24 julho 2014

Sobe para 432 número de mortos na sequência de combates em Donetsk

Voz da Rússia

Desde o início do conflito no sudeste da Ucrânia, na região de Donetsk, já morreram 432 pessoas, relata esta quinta-feira o serviço de imprensa da administração regional.

"Desde março deste ano, na região morreram 432 pessoas, incluindo 36 mulheres e seis crianças, 1.015 pessoas ficaram feridas", informa o site da administração regional.

O comunicado não especifica, no entanto, se se trata apenas de civis, ou esses números incluem também soldados e milicianos.

De acordo com o departamento de Saúde de Donetsk, a que se refere o serviço de imprensa, nas últimas vinte e quatro horas, os combates em Donetsk feriram sete pessoas.


Mídia afirma que Alemanha quer vigiar atividades dos EUA e Reino Unido

Voz da Rússia

As autoridades alemãs estão planejando, pela primeira vez desde o fim da Segunda Guerra Mundial, realizar atividades de contra-inteligência contra os Estados Unidos e o Reino Unido, informou o jornal alemão Sueddeutsche Zeitung, citando uma fonte próxima do governo da Alemanha.

Relata-se que tal medida é puramente de natureza defensiva. Ao mesmo tempo, as autoridades alemãs irão trabalhar para melhorar as relações com os EUA, observou a fonte.

Tal decisão foi tomada pelas autoridades da Alemanha devido a dois casos de espionagem a favor dos países estrangeiros em 2014. Os escândalos de espionagem provocaram forte reação negativa da Alemanha, especialmente após o recente escândalo com escutas telefônicas da Agência de Segurança Nacional dos EUA contra políticos alemães.


Militares ucranianos não acusam Rússia de causar queda do Boeing 777

Voz da Rússia

Os militares ucranianos afirmam que não acusaram a Rússia da queda do Boeing 777 da Malásia, na região de Donetsk, mas apenas apresentaram uma das versões, declarou o porta-voz do Conselho de Segurança Nacional e Defesa da Ucrânia, Andrei Lysenko, em uma coletiva de imprensa.

"Nós não acusamos a Rússia, visto que não há provas suficientes para isso. Foi anunciada uma das versões, segundo a qual, a partir do território da Federação Russa, uma equipe profissional de defesa aérea lançou mísseis que atingiram o avião", disse Lysenko.



Sistema de mísseis superfície-ar S-300P



Míssil atinge escola da ONU na Faixa de Gaza e mata 15 pessoas

Voz da Rússia

Um míssil israelense atingiu um prédio pertencente à escola da missão da ONU no norte da Faixa de Gaza, deixando 15 mortos, relata a BBC News. Mais de 200 pessoas ficaram feridas.

De acordo com declarações dos médicos palestinos, no edifício da escola, na cidade de Beit Hanoun, estavam centenas de refugiados que tentaram se escapar dos combates, afirma o relatório. Relata-se que os mísseis foram lançados por um tanque israelense durante confrontos entre os soldados das Forças de Defesa de Israel e militantes palestinos.

Durante os 16 dias de confronto armado entre os israelenses e membros do Hamas já morreram mais de 725 palestinos e 30 israelenses.



Brasil chama de 'inaceitável' violência em Gaza e convoca embaixador

Medida é excepcional e tomada quando há avaliação de situação grave.
Mais de 600 palestinos morreram em ofensiva de Israel contra Gaza.


Do G1, em Brasília

O governo brasileiro classificou nesta quarta-feira (23), em nota oficial, de "inaceitável" a escalada da violência na Faixa de Gaza e informou que chamou o embaixador em Israel "para consulta".

A medida diplomática de convocar um embaixador é excepcional e tomada quando o governo quer demonstrar o descontentamento e avalia que a situação no outro país é de extrema gravidade.

A última vez em que o governo chamou um embaixador para consulta foi após o impeachment de Fernando Lugo no Paraguai, episódio que o Brasil considerou como "ruptura da ordem democrática".

Pelo menos 644 palestinos e 31 israelenses, entre estes 29 soldados, morreram em 16 dias de ofensiva de Israel contra a Faixa de Gaza.

Israelenses e palestinos acusaram uns aos outros de crimes de guerra durante uma reunião extraordinária em Genebra do Conselho de Direitos Humanos da ONU nesta quarta, com ambas as partes alegando terem agido dentro das leis internacionais durante a escalada de violência.

Em nota, o Ministério das Relações Exteriores considerou "desproporcional" o uso de força por Israel e voltou a pedir o fim dos ataques.

"O governo brasileiro considera inaceitável a escalada da violência entre Israel e Palestina. Condenamos energicamente o uso desproporcional da força por Israel na Faixa de Gaza, do qual resultou elevado número de vítimas civis, incluindo mulheres e crianças. O governo brasileiro reitera seu chamado a um imediato cessar-fogo entre as partes", diz o comunicado.

Veja a íntegra da nota:

Ministério das Relações Exteriores
Assessoria de Imprensa do Gabinete

Nota nº 168
23 de julho de 2014

Conflito entre Israel e Palestina

O Governo brasileiro considera inaceitável a escalada da violência entre Israel e Palestina. Condenamos energicamente o uso desproporcional da força por Israel na Faixa de Gaza, do qual resultou elevado número de vítimas civis, incluindo mulheres e crianças.

O Governo brasileiro reitera seu chamado a um imediato cessar-fogo entre as partes.

Diante da gravidade da situação, o Governo brasileiro votou favoravelmente a resolução do Conselho de Direitos Humanos das Nações Unidas sobre o tema, adotada no dia de hoje.

Além disso, o Embaixador do Brasil em Tel Aviv foi chamado a Brasília para consultas.


Cruz Vermelha é atacada por civis na Faixa de Gaza

Veículos foram apedrejados por residentes revoltados, que acusam a organização humanitária de não proteger a população local.


BBC

Carros da Cruz Vermelha foram atacados por civis na Faixa de Gaza.

Carros da Cruz Vermelha foram atacados na saída de Shejaiya (Foto: BBC)Carros da Cruz Vermelha foram atacados na saída de Shejaiya (Foto: BBC)

Cidadãos revoltados apedrejaram os veículos na quarta-feira, quando as equipes de resgate tentavam entrar no distrito de Shejaiya para socorrer feridos e ajudar residentes. Veja o vídeo.

A área é alvo de intensos bombardeios israelenses desde domingo.

Um palestino chamou a Cruz Vermelha de "incompetente" e disse que a organização não está protegendo o povo de Gaza.

EUA não deram provas sobre ação rebelde em queda de avião, diz Rússia

Vice-ministro da Defesa criticou EUA por declarações.
EUA disseram que separatistas podem ter derrubado voo por engano.


France Presse

Um vice-ministro da Defesa russo declarou nesta quinta-feira (24) que os Estados Unidos não apresentaram nenhuma prova que demonstre o envolvimento dos separatistas ucranianos pró-russos na queda do voo MH17 da Malaysia Airlines no dia 17 de julho no leste da Ucrânia.

"Foi dito que os dados técnicos de inteligência dos Estados Unidos e fotografias de satélite confirmam que o míssil (que teria derrubado a aeronave) foi lançado de uma zona controlada pelos separatistas. Pergunta: onde estão estas provas?", se perguntou Anatoli Antonov no canal de televisão russo Rossiya 24.

Na terça-feira (22), funcionários de alto escalão dos serviços de inteligência americanos afirmaram, sob condição de anonimato, que a aeronave malaia poderia ter sido derrubada por erro por rebeldes pró-russos mal treinados.

"Vemos que alguns responsáveis americanos, em segredo, sob anonimato, fazem comentários a pedido do Departamento de Estado para demonstrar a culpa dos separatistas e a participação da Rússia" na catástrofe aérea da semana passada, denunciou.

"Também fiz uma série de perguntas aos ucranianos, mas não tive resposta nem dos ucranianos, nem de outros governos", afirmou o vice-ministro.

No dia 17 de julho, 298 pessoas, entre elas 193 holandeses, morreram quando o Boeing 777 no qual viajavam foi aparentemente derrubado por um míssil, caindo em uma zona controlada por separatistas pró-russos no leste da Ucrânia.


23 julho 2014

Conflito na Faixa de Gaza abala economia israelense

Crise armada reduz consumo e presença de turistas na região. Prejuízos vão crescer cada vez mais, com o avanço da ofensiva militar. Os setores afetados pedem ajuda ao governo, na tentativa de evitar demissões.


Bettina Marx, de Tel Aviv | Deutsch Welle

Somente os custos da guerra contra o grupo radical palestino Hamas já oneraram o orçamento de defesa de Israel em mais de 1 bilhão de shekel (cerca de 200 milhões de euros). Uma quantia cujo reembolso o Exército deverá exigir em breve do governo israelense, supõe Eitan Avriel, da revista de economia The Marker.

Além disso, existem ainda os gastos do programa emergencial de auxílio aos habitantes do sul do país. Por exemplo, os pais que ficam em casa para cuidar dos filhos menores têm sua perda de rendimentos ressarcida pelo governo. Tal se deve ao fato de quase todos os acampamentos de férias de verão nos arredores da Faixa de Gaza estarem fechados, pois o tempo de pré-aviso de 15 segundos antes do lançamento de mísseis não é suficiente para colocar grandes grupos de crianças a salvo nos abrigos.

Menos consumo, menos turismo

"O governo já forneceu 400 milhões de shekel para ajudar as comunidades na região da Faixa de Gaza", informou Eitan Avriel na televisão israelense. A grande perda, porém, seria a redução do Produto Social Bruto (PSB): o consumo se reduziu à metade, de fato,e no sul ele entrou em colapso total.

"Em Ashdod, Ashkelon e Sderot, as vendas chegaram a cair de 60% a 70%. No território de Tel Aviv, caíram aproximadamente um terço. No transporte público, houve perdas de 20%", enumerou o economista.

O setor de turismo foi especialmente afetado, explica Yossi Fatael, da Associação das Agências de Turismo. É verão no hemisfério norte, e normalmente a alta estação gera até 40% do rendimento anual. "As reservas foram totalmente suspensas e houve muitos cancelamentos. Isso resulta em prejuízos parecidos com os da segunda Guerra do Líbano, em 2006", diz Fatael. Por esta razão, sua entidade pediu ao governo que ajude o setor na realocação de pessoal e nos planos de previdência.

