25 Novembro 2009

As bases dos EUA e a intervenção

Editorial – Jornal do Brasil

A revelação pelo JB das dúvidas em torno da real utilização das bases cedidas pela Colômbia para os EUA joga luz sobre uma discussão antiga. Afinal, qual é o limite entre uma instalação de observação e uma plataforma de intervenção? Em termos Militares, a diferença entre ambas está apenas no tipo de alarme que aciona os soldados ali acantonados. A questão, então, passa a ser política. Se o uso de aeródromos pode ser rapidamente modificado, então nada mais lógico que acordos como o que permitiu a cessão de Palanquero fossem claros ao definir que tipo de uso se daria nesse contrato. E não há essa clareza no texto.

Pelo contrário, especialistas citados na reportagem descobrem o véu que a ambiguidade tenta esconder: sem uma referência clara, a argumentação de direito à legítima defesa pode carimbar alguma representatividade legal em caso de operação Militar em territórios vizinhos. A tese da guerra preventiva não é nova, é aplicada no Oriente Médio há tempos, e os EUA a aplicaram também nas duas intervenções no Iraque. A diferença sutil no tipo de acordo fechado entre Washington e Bogotá justifica em parte o discurso beligerante do presidente da Venezuela, Hugo Chávez, a respeito do tema.

Escolado pela forma como os colombianos liquidaram, em solo equatoriano, o segundo homem mais importante da guerrilha das Farc (Raul Reyes), Chávez teme que essa ação se repita.

Antes da assinatura desse acordo com o presidente Álvaro Uribe, os EUA mantinham sua presença no coração da América do Sul operando a partir da base de Manta. Mas o contrato de arrendamento chegou ao fim, e o regime de Rafael Correa não quis manter o compromisso e ordenou a devolução das instalações.

Oficialmente, a base era usada pelos americanos para vigiar a movimentação de traficantes de armas e drogas tentando infiltrar-se no país através do Golfo do México. Mas nada impede que tenha funcionado como apoio logístico ou operacional aos helicópteros e jatos que dizimaram o acampamento das Farc a 13 km da fronteira com o país. Satélites poderosos podem coordenar ataques em pontos remotos.

O envolvimento umbilical dos colombianos com os EUA datam do Plan Colombia, um megaacordo assinado na época do governo Bush pelo qual os EUA despejaram toneladas de dólares e suporte Militar para Uribe. Graças a esse apoio, por sinal, o presidente que enfrentou um ataque direto da guerrilha já no dia da posse pôde enfrentar os comandados de Tirofijo com vantagens táticas que acabariam, no longo prazo, reduzindo a capacidade Militar e operacional das Farc. O plano foi uma ação necessária diante de um país convulsionado e refém de cartéis de drogas, os quais se associaram à guerrilha e a financiaram – para quem não se lembra, o traficante Fernandinho Beira-Mar foi preso naquele país, quando estava sob proteção da coluna liderada por Nego Acacio, um dos mais temidos comandantes da guerrilha.

As bases americanas na Colômbia são a estrutura americana para atuar na chamada “sub-região crítica”, a América do Sul ameaçada pelas drogas, miséria, terrorismo, antiamericanismo e recorrência de desastres naturais. Mesmo com as garantias dadas pelo governo de uma presença não intervencionista, fica difícil crer totalmente nessas intenções diante do que exibe o documento oficial citado pelo jornal.

Afinal, as ameaças não convencionais são a principal preocupação dos estrategistas.

6 horas na agência. E 24h na selva

Com ajuda do Exército, BB avança em novas fronteiras da Amazônia

Vivian Oswald Enviada especial • MANAUS – O Globo

Em uma verdadeira operação de guerra, o Banco do Brasil está ajudando o governo a ocupar as fronteiras do país na região amazônica. O banco está investindo R$ 2 milhões para abrir 28 postos bancários em 14 localidadeschave bem no meio da selva.

A maior delas, Iauaretê, tem seis mil habitantes, entre eles militares e indígenas. A menor é Estirão do Equador, onde vivem 400 pessoas. Maturacá, Vila Bitencourt, Palmeiras de Javari e Ipiranga também serão contemplados na primeira fase do projeto, que deve atingir 25 localidades da jurisdição do Comando Militar da Amazônia nos próximos meses.

Hoje, em várias destas localidades — nas fronteiras com Venezuela, Peru e Colômbia — só tem acesso a banco quem se dispõe a gastar 14 horas de barco para sacar a aposentadoria no município mais próximo.

Ou de avião das Forças Armadas, o único meio de transporte para a maioria destes locais. O sucesso da empreitada depende da sorte, que muda com chuvas e secas, ou ainda com alguns dos vários imprevistos amazônicos.

Em pleno século XXI, não é raro encontrar municípios que não tenham qualquer tipo de atendimento bancário, ainda mais em um país com a diversidade e o tamanho do Brasil. De acordo com dados do Banco Central (BC), até julho deste ano, 549 (9,8%) dos 5.580 municípios em todo o país não contavam com qualquer tipo de dependência bancária.

Em Maturacá, tartaruga é moeda

E é difícil fazer com que os bancos privados se lancem nestes grotões em operações dispendiosas, de logística complicada e retornos duvidosos, apesar da capilaridade de instituições como o Bradesco. Normalmente, a chegada do banco muda a vida de uma localidade, que passa a desenvolver seu próprio comércio, recolher impostos e crescer.

O projeto Fronteira Integrada transformou 30 soldados do Exército em sargentos agrários que serão obrigados até a falar dialetos indígenas para trabalhar com as comunidades.

Outros 20 serão preparados todos os anos. Os profissionais estão sendo treinados para ajudar a população ribeirinha a buscar novos negócios com linhas de crédito voltadas à agricultura familiar e empreendimentos de pequeno porte que permitam sua sobrevivência sem prejudicar a vida na floresta.

Mais 15 funcionários estão sendo contratados nos próprios locais pelo BB para cuidar da atividade bancária.

Farão o trabalho de gerentes, cobradores e caixa.

Seis mil soldados, além dos civis, terão acesso aos terminais eletrônicos.

A estratégia é dar cidadania aos habitantes da região, muitos deles índios, que negociam majoritariamente por meio de escambo ou dólares. Em Maturacá, três tartarugas pequenas são usadas como moeda de troca para quem quer aproveitar algumas horas do televizinho — como os locais chamam os vizinhos que têm televisão em casa. É difícil ver os reais brasileiros circulando em operações locais.

O próprio efetivo do Exército, que passa meses a fio no meio da selva, enfrenta problemas graves. Para sacar o salário, soldados mandam seus cartões com as respectivas senhas pelas mãos de outros colegas encarregados da tarefa. A confusão já desencadeou todo o tipo de dificuldade e há quem diga que já deu até alguns dias de detenção para espertalhões.

Mais do que levar homens armados para garantir a segurança da fronteira do país — sob ameaça iminente, na opinião de populações locais —, a ideia é garantir que brasileiros tenham acesso a serviços e dinheiro brasileiros.

Para realizar este projeto em conjunto com o Exército, que se responsabiliza pela logística e segurança da empreitadas, o BB se viu obrigado a mudar as regras de transporte de numerário, para adequá-las às dificuldades amazônicas. Normalmente, a instituição contrata empresas terceirizadas para transportar dinheiro. Mas, na selva, não é qualquer companhia que se dispõe a enfrentar todos os riscos e a imprevisibilidade.

As notas levadas para as 14 localidades do projeto serão transportadas em voos regulares — quando não são cancelados de última hora — do Exército e da Aeronáutica.

Em geral, deverão ser usados voos mensais, que aproveitam a carona das missões de transporte de suprimentos para os pelotões.

Projetos de desenvolvimento sustentável devem acompanhar os novos postos de atendimento do BB. Os sargentosagrários, que também têm formação de técnicos agrônomos, devem estimular o extrativismo e as culturas temporárias em parte dos 30 milhões de hectares de terras que se abrem todos os anos, pelas contas do BB, para o cultivo às margens do Rio Solimões quando a maré está baixa.

— Daria para alimentar o planeta com o cultivo temporário de milho ou feijão, por exemplo, nestes locais, tão férteis quanto o Rio Nilo.

São áreas que podem ser exploradas sem que se destrua a floresta — sonha o superintendente do BB em Manaus, Rui Ruas.

Em todo o país, há 19.228 agências bancárias. Além disso, existem 6.570 Postos de Atendimento Bancário (PABs), que oferecem os serviços de uma instituição financeira dentro de empresas ou órgãos públicos, e os Postos de Atendimento Avançado (PAAs), que trabalham com um funcionário do banco em localidades mais difíceis. Há 1.464 municípios com uma única agência em operação.

Imprevistos ditam o ritmo

Mesmo sem chuvas, o acesso é difícil

MANAUS. Por maior que seja o planejamento das missões para a instalação das máquinas do Banco do Brasil (BB) na selva, uma coisa é certa: tudo pode acontecer. A Amazônia impõe um ritmo de trabalho no qual o imprevisto é uma constante.

Voos cancelados pelo mau tempo, por problemas nas aeronaves que a Aeronáutica empresta ao Exército — que, por sua vez, dá carona ao BB —, alagamentos ou nevoeiros estão sempre no radar.

Mesmo quando não chove, as dificuldades são imensas. Há algumas semanas, a região de São Gabriel da Cachoeira está inacessível por causa da seca. Sem chuva, o volume de água do rio diminuiu, impedindo a passagem das balsas que carregam o combustível que abastece a região. Não há como reabastecer. Portanto, as poucas aeronaves que chegam aos grotões mais afastados não saem e esperam a chuva cair. Esta é uma das razões para os trabalhos lentos no local.

Os idiomas indígenas oferecem dificuldades adicionais. Em Maturacá, há uma importante população ianomâmi. Em Iauretê, os locais falam 20 dialetos. Muitos destes indígenas são analfabetos.

Alguns não leem nem escrevem porque não enxergam bem. O BB tem investido no tratamento destas pessoas.

O desafio de fazer estes povoados amazônicos usarem os terminais do BB parecem não ter fim.

O banco teme a falta de abastecimento de notas nas máquinas, diante das inúmeras dificuldades de acesso e a imprevisibilidade das missões. Por isso, decidiu manter dois terminais por localidade. Assim, há mais dinheiro disponível, e aumentam as chances de as pessoas continuarem usando o banco, ainda que uma máquina falhe.

As missões podem ser mais curtas ou mais longas, mas isso é algo que só se sabe de última hora. Estes aviões também carregam os suprimentos para os pelotões do Exército no interior da Amazônia.

Este que ainda não saiu deve levar duas toneladas de alimentos, além de equipamentos do BB.

Os imprevistos não pouparam a inauguração dos terminais do banco. Os atrasos e problemas de logística não permitiram marcar nova data. Diz-se que a queda do avião Caravan da FAB na Amazônia, no mês passado, teria prejudicado ainda mais os trabalhos do Exército. Mesmo quando saem voos com suprimentos, não dá para saber quando voltam.

Cabo do Exército morre com tiro no queixo

NONATO SOUSA – Folha de Boa Vista

A morte do cabo do Exército, J.S.B., 22, supostamente por suicídio, na manhã de quinta-feira, no 5º Pelotão Especial de Fronteira, localizado na região de Auaris, na terra indígena Yanomami, já na fronteira com a Venezuela, revelou a situação possivelmente degradante vivenciada por militares não oficiais que atuam nos pelotões de fronteira do Estado de Roraima. Em e-mails enviados à Folha, diversos leitores denunciaram que os cabos e soldados chegam a passar cinco meses no local, sem poder sair.

O corpo do cabo J. chegou ao IML (Instituto de Medicina Legal) em Boa Vista no final do mesmo dia, para realização do exame cadavérico que vai determinar a causa da morte, e ainda à noite foi liberado para a família fazer o velório. Ontem à tarde, ele foi sepultado.

O Cabo J.S.B. morreu com um tiro de arma de fogo, cujo calibre não foi revelado. De acordo com uma fonte da polícia, o tiro entrou por baixo do queixo e saiu em cima na cabeça, o que provocou hemorragia cerebral e traumatismo craniano.

De acordo com informação preliminar que chegou à Folha, a notícia da morte do cabo chegou à polícia no final da manhã de quinta-feira. Foi acionada a equipe do IML para fazer a remoção do corpo do militar a Boa Vista. Uma das pessoas que encaminharam e-mails para a redação protestou contra a instituição militar e denunciou que os militares destacados para estes pelotões especiais de fronteiras são obrigados a ficar confinados sem poder vir a Boa Vista por alguns meses. Em alguns casos, esse período chega há cinco meses.

A fonte, cujo nome foi preservado, destacou que antes os militares permaneciam nestes locais por um período de trinta dias e ficavam cinco dias de folga na cidade. No entanto, essa realidade teria mudado. Para as pessoas que encaminharam e-mail à Folha, a morte do cabo pode ter sido em virtude do longo período de confinamento.

A reportagem da Folha conversou com o pai de J.S.B., mas ele não quis se pronunciar sobre a morte do filho. Também foi feito contato com outro familiar, um primo do militar. Ele não soube precisar o período exato que o rapaz estava no pelotão de Auaris, mas disse que faz alguns meses. Revelou que J.B.S. já estava querendo voltar a Boa Vista e não conseguia liberação.

O cabo J.B.S. era do 7º BIS (Batalhão de Infantaria de Selva), localizado no bairro 13 de Setembro. No início da noite, a reportagem da Folha falou com o general Carlos Neiva Barcellos, comandante da 1ª Brigada de Infantaria de Selva, o comando-geral do Exército no Estado. Por telefone, ele lamentou a morte do cabo e classificou de especulação as denúncias levantadas pelos internautas.

Disse que o Exército adotou todas as providências cabíveis ao caso e que já foi instaurado um IPM (Inquérito Policial Militar) para investigar as circunstâncias da morte do rapaz.

Informou que o militar atua de forma voluntária na defesa da Pátria e o período de permanência nos pelotões de fronteira é estabelecido pelos comandos dos destacamentos e dependem da missão em desenvolvimento. Destacou que ninguém fica esquecido nos pelotões e que mensalmente uma aeronave vai a estes locais fazer reabastecimento e remanejamento dos militares que ali estão.

Ontem, um avião militar seguiu para Auaris levando peritos do Exército e da Polícia Civil para fazer uma perícia detalhada do local e tentar colher dados que levem a esclarecer o caso. O general frisou que somente no final do IPM é que o Exército irá se pronunciar oficialmente sobre a morte do cabo.

Por telefone, ainda na noite de ontem, o delegado Temair Siqueira, da Delegacia de Polícia Civil do Município de Pacaraima, a quem compete a investigação do caso no âmbito da Polícia Judiciária, informou que até aquele momento não tinha conhecimento do caso e que estava sabendo da morte do cabo pela reportagem da Folha.

Luta chega ao congresso

Marco Aurélio Reis – O Dia

A briga dos 12mil soldados especialistas da Aeronáutica pela reintegração à Força Aérea chegou ao Congresso Nacional. Eles foram dispensados ao completar seis anos de atividades, mesmo tendo ingressado na carreira após o serviço militar inicial e tendo sido aprovados em concurso público. Agora, são tema do Projeto de Decreto Legislativo 2.131, que começou a tramitar esta semana.

De autoria do deputado Marcelo Itagiba (PSDB-RJ), o projeto, na prática, susta o licenciamento dos aprovados em concursos públicos de admissão ao Curso de Especialização de Soldados promovidos de 1994 a 2001. Com isso, beneficia os 12 mil homens que hoje circulam pelo País com dois certificados de reservistas: um pelo serviço militar inicial e outro pela atividade como soldados especializados.

Na justificativa, o projeto carrega sentença de segunda instância da Justiça Federal que reintegrou à Força Aérea um dos soldados. Traz ainda escrita a resposta a um estranhamento já relatado pela Coluna há um ano. Por que os 12 mil homens insistem pela reintegração se o Decreto 3.690, de 2000, estabelece que soldados especializados só podem obter prorrogação de serviço até o limite máximo de seis anos? Ora, porque os rapazes não foram avisados em edital que prestavam serviço militar temporário. Tal resposta é a bandeira da Anese (Associação Nacional de Ex-Soldados Especializados da Aeronáutica.

Demissão dos jovens

Ainda na Justificativa, o decreto catuca a Aeronáutica, destacando que a Força “demitiu” os jovens sob a justificativa “absurda” de que estavam prestando o serviço militar inicial, apesar de no concurso ter sido exigido deles prova que estavam quites com essa obrigação.

Palavra Oficial

A posição da FAB sobre os ex-soldados é conhecida. A Força Aérea não reconhece que eles deveriam ficar mais de seis anos, “salvo a aprovação em concurso” para sargento ou para o oficialato. A Aeronáutica se fundamenta no tal Decreto 3.690, de 2000.

Exercício militar britânico irrita Madri

O Estado de S.Paulo

A Grã-Bretanha pediu desculpas ontem à Espanha por ter usado uma boia de sinalização com as cores da bandeira espanhola como alvo de um exercício de tiro da Marinha, no Estreito de Gibraltar. O embaixador britânico em Madri foi "convocado" a dar explicações sobre o incidente na chancelaria espanhola. O exercício de tiro foi realizado no dia 17. Londres anunciou que abrirá uma investigação interna para apurar as responsabilidades no caso.

Novo incidente com Caracas é ''grave'', diz Uribe

Colombiano pede para aliados não provocarem Chávez, mas coloca Forças Armadas em alerta

RUTH COSTAS, COM AFP E AP

O presidente colombiano, Álvaro Uribe, qualificou ontem de "muito grave" a destruição de duas pontes de madeira na fronteira com a Venezuela, mas disse que seu governo não produzirá "atos de guerra". O ministro da Defesa Gabriel Silva advertiu que as Forças Armadas estão preparadas e em alerta máximo para impedir qualquer agressão contra os cidadãos ou o território colombianos.

As pontes - que ligam Ragonvalia, no Departamento (Estado) colombiano de Norte de Santander, com Las Delicias, na Venezuela - foram destruídas por militares venezuelanos por ordem de Caracas. O governo colombiano denunciou ontem a Venezuela na Organização dos Estados Americanos (OEA) por esse ato e promete fazer o mesmo na ONU.

O candidato presidencial Rafael Pardo foi detido ontem brevemente pela Guarda venezuelana para dar explicações quando falava com repórteres na ponte Simón Bolívar, que une a cidade de Cúcuta com o território venezuelano.

Uribe pediu ontem que as autoridades colombianas evitem fazer provocações a Caracas. "Nada de provocações verbais, precisamos acudir aos organismos internacionais. Nossa luta é contra o terrorismo e pela segurança. Não temos pretensão (de agir) contra a comunidade internacional, muito menos contra o povo irmão da Venezuela."

Em Caracas, o vice-presidente venezuelano, Ramón Carrizáles, disse que as estruturas dinamitadas eram "passarelas improvisadas e usadas por narcotraficantes" e as denúncias da Colômbia não têm fundamento.

A polêmica sobre as pontes é mais uma na lista de disputas que está levando a uma escalada de tensões entre Bogotá e Caracas. O presidente Hugo Chávez congelou em julho relações com Bogotá por causa de um acordo de cessão de bases militares colombianas aos EUA.

"As pontes em si não eram importantes, mas sua destruição tem grande valor simbólico - demonstra que Caracas ainda está disposta a continuar com as agressões", disse ao Estado o cientista político venezuelano, Herbert Koeneke, da Universidade Simón Bolívar.

Militares vão julgar mortes em caso de uso de lei do abate

O Estado de S.Paulo

A Comissão de Relações Exteriores e Defesa Nacional do Senado aprovou projeto de Lei que estabelece que o militar que matar alguém, usando a lei do abate, será julgado pela Justiça Militar. Como não havia legislação específica, esse tipo de caso iria para a justiça comum. O projeto foi aprovado em caráter terminativo e não passará pelo plenário do Senado. Por isso, entrará em vigor assim que for sancionado pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva, o que poderá acontecer em até 15 dias úteis.

General defende poder de polícia para outras Forças

Para comandante do Exército, atuação da Força Terrestre deve ser ampliado para Marinha e Aeronáutica

Tânia Monteiro – O Estado de S.Paulo

O comandante do Exército, general Enzo Martins Peri, defendeu, em entrevista ao Estado, a necessidade de a Marinha e a Aeronáutica terem poder de polícia, a exemplo do que a Força Terrestre já tem hoje nas fronteiras. Ressalvou, no entanto, que "não se trata de substituir a Polícia Federal ou nenhum outra polícia", mas ter uma permissão prévia para agir, de forma subsidiária, e preservadas as competências exclusivas das polícias judiciárias.

"O Exército atua, prende e encaminha para a polícia que faz o registro e todo o processamento", disse o comandante, ao explicar que, com a aprovação das modificações da lei complementar 97, encaminhadas pelo Executivo, a Aeronáutica e a Marinha poderão fazer o mesmo, sempre em ações subsidiárias.

"A Aeronáutica hoje tem a lei do abate, mas ela faz com que o avião pouse, só que, mesmo pousando, não tem como prender o fulano que estiver praticando uma irregularidade. Tem de esperar que chegue alguém para prender", comentou.

No caso da Marinha, segundo Enzo, ela executa seus trabalhos de patrulhamento em rios e executa missões na fronteira, além de fazer fiscalização também no mar. "Por isso, precisa ter semelhante situação."

O comandante do Exército responde, indiretamente, às críticas do superintendente da Polícia Federal, Luiz Fernando Correa, que considerou uma temeridade atribuir poder de polícia às Forças Armadas, já que não se poderia confundir segurança externa com interna.

Sobre atuação nas cidades, o comandante do Exército insistiu que a legislação não traz alterações. "Para que possa haver uma ação na cidade, é preciso que o governo do Estado se declare incapaz de agir e solicite ao presidente da República ou outro chefe de Poder que empregue as Forças Armadas. Só neste caso podemos entrar. Fora isso não modifica nada."

O comandante comemorou o artigo que está sendo introduzido na lei, que estabelece proteção aos militares das Forças Armadas que estiverem em missões da garantia da lei e da ordem ou com papel de polícia. "Há um artigo que protege os militares. Aqueles que forem empregados nestas operações estarão protegidos e hoje em dia não estão", afirmou.

Segundo o general, a primeira vez que os militares foram para as ruas com proteção legal foi no ano passado, quando o Exército deu apoio ao processo eleitoral no Rio de Janeiro.

Uribe rejeita brados de guerra

O Globo

Bogotá - Ao comentar a crescente tensão com a Venezuela, acusada de destruir duas pontes para pedestres na sua fronteira com a Colômbia, o presidente colombiano, Álvaro Uribe, garantiu que seu governo não fará qualquer gesto de guerra contra o país vizinho.

– Nossa luta contra o terrorismo é voltada à segurança. Nós não temos qualquer pretensão de ir contra a comunidade internacional, principalmente contra o povo irmão da Venezuela – disse Uribe, em declarações à rádio RCN.

O mandatário assinalou ainda que seu governo evitará até a troca de “agressões verbais" com a Venezuela e não responderá às declarações do presidente Hugo Chávez, e de outras autoridades de Caracas.

– O que vamos fazer, enquanto não há um diálogo bilateral, é recorrer aos organismos internacionais – revelou. – Nós não podemos produzir neste momento qualquer gesto de provocação; esta é uma grande oportunidade que a Colômbia tem para mostrar ao mundo que nosso único interesse é a derrota do terrorismo. Não temos interesse em desafiar ninguém, de propor guerras à comunidade internacional, especialmente a vizinhos e irmãos.

Farc

Uribe também insistiu sexta-feira para que as Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (Farc) libertem todos os membros das forças de segurança que mantêm sequestrados com o objetivo de serem trocados por guerrilheiros presos.

– O governo não pode esquecer que também precisa da garantia de que os demais serão libertados – advertiu Uribe, ao ressaltar que o Executivo não deve se descuidar diante da entrega de dois militares que os rebeldes prometeram devolver de maneira unilateral.

24 Novembro 2009

Paulo Pimenta pede aprovação de projeto que permite promoção de

Jornal da Câmara

A aprovação do Projeto de Lei 5159/09, que reorganiza o quadro especial de terceiros-sargentos do Exército e dispõe sobre a promoção de soldados estabilizados, foi defendida pelo deputado Paulo Pimenta (PT-RS), autor da proposta. “Esse projeto faz justiça a uma categoria que representa cerca de 10% do efetivo do Exército brasileiro. O Quadro Especial do Exército é formado por homens que exercem, dentro dos quartéis, atividades de armeiros, mecânicos, soldadores, motoristas de caminhão e blindados e, muitas vezes, respondem por todas as áreas administrativas dos quartéis”, disse.

Segundo o parlamentar, na legislação em vigor, existem limitações que impedem que os cabos estabilizados e os sargentos do quadro especial possam ir além da função de terceiro-sargento. De acordo com a proposta do parlamentar, esses militares poderão chegar a subtenente.

O projeto, ressaltou Paulo Pimenta, faz justiça a mais de 30 mil profissionais do Exército que hoje se veem impedidos de chegar às patentes superiores. Somente os cabos estabilizados, observou, já são mais de 3 mil, que possuem mais de 17 anos de caserna e ainda não foram promovidos a terceirosargento.

“É por isso que, entre outras questões, esse projeto de lei prevê que esses cabos estabilizados sejam imediatamente promovidos a terceiro-sargento”, disse.

Interstício - Em seu projeto, Paulo Pimenta propõe ainda que o interstício para as promoções passe a ser de cinco anos. “Dessa forma, o terceiro-sargento será promovido a segundo-sargento QE; o segundo-sargento QE, cumprido esse interstício, será promovido ao posto de primeiro-sargento QE; e assim sucessivamente até chegar ao posto de subtenente, que é quando complementa a sua carreira militar”, disse.

O deputado argumentou não ser razoável que esses profissionais não tenham assegurada a oportunidade de participar de cursos de aperfeiçoamento compatíveis com a função que exercem e sequer tenham a oportunidade de ser transferidos.

“Numa época em que temos tantas ações que procuram fazer justiça neste País, é hora de a sociedade reconhecer o papel desses soldados, desses cabos estabilizados, desses sargentos do quadro especial e dar-lhes a oportunidade para que possam avançar nas suas promoções”, disse.

Paulo Pimenta informou ainda ter apresentado o Projeto de Lei 6414/09, que institui 23 de outubro como o Dia Nacional do Quadro Especial do Exército Brasileiro, para que haja uma data que marque o reconhecimento da sociedade à importância dessa classe.

Família cobra explicações do Exército

Folha de Boa Vista

A morte do cabo do Exército Brasileiro Jairo Sousa Barbalho, 22, gerou diversas dúvidas entre familiares e amigos, que não acreditam em homicídio. Muito abalados com a trágica morte, eles cobram explicações das autoridades competentes para que o caso seja investigado com rigor.

Segundo a mãe do militar, a técnica em enfermagem Maria Rodrigues Barbalho, desde o final do mês de julho deste ano, que o filho estava no 5º Pelotão Especial de Fronteira (PEF), localizado em Auaris, na terra indígena Yanomami, fronteira com a Venezuela. “Era muito difícil mantermos comunicação com ele, pois os telefones e a internet não funcionavam”, contou ela.

Muito emocionada, a mãe de Barbalho lembrou que, tão logo o filho entrou no Exército, no discurso de apresentação todos os pais eram consolados. “Eles pediam que nós ficássemos com os corações tranquilos, pois aquele filho que fosse mau, ou mesmo o que fosse bom, voltaria melhor ainda e aprenderia, por exemplo, princípios de obediência e liderança, mas o que é ter um filho bom de volta? É um filho morto como recebi o meu? Não tem tristeza maior para uma mãe do que ver seu filho retornando dentro de um caixão. Eu ainda não consegui acreditar em tudo o que aconteceu e no que ainda está acontecendo. Além de triste, é duvidoso. Meu filho tinha um brilhante futuro, e apesar de tudo, o Exército era a vida dele”, disse Maria.

Ela lembrou ainda que, desde outubro passado, fora informada por sua irmã que o filho estava passando por problemas de saúde, atestado pelo médico do Exército que não teve o nome divulgado.

Segundo o laudo, Barbalho sofria de depressão e requisitava sua transferência para a Capital para dar início ao tratamento. “Se meu filho sofria de depressão, considerado um dos males do século, por que não autorizaram o retorno dele a Boa Vista?”, questiona.

A mãe do militar contou que o filho era evangélico e sempre foi “um exemplo de dignidade e disciplina aos familiares”. Ele ingressou no Exército há quase dois anos como soldado. Em seguida, fez prova para cabo e passou em 2º lugar. Posteriormente, após os resultados dos exames práticos e físico, teria alcançado o 1º lugar.

O padrasto do militar, o médico pediatra Luiz Chaves, disse que a família nunca teve acesso aos prontuários médicos do cabo. “Nunca conseguimos nenhuma informação concreta a respeito da doença dele. Mas o que aconteceu com a nossa família deve servir de alerta às autoridades para que o fato não se repita. Também não sabemos o tempo limite de permanência de cada militar no PEF. Mesmo assim, acredito que qualquer pessoa, independente de ser ou não militar, não deva permanecer durante tanto tempo isolada do mundo e principalmente da família”, ressaltou o médico.

“Ele sempre dizia que uma das maiores dificuldade em retornar para Boa Vista era a falta de aeronaves. Engraçado, quando ele morreu, em poucas horas uma avião já estava lá para fazer a remoção, enquanto que, quando doente, ele não foi transferido. Isso é o mais difícil de compreender”, disse a irmã do cabo, a universitária Jarlane Barbalho.

Familiares contaram que a morte foi constatada por volta das 11h de quinta-feira, mas somente às 14h, três horas depois, a família foi comunicada. “Sabemos que para a morte não tem jeito, mas por que demoraram tanto para nos avisar?”, questionou a mãe do militar.

O CASO - Jairo morreu com um tiro de uma arma 9 mm Bereta. De acordo com uma fonte da polícia, o tiro entrou por baixo do queixo e saiu em cima na cabeça, o que provocou hemorragia cerebral e traumatismo craniano.

Militares afirmam que pelotão de Auaris está em más condições

Militares e amigos do cabo do Exército Jairo Sousa Barbalho enviaram diversos e-mails à Folha denunciando a situação vivenciada por militares não-oficiais que atuam nos pelotões de fronteira de Roraima.

Entre as principais denúncias está o enorme tempo que os militares permanecem no pelotão, às vezes ultrapassa os quatro meses, a dificuldade para retornar à capital, por conta da escassez das aeronaves e a falta de comunicação dos militares com o resto do mundo, ficando confinados e incomunicáveis por falta de internet e de orelhões. Outro fato relatado nos e-mails é a falta de energia elétrica no local. Por falta de combustível, o gerador só funciona 8 horas por dia.

Um dos militares, que preferiu não ser identificado, conta que os oficiais possuem botijas de gás para o preparo de seus alimentos, enquanto os cabos e soldados precisam cortar lenha na mata para cozinhar sua comida.

Outra denúncia foi com relação ao comércio ilegal de materiais de diversos gêneros. Um exemplo citado foi a venda de um refrigerante de dois litros a R$ 8,00, o dobro do praticado em Boa Vista. “Esse produto é trazido em uma aeronave da Força Aérea Brasileira (FAB) por quem tem regalia e acaba se aproveitando disso, uma vez que nem sempre nossos familiares conseguem nos enviar comida ou qualquer outra coisa de nossa preferência, porque nem sempre tem avião para trazer”, explicou um dos militares.

Os militares que entraram em contata com a Folha relatam ainda a venda para as comunidades indígenas de animais destinados à alimentação da tropa. “Isso aqui é um quartel ou um botequim que vende de tudo?”, questionou observando que quem se recusa a ir para o pelotão sofreria ameaças.

Comandante diz que vai apurar denúncias

O general de Brigada Carlos Neiva Barcellos, comandante da 1ª Brigada de Infantaria e Selva, que está no Rio de Janeiro (RJ), conversou com a Folha ontem por telefone e garantiu que todas as denúncias, assim como os motivos e as causas da morte do cabo Jairo Sousa Barbalho, serão investigadas e esclarecidas.

“O Exército Brasileiro é uma instituição séria. Neste momento de tristeza nos solidarizamos com a família. Sabemos da dor da perda. Infelizmente ocorreu uma fatalidade. O que podemos fazer no momento é garantir que tudo seja investigado, para isso necessitamos de tempo”, explicou o general.

Ainda segundo o comandante, todos os militares que fazem parte do Pelotão Especial de Fronteira (PEF) em Auaris realizam diversas missões “nobres e específicas em defesa da Pátria”. “Isso acontece em todos os PEFs da Amazônia. Sabemos que Auaris e Surucucus, por serem pelotões distantes, passam por diversas dificuldades. Não estamos alheios a isso, mas mensalmente uma aeronave da Força Aérea Brasileira (FAB) realiza o reabastecimento não só com alimentos, mas de toda a parte logística necessária”, garantiu.

Com relação à falta de aeronaves para atender principalmente os militares que passam por algum problema de saúde, o general garantiu: “Quando os sintomas mostram que o militar deva ser removido de imediato, a evacuação é feita não só pelas aeronaves da FAB e do Exército como também as civis. Nunca aconteceu de um militar não ser removido em caso de emergência ou estado de saúde grave”, explicou.

O general disse ainda que as supostas irregularidades denunciadas serão apuradas. “Posso garantir que não existe nenhum tipo de corporativismo. Com relação à morte, um Inquérito Policial Militar (IPM) já foi instaurado. O prazo é de 40 dias, podendo se estender para mais 20”.

O chefe de Estado Maior da 1ª Brigada, coronel Pastori, disse que a regulamentação interna dos PEFs estabelece que os militares podem passar até quatro meses no pelotão. Após esse período, têm direito ao “arejo” (folga), que varia de 15 a 30 dias, de acordo com a ida da aeronave para o local.

“Atualmente temos 29 militares em Auaris, pois dos 66 destacados para o local, a grande maioria está de férias, mas outros já estão sendo remanejados para suprir as necessidades”, explicou o coronel.

O militar disse ainda que a pista de pouso de Auaris está deteriorada em consequência do tempo. “A pista só pode receber aeronaves pequenas, mas isso também não interferiu nos trabalhos realizados no local. Equipes da Comissão de Aeroportos da Amazônia, ligadas à FAB, já estão fazendo a recuperação do local”, lembrou.

INVESTIGAÇÃO - Um avião militar seguiu para Auaris ainda na semana passada, levando peritos do Exército e três da Polícia Federal, para fazer uma perícia detalhada do local e tentar colher dados que levem a esclarecer o caso. O general frisou que somente no final do IPM é que o Exército irá se pronunciar oficialmente sobre a morte do cabo.

Com relação à possível doença de depressão o coronel Pastori garantiu que irá apurar diretamente com o médico que teria atendido o cabo.

Explosão em paiol da Marinha deixa 8 mortos

O Estado de S.Paulo

 

Pelo menos oito soldados morreram e dois ficaram feridos ontem em uma explosão num depósito de armas da Marinha russa, na cidade de Ulyanovsk. No início do mês, outra explosão, no mesmo paiol, obrigou mais de 3 mil moradores a deixar a área. Analistas dizem que a falta de treinamento militar e os cortes orçamentários têm provocado os acidentes.

Corte julga 15 militares por crimes da ditadura

O Estado de S.Paulo

 

A Justiça argentina começa a julgar hoje os 15 oficiais e suboficiais do Exército e da Polícia Federal acusados de participação no chamado Circuito de Torturas que funcionou durante a ditadura militar (1976-1983). Os militares e policiais responderão por tortura, estupro e assassinato de 184 civis, além de roubo e sequestro de crianças.

19 Novembro 2009

Nelson Jobim se reúne com vice-presidente chinês

EFE

O Brasil e a China anunciaram hoje que aprofundarão suas trocas e cooperação militares, por ocasião de um encontro, em Pequim, entre o ministro da Defesa, Nelson Jobim, e o vice-presidente chinês, Xi Jinping.

O vice-presidente chinês destacou, durante a reunião, que o diálogo bilateral é de grande significado para os dois países, segundo a agência oficial de notícias "Xinhua".

Em matéria de defesa, Xi - possível sucessor do atual presidente, Hu Jintao - disse que "as trocas e a cooperação militar contribuem para fortalecer a confiança mútua e a associação estratégica entre os dois países".

Jobim disse que Brasil e China cooperaram de forma estreita em assuntos internacionais, e que agora espera que também reforcem a coordenação entre seus respectivos Exércitos, "a fim de criar uma nova ordem internacional política e econômica".

Segundo um acordo de cinco pontos assinado na segunda-feira entre Jobim e o ministro da Defesa chinês, Liang Guanglie, a cooperação militar entre os dois países emergentes incluirá desenvolvimento conjunto de suas respectivas indústrias de defesa, colaboração em ciência e tecnologia, e capacitação de pessoal.

Além disso, os dois países preveem exercícios militares conjuntos com mais de 8 mil efetivos das forças de terra, mar e ar.

Durante sua visita à China, o ministro brasileiro se reuniu também com o vice-presidente da Comissão Militar Central (principal órgão militar), Xu Caihou, e com o vice-ministro de Indústria e Informação, Chen Qiufa.

Assim como a China, o Brasil está mostrando um crescimento estável em meio à crise global, por isso tenta modernizar sua indústria armamentista e assentar, assim, sua emergência na América Latina, segundo um plano de renovação militar anunciado em 2008 pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva.
 
Nas últimas semanas, o Brasil assinou acordos com fornecedores militares dos EUA e da Europa em um valor de mais de US$ 20 bilhões, entre eles a compra de submarinos e helicópteros à França e tanques à Alemanha.

Jobim chegou no sábado à China procedente da Bélgica, e deve deixar o país asiático amanhã com destino ao Canadá, onde participará do Fórum de Segurança Internacional de Halifax.

Marinha também exigiu exame para diagnosticar HIV

Dois candidatos foram eliminados por serem soropositivos. Um deles já ganhou ação na Justiça Federal e foi nomeado
 
Diário de Pernambuco

Não foi só um concurso estadual que exigiu o exame para diagnosticar o HIV nos candidatos. Em uma seleção da Marinha do Brasil realizada neste ano também havia o mesmo item no edital, com caráter eliminatório, assim como na seleção da Polícia Militar e da Secretaria de Ressocialização.

Recentemente dois pernambucanos acabaram sendo eliminados do concurso da Marinha por serem portadores do vírus HIV. Indignados com a decisão, os dois decidiram entrar na Justiça Federal.
 
Um deles já ganhou o processo e foi integrado ao quadro da Marinha. O outro aguarda o julgamento de sua ação ainda neste ano. A expectativa da advogada da ONG Gestos Kariana Guérios, que atua nos dois casos, é que o resultado desse segundo julgamento seja o mesmo do primeiro.

Nem os nomes, nem os cargos para os quais os dois candidatos concorreram foram divulgados pela Gestos, a pedido deles próprios. Mas a advogada fez questão de ressaltar que os dois apresentam um bom estado de saúde e são capazes de exercer a função para a qual se candidataram. "Inclusive, apresentei o atestado de saúde deles perante o tribunal. O candidato que já foi integrado à Marinha passou pela fase de estágio e foi aprovado sem nenhuma restrição. Hoje realiza suas funções perfeitamente. Ou seja, a justificativa de que ele talvez não pudesse exercer suas funções por questões de saúde, não procedeu", contou Kariana Guerios.

A advogada explicou que entrou na Justiça alegando que a exigência feria os princípios da legalidade e era uma medida preconceituosa. "Se uma pessoa é soropositivo não significa que seja incapaz de trabalhar. E foi isso que demonstrei na Justiça Federal. Essas duas pessoas estão em perfeitas condições de trabalhar", ressaltou. Segundo a advogada, os dois procuraram a ONG Gestos para pedir apoio no embate judicial.

O Diario procurou a Marinha. A assessoria de imprensa informou, por meio de uma nota, que, "em razão da necessidade de ampliar a busca de dados junto a outras organizações militares que subsidiarão as informações a respeito do assunto, a resposta sobre o caso será dada posteriormente".
 
Já com relação ao caso da solicitação de teste de HIV em concursos promovidos pelo governo do Pernambuco, o secretário de Administração, Paulo Câmara, informou por meio da assessoria de imprensa, que, em atenção à recomendação do Ministério Público de Pernambuco, não será mais pedido esse tipo de exame em nenhum concurso. O procurador-adjunto do estado, Thiago Norões, esclareceu que essa não é uma prática comum nos concursos e que foram dois casos isolados (o para policial militar e agente penitenciário). "A recomendação da Procuradoria Geral do Estado é para que não seja exigido esse exame, nem nenhum outro que tenha caráter discriminatório", afirmou Thiago Norões.

Benefício a oriundo do Quadro de Taifeiro

Jornal do Senado

A Comissão de Constituição e Justiça aprovou projeto (PLC 282/09) que assegura o acesso às graduações superiores, na inatividade, aos militares oriundos do Quadro de Taifeiros da Aeronáutica (QTA) na reserva remunerada, reformados ou no serviço ativo.

A regra beneficia os que tenham ingressado no quadro até 31 de dezembro de 1992. A proposta, relatada na CCJ por Francisco Dornelles (PP-RJ), vai à Comissão de Relações Exteriores e Defesa Nacional (CRE), para decisão terminativa.

Para Colômbia, Unasul é leniente com Chávez

Efe, BOGOTÁ

A União de Nações Sul-Americanas (Unasul) - tida como um dos pilares da política brasileira para a América do Sul - foi acusada ontem pelo chanceler colombiano, Jaime Bermúdez,de adotar um comportamento "decepcionante e paradoxal" na recente escalada da crise entre Colômbia e Venezuela.

"É surpreendente e decepcionante que a Unasul, que busca exatamente em seu Conselho de Defesa a tranquilidade, a estabilidade e a paz na região, não tenha dito nada", disse Bermúdez em referência ao chamamento feito há duas semanas pelo presidente venezuelano, Hugo Chávez, para que seus militares e cidadãos estivessem "preparados para a guerra" contra a Colômbia e os EUA.

"Chama a atenção que o chefe de Estado de um país da região, membro da Unasul, tenha utilizado uma linguagem bélica e falado de guerra sem que a Unasul faça nenhum comentário a respeito", disse o chanceler, no ataque mais direto à organização desde a sua criação, em março do ano passado.

Chávez respondeu ontem às declarações de Bermúdez e disse que o chanceler e o presidente colombianos eram uns "desgraçados". No sábado, Chávez descartou a hipótese de normalizar as relações com Bogotá, suspensas desde agosto, por causa do acordo que permite aos EUA usarem até sete bases militares da Colômbia.

Número de suicídios no Exército será recorde

Jornal do Brasil

O número de suicídios no Exército dos Estados Unidos baterão um triste recorde este ano, disse, na terça-feira, o general Peter Chiarelli, vice-chefe de pessoal do Exército americano, num anúncio que deve aumentar as preocupações em torno do nível de estresse das Forças Armadas.

A informação, num momento em que o presidente Barack Obama avalia se envia mais 40 mil soldados ao Afeganistão, mostra que o número de suicídios entre militares da ativa neste ano já igualou o recorde de 140 mortes registradas no ano passado.

– É quase certo que terminaremos esse ano com mais (suicídios) que no ano passado – disse Chiarelli.

– Isso é horrível e eu não quero minimizar a importância desses números, de forma alguma.

Outros 71 soldados cometeram suicídio quando não estavam em serviço neste ano – quase 25% a mais do que o total de 2008. Alguns deles voltaram para casa semanas antes de tirarem a própria vida.

Números indisponíveis Esses números se referem somente ao Exército dos EUA. As informações sobre as demais Forças não estavam disponíveis.

A discussão sobre a incidência de distúrbios psicológicos entre militares americanos ganhou peso principalmente depois que o major Nidal Hasan, de origem muçulmana, descarregou duas pistolas contra militares na base americana de Fort Hood, no Texas. Hasan, que é psiquiatra, era o responsável por tratar de soldados com distúrbios emocionais, e teria dito a familiares, antes de cometer o atentado, que um de seus piores pesadelos seria ter de combater no Iraque ou no Afeganistão, para onde o Exército planejava enviá-lo.

Deputado denuncia estratégia dos EUA na AL

Jornal do Brasil

Brasília - O deputado federal José Genoino (PT-SP) disse ter tido acesso a documentos oficiais da Força Aérea dos Estados Unidos que comprovariam que o acordo militar entre Washington e Bogotá, que prevê a utilização de bases colombianas por forças militares norte-americanas, não se resumiria a ações militares dos EUA dentro da Colômbia, mas a estratégias em toda a América do Sul. O suposto documento, que Genoino disponibilizou para download em seu site, segundo o deputado, é uma proposta pública de Orçamento e estaria disponível também no site do próprio Congresso norteamericano.

Um trecho do suposto documento diz que o acordo melhora a "Estratégia de Postura de Defesa Global dos EUA", com oportunidade para "operações de amplo espectro na América do Sul". A utilização, no caso, da base de Planquero, apoiaria a "mobilidade das missões, fornecendo acesso ao continente inteiro".

Na Embaixada dos EUA, em Brasília, ninguém foi encontrado quarta-feira à noite para comentar o assunto.

Exército receberá R$ 1,2 milhão por proteção a Enem

Militares farão escolta das provas da gráfica até postos dos Correios

Demétrio Weber - O Globo

BRASÍLIA. O Exército receberá R$ 1,26 milhão do Ministério da Educação (MEC) para fazer a segurança das provas do Exame Nacional do Ensino Médio (Enem), que será aplicado nos dias 5 e 6 de dezembro. Os militares ficarão responsáveis pela guarda e escolta dos cadernos de questões tão logo saiam da gráfica, na Região Metropolitana de São Paulo, e sejam levados a 64 postos de distribuição dos Correios nos estados.

A autorização de pagamento foi publicada ontem no Diário Oficial. O dinheiro será repassado ao Ministério da Defesa. O MEC informou que novas liberações deverão ser feitas nos próximos dias para a Marinha e a Aeronáutica, que cuidarão da segurança na Amazônia.

O que preocupa mais o MEC é a segunda fase de distribuição, quando as provas forem levadas aos cerca de 10 mil locais de prova do país. Nessa fase entrarão em cena Polícia Federal, Força Nacional de Segurança Pública, e polícias Militares e Civis. O governo gastará R$ 148 milhões com o Enem, além dos R$ 38 milhões já pagos ao consórcio Consulplan, contratado para aplicar o teste em 3 e 4 de outubro — adiado com o vazamento das provas, em setembro.

17 Novembro 2009

Dassault oferece itens adicionais para tentar vender o Rafale para o Brasil

O Globo Online
 
Na reta final da disputa por um contrato de venda de 36 jatos de combate à Força Aérea Brasileira (FAB), o governo da França – cuja empresa Dassault concorre com o seu modelo Rafale contra a americana Boeing e a sueca Saab – acrescentou alguns itens ao pacote que já havia oferecido ao Brasil. Um deles é a possibilidade de, ao longo do acordo, a Embraer vir a desenvolver uma versão mais moderna daquele avião e, eventualmente, exportá-lo para a própria França.

Tal possibilidade está embutida no fato de que na prometida transferência de tecnologia daquela aeronave, sem quaisquer restrições, estaria incluída a cessão dos seus códigos-fonte – coração e cérebro do avião. São as linhas de código dos programas que controlam tanto o sistema de armas (mísseis e computadores de bordo), quanto os radares, os motores, e superfícies móveis (como os lemes) do caça.

" A FAB terá toda a tecnologia do Rafale, inclusive os chamados códigos-fonte. Com eles ela poderá tanto modificar a aeronave quanto fazer, por exemplo, um Super Rafale "

Essa promessa, mais a garantia de várias outras vantagens, foram apresentadas ao governo por um enviado especial do presidente Nicolás Sarkozy, durante uma discreta visita de dois dias ao Brasil, na semana passada: o almirante Edouard Guillaud. Ele é "chefe do estado maior particular do presidente da República".

No acordo que propusemos ao governo brasileiro está escrito que a FAB terá toda a tecnologia do Rafale, inclusive os chamados códigos-fonte. Com eles ela poderá tanto modificar a aeronave quanto fazer, por exemplo, um Super Rafale, uma nova versão – disse Guillaud em entrevista exclusiva ao GLOBO. "Tratam-se de especificações técnicas, que vão desde as mais gerais até o último parafuso do trem de pouso. Isso se chama cessão de segredo industrial" – insistiu.

Guillaud conversou confidencialmente com o ministro da Defesa, Nelson Jobim, no hotel Copacabana Palace, no Rio de Janeiro. Horas depois, na entrevista, depois de comentar que "um avião de combate sem armamento é um avião de aeroclube, muito caro", ele revelou que, no espírito da parceria estratégica França-Brasil assinado em dezembro passado, garantiu ao governo brasileiro que a França está preparada para ir mais além: se o Rafale ganhar a concorrência, o Brasil poderia produzir inclusive as armas para essa aeronave.

"A indústria francesa de mísseis também decidiu compartilhar com o Brasil os seus segredos de fabricação. Isso mostra que não estamos falando apenas de um avião, e sim de todo um sistema global para o qual propomos a transferência de tecnologia."

Guillaud contou, ainda, que reforçou a proposta francesa com um plano de intercâmbio de oficiais de nível superior, em especial dos estados maiores das forças armadas de ambos os países:

"Não estamos conversando como comerciantes. É um raciocínio estratégico, que pode ir muito além disso – afirmou."

Guillaud veio ao Brasil em companhia de Damien Loras, conselheiro de Sarkozy para as Américas. Durante a entrevista ele também enfatizou alguns pontos da proposta de seu país, em especial o de que a transferência de tecnologia seria "naturalmente gratuita", e não um custo um adicional ao valor do avião:

"O valor dessa transferência sem precedentes representa anos de experiência, de desenvolvimentos, de estudos e de know-how (concepção e fabricação). Esse valor é estimado entre cinco e sete bilhões de euros, ou seja, mais do que o montante do contrato" – ressaltou Loras.

Apesar dessa menção ao preço, tanto ele quanto Guillaud evitaram mencionar cifras específicas sobre o custo do Rafale – a não ser o fato de que ele seria 4% mais caro que o F-18 Super Hornet, da americana Boeing. Tal diferença, alegaram, desapareceria ao longo dos 15 anos de contrato a ser firmado com o Brasil, por conta de flutuações cambiais durante esse período.

"Independência e autonomia sempre demandam investimento. A própria França pagou um preço para ser autônoma e não depender do fornecimento de outros países na área militar. Aceitamos investir mais, um pouco mais, para dominar o nosso destino. E o Brasil agora tem chance de fazer o mesmo: tem economia sólida, vontade política, e busca os meios de se fazer respeitar e de ser respeitado. É aí que intervém a ferramenta militar" – argumentou Guillaud.

A estimativa é a de que o pacote francês custaria cerca de 5,5 bilhões de euros. O almirante, negando-se a precisar um valor, disse que, na prática, o contribuinte brasileiro pagaria pelos caças um preço equivalente ao seu custo para os próprios franceses. Guillaud insinuou que, num último momento, poderia haver algum tipo de acerto em relação ao valor do contrato:

"Estamos numa competição e aquele que for escolhido (do ponto de vista técnico-operacional) vai entrar numa negociação comercial. Não vim aqui em nome do fabricante (Dassault) mas, sim, do presidente da República. O que posso lhe dizer é que no momento da negociação o estado francês estará presente. O presidente Sarkozy se comprometeu a fazer isso. Trata-se de um compromisso por escrito, e firme" – disse Guillaud.

A400M: mais perto do primeiro voo

Aeronave iniciará os testes de solo em preparação para o primeiro voo, esperado para antes do final do ano

Poder Aéreo

O primeiro A400M foi entregue, no último dia 12 de novembro, para a organização de voos de teste da Airbus, para iniciar os testes em solo necessários antes do primeiro voo. O objetivo é verificar se todos os sistemas da aeronave, motores e instrumentção de testes estão funcionando adequadamente, de modo a garantir um primeiro voo seguro assim como uma eficiente campanha de provas.

Após testes estáticos, que inclui os de motores, sistemas e equipamentos de telemetria, serão iniciadas as primeiras corridas de táxi, primeiramente a baixa velocidade (até 60 kts) e frenagens, seguidas de testes de velocidade a 120 kts, abortando a decolagem. Após cada prova e análise dos dados respectivos, é feita uma avaliação para determinar quando a próxima é realizada, subsequentemente até o momento da primeira decolagem (esperada para antes do final do ano).

Elbit vai produzir veículo aéreo não tripulado no Brasil

Valor
 
Uma das mais importantes parceiras da Força Aérea Brasileira (FAB) no programa de modernização de suas aeronaves, a Aeroeletrônica, controlada pelo grupo israelense Elbit, decidiu instalar no Brasil um centro de excelência para o desenvolvimento e fabricação de Veículos Aéreos Não Tripulados (VANTs). O presidente do grupo Elbit, Joseph Ackerman, disse que o projeto do novo centro deverá consumir um investimento em torno de US$ 45 milhões e US$ 50 milhões até o fim de 2010. Ackerman esteve no Brasil na semana passada e integrou a comitiva de 40 empresários que acompanhou o presidente de Israel, Shimon Peres, durante sua visita ao país.

A Elbit já encaminhou uma proposta para a FAB de transferência da tecnologia das VANTs para a filial brasileira, instalada em Porto Alegre. "Um grupo de 10 engenheiros da Aeroeletrônica já iniciou um treinamento em várias unidades da Elbit no mundo com o objetivo de trazer essa tecnologia para o Brasil", afirmou. O executivo ressalta que a decisão de transformar a Aeroeletrônica em uma empresa expert nesse tipo de veículo atende a uma expectativa do governo brasileiro de desenvolvimento e domínio dessa tecnologia no país.

A decisão da empresa também foi motivada pela intenção, já anunciada, do Comando da Aeronáutica de adquirir VANT para o estabelecimento de doutrina na FAB. No começo deste ano a FAB fez um pedido de informações (Request For Information – RFI) para as empresas interessadas em fornecer esse tipo de veículo para emprego em missões de reconhecimento e como plataforma intermediária de comunicação. Outro objetivo da FAB é capacitar a indústria aeronáutica para o desenvolvimento de um VANT totalmente nacional.

A Força Aérea selecionou nove empresas para receberem o RFI: as brasileiras Aeroeletrônica e Avibrás, as israelenses Elbit e IAI, a sul africana Denel, a americana Boeing, a russa Irkut, a europeia EADS-Casa e a italiana Galileu Aviônica. O Comando da Aeronáutica ressaltou, na época, que manterá o foco em aspectos relacionados às condições das ofertas de compensação comercial ("offset") e no grau de transferência de tecnologia para a indústria brasileira.

O Brasil, segundo o executivo, figura hoje entre os três principais mercados da companhia, depois dos Estados Unidos e de Israel, por conta dos projetos e negócios que vem desenvolvendo na área de defesa e também das perspectivas de novos negócios no setor de segurança territorial, motivados pelas Olimpíadas de 2016. A empresa, que nos últimos três anos registrou faturamento da ordem de US$ 100 milhões por ano no país, prevê crescimento de mais de 30% nos resultados a partir de 2010.

"Temos uma estratégia de longo prazo para ampliar a nossa presença no Brasil em função do potencial dos projetos como o dos caças F-X2, VANTs e dos helicópteros da FAB", ressaltou. Com faturamento de US$ 3 bilhões e 2 mil funcionários no mundo, a Elbit também tem projetos para o Brasil na área espacial, com o fornecimento de sistemas para satélites, tecnologia automobilística, programas de vigilância e segurança e sistemas eletrônicos para carros de combate do Exército.

"Não estamos esperando retorno de curto prazo. Estamos aqui para ficar e gostaríamos de ver a Aeroeletrônica não só como centro de excelência para o Brasil, mas também para outros países da América Latina", afirmou.

A Aeroeletrônica, segundo Ackerman, está capacitada para desenvolver o software operacional e integrar os sistemas dos novos caças do programa F-X2, assim como produzir e fazer a manutenção de toda a aviônica (sistemas de controle), incluindo os sistemas de guerra eletrônica e de data link. "A nossa expectativa é que o F-X2 gere entre 60 e 80 novas contratações de engenheiros, num prazo de cinco anos."

Esse número, segundo Ackerman, não inclui a contratação de técnicos e de pessoal de suporte, o que aumentaria o número de postos de trabalho em três vezes. Ele disse que mantém boas relações com todos os concorrentes do F-X2, mas espera que o Brasil obtenha o melhor programa para as suas necessidades específicas.

Marinha Chilena vai construir LPD

Poder Naval
 
A Marinha do Chile planeja construir um navio de assalto anfíbio do tipo LPD com 9.000 toneladas de deslocamento e capacidade para transporte de até 500 fuzileiros, mais equipamentos e veículos blindados.

O navio faz parte do plano de reaparelhamento e expansão das Forças Armadas Chilenas. Ele seria o maior já construído em estaleiros Chilenos e destina-se a servir de navio de apoio a todos os tipos de operações navais, inclusive para o apoio a catástrofes naturais.

O projeto chileno parece se basear no conceito holandês "Enforcer" LPD 8000.

Marinha fica sem recursos do pré-sal

Relator destina para o Fundo Social 100% da verba de participação especial e 'royalties' pertencente à União dos campos já licitados Texto inicial de Palocci previa que parte dos recursos iria para pasta da Ciência e Tecnologia e para o Comando da Marinha

FERNANDA ODILLA
DA SUCURSAL DE BRASÍLIA - Folha de S.Paulo
 
Para garantir recursos imediatos de áreas do pré-sal para serem aplicados em ações sociais e de desenvolvimento regional, uma comissão especial da Câmara dos Deputados aprovou ontem relatório que destina 100% dos recursos de participação especial e royalties à União dos campos já licitados para o Fundo Social proposto pelo governo.

O relator do projeto, deputado Antonio Palocci Filho (PT-SP), alterou o próprio texto, que inicialmente destinava apenas uma parte desses recursos ao Fundo Social.

Pelo texto, o Comando da Marinha e o Ministério da Ciência e Tecnologia não terão mais direito aos recursos de campos como Tupi, Iara, Carioca, Júpiter e Guará.

Das áreas já licitadas do pré-sal, só o teste de longa duração na área de Tupi resultou em pagamento de royalties, que começaram a ser distribuídos em junho. Contudo a ANP (Agência Nacional do Petróleo) informou não ser possível precisar o valor exato já repassado.

O próprio relator já espera reação das pastas que deixarão de ganhar esses recursos. "Vamos receber reclamações dos setores que recebem esses recursos. Mas não estamos ferindo em nada os ministérios [Marinha e Ciência e Tecnologia] e não mexi nenhum centavo dos Estados e municípios", disse o ex-ministro da Fazenda. Palocci afirma que "há recursos de sobra para esses ministérios".

Palocci também decidiu deixar para o Executivo definir, via projeto de lei, se usará apenas os rendimentos do fundo ou seu patrimônio nos investimentos sociais. A prioridade continua a sendo aplicar os recursos em saúde, educação, ciência e tecnologia, ambiente, cultura e combate à pobreza.

Petro-Sal

Ontem, também foi aprovado o projeto que cria a estatal para gerenciar os recursos do pré-sal, com o nome provisório de Petro-Sal. Foram feitas poucas alterações no projeto pelos deputados, que fixaram mandatos de quatro anos para os membros do Conselho de Administração da estatal e instituiu quarentena de quatro meses para pessoas que deixarem o conselho.

A pedido do líder do PR, Sandro Mabel (GO), foi adiado o início da discussão do projeto de capitalização da Petrobras. O pedido foi interpretado por governistas como um sinal de que parte da base aliada está disposta a colaborar com os prazos do governo apenas se emendas parlamentares ao Orçamento, hoje contingenciadas, forem liberadas.

Aprovados ou não pelas comissões, os projetos começam a ser debatidos e votados no plenário da Câmara na próxima terça, antes de seguirem para o Senado. Ontem, o presidente da Câmara, Michel Temer (PMDB-SP), disse que deve dar prioridade aos projetos já apreciados pelas comissões especiais, para dar tempo de solucionar eventuais pendências nas matérias mais polêmicas.

Os líderes governistas querem esperar o presidente Lula, que está no exterior, para definirem os valores da partilha dos royalties do pré-sal. União e Estados e municípios produtores de petróleo disputam parcela maior dos recursos.

Prevista para a noite de hoje, a discussão do principal projeto do pré-sal pode ser adiada para a próxima semana. "Se a União achar que pode abrir mão de recursos, não faria oposição, mas, até lá, meu relatório é "imexível"", disse o relator do projeto que muda o modelo de exploração, Henrique Eduardo Alves (RN), líder do PMDB da Câmara. Ele se encontra no final de semana com o governador Sérgio Cabral (RJ), defensor do aumento dos repasses de royalties para Estados produtores.

Encerramento da VENBRAS-2009

Após um período de 14 dias realizando atividades operativas nos portos de Fortaleza e Rio de Janeiro e na área marítima compreendida entre os Estados do Ceará e do Rio de Janeiro, a Marinha do Brasil (MB) e a Armada Bolivariana (AB) encerraram, no dia 29 de outubro, a Operação "VENBRAS-2009".

A operação foi iniciada no porto de Fortaleza com a chegada dos Grupos-Tarefa (GT) brasileiro e venezuelano. No período de 16 a 19 de outubro foram realizados diversos exercícios operativos.

Durante a fase de mar, iniciada após o suspender dos navios de Fortaleza, também foram conduzidos exercícios operativos com a participação de meios navais e aeronavais das duas Marinhas, entre os quais destacam-se: os exercícios de manobras táticas; operações aéreas a bordo dos navios da Armada Bolivariana (VERTREP/PickUp/Pouso e decolagem); exercícios de guerra eletrônica; transferência de óleo no mar (TOM); transferência de carga leve; e exercícios de trânsito sob ameaças de superfície/aérea.

Na parte final das operações no mar, realizada entre Cabo Frio e Rio de Janeiro, o GT Brasil-Venezuela realizou o exercício de trânsito sob ameaças múltiplas nos três ambientes da guerra (ar-superfície-submarino), que contou com a participação de figurativos inimigos, representados pelo Submarino "Tupi", Aeronaves AF-1 e pelo Navio-Patrulha "Gurupá".

Os seguintes meios participaram da Operação "VENBRAS-2009":

Brasil
- Fragata "Liberal" (F43)
- Fragata "Independência" (F44)
- Navio-Tanque "Almirante Gastão Mota" (G23)
- Submarino "Tupi" (S-20)
- Aeronaves AF-1, AH-11A Super Lynx e UH-12/13 Esquilo/Esquilo-Bi
- Navio-Patrulha "Goiana" (P 43)
- Navio-Patrulha "Guaratuba" (P 50)
- Navio-Patrulha "Gurupá" (P 46)

Venezuela
- Fragata "Mariscal Sucre" (F21)
- Navio de Apoio "Esequibo" (T62)

Durante a fase de Porto no Rio de Janeiro, os Comandantes dos GT (CGT) brasileiro e venezuelano se reuniram para realizar a reunião de crítica final, onde foram apresentados todos os aspectos importantes da operação e a reconstituição dos exercícios sob ameaças de superfície, aérea e submarina, realizados no mar. Na fase de encerramento, os CGT assinaram a ata de acordos para a próxima Operação VENBRAS.

No dia 26 de outubro, foi realizada uma homenagem a todos os oficiais da Armada Bolivariana, a bordo da Fragata "Liberal", ocasião em que tiveram a oportunidade de conhecer o Projeto de Modernização das Fragatas Classe Niterói (MODFRAG) da Marinha do Brasil.

O GT venezuelano suspendeu na manhã do dia 29 de outubro com destino a Puerto Cabello (Venezuela), onde deverá atracar no dia 10 de novembro.

Marinha solicita licença prévia ao Ibama para construção de estaleiro e base

DIRETORIA-GERAL DO MATERIAL

AVISO DE LICENÇA

A MARINHA DO BRASIL – Diretoria-Geral do Material da Marinha – DGMM , inscrita no CNPJ 00.394.502/0163-00, com sede na rua Primeiro de Março 118, Edifício Barão de Ladário, 10º; 11º e 12º andares, Centro, Rio de Janeiro – RJ, torna público que requereu ao Instituto Brasileiro do Meio Ambiente – IBAMA, a Licença Prévia para o empreendimento denominado "Estaleiro e Base Naval para Construção de Submarinos Convencionais e de Propulsão Nuclear" no Município de Itaguaí, Estado do Rio de Janeiro. Foi determinada a realização de Estudo de Impacto Ambiental com emissão de Termo de Referência.

JOSÉ ALBERTO ACCIOLY FRAGELLI
Coordenador-Geral do Programa de Desenvolvimento de Submarino com Propulsão Nuclear

Marinha do Brasil realiza lançamentos de torpedos Mk.48 Mod.6 AT ADCAP

Poder Naval
 
Finalmente uma boa notícia por essas bandas! Cumprindo programação estabelecida em março de 2008, a MB realizou em 12 de novembro, com pleno êxito, o lançamento de dois torpedos MK-48 MOD 6AT ADCAP, contra alvo de superfície. Os lançamentos foram realizados pelo submarino Tikuna.

A partir da presente data, o torpedo MK-48 passa a constituir o armamento dos submarinos classe "Tupi" e "Tikuna".

Imprensa do Paraguai repercute operação militar das Forças Armadas do Brasil

Operação Laçador, que vai até 27 de novembro, é simulação de guerra.
Jornais paraguaios noticiaram o exercício, ocorrido dias depois do apagão

G1

Um exercício militar das Forças Armadas brasileiras está preocupando parte da imprensa do Paraguai.

O jornal "ABC Color" afirmou, em sua edição de sábado, que o exercício, batizado de "Operação Combinada Laçador", será "a maior simulação de guerra convencional" da América Latina. O "ABC" cita o jornal brasileiro especializado em questões de defesa "Defesanet".

O exercício, segundo o jornal, foi anunciado três dias horas depois do apagão que atingiu parte do território brasileiro e todo o Paraguai.

Segundo o "ABC" e outros jornais paraguaios, o exercício simularia uma guerra com um país vizinho e a tomada de uma hidrelétrica, representada na simulação pela usina de Itá.

O Exercício, segundo o Ministério da Defesa, deve durar desta segunda-feira (16) até o próximo dia 27, nos três estados da Região Sul, e envolver 8 mil homens das três forças.

Nota no site do ministério informa que o planejamento e a definição de cenários como o dessa operação ocorrem com muita antecedência em relação ao início efetivo dos exercícios.

Começa, no Sul do país, Operação Laçador

Ministério da Defesa
 
Começou nesta segunda-feira, 16 de novembro, no Sul do país, a Operação Combinada Laçador, coordenada pelo Estado-Maior de Defesa do Ministério da Defesa com a participação das Forças Armadas. A operação é um exercício de adestramento conjunto que testa a interoperabilidade e a integração de atuação do Ministério da Defesa e das Forças Armadas. Cerca de 8 mil militares da Marinha, Exército e Força Aérea Brasileira estão envolvidos na Operação Laçador, que se desenvolve nos Estados do Paraná, Santa Catarina e Rio Grande do Sul.

A Marinha participa com treze navios, dois submarinos, quatro lanchas e oito helicópteros um destacamento de mergulhadores de combate, e ainda tropa de Fuzileiros Navais. O Exército emprega os homens das 3ª , 5ª e 6ª divisões e a 3ª Região Militar e a 5ª Região Militar/ 5ª Divisão de Exército  e  militares do Batalhão de Operações Especiais e tropa da Brigada de Infantaria Paraquedista provendo os meios logísticos nos três Estados da operação. Já  a Força Aérea Brasileira participa com 53 aeronaves.

Essa é a segunda operação combinada coordenada pelo Ministério da Defesa este ano – a primeira foi a Operação Laguna, no Mato Grosso do Sul - e a quinta que tem o Sul do país como cenário. No exercício simulado da operação, os países Amarelo e Verde estão em conflito. Na guerra fictícia, o país Verde corresponde aos Estados de Paraná, Santa Catarina e parte do Rio Grande do Sul e o país Amarelo às regiões da Campanha e noroeste do Rio Grande do Sul.

O país Amarelo enfrenta uma crise de energia. Os campos petrolíferos se esgotaram e a única fonte de energia vem de uma usina binacional construída em parceria com o país Verde, onde fica a sede da hidrelétrica. O país Amarelo decide ocupar os campos petrolíferos do país Verde, localizados na região do Porto do Rio Grande. Com o aval da Organização das Nações Unidas, o país Verde decide então tomar a usina binacional, que será representada pela hidrelétrica de Itá, localizada na divisa entre Santa Catarina e Rio Grande. Está armado então o cenário do conflito onde os militares brasileiros farão os exercícios.

Segundo o Estado-Maior de Defesa do Ministério da Defesa, as operações combinadas utilizam um moderno conceito de aplicação de forças militares de mar, terra e ar, de forma integrada e coordenada, para atingir um objetivo que seja de interesse para o país como, por exemplo, a defesa de áreas sensíveis.

Um dos principais objetivos das operações combinadas são o treinamento dos Estados-Maiores, no planejamento, na execução e avaliação dos exercícios. O planejamento e a definição dos cenários das operações combinadas ocorrem bem antes do início efetivo do exercício. A Operação Laçador, de acordo com o Estado-Maior de Defesa, representa a fase final de um ciclo de planejamento trienal, iniciado em 2007, com a finalidade de: adestrar forças navais, terrestres e áreas em operações conjuntas;intensificar a presença do Estado e das Forças Armadas na área do exercício, ampliando a interação entre o Ministério da Defesa e os diversos órgãos de segurança e fiscalização; e apoiar a população com atendimentos de saúde e cidadania.

O papel dos Fuzileiros Navais em missões de paz

Marcelo Rech, do Rio de Janeiro - InfoRel

O Corpo de Fuzileiros Navais constituído por cerca de 15 mil militares, todos profissionais, contribui com 230 militares na missão de paz no Haiti.

Com o objetivo de trocar experiências com o mundo acadêmico e especialistas no assunto, promovem o 1º Seminário de Operações de Paz Pro-Defesa, no Ciasc.

Segundo o Comandante-Geral do Corpo de Fuzileiros Navais, Almirante Álvaro Augusto Dias Monteiro, "mais de 45% dos oficiais fuzileiros navais possuem experiência em operações de paz e cada Batalhão de Infantaria já participou do ciclo completo de preparação e envio de tropas para o Haiti desde o início da Minustah, em 2004".

Ele explicou que em 1965, os Fuzileiros atuaram como observadores na missão da ONU instalada na fronteira da Índia com o Paquistão.

No mesmo ano, integraram a Força Armada Interamericana (Faibrás), sob mandato da Organização dos Estados Americanos (OEA), na República Dominicana.

Na década de 1990, estiveram em missões de paz em Angola, Costa Rica, El Salvador, Honduras, na ex-Iugoslávia, Macedônia, Moçambique, Nicarágua, na fronteira de Uganda com Ruanda e, sob responsabilidade da OEA, no monitoramento da fronteira entre Peru e Equador e na remoção de minas em diversos países da América Central.

Atualmente, além do Haiti, participam de missões na Colômbia, Costa do Marfim, Etiópia, Libéria, Nepal, República Centro Africana, Saara Ocidental, Sudão e Timor Leste.

"Trata-se de um relevante cabedal de conhecimentos e de experiências profissionais valiosas que adquirimos por meio de nossa participação em todas essas operações de paz, sujeitas a diferentes contextos e mandatos dos organismos internacionais que queremos compartilhar com o meio acadêmico", revelou o Comandante Monteiro.

Participam do 1º Seminário de Operações de Paz Pro-Defesa, delegações da Organização das Nações Unidas, da OEA, Argentina, Canadá, Chile, Estados Unidos, e Haiti, além do Comitê Internacional da Cruz Vermelha e de ONGs como Médicos Sem Fronteira e Viva Rio.

O Haiti nos levaria ao Afeganistão?

Marcelo Rech, do Rio de Janeiro - InfoRel

Começou nesta segunda-feira, no Centro de Instrução Almirante Sylvio de Camargo (Ciasc), o 1º Seminário de Operações de Paz Pro-Defesa.

O projeto "O Brasil em missões de paz: inserção internacional, equipes integradas e ação no Haiti" é o único na área de Operações de Paz aprovado pelo ministério da Defesa e pela Capes.

Durante dois dias, especialistas civis e militares discutem o papel do Brasil na Minustah. Foi nesse ambiente acadêmico-militar que se comparou o trabalho do Brasil no Haiti com a realidade do Afeganistão.

Os militares fazem questão de destacar que a presença brasileira na missão de paz no país mais pobre das Américas se dá sob mandato da ONU devidamente aprovado pelo Conselho de Segurança.

No Afeganistão temos uma guerra travada pelos Estados Unidos e seus aliados sem a chancela legal.

Por isso, soou estranho para muita gente tal comparação.

É fato que o Brasil tem sido encorajado a participar de outras missões mais espinhosas, sobretudo na África.

Sudão, Congo e Somália seriam alguns dos destinos de nossos soldados devidamente adestrados no teatro real de operações.

O Haiti é um grande laboratório, reconhecem os militares.

Para o professor Clóvis Brigagão, do GAPCon e da Universidade Cândido Mendes, o sucesso no Haiti pode fazer com que alguns atores pensem no país atuando no Afeganistão.

"Mas não acredito que o Brasil aceitaria", afirma.

Ele acredita que o país poderia sim participar de outras missões na África e na América Latina e que deveria trabalhar pela criação de uma força multinacional de manutenção da paz no âmbito do Conselho Seul-Americano de Defesa.

Para Igor Kipman, embaixador do Brasil no Haiti, "não há como comparar. O inimigo no Haiti é a miséria. Não há um grupo revolucionário. Existem gangues como no Rio de Janeiro. No Afeganistão não há mandato da ONU e, portanto, não há caráter legal".

Já a Conselheira Gilda Motta Santos Neves, da Divisão das Nações Unidas, do ministério das Relações Exteriores, afirmou que o Brasil é freqüentemente consultado para participar de outras missões.

"A tendência é que esse tema seja tratado com mais rigor à medida em que se reduza a presença militar no Haiti", explicou.

De acordo com a diplomata, cerca de 1.600 civis atuam no Haiti à serviço da ONU que tem um orçamento anual de US$ 7,7 bilhões para as operações de paz.

Para se ter uma idéia de quanto isso representa, o orçamento militar dos Estados Unidos para 2010 apenas para as guerras no Afeganistão e Iraque chega aos US$ 128 bilhões.

Militares brasileiros podem deixar Haiti

Marcelo Rech, do Rio de Janeiro - InfoRel

O embaixador do Brasil em Porto Príncipe, Igor Kipman, afirmou nesta segunda-feira no Centro de Instrução Almirante Sylvio de Camargo (CIASC), que o Brasil poderá iniciar a retirada de suas tropas do Haiti em janeiro de 2011.

Kipman participa do o 1º Seminário de Operações de Paz Pró-Defesa, realizado pela Escola de Operações de Paz do Corpo de Fuzileiros Navais no âmbito do projeto "O Brasil em missões de paz: inserção internacional, equipes integradas e ação no Haiti".

De acordo com o diplomata, a posse do novo presidente haitiano está marcada para 7 de fevereiro de 2011 e a própria Minustah pode ser extinta se for esta a vontade do futuro governo.

Na avaliação de Igor Kipman, o Haiti é uma responsabilidade dos países latino-americanos.

"A Minustah é a 8ª missão da ONU no país e pretende ser a última. Para tanto, é preciso que o problema sócio-econômico seja resolvido. Com uma taxa de desemprego de 80%, uma saída precoce das tropas pode representar um retrocesso neste processo", afirmou.

Até 2011, o Brasil pretende formar pelo menos 14 mil policiais. Para tanto, wm 2010 serão ministrados quatro cursos aos integrantes da Polícia Nacional Haitiana (PNH) com o apoio da Polícia Federal.

Para a Conselheira Gilda Motta Santos Neves, chefe da Divisão das Nações Unidas, do ministério das Relações Exteriores, o compromisso da comunidade internacional com o Haiti deve ser de longo prazo.

"Uma missão não pode se eternizar no país, mas também não podemos correr os riscos de uma saída precoce que comprometa as conquistas alcançadas", explicou.

Segundo ela, a tendência é que a vertente militar da Minustah seja reduzida gradualmente com o fortalecimento das instituições locais e o trabalho das agências da ONU no desenvolvimento do Haiti.

De acordo com o Almirante Álvaro Augusto Dias Monteiro, Comandante-Geral do Corpo de Fuzileiros Navais, a decisão sobre a permanência das tropas brasileiras no Haiti é política.

Ele destacou que a presença militar do Brasil no Haiti se dá sob mandato das Nações Unidas e à pedido do governo daquele país.

Câmara aumenta efetivo da Marinha

Jornal da Câmara
 
A Comissão de Constituição e Justiça e de Cidadania (CCJ) aprovou o Projeto de Lei 5916/09, do Poder Executivo, que autoriza o aumento de efetivo da Marinha em 36%, passando de 59,6 mil para 80,5 mil. Segundo os ministros da Defesa, Nelson Jobim, e do Planejamento, Paulo Bernardo, que encaminharam o texto ao Congresso, esse aumento será gradual, completando-se em 20 anos.

De acordo com o governo, o reforço da Marinha é justificado pela necessidade de maior presença naval nas águas brasileiras, em razão do pleito de extensão dos limites exteriores da plataforma continental e da defesa das plataformas de exploração de petróleo no mar.

O projeto, que já havia sido aprovado pelas comissões de Relações Exteriores e de Defesa Nacional; e de Finanças, seguirá para o Senado, a menos que haja recurso para sua análise em plenário.

O relator na CCJ, deputado Colbert Martins (PMDB-BA), recomendou a aprovação da proposta e da emenda da Comissão de Finanças e Tributação. A emenda condiciona a criação dos cargos, postos e graduações à sua expressa autorização em anexo próprio da lei orçamentária anual.

China e Brasil chegam a acordo para aumentar cooperação militar

Último Segundo
 
Os ministros de Defesa do Brasil, Nelson Jobim, e da China, Liang Guanglie, chegaram a um acordo para aumentar a cooperação militar bilateral em temas como a formação de oficiais ou as missões de paz, na reunião mantida entre ambos em Pequim, informou a agência oficial "Xinhua".

Os dois titulares de defesa pactuaram também aumentar a cooperação em indústria militar, ciência e tecnologia, assim como criar uma comissão conjunta dos dois ministérios para aumentar os intercâmbios e a cooperação.

Jobim, citado por "Xinhua", destacou que o Brasil espera aprofundar sua cooperação pragmática com as Forças Armadas chinesas, no marco da relação estratégica das duas nações emergentes.

Já Liang ressaltou que as relações entre Pequim e Brasília "entraram em uma nova fase de completo desenvolvimento", a que se iniciou após 2004, ano no qual o presidente da China (Hu Jintao) visitou o Brasil e seu colega brasileiro, Luiz Inácio Lula da Silva, fez o mesmo na China.

Cindacta exibe áudio de queda

Jorge Eduardo Dantas
Da equipe de A CRÍTICA

Os militares do Centro Integrado de Defesa Aérea e Controle de Tráfego Aéreo, o Cindacta IV, que opera em Manaus, forneceram ontem à imprensa novas informações sobre a atuação do órgão no acidente ocorrido no fim do mês passado, quando uma aeronave Caravan C-98, da Força Aérea Brasileia, caiu próximo de Atalaia do Norte, a 1.138 quilômetros de Manaus, e vitimou duas pessoas. Os servidores do Cindacta apresentaram vídeos, gráficos e áudios da aeronave antes da queda.

Atualmente, as causas do aciente continuam sob investigação do sétimo Comando Aéreo Regional (Comar), integrante da Força Aérea Brasileira (FAB). Segundo os materiais disponibilizados pelo Cindacta IV, o primeiro helicóptero que buscava o avião e seus sobreviventes chegou ao local do acidente quarenta minutos depois do último registro do avião. "Por volta das 9h43 daquela quinta-feira, 29 de outubro, a aeronave sumiu dos nossos computadores de monitoramento", disse o brigadeiro Carlos Eurico Peclat, comandante do Cindacta.

Helicóptero acionado

Oito minutos depois, falou o militar, foi recebido o sinal do ELT (Transmissor Localizador de Emergência, em inglês), que transmite automaticamente sinais de alerta quando a aeronave sofre um impacto súbito. Imediatamente, um helicóptero, que atuava na "Operação Gota", de vacinação de indígenas, foi acionado para dar início as buscas na região indicada pelo equipamento do Cindacta.

O brigadeiro Carlos Eurico Peclat mostrou ainda um áudio em que a aeronave, intitulada "Cobra 25", "conversa" com a torre de comando, o "Centro Amazônico". No arquivo apresentado à imprensa, vêse o piloto trocando informações com a torre de comando, a maior parte delas relativa à coordenadas e posicionamentos durante o voo. No pouco tempo de áudio disponível, ouve-se ainda que, em determinado momento, a aeronave "some" do radar e não responde mais aos contatos feitos pelos técnicos do Centro de Comando, dando a entender que algo de errado aconteceu.

Caças defendem Santa Cruz em guerra simulada

Igor Müller - Gazeta do Sul

O país Amarelo (metade oeste do Rio Grande do Sul, incluindo o Vale do Rio Pardo) enfrenta uma crise energética.

Seus campos petrolíferos se esgotaram e a única fonte é uma usina binacional construída em parceria com o país Verde (Paraná, Santa Catarina e metade leste gaúcha), onde fica a hidrelétrica