8 milhões em 2008. "A meta é que em até dois anos 50% do faturamento venha de contratos privados e de outros termos de parcerias com órgãos públicos como o DCTA e o Ministério da Defesa", ressalta Serra.

A DCA-BR possui 45 funcionários, sendo 30 engenheiros, inspetores e instrutores, a maioria excolaboradores da Embraer e do IFI, com mais de 20 anos de experiência em certificação. Atualmente, todos os aviões da Embraer são certificados pela Anac, que tem acordo com órgãos internacionais, como agência federal de aviação dos EUA e a EASA (European Aviation Safety Agency), na Europa, para validar a certificação feita no Brasil em outros países.

Exército desconfia de americanos na Amazônia

CLAUDIA ANTUNES

DA ENVIADA A CAXAMBU - FOLHA DE S.PAULO

A hipótese de que a soberania da Amazônia esteja em risco, principalmente pela cobiça dos "grandes do mundo" (ou as potências mais ricas), está incorporada à doutrina do Exército brasileiro e o faz desconfiar tanto da movimentação americana na vizinha Colômbia quanto de atividades dos indígenas da região.

Essa é uma das conclusões que podem ser tiradas da reunião do Grupo de Trabalho sobre Forças Armadas, Estado e Sociedade, no primeiro dia do encontro anual da Anpocs (Associação Nacional de Pós-Graduação e Pesquisa em Ciências Sociais), em Caxambu (MG).

Ao comentar o trabalho de José Pimenta, da UnB, sobre as relações dos indígenas ashaninka com as autoridades e militares no Acre, o especialista Celso Castro, da FGV do Rio, disse que o simbolismo da Amazônia substituiu, para o Exército, a estratégia de segurança nacional da Guerra Fria.

Ele contou que várias vezes, em conversas com oficiais baseados nos Estados do Norte, ouviu menção ao fato de que as forças militares americanas "já estão na Amazônia", uma referência ao Plano Colômbia de combate ao narcotráfico e à guerrilha, iniciado em 2002 e que passa agora a uma nova fase, com o acordo a ser firmado para o uso, pelos EUA, de bases colombianas.

A "estratégia de resistência" montada pelos militares para o caso de ameaça à região, exemplificou Castro, cita líderes militares antípodas na época do anticomunismo, como o vietnamita Ho Chi Min, mentor da derrota dos colonialistas franceses, nos anos 50.

No mesmo grupo, Thiago Moreira de Souza Rodrigues, da UFF (Universidade Federal Fluminense), apresentou pesquisa em curso sobre o paradoxo que a chamada "guerra às drogas" representa para os militares brasileiros.

Na Constituição, o tráfico aparece como problema de segurança pública e a atribuição de combatê-lo é da Polícia Federal. Mas a face transnacional da atividade criminosa significa que, nas atividades de patrulhamento das fronteiras, os militares frequentemente são confrontados com ela.

Até agora, disse Rodrigues, as Forças Armadas têm se oposto ao envolvimento nesse combate - ao contrário do que aconteceu nos países vizinhos.

Já o trabalho de Pimenta mostrou que, ao contrário da retórica militar predominante de que os indígenas seriam uma ameaça à soberania das fronteiras amazônicas, o caso dos ashaninka mostra que eles, frequentemente, atuam como guardiães da área. A etnia teve papel fundamental em chamar a atenção para a invasão do território do Acre por madeireiros peruanos.

"Defesa é ter a capacidade de dizer 'não' quando necessário"

Javier Lafuente - El País
Em Madri

O ministro da Justiça sob o presidente Fernando Henrique Cardoso, Nelson Jobim (nascido em Santa Maria, RS, em 1946) é o atual titular da Defesa e um dos mais estreitos colaboradores do presidente brasileiro, Luiz Inácio Lula da Silva.

El País: Existe uma corrida armamentista na região?

Nelson Jobim: Não, o que há é uma recuperação do tempo perdido. O único conflito que há na América do Sul é o da Colômbia, com as Farc [a maior guerrilha colombiana]. O resto é uma necessidade de defender os recursos que se tem. É preciso compreender que a América do Sul tem a melhor capacidade energética da América Latina em hidrocarbonetos e energias alternativas. Pensamos que hoje ter uma boa defesa é ter a capacidade de dizer não quando é necessário dizer não.

El País: De quê o Brasil precisa se defender?

Jobim: O Brasil não tem nenhum problema. Não tem inimigos. Mas existe a percepção de que precisamos ter a capacidade de defender todas as nossas infra-estruturas sensíveis, todas as nossas necessidades. Também a Amazônia. Há uma percepção internacional muito falsa. O Brasil vai cuidar da Amazônia para o Brasil e para todo o mundo, mas o Brasil vai cuidar dela. Esse é um assunto nosso, e não do mundo.

El País: Para quê o Brasil precisa de um submarino nuclear?

Jobim: Trata-se de um submarino de propulsão nuclear, e não de ataque. A plataforma continental brasileira abrange 4,5 milhões de quilômetros quadrados. A grande riqueza brasileira está a 160 milhas do litoral. Há necessidade de resguardar esses recursos.

El País: Enquanto vocês negociam com a França, a Venezuela flerta com o Irã. Que risco há de que ocorra uma nuclearização da região?

Jobim: Nenhum. Nós dominamos a tecnologia do enriquecimento de urânio há muito tempo. O uso do Brasil é para fins pacíficos. Devemos ser um dos poucos países que têm na Constituição uma norma que proíbe ter armas nucleares. O acordo com os franceses é com a parte não nuclear do submarino de propulsão nuclear. O reator e o combustível são brasileiros.

El País: Mas lhes preocupa um eventual plano venezuelano para desenvolver armas nucleares?

Jobim: Não, não creio que a Venezuela vá desenvolver nenhum tipo de arma nuclear. A América do Sul é uma região de paz, que tem seus conflitos políticos, mas não é como a Europa ou o Oriente Médio, onde há uma tradição de guerras.

El País: Serão tratados assuntos de cooperação nuclear na próxima visita de Mahmud Ahmadinejad ao Brasil, no final de novembro?

Jobim: Se o presidente Ahmadinejad tratar com o presidente Lula de temas nucleares será com fins pacíficos e não militares. Não há qualquer possibilidade de qualquer tipo de desenvolvimento, pesquisas ou estudos no sentido militar, somente da propulsão. Para armas nucleares, não. Impossível.

El País: Depois do surto de violência nas favelas do Rio de Janeiro, estão pensando em enviar militares?

Jobim: Não, não é o momento. A polícia tem a possibilidade de controlar isso. Se o governador tiver necessidade em algum momento, o exército poderá participar. Não é algo que se deva descartar, mas neste momento não há necessidade. A queda do helicóptero é um caso isolado. Mas se for necessário as Forças Armadas brasileiras têm a capacidade de atuar em ambiente urbano para manter a ordem. A partir de agora vamos ter notícias desse tipo o tempo todo, principalmente daqueles que não queriam que o Rio fosse a sede dos Jogos Olímpicos.

El País: Qual a sua opinião sobre os crescentes gastos da Venezuela em armamentos?

Jobim: Esse é um assunto da Venezuela. Nós não podemos lhes dizer o que devem fazer. A Venezuela deve decidir seu próprio caminho. O presidente Chávez tem a legitimidade democrática, porque foi eleito para isso, para tomar decisões. Eu não creio que a posição do presidente Chávez seja para atacar ou agredir alguém.

El País: Então não lhes incomoda que a Venezuela compre cada vez mais armamentos?

Jobim: Não, absolutamente. As relações do presidente Chávez com o Brasil são muito boas. Há questões como a Alba, a questão bolivariana, da qual não participamos, mas isso é um direito deles.

El País: Existe a necessidade de reconhecer que a multipolaridade é uma realidade?

Jobim: Quando se derrubou o Muro de Berlim havia uma unipolaridade; depois o governo Bush confundiu a guerra com as cruzadas medievais e não compreendeu que havia uma multipolaridade. A gestão dos EUA com a América do Sul passa por um problema: seu tratamento do povo cubano. Toda a sua política de embargo a Cuba gerou três coisas: um país muito pobre, um povo muito orgulhoso e a grande desconfiança da América do Sul. A visão que se tem dos EUA na América do Sul é condicionada por Cuba.

El País: Em questão de um ano os EUA instauraram a Quarta Frota; depois o assunto das bases na Colômbia. Que riscos tem para o Brasil a presença militar norte-americana na América do Sul?

Jobim: A presença militar dos EUA é muito antiga. Primeiro estiveram em Manta, no Equador. Agora na Colômbia, para apoio logístico na luta contra o narcotráfico e as Farc, não para atacar outra parte. Para nós não há nenhum problema. Com a Quarta Frota se fez muito barulho. Mas agora está consolidada mais como um fator administrativo interno dos EUA. Mesmo assim, se eles decidirem instaurar uma frota é um assunto deles. É como se o Brasil decidisse incrementar substancialmente sua presença militar na Amazônia; é uma questão brasileira e eu não teria de perguntar aos EUA.

Tradução: Luiz Roberto Mendes Gonçalves - Folha de S.Paulo

Papel das Forças Armadas divide cientistas políticos

Divergência é sobre como o Brasil deve exercer sua liderança na América do Sul

Maiá Menezes* Enviada especial - O Globo

CAXAMBU (MG). Discussões sobre o papel das Forças Armadas no país e as implicações da liderança do Brasil na América do Sul esquentaram ontem os debates entre intelectuais reunidos no 33o Encontro anual da Associação Nacional de Pós-Graduação e Pesquisa em Ciências Sociais (Anpocs), em Caxambu.

Para a cientista política Maria Celina D'Araújo, da PUC-RJ, o Brasil precisa primeiro arrumar a casa para, depois, exercer esse protagonismo local. Segundo ela, há um "mantra" que cobra o exercício dessa liderança: — É uma visão de Brasil que acaba relegando os problemas internos. Isso me incomoda: o Brasil tem que exercitar sua liderança, e a educação continua a mesma coisa, as pessoas estão morrendo nas filas dos hospitais... O país pode liderar uma região se ele não é capaz de tratar bem seu povo? Do ponto de vista estratégico, o Brasil, segundo a pesquisadora, vem se equiparando, nas escolhas feitas pelos planos de Defesa, à Venezuela e à Bolívia. E se distanciando de modelos mais modernos, como o do Chile.

Apesar de frisar que o país ainda não chegou à situação já vivida nos países andinos, onde as Forças Armadas estão sendo usadas para "projetos políticos", ela disse considerar preocupante que o país mantenha na Estratégia Nacional de Defesa o conceito da instituição como "berço da cidadania", como se estivesse pronta para um ataque inimigo.

A cientista social Maria Regina Soares Lima, do Iuperj, defendeu que o papel de liderança do Brasil é inevitável, mas que pode ser exercido de forma coercitiva ou cooperativa. Usou números para atestar o crescimento do país na região: de 1980 a 1984, o PIB argentino era 27% do da América do Sul e o brasileiro, 34%. Hoje, o argentino corresponde a 11% e o brasileiro, a 50%.

— Certamente, a América do Sul sempre será pequena para o tamanho da economia brasileira — avalia a pesquisadora.

O cientista político Tullo Vigevani, da Unesp, diz que o papel brasileiro é fundamental neste momento da América do Sul: — Há uma mudança de atitude da sociedade sul-americana em relação ao Brasil. Isso já vinha se desenvolvendo no governo Fernando Henrique. Hoje, a exigência em relação ao Brasil é que se torne um líder. Ainda que (a exigência) tenha contradições e se manifeste na forma de luta contra o imperialismo brasileiro, caso da Bolívia, do Paraguai

28 Outubro 2009

Pista contribuiu em acidente da TAM, diz FAB

Relatório final aponta falta de área de escape em Congonhas e treinamento insuficiente de pilotos; posição de manete é fator decisivo; documento será agora apresentado às famílias das vítimas; TAM e Infraero dizem que só se manifestam após divulgação do texto

DA SUCURSAL DE BRASÍLIA - FOLHA DE S.PAULO

O relatório final da Aeronáutica sobre o voo 3054 da TAM aponta a falta de área de escape na pista de Congonhas, em São Paulo, e o treinamento insuficiente dado aos pilotos para situações de risco como fatores contribuintes para o acidente.

A posição incorreta do manete direito (alavanca que controla a potência da turbina direita) é o fator decisivo, de acordo com o texto, que, no entanto, é inconclusivo quanto às razões desse erro. Após cruzar a pista durante o pouso, o Airbus colidiu com um prédio vizinho a Congonhas, matando 199 pessoas em 17 de julho de 2007.

O documento foi aprovado ontem pelo comandante da Aeronáutica, brigadeiro Juniti Saito, referendando a investigação que não foi capaz de determinar se uma falha humana ou mecânica está por trás da maior tragédia da aviação brasileira.

Nos próximos dias, o relatório será apresentado aos familiares das vítimas do acidente e, posteriormente, à imprensa.

O texto final foi fechado ontem numa reunião que durou cerca de seis horas na sede do CENIPA (Centro de Investigação e Prevenção de Acidentes Aeronáuticos) e enviado em seguida ao comandante Saito, que o aprovou.

Anexos

O relatório poderá ganhar anexos caso haja contestação de entidades públicas ou privadas alvos da investigação. E a tendência é que isso aconteça.

A Infraero, empresa estatal responsável por Congonhas, e a TAM, que forneceu o treinamento para os pilotos Kleyber Lima e Henrique Stefanini di Sacco, informaram que só se pronunciarão depois da divulgação do relatório da FAB.

Ambas tinham representantes na reunião no CENIPA.

Dúvida

Os dados da caixa-preta do Airbus da TAM mostraram que o manete direito estava na posição "climb" (de aceleração), quando deveria estar em "idle" (ponto morto). Por conta disso, o computador interno recebeu o comando para acelerar, em vez da ordem para parar, quando o jato pousou na pista úmida do aeroporto -chovia no momento da aterrissagem.

A dúvida que jamais será desfeita é se isso aconteceu porque o piloto esqueceu ou colocou o manete na posição errada ou se o computador de bordo fez a leitura errada do comando. A confirmação de que é impossível uma conclusão veio de exame feito na França nos manetes achados nos destroços.

A primeira hipótese, de falha humana, é mais provável porque são raros os relatos de falha desse equipamento e porque o reverso direito (sistema auxiliar de frenagem) estava com problemas, o que pode ter confundido o piloto.

Mas os investigadores não conseguiram colher dados e provas técnicas que comprovassem essa possibilidade e decidiram deixar inconclusiva essa parte do relatório.

A mesma dificuldade foi encontrada pela Polícia Federal, que, em seu inquérito, não apontou responsáveis pelo acidente -como se trata de uma investigação aeronáutica, que serve como prevenção, o relatório da FAB não tem como objetivo indicar culpados.

A Polícia Civil de São Paulo também investigou o caso, indicando como responsáveis 11 pessoas, entre dirigentes de TAM, Infraero e Anac (Agência Nacional de Aviação Civil). O processo ainda não acabou.

Participaram da reunião final ontem em Brasília a cúpula do CENIPA, representantes da Airbus, da Anac, do Snea (Sindicato Nacional das Empresas Aeroviárias) e do BEA (Escritório de Investigação e Análise), órgão do governo francês.

Militares da FAB participam de exercício multinacional no deserto do Atacama

CECOMSAER

Três militares da Força Aérea Brasileira participam do Exercício Multinacional de Operações Especiais Estrela Austral, entre os dias 19 e 28 de outubro, na região de Copiapó, município localizado no deserto do Atacama, ao norte do Chile.

Além dos militares da FAB, outros dois da Brigada de Forças Especiais do Exército e quatro do Batalhão de Operações Especiais de Fuzileiros Navais da Marinha, também representam o Brasil no exercício.

O Estrela Austral tem como objetivo principal treinar uma força de operacões especiais multinacional em apoio a uma missão de imposição de paz legalmente estabelecida pela Organização das Nações Unidas. Realizado em um cenário fictício que engloba extensa área do deserto do Atacama, aviões, helicópteros, embarcações, carros de combate e um total de 800 homens e mulheres do Brasil, Chile, Estados Unidos, Paraguai e Uruguai desenvolvem ações planejadas por um Estado-Maior com o objetivo de estabelecer a estabilidade política na região.

Os militares da FAB, do efetivo do Centro de Comununicação Social da Aeronáutica, estão inseridos na estrutura do Estado-Maior do Comando Combinado e Conjunto do exercício e planejam ações relacionadas com informações públicas e acões cívico-social.

Encerramento da Operação Carranca I – união e reconhecimento

CECOMSAER
 
Depois de duas semanas de exercícios, a Operação Carranca I encerrou ontem as suas atividades. Por 12 dias, unidades de coordenação e execução da Busca e Salvamento brasileira se reuniram na Base Aérea de Florianópolis (BAFL) para aprimorarem e refletirem sobre suas ações.

Após homenagens mútuas entre o DECEA (DSAR e Salvaeros) e FAe II (Esquadrões Phoenix e Pelicano), além da BAFL, o Coronel Aviador Luiz Cláudio Ribeiro, chefe do Subdepartamento de Operações do DECEA, prestou uma homenagem ao patrono da Operação Carranca I, Dr. Carlos Alberto. À sua esposa, Suzie Mara Ferreira, disse: "pude ver claramente o quanto ele era querido e admirado pela família SAR. Nada mais justo dar o seu codinome à Operação  'Carranca', como forma de agradecimento e reconhecimento pelo trabalho e dedicação à Busca e Salvamento".

Logo em seguida, foram apresentadas as lições aprendidas com os exercícios. A Marinha do Brasil expôs suas observações, através do Primeiro Tenente Silva Lopes, chefe de operações do navio Tritão, que participou da Operação Carranca I, e do Capitão Tenente Wagner Pinto Alves, que atuou como observador.

Na área de execução aérea, o Major Potiguara observou o que precisava ser aprimorado.  Disse que tudo o que foi visto serve para avanço da Busca e Salvamento.. Entre outras observações, citou a organização de processos e métodos, evitando, assim a correria na operação. "Não estamos perdendo tempo com isso, mas sim ganhando tempo", justificou.

O chefe da Divisão de Busca e Salvamento do DECEA (D-SAR), Major Silvio, fez o encerramento da reunião e,  muito  emocionado, afirmou que  o resultado do exercício não poderia ter sido mais positivo: "Fiquei muito satisfeito ao perceber que houve uma grande  integração entre os Salvaeros e as Unidades Aéreas, todos aprenderam juntos".

Em seguida, os participantes celebraram o encerramento do evento com um churrasco no "Recanto da Phoenix", BAFL, esperançosos de uma nova edição da Operação, em local ainda a ser definido.

A todos os que participaram, uma boa volta para casa e até a Operaçao Carranca II.

27 Outubro 2009

Chile sedia exercício militar com participação da FAB



O exercício aéreo Salitre II teve início no norte do Chile, com a participação de mais de 400 soldados das forças aéreas de Argentina, Brasil, Estados Unidos e França, além de 1.400 oficiais chilenos. Salitre II, que terminará no dia 30 de outubro, simulará uma coalizão internacional, sob mandato das Nações Unidas, realizando operações combinadas para obrigar um país que violou as normas internacionais a respeitar a regulação, segundo a Força Aérea do Chile (FACH), em seu site. Algumas autoridades peruanas interpretaram o exercício como uma alusão à situação criada pelo processo que o Peru apresentou no Tribunal de Haia em busca de uma modificação de sua fronteira marítima com o Chile. O Peru chegou a solicitar a suspensão do exercício e lançou a ideia de um pacto regional de não-agressão, o que originou novos atritos com o Chile.

França quer garantir Rafale

Helicópteros russos MI-35 comprados pela Força Aérea Brasileira, deverão operar na Amazônia até o final do ano

 




Os franceses estão longe de se acomodar com a preferência explícita do presidente Luiz Inácio Lula da Silva e do ministro da Defesa, Nelson Jobim, pelo caça Rafale.

Com o objetivo de confirmar o favoritismo das bolsas de apostas, a Dassault decidiu bancar a construção do KC-390, um cargueiro projetado pela Embraer.

A empresa pretende equipar a aeronave militar com a produção do caixão de asas de sistemas de comando de vôo digitais.

Além disso, o presidente Nicolas Sarkozy já se comprometeu com a aquisição de até 15 unidades.

Também reforçou a proposta de se construir 30 unidades do caça no Brasil. O governo deve adquirir 36 unidades.

Confirmada a escolha e sacramentado o contrato, a Embraer participará do projeto que poderá gerar até três mil empregos.

A construção das seis primeiras unidades seria na França a partir de 2013. Depois, a linha de produção é transferida para o Brasil.

O índice de nacionalização do avião poderá chegar a 50%, asseguram os franceses.

A Dassault voltou a afirmar que não haverá restrições quanto a transferência de tecnologia sensíveis.

Enquanto isso, os políticos franceses advogam pelo Rafale.

Numa audiência no Palácio do Planalto, o presidente do legislativo da França, Bernard Accoyer, fez lobby do modelo fabricado pela Dassault.

Ao presidente Lula, afirmou que a França tem interesse numa aliança estratégica com o Brasil que vai muito além da transferência de tecnologia do Rafale.

Desta vez Lula preferiu a prudência. Explicou que há um processo de escolha em andamento e que a decisão será tomada após o exame técnico realizado pela Força Aérea Brasileira (FAB), embora a última palavra seja política.

A França também é o único dos cinco membros permanentes do Conselho de Segurança das Nações Unidas que apóiam o ingresso do Brasil no órgão.

Amazônia

Helicópteros russos MI-35 comprados pela Força Aérea Brasileira, deverão operar na Amazônia até o final do ano. Pelo menos três aeronaves serão destacadas para a Base Aérea de Porto Velho (RO).

O Brasil adquiriu 12 unidades. O MI-35 é o mesmo utilizado pela Venezuela.

Além dos helicópteros de ataque, a FAB deverá criar uma unidade de caça na região.

No final do próximo ano, seis jatos F-5 que foram modernizados pela Embraer serão transferidos de Natal (RN) para Manaus (AM).

Também o próximo caça a ser adquirido pela FAB terá unidades na Amazônia.

Por sua vez, o Exército deverá inaugurar 28 pelotões de fronteira, inclusive em reservas indígenas e áreas de proteção ambiental.

Atualmente, são 23 os pelotões de fronteira.

A Marinha, por sua vez, terá uma segunda esquadra na região, na foz do rio Amazonas. Capitanias de portos serão criadas para ampliar o patrulhamento.

Reaparelhamento: Marinha reúne indústria de Defesa






Nesta segunda-feira, 26, o Comando da Marinha reúne 18 setores da indústria para discutir o seu programa de reaparelhamento.

O encontro tem o apoio da Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp), através do Comitê da Indústria de Defesa (Comdefesa).

A Marinha vai apresentar aos industriais do setor de Defesa os equipamentos estratégicos e operacionais que serão necessários para seu projeto de modernização e reaparelhamento.

O Almirante Júlio de Moura Neto, Comandante da Marinha, fará uma exposição aos empresários onde explicará os objetivos de longo prazo da Marinha.

“Nunca houve essa integração entre o setor produtivo e as Forças”, afirmou o diretor do Comdefesa, Jairo Cândido.

Na sua avaliação, com o encontro, os industriais poderão se adequar às necessidades e exigências da Marinha para se tornarem possíveis fornecedores.

“Há uma série de produtos que a indústria brasileira tem condições de participar do processo de fabricação, como helicópteros, navios, sistemas de defesa, radares etc.”, completou.

Além disso, as indústrias poderão atender às necessidades de material comum, como roupas, calçados, alimentos e materiais de saúde.

“Os empresários terão contato com os responsáveis pelos centros de compras da Marinha do Brasil e participarão de rodadas de negócios”, acrescentou Cândido.

Além disso, o evento deverá promover melhores práticas para as licitações e ampliação da participação das indústrias nacionais no fornecimento à Marinha.

Brasil e Chile têm acordo de cooperação em Defesa






A Comissão de Relações Exteriores e Defesa Nacional, do Senado Federal, aprovou o acordo de cooperação em matéria de Defesa, firmado entre Brasil e Chile em 2007.

O texto prevê a cooperação, com ênfase nas áreas de investigação e desenvolvimento, apoio logístico, aquisição e obtenção de equipamentos e serviços de defesa.

Também deverão ser implementados os intercâmbios operacionais e ampliadas as atividades combinadas de instrução, treinamento e exercícios.

Um capítulo especial diz que os dois países pretendem intensificar o intercâmbio e a capacitação na área de Operações de Paz.

A cooperação incluirá visitas mútuas de delegações de alto nível, intercâmbio entre as instituições de ensino e pesquisas em defesa, visitas de navios e aeronaves militares, implementação de programas e projetos de aplicação de tecnologias de defesa, com a participação de entidades militares e civis de interesse estratégico.


Operação Salitre

Até o próximo dia 30, as forças aéreas da Argentina, Brasil, Chile, Estados Unidos e França, participam da Operação Salitre II, no Chile. Cerca de dois mil militares estão envolvidos nos exercícios.

Observadores da Bolívia, Equador, Paraguai e Venezuela também participam.

De acordo com informações da Força Aérea do Chile, as manobras contribuem com o fortalecimento da confiança regional e o aprimoramento das ações combinadas, principalmente em relação às operações de paz.

Participam dos exercícios, caças F-15, jatos de ataque A1, da FAB, Mirage 2000C, da França, A4 Skyhawk, da Argentina, F-16 AM, F-16C e F-5E, do Chile.

Trato EUA-Colômbia seguirá normas da ONU


Acordo militar cita resoluções sobre terrorismo e não intervenção para tentar responder a críticas de Brasil e região, diz revista

Uribe faz análise final de texto que dará imunidade a militares americanos no país; órgão oficial sugere que tema passe por Senado



DA REDAÇÃO

O governo da Colômbia informou ontem que faz a análise final do acordo que dará aos EUA acesso a instalações militares no país. O texto já passou pelo órgão consultivo jurídico máximo colombiano, que recomendou que ele seja submetido ao Senado.

A declaração do governo Álvaro Uribe se seguiu à divulgação, pela revista colombiana "Cambio", de supostos trechos do acordo - que enfrenta resistência na região, da oposição enérgica dos vizinhos esquerdistas Venezuela e Equador à cobrança de explicações dos moderados Brasil e Chile.

Bogotá não contestou o teor da reportagem ontem.

De acordo com a "Cambio", o texto final se refere à Resolução 1.373 de 2001 do Conselho de Segurança da ONU (Organização das Nações Unidas), sobre terrorismo, e à Convenção da ONU de Combate ao Crime Organizado (2000).

A inclusão de instrumentos do direito internacional foi feita a pedido da Colômbia, diz a revista, para tentar dissipar as desconfianças regionais provocadas pelo acordo com os EUA.

O Brasil cobrou da Colômbia garantias de que as bases só serão usadas para ações no território colombiano. A exigência foi repetida nesta semana pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva, que recebeu Uribe em São Paulo. Lula disse querer ver o acordo por escrito.


A resolução citada sobre terrorismo, pós-11 de Setembro, fala do direito de autodefesa e da obrigação de os Estados cooperarem no combate ao problema. Determina ainda que os Estados devem evitar qualquer tipo de suporte - indireto inclusive - a terroristas.

Já a convenção anticrime organizado explicita que a legislação não permite qualquer ação que viole a soberania nem a integridade territorial dos países.

Esse ponto é importante, especialmente, por conta do ataque colombiano a uma base das Farc (Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia) no Equador, em março de 2008.

O ataque foi condenado pelos países da região, mas apoiado pelos EUA de George W. Bush, cuja doutrina pregava a "guerra preventiva" e o direito de caçar terroristas onde estivessem. À diferença da Colômbia e dos EUA, os países da região não consideram as Farc uma organização terrorista.

Para contribuir com o clima de desconfiança, integrantes do governo Uribe ora defendem a legitimidade do ataque ao Equador, ora sugerem que a ação não vai mais se repetir. Bogotá e Quito ainda negociam a retomada das relações diplomáticas, rompidas desde então.

O uso das bases e o tipo de presença militar previsto pelo acordo - também motivo de desconfiança, inclusive do Brasil - não está claro, a julgar pelo material da revista. EUA e Colômbia já disseram que os colombianos terão de aprovar as operações conjuntas.

Imunidade e impunidade

O acordo militar mantém um ponto que provoca duras críticas internas ao governo Uribe: a imunidade diplomática para o staff americano no país -segundo o já divulgado, os EUA poderão manter até 800 pessoas, entre militares e terceirizados, na Colômbia, mantendo o limite que vigora atualmente.

Dessa maneira, soldados que cometam supostos delitos na Colômbia continuarão ser julgados nos EUA - à diferença da revista e de documentos anteriores dos EUA, o chanceler Jaime Bermúdez disse que a imunidade não abrange contratados pelo Pentágono e que a regra segue a Convenção de Viena adotada pelo país.

Há várias denúncias contra integrantes do staff americano no país -inclusive a de que militares teriam violado uma menor de idade há três anos.

Segundo a revista "Cambio", não há investigação em curso do caso nos EUA. Bermúdez disse ontem à imprensa que os EUA "não puderam avançar" no tema por falta de provas.
Argumentou que, pelo texto do novo acordo, o país terá direito de acompanhar eventuais processos na Justiça dos EUA.

A reportagem afirma que o Conselho de Estado, o órgão de consulta jurídica administrativa da Colômbia, recomendou, preliminarmente, que o acordo seja submetido ao Senado.

Até agora, o governo Uribe repetia que, por se tratar de uma atualização, o texto não precisava do trâmite.

O artigo 173 da Carta colombiana diz que é prerrogativa do Senado aprovar o "trânsito de tropas estrangeiras" - e a passagem de navios e aviões de guerra dos EUA pelas bases se enquadraria na norma.

Justiça manda Aeronáutica aceitar baixinhos


Decisão vale para concurso para sargento que vetava candidatos casados e com menos de 1,60 m, para homens, e 1,55 m, para mulheres

Para Ministério Público Federal, são medidas ilegais e discriminatórias; Aeronáutica diz que reabrirá inscrições, mas recorrerá da liminar



ROBERTO MADUREIRA

A Justiça Federal em Goiás ordenou que a Aeronáutica reabra inscrições de seleção para sargento para aceitar candidatos casados e de baixa estatura.

O veto a candidatos casados e com menos de 1,60 m, no caso de homens, e 1,55 m, para mulheres, é praxe nas seleções da Aeronáutica. Para o Ministério Público Federal, que contestou o critério após alertado por um candidato de Anápolis, são medidas ilegais e discriminatórias.

Na ação, a Procuradoria recomendou à Justiça que proíba definitivamente a restrição física ou de estado civil em concursos da Aeronáutica. Esta decisão só deve sair no julgamento definitivo da ação - a que mandou reabrir as inscrições tem caráter liminar (provisório).

"Pelo que consta em edital, não há nenhuma função discriminada que não pode ser exercida por mulher ou homem baixo ou casado. Não vejo fundamento do ponto de vista da Constituição", disse Aílton Benedito de Souza, procurador dos Direitos do Cidadão.

Segundo o edital, os aprovados serão capacitados para funções de cartografia, controle de tráfego aéreo, mecânica de aeronaves, desenho e técnico de comunicações, entre outras.

A Folha apurou que as restrições de estatura são baseadas em testes físicos que os militares têm de passar antes de assumirem funções. Atividades como manuseio de armas de grosso calibre e carregamento de mochilas com até 40 kg, por exemplo, seriam incompatíveis com o baixo porte.

Já o veto a casados decorre da possibilidade de o trabalho demandar longos períodos longe da cidade em que vivem.

A decisão é válida para concurso que selecionará cerca de 180 alunos para o Curso de Formação de Sargentos, cujo edital, válido para todo o país, foi publicado em 2 de setembro. As inscrições haviam se encerrado no último dia 7.

Em nota, a Aeronáutica informou que cumprirá imediatamente a decisão da Justiça, mas já acionou a AGU (Advocacia Geral da União) para recorrer da liminar.

Disse ainda vai iniciar a elaboração de novo edital para que as inscrições sejam reabertas. Quem já se inscreveu não precisará repetir o processo.

"As medidas administrativas decorrentes estão sendo preparadas para que ninguém fique no prejuízo. Ao longo das próximas horas vamos nos adequar ao novo cenário", afirmou o tenente-coronel Henry Wender, chefe da Divisão de Relacionamento com a Imprensa.

A Aeronáutica não soube informar quantas pessoas já estão inscritas para o processo. As provas teóricas seriam em meados de novembro.

FRASE

"Pelo que consta em edital, não há nenhuma função discriminada que não pode ser exercida pormulher ou homem baixo ou casado. Não vejo fundamento do ponto de vista da Constituição"

AÍLTON BENEDITO DE SOUZA - Procurador dos Direitos do Cidadão

21 Outubro 2009

Soldados do futuro

Exército lança mão da nanotecnologia para modernizar corporação
 


Sionei Ricardo Leão 

Na busca por desenvolver o equipamento do soldado do futuro, o Exército Brasileiro decidiu priorizar investimentos na área de nanotecnologia. Nos planos da instituição, com esse conhecimento, será possível planejar uniformes, armamentos e veículos operacionais adequados aos desafios da modernidade. "Também queremos materiais de uso dual (civil e militar)", declara o coronel Rogério Gomes da Costa, do Centro de Estudos e Formulação Estratégica do Exército.

O próximo passo será dado no fim deste mês, em Brasília, quando cerca de 200 especialistas de seis países virão para discutir a interação entre nanotecnologia e defesa. Para o encontro foram convidados pesquisadores da China, Estados Unidos da América, França, Reino Unido, Índia e Israel.

"Essas são as nações de ponta nesse assunto", argumenta Rogério da Costa. Somente os EUA investiram cerca de US$ 10 bilhões nessa área nos últimos oito anos. Estimativas demonstram que os gastos até 2015 devem chegar a US$ 1 trilhão anuais.

O conceito de nanotecnologia ou nanociência foi criado na década de 1970, no Japão. Em linhas gerais, diz respeito a inovações voltadas para controlar fenômenos e materiais em escala nanométrica.

Isso inclui estudos de átomos, moléculas ou macromoléculas, especialmente a manipulação, combinação e integração, para criar e utilizar estruturas, dispositivos e sistemas que tenham propriedades e funções únicas devido ao seu tamanho diminuto.

A respeito da utilização da nanotecnologia tanto para o meio civil quanto para o militar, Rogério argumenta que isso é um fato. "É uma das tendências fortes em termos mundiais. Já é uma realidade no segmento têxtil, na produção de germicidas, bactericidas e fármacos".

De acordo com o coronel, o Exército já tem algum mérito nesse tema. "Tanto que estamos ajudando na perfuração de poços de petróleo na camada do pré-sal fazendo uso dessa ciência". Os exemplos de uso na prática são muitos, segundo o militar.

"Já existem línguas eletrônicas que são mais sensíveis que a humana, tintas inteligentes que mudam de acordo com o ambiente e veículos que, embora sejam mais leves, tem blindagens mais duras que o diamante", detalha Rogério.

Para o encontro no fim deste mês, aguarda-se com certa expectativa a vinda do cientista norteamericano Adam Madison Rawlett, da US Army Research Laboratory. Isso porque os EUA é o país que mais tem avançado na pesquisa e fabricação de equipamentos de nanotecnologia e defesa.

"Um desafio para o uso dessas inovações é conseguir produzi-las em escala comercial", comenta o coronel. O encontro também vai contar com representantes do Ministério da Ciência e Tecnologia. A metodologia vai ficar sob a responsabilidade da Fundação Trompowsky.

SAIBA +

No campo da ciência, a idéia de nanotecnologia é considerada relativamente nova. Por esse conceito, os estudiosos defendem que não há obstáculo teórico à construção de dispositivos minúsculos.

A referência é atômica e molecular. Quanto à escala, um nanômetro corresponde a um bilionésimo de um metro. Uma folha de papel tem 100 mil nanômetros. As esperanças são que a nanotecnologia também revolucione a área ambiental e agrícola.

Proposta sueca atrai indústria

Especialistas do setor aeronáutico ressaltam vantagens tecnológicas do projeto Gripen NG

 


Enquanto a equipe técnica da Força Aérea Brasileira (FAB) finaliza seu relatório sobre as propostas das três concorrentes do Programa F-X2(1), para a compra de 36 caças, a expectativa sobre o resultado da concorrência só cresce em um dos setores mais interessados no acordo: a indústria aeroespacial brasileira. De olho num futuro de independência tecnológica que proporcione ao país produzir seus próprios caças supersônicos em até duas décadas, as empresas brasileiras deixam claras as preferências por uma proposta que lhes dê maior participação no desenvolvimento da aeronave.

O diretor do Departamento da Indústria de Defesa da Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp), Jairo Cândido, que presidiu as apresentações das propostas da francesa Dassault, da sueca Saab e da norte-americana Boeing para os empresários paulistas, afirma que a única tecnologia "aberta" é a apresentada pela Saab.

"Ficou claro que quem está disposto a fazer uma transferência ampla, total e irrestrita, e a trabalhar com as empresas brasileiras são os concorrentes suecos", diz Cândido. 

Segundo o diretor, o projeto do Gripen NG "viabiliza uma produção nacional das 36 aeronaves e envolve a indústria nacional desde o primeiro momento no programa". 

"A sensação é de que nós teremos ampla e total competência de produzir uma aeronave supersônica no Brasil ao final desse programa", avalia.

Cândido considera que a decisão técnica da FAB deve ser colocada sempre em primeiro lugar, mas pondera que é possível conciliar os interesses. 

"Temos de respeitar profundamente a decisão técnica da FAB, porque ela vai decidir qual a melhor escolha para ela. Mas se o Gripen NG atende aos requisitos operacionais da FAB, do ponto de vista das empresas brasileiras esse me parece o melhor pacote", opina, destacando que a oferta inclui um "pacote de trabalho conjunto, e não apenas a transferência de algum know -how".

Aprender fazendo

Ao participar de uma audiência pública na Câmara dos Deputados, há uma semana, com representantes das três concorrentes, o diretor-presidente da Associação das Indústrias Aeroespaciais do Brasil (AIAB), Walter Bartels, deixou transparecer que considera o Gripen NG a melhor opção para a indústria brasileira. 

"O ideal é que o desenvolvimento seja feito dentro da própria indústria, porque quem vai ter a tecnologia também vai querer produzir", destacou. "É preciso fazer e aprender com os erros", acrescentou, lembrando que a indústria brasileira já conseguiu produzir uma tinta para aumentar a furtividade (invisibilidade a radares) de aeronaves. O produto rendeu quatro patentes para o país.

O diretor do Departamento da Indústria de Defesa da Fiesp lembra que, em termos de produção de componentes da aeronave, Brasil e Suécia não competem. Prova disso seriam os contratos já fechados com empresas brasileiras, como a Akaer, para a produção das estruturas intermediária e traseira do Gripen NG, das duas asas e das portas do trem de pouso.

"Isso não tem absolutamente nada a ver com a concorrência da FAB. Foi parte de uma licitação internacional, em que concorriam Brasil e Índia, e as empresas brasileiras lograram êxito e já estão trabalhando. O Gripen NG é um programa que já começou", afirma Cândido.

A declarada preferência pelo caça sueco já criou situações embaraçosas para a própria Embraer.

No fim de outubro, o vice-presidente executivo para o mercado de defesa da empresa, Orlando José Ferreira Neto, declarou à imprensa que a proposta da Saab é "a que vai assegurar ao Brasil o conhecimento e a agregação de tecnologia dentro da premissa on the job doing (aprender fazendo)".

Logo depois, a Embraer divulgou nota esclarecendo que "não participa diretamente do processo de seleção" e "não tem preferência por nenhuma das propostas encaminhadas".

1 - Resultado em novembro

O comandante da Aeronáutica, brigadeiro Juniti Saito, afirmou ontem, antes da posse de José Múcio como ministro do Tribunal de Contas da União (TCU), que a decisão sobre a concorrência F-X2 deve ser anunciada no próximo mês. Ao ser questionado se a posição da Aeronáutica sobre a licitação internacional será conhecida em novembro, Saito respondeu: "Acredito que sim".

Por Unasul, Lula recua sobre bases


Brasil também espera mudanças no acordo que permite uso de instalações militares colombianas pelos EUA

 


Denise Chrispim Marin e João Domingos, BRASÍLIA 

O alívio do presidente Luiz Inácio Lula da Silva na pressão sobre a Colômbia, para que o país forneça garantias de que seu acordo militar com os Estados Unidos não ameaça a soberania dos vizinhos, deveu-se a uma aposta na mudança dos termos do acerto bilateral. O Itamaraty espera que o acordo, que prevê a presença de soldados americanos em sete bases colombianas para o combate ao narcotráfico, não sobreviva à nova política antidrogas da Casa Branca.

Finalizado há mais de três meses, o acordo ainda não foi assinado pelos presidentes colombiano, Álvaro Uribe, e americano, Barack Obama.

No final de setembro, o diretor de Políticas Nacionais de Combate às Drogas dos EUA, Gil Kerlikowske, esteve na Colômbia e falou a Uribe sobre a opção da Casa Branca por uma estratégia mais "equilibrada". Em vez de se concentrar na repressão judicial e militar, prevista no Plano Colômbia, Washington tenderia a reforçar suas políticas de redução na demanda por drogas.

Lula também adotou um tom mais moderado durante o encontro com Uribe na segunda-feira, em São Paulo, pois estaria preocupado com o prejuízo a interesses empresariais, além de temer um isolamento da Colômbia no projeto de integração da União de Nações Sul-americanas (Unasul) e em seu braço militar, o Conselho de Defesa.

O governo brasileiro diz reconhecer o direito de a Colômbia reclamar da falta de assistência dos países vizinhos no combate ao narcotráfico, mas continua sem resposta para Bogotá, porque o acordo de cooperação Brasil-Colômbia na área de Defesa ainda tramita no Congresso Nacional.

Na conversa reservada, Uribe insistiu com Lula que há um histórico de mútua confiança entre os países e, portanto, não haveria razões para suspeitas de que o acordo com os EUA resulte em agressões militares a territórios vizinhos. Assegurou ainda que, uma vez assinado o pacto, remeterá uma cópia a Brasíla. Lula considerou "tranquilizadora" a argumentação de Uribe e respondeu que iria esperar pela correspondência. Na entrevista, o presidente brasileiro declarou que não havia razões para o Brasil se incomodar.

Na prática, Lula demonstrou a Uribe que ele pode contar com o Brasil para evitar o isolamento na Unasul, desejado pelos presidentes Hugo Chávez, da Venezuela, Evo Morales, da Bolívia, e Rafael Correa, do Equador. Para o governo brasileiro, disseram assessores de Lula, interessa ter a Colômbia plenamente integrada no bloco.

Diplomatas que acompanham o tema avaliam que, mesmo assim, o governo brasileiro manterá o debate sobre a necessidade de garantias bilaterais e multilaterais de que todos os acordos na área de Defesa de sócios da Unasul com países de fora do grupo não representarão ameaças à soberania territorial dos vizinhos.

Quando os líderes bolivarianos tentaram transformar o debate em exigências que tendiam a isolar a Colômbia, o governo Uribe reagiu pedindo que todos os acordos sejam postos sobre a mesa - como o do Brasil com a França e, especialmente, o da Venezuela com o Irã.

20 Outubro 2009

"Segurança da costa será um dos maiores desafios do país"

Jornal do Senado
 
Roberto Cavalcanti diz que o Brasil precisa de um poder naval eficiente para proteger os seus recursos naturais e o tráfego marítimo na área jurisdicional da Amazônia Azul Cavalcanti: investimentos no pré-sal poderão chegar a US$ 1 trilhão Um dos maiores desafios do Brasil neste século será garantir a segurança da sua costa, afirmou da tribuna Roberto Cavalcanti (PRBPB).

O senador disse que a exploração de petróleo na camada pré-sal tornou-se questão de segurança nacional, uma vez que poderá receber investimentos estimados em US$ 1 trilhão e contará com a participação de companhias internacionais.

Na sua opinião, "a Marinha do Brasil terá que investir na segurança de toda a área, pois essas empresas exigirão garantias e segurança".

– Por todos esses motivos e também pela nossa posição no Atlântico Sul, precisamos urgentemente de um poder naval eficiente, de barcos modernos, de submarinos nucleares, de aviões e de uma força de dissuasão capazes de proteger os recursos naturais, o tráfego marítimo em nossas áreas jurisdicionais que constituem a Amazônia Azul.

Cavalcanti disse que a Petrobras, uma das oito empresas mais importantes do mundo, enfrenta hoje o desafio de explorar gigantescas reservas no pré-sal. Essa camada tem 800 quilômetros de extensão por 200 quilômetros de largura e vai do Espírito Santo a Santa Catarina. O óleo está a mais de 6 mil metros da superfície do mar e a retirada desses recursos exige domínio tecnológico altamente sofisticado, ressaltou.
 
O senador destacou a luta política e diplomática do Brasil para garantir o reconhecimento pela Organização das Nações Unidas (ONU) e por vários países das áreas marítimas contíguas à costa para garantir a posse dos recursos naturais da região.

Justiça militar e união gay

Alessandra Horto - O Dia
 
Rio - Os servidores da Justiça Militar que mantêm relações homossexuais poderão incluir os seus companheiros no plano de saúde. O reconhecimento é do plenário do Superior Tribunal Militar (STM). A decisão foi tomada no julgamento de Questão Administrativa 319-0, remetida ao STM pelo Sindicato dos Trabalhadores do Poder Judiciário Federal no Estado de Minas Gerais (Sitraemg), e teve como relatora a ministra Maria Elizabeth Guimarães Teixeira Rocha. No Rio Janeiro, o Sindicato dos Servidores das Justiças Federais (Sisejufe) também luta na Justiça para conseguir o direto à assistência médica para companheiros homoafetivos. Os pedidos já foram feitos a todos os tribunais federais do Rio.

Estima-se que dos 16 mil servidores no estado, 1.600 sejam homossexuais. "Um dos problemas é que a maioria esmagadora não assume", afirma o presidente da entidade, Roberto Ponciano. Outros tribunais, como o do Rio Grande do Sul, já autorizaram a inclusão do companheiro no plano de assistência médica. Durante o julgamento, a ministra defendeu que a assistência à saúde é um direito garantido pela Constituição. A ministra Maria Elizabeth também citou decisões recentes do Supremo Tribunal Federal (STF), Superior Tribunal de Justiça (STJ) e Conselho Nacional de Justiça (CNJ), estenderam o benefício a seus servidores. Para ser efetivada, é necessário que a decisão seja aprovada pelo Conselho Deliberativo do Plano de Saúde da Justiça Militar.

Lula aceita explicações sobre bases

Ao lado de Uribe, presidente recua e diz crer que instalações militares só cuidarão de 'problemas internos' da Colômbia
Ruth Costas - O Estado de S.Paulo

Ao lado do presidente da Colômbia, Álvaro Uribe, o brasileiro Luiz Inácio Lula da Silva deu ontem indicações de que aceitou as explicações de Bogotá sobre o acordo que prevê o uso de sete bases militares colombianas pelos EUA. "Tanto Uribe quanto (o americano Barack) Obama dizem que as bases cuidarão de problemas internos da Colômbia", disse Lula, em entrevista com Uribe, em São Paulo, após ser questionado se o Brasil havia recebido da Colômbia garantias jurídicas de que o uso das bases não permitiria violações aos territórios dos países vizinhos. "O Brasil não tem por que ficar incomodado se o objetivo é esse. Confio na palavra de Uribe e na de Obama", completou.

A declaração marca um recuo de Lula, que até agora se dizia insatisfeito com as explicações sobre o pacto. O presidente brasileiro acrescentou, porém, que espera "tomar conhecimento do acordo quando ele for firmado". "Propusemos que todos os acordos de defesa possam ser mostrados na Unasul (União de Nações Sul-Americanas). O que o Brasil tem com a França, o que a Venezuela tem com quem quer que seja. Não deve haver segredos no nosso processo de integração", afirmou Lula.
 
As declarações foram feitas durante um encontro entre autoridades e empresários da Colômbia e do Brasil na Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp). Em julho, numa entrevista ao lado da presidente chilena, Michelle Bachelet, Lula criticou o pacto: "Eu posso dizer que, a mim, não agrada mais uma base americana na Colômbia."

IRRITAÇÃO

As negociações sobre o acordo militar Colômbia-EUA foram anunciadas há três meses por ministros colombianos. Os EUA poderão manter no máximo 800 soldados e as bases ficarão sob controle de militares colombianos. A reação ao pacto foi inflamada pelo presidente venezuelano, Hugo Chávez, para quem as bases serviriam para os EUA monitorarem ou invadirem seu território. Lula e outros líderes da região ficaram irritados por não terem sido informados sobre o projeto até que as negociações estivessem em estágio avançado.

Em agosto, numa reunião da Unasul em Bariloche, Lula exigiu garantias jurídicas de que as ações dos EUA se restringirão ao território colombiano. Na época, o Peru foi o único país que saiu em defesa de Bogotá. Os países da Unasul pediram para monitorar o uso das bases, mas a proposta foi rejeitada pelo governo colombiano.

"A Colômbia nunca foi um país agressivo. Temos um diálogo sincero e respeitoso (com o Brasil).

Tudo isso é uma garantia", disse Uribe ontem. O presidente colombiano chegou a São Paulo à frente de uma missão com 120 empresários de seu país que tem o objetivo de ampliar o comércio bilateral e atrair investimentos brasileiros para a Colômbia.

A iniciativa, segundo Carlos Rodríguez, diretor da Proexport Colômbia, agência que promove as exportações colombianas, faz parte da estratégia de Bogotá de buscar novas parcerias para substituir seu comércio com a Venezuela e o Equador, afetado pelas crises políticas com esses países.

"Não é que o Brasil pode ser uma alternativa (ao comércio com Caracas e Quito). O Brasil já é uma alternativa", disse Rodríguez ao Estado.

Segundo o ministro de Comércio, Indústria e Turismo da Colômbia, Luis Guillermo Plata, o comércio com o Brasil aumentou quatro vezes de 2003 a 2008 e o País já é o terceiro maior investidor na Colômbia. A intenção manifestada ontem por Lula e Uribe é duplicar as trocas comerciais entre os dois países em 2010.

Uribe pediu investimentos brasileiros para a construção de estradas e outras obras de infraestrutura em seu país e ofereceu parcerias para o combate ao narcotráfico. Ao ser questionado sobre o terceiro mandato, ele novamente se esquivou, dizendo que a decisão depende agora da Justiça colombiana, em cuja alçada está o projeto de referendo sobre a segunda reeleição. "(O terceiro mandato) depende da Corte Constitucional, do povo colombiano e de Deus", disse.

CLIMA

Durante o encontro, os dois presidentes também anunciaram que os países da região amazônica (Venezuela, Peru, Equador, Colômbia e Brasil) se reunirão no dia 26 de novembro, em Manaus, para preparar uma proposta única sobre a redução do desmatamento que será levada para a Conferência do Clima, em Copenhague, na Dinamarca, no início de dezembro.

COLABOROU CLARISSA OLIVEIRA

Lula insiste em ter acesso total ao acordo militar Colômbia-EUA

Presidente recebe Uribe e diz que não deve haver segredo na integração

Ricardo Galhardo - O Globo

SÃO PAULO. Embora tenha dito que ouviu tanto do presidente colombiano Álvaro Uribe quanto do americano Barack Obama a promessa de que as cinco bases militares a serem instaladas pelos Estados Unidos na Colômbia serão usadas apenas para o combate às Farc e ao narcotráfico, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva quer ter acesso total ao acordo entre os dois países. Segundo Lula, o Brasil vai propor que os países da Unasul tenham acesso total aos acordos militares dos demais membros.

— Não deve haver segredo nesse processo de integração que queremos fazer. Quando aconteceu a questão das bases, manifestei minhas preocupações ao Uribe e ao Obama.

O que nós queremos, Uribe e Obama concordam e não tenho por que duvidar deles, é que as bases sejam um problema interno da Colômbia — disse Lula, ontem, após encontro com Uribe na sede da Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp).

Para Lula, o acesso dos demais países ao acordo entre EUA e Colômbia seria a solução para o problema. Em julho, ele mesmo manifestou preocupação com a instalação das bases e seus efeitos na região.

O presidente da Venezuela, Hugo Chávez, chegou a falar em guerra.
 
— Espero que quando o acordo for firmado, a gente possa tomar conhecimento — afirmou Lula.

Uribe diz que não há motivo para suspeitas

Uribe garantiu que o único propósito da cooperação dentro das bases militares é ajudar na solução de problemas internos como a luta contra as Farc e o narcotráfico.

— A garantia vem dos processos históricos. A Colômbia jamais foi um país ofensivo.

Sempre temos sido profundamente respeitosos com o Brasil.

A Colômbia não tem um só motivo para gerar suspeitas— afirmou o colombiano.

Lula disse que vai propor a criação de um conselho sulamericano de combate ao narcotráfico com o objetivo de coordenar ações conjuntas.

Segundo ele, o Brasil também vai propor na Unasul que todos os países tenham acesso aos acordos militares dos demais membros.

Além disso, Lula anunciou ontem um encontro de cúpula entre os países amazônicos com o objetivo de tirar uma posição comum para o COP 15, o encontro de líderes mundiais que vai debater o aquecimento global, entre os dias 7 e 18 de dezembro, em Copenhague.

19 Outubro 2009

Ataque à Guarda

O principal exército do Irã sofreu um atentado suicida, com saldo de 35 mortes
 
Correio Braziliense

Em uma das mais ousadas ofensivas contra a Guarda Revolucionária Iraniana, o exército ideológico do regime, um ataque suicida matou pelo menos 35 pessoas e deixou dezenas de feridos em Pishin, na fronteira com o Paquistão. Os comandantes da guarda participavam de uma reunião com chefes tribais, com objetivo de reforçar a unidade de xiitas e sunitas, quando foram surpreendidos pela explosão. Sete militares de alta patente, incluindo o general Nourali Shoushtari, uma das autoridades máximas do exército, estão entre as vítimas. Algumas agências internacionais afirmaram que o número de mortos foi 49.

De acordo com a mídia estatal de Teerã, o grupo radical sunita Yundulah reivindicou a autoria do atentado. A informação é do procurador-geral da província do Sistão-Baluchistão, Mohamad Marzieh. Em entrevista à agência Fars, o comandante das tropas, general Mohammad Pakpur, avisou que a resposta será "destruidora". "Os guardiões da revolução responderão de maneira severa e destruidora a esse pequeno grupo para que nunca mais possa ousar efetuar ações como essa no país", afirmou. O Yundulah (Exército de Deus) é um grupo radical sunita que atua há anos na fronteira do Irã com o Paquistão e o Afeganistão e é acusado de ter ligações com a Al Qaeda. Em maio, eles assumiram um atentado que matou 25 pessoas em Zahedan.

Acusação aos EUA

Apesar da provável autoria dos radicais sunitas, o presidente do Parlamento iraniano, Ali Larijani, chegou a acusar os Estados Unidos de participar do ataque ao exército mais poderoso do país, que vem combatendo duramente o tráfico de drogas e armas na fronteira. Segundo a agência de notícias Isna, quando informou os colegas sobre o atentado, os deputados responderam com o grito de "morte aos Estados Unidos". Em nota, a Guarda Revolucionária também lançou suspeitas sobre o governo norteamericano, chamado de "mercenário da arrogância mundial". "Sem dúvida, esse ato selvagem e desumano está relacionado à estratégia satânica dos estrangeiro", afirmou a corporação.

Em resposta, os Estados Unidos negaram veementemente participação no ataque e criticaram os autores do atentado suicida. "Condenamos esse ato terrorista e lamentamos a perda de vidas inocentes.

As versões de um suposto envolvimento dos Estados Unidos são completamente falsas", anunciou o porta-voz do Departamento de Estado, Ian Kelly, em um comunicado distribuído à imprensa. Também em nota, o governo britânico condenou a ofensiva e o terrorismo, e enviou condolências aos familiares das vítimas.

Possíveis acordos na área militar

Viviane Vaz - Correio Braziliense

No encontro entre os presidentes do Brasil e da Colômbia, serão examinados não só temas como comércio e investimentos, como também integração física, cooperação em defesa e em energia, informa um comunicado do Ministério de Relações Exteriores (MRE). Só neste ano, Lula e Uribe já assinaram acordos para parcerias na indústria militar, controle conjunto do espaço aéreo dos dois países (com limite de até 60km do território vizinho) e, em fevereiro, discutiram a possibilidade de realizar o intercâmbio comercial em moedas locais, deixando o dólar de lado.

Uma parceria interessante para os dois países pode ser a coprodução do avião militar Super Tucano, da Embraer, como informou ao Correio, no ano passado, a diretora de Planejamento do Ministério da Defesa da Colômbia, Yaneth Giha Tovar: "A Embraer cresceu tanto que, hoje em dia, tem muitos pedidos e pouco tempo para produzir. O que nós queremos dizer é: subcontrate-nos". A empresa brasileira já vendeu 177 unidades do modelo, das quais já entregou 100 (75 para o Brasil e 25 para Colômbia). Segundo Yaneth, a compra dos aviões da Embraer pela Colômbia foi feita em parceria off-set, que supõe contrapartidas por parte do fornecedor, como manutenção e investimentos.

Atualmente, o Brasil negocia a venda de 100 aviões Super Tucano à Força Aérea dos Estados Unidos — o negócio depende ainda de um acordo de cooperação na área de defesa que está sendo negociado entre os dois países, segundo explicou o ministro brasileiro de Defesa, Nelson Jobim. Já o comandante da Aeronáutica, brigadeiro Juniti Saito, revelou que a Embraer também fechou recentemente uma venda de oito Super Tucanos para a Força Aérea da Indonésia. Na sexta-feira passada, foi o CEO mundial da fabricante de aviões Saab, Ake Svensson, quem declarou que o governo sueco avalia a possibilidade de comprar os aviões brasileiros Super Tucano e K390. Na América Latina, o modelo já foi encomendado pelas forças aéreas do Chile, República Dominicana e Equador.

Em março deste ano, o então ministro de Defesa da Colômbia, Juan Manuel Santos, também manifestou o interesse em participar da construção do avião de transporte militar similar ao Hércules. "A Colômbia manifestou ao Brasil que está interessada em participar nesse projeto com dinheiro, sendo sócia e fabricando algumas partes na Colômbia, de forma parecida como faz a Airbus na Europa."

Marinha inicia grandes pesquisas na África e na Antártida

Ministério da Defesa
 
Brasília, 16/10/2009 - A Marinha do Brasil, juntamente com diversas instituições de pesquisa brasileiras, inicia na próxima segunda-feira (19/10) duas pesquisas de grande porte em águas internacionais, graças a navios e equipamentos adquiridos recentemente. Uma das pesquisas, na Antártida, marcará a primeira Viagem Austral do Navio Polar Almirante Maximiano. A embarcação iniciará sua viagem, denominada OPERANTAR XXVIII, às 14h00 de segunda-feira, a partir do Arsenal de Marinha do Rio de Janeiro, acompanhada do Navio de Apoio Oceanográfico Ary Rongel (NApOc Ary Rongel).

A decisão de adquirir um novo navio polar foi tomada em fevereiro de 2008, durante visita do presidente Luiz Inácio Lula da Silva e dos ministros da Defesa, Nelson Jobim, e da Ciência e Tecnologia, Sérgio Rezende, à Antártida. Na ocasião, o Comandante da Marinha, Almirante-de-Esquadra Julio Soares de Moura Neto, demonstrou ao presidente a necessidade do novo equipamento.

Após voltar da viagem, Lula declarou em um programa Café com o Presidente: "Estamos convencidos que a hora é agora, da gente aportar mais recursos para melhorar o nosso potencial de pesquisa, melhorar as condições da Base (Comandante Ferraz), para que mais cientistas brasileiros visitem a nossa Base como pesquisadores e aqui tentem explorar o seu conhecimento em benefício do povo brasileiro e da humanidade". O navio foi incorporado à Marinha um ano depois, em 03 de fevereiro de 2009, em cerimônia na cidade de Bremerhaven, Alemanha.

Durante sua primeira comissão antártica, o Navio apoiará projetos voltados a levantamentos topográficos; impacto das mudanças globais, considerando a fauna e a flora da Região; mudanças antrópicas no Meio Ambiente Marinho Antártico; gestão ambiental; educação e difusão da ciência; modelagem e dinâmica de massas de água nas regiões polares; estudos do solo marinho para identificação de eventos paleoclimáticos; estudos sobre a microbiota da Região; e processo de recuo das geleiras.

A presença desses dois Navios da Marinha do Brasil no continente gelado amplia a capacidade logística e tecnológica do Programa Antártico Brasileiro (Proantar), contribuindo para uma melhoria no desenvolvimento de pesquisas científicas conduzidas e para a coleta de dados hidroceanográficos naquela Região, além de dar mais flexibilidade ao apoio logístico à Estação Antártica Comandante Ferraz (EACF).

O Navio operará com dois helicópteros embarcados, que serão utilizadas no transporte de material e pessoal. Para tal, possui um hangar capacitado a abrigar as duas aeronaves, bem como oficinas para manutenção das mesmas. O regresso do Navio está previsto para o dia 10 de abril de 2010.

RUMO À ÁFRICA- Também na segunda-feira, o Brasil inicia a primeira viagem transoceânica de pesquisa oceanográfica, que será realizada, do dia 19 de outubro e 22 de dezembro de 2009. A tarefa será executada pelo Navio Hidroceanográfico Cruzeiro do Sul e pelo Navio Oceanográfico Antares. A viagem começa às 9h00, a partir do cais da Diretoria de Hidrografia e Navegação, no Rio de Janeiro, e contará também com pesquisadores de 10 universidades e institutos de pesquisa.

Os dois navios coletarão dados oceanográficos, visando a identificação e o monitoramento das principais feições oceânicas (topografia, etc.) e a obtenção de dados de valor estratégico atinentes à circulação e às massas d'água da bacia do Atlântico Sul, com aplicação direta em estudos climáticos e das características da propagação acústica. Comissões dessa natureza propiciam conhecimento privilegiado do ambiente marinho oceânico, que incluirá o País no seleto grupo de países que realizam pesquisas oceanográficas de caráter global.

Devido ao seu caráter inédito para a oceanografia brasileira, essa comissão trará grandes benefícios à comunidade científica nacional, atendendo pesquisas previstas em convênio estabelecido entre a Marinha e o Ministério da Ciência e Tecnologia (MCT), o qual propiciou a aquisição do NHo Cruzeiro do Sul. Estarão embarcados a bordo, além dos pesquisadores da Marinha, 16 outros das seguintes Universidades e Institutos: UFES, FURG, USP, UFRJ, IO-USP, UERJ, UENF, UFPR, INPE e INMET.

Concurso da Aeronáutica em GO veta candidatos casados e de baixa estatura

Sebastião Montalvão
Especial para o UOL Notícias
Em Goiânia
 
O Ministério Público Federal em Goiás (MPF/GO) entrou com uma ação que pode mudar os rumos do próximo exame de admissão de sargentos da Aeronáutica. A Procuradoria Regional dos Direitos do Cidadão do MPF questiona duas exigências no edital do concurso: a que exclui a participação no certame de candidatos casados e a que exige estatura mínima de 1,60m (para homem) ou 1,55m (para mulheres).

"Entendemos que essas exigências são inconstitucionais. Não há base na Constituição Federal para essas exigências", esclarece o procurador Ailton Benedito de Souza, responsável pela ação. Segundo ele, a Constituição garante que todos os brasileiros que preencham os requisitos estabelecidos em lei podem se candidatar a funções públicas, e que altura e estado civil não podem representar impedimento.
 
"Por conta disso é que entramos com essa ação pública, pedindo uma liminar para que seja determinada a reformulação do edital e a reabertura das inscrições", disse o procurador. Além da liminar pedindo a suspensão das exigências, o MPF quer que a Justiça Federal declare inconstitucional e ilegal a fixação administrativa dos requisitos (solteiro e altura mínima) para a composição do quadro de sargentos da Aeronáutica.

"A exigência não faz sentido. O exercício dos cargos oferecidos não depende de estatura ou estado civil. E não haveria qualquer impedimento para a realização dessas funções das pessoas nas condições em que o edital exclui", disse o procurador. "Por isso, solicitamos também que não sejam impostos esses mesmos critérios nos próximos exames", concluiu Ailton. Entre as especialidades em que são distribuídas as vagas de sargento estão eletrônica, música, radiologia, administração e enfermagem.

A medida, segundo o procurador, tem uma fundamentação, já que teria sido instaurada uma ação idêntica para o último concurso da Aeronáutica, no primeiro semestre. "Foi uma ação pública do Ministério Público Federal do Rio Grande do Norte. E lograram êxito. Ainda assim mantiveram as exigências para esse concurso. Esperamos também pelo deferimento das nossas solicitações e que esse tipo de exigência seja banido em definitivo", ressalta.

As inscrições para o concurso encerraram-se no último dia 7. Se a liminar for concedida, as datas da realização das provas devem ser alteradas. Uma mudança de cronograma já aconteceu devido aos problemas na prova do Enem. Segundo informações da página oficial da Aeronáutica na internet, as provas escritas serão realizadas nos dias 12 e 13 de dezembro, e não mais no dia 6 do mesmo mês. A medida atende um pedido do Ministério da Educação, para não haver choque de data com as provas do Exame Nacional do Ensino Médio.

A reportagem do UOL Notícias entrou em contato com o Centro de Comunicação Social da Aeronáutica, em Brasília/DF, via telefone, que informou que o edital em questão foi encaminhado à Advocacia Geral da União, que vai tratar do assunto no âmbito judicial. A Aeronáutica disse ainda que só vai se pronunciar após a ação ter transitado em julgado (que não aceite mais recursos).

16 Outubro 2009

Forças Armadas querem mais investimentos em ciência e tecnologia

Folha de Boa Vista

A Frente Parlamentar de Apoio às Forças Armadas da Amazônia na Câmara Federal realizou audiência pública na última quarta-feira, dia 14, para discutir projetos desenvolvidos pelo Centro Tecnológico do Exército. A autora da solicitação para a audiência, deputada Maria Helena Veronese (PSB), disse que, apesar de existirem vários pelotões do Exército na Amazônia, a vigilância ainda é considerada muito frágil. "Apoiamos as Forças Armadas, pois reconhecemos que o desenvolvimento de projetos na área de ciência e tecnologia é que vai garantir um suporte efetivo de fiscalização das nossas fronteiras", ressaltou.

Durante a reunião, o diretor do Centro Tecnológico do Exército (CTEX), general Augusto Heleno, apresentou o sistema de Veículo Aéreo não Tripulado (VANT), o desenvolvimento de tecnologia com fibra de carbono para fabricação de materiais militares e a produção dos radares SABER M60 e M200 para defesa antiaérea como as molas propulsoras do CTEX na execução de operações de vigilância e proteção da região, e disse ser imprescindível o investimento em Ciência e Tecnologia para a vigilância da Amazônia, uma vez que, segundo ele, o Brasil será uma potência mundial e deve se preparar para seu novo papel no cenário político mundial. "Temos milhares de quilômetros para vigiar e contamos com apenas 12 helicópteros. O país precisa investir na estrutura das Forças Armadas", frisou.

Uma solicitação das Forças Armadas, de acordo com o general Heleno, é investir nos radares SABER M6 e M200, destinados a integrar um sistema de defesa antiaéreo e tido como essencial na proteção de áreas consideradas sensíveis, como usinas e instalações governamentais. Desenvolvido pelo CTEX, o radar M60, é o primeiro 100% desenvolvido no Brasil. O general alertou ainda para o orçamento de R$ 142 milhões destinado às Forças Armadas, que, de acordo com ele, é insuficiente para a concretização dos projetos. "Precisamos pelo menos dobrar esse valor para garantir a proteção da Amazônia e do povo brasileiro", concluiu.

PARTICIPAÇÃO

- A reunião, em Brasília, foi presidida pelo deputado Édio Lopes (PMDB) e contou com a presença de parlamentares de vários estados. O deputado Neudo Campos (PP) ressaltou o trabalho do general à frente do CTEX e frisou o fato de este ser um profundo conhecedor da região Amazônica. "Ele tem nosso respeito e admiração, além do nosso empenho para o desenvolvimento dos projetos para vigilância da Amazônia", disse.

Escolha sairá até dezembro

Ministro da Defesa tem simpatia pela empresa da França
 
Jornal de Brasília

O ministro da Defesa, Nelson Jobim, disse ontem, em São José dos Campos, interior de São Paulo, que a compra dos caças do programa FX-2 para a Força Aérea Brasileira (FAB) deverá ser concretizada pelo governo até o fim desse ano.

Jobim participou da cerimônia de certificação do foguete sub-orbital VSB-30 e da queima do propulsor S40M no Departamento de Ciências e Tecnologia Aeroespacial (DCTA). O foguete é o primeiro produto nacional submetido a esse tipo de procedimento no País.

O ministro demonstrou certa simpatia pela proposta da empresa francesa Dassault, que pretende vender ao Brasil o caça modelo Rafale, mas disse que ainda é cedo para qualquer avaliação. "A proposta dos Estados Unidos é problemática, pois os americanos não têm bons precedentes; os suecos querem vender um avião que não existe, com motor americano e peças de outros países", analisou, ao referir-se às ofertas das empresas Boeing, dos Estados Unidos, que fabrica o modelo F-18, e da sueca Saab, fabricante do caça Gripen.

DEMONSTRAÇÕES DA FRANÇA

Com relação à França, Jobim afirmou que o País já deu boas demonstrações na transferência de tecnologia para o Brasil, em negócios com submarinos e helicópteros. A transferência de 100% da tecnologia de fabricação dos aviões é fator primordial na escolha do fornecedor dos caças, conforme reforçou o ministro

Jobim informou ainda que o relatório final a ser preparado pela Aeronáutica deverá ser submetido ao Conselho Nacional de Segurança, depois de passar pela primeira fase, que está em curso, na qual serão avaliadas as propostas. Em seguida, irá para "análise estratégica e de conveniências políticas". O contrato para compra de 36 caças para a FAB é estimado em cerca de 4 bilhões de euros.

O comandante da Aeronáutica, tenente-brigadeiro Juniti Saito, acompanhou Jobim na visita, mas não quis comentar o assunto. As propostas das empresas Dassault (França), Saab (Suécia) e Boeing (EUA) foram apresentadas quarta- feira à Comissão de Ciência e Tecnologia da Câmara dos Deputados, sem a presença de representantes do Governo.

As três empresas estão divulgando nos últimos dias as vantagens que têm a oferecer ao governo brasileiro. Todas elas querem convencer as Forças Armadas de que não só têm o melhor avião para o Brasil, como também estão oferecendo vantagens adicionais.

As empresas têm contado com o apoio dos governos de seus países na disputa comercial. O presidente da França, Nicolas Sarkozy, por exemplo esteve no Brasil e defendeu a empresa Dassault.

ANÁLISE

É salutar a concorrência. É normal que os governos sueco, francês e norte-americano se empenhem para que empresas de seus países ganhem a concorrência. O que se espera do governo brasileiro é que utilize bem o dinheiro público e adquira os aviões mais adequados às Forças Armadas, aproveitando ao máximo as ofertas dos vendedores. Especialmente, as que dizem respeito à transferência de tecnologia. Ninguém discute a necessidade de reaparelhamento da Força Aérea Brasileira. O que nenhum brasileiro suporta mais é ouvir que houve algum tipo de maracutaia na escolha desta ou daquela empresa fornecedora do governo. O que, quando acontece, gera enorme prejuízo para o erário – nada mais nada menos do que o dinheiro de todos os brasileiros.

Jobim afirma que Brasil e EUA estudam acordo

DA AGÊNCIA FOLHA, EM SÃO JOSÉ DOS CAMPOS

O ministro da Defesa, Nelson Jobim, disse ontem que os governos do Brasil e dos EUA estão discutindo um acordo de cooperação na área de defesa.

Segundo Jobim, os americanos mostraram disposição de comprar cem aviões de combate Super Tucano, da Embraer, caso a parceria seja firmada.

"A Embraer se habilitou em uma concorrência internacional nos EUA. Essa concorrência poderá ser afastada se nós firmarmos com os EUA um acordo de cooperação na área de defesa", disse o ministro.

Ele não deu detalhes do acordo, cujos termos estão sendo analisados pelo Itamaraty. Segundo Jobim, não há relação entre estas negociações e o programa FX-2, de renovação da frota de caças da FAB, que é disputado pela Boeing.

O principal cliente do Super Tucano é a FAB, que o utiliza no treinamento de pilotos e no Sivam.

Brasil tem seu 1.º foguete certificado

O Estado de S.Paulo

O Brasil entrou ontem num restrito grupo de países que possuem certificação para foguetes, formado por Estados Unidos, Japão e União Europeia. A certificação do foguete suborbital VSB-30 foi realizada em São José dos Campos. Para o ministro da Defesa, Nelson Jobim, "a certificação nos dá a qualificação internacional e viabiliza o crescimento e o domínio do ciclo aeroespacial".

Coreia do Norte acusa a do Sul de invasão

Jornal do Brasil

A Coreia do Norte acusou a Coreia do Sul ontem de invadir suas águas territoriais, elevando ainda mais as tensões na península após o disparo norte-coreano de mísseis de curto alcance.

Acusações e ameaças de atacar os navios sul-coreanos dão uma nova faceta às mensagens ambíguas que têm sido enviadas pela Coreia do Norte nos últimos dias. Essas mensagens também incluem uma tentativa de aproximação com os Estados Unidos e a Coreia do Sul para negociações.

– As temerárias provocações militares por navios de guerra da Marinha sul-coreana criaram uma situação tão séria que podem deflagrar um combate naval entre os dois lados nessas águas – disse uma autoridade norte coreana.

As duas Coreias travaram duas sangrentas batalhas navais em águas territoriais que disputam na costa oeste da península nos últimos 10 anos. A Coreia do Norte considera inválida uma fronteira marítima conhecida como Linha Limite do Norte (LLN), estabelecida unilateralmente por forças lideradas pelos Estados Unidos no final da Guerra da Coreia (1950-1953).

Uma autoridade sul-coreana afirmou que a acusação norte-coreana não tem fundamento e que a Coreia do Norte está acusando os navios sul-coreanos de cruzar uma linha que o país não reconhece. Essa linha foi estabelecida por Pyonguang bem ao sul da LLN.

França baixa preço de caças oferecidos ao Brasil

Empresários franceses dizem na Câmara que querem desenvolver tecnologia com o país e não só propor transferência

Tatiana Farah - O Globo

SÃO PAULO. Os franceses baixaram os preços do caça Rafale na contraproposta apresentada ao governo brasileiro para a venda de 36 aeronaves militares. Os preços agora estão próximos dos que são pagos pelas Forças Armadas da França, acrescidas as despesas de logística para trazer os equipamentos ao Brasil. O governo francês tem mais de 140 Rafale.

Executivos do consórcio Rafale International, formado pelas empresas Dassault Aviation, Snecma e Thales, estiveram anteontem na Câmara para apresentar a proposta aos deputados da Comissão de Ciência e Tecnologia. Os franceses prometem transferência total de tecnologia ao Brasil.

O documento já estaria assinado pelo presidente Nicolas Sarkozy e por altas patentes do governo francês. As empresas apresentaram ainda a proposta de cobrir em 160% o total dos gastos brasileiros com o programa militar, oferecendo 67 cartas de cooperação comercial e tecnológica. Nos mesmos moldes da concorrente sueca, a Saab, os franceses anunciaram que querem desenvolver tecnologia com o Brasil e não só propor transferência.

A Saab é o principal alvo dos franceses. Como os americanos da Boeing não têm como garantir a transferência de tecnologia, a França tem apresentado as diferenças entre as aeronaves Rafale e Grippen, da Suécia. As suecas custam metade do preço e têm uma turbina. Para os franceses, o cálculo a ser feito deve ser invertido: para fazer o trabalho de um Rafale, seriam necessários dois Grippen, já que um Rafale fica mais tempo no ar, leva mais armas e mais combustível.

Outro ponto que os franceses colocam a seu favor é que o Rafale pousa em porta-aviões, podendo ser usado pela Marinha. Segundo a Rafale International, os Grippen não têm essa facilidade. Já a favor dos suecos, contam o preço menor e os menores custos de manutenção. O consórcio francês informou que sua manutenção seria menor que a dos Hornet, da Boeing, pois suas aeronaves são mais leves. A Rafale rebateu as acusações de que seus caças nunca tenham sido testados em combate.

Segundo a empresa, há 75 aviões em operação, e as aeronaves já foram testadas em combate no Afeganistão pelo governo francês e pela Otan.

Um dos projetos de cooperação entre a Rafale International e o Brasil, caso o programa FX-2 seja fechado com a França, é a fabricação de veículos não tripulados abastecidos com biocombustíveis.
 
Os veículos seriam fabricados com tecnologia da Snecma, do grupo Safran.

Selom participa do Fórum de Defesa Brasil-Polônia

Ministério da Defesa
 
Brasília, 15/10/2010 - Com o objetivo de integrar e possibilitar a promoção de parcerias entre as empresas brasileiras e estrangeiras, com vistas a estimular o crescimento da indústria nacional de defesa, foi realizado no dia 5 de outubro, na sede da Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (FIESP), o Fórum de Defesa Brasil-Polônia. O encontro contou com a participação do Ministério da Defesa, governo da Polônia e 27 empresas daquele país.

Pelo ministério da Defesa, participaram o General-de-Exército José Elito Carvalho Siqueira, Secretário de Ensino, Logística, Mobilização, Ciência e Tecnologia, Major-Brigadeiro-do-Ar Odil Martuchelli Ferreira, Diretor de Logística, Coronel Sérgio Aparecido Bueno de Oliveira, Coordenador da Divisão de Planejamento e Coordenação Logística. Representando a Polônia, o Ministro da Defesa da Polônia, Bogdan Klich, o Vice-Ministro da Economia, Dariusz Bogdan, e o Embaixador da Polônia no Brasil, Jacek Junosza Kisielewski.

15 Outubro 2009

Segredos de graça

A cada vez que a compra multibilionária dos 36 caças é abordada, menos confiança esse negócio mostra merecer

Jânio de Freitas - Folha de S.Paulo

Com uma pequena frase a meio de sua exposição para parlamentares sobre a "concorrência" para compra dos aviões de caça, o representante do F-A18E, que a Boeing oferece em vão ao Brasil, suscita dois questionamentos importantes à conduta do governo brasileiro. Disse ele que no F-18 há componentes cuja tecnologia "nem a Boeing conhece".

Mesmo que seja só para despachar outros concorrentes que não o Rafale francês, desejado por Lula e por Nelson Jobim, a exigência de cessão integral da tecnologia aplicada no avião, para aceitar comprá-lo, excede em desconsideração, ou em desconhecimento, realidades essenciais.

Assim como, em exemplo mais simples, as chamadas fábricas de automóveis usam muitas partes compradas a fabricantes diversos, a indústria aeronáutica usa múltiplos pesquisadores, projetistas e fabricantes. A Espanha, para citar um caso, é fornecedora de asas para muitas indústrias, inclusive a bem-sucedida Embraer, cujos aviões mais qualificados têm cerca de 80% do seu custo e tecnologia provenientes do exterior.

Em uma de suas formulações simplistas, Nelson Jobim diz que qualquer ressalva à cessão da tecnologia exclui a priori o concorrente. Logo, ou o concorrente precisa fabricar tudo em todo o avião, dos pneus às sofisticações mais inacreditáveis -e nos caças modernos são muitas -, ou todos os inúmeros fabricantes de componentes têm, também, que ceder os direitos, conhecimentos ainda que secretos, processos e ferramentas das tecnologias que desenvolveram. Nos dois casos, a exigência brasileira não está longe do desatino.

Se oficializada a oferta do presidente Sarkozy a Lula, de ceder toda a tecnologia do Rafale, duas hipóteses merecem consideração. Ou a promessa não será cumprida de fato, como os mais variados pretextos já amputaram cessões adquiridas; ou o modelo ofertado de Rafale está desprovido das melhores modernidades, sempre resguardadas como segredos militares de altos investimentos e conhecimentos. Neste capítulo, convém lembrar que o custo de criação do Rafale foi tão alto, que as indústrias Dassault só puderam arcar com 25% dele, precisando o governo francês entrar com os restantes 75%. E agora, segundo o tal "preço especial" citado por Lula, transfeririam ao Brasil o resultado de todos aqueles investimentos e conhecimentos pelo preço de custo direto do produto. Pois sim.
 
A cada vez que a compra multibilionária dos 36 caças é abordada, menos confiança esse negócio mostra merecer.

Cessão de tecnologia não será total, dizem fábricas de caças

Representante da Boeing afirma que empresa não é responsável por todas as peças

Na audiência na Câmara, suecos e franceses fizeram propostas de fechar novas parcerias com a Embraer se vencerem a licitação da FAB

ALAN GRIPP
DA SUCURSAL DE BRASÍLIA - Folha de S.Paulo

Sentados à mesma mesa, representantes das três empresas que disputam a concorrência para vender 36 caças ao Brasil reconheceram ontem que a transferência de tecnologia à indústria nacional terá limites.

As autoridades sabem que uma transferência de tecnologia sem restrições é impossível porque as peças que compõem os aviões são fabricadas por diferentes empresas, de diferentes países. E, desta vez, as concorrentes admitiram isso, em audiência pública na Câmara.

Questionado por que a proposta da Boeing não cita transferência "irrestrita", e sim "necessária", Bob Gower, vice-presidente da empresa responsável pelo F-18 Super Hornet, disse: "Isso significaria dar acesso a cada pequena peça. Se tivermos um chip Intel, não podemos dar acesso aos senhores.

Solicitamos a eles [permissão para transferir], e eles nos disseram que era simples: "Basta comprar a nossa empresa"".

Representante da francesa Dassault, Jean-Louis Montel reconheceu que o país não detém 100% da tecnologia do Rafale. "O domínio é francês", disse. Mas, segundo ele, isso não será um problema: "Os fornecedores podem ser trocados". O Rafale é o preferido do ministro Nelson Jobim (Defesa).

Discretamente, os suecos da Saab, fabricante do Gripen -o caça mais barato-, comemoraram o resultado da audiência porque avaliam que as declarações de americanos e franceses puseram as três propostas em pé de igualdade -o Gripen é criticado porque dois terços do avião não são feitos na Suécia, o que dificultaria a transferência.

Na audiência, suecos e franceses propuseram novas parcerias com a Embraer, além da produção dos caças no Brasil.

A Saab disse estar disposta a desenvolver em conjunto com a empresa brasileira a nova geração do Gripen, em "coprodução industrial e intelectual".

A Dassault falou em fabricar em conjunto um motor "ecológico" para o Rafale: "baixo consumo, baixo ruído e capacidade de uso de biocombustíveis".

Já os americanos concentraram sua apresentação em minar a crença de que o país se recusará a repassar segredos industriais, definida por Gower como "exagero de alguns". Ele disse ainda que a proposta dos EUA é inédita, e "resultado da amizade" entre Lula e Obama.

Operações Psicológicas ajudam sucesso dos militares brasileiros no Haiti

Ministério da Defesa
 
Porto Príncipe (Haiti), 14/10/2009 - O Batalhão de Infantaria de Força de Paz no Haiti (BRABATT) possui um Destacamento de Operações Psicológicas (DOP), cuja principal missão é preservar vidas, seja dos militares brasileiros, das forças adversas e, principalmente, da população haitiana. O trabalho dos especialistas em Operações Psicológicas (Op Psc) consiste basicamente em estimular: a colaboração dos moradores; a não interferência nas ações dos soldados brasileiros; e a denúncia de criminosos que ameaçam a população haitiana.

As atividades de Operações Psicológicas são rotina em todas as forças militares regulares do mundo. Atualmente, o DOP Haiti concentra seu trabalho no emprego da Técnica do Contato Pessoal, com apoio de intérpretes. Tal técnica auxilia na conquista do apoio dos moradores. Muitos desejam ser ouvidos e procuram os militares para relatar seus problemas. Nessas oportunidades, são realizados esclarecimentos sobre o trabalho dos militares.
A mudança de comportamento observada nos moradores é imediata. No início, havia apenas alguns poucos cumprimentos por parte das crianças. Após a realização das ações e a disseminação dos produtos de Operações Psicológicas, podem ser vistas demonstrações de cordialidade também por parte dos adultos, como acenos, sinais de positivo com a mão, e sorrisos. Muitos também reagem positivamente às músicas tocadas pela Viatura Alto Falante, e cantam e dançam ao ritmo das canções.

(Com informações do BRABATT)

14 Outubro 2009

As SS de Hugo Chávez

O presidente oficializa sua milícia com contingente superior ao do Exército nacional. Como as similares fascistas, ela só obedecerá ao caudilho

Duda Teixeira - Veja

O presidente Hugo Chávez deu um largo passo em seu projeto de implantar uma ditadura fascista na Venezuela. Na semana passada, a Assembleia Nacional, dominada por seus partidários, aprovou uma reforma da legislação sobre as Forças Armadas cujo objetivo foi equiparar as milícias de Chávez aos militares do país. Já no próximo ano, esses arruaceiros fardados terão salário fixo, armamento e poder de destruição comparáveis aos do Exército regular. A existência de uma tropa de choque à margem das instituições e diretamente ligada ao líder supremo é uma característica do fascismo. Adolf Hitler chegou a ter duas milícias distintas, cujas ações incluíam maltratar os judeus, dispersar comícios esquerdistas e empastelar jornais. Depois de assumir o poder, ele mandou destruir uma delas, a SA, por causa de desavenças dentro do partido nazista. A outra, a famigerada SS, recebeu armamento pesado e se tornou executora dos abomináveis crimes do regime. O italiano Benito Mussolini contava com os camisas-negras para torturar oposicionistas e acabar com greves. Foi marchando à frente de seus milicianos que ele chegou a Roma para tomar o poder.

Na Venezuela, o presidente Hugo Chávez conta com mais de uma dúzia de grupos armados clandestinos, os "coletivos". Todos esses bandos serão reunidos numa só organização, a milícia bolivariana. O efetivo previsto é de 1 milhão de milicianos – mas pode ser muito maior. Nos manuais do PSUV, o partido criado para apoiar Chávez, a meta é montar 200.000 pelotões, com no mínimo vinte membros em cada um, o que somaria ao menos 4 milhões de pessoas. Se a cifra mais conservadora se confirmar, as milícias seriam cinco vezes maior que o contingente das Forças Armadas, em torno de 200 000. Pela televisão, Chávez deu exemplos do armamento da milícia. A lista inclui morteiros, fuzis, lança-foguetes capazes de derrubar helicópteros e armas para franco-atiradores, de longo alcance e mira noturna. Os milicianos bolivarianos poderão ainda dirigir veículos militares e exercer funções de inteligência.

A capacidade de intimidação da nova milícia será muito superior à dos grupos atuais, que só dispõem de pistolas e bombas de gás lacrimogêneo. Em 2007, esses bandos invadiram universidades e dispararam contra os estudantes que protestavam contra o fechamento do canal RCTV. Neste ano, lançaram bombas de gás lacrimogêneo na missão do Vaticano, depredaram a sinagoga de Caracas, atacaram a sede do canal de televisão Globovisión e tomaram a prefeitura da capital, o que impediu até hoje que o prefeito oposicionista Antonio Ledezma entrasse no prédio. Ao levantar a folha de pagamento do prefeito anterior, um chavista, Ledezma descobriu que havia 8.000 funcionários sem nenhuma função. Muitos deles eram conhecidos integrantes dos grupos armados.

O coronel tem pressa. Em 2007, sua proposta de incluir as milícias na Constituição foi rejeitada nas urnas. O presidente ignorou a vontade popular e baixou um decreto no ano passado autorizando o recrutamento de milicianos. Apresentada na Assembleia, a proposta de reformar a lei foi aprovada em cinco dias. "Chávez quer se preparar para a batalha que começará com as eleições legislativas no ano que vem", disse a VEJA a advogada venezuelana Rocío San Miguel, especialista em defesa e direito internacional. "Com a aprovação da lei, os recursos para as milícias podem entrar no orçamento de 2010", afirma Rocío. A maioria chavista no Congresso é consequência do boicote oposicionista às eleições de 2005. Chávez não quer correr o risco de que o eleitorado possa mudar a composição do Legislativo nas eleições de dezembro de 2010. "A milícia terá uma missão absolutamente revolucionária", diz o coronel. "Será uma força para a guerrilha urbana e para a guerrilha rural, nas montanhas." Deve-se sempre esperar o pior de Chávez.

Malvinas recebem caças rejeitados por Brasil

Roberto Godoy - O Estado de S.Paulo

O mais poderoso caça da União Europeia, o Typhoon, foi descartado pelo Comando da Aeronáutica do Brasil logo na primeira fase do programa F-X2 - a escolha direta dos novos aviões de combate de tecnologia avançada para a aviação militar. O Eurofighter era caro demais e o consórcio construtor, formado por quatro países - Grã-Bretanha, Alemanha, Itália e Espanha - não contemplava a ampla transferência de tecnologia exigida no processo de seleção.

Ainda assim, o grande supersônico vai operar no Atlântico Sul. Há pouco mais de duas semanas, quatro deles chegaram à formidável base britânica de Mount Pleasant, nas ilhas Falklands/Malvinas, de onde serão lançados para cumprir missões de vigilância armada e monitoramento do espaço aéreo austral. Os ingleses, e também seus aliados americanos, temem a utilização das rotas antárticas como linha de trânsito clandestino do terrorismo internacional e do tráfico de armas.

Os Typhoon saíram do complexo da Royal Air Force (RAF) em Coningsby, em 12 de setembro, acompanhados por um cargueiro que transportou peças e pessoal técnico. O voo teve apenas uma escala, na Ilha de Ascensão. Ao longo da viagem os caças foram reabastecidos em voo.

O centro de defesa de Mount Pleasant foi criado em 1982, três dias depois do fim da guerra entre britânicos e argentinos pela posse das ilhas. O custo inicial de instalação era estimado em US$ 158 milhões. Em 2007 os investimentos chegavam a US$ 523 milhões. As ilhas têm 2.300 habitantes civis.

A base abriga 1.650 militares da Marinha, Exército e Aeronáutica. Há navios, radares digitais, mísseis antiaéreos e um atracadouro capaz de receber submarinos nucleares, aviões Hércules EC-130 de monitoramento eletrônico, helicópteros antissubmarinos, uma fragata lança-mísseis, lanchas torpedeiras, um jato de reabastecimento em voo e, agora, os caças mais modernos da Grã-Bretanha.

O custo de manutenção dos serviços bate em US$ 3,9 milhões por semana, de acordo com o último dado disponível, revelado em 2006. Segundo Derek W. um ex-oficial britânico que atuou na área e hoje vive no Uruguai, a rotina da base começa às 6 horas da manhã. "Faz frio o ano todo nas 700 ilhas e afloramentos; no verão isso pode significar temperatura média de 8 graus - no inverno as marcas são negativas", conta.

Venezuela doa caças para a força aérea do Equador

Roberto Godoy - O Estado de S.Paulo

SÃO PAULO - O presidente Hugo Chávez, da Venezuela, doou seis supersônicos Mirage-50 à aviação militar do Equador. Os aviões, comprados da França há pouco mais de 30 anos na versão III, foram revitalizados, recebendo o motor e o radar do tipo 50. Toda a frota de 22 caças foi desativada em julho por determinação de Chávez. Os jatos entregues à força aérea equatoriana passaram por revisão.

Chávez ofereceu ao governo de Rafael Correa linha de crédito para comprar 12 caças usados Atlas-Cheetah, uma configuração do Mirage III desenvolvido pela África do Sul. O lote completo - mais peças, documentação e componentes - é estimado em US$ 90 milhões. O ministro adjunto de Relações Exteriores de Quito, Lautaro Pozo, disse que há outras ofertas em avaliação, referência indireta a aeronaves desse tipo disponíveis em Israel e no Paquistão.

O Equador já empregou esse modelo de caça. Atualmente, só duas unidades estão em condições de uso limitado: ambas estariam voando sem os radares.Os jatos Mirage-50 cedidos pela Venezuela tem cinco anos, no mínimo, de vida útil. Levam 4,4 toneladas de cargas de combate. Têm autonomia de 2,4 mil quilômetros e voam a 2.200 km/h. O processo de transferência será acompanhado por mecânicos e pilotos venezuelanos.

Esquadrão Pelicano, 50 anos salvando vidas

Marcelo Ambrosio - Jornal do Brasil

A coluna de hoje é dedicada a pessoas que nós jornalistas aprendemos a respeitar sempre que nos deparamos com situações de alto risco. Em dois dos últimos graves desastres aéreos no Brasil, o acidente com o voo 1907 da Gol e o desaparecimento do Airbus A330 da Air France, os militares do Esquadrão Pelicano (2º do 10º GAV da FAB) passaram por situações de impressionante periculosidade. E isso é parte do trabalho cotidiano de um grupo que está completando 50 anos de serviços prestados, com centenas de resgates bem sucedidos. O lema "Para que outros pudessem viver" reflete bem a realidade de um tipo de operação realizada sempre sob fortíssima dose de carga emocional, envolvida na expectativa por informações e sobreviventes.

Cito esses dois casos como os mais recentes, que estão na memória. No do Boeing 737-900 da Gol, a localização dos destroços foi rápida, mas a dificuldade para se resgatar os corpos foi enorme. Foi necessário descer homens por rapel, de helicóptero – uma ação treinada com frequência e que amplia as possibilidades de êxito em caso de resgate – no meio da selva fechada para abrir caminho às equipes de remoção.

É sempre assim; a primeira observação, a primeira abordagem, o primeiro socorro é sempre com esse pessoal. Não importa com que tempo ou em que condições de ação.

Eles se viram. No caso, a situação no ambiente, com pedaços do jato – que não explodiu – espalhados nas árvores ou enterrados, tornava o local horrível e a tarefa sobrehumana.

O outro episódio que recordo ainda é uma ferida aberta. No desaparecimento misterioso do Airbus A330 da Air France sobre o Atlântico, nas primeiras horas do dia 1º de junho, os pelicanos foram os primeiros a serem acionados e decolaram (são duas bases, Campo Grande e Florianópolis) ainda de madrugada para tentar localizar num mundo de água alguma esperança de sobreviventes. No escuro, com mau tempo, sem referências visuais, apenas o último registro da rota, e contra todas as regras de bom senso, as tripulações das aeronaves de busca e resgate esquadrinharam o mar antes das luzes da manhã. Levavam com eles a expectativa da mídia e de dois países com o coração em suspenso.

Os resultados foram trágicos, é verdade.

Mas se houvesse alguém vivo ainda, fica a certeza de que o máximo foi feito para encontrar.

Assisti ao DVD comemorativo sobre as ações dos pelicanos, produzido e enviado por um amigo, jornalista e militar, integrante do grupo. O que me chama a atenção é a descrição que os sobreviventes de acidentes, principalmente com aviões pequenos, fazem do resgate. Quem voa ou já voou na Amazônia em teco-tecos sabe que em uma queda, em três dias a floresta começa a apagar os sinais. Sobreviver ao desastre já é uma sorte, escapar da queda de destroços presos muitas vezes em árvores de 30 metros de altura mais ainda. E ser localizado num inferno verde e escuro como esse é quase um milagre.

Ainda assim, o olhar treinado dos observadores que se debruçam nas grandes janelas em forma de bolha consegue capturar um brilho metálico diferente aqui, uma galharia quebrada de forma estranha ali. Posso dizer, já que participei da busca a um piloto sumido nas selvas do Tumucumaque, no Amapá, que é preciso ter olhos muitíssimos afiados para achar alguma coisa. O brilho que cintila pode ser o de um igarapé, por exemplo. Mas quem é treinado sabe distinguir o reflexo da água do que é metal.

É preciso tem também muito sangue-frio para agir quando se localiza o avião desaparecido. Quando aquele Boeing da Varig caiu no Mato Grosso, nos anos 80, uma das coisas que mais me impressionaram foi o fato de os pilotos de helicóptero da FAB terem decidido decolar no escuro para tentar salvar uma das sobreviventes, uma menina gravemente ferida. O esforço e o risco valeram a pena, já que ela escapou sem sequelas. Fica aqui essa singela homenagem

Prioridade para a Amazônia

Reforçar a segurança nas fronteiras brasileiras a oeste, na Região Amazônica, é prioridade para o Brasil

Carlos Célio de Sousa/Paola Vasconcelos - Diário do Nordeste

Os olhos do mundo, pelo imenso potencial e riquezas, voltam-se para a Amazônia. E é para resguardar esse patrimônio, que é sempre alvo de interesses diversos, que o Brasil pretende dobrar o número de unidades de vigilância do Exército na fronteira da Amazônia nos próximos dez anos. Trata-se do segundo chamado para a região. Pela segunda vez, o Governo Federal quer mais brasileiros na Amazônia. Tanto civis como militares.

Para mais um esforço nacional de defesa, os brasileiros estão sendo chamados para a Amazônia. O primeiro chamamento foi há 67 anos, quando a Amazônia Legal era "invadida" por cerca de 60 mil sertanejos - quase todos nordestinos . Foram denominados "Soldados da Borracha". Em 1945, já no fim da II Guerra Mundial, cerca de 30 mil seringueiros haviam desaparecido na selva. Atenderam o governo e foram esquecidos.

Os cearenses Hipólito Pereira da Silva e sua mulher, Paulina Pereira da Silva, por exemplo, morreram sem sequer saber que ajudaram a produzir uma média de 800 mil toneladas de borracha por ano.

Transferência

Ações como a transferência de unidades militares de várias regiões do País para a Amazônia também fazem parte desse chamamento. O Ceará perdeu, no final de 2001, o 10º Grupo de Artilharia de Campanha (GAC) para Rondônia, e muitas outras unidades militares do Sul e Sudeste do País também se transferiram para a Região Amazônica. O objetivo é reforçar a segurança nas fronteiras brasileiras a oeste, diante do esvaziamento demográfico das áreas mais remotas e a intensificação das práticas ilícitas na região.

Enquanto as preocupações mais agudas do Ministério da Defesa estão no Norte, no Oeste e no Atlântico Sul, hoje, as principais unidades do Exército estão situadas no Sudeste e no Sul do Brasil. Já a esquadra da Marinha concentra-se no Rio de Janeiro e as instalações tec-nológicas da Força Aérea estão quase todas em São José dos Campos, São Paulo.

Apesar disso, as Forças Armadas Brasileiras ainda são a mais efetiva presença do Estado Brasileiro na região amazônica.

A ocupação militar dessa área, conforme o Ministério da Defesa, é uma das diretrizes da Estratégia Nacional de Defesa, lançada no final do ano passado. No entanto, muitas outras políticas, como o Programa Calha Norte, vinham sendo realizadas antes com esse objetivo.

Controle, mobilidade e presença é o tripé que sustenta a defesa da Amazônia a partir da nova estratégia. Conforme a assessoria de imprensa do Ministério da Defesa, o governo brasileiro pretende dobrar o número de unidades de vigilância do Exército na fronteira Amazônia na próxima década. A meta, segundo o setor, é construir 28 novos Pelotões Especiais de Fronteira (PEFs) em áreas indígenas entre 2010 e 2018. No mesmo período, o Ministério da Defesa e o Exército também querem modernizar os 21 pelotões que já garantem a defesa da região.

Pelas estimativas iniciais do Ministério, será necessário R$ 1 bilhão para construir os novos pelotões que ficarão localizados em 28 municípios dos seis estados amazônicos. Outros R$ 140 milhões serão demandados para adequar a infraestrutura dos já existentes.

Atualmente, o Exército tem 124 organizações militares em 58 localidades da região amazônica. A Marinha tem dois distritos navais (Manaus e Belém) e 11 capitanias/delegacias. A Aeronáutica, um Comando Aéreo, sete bases aéreas e quatro unidades áreas.

Reforço

A Marinha, segundo a assessoria do Ministério, também receberá um reforço na região amazônica. A meta é criar mais dois batalhões de operações ribeirinhas, um em Tabatinga (AM) e outro em Ladário (MS). Além disso, um Sistema de Gerenciamento da Amazônia, que prevê a instalação de 33 capitanias, delegacias e agências.

Para a FAB, será necessário adquirir aeronaves de caça, desenvolver aeronaves de transporte de reabastecimento em voo, estruturar e lançar veículo lançador de satélites, modernizar o Centro de Lançamento de Alcântara, fabricar veículos aéreos não tripulados e, ainda, adquirir helicópteros.

LITORAL BRASILEIRO

Áreas do pré-sal demandam reforço

Com as recentes descobertas do petróleo na camada de pré-sal do litoral brasileiro, os olhos do mundo estão novamente voltados para o Brasil, o que demanda também reforço na defesa.

Para instituições como o Centro Brasileiro de Solidariedade aos Povos e Luta pela Paz (Cebrapaz), a utilização, pelos Estados Unidos (EUA), de bases militares na Colômbia e a reativação da sua Quarta Frota da Marinha de Guerra que circula em mares de países da América Latina representam risco.

Estratégia

Isso porque, conforme artigo do diretor do Cebrapaz, Rubens Diniz, o fato está diretamente relacionado com as recentes descobertas das reservas de petróleo do pré-sal. Segundo ele, a complexa rede de localizações avançadas, Frota Naval (Quarta Frota) e radares, faz com que os EUA tenham o controle do espaço aéreo das fronteiras brasileiras, além de ocuparem posições estratégicas no oceano Atlântico, na faixa onde está localizado o pré-sal, e nas fronteiras da Amazônia brasileira.

A grande dúvida é se, com o reforço de defesa na região amazônica, existe a possibilidade de o restante do País ficar descoberto, vulnerável a riscos. Segundo o Ministério da Defesa, a Estratégia Nacional de Defesa definiu como objetivos estratégicos e táticos da Marinha a negação do uso do mar a qualquer concentração de forças inimigas que se aproxime do Brasil por via marítima, o controle de áreas marítimas e a projeção de poder.

Esses objetivos têm como focos a defesa das plataformas petrolíferas, das instalações navais e portuárias, dos arquipélagos e das ilhas oceânicas nas águas jurisdicionais brasileiras e a prontidão para responder à ameaça. No entanto, para cumprir esses objetivos, a Marinha brasileira terá de contar com força naval submarina de envergadura - submarinos convencionais e de propulsão nuclear - e deve dobrar o efetivo, estabelecido hoje em 50 mil militares. Com relação ao retorno da Quarta Frota, o Ministério da Defesa avalia que se trata de uma reorganização administrativa feita pela Forças Armadas dos Estados Unidos e não representa risco ao País.

ANÁLISE

Vigilância e proteção para a soberania

O Diário do Nordeste publicou, na semana passada, reportagem sobre a urgência da compra de 34 aviões caças, quatro submarinos convencionais e um atômico - além de receber transferências de tecnologias. Na verdade, há mais que uma urgência. Com o programa do petróleo extraído do pré-sal, a vigilância da Marinha de Guerra Brasileira tem de cuidar da segurança de 3,5 milhões de quilômetros quadrados do nosso mar territorial.

Mas há um componente adicional preocupante: a reativação, neste ano, da Quarta Frota Naval dos Estados Unidos da América. Significa que, além dos satélites espiões que esquadrinham nosso País e outros vizinhos, a frota dos Estados Unidos estará monitorando comunicações de civis e militares de toda a América Latina, Central e Caribe, como já aconteceu no passado.

A presença americana na Colômbia, com duas bases aéreas e a expectativa de construir mais cinco, deixa em desequilíbrio as forças armadas da América Latina e de países vizinhos. Um exemplo é a precisão das comunicações com os caças que combatem as Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia. Permitem que o inimigo seja eliminado com um míssil ao desligar o celular. Mesmo processo que já matou líderes da Al Qaeda, no Iraque.

Com a construção de mais cinco bases aéreas e a presença da Quarta Frota, as Américas Latina e Central, por exemplo, terão de encontrar novos caminhos em termos de comunicações e combate. O Exército Brasileiro, como já vem fazendo, deve aumentar as Brigadas e Infantaria de Selva, porque o terreno, na Amazônia, onde apenas 2% dos raios solares incidem, não permite uma guerra convencional, mas em formato de guerrilha.

Por isso, transferir tropas do Nordeste, Sul e Sudeste do País, garantindo 7.727 quilômetros quadrados de fronteiras secas a Oeste do Brasil, é uma decisão importante do Ministério da Defesa e das Forças Armadas do Brasil.

Trabalho aprova doação de aviões do tipo Tucano para o Paraguai

O deputado Sandro Mabel apresentou parecer favorável ao projeto

Laycer Tomaz - Jornal da Câmara

A Comissão de Trabalho, de Administração e Serviço Público aprovou na quarta-feira (7) o Projeto de Lei 5234/09, do Poder Executivo, que autoriza o Brasil a doar ao Paraguai três aviões do tipo Tucano T-27, de fabricação brasileira. O equipamento será utilizado pela Força Aérea Paraguaia para combater o tráfego de aeronaves envolvidas em atividades ilícitas transnacionais. 

Os aviões pertencem à Força Aérea Brasileira (FAB) e são de um tipo que está sendo recolhido depois que a FAB recebeu os Super Tucano AT-29, mais avançados e adequados às atividades de controle do espaço aéreo.

Progresso da humanidade

O relator na comissão, deputado Sandro Mabel (PR-GO), apresentou parecer favorável ao projeto. Ele lembra que a Constituição estabelece que o Brasil deve "promover a cooperação entre os povos para o progresso da humanidade".

Mabel argumenta que, se determinados bens se tornaram superados em face do desenvolvimento tecnológico e o País já possui equipamentos mais modernos, é razoável que o Brasil doe a uma nação amiga bens que lhe serão úteis. Na avaliação do parlamentar, são claros os benefícios com a doação, com destaque para o reforço do bom relacionamento entre o Brasil e o Paraguai.

Fronteiras

Os Tucanos T-27 já são operados pela Força Aérea Paraguaia e, segundo o relator, adequam-se perfeitamente à vigilância das fronteiras por meio do policiamento do espaço aéreo. A proposta é relacionada ao Acordo de Cooperação Mútua assinado em fevereiro de 2000 entre os dois países.

Segundo o governo, os benefícios econômicos dessa doação compensam e superam os que poderiam ser obtidos com a venda dos equipamentos. As aeronaves serão doadas no estado em que se encontram e as despesas com o seu traslado serão pagas pelo Paraguai.

Tramitação

O projeto, que tramita em caráter conclusivo, já foi aprovado em setembro pela Comissão de Relações Exteriores e de Defesa Nacional e pela Representação Brasileira no Parlamento do Mercosul em junho. Ele ainda será analisado pela Comissão de Constituição e Justiça e de Cidadania (CCJ).

Governo quer doar aeronaves a vizinhos na América Latina

Presidente utiliza equipamentos que devem sair de linha para fazer diplomacia com regimes da esquerda latino-americana Lula enviou ao Congresso pedido de autorização para transferência; Ministério da Defesa argumenta que doações "estreitam laços"

RANIER BRAGON
DA SUCURSAL DE BRASÍLIA - Folha de S.Paulo

O governo Lula encaminhou nesta semana ao Congresso Nacional pedido que, se atendido, resultará na autorização da doação em todo o seu mandato de pelo menos 27 aeronaves a outros países, em especial Bolívia, Equador e Paraguai.

Lula enviou na quarta-feira dois projetos de lei em que manifesta intenção de transmitir gratuitamente quatro helicópteros e um avião da Força Aérea Brasileira à Bolívia e ao Equador, pedido que se soma a outro, feito em maio, que pretende beneficiar o Paraguai com três aviões de ataque.

Bolívia e Equador, que estão entre os principais destinatários das doações, fazem parte da Alba, a aliança regional de esquerda liderada pelo presidente da Venezuela, Hugo Chávez, que cedeu aviões ao governo do boliviano Evo Morales. Há alguns dias, Chavez fechou acordos de cooperação com o Equador, de Rafael Correa.

As doações pretendidas pelo governo foram defendidas pelo ministro da Defesa, Nelson Jobim, sob o argumento, entre outros, de que os atos reforçarão o bom relacionamento com os países beneficiados, "estreitando ainda mais os laços de cooperação mútua".

No documento assinado por ele, e que acompanha os projetos, Jobim argumenta que a FAB possui exemplares mais modernos e econômicos e que a medida evitará gastos de manutenção, já que as aeronaves que serão doadas estão desativadas ou serão substituídas.

Antes de Lula, a Folha localizou nos registros da Câmara dos Deputados doação só nos governos de Itamar Franco (1992-1994) e de Emílio Garrastazu Médici (1969-1974), quando o Congresso autorizou a cessão de monomotores à Bolívia e ao Paraguai
.

A primeira doação do governo Lula foi autorizada com a aprovação de lei em 2004 para o Senegal.

Os três projetos que tramitam no Congresso preveem a doação de três aviões de treinamento e ataque para o Paraguai, quatro helicópteros para a Bolívia e um avião de transporte de tropas ao Equador.

A doação para o Paraguai já foi aprovada por unanimidade por três comissões do Congresso. "A iniciativa se coaduna com os princípios constitucionais que norteiam as relações internacionais do Brasil", escreveu em seu relatório o deputado Aldo Rebelo (PC do B-SP), da Comissão de Relações Exteriores da Câmara.

Procurada ontem pela manhã, a assessoria do Ministério da Defesa informou à noite que não conseguiria responder a tempo aos questioname
ntos.

O brigadeiro José Carlos Pereira, ex-presidente da Infraero, afirmou que todas as doações autorizadas pelo Congresso foram efetivadas: "Essas doações têm um certo caráter imperialista. Eu me lembro que um dos primeiros aviões que usei foi um F-80 doado pelos EUA, vindo da Guerra da Coreia [1950-53], todo furado de bala. Mas os que nós doamos não, foram todos revisados, estavam em perfeita condição".

Brasil finaliza agora processo de aquisição de 36 caças. Na disputa, estão modelos da França, da Suécia e dos EUA.

''Brasil precisa ter uma política de defesa''

Clóvis Brigagão: cientista político da Universidade Cândido Mendes; para analista, Brasil está "mudando de padrão internacional", mas ainda tem problemas a resolver pela frente

Wilson Tosta, RIO - O Estado de S.Paulo

O cientista político Clóvis Brigagão, da Universidade Cândido Mendes, não vê exagero na ideia de que o Brasil está ganhando importância internacional. "De uma espécie de baleia, está se transformando num peixe mais ágil", diz. Pondera, porém, que o País não deve virar "uma superpotência".

Em entrevista ao Estado, Brigagão aponta ainda rumos a corrigir. "O Brasil precisa ter uma política de defesa."

O que há de exagero e verdade sobre crescimento da importância do País nas relações internacionais?

Acho que o Brasil está mudando de padrão internacional. Vamos usar uma figura: de uma espécie de baleia, está se transformando num peixe mais ágil. Não digo que seja um tubarão, mas um peixe mais ágil nesse mar internacional. Estou usando a imagem em função da questão do pré-sal, que vai ter um padrão diferente, e também pela necessidade de, em função deste pré-sal, o Ministério da Defesa reaparelhar num padrão mais alto as Forças Armadas, principalmente a Marinha, com submarinos convencionais e de propulsão nuclear. Se adquirirmos esses equipamentos, junto com o pré-sal, com novas compras que o Brasil vai fazer junto à França, aos Estados Unidos ou à Suécia, isso reequipa o Brasil para um status mais alto. Não digo que vá virar uma superpotência, mas vai adquirir uma postura.

O País estaria virando uma potência média?

O Brasil já é uma potência média, no sentido econômico. Está entre os Brics, dirige o G-20, foi incorporado ao G-8, está querendo assumir uma cadeira no Conselho de Segurança, é um ator global, no sentido econômico estratégico. Agora, está alçando um voo um pouco mais alto, com essa questão da ligação entre a descoberta do pré-sal e um sistema de defesa mais elevado, mais sofisticado.

Temos condições de dar conta de tudo isso no plano internacional?

Temos. Talvez o que nos falte seja gestão de recursos humanos. O Itamaraty tem os seus mil e tantos diplomatas experientes, profissionais, está formando cem por ano, mas isso é pouco para o que o Brasil pretende ser como ator global. Então, é preciso formar mais profissionais na área econômica, na área tecnológica, na área política, na área das missões de paz, na área do multilateralismo. Além do Itamaraty, têm de entrar as universidades e as corporações empresariais.

A ideia de um Brasil mais assertivo nas relações internacionais, então, não é megalomania?

Não, não é megalomania não. Isso é coisa do atual governo? É do atual governo, porque é mais ativo, mas é dos governos do Brasil, mais recentes, e também de todos os para trás. É uma política de Estado.

As compras de armas fazem sentido, do ponto de vista estratégico?

O que o Brasil precisa é ter uma política de defesa. Temos ainda uma política do Exército, uma da Marinha e uma Aeronáutica que toma conta de aeroporto. Temos que ter uma política de defesa integrada - os nossos objetivos são esses.

O senhor acha que há uma corrida armamentista na região?

Não acho, mas está havendo uma capacidade de compra das Forças Armadas, o que pode levar a uma corrida. Um vai querer igualar o outro.

Proibição de cortes no orçamento da Defesa

Projeto aprovado pela Comissão de Constituição e Justiça impede governo de contingenciar verbas das Forças Armadas por um prazo de dez anos
 
Jornal do Senado
 
A Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) aprovou proposta de emenda à Constituição (PEC 53/04), de Marcelo Crivella (PRB-RJ), que obriga o governo federal a repassar às Forças Armadas, durante dez anos, todos os recursos previstos no Orçamento da União para os programas de reaparelhamento, modernização, pesquisa e desenvolvimento tecnológico. Além do contingenciamento dos recursos do Orçamento, o texto proíbe ainda a formação de reservas de contingência com recursos dos fundos vinculados às instituições militares.

Além de recomendar a aprovação da PEC 53/04, o relator, Pedro Simon (PMDB-RS), pediu a rejeição da PEC 85/03, de Demostenes Torres (DEM-GO), que tramitava em conjunto, por entender que a medida enfrentaria muitas dificuldades ao proibir o contingenciamento de recursos por tempo indeterminado em favor de apenas um segmento de governo. Além disso, Simon observou que a proposta de Crivella é mais abrangente por vedar ainda a limitação, pelo governo, das aquisições, com recursos de financiamentos externos, de bens e serviços destinados às Forças Armadas.

Ainda pela proposta, o orçamento anual das Forças Armadas deverá prever recursos suficientes para o cumprimento integral dos pagamentos previstos nos contratos de financiamento externo, inclusive os da contrapartida nacional.

Tanto Marcelo Crivella quanto Demostenes Torres argumentam que a histórica falta de recursos para investimento sucateou os equipamentos e estagnou a pesquisa tecnológica na área militar, colocando o país em situação desfavorável perante a comunidade internacional.

Congresso ouve as três empresas concorrentes

Isabel Fleck - Correio Braziliense

Representantes das três empresas concorrentes no programa F-X2 da Força Aérea Brasileira (FAB) terão de explicar, hoje, aos deputados da Comissão de Ciência e Tecnologia, Comunicação e Informática da Câmara que tecnologias pretendem transferir ao Brasil. A audiência pública, marcada para as 9h, reunirá, pela primeira vez, o diretor da Dassault International do Brasil, Jean-Marc Merialdo; o vice-presidente do programa F-18 da Boeing, Robert Gower; e o diretor da Saab no Brasil, Bengt Janér. O ministro da Defesa, Nelson Jobim, e o diretor-presidente da Embraer, Frederico Fleury Curado, foram convidados para o encontro, mas, aparentemente, optaram por não se envolver no debate.

As três empresas entregaram, no último dia 2, as propostas finais ao comando da FAB. A expectativa é de que o relatório técnico sobre as ofertas fique pronto este mês — o documento será encaminhado a Jobim e ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Representantes dos governos envolvidos e da Dassault, Boeing e Saab, que disputam, respectivamente, com os caças Rafale, F-18 Super Hornet e Gripen NG, têm falado, cada vez mais, à imprensa e aos parlamentares sobre suas propostas.

Há duas semanas, por exemplo, o chefe de Estado-Maior da França, Edouard Guillaud, e o secretário de Estado de Defesa da Suécia, Hákan Jevrell, compareceram, em sessões separadas da Comissão de Relações Exteriores do Senado.

Tecnologia

Na audiência de hoje, os deputados vão voltar o foco para a questão da transferência de tecnologia —colocada pelo governo brasileiro como item fundamental. "Todo mundo fala que vai transferir tecnologia e, agora que já foram fechadas as propostas, nós queremos saber objetivamente o que cada um vai transferir", afirma o deputado Emanuel Fernandes (PSDB/SP), autor do requerimento da audiência. Engenheiro aeronáutico formado pelo Instituto Tecnológico de Aeronáutica (ITA), Fernandes disse que reuniu um grupo de colegas de faculdade que "trabalham no setor" para saber que tipos de tecnologia o Brasil precisa considerar na hora da escolha. "As pessoas escondem muitas tecnologias, sobretudo as relativas a armamentos", destaca.

O presidente da Comissão, Eduardo Gomes (PSDB/TO), esclarece que a "intenção" é "deixar registradas as informações" sobre transferência de tecnologia. "Ninguém vai entrar em questões concorrenciais, nem que seja obrigação exclusiva do Executivo, mas é preventivo e pedagógico que o Congresso Nacional, por meio de uma comissão de mérito, deixe registrado tudo publicamente, sem nenhum tipo de interpretação, que penda para um lado ou para o outro", diz Gomes. Para o deputado, o fato de os três concorrentes participarem da audiência garantirá mais transparência. "Os concorrentes terão, efetivamente, condições iguais para deixar registrado o que pretendem fazer com a transferência de tecnologia."

Nações Unidas renovam missão de paz no Haiti

Conselho de Segurança recomenda apoio para eleições de 2010

Marília Martins Correspondente - O Globo

NOVA YORK. O Conselho de Segurança da ONU aprovou ontem, por unanimidade, a prorrogação por mais um ano da Missão da ONU para a Estabilização do Haiti (Minustah), liderada pelo Brasil. Os 15 membros do conselho consideraram que ainda existe "ameaça para a paz e a estabilidade na região e que, por isto, os esforços da missão continuam sendo necessários".
 
A resolução elogia o trabalho das tropas da ONU, mas recomenda mudanças. Entre elas, a necessidade de reforçar a polícia haitiana, sobretudo em regiões de mais difícil acesso, e de apoiar o processo político para a realização de eleições em 2010. O Brasil lidera atualmente uma força de paz que conta com nove mil soldados, enviada em 2004, após a queda do presidente Jean-Bertrand Aristide.
 
Nestes cinco anos, 13 mil soldados brasileiros já estiveram no Haiti. Hoje, há 1.298.
 
— O balanço do nosso trabalho foi muito positivo e, com isto, ampliou-se o apoio à liderança do Brasil numa missão importante da ONU. A liderança brasileira recebeu apoio unânime não só dos membros do conselho como também de todos os países que participam com soldados na missão de paz — avaliou Maria Luíza Viotti, embaixadora do Brasil na ONU.

Segundo o Exército brasileiro, as tropas do país contribuíram para a "diminuição dos índices de criminalidade, retorno da liberdade de movimento em áreas em que esta era restrita e retorno da atividade comercial", antes restrita por gangues.

Ontem, foi também iniciada a investigação sobre o acidente aéreo que deixou 11 mortos, seis uruguaios e cinco jordanianos.

Eles participavam de missão de reconhecimento no Haiti quando o avião chocou-se com uma montanha. Especialistas da ONU participam das investigações.

Confrontos matam 45 talibãs e 2 soldados no Afeganistão

Cabul, 14 out (EFE).- Pelo menos 45 talibãs e dois soldados afegãos morreram em várias confrontos com tropas estrangeiras e locais no sul do Afeganistão, informou hoje o Governo.

Na província de Uruzgan, onde os fundamentalistas têm forte presença, os militares mataram 30 talibãs em uma ofensiva lançada ontem, segundo nota do Ministério do Interior. Outros 20 insurgentes ficaram feridos na mesma operação.

Já o Ministério da Defesa informou que 15 talibãs perderam a vida nas últimas 24 horas nas províncias de Zabul e Ghazni.

Quatro dos insurgentes morreram na explosão de uma mina que eles mesmos enterraram. Os outros foram mortos por soldados afegãos.

No entanto, dois militares perderam a vida e quatro ficaram feridos na explosão de uma segunda mina em Zabul, destacou o Ministério da Defesa.

Grã-Bretanha aumenta presença militar no Afeganistão

BBC Brasil
 
O primeiro-ministro britânico, Gordon Brown, anunciou nesta quarta-feira o envio de mais 500 soldados para reforçar o efetivo de 9 mil soldados que já se encontram no Afeganistão.
 
O contingente britânico só é menor do que o dos Estados Unidos - o presidente Barack Obama estuda o envio de reforços, mas ainda não se pronunciou oficialmente.

O general Stanley McChrystal, comandante das tropas internacionais no Afeganistão, pediu reforços de até 40 mil homens.

Até o momento, 221 britânicos já morreram em serviço no país, e Gordon Brown enfrenta pressões para repatriar parte do contingente.

Gordon Brown iniciou o seu discurso ao Parlamento nesta quarta-feira com a leitura dos nomes dos 37 militares que perderam a vida no Afeganistão desde o último pronunciamento de Brown na casa, em julho, no que ele afirmou ser um "momento solene" e que durou dois minutos.

O primeiro-ministro afirmou que, enquanto nada pode "apagar a dor" das famílias dos soldados, eles poderiam se orgulhar das ações de seus entes queridos e saber que a "influência" deles perdurará.

Analistas dizem que o envio de novas tropas deve ser cercado de exigências, como garantias de equipamentos para os soldados.

Em uma declaração depois do discurso no Parlamento, Brown afirmou que estava pronto para enviar, a princípio, 500 soldados para Helmand, no sul do país.

No entanto, ele acrescentou que o reforço depende de três fatores. De acordo com o primeiro-ministro é preciso ter certeza de que os soltados tem equipamentos e treinamento necessários.

Brown acrescentou que dois helicópteros Merlin serão enviados para Helmand em um futuro próximo e mais veículos blindados e outros equipamentos para enfrentar as bombas colocadas nas estradas.

Brown também insistiu que os países membros da Organização do Tratado do Atlântico Norte (Otan) também devem cumprir a sua "parte" da missão enviando mais soldados ao país e o governo afegão também precisa estar preparado para um aumento significativo da presença de seus próprios soldados em Helmand.

Reunião da Otan

Na semana que vem, os membros da Otan, deverão se reunir na Eslováquia para discutir o reforço no Afeganistão.
Militares elogiaram a decisão britânica, classificando-a de "corajosa".

"Estamos falando de mais um grupo de batalha, que quase certamente será anexada à Força Tarefa de Helmand, a principal área britânica na região central da província de Helmand, e deve dar aos comandantes poder de combate", disse à BBC o coronel Richard Kemp, um ex-comandante de tropas no Afeganistão.

Cerca de dois terços das tropas britânicas, que desembarcaram no país em 2001, estão na província de Helmand, considerada um reduto do Talebã.

O líder do Partido Conservador David Cameron e Nick Clegg, dos Liberais Democratas, também prestaram homenagem aos soldados mortos, mas também levantaram questões com o primeiro-ministro sobre aspectos da guerra no Afeganistão e o apoio aos soldados britânicos.

O envio de tropas ao Afeganistão é uma questão polêmica na Grã-Bretanha. Recentemente, o ex-chefe do Exército britânico, Richard Dannat, afirmou que o governo teria recusado o envio de mais 2 mil soldados neste ano, mas a informação foi desmentida por representantes do gabinete.

O militar atua como conselheiro do Partido Conservador para assuntos militares.

13 Outubro 2009

Coreia do Norte volta a preocupar

País dispara cinco mísseis depois de dizer que aceita voltar a negociar seu programa nuclear
 
Jornal do Brasil

A Coreia do Norte disparou cinco mísseis de curto alcance na sua costa leste e proibiu a navegação na região entre os dias 10 e 20 de outubro, disse ontem uma fonte governamental à agência sul-coreana de notícias Yonhap, sem que as autoridades sul-coreanas tivessem se manifestado formalmente a respeito.

Os últimos lançamentos de mísseis feitos pela Coreia do Norte até então haviam ocorrido há cerca de três meses. Os novos lançamentos confundem a comunidade internacional, já que o regime comunista norte coreano disse recentemente estar preparado para retomar as negociações multilaterais sobre o seu programa nuclear, insistindo que, antes, deva ocorrer um diálogo direto com os Estados Unidos.

O anúncio de ontem não deixou claro se se trataram de exercícios militares de rotina, mas os lançamentos coincidem com relatos de que os EUA poderiam enviar hoje seu porta aviões USS George Washington para o porto sul-coreano de Busan.

O recluso regime norte-coreano tem centenas de mísseis de curto alcance, com capacidade de atingir a capital da Coreia do Sul, Seul, e sua ampla região metropolitana, onde vivem 25 milhões de pessoas.

Em maio, a Coreia do Norte testou uma arma nuclear e vários mísseis balísticos, atraindo sanções internacionais. Analistas dizem que Pyongyang, em situação econômica desesperada, faz essas manobras para conseguir negociar termos mais benéficos em suas negociações com o exterior.

Uma resolução da ONU proíbe a Coreia do Norte de disparar mísseis balísticos, mas não há acordos internacionais que impeçam o país de testar mísseis de curto alcance.

Hillary

A secretária de Estado dos Estados Unidos, Hillary Clinton, reagindo aos relatos sobre os lançamentos de mísseis da Coreia do Norte ontem, disse que os EUA continuarão a trabalhar procurando uma península coreana livre de armas nucleares.

Ela afirmou ainda que os EUA e seus aliados tentavam demonstrar à Coreia do Norte que a comunidade internacional não aceitará a continuidade de seu programa nuclear.

– Nossos objetivos continuam os mesmos. Temos a intenção de trabalhar por uma península coreana livre de armas nucleares – disse Clinton durante uma conferência ontem, em Belfast.

Marinha encomenda mais 4 Navios-Patrulha a estaleiro nacional

Ministério da Defesa
 
Brasília - A Marinha do Brasil assinou contrato com o EISA – Estaleiro Ilha S/A, na cidade do Rio de Janeiro, para a construção de quatro Navios-Patrulha de 500 toneladas, destinados ao patrulhamento das Águas Jurisdicionais Brasileiras. O contrato, cujo extrato foi publicado no Diário Oficial da União de 7/10, tem duração de quatro anos. O primeiro navio tem entrega prevista para março de 2012, e os demais serão entregues a cada seis meses (Set/2012; Mar/2013; Set/2013). O custo total das quatro embarcações, incluídos os sistemas e subsistemas, será de R$ 174,4 milhões.

Em tempos de paz, as embarcações terão como tarefas fiscalizar o uso dos recursos do mar territorial, da zona contígua e da zona econômica exclusiva (ZEE), de 200 milhas; reprimir atividades ilícitas (pesca ilegal, contrabando, narcotráfico e poluição do meio ambiente marinho); contribuir para a segurança das instalações costeiras e das plataformas marítimas contra ações de sabotagem; e realizar operações de busca e salvamento na área de responsabilidade do Brasil. Em tempos de guerra, teria tarefas adicionais de proteção de áreas marítimas e costeiras e de instalações portuárias, entre outras.

A escolha de um estaleiro privado nacional para construir as embarcações, segundo a Marinha, está alinhada com a política governamental de incentivo à construção naval e de geração de empregos no País. Está também coerente com a diretriz da Estratégia Nacional de Defesa, que prevê as ações de Defesa como suporte ao projeto de desenvolvimento nacional, promovendo os objetivos estratégicos de capacitação nacional e de fortalecimento do parque industrial de tecnologia militar.

O EISA – Estaleiro Ilha S/A foi selecionado para a execução dessa obra por meio de Concorrência Pública regida pela Lei nº 8.666/1993, que institui normas para licitações e contratos da Administração Pública. A construção será realizada nas instalações do estaleiro, na cidade do Rio de Janeiro – RJ, e fiscalizada pela Diretoria de Engenharia Navalda Marinha, segundo mecanismos gerenciais e técnicos estabelecidos no Contrato de Construção, vinculados ao Edital de Licitação, baseados na boa prática da engenharia e conduzidos por uma equipe formada por profissionais com vasta experiência em construção naval militar.

Os quatro novos navios fazem parte de uma série de 27 embarcações, dentro do preconizado pela Estratégia Nacional de Defesa. Os dois primeiros desse conjunto já estão em construção no estaleiro Indústria Naval do Ceará S/A – INACE, sendo que o primeiro, o NPa "Macaé", deverá ser entregue e incorporado à Armada em 9 de dezembro de 2009. Ambos foram projetados pela empresa francesa "Constructions Mécaniques de Normandie" – CMN, e possuem as seguintes características:
- Comprimento total: 54,20 m;
- Boca moldada: 8,00 m;
- Calado máximo: 2,48 m;
- Deslocamento carregado: 500 t;
- Velocidade máxima mantida: 21 nós;
- Tripulação: 35 + acomodações extras para 8; e
- Armamento: 1 canhão de 40 mm e 2 metralhadoras de 20 mm.

11 Outubro 2009

França pode comprar aviões militares dos EUA, diz relatório





James Regan

PARIS (Reuters) - A França está considerando comprar aviões militares não-tripulados da empresa norte-americana General Atomics, a fim de cumprir com uma necessidade urgente de vigilância aérea defensiva, informou neste domingo a revista Le Point em seu website.

A opção que está sendo avaliada levaria a França a adquirir quatro aeronaves Predador B e duas estações para receber e processar imagens por um custo de até 100 milhões de dólares, informou a revista.

As conversas ocorrem enquanto dois aviões da frota Harfang da força aérea francesa permanecem em terra à espera de reparos, assinalou a Le Point.

A França buscou os Estados Unidos para uma solução temporária, já que seria mais rápido do que esperar uma alternativa européia, afirmou a publicação.

08 Outubro 2009

Jobim questiona promessa francesa de transferência integral de tecnologia para caças


 

CIRILO JUNIOR
 no Rio

O ministro Nelson Jobim (Defesa) questionou nesta quinta-feira a promessa feita pelo presidente da França, Nicolas Sarkozy, de que a Dassault vai transferir 100% de tecnologia se vencer a licitação para fornecer caças para a FAB (Força Aérea Brasileira). Ele lembrou que a Dassault é uma empresa privada e o governo francês tem ações preferenciais, sem direito a voto.

No entanto, Jobim voltou a admitir a preferência do presidente Luiz Inácio Lula da Silva pela proposta francesa.

Segundo o ministro, isso ocorre em função da parceria estratégica firmada entre os dois governos. Ao lembrar que a Dassault não é uma empresa estatal, observou que somente a abertura das propostas vai permitir verificar se a promessa de Sarkozy será cumprida.

"Temos a afirmação do presidente Sarkozy de transferência irrestrita de tecnologia. Quero ver o que significa irrestrita na proposta que a Dassault faz, porque, observem bem, a empresa é privada, não é estatal. As ações que o governo francês tem são preferenciais, sem direito a voto", afirmou, após participar da abertura da 10ª Convenção Nacional da Adesg (Associação dos Diplomados da Escola Superior de Guerra).

Jobim reiterou que a Aeronáutica avaliará vários aspectos das propostas, mas que a parte referente à transferência tecnológica será fundamental para a escolha da vencedora.
 
Estratégia
 
A respeito da estratégia nacional de defesa, aprovada no ano passado, Jobim informou que deverá fechar dentro de dois meses a conta a respeito do volume de investimentos que serão necessários para tirar o programa do papel. Ele explicou que o montante não vai superar o equivalente a 0,7% do PIB (Produto Interno Bruto) anual.

"Estamos levantando um estudo para fazer o cronograma físico e financeiro de todo o projeto", disse.

O plano prevê ações, ao longo de 20 anos, de modernização e ampliação dos elementos que compõem a defesa do território brasileiro, na esfera da Forças Armadas. Defendendo a adoção de um planejamento de longo prazo, Jobim disse que o plano é "arrogante" do ponto de vista de que serve para acabar com o "complexo de vira-latas" do Brasil.

Segundo Jobim, MS é ponto central para Forças Armadas

Aline dos Santos -

Campo Grande News

O ministro da Defesa, Nelson Jobim, afirmou, em entrevista coletiva no CMO (Comando Militar do Oeste), que o Estado é ponto central para as Forças Armadas. "Ponto Central não só para o Exército, mas também para a Marinha, em Corumbá".

Em tom genérico e sem dar detalhes sobre investimentos ou ações específicas para o Estado, Jobim afirmou que o objetivo é que as Forças Armadas tenham mobilidade para atender a região central do país, principalmente, entre Anápolis (GO) e Campo Grande.

O ministro destacou o 3º Bavex (Batalhão de Aviação do Exército), que está em construção na Capital. "A região central do país tem que ser privilegiada".

Sobre a região de fronteira, ele afirmou que o Exército poderá ter poder de polícia para combater o narcotráfico. A medida consta em um pacote de leis que será elaborado pelo governo federal para reestruturas as Forças Armadas.

De Campo Grande, o ministro seguiu para Jardim, onde acompanhará exercícios da Operação Laguna. Na cidade, soldados transportados por helicópteros e paraquedistas lançados por aeronaves realizarão a conquista de uma área.

Conflito

- No exercício militar, que teve início no dia 28 de setembro, Mato Grosso do Sul foi dividido em dois países em conflito. Desta forma, militares "assaltam" localidades, seja por terra ou ar, para resgatar pessoas de regiões inimigas.

O exercício de guerra é realizado anualmente, mas sempre em regiões diferentes do Brasil. O objetivo é fazer com que Exército, Marinha e Aeronáutica atuem juntos, simulando situações de um conflito real.

Sobre caças, Nelson Jobim diz que Brasil quer tecnologia

Apesar de o presidente Lula sinalizar que o Brasil deve optar pela compra de caças de uma empresa francesa, o ministro Nelson Jobim afirmou, em Campo Grande, que a escolha entre as propostas da França, Estados Unidos e Suécia vai obedecer a critérios.

"O Brasil não é um comprador, é um parceiro. Precisa de transferência de tecnologia", salienta.

Ele afirmou que o país já foi prejudicado pela compra de materiais descartados. "Compramos a troco de banana e foi um enorme problema".

Nesta quarta-feira, o ministro participou de entrevista coletiva no CMO (Comando Militar do Oeste). Jobim veio a Mato Grosso do Sul para acompanhar os exercícios militares da Operação Laguna.

Extraordinário – Durante a entrevista, o ministro elogiou as Forças Armadas pelo trabalho de resgate após a queda do Air Bus A330 da Air France. "Foi extraordinária a capacidade das operações de resgate". De acordo com ele, a operação custou 400 milhões de dólares ao Brasil.

O avião caiu no oceano Atlântico no trajeto entre o Rio de Janeiro e Paris.

O Brasil e a parceria com a França

Guilhermina Lavos Coimbra
Membro das Comissões Permanentes de Direito Internacional e de Direito Constitucional do IAB - Tribuna da Imprensa

É extremamente lógica, comercial e política, principalmente, a parceria militar com a França. O Brasil é inclusivo, mas, não se deixa influenciar. A França e o Brasil se unem, não contra este ou aquele país: o Brasil se une para fugir da dependência e de toda e qualquer forma de influência.

Por questões de segurança, na época em que o mundo era dividido em esferas de influência entre a URSS e os EUA – o Brasil, por razões históricas e geográficas, foi classificado como um dos aliados menores – satélites, aqueles que não têm luz própria – sem nenhuma vantagem para o Brasil.
 
Terminada a bi-polaridade de poderes, os satélites se colocaram na incomoda posição de subordinação à hegemonia Norte-Americana. A tendência apontava para um poder multipolar, cada grupo com um líder e seus satélites. Com relações de satélites a Colômbia e o Peru aprofundaram as suas ligações de dependência com os EUA. A Venezuela, o Equador e a Bolívia idem, através de alianças desequilibradas, com a Rússia.

Impossível para o Brasil, continuar satélite, dissimulando conhecimentos científicos, tecnológicos e dissimulando o conhecimento dos seus recursos naturais energéticos, os quais urgiam por uma destinação utilitária, em benefício da população brasileira.

A partir daí, não houve mais nenhum subterfúgio, nenhuma dissimulação: o Brasil não é satélite, o Brasil tem luz própria. Entenda-se como luz própria, os recursos naturais energéticos do subsolo brasileiro: urânio, nióbio (São Gabriel da Cachoeira) lítio, berilo, outros minerais nucleares e hidrocarbonetos: petróleo, gás e outros. Desde então, a disputa pelo controle dos recursos naturais brasileiros ficou óbvia – sem qualquer razão para contemporizar. As desconfianças pré-existentes, tornaram-se verdadeiras.

No Brasil, a necessidade de parcerias viáveis e confiáveis se fez patente. O Brasil passou a tender em optar pela França, formando um bloco onde os parceiros têm a mesma importância. A França secular – jamais dissimulou e sempre procurou não se submeter a hegemonias.

A França, um dos países mais sofisticados tecnologicamente do mundo, entretanto, não dispõe de base física para conseguir, sem alianças, ser um dos polos de poder mundial. O Brasil, país continental, com mercado crescente, enorme produção agrícola, biocombustíveis, pré-sal, as maiores jazidas de urânio do planeta e com a Amazônia para conservar e explorar – tornou-se para a França, o parceiro ideal.

Como nenhum bloco pode ser significativo sem os recursos naturais de um país continente, o Brasil poderia ser o parceiro ideal para qualquer outra potência tecnológica sem base física. Mas, o Brasil escolheu a França.

A França visa o acesso a recursos naturais escassos no mundo, entre os quais, o urânio. A França é uma potência nuclear. Na parceria, houve interesse estratégico do Brasil: a certeza da transferência de tecnologia que propiciará o avanço almejado, na área nuclear brasileira.

Quanto à transferência de tecnologia, já foi dito e provado com fatos – ao longo de mais de quarenta anos, durante os quais, o Brasil conseguiu tecnologia nuclear própria (através da MGB) independente de qualquer acordo de transferência de tecnologia jamais transferida – que a tão enaltecida "transferência de tecnologia" não existe.

A transferência tecnológica entre concorrentes comerciais nacionais e internacionais significa dar facilidades ao concorrente (ou, seja, entregar o mapa da mina do ouro aos concorrentes) e disto ninguém duvida mais. Transferência de tecnologia não é mais justificativa para se assinar contratos comerciais nacionais e internacionais. Transferência de tecnologia é argumento utilizado, de um modo geral, pelos desavisados (?) intermediários, interessados na assinatura do contrato.

Mas, a França tem uma tecnologia preciosa, desconhecida do Brasil, que não a prejudicará, de modo algum, se transferida. Trata-se da administração dos rejeitos nucleares. Em uma das cidades francesas, o lixo atômico é processado a olho nu, protegido por paredes envidraçadas, ponto turístico francês.

O Governo do Brasil fechou uma grande parceria com a França: não se comprometeu, de modo algum, a ser mero fornecedor de urânio in natura, para nenhum bloco regional, por mais amigo, forte e poderoso que seja.

O Governo Brasileiro acertou na estratégia: a parceria Brasil-França formará um novo centro de poder, com parceiros iguais e complementares. Viva a França e viva ao Brasil: inclusivo e amigo, o Brasil merece respeito.

Militar morre em treinamento

O aluno havia sumido na tarde da terça-feira e o corpo dele foi achado, 16 horas depois, na Serra de Penedo, em Maranguape

FERNANDO RIBEIRO/ EMERSON RODRIGUES - DIÁRIO DO NORDESTE

O aluno do Curso de Formação de Sargento (CFS), do Exército Brasileiro (EB), Germano Leôncio de Oliveira Filho, 24, Foi encontrado morto, na manhã de ontem, no campo de instrução de Penedo, em Maranguape, na Região Metropolitana de Fortaleza. Segundo a Perícia da Coordenadoria de Criminalística (CC), da Perícia Forense do Estado do Ceará, o corpo do aluno não apresentava sinais de violência. A causa da morte só será conhecida após a divulgação do laudo cadavérico.

Segundo uma nota fornecida pela Divisão de Comunicação Social da 10ª Região Militar, Leôncio era aluno do CFS, que funciona no 23º Batalhão de Caçadores, e estava no Campo de Penedo, com outros integrantes do curso, realizando atividades de instrução militar.

Na última terça-feira, por volta das 14 horas, os companheiros do militar e seus superiores perceberam a sua ausência. Conforme ainda a nota da 10ª Região Militar, imediatamente as buscas foram iniciadas e, aproximadamente 100 pessoas, entre alunos e instrutores, se revezavam na procura do aluno.

Entretanto, somente nas primeiras horas da manhã de ontem, o militar foi encontrado morto, em cima da Serra do Penedo. A equipe de reportagem do Diário do Nordeste esteve, na tarde de ontem, naquela localidade, mas não teve autorização para entrar na área militar. Somente na saída dos peritos da CC foi possível obter informações sobre o caso.

No começo da tarde, a perita Sônia Silva, da Coordenadoria de Criminalística (CC), da Pefoce, foi para o local. Segundo Sônia Silva, após a descoberta do corpo, na manhã de ontem, peritos da Polícia Federal foram acionados e realizaram os primeiros levantamentos. Quando Sônia chegou ao local, já encontrou o corpo em um galpão situado na 2ª Companhia de Divisão de Suprimentos, onde funciona o Campo de Instrução.

Sem violência

A perita contou para a reportagem que o corpo não apresentava marcas aparentes de violência. Sônia disse ainda que, uma policial federal, identificada como Mônica, confirmou que o corpo foi encontrado, pela manhã, em cima da serra.

A perita recolheu o pedaço de uma seringa encontrada no solado do coturno direito do militar.
 
Além disso, Sônia salientou que no braço esquerdo da vítima foram percebidas marcas de agulha, "como se ele tivesse utilizado a seringa", disse.

A perita acrescentou que o corpo será submetido a análise toxicológica na Coordenadoria de Medicina Legal (CML). Passavam das 15 horas quando o rabecão removeu o corpo do militar para o Serviço de Verificação de Óbito, onde funciona temporariamente a sede da Coordenadoria, vinculada à Pefoce.

Além do Inquérito Policial Militar (IPM), instaurado pelo Comando do 23º Batalhão de Caçadores, o caso será investigado também pelas polícias Civil e Federal. Ontem, o encarregado pelo IPM esteve no local e, segundo a nota da 10ª Região Militar, adotou "todas as providências administrativas, legais e assistenciais que o caso requer, dedicando atenção especial à família do falecido".

Uma equipe da PF e outra da Delegacia Metropolitana de Maranguape também estiveram no campo de instrução coletando informações que possam contribuir para elucidar o caso.

Logo na entrada do campo de instrução, militares informavam da proibição de acesso ao local pela Imprensa, assim como em relação às informações sobre o caso.

O corpo do aluno do CFS deverá ser levado, ainda hoje, para a cidade de Sobral (a 263Km de Fortaleza). Ontem à tarde, um tenente do 23º BC seguiu para aquela cidade com a missão oficial de comunicar o fato à família do militar.

Coronel diz que o caso já está sendo investigado

Em entrevista ao Diário do Nordeste, na tarde de ontem, o coronel Felipe Ribeiro, chefe da Comunicação Social da 10ª Região Militar, informou que um Inquérito Policial Militar (IPM) já foi instaurado para investigar a morte do aluno do Curso de Formação de Sargentos (CFS).

O oficial explica que o aluno participava de uma atividade prevista no Plano de Instrução no Curso de Formação de Sargento, fato que está ocorrendo em todo o País. "Logo que os soldados e oficiais perceberam que ele havia sumido, iniciaram, imediatamente, as buscas. Mas o local onde ocorria a instrução é de difícil acesso, com uma vegetação muito íngreme, com muitos espinhos. Mesmo assim, as buscas não cessaram durante toda a noite e, no começo da manhã, o corpo foi achado."

Conforme o oficial, o Inquérito Policial Militar já foi instaurado pelo Comando do 23º Batalhão de Caçadores (23º BC) e o oficial encarregado terá o prazo de 40 dias para apurar o que aconteceu. "Este prazo pode ser estendido por mais 20 dias se o oficial achar necessário para que tudo seja esclarecido", afirma o coronel.

Família

O chefe da Comunicação Social ressaltou que o Comando da corporação destacou um oficial para dar todo o apoio necessário à família do aluno. O oficial seguiu, ainda na tarde de ontem, para Sobral. Em decorrência do fato, o treinamento foi suspenso até que as buscas ao aluno fossem encerradas.

Brasil não comprará armas usadas

Jornal de Brasília

O ministro Nelson Jobim (Defesa) afirmou quarta (7) que o Brasil não comprará mais materiais de defesa descartados. Segundo ele, o país "comprou usados a troco de banana, e foi um enorme problema". Jobim ainda disse que o Brasil não é um comprador apenas de novos caças para a Força Aérea Brasileira (FAB), mas um parceiro "que precisa de transferência tecnológica". O ministro da Defesa prevê que o salto tecnológico vai exigir pessoal capacitado, e que isso também repercutirá nas escolas de engenharia. O montante de investimentos no setor, de acordo com Jobim, pode ultrapassar 6,7 bilhões de euros até 2020. O valor deve ser destinado a helicópteros, caças, submarinos, blindados e até dois satélites brasileiros.

07 Outubro 2009

Presidente evita falar sobre escolha de caças

Jornal do Commércio
 
ESTOCOLMO – No mesmo dia em que o Brasil fechou uma parceria estratégica com a Suécia, incluindo entendimentos no setor de defesa, o presidente Luiz Inácio Lula evitou comentar o lóbi do governo local para a compra de 36 caças pela Força Aérea Brasileira (FAB) à empresa sueca Saab. De acordo com Lula, a escolha da empresa que vai fornecer os aviões militares será feita sem pressa e levará em consideração os interesses nacionais, como a defesa da Amazônia e do pré-sal.

"Temos três propostas. Não conversei com o premiê (sueco Fredrik Reinfelt), mas recebi dele uma carta. Não conheço oficialmente a proposta da Saab", afirmou, em entrevista coletiva após a Cúpula Brasil-União Europeia. "Só tenho conhecimento da proposta francesa, por causa da visita do (presidente francês Nicolas) Sarkozy", continuou o presidente, referindo-se à presença do francês na parada militar de 7 de setembro, em Brasília, quando o brasileiro afirmou que o País compraria caças Rafale, produzidos pela empresa Dassault. Ainda disputam a concorrência pública os americanos da Boeing.

Lula revelou que deverá receber em breve uma análise detalhada de cada proposta feita pelo Ministério da Defesa. "Vamos ver o que acontece. Precisamos tomar conta do pré-sal e da Amazônia.

Temos 15 mil quilômetros de fronteira seca e mais de 8 mil de litoral", pontuou.

O presidente deixou claro que não tem pressa para encerrar o processo. "Vamos fazer a coisa certa. Mas está cheio de pirata por aí, na Somália mesmo ontem (anteontem) sequestraram um navio.

Daqui a pouco aparece um pirata para pegar o pré-sal", brincou.

Durante o encontro entre empresários suecos e brasileiros, o presidente da Saab, Ake Svensson, estava na plateia, mas não se reuniu com Lula, que só chegou por volta das 15h para o encerramento do fórum. O presidente brasileiro e o premiê tiveram um encontro reservado à tarde, mas o conteúdo não foi divulgado. Fontes do governo brasileiro sugeriram que Svensson poderia tentar falar com Lula no jantar oficial oferecido pelo rei Carl Gustav e pela rainha Sílvia, no palácio real, mas a informação não se confirmou.

PARCERIA

Os governos do Brasil e da Suécia firmaram ontem um acordo nos moldes da parceria estratégica feita pelo País e pela União Europeia em 2007, durante a primeira Cúpula Brasil-UE em Lisboa. A segunda cúpula foi no Rio, no ano passado. Ontem foram fechados entendimentos em áreas como educação e pesquisa, biotecnologia e biocombustíveis, medicina, tecnologia da informação e energia. "Minha admiração pela Suécia vem desde os tempos de líder sindical. Foi uma inspiração quando eu trabalhava no chão da fábrica e continua sendo, agora que estou na Presidência do Brasil", afirmou Lula no fórum de empresários.

Depois, o presidente brincou: "Minha primeira greve foi em uma empresa sueca, a Scania. Foi por causa dessa greve que virei presidente".

Coreia do Sul investiga Saab por vazamento

DA REDAÇÃO - FOLHA DE S.PAULO

O Ministério da Defesa da Coreia do Sul anunciou ontem que está investigando a companhia de aviação sueca Saab no país por suposto envolvimento em vazamento de informação secreta.
 
É o que informou ontem notícia publicada no site do jornal britânico "Financial Times". A reportagem cita autoridades sul-coreanas, que confirmam operação que vasculhou o escritório da Saab no país asiático.

O objetivo era encontrar indícios de um suposto pagamento feito a uma empresa de pesquisas, a SMI (Security Management Institute).

A suspeita é que esta empresa tenha recebido dinheiro da Saab para prestar informações secretas sobre o programa de renovação de caças sul-coreano KF-X.

A Saab participa de concorrência para fornecer 36 caças para a FAB (Força Aérea Brasileira), no programa F-X2. Ela disputa com a francesa Dassault e a norte-americana Boeing um contrato de venda cujo valor deve ultrapassar R$ 10 bilhões.

A Saab reconheceu que suas instalações na Coreia do Sul foram "inspecionadas" em setembro, mas negou ter cometido qualquer irregularidade. A companhia sueca também confirmou que pagou 120 mil coroas suecas (cerca de R$ 30 mil) à SMI, mas para patrocinar a empresa em uma feira de negócios ocorrida em março.

As autoridades sul-coreanas disseram, porém, que as somas supostamente pagas à SMI foram bem maiores, além do que foi declarado pela Saab, conforme investigações do departamento de inteligência da Defesa.

A SMI também confirmou uma busca em seus escritórios, mas evitou comentar mais sobre a investigação.

A Defesa informou que seis pessoas estão sendo investigadas, sem revelar os nomes. Elas serão ouvidas amanhã. Disse ainda que a investigação deve ser encerrada no final deste mês.

No programa KF-X, a própria Coreia do Sul irá desenvolver seus aviões de combate, mas contará com ajuda externa na produção e no desenvolvimento tecnológico.

Na Suécia, Lula diz que só França ofertou caça

Primeiro-ministro sueco fez lobby pelos aviões Gripen durante conversa a sós com o presidente brasileiro em Estocolmo

Após encontro com Jobim, vice da Boeing afirma que partes do F-18 poderão ser construídas no Brasil e acena com 5.000 empregos

SAMY ADGHIRNI
ENVIADO ESPECIAL A ESTOCOLMO - FOLHA DE S.PAULO
 
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva esquivou-se ontem, em visita à Suécia, de responder às últimas investidas do lobby que tenta convencê-lo a comprar os caças Gripen NG.
 
Lula anunciou ter recebido há duas semanas uma carta do premiê Fredrik Reinfeldt intercedendo em favor da Saab -fabricante do avião-, mas disse que não a considera uma oferta oficial nas negociações para adquirir 36 novos aviões para a Força Aérea Brasileira (FAB). "Recebi uma carta do primeiro-ministro [na cúpula do G20] em Pittsburgh. Oficialmente, eu não conheço a proposta. A única proposta que eu recebi textualmente foi a de [Nicolas] Sarkozy, em visita ao Brasil [em setembro]", declarou Lula.

Lula se referia à oferta da francesa Dassault, fabricante do Rafale, cuja venda à FAB chegou a ser anunciada durante a visita de Sarkozy. O Brasil voltou atrás em meio a acusações de favorecimento político, mas o ministro da Defesa, Nelson Jobim, reiterou anteontem sua preferência pelo avião francês que concorre, além do Gripen, com o americano F-18, da Boeing. O vencedor será anunciado nas próximas semanas.

Lula deu a declaração ao lado de Reinfeldt durante a 3ª Cúpula Brasil-União Europeia, em Estocolmo. Segundo a Folha apurou, o tema não constou nas discussões de Lula e Reinfeldt abertas para ministros e assessores, mas foi trazido à tona pelo sueco em uma rápida conversa a sós com o brasileiro, que negou já ter tomado uma decisão. O chanceler Carl Bildt também tocou no tema em reunião com Celso Amorim.

Lula brincou ao justificar o gasto com os caças: "Vi na televisão piratas sequestrando um navio pelo lado da Somália. Daqui a pouco aparece um pirata para pegar o nosso pré-sal, então nós temos que nos cuidar". Em Brasília, após se reunir com Jobim, Bob Gower, vice-presidente da Boeing responsável pelo F-18, afirmou que parte da fabricação do caça americano poderá ocorrer no Brasil e que a linha de produção em conjunto com a Embraer pode gerar 5.000 empregos. Segundo o executivo, a manutenção e as atualizações do F-18 também seriam no Brasil.

O jornalista SAMY ADGHIRNI viajou a convite da Comissão Europeia

Colaborou a Sucursal de Brasília

Lula diz que só conhece oficialmente proposta francesa

E defende compra para evitar que "um pirata pegue o nosso pré-sal", brincou

Eliane Oliveira* Enviada especial - O Globo

ESTOCOLMO. Ao lado do primeiroministro da Suécia, Fredrik Reinfeldt, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva afirmou ontem que só conhece oficialmente a proposta da França (da empresa Dassault, que produz o Rafale), na disputa do contrato para a compra de aviões de combate pela Força Aérea Brasileira (FAB).

Lula disse ter recebido uma carta do primeiro-ministro sueco, há cerca de duas semanas, na reunião do G-20, em Pittsburg, nos Estados Unidos, mas ainda não a analisou.

Lula: "Temos que tomar conta de nosso pré-sal" Para justificar o grande interesse do Brasil na compra dos caças, Lula recorreu até mesmo à existência de piratas nos mares do Atlântico.

— O Brasil tem suas necessidades. Temos que tomar conta de nosso pré-sal, da nossa Amazônia. Temos 15 mil quilômetros de fronteira seca, 8 mil quilômetros de costa marítima. Sem contar que está cheio de piratas. Hoje eu vi na televisão que há piratas sequestrando navios pelo lado da Somália, ou seja, daqui a pouco aparece um pirata para pegar o nosso pré-sal — brincou o presidente.

Mais tarde, Lula teve uma reunião bilateral com Reinfeldt, que apoia a empresa sueca Saab na disputa pela venda do caça Gripen à FAB. Segundo um integrante do governo brasileiro, o tema não foi tratado durante o encontro, pois a intenção do primeiro-ministro era ter uma conversa reservada com o presidente brasileiro durante o jantar.

Lula disse que tomará uma decisão a respeito nas próximas semanas. Ele aguarda uma análise mais aprofundada do Ministério da Defesa.

(*) A repórter viajou a convite da União Europeia

06 Outubro 2009

Itália e Colômbia discutem acordo de Defesa




O ministro da Defesa da Colômbia, Gabriel Silva, e o vice-ministro italiano da Defesa, Guido Crosetto, avaliam a assinatura de um possível acordo de cooperação técnica no setor. Segundo o ministério da Colômbia, os dois se encontraram esta semana onde "analisaram a assinatura de um acordo de cooperação técnica que permita avançar no intercâmbio de informação desenvolvimento, aquisição de produtos e serviços de defesa, transferência de conhecimentos e exercícios conjuntos".

Silva e Crossettto também ressaltaram a necessidade de aumentar a cooperação internacional para evitar o tráfico ilegal de armas, munições e explosivos.