Relaxamento da proteção ao consumidor

A intenção é evitar a demissão dos funcionários que não são utilizados, dirigindo-os, em vez disso, a cursos de aperfeiçoamento e treinamento profissional. Para tal, os empregadores esperam contar com o auxílio do governo.

Fatael ressalta que um afrouxamento da legislação de proteção do consumidor também pode ser útil. "Por exemplo, uma nova lei nos obriga a pagar indenizações em caso de atrasos ou cancelamento de voos. Nós reivindicamos agora que esse regulamento seja suspenso."

Além disso, o setor de turismo pede que o Estado disponibilize um aeroporto alternativo. O aeroporto internacional Ben Gurion de Tel Aviv é alvo do Hamas e já foi atacado, aponta Fatael. Nesses casos, os voos são desviados para Amã, na Jordânia, ou para Larnaca, no Chipre. Em vez disso, a Associação das Agências de Turismo sugere que o governo recorra ao aeroporto de Ovda – no deserto de Negev, 60 quilômetros ao norte de Eilat –, que quase não é utilizado.

Cidadão comum é que paga

Até agora, os prejuízos causados pela ofensiva na Faixa de Gaza se fazem sentir, em primeira linha, no comércio e na média empresa. No fim das contas, porém, a economia como um todo sofre com a redução do consumo, lembra Eitan Avriel. "Quando os comerciantes têm perdas, eles pagam menos impostos, e com isso a arrecadação estatal é menor."

Ele vê com preocupação as negociações orçamentárias para o próximo ano, que vão começar em breve. "Aí, o Ministério da Defesa – que, afinal, já exigiu 5 bilhões de shekel (1,8 bilhão de euros) a mais – vai esticar a mão de novo e certamente dobrar suas exigências."

O jornalista econômico está convencido que, por sua vez, os gastos adicionais e a redução da receita serão compensados com cortes dos benefícios sociais. Desta forma, quem acaba pagando pela guerra em Israel é o cidadão comum.



Israel trava guerra paralela nas redes sociais

Enquanto fotos de vítimas civis palestinas inundam a internet, governo e organizações israelenses usam Facebook e Twitter para tentar reverter opinião pública sobre a mais recente ofensiva na Faixa de Gaza.


Deutsch Welle

Nas duas últimas semanas, mídias sociais como Facebook e Twitter vêm recebendo uma enxurrada de imagens sobre a ofensiva israelense na Faixa de Gaza. As fotos do banho de sangue aparecem de forma tão imediata, que mesmo aqueles que nunca foram a Israel e não têm qualquer ligação com os palestinos acabam se envolvendo emocionalmente.

Foi assim, por exemplo, na semana passada, quando quatro crianças palestinas foram mortas por um bombardeio israelense quando brincavam numa praia em Gaza. Outras três crianças foram levadas às pressas a uma varanda próxima ao hotel Al-Deira, onde jornalistas realizavam medidas de primeiros-socorros para tentar salvar a vida de uma delas, ferida por um estilhaço no peito.

Incidentes como esses, que aparentam ter as crianças com alvos indiscriminados, geram revolta em boa parte da opinião pública. Sabedor disso, Israel decidiu contra-atacar também na guerra da propaganda online, que, até o momento, parece estar sendo vencida pelos palestinos.

Conflito online

Em um campus tranquilo e arborizado, localizado em uma bucólica faixa do litoral do mar Mediterrâneo, está o acanhado laboratório de computação da universidade IDC Hertzliya. Dentro do edifício, ao norte de Tel Aviv, se encontra o centro de comando da nova contra-ofensiva nas mídias sociais promovida por Israel.

Um grupo de 400 estudantes trabalha para diminuir a crescente onda de simpatia pelos palestinos em Gaza, utilizando o hashtag #IsraelUnderFire ("Israel sob fogo"). Eles angariam apoio para uma guerra que entendem ser inevitável, provocada, segundo eles, unicamente pelos mísseis lançados pelos militantes do Hamas. A base da contra-ofensiva de mídia ficou conhecida como a "Sala Hasbara" - ou a "Sala das Explanações".

Do lado palestino, o hashtag #GazaUnderAttack ("Gaza sob ataque") perdeu credibilidade após a descoberta pela rede de notícias BBC de que algumas das imagens postadas eram de episódios mais antigos da violência entre palestinos e israelenses, ou ainda de outros locais de conflito no Oriente Médio, como Iraque e Síria.

Entretanto, o jornal americano New York Times denunciou que imagens divulgadas pela Sala Hasbara também teriam sido falsamente identificadas ou até forjadas.

"Uma das imagens mais postadas pelo #IsraelUnderFire mostra uma manifestante muçulmana segurando um cartaz com os dizeres: 'Parem com o terrorismo do Hamas em Israel' e 'Liberte Gaza do Hamas'. No entanto, essas imagens parecem ter sido forjadas digitalmente, através da manipulação de uma fotografia de um protesto de novembro de 2012 em Sarajevo", afirmou o diário nova-iorquino.

Abaixo, a imagem como foi divulgada:


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E aquela que seria a foto original:

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A estudante de Relações Internacionais Chenli Pinchevskey, de 22 anos, mergulhou de cabeça na campanha, na qual trabalha em tempo integral. Ela administra os voluntários e a equipe da Sala Hasbara, que funciona através do financiamento de sua universidade e de doações.

"Hoje em dia, o mundo é dominado pela mídia, e o que se vê é o que se sabe. Nós aprendemos com o passar dos anos que o mundo não ouve Israel o suficiente e não conhece o nosso lado da história", afirma. "Toda história tem dois lados, e nós temos nossa própria história para contar. Passamos por tantas mentiras, discursos de ódio e propagandas, que sentimos que temos de fazer alguma coisa."

Os dois lados da história

Ela diz que o seu grupo não faz propaganda de guerra: "Penso que o que fazemos é contar a nossa história, do modo como a sentimos todos os dias. Estou contando ao mundo como é viver em Israel, como é não poder sair de casa em razão do medo de que as sirenes sejam acionadas."

Ao ser indagada se sente alguma simpatia pelos inocentes mortos ou feridos em Gaza, ela afirma: "Em Gaza as crianças tem tanto medo quanto meu irmãozinho; quero que o mundo saiba que o Hamas está fazendo isso com todos nós, e que pode e deve ser detido."

O presidente da União Nacional de Estudantes, Yarden Bem-Youssef, e o estudante Lidon Bar David criaram a Sala Hasbara há dois anos, durante a última investida de Israel na Faixa de Gaza.

Na época, os estudantes não foram convocados como reservistas do Exército para participar da operação contra o Hamas. Eles estimam que em 2012 suas mensagens atingiram em torno de 21 milhões de pessoas em todo o mundo. Recentemente, a dupla criou o website Israelunderfire.com.

Seu grupo defende a ofensiva de Israel em Gaza através da divulgação de vídeos, imagens, anúncios, pôsteres, comentários e dos chamados "memes" nas redes sociais Facebook e Twitter.

Em seu website, as postagens do blog são adicionadas e escritas por um roteirista de Hollywood, reservista do Exército de Israel. Os vídeos trazem argumentos sobre o direito israelense à autodefesa e estabelece ligações entre os projéteis lançados pelos militantes de Gaza com ataques terroristas como o 11 de Setembro.

Ali Abunimah, fundador do website Electronic Intifada, a versão palestina dos portais israelenses, afirmou ao New York Times que se surpreendeu com forma com que os estudantes israelenses se identificam abertamente como partidários trabalhando em conjunto com seu governo, para justificar o uso da força em Gaza.

Netanyahu no Twitter

O primeiro-ministro israelense, Benjamin Netanyahu, apoia a equipe do Israel Under Fire. Ele próprio iniciou o que chamou de "sala de guerra diplomática", que opera de modo semelhante à Sala Hasbara – com a diferença que está localizada em seu gabinete.

O chamado "Masa Israel Journey" diz ser um esforço conjunto para aumentar a conscientização sobre o conflito entre Israel e Hamas na Faixa de Gaza, e para explicar ao mundo que o país embarcou em uma operação de defesa sob o lema "Israel Under Fire".

O escritório de imprensa do governo não revelou o valor do financiamento estatal destinado à máquina de propaganda israelense, mas sabe-se que a iniciativa é parcialmente apoiada pela Agência Judaica, a organização que serviu como autoridade para os judeus no que hoje é o Estado de Israel.

Se a iniciativa funciona de fato ou não, já é outra história. No entanto, o Twitter está repleto de postagens do primeiro-ministro, como a abaixo, em que é dito que o Hamas esconde mísseis em escolas da ONU em Gaza no intuito de atingir escolas e crianças em Israel.



EUA não encontram sinais de envolvimento direto da Rússia na queda do MH17

Inteligência americana diz, porém, que russos criaram as condições para a queda da aeronave ao apoiar separatistas do leste da Ucrânia e que estes provavelmente derrubaram avião "por engano".


Deutsch Welle

Representantes dos serviços de inteligência dos Estados Unidos afirmaram, nesta terça-feira (22/07), não terem encontrado evidências de envolvimento direto da Rússia na queda do Boeing 777 da Malaysia Airlines. Entretanto, os funcionários declararam que Moscou foi responsável por "criar as condições" que levaram à tragédia no leste da Ucrânia.

Numa entrevista à imprensa em Washington, os funcionários, que pediram para que seus nomes não fossem revelados, afirmaram que os russos vêm armando os separatistas no leste ucraniano, mas que não há evidência direta de que o míssil usado para derrubar o avião veio da Rússia.

"Ainda estamos trabalhando para determinar se houve uma ligação direta, se havia russos em terra, se eles treinaram os separatistas", afirmou também o vice-conselheiro de Segurança Nacional, Ben Rhodes, em entrevista à emissora CNN.

Os representantes da inteligência americana que falaram sob anonimato à imprensa afirmaram que o voo MH17 deve ter sido derrubado "por engano" por um míssil terra-ar SA-11, disparado por separatistas pró-Rússia. "A explicação mais provável é que foi um engano", disse um dos funcionários.

Também foram rebatidas as alegações de que o Boeing 777 teria executado uma manobra perigosa semelhante "às que fazem os aviões militares". Segundo um alto funcionário, tal afirmação não tem fundamento.

Além disso, para a inteligência americana, a explicação da Rússia sobre a catástrofe, que sugere que a Ucrânia teria derrubado o avião, não é realista, pois Kiev não tem mísseis do tipo usado nessa área, claramente dominada pelos separatistas. Se a versão russa fosse verdadeira, isso significaria que as tropas do governo ucraniano teriam lutado para entrar na área, atirado no avião e, depois, lutado para sair novamente.

Além disso, Kiev teria que ter orquestrado as postagens de separatistas nas redes sociais, dizendo que haviam abatido um avião. "Isso não me parece plausível", afirmou um dos funcionários.

Outro argumento que depõe a favor do governo ucraniano é que ele não teria motivos para empregar um sistema antiaéreo, já que os separatistas não têm utilizado helicópteros e nem realizado bombardeios. O mesmo não pode ser dito dos militantes, que enfrentam ofensivas aéreas do governo, afirmaram as autoridades americanas.

Chegada dos corpos

Na tarde desta quarta-feira, está prevista a chegada de um voo com os primeiros restos mortais das vítimas do voo MH17 a Eindhoven, na Holanda – país de origem de 193 das 298 pessoas que estavam a bordo da aeronave.

Os caixões serão recebidos pelos parentes das vítimas, pelo casal real holandês e pelo primeiro-ministro do país, Mark Rutte. Será feito um minuto de silêncio em homenagem às vítimas. O governo declarou luto nacional nesta quarta-feira.

Ainda não se sabe ao certo o número de corpos que foram colocados no trem com vagões resfriados usado para o transporte dos restos mortais das vítimas. Um especialista holandês que examinou os restos mortais falou em 200 corpos, mas os separatistas teriam falado em 282.

Junto com os corpos está prevista também a chegada das caixas-pretas. Elas foram entregues pelos separatistas a especialistas malaios, que o repassaram aos investigadores holandeses. Por fim, especialistas britânicos avaliaräao o conteúdo das gravações, que deverá fornecer pistas sobre a causa do acidente.


Em Israel, uma colina com vista para a guerra

Nos limites da Faixa de Gaza, jornalistas e curiosos se reúnem para observar as manobras militares: de um lado, o Exército israelense, do outro, militantes do Hamas. Um espetáculo entre solidariedade e descrença na paz.


Bettina Marx | Deutsch Welle

A partir de uma colina nos limites da Faixa de Gaza, pode-se avistar Beit Hanoun, a cidade no extremo nordeste da delgada faixa litorânea, e, mais além, os arranha-céus de Beit Lahia. Neste dia quente e abafado de verão, a área está envolvida pela névoa.




Mesmo assim, veem-se os tanques de combate israelenses que adentram as casas nos limites de Beit Hanoun, fazendo-as tombar. Escutam-se os impactos surdos da artilharia e, naturalmente, o zumbido grave dos veículos aéreos não tripulados atravessando o céu de Gaza.

Uma equipe de televisão se instalou na colina. Um repórter do canal israelense i24 noticia em francês sobre o que acaba de ocorrer. Diversos palestinos saíram por um túnel, para executar um atentado em Israel ou para capturar reféns. No entanto foram descobertos e mortos pelo Exército.

O jovem Choffi, de uma localidade ao norte de Tel Aviv, viu tudo de perto. "Os cartuchos das balas voaram até aqui. Eu escutei o silvo das balas e das granadas e me joguei no chão", conta.

Choffi é casado e tem dois filhos. Na noite anterior, foi de carro em direção a Gaza e pernoitou na colina, a fim de ver a ofensiva israelense com os próprios olhos. Ele diz que queria mostrar solidariedade aos habitantes das localidades israelenses em torno da Faixa da Gaza.

"Olha", exclama subitamente. "Lançaram mísseis ali. São do tipo Grad." E, de fato, da enevoada Faixa de Gaza, projéteis sobem quase verticalmente para o céu, deixando atrás de si um rastro branco. Pouco depois, as cidades litorâneas de Ashkelon e Ashdod registram bombardeios.

Descrença em solução pacífica

Os amigos Meir e Shmuel são de Ashdod. Indagados por que estão ali na colina à beira o território palestino, Shmuel responde, solícito: "Eu queria mostrar aos meus amigos que eles disparam sobre Gaza, porque eles atiraram em nós durante uns oito anos. Fico feliz que eles agora estejam sendo mortos. Não os civis, mas os terroristas."

Na Europa, diz Shmuel ¸as pessoas entendem errado tudo o que acontece aqui: "Nosso Exército é muito moral. Ele joga panfletos e avisa os moradores antes de atacar. Que Exército do mundo faria uma coisa assim?"

Ele não acredita que o conflito será resolvido de modo pacífico. Assim como Meir, ele é religioso, ambos usam kipá e prenderam atrás da cabeça seus cachos de cabelo laterais. "Nós oramos pelos nossos soldados para que retornem sãos e salvos. Afinal de contas, também eles são civis de uniforme", conta.

Nesse ponto, o amigo mais velho interfere na conversa. "Se alguém quer te matar você precisa se precipitar e matá-lo primeiro. Não há alternativa. Aqueles ali são um povo bárbaro." Os palestinos, afirma ele, não estão dispostos a viver em paz com os judeus. "Os árabes querem nos expulsar daqui. Eles querem que não tenha mais judeus aqui."

Patriotas, antes de tudo

À essa altura, a israelense Channel 2 TV, a mais popular do país, também montou suas câmeras na colina com vista para a Faixa de Gaza. O repórter Yoav Even veste o colete protetor e começa a transmissão ao vivo. Ele está em ação sem parar há duas semanas, desde o início da ofensiva.

Na realidade, Yoav é responsável por temas de saúde, mas, nas guerras de Israel, sempre aparece ao vivo diante das câmeras. Foi assim na ofensiva anterior em Gaza, em 2012. E na guerra do Líbano, em 2008, ele primeiro noticiou durante uma semana a partir do norte de Israel, antes de ser recrutado como reservista.

Yoav Even comenta: ele pode ser jornalista, mas, em primeiro lugar, é um patriota de Israel. "Somos israelenses, antes de tudo. E quando um soldado israelense cai, fico naturalmente triste. Qualquer um que viva aqui compreende isso. Todo o mundo sabe que estamos lutando pela nossa existência."



Analistas dizem que foto de avião que caiu na Ucrânia indica uso de míssil

Imagem feita pela AP mostra buracos na fuselagem da Malaysia Airlines.
Segundo os EUA, rebeldes usaram o sistema de mísseis SA-11.


Associated Press

Analistas militares independentes disseram nesta quarta-feira (23) que o tamanho, disposição, forma e número de estilhaços visíveis em um pedaço da fuselagem do avião da Malaysia Airlines que caiu na Ucrânia indicam o uso de um sistema de mísseis como o SA-11, apontado por analistas dos Estados Unidos como a arma utilizada para derrubar a aeronave.

A queda do avião, no dia 17, matou todos os 298 a bordo enquanto a aeronave sobrevoava uma região dominada por rebeldes pró-Rússia na Ucrânia.


Analistas militares informaram nesta quarta (23) que o tamanho, propagação, forma e número de impactos de estilhaços visíveis em fotografia da AP em parte dos destroços apontam que o avião da Malysia foi atingido por um sistema de mísseis como o SA-11 Buk (Foto: Dmitry Lovetsky/AP)Analistas militares informaram nesta quarta (23) que o tamanho, propagação, forma e número de impactos de estilhaços visíveis em fotografia da AP em parte dos destroços apontam que o avião da Malysia foi atingido por um sistema de mísseis como o SA-11 Buk (Foto: Dmitry Lovetsky/AP)

Konrad Muzyka, analista do Centro de Análises sobre Defesa IHS Jane, disse que o número de buracos visto nos pedaços da aeronave significa que apenas uma arma com poder de fragmentação como o SA-11 poderia ter sido usada. “Ele tem uma ogiva de 70 kg que explode e manda estilhaços para fora”, explicou. O fato de os buracos serem voltados para dentro confirma que a explosão aconteceu do lado de fora do avião.

Justin Bronk, um analista militar do Royal United Services Institute, disse que “o tamanho dos buracos é bastante amplo, de acordo com o que você esperaria de um míssil grande como o SA-11.”

Autoridades da inteligência dos Estados Unidos disseram nesta terça-feira (22) que acreditam que separatistas ucranianos provavelmente derrubaram o avião da Malaysia Airlines "por engano".

As autoridades americanas também disseram que não sabiam que os separatistas possuíam mísseis SA-11 russos até a queda do avião.

As autoridades afirmaram que a conclusão delas foi sustentada por conversas interceptadas de separatistas pró-russos conhecidos, cujas vozes foram verificadas por agências norte-americanas.

Os interlocutores inicialmente se gabaram sobre a derrubada de um avião de transporte, mas depois reconheceram que poderiam ter cometido um erro, disseram os funcionários.

As autoridades de inteligência afirmaram nesta terça-feira que tinham relatos de que dezenas de aviões foram alvejados em áreas controladas pelos separatistas durante dois meses de combates entre as forças governamentais e rebeldes ucranianos. Dois deles eram grandes aviões de transporte, disseram os funcionários.

Um deles afirmou que até o avião da Malaysia Airlines ser atingido, a maioria, se não todos os aviões que foram alvos, voava a baixa altitude.


Quatro jornalistas estão desaparecidos no leste da Ucrânia

Um deles é um correspondente britânico de cadeia de TV russa.
Ministério disse acreditar que eles foram sequestrados.


France Presse

O ministério russo das Relações Exteriores informou nesta quarta-feira (23) o desaparecimento de quatro jornalistas, incluindo um correspondente britânico da cadeia pró-Kremlin de língua inglesa Russia Today.

"Na madrugada deste 23 de julho, quatro jornalistas, entre eles o correspondente da RT britânico Graham Phillips, e o cinegrafista da agência de notícias Anna News, desapareceram na zona de combates no leste da Ucrânia", indicou o ministério em um comunicado.

"Segundo nossas informações, eles estão sendo mantidos em cativeiro pelas forças ucranianas", afirmou, pedindo sua libertação imediata.

A RT havia anunciado pouco antes estar sem notícias do jornalista britânico.

Phillips, muito ativo no Twitter, havia indicado terça-feira (22) à noite na rede social "estar perto do aeroporto de Donetsk", chegando a comentar "que a noite será agitada".

"Nós pedimos a ele que não fosse ao aeroporto porque era muito perigoso", relatou a cadeia, que recebeu na madrugada desta quarta-feira a mensagem "All is fine" (Está tudo bem) do jornalista, antes de perder contato com ele.

"Estamos muito preocupados. Estamos procurando ele em todos os lugares. Ele foi visto pela última perto das posições ucranianas perto do aeroporto", relatou a um jornalista da AFP uma autoridade do serviço de imprensa da autoproclamada República Popular de Donetsk.

No final de maio, o britânico já havia sido interpelado pelos serviços especiais ucranianos por 36 horas quando fotografava um posto de controle perto de Mariopol, no sudeste da Ucrânia.

Os sequestros ou detenções de jornalistas no leste da Ucrânia são frequentes desde o início da crise entre os separatistas pró-russos e as forças ucranianas.

Anton Skiba, fotógrafo da televisão americana CNN, também teria sido sequestrado nesta quarta-feira em Donetsk, segundo o embaixador dos Estados Unidos na Ucrânia, Geoffrey Pyatt, que pediu em seu Twitter que "os separatistas parem os sequestros".


Rebeldes pró-Rússia derrubam dois jatos militares ucranianos, diz Kiev

Segundo a Ucrânia, caças foram abatidos perto de Savur Mogila.
Não foram dadas informações sobre os pilotos.


Reuters

Os separatistas pró-Rússia derrubaram dois jatos militares ucranianos nesta quarta-feira (23), segundo informou um porta-voz das operações militares da Ucrânia.

O porta-voz Oleksii Dmytrachkivskii disse que os dois caças foram abatidos perto de Savur Mogila, no leste do país. Não foram dadas informações sobre os pilotos.

A derrubada das aeronaves ocorre seis dias após a queda do voo MH17 da Malaysia Airlines, que caiu na última quinta-feira (17) no leste da Ucrânia, matando as 298 pessoas a bordo.

Igor Strelkov, representante dos rebeldes em Donetsk, disse que os separatistas derrubaram um avião e que o piloto conseguiu se ejetar. Ele não deu mais detalhes.

Os combates se intensificaram nas regiões de Donetsk e Luhansk nos últimos dias. Segundo as autoridades ucranianas, os rebeldes estão abandonando suas posições na periferia de Donetsk e seguindo em direção ao centro.

Moradores disseram que os rebeldes, que buscam independência da região de Donbass, no leste, cavaram trincheiras no centro de Donetsk, no entorno da principal universidade, onde estão vivendo em alojamentos estudantis.

Nas últimas semanas, as forças ucranianas forçaram os rebeldes a recuarem para seus dois principais bastiões, Donetsk e Luhansk, e retomaram o controle de vilarejos e subúrbios ao redor dessas cidades, numa ação para tentar sufocar o movimento separatista.

Israelenses e palestinos trocam acusações de 'crimes de guerra'

Ministro palestino disse que Israel comete 'crimes hediondos'.
Embaixador israelense alegou que população de Gaza não é alvo.


Do G1, em São Paulo

Israelenses e palestinos acusaram uns aos outros de crimes de guerra durante uma reunião extraordinária em Genebra do Conselho de Direitos Humanos da ONU nesta quarta-feira (23), com ambas as partes alegando terem agido dentro das leis internacionais durante a escalada de violência que já dura mais de duas semanas na Faixa de Gaza.

O ministro das Relações Exteriores palestino acusou Israel de cometer crimes contra a humanidade em Gaza e exigiu uma investigação internacional. "Israel está cometendo crimes hediondos. Israel destrói completamente bairros residenciais. O que Israel faz (...) é um crime contra a humanidade' e 'viola as convenções de Genebra", declarou o ministro Riad Maliki.

"Israel, força de ocupação, mira há 16 dias nas crianças, mulheres, idosos e os priva de seu direito à vida com bombardeios. Há uma incursão terrestre (...) e isso vai trazer consigo crimes contra civis palestinos, assassinatos deliberados de civis", acrescentou.

Ao mesmo tempo, o embaixador de Israel nas Nações Unidas, Eviatar Manor, disse que no mesmo conselho que “Israel irá destruir a infraestrutura do Hamas”, referindo-se ao grupo islamita que controla Gaza. “Entretanto, os residentes de Gaza não são nossos inimigos. Israel está totalmente comprometido com a lei internacional.”

"O Hamas carrega toda a responsabilidade pelas vítimas de Gaza" e o presidente palestino, Mahmud Abbas, "deveria dissolver seu governo para demonstrar sua vontade de paz", afirmou.

Mais cedo, a Alta Comissária da ONU para os Direitos Humanos, Navi Pillay, pediu uma investigação sobre os possíveis crimes de guerra cometidos por Israel em Gaza e denunciou os ataques indiscriminados do movimento islamita Hamas contra zonas civis.

"Existe uma alta possibilidade de que o direito humanitário internacional tenha sido violado, o que pode constituir crimes de guerra", disse Pillay.

Ela também denunciou que, "mais uma vez, os princípios de diferenciação e de precaução não foram respeitados claramente nos ataques indiscriminados cometidos contra zonas civis pelo Hamas e por outros grupos palestinos armados".

Pelo menos 644 palestinos e 31 israelenses, entre estes 29 soldados, morreram em 16 dias de ofensiva de Israel contra a Faixa de Gaza.


Demanda por fuzis Kalashnikov cresce nos EUA após anúncio de sanções contra a Rússia

Consumidores americanos temem que a imposição de novas sanções possa até mesmo encerrar a importação das armas.


Tatiana Russakova, Reportagem combinada | Gazeta Russa

A demanda por fuzis Kalashnikov aumentou consideravelmente nos Estados Unidos logo após o anúncio de novas sanções contra a Rússia, impostas na última semana pelo governo americano. Moradores de vários Estados americanos acreditam que com as novas sanções os preços dos fuzis irão subir significativamente e sua importação pode até mesmo ser encerrada no país.


Demanda por fuzis Kalashnikov cresce nos EUA após anúncio de sanções contra a Rússia
O novo pacote de sanções inclui a proibição da importação por empresas e consumidores americanos de produtos da marca Kalashnikov Foto: ITAR-TASS

O novo pacote de sanções inclui a proibição da importação por empresas e consumidores americanos de produtos da marca Kalashnikov, cuja detentora é a empresa estatal russa Rostech. A comercialização e o uso das armas que já se encontram no território americano ainda estão permitidos. Tendo em vista esta situação, moradores de vários Estados iniciaram uma grande busca por fuzis desta tradicional marca russa, pois acreditam que logo não restarão mais exemplares à venda.

“Nós somos um dos representantes da marca Kalashnikov e todos os produtos estão sendo muito procurados e vendidos”, relatou o porta-voz da rede de lojas de armamentos K-Var Corporation, Robert Keller. Segundo ele, a empresa tinha um estoque relativamente grande destas armas que foi inteiramente vendido. A empresa tem planos de adquirir mais exemplares que estão estocados por outros fornecedores localizados nos Estados Unidos. O representante ainda afirmou que, devido ao aumento da popularidade dos fuzis da marca Kalashnikov, também subiu a procura por outras armas semelhantes.

O fuzil russo e suas inúmeras versões são considerados as armas mais populares do mundo. De acordo com a empresa Rostech, mais de 100 milhões de unidades já foram produzidas nos últimos 65 anos.


MiG recebeu encomendas para 100 novas aeronaves

Na última década, empresa fabricou e forneceu cerca de 24 aeronaves por ano.



ITAR-TASS

A fabricante de aeronaves russa MiG recebeu encomendas para entrega de aproximadamente 100 modelos a médio prazo, informou o diretor-executivo, Serguêi Korotkov.




“A corporação atingiu a capacidade prevista nesta quarta-feira (16) e deve mantê-la”, disse Korotkov. Os contratos foram concluídos em conformidade, e a empresa fabricou e forneceu cerca de 24 aeronaves por ano. A empresa obteve lucro líquido, segundo Korotkov, alertando, contudo, que este ano iria mostrar “se estávamos certos nas avaliações de nossas capacidades”.

Este ano, a empresa planeja fornecer dez MiG-29К/KUB à Marinha russa, de um total de 24 encomendas a serem entregues até 2016; alguns já foram fornecidos dentro do cronograma. Seis aviões de transporte irão para a Índia.

De acordo com os dois contratos assinados em 2004 e 2010, o país asiático recebeu 27 aeronaves de um total de 45 encomendas. Segundo estimativas da MiG, a frota na Índia pode aumentar, mas Korotkov não especificou em quantas unidades.

O presidente-executivo da corporação mencionou o contrato para entrega de 16 caças multifuncionais MiG-29SMT assinados com o Ministério da Defesa russo no início do ano. “Oito aeronaves russas devem ser fornecidas anualmente em 2015 e 2016”, disse Korotkov, acrescentando que sua produção começaria ainda este ano.

Scud, um míssil destinado à clonagem universal

O soviético R-17, vulgarmente conhecido como Scud, começou a ganhar destaque no mundo ocidental durante a primeira Guerra do Golfo, em 1991, quando foi usado contra as forças norte-americanas pelo Exército iraquiano de Saddam Hussein. No entanto, essa arma confiável e acessível é amplamente empregada em diversas partes do mundo desde os anos 1960, e foi até convertida em um veículo de lançamento espacial do Oriente Médio.


Iúri Ossókin, especial para Gazeta Russa

Nenhum outro míssil balístico foi tão visto em ação em conflitos do século 20 e 21 quanto o soviético R-17. Mundialmente conhecido como Scud, essa arma acabou sendo copiada e modernizada tantas vezes que, em alguns momentos, tornou-se até irreconhecível. Calcula-se que cerca de 3.000 desses mísseis de curto alcance tenham sido disparados em conflitos mundiais ao longo dos últimos 50 anos.


Scud, um míssil destinado à clonagem universal
R-17 na região de Leningrado, em 1982 Foto: ITAR-TASS

Devido à sua simplicidade, confiabilidade e baixo custo, o R-17 já figurou nos arsenais de mais de 30 países e foi amplamente fabricado sob licença ou simplesmente copiado. Os primeiros testes do R-17 aconteceram em 1957, após dois anos de desenvolvimento, com o objetivo de substituir os mísseis nucleares táticos soviéticos de primeira geração R-11. Estes, por sua vez, eram derivados do modelo nazista V2, o primeiro míssil balístico do mundo, do quais mais de 1.300 foram disparados contra Londres na Segunda Guerra Mundial.

No entanto, por causa da melhor eficiência de combustível, o R-17, ao contrário do R-11, manteve-se em alta por mais de 20 anos, mesmo não necessitando de grandes manutenções. Esta e outras inovações ajudaram a atingir o alcance máximo de 300 km em sua primeira modificação, embora fosse menor e mais leve do que R-11. Era capaz de carregar ogivas explosivas ou nucleares, e podia acertar um alvo em um diâmetro de 600 metros. A variante com armas nucleares foi a principal arma das forças de foguetes da URSS, enquanto as unidades convencionalmente armadas eram geralmente exportadas.

Entre a década de 1960 e 1980, os mísseis Scud foram enviados em grande número para os parceiros internacionais da União Soviética: cerca de 1.000 mísseis foram vendidos para países como Egito, Iraque, Coreia do Norte, Cuba, Vietnã, Líbia e Síria. Muitos começaram a produção unilateral por meio da obtenção de licença ou simplesmente copiando a arma. Em 1984, a Coreia do Norte começou a produzir o seu equivalente, o Hwasong-5, dos quais centenas foram exportados para terceiros, incluindo Emirados Árabes, Líbia, Egito e Paquistão, que, por sua vez, produziam as suas próprias versões do míssil.

Variantes estrangeiras

Em 1987, o Iraque aperfeiçoou a produção do R-17 com a fabricação do míssil Al-Hussein, que tinha maior alcance por conta da carga reduzida. Bagdá também exportou essa tecnologia, em especial para o Brasil, que, em 1988, começou a produzir um míssil semelhante sob o nome S-300.

Um desdobramento do programa Scud iraquiano foi a modificação do míssil para o lançamento de satélites de 150 kg para o espaço. Engenheiros iraquianos utilizaram uma versão alongada e de duas fases do Scud, em torno do qual foram instalados quatro aceleradores compostos por motores de foguetes baseados no R-17. Em 5 de dezembro de 1989, o primeiro veículo transportador espacial do Iraque decolou da base de lançamento de Al Anbar, a 225 km a sudoeste de Bagdá. O veículo subiu 25 km antes de explodir aos 45 segundos de voo. O programa foi então interrompido pela eclosão da primeira Guerra do Golfo.

Entre outros clones e encarnações do Scud, houve também uma modificação egípcia, que foi usada pela primeira vez na Guerra do Yom Kippur, em outubro de 1973, e disparada contra as forças israelenses em uma das travessias do Canal de Suez. Apenas sete soldados israelenses foram mortos, mas, o próprio fato de mísseis balísticos egípcios serem implantados ​provou ser um dissuasor eficaz, uma vez que representavam ameaça para os alvos estratégicos. Essa perspectiva fez com que os israelenses ficassem mais inclinados a aceitar o cessar-fogo.

Inimigo em chamas

Durante a guerra no Afeganistão, entre 1979 e 1989, os soviéticos também usaram mísseis R-17 contra as forças Mujahideen entrincheiradas em posições protegidas nos desfiladeiros. Por causa da precisão variável da arma, ela foi disparada em conjuntos e, geralmente, a não mais de 30 quilômetros de distância – um tiro de “alcance curto” para uma arma tão pesada. A destruição eficaz presenciada foi mais resultado do combustível inflamado do que da explosão e da fragmentação da ogiva de quase uma tonelada.

As posições inimigas foram incendiadas e, invariavelmente, destruídas com 160 galões de querosene e mais de 2 toneladas de ácido nítrico concentrado. Cerca de 1.000 mísseis foram disparados durante o conflito. Durante a chamada “guerra das cidades”, em meio ao conflito Irã-Iraque entre 1980 e 1988, ambos os lados usaram Scuds contra os centros populacionais do outro, disparando um total de cerca de 600 mísseis. Até o final das hostilidades, a infraestrutura e as cidades da província iraniana de Khuzestan foram quase completamente destruídas. O Iraque também ficou severamente destruído por causa dos mísseis, inclusive a capital Bagdá.

O R-17 foi ainda muito utilizado durante a primeira Guerra do Golfo, em 1991. O Iraque lançou 40 mísseis contra o território israelense, e outros 46 na Arábia Saudita. Para a sorte da população civil, esses mísseis caíram em áreas pouco povoadas, e as baixas foram mínimas. Em Israel, duas pessoas morreram, e 11 ficaram feridas. No entanto, um Scud atingiu um quartel militar dos EUA na cidade saudita de Dhahran, provocando a morte de, pelo menos, 26 soldados americanos e ferindo quase 100. Foi a maior perda das forças de coalizão em um dia durante a Operação Tempestade no Deserto.

Paralelamente, os mísseis superfície-ar americanos Patriot conseguiram interceptar com sucesso apenas 20% dos Scuds, apesar de sua ampla implantação. Em um dos episódios do conflito, 26 Patriots não foram capazes derrubar um R-17 – um saldo extremamente favorável para os iraquianos, considerando que cada Patriot custava três vezes mais do que um Scud.

Até hoje, o Scud e seus muitos derivados ainda estão em serviço em diversos lugares do mundo. Em termos de preço, simplicidade e confiabilidade, o R-17 permanece incontestável, e sua adaptação e produção interna é uma realidade para os países que anteriormente não tinham tecnologia e base para fabricação necessárias para produzir uma arma tão complexa. Assim, essa arma conquistou seu lugar por décadas de conflito global como a “Kalashnikov dos mísseis balísticos”.


Como funciona o sistema de mísseis de defesa antiaérea que derrubou o avião da Malaysia Airlines na Ucrânia

Segundo a versão mais debatida, a queda do Boeing 777 no território ucraniano deveu-se ao choque com um míssil lançado do sistema de defesa antiaérea Buk. Confira as principais características da arma.


Tatiana Russakova | Gazeta Russa

Uma declaração do ministro dos Negócios Internos da Ucrânia, Anton Geraschenko, publicada em sua página oficial na rede social Facebook, afirma que o avião civil da companhia área Malaysia Airlines foi derrubado por tropas separatistas por meio do sistema de mísseis de defesa antiaérea Buk. Segundo Geraschenko, a transferência do sistema para o local da tragédia, feita por militantes da República Popular de Donetsk, foi testemunhada pela população no início do dia 17 de julho.

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Como funciona o sistema de mísseis de defesa antiaérea que derrubou o avião da Malaysia Airlines na Ucrânia
O Buk é uma arma bastante complexa composta por cinco ou seis máquinas Foto: Aleksêi Kudenko/RIA Nóvosti

Segundo Vladimir Kliútchnikov, doutor em ciências militares, o sistema de mísseis Buk é considerado uma das armas mais eficientes de defesa antiaérea de médio alcance entre todas as existentes atualmente, devido à sua capacidade de atingir um avião localizado a uma altitude de 10 mil metros e mísseis balísticos e aparelhos voadores estratégicos a 18 mil metros.

O complexo em questão foi entregue às forças armadas da União Soviética em 1979 e desde então faz parte do exército russo, que possui 360 unidades do modelo Buk M2, e do exército ucraniano, que dispõe de mais de 50 unidades do modelo Buk M1-2.

Durante o conflito entre a Rússia e Georgia em agosto de 2008, os Buks comprados da Ucrânia após a queda da União Soviética foram usados para derrubar quatro aviões militares da Rússia. A partir de então, os sistemas não haviam mais protagonizado nenhuma grande operação militar.

O Buk é uma arma bastante complexa composta por cinco ou seis máquinas que, além do próprio sistema de mísseis, incluem uma estação de detecção e indicação de alvos, centro de comando e uma série de equipamentos auxiliares.

"Mesmo na presença das unidades em operação, as tropas irregulares da República Popular de Donetsk não teriam conseguido usar os Buks para eliminar qualquer alvo", afirma Kliútchnikov. Segundo ele, os militantes ucranianos não têm pessoal qualificado que seria capaz de manusear os sistemas complexos, assim como é pouco provável que eles possuam uma estação de localização por rádio em funcionamento. “Também gera dúvidas o fato de os supostos sistemas de mísseis de defesa antiaérea não terem sido usados contra os aviões de assalto SU-25”, comentou Kliútchnikov em entrevista à Gazeta Russa.

Erro fatal

Sanções dos EUA contra a Rússia atingem indústria de armas

De acordo com especialistas russos, a suspensão da cooperação poderá prejudicar seriamente os clientes norte-americanos: até o Grupo Kalashnikov fornece seus produtos para os EUA.


Víktor Litóvkin | especial para Gazeta Russa

A Kalashnikov, a mais importante marca militar russa, foi parar na lista de sanções dos EUA. Em janeiro de 2014, antes da deterioração das relações entre a Rússia e os EUA em meio à crise ucraniana, a empresa russa havia assinado um contrato exclusivo de fornecimento de armas de fogo para os EUA e o Canadá. Avalia-se que o grupo russo exporta para esses países de 80 mil a 200 mil artigos por ano. Particularmente, são fornecidos aos EUA, com a marca Izhmash, rifles esportivos, carabinas de caça e espingardas, incluindo o rifle Saiga, destinado às unidades de polícia.

É comentado no Grupo Kalashnikov que o fornecimento aos EUA traz prestígio, basicamente, no que diz respeito à marca. Além dos EUA, a empresa fornece seus produtos para 27 países, incluindo Reino Unido, Itália, Alemanha e Noruega.

As associações de pesquisa e produção Bazalt e Machinostroienie (Engenharia de Máquinas) e o Instrument Design Bureau, incluídos por sua vez na lista das sanções, são conhecidos pelo fato de terem fornecido armas russas para a Síria. A primeira empresa produz sistemas portáteis antitanque e a Associação de Pesquisa e Produção Machinostroienie forneceu a Damasco os sistemas móveis de mísseis costeiros Bastion, com os mísseis de cruzeiro hipersônicos Iakhont. Por sua vez, o Instrument Design Bureau forneceu à Síria os sistemas de artilharia antiaérea Pantsir-S1.

Vadim Koziulin, professor catedrático da Academia de Ciências Militares, não vê um fundamento político real nas sanções dos EUA.

"Moscou não está participando dos eventos na Ucrânia e na situação envolvendo a Síria, também se limitou apenas a medidas políticas”, diz ele.

Na sua opinião, a decisão do Ministério das Finanças dos EUA está baseada unicamente em considerações de ordem econômica. De acordo com os dados do Instituto de Estudos Estratégicos de Estocolmo (Sipri), a Rússia ocupa o segundo lugar no mundo em termos de volume de exportação de armamento e equipamento militar.

Em 2013, o volume de vendas relativas à exportação de armas e equipamentos militares totalizou US$ 13,2 bilhões. E no início de fevereiro de 2014 a carteira de pedidos de exportação de produtos militares russos atingiu US$ 40 bilhões. Além disso, Moscou está conquistando ativamente novos mercados que antes eram totalmente focados nos EUA, como é o caso da América Latina. Assim, nos últimos anos, a Venezuela e o Brasil tornaram-se parceiros estratégicos da Rússia na área da cooperação técnico-militar, como China, Índia e Argélia.

Titânio e motores

De acordo com Vadim Koziulin, a lista das empresas russas que são submetidas a sanções por parte do Departamento de Estado e do Ministério das Finanças dos EUA não muda de ano para ano. São elas: Grupo Kalashnikov, Corporação Uralvagonzavod, Grupo Estatal de Defesa Almaz-Antei, Associação de Pesquisa e Produção Bazalt, que integra a Corporação Rostec, Grupo Radioelectronie Tekhnologii, Grupo Sozvezdie, Associação de Pesquisa e Produção Machinostroienie e a Instrument Design Bureau.

Em 2006, os EUA impuseram sanções contra as empresas Rosoboronexport e Sukhoi por causa da cooperação com o Irã e a Venezuela. Na época, Moscou havia fornecido os sistemas de defesa antiaérea Tor para Teerã. Por sua vez, a Sukhoi havia vendido 24 caças Su-30MK2 para Caracas. Mas seis meses depois as sanções foram revogadas. Em particular, verificou-se que a empresa americana Boeing compra 40% do titânio, indispensável para a produção do novíssimo Boeing 787, da empresa Vsmpo-Avisma, controlada pela Rostec (e também subordinada à Rosoboronexport).

A situação foi resolvida durante uma reunião particular entre o CEO da gigante da aviação americana e Vladímir Pútin em Moscou. Na véspera das novas sanções, durante o salão aeroespacial Farnborough International Airshow 2014, o CEO também se apressou em antecipar a situação, informando que a Boeing está procurando uma alternativa para o titânio russo, mas que não gostaria de desistir dele. No período de 2013 a 2018, o cumprimento dos contratos com a Boeing deveria trazer para a Vsmpo-Avisma de US$ 1,5 bilhão a US$ 2 bilhões. Não se sabe quanto a Boeing irá perder por causa do encerramento da cooperação.

Em meio às complicações nas relações com a Boeing, a Vsmpo-Avisma expandiu a sua cooperação com outro parceiro, a Airbus, que também compra titânio russo para seus aviões. De acordo com o novo contrato, a empresa russa também irá fornecer peças estampadas e painéis laterais para os motores dos novíssimos aviões A320neo. O avião de passageiros A320neo é uma versão melhorada da família dos aviões A320, com um novo motor. Dois tipos de motores estão previstos para esse avião: o Europeu CFM International Leap-X e o americano Pratt & Whitney PW1100G. O motor PW1100G é fornecido não só para o promissor avião europeu, mas também para o avião russo MS-21.

A corporação russa Irkut, que desenvolve o MS-21, não só está construindo o avião, mas também financiou parcialmente a criação do PW1100G. De acordo com Mikhail Pogosian, presidente do Conselho Administrativo da empresa United Aircraft, o avião já tem 180 pré-encomendas (o mercado total é estimado em 1.000 aeronaves). Neste contexto, o vice-ministro da Indústria e Comércio, Iúri Sliusar, já declarou que se o fornecimento dos motores for interrompido, a Rússia irá recorrer a meios legais.



Em resposta a sanções dos EUA, Rússia pode vender sistemas de mísseis antiaéreos ao Irã

Segundo embaixador, negociações sobre a retomada do fornecimento, interrompido após resolução da ONU, já estão em andamento.


Olga Bójeva | Moskóvski Komsomolets

A renovação do contrato entre Rússia e Irã referente ao fornecimento de sistemas de defesa aérea S-300 a Teerã poderá ser a resposta às sanções impostas na última semana pelos EUA contra as empresas russas de defesa. Segundo Mehdi Sanai, embaixador iraniano na Rússia, a proposta de fornecimento está sendo estudada pelos dois países.



Em resposta a sanções dos EUA, Rússia pode vender sistemas de mísseis antiaéreos ao Irã
Moscou e Teerã assinaram o contrato para o fornecimento dos sistemas S-300 em 2007 Foto: Ígor Zarembo/RIA Nóvosti

"Os nossos representantes do Ministério da Defesa já mantiveram conversações repetidas vezes com os seus parceiros na Rússia”, informou o embaixador à agência de notícias Interfax. “Acho que eles estão se entendendo muito bem. Tenho esperança de que vamos receber o S-300 ou um sistema mais moderno. Essa questão está sendo resolvida."

O embaixador lembrou que “o Irã considera que o contrato referente ao fornecimento de sistemas S-300 ainda está em vigor, pois as sanções que foram impostas nos termos da resolução 1929 do Conselho de Segurança da ONU não incluem o citado contrato”. Ele também afirmou que o acordo foi assinado antes da imposição das sanções e enfatizou que “esse sistema tem um caráter defensivo e não ofensivo”.

Moscou e Teerã assinaram o contrato para o fornecimento dos sistemas S-300 em 2007. Os líderes de Israel e dos EUA se manifestaram contrários à efetivação do contrato e, em junho de 2010, o Conselho de Segurança da ONU aprovou a quarta resolução que continha sanções contra o Irã. Nela, pela primeira vez foram introduzidas restrições ao fornecimento de armas convencionais para Teerã, incluindo mísseis e sistemas de mísseis, tanques, helicópteros de ataque, aviões e navios de combate.

A Rússia declarou que as restrições da nova resolução se estendiam inclusive ao contrato que previa o fornecimento dos sistemas S-300 para Teerã. No dia 22 de setembro de 2010, o então presidente russo, Dmítri Medvedev, assinou um decreto anulando os contratos de fornecimento dos S-300 para o Irã. A medida levou Teerã a mover uma ação de US$ 4 bilhões por quebra do contrato contra a empresa russa Rosoboronexport no Tribunal de Arbitragem Internacional de Genebra.

Com o anúncio de novas sanções americanas às empresas russas da área militar-industrial, especialistas russos não excluem a possibilidade de que os antigos acordos de fornecimento de sistemas S-300 ao Irã ganhem um novo impulso.



Imprensa analisa posição da Rússia na tragédia do Boeing 777

A mídia do país continua a acompanhar as consequências da catástrofe do avião da Malaysia Airlines no território da Ucrânia.


Dária Liubínskaia, especial para Gazeta Russa

Quase uma semana após a queda do avião da Malaysia Airlines no leste da Ucrânia, os jornais da Rússia continuam atentos aos desdobramentos da tragédia. Segundo o jornal "Kommersant", o Ministério da Defesa russoapresentou argumentos a favor da versão de que o Boeing poderia ter sido derrubado por militares ucranianos: estando sobre a região de Donetsk, a aeronave teria se desviado do corredor das vias aéreas. Dizer por que o avião saiu da rota só será possível após a decodificação das gravações de bordo, escreveu o "Kommersant".

Ainda citando o Ministério da Defesa, o jornal informou que no dia do acidente com o Boeing um agrupamento ucraniano de defesa antiaéreaestava em Donetsk e contava com "três ou quatro" sistemas de mísseisantiaéreos Buk, acrescentando que o corredor aéreo usado pelo avião abatido fica na zona de ação ucraniana.

O Ministério da Defesa negou as declarações das autoridades ucranianasde que no momento do acidente com o Boeing não havia nenhuma aeronave militar em Donetsk. Os militares teriam identificado uma aeronaveda Força Aérea ucraniana, supostamente um Su-25, enfatizou o"Kommersant".

Para o jornal, “todos esses argumentos não convencem o Ocidente", e a pressão sobre a Rússia deve crescer, com possibilidades de imposição de sanções ainda mais severas.

Na opinião do jornal "Nezavissimaia Gazeta", a Rússia se demonstrou despreparada para a catástrofe de Donetsk. Apesar disso, o jornalobservou que as autoridades russas estão tentando fazer declaraçõesequilibradas e calmas em relação ao ocorrido.

Nas últimas semanas, parecia clara a intenção do Kremlin de se retirargradualmente do conflito ucraniano, escreveu o "Nezavissimaia". "Ao mesmo tempo, Moscou insiste que não tem influência sobre a milícia e não pode forçá-los a nada: recentemente nem Kiev e nem o Ocidente acreditam nisso", disse o jornal. Para a publicação, "não se desenvolveu uma linguagem comum, na qual Kiev e Moscou estariam dispostos a falar sobrea situação no sudeste", pois "para Kiev, a milícia continua a ser de terroristas e separatistas, e a operação antiterrorista para Moscou continua a ser punitiva".

O jornal observou que, se a comissão internacional que investiga a tragédia concluirque o Boeing foi abatido por separatistas, a Rússia não poderá ocupar uma posiçãoindiferente. De acordo com o "Nezavisimaia", paira sobre Moscou a ameaça de novassanções econômicas e isolamento parcial."Será lançada uma versão detalhada própriados acontecimentos com o Boeing, bastante convincente no que diz respeito ao público interno e marginal em relação ao público externo", resumiu o jornal.

O portal "Gazeta.ru" publicou um artigo intitulado "Culpados pelo silêncio", no qual fala-se que depois de apenas quatro dias do acidente com o Boeing em Donetsk, acusações do Ocidente contra a Rússia se reduziram a apelos diplomáticos para contribuir com uma investigação completa.

A publicação acredita que a única opção possível de solução pacífica paratal situação é parar com as acusações infundadas e a escalada do conflitopor ambas as partes. O tom cada vez mais agressivo do Ocidente em torno da tragédia dá a impressão de dois extremos, observou o "Gazeta.ru": ou "há muito tempo já sabem o que houve na realidade, mas por alguma razãonão revelam a verdade, ou o conhecimento das partes não vai muito além de suas próprias ilusões".

Segundo escreveu o jornal, foram muitas as vezes em que acusaram a mídia russa de propaganda e falta de objetividade, mas os jornalistas do Ocidente, no dia do acidente, antes mesmo do início das investigações, acusaram a Rússia pela tragédia. O "Gazeta.ru" supõe que no momento atual não são necessárias "negociações diplomáticas" com formulações simplificadas, mas uma investigação totalmente transparente e uma troca mútua de todos os dados disponíveis.


Exercícios Indra 2014 aproximam interesses geopolíticos da Rússia e Índia

A Rússia e a Índia realizaram as maiores manobras navais conjuntas da história das suas relações bilaterais, denominadas Indra 2014. Sua fase ativa decorreu entre 17 e 18 de julho no golfo de Pedro, o Grande, no mar do Japão.


Vladimir Fedorov | Voz da Rússia

Os responsáveis navais de ambos os países consideram que estes exercícios ajudaram a treinar a interação em missões de combate à pirataria e ao terrorismo. O Indra 2014 cumpriu sua missão tendo sido uma das plataformas de aproximação dos interesses geopolíticos da Rússia e da Índia, dizem os analistas políticos.


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Na sexta-feira a frota conjunta realizou exercícios com mísseis e artilharia contra alvos navais e aéreos. Foram treinados métodos de defesa conjunta contra ameaças navais, aéreas e submarinas com o apoio de helicópteros. Os exercícios Indra se realizam desde 2003, mas esta foi a primeira vez que as frotas dos dois países realizaram todo o conjunto de missões de combate que garantem a segurança das fronteiras marítimas dos dois países.

As marinhas da Rússia e da China realizaram em finais de maio, no mar da China Oriental, manobras navais conjuntas semelhantes ao Indra com o nome de código Interação Marítima 2014. O perito militar Igor Korotchenko considera que o seu significado vai muito para além do âmbito estrito das missões militares:

“Atualmente já está perfeitamente definido o vetor de interesses da Rússia. Ele aponta para o estreitamento de relações com os países da Ásia, sobretudo com os intervenientes de importância mundial – a Índia e a China. Por isso, a realização desses exercícios militares é um indicador do estabelecimento das novas relações de parceria e confiança e da formação de um novo centro de poder na geopolítica mundial. Os exercícios conjuntos com a Índia e a China abrangem sempre um vasto leque de questões: do combate ao terrorismo ao treinamento de missões em cenários de guerra. No geral tanto o Indra, como o Interação Marítima, refletem a prioridade atribuída pela Rússia à Ásia.”

O diretor do Centro de Conjuntura Estratégica Ivan Konovalov chamou a atenção para uma das particularidades destes exercícios navais russo-indianos:

“Hoje se sente uma fortíssima pressão sobre a Rússia. A crise ucraniana é aproveitada pelo Ocidente para que a OTAN se alargue para leste. Nessas condições, para a Rússia é crítico ter parceiros tão fortes como a China e a Índia.

É muito importante que a era de um mundo unipolar tenha um fim. Em princípio ela já acabou. Existem vários importantes centros de força mundiais que influenciam seriamente a política global. Eles são a Índia e a China. Por isso, uma cooperação com elas, incluindo na área militar, é muito importante para a Rússia. Ela também é importante do ponto de vista geopolítico porque forma o vetor asiático de um mundo multipolar.”

O centro de poder mundial na Ásia está se reforçando e, graças ao aumento do peso político de ferramentas como o BRICS e a Organização para Cooperação de Xangai (OCX). A última cúpula realizada em Fortaleza, nomeadamente, refletiu a intenção da Rússia, da Índia, da China, do Brasil e da África do Sul de defender, de forma independente dos EUA e do Ocidente, sua própria estratégia no mercado financeiro global.

A OCX, reagindo à crescente atração exercida pela sua plataforma sobre muitos dos países da Ásia, está elaborando regras para a admissão de novos membros. Elas deverão ser eventualmente aprovadas na cúpula a realizar em Dushanbe em setembro. Ao comentar esse acontecimento, o porta-voz oficial do MRE do Paquistão Tasnim Aslam confirmou no dia 17 de julho o interesse do seu país em se tornar membro de pleno direito da OCX. Hoje o Paquistão, assim como a Índia, o Afeganistão, o Irã e a Mongólia, tem o estatuto de observador junto da OCX.



China espia os EUA ou a si própria?

Um navio espião chinês permanece nas águas do arquipélago do Havaí, onde possivelmente vigia os exercícios navais internacionais RIMPAC, organizados pela marinha dos EUA. O paradoxo é que este ano a própria China participa nessas manobras pela primeira vez.


Igor Denisov | Voz da Rússia

É de referir que a informação sobre a presença do navio de reconhecimento chinês surgiu pela primeira vez vinda de fonte anônima. O artigo, acompanhado da fotografia do navio com o número de amura 851 bem visível, foi publicado no site da organização não-governamental norte-americana United States Naval Institute. Esta associação, criada ainda no século XIX, se dedica ao estudo da história e do desenvolvimento atual da guerra no mar e é composta principalmente por oficiais na reserva da marinha norte-americana.

Parece que os próprios organizadores dos exercícios não estariam muito interessados que se divulgasse a informação sobre o inesperado “visitante” chinês. É possível que o navio de reconhecimento Beijixing (ao qual pertence o número 851) já se encontre há vários dias, ou talvez semanas, na área dos exercícios, os quais este ano decorrem de 26 de junho a 1 de agosto.




Não é preciso adivinhar quais são os objetivos do “número 851” nas águas do Havaí. Esse navio de reconhecimento entrou ao serviço em 1999 e foi atribuído à Frota Oriental do exército chinês. Anteriormente, segundo se depreende dos dados dos serviços secretos norte-americanos e japoneses, o Beijixing foi avistado com maior frequência perto do arquipélago do Japão. Os peritos militares pensam que este navio é um dos navios auxiliares mais bem apetrechados da marinha chinesa. O navio, cuja guarnição é composta por 250 elementos, é capaz de realizar eficazmente vigilância radioeletrônica de alvos aéreos e navais.

MRE da Rússia: detenção de jornalistas na Ucrânia exige reação dura

Voz da Rússia

Novo caso de detenção de jornalistas russos na Ucrânia é mais uma violação das obrigações internacionais de Kiev, se a informação sobre a participação das Forças Armadas da Ucrânia no incidente for confirmada, deverá ser tomada uma resposta internacional dura, declarou à RIA Novosti o comissário do Ministério das Relações Exteriores da Rússia para Direitos Humanos Konstantin Dolgov.

"Se a informação for confirmada, e os jornalistas estiverem realmente nas mãos dos soldados ucranianos, trata-se de mais uma situação totalmente inaceitável, e é óbvio que a comunidade internacional deverá ter uma palavra a dizer", afirmou Dolgov.

Mais cedo, o Ministério das Relações Exteriores da Rússia informou que, na noite de 22 para 23 de julho, quatro jornalistas, incluindo o repórter freelance da Russia Today, cidadão do Reino Unido Graham Phillips, desapareceram em uma zona de combate no leste da Ucrânia.



Insurgentes de Donetsk afirmam ter abatido dois caças ucranianos

Voz da Rússia

As milícias de Donetsk afirmam ter abatido hoje dois caças ucranianos perto da cidade de Snezhnoe.

Conforme declarou à Interfax a sede da milícia da autoproclamada República Popular de Donetsk, o piloto de um dos aviões se ejetou perto da cidade de Snezhnoe e os insurgentes o estão buscando. O outro avião Su-25 foi danificado, de acordo com informações preliminares, e continuou o voo em direção ao norte.

As milícias também informaram que realizam ataques de artilharia contra a área do posto fronteiriço de Marinovka e a aldeia de Grigorievka a partir de Dubrovka, perto de Snezhnoe. Naquela área encontram-se as forças do batalhão ucraniano Azov, que regressou à frente de combates após reorganização. Essas unidades são alvo de ataque, especificou a sede da milícia da República Popular de Donetsk.



Mais de 400 pessoas morrem desde início de combates na região de Donetsk

Voz da Rússia

No total, 432 pessoas morreram desde o início das hostilidades na região de Donetsk, divulgou esta quarta-feira o site da cidade de Donetsk, referindo-se ao departamento de saúde da administração regional.

"Desde março do corrente ano, na região, morreram 432 pessoas (incluindo 36 mulheres e seis crianças), e mais 1.015 pessoas ficaram feridas", afirma um comunicado.



ONU: catástrofe humanitária na Faixa de Gaza

Voz da Rússia

Navanethem Pillay, alta comissária da ONU para os direitos humanos, apelou ao cessar de fogo imediato entre Israel e a Palestina e à criação de condições para o fornecimento de ajuda à Faixa de Gaza, onde se criou uma situação humanitária catastrófica.

"Desde 7 de julho que a Faixa de Gaza, devido a uma operação de Israel, está sujeita a bombardeamentos diários intensos... Eles já provocaram a morte de 600 pessoas, incluindo 147 crianças e 74 mulheres”, declarou o alto comissário.

Segundo dados provisórios da ONU, 74% dos mortos são cidadãos civis. Os ataques de Israel também provocaram a deslocação forçada de mais de 140 mil palestinos.

Segundo Pillay, a ONU têm numerosos fatos confirmados de que “as leis humanitárias internacionais são violadas de tal forma que se aproximam de crimes de guerra. A título de exemplo, apresentou vários casos em que a queda de mísseis disparados da parte de Israel provocou a morte de crianças, mulheres, idosos e outros civis.



Putin conclama Netanyahu a cessar-fogo em Gaza

Voz da Rússia

O presidente russo, Vladimir Putin, declarou, em uma conversa telefônica com o primeiro-ministro israelense, Benjamin Netanyahu, que a continuação das hostilidades na Faixa de Gaza leva a uma deterioração dramática da situação humanitária — a morte e o sofrimento da população civil.

Neste sentido, o líder russo sublinhou que não há uma alternativa para o cessar-fogo e a resolução do conflito por meios políticos. Putin manifestou sua disponibilidade para ajudar na realização das iniciativas de paz, incluindo no âmbito da ONU.

De acordo com o serviço de imprensa do Kremlin, durante a conversa também foram discutidas questões da agenda russo-israelense. A conversa foi iniciada pelo lado israelense.



Atentado terrorista em Bagdá deixa 22 mortos e 45 feridos

Voz da Rússia

Um atentado terrorista na zona noroeste de Bagdá causou 22 mortos, pelo menos 45 pessoas receberam ferimentos de gravidade variável, segundo noticiou nesta noite a AFP, citando a polícia iraquiana.

O incidente ocorreu na entrada de um bairro xiita de Kadhimiyah. Um terrorista suicida ao volante de um carro armadilhado acionou o detonador ao aproximar-se de um posto de controle policial.

Até o momento, nenhuma organização reivindicou o ataque.


EUA pretendem deslocar palestinianos da Faixa de Gaza para Sinai

Ataques a postos de controle do Exército continuam no Egito apesar de esforços de estruturas militares. O maior dos últimos meses foi o ataque ao posto fronteiriço egipcio em Al-Wadi al-Jadid, perto da fronteira com a Líbia. A situação continua sendo grave também em algumas regiões do Sinai, península vizinha à Faixa de Gaza, sediada e metralhada por israelenses.


Amru Omran | Voz da Rússia

Todos estes acontecimentos são elos de uma cadeia, considera Magdy el-Daqaq, analista e antigo redator-chefe do jornal Al-Hilal:

- Aquilo que aconteceu na nossa região não foi uma Primavera Árabe, mas um caos semeado por serviços de inteligência norte-americanos com o objetivo de desintegrar religiosamente o mundo árabe. Trata-se de tentativas de formar um Estado xiita numa parte do Iraque, um sunita em outra e um Estado cristão numa parte do Líbano.

No quadro desse projeto, Israel pode realizar seu sonho antigo, tornando-se um Estado puramente hebreu sem árabes – cristãos e muçulmanos. Mas se acontecer assim, tal não significa que não haverá conflitos. Desde que se comece a combater, a guerra já não poderá ser parada. Cristãos, muçulmanos e hebreus continuarão guerras na região já ao nível estatal e o Ocidente irá arbitrar seus litígios.

Em qualquer caso, esse conflito será vantajoso para os países ocidentais, liderados pelos EUA, e não para os habitantes da região. Já começamos a pagar por este projeto alheio, em primeiro lugar o Egito.

Borodai: aviação tenta atacar especialistas no local da queda do Boeing

Voz da Rússia

Os aviões de assalto ucranianos Su-25 tentaram atacar um grupo de especialistas internacionais da Malásia e OSCE, que estão trabalhando no local do acidente do Boeing malaio, perto de Donetsk, declarou esta quarta-feira à RIA Novosti o primeiro-ministro da autoproclamada República Popular de Donetsk, Alexander Borodai.

"Mais um grupo de especialistas da Malásia e OSCE chegou à área da queda do Boeing. Agora, nesse mesmo momento, um Su-25 tentou atacá-los", disse ele.

Anteriormente, tinha sido relatado que no local do acidente trabalhavam três peritos da Malásia. O local continua a ser a protegido pela milícia da República Popular de Donetsk. A liderança da RPD transferiu as caixas-pretas à delegação da Malásia, esse ato foi o primeiro ato interestadual da RPD.



Tragédia do Boeing: Kiev esconde seu rastro

O Conselho de Segurança da ONU apelou à responsabilização dos culpados da catástrofe do avião malaio na Ucrânia, sublinha a resolução aprovada por esse órgão. Kiev, contudo, não se apressa a iniciar as investigações. Haverá consequências jurídicas para a Ucrânia, responsável pela catástrofe, ou o Ocidente voltará a fechar os olhos às atitudes das atuais autoridades ucranianas?


Igor Siletsky | Voz da Rússia


O MRE russo ficou satisfeito com a resolução do Conselho de Segurança da ONU aprovada na véspera. O ministério comentou que uma ocorrência de grande impacto, como é a queda de um avião de passageiros, deve ser investigada por um órgão internacional de prestígio como é a Organização da Aviação Civil Internacional (ICAO). Entretanto, as autoridades de Kiev são obrigadas a garantir a segurança dos peritos cessando os combates na zona da catástrofe.

Os milicianos de Donetsk declararam um cessar-fogo, imediatamente a seguir à ocorrência, numa área de 40 km em redor do local da queda do Boeing 777. O presidente ucraniano Poroshenko também parece ter prometido parar com os combates. Se bem que, um pouco mais tarde, o líder norte-americano Barack Obama tenha dito que a chamada “operação antiterrorista” não iria, afinal, perturbar o trabalho dos peritos, e a força aérea ucraniana efetuou imediatamente um ataque com mísseis contra a cidade de Shakhtersk, localizada perto do local da tragédia. É por isso que os peritos internacionais continuam retidos em Carcóvia e em Donetsk: fazer investigações sob bombardeamentos não faz parte das suas obrigações.

Mas das obrigações das autoridades de Kiev faz parte o encerramento do espaço aéreo sobre um território em que decorrem combates, sublinha o presidente da comissão de aviação civil do Conselho Social da Rostransnadzor Oleg Smirnov:

“Porque é que a Ucrânia, sendo membro da ICAO, violou de forma grosseira as normas existentes? Os documentos da ICAO referem que os Estados devem interditar os voos sobre os territórios onde decorrem operações militares. Essa é a causa inicial da catástrofe. Mas ainda não houve qualquer sinal a esse respeito da parte da Ucrânia, dos EUA ou da Europa. Outro fato: porque é que a esse avião foi dada ordem a partir de terra para alterar a altitude de voo dos 35 para os 32 mil pés?”

O fato de a Ucrânia ainda não ter iniciado a investigação da catástrofe é considerado pelos peritos como um caso sem precedentes na prática mundial: normalmente ela é iniciada no próprio dia. Pois a responsabilidade total pelo cumprimento de todas as formalidades pertence ao país em cujo espaço aéreo ocorreu o incidente.


Contudo, Kiev esqueceu completamente sua responsabilidade em todos seus aspetos e a receita para esse esquecimento foi-lhes sugerida pelos seus protetores ocidentais: de tudo pode ser responsabilizada a Rússia, que é a única responsável pelas desgraças da martirizada Ucrânia e, provavelmente, das desgraças de todo o mundo. Portanto, a catástrofe com o avião, assim como a imolação de dezenas de civis em Odessa e os bombardeamentos com mísseis de Lugansk e de Donetsk, foi tudo orquestrado por Moscou.

Kiev nem se apressa a criar uma comissão oficial para a investigação da tragédia, como é normal em todos os países civilizados. Isso só pode ser apenas explicado por as autoridades ucranianas pretenderem esconder alguma coisa, considera o chefe do centro russo de testes de voo Ruben Yesayan:

“Existe uma informação que a gravação das comunicações de bordo com o controlador aéreo ucraniano foi recolhida pelo Serviço de Segurança da Ucrânia. Isto apesar de se dever ter criado imediatamente uma comissão de inquérito e serem apresentados os primeiros documentos sobre a troca de comunicações entre o avião e o controle aéreo. A dispersão dos destroços por 15-20 quilômetros significa que a estrutura se desfez no ar. Quando ocorre uma falha técnica, a tripulação tenta preservar a integridade do aparelho e a vida das pessoas e comunica obrigatoriamente com terra. Havendo uma explosão a bordo, quando a estrutura é imediatamente destruída, tal não permite à tripulação comunicar para o solo seja o que for.”

Apesar de todos os países ocidentais declararem em uníssono que é necessário investigar a tragédia de uma forma objetiva, isso dificilmente será feito. Em toda esta história se vislumbra de uma forma clara e evidente o cenário de mais uma provocação informativa, por trás da qual estão, em primeiro lugar, os EUA, diz o analista político Serguei Grinyaev:

“É difícil prever se aos peritos será garantido um acesso seguro ao local da tragédia. Eu penso que isso não interessa sobretudo a Kiev. O culpado já foi encontrado: é a Rússia, o que já foi anunciado sem se ter feito qualquer investigação. Agora a tarefa principal é esconder as verdadeiras causas da tragédia.”

Se no caso da Síria e dos famigerados “ataques com armas químicas” o Ocidente ainda tentou manter alguma aparência de objetividade, já na Ucrânia eles se esqueceram completamente das subtilezas diplomáticas. Civis são mortos a tiro, cidades são destruídas e aviões são abatidos literalmente sob as objetivas das câmeras de televisão: assim que Kiev anuncia as atrocidades dos “milicianos pró-russos”, as capitais ocidentais aprovam em coro.

Mesmo agora, na altura em que os representantes da República Popular de Donetsk entregavam as caixas-pretas do Boeing à delegação da Malásia, o democrático exército ucraniano iniciou um ataque de blindados contra Donetsk, escolhendo como alvo o edifício onde decorria essa entrega.

Vladimir Putin expressou, na reunião do Conselho de Segurança da Rússia, sua indignação com esse comportamento das autoridades ucranianas. O líder russo apelou a Kiev para que cumpra pelo menos as mais elementares normas de decência e que suspenda os combates.

Quanto aos protetores ocidentais dos dirigentes de Kiev, a sua interpretação da democracia foi duramente criticada pelo presidente. Segundo disse Putin, alguns países usam os mecanismos da luta concorrencial na arena internacional. Para isso são mobilizadas as capacidades dos serviços secretos, são usadas tecnologias modernas de informação e comunicação e canais de organizações “de bolso” suas dependentes.

Por seu turno, Moscou irá reagir de forma adequada a essas ameaças e resolver os problemas que constituem riscos potenciais para a unidade da Rússia e da sua sociedade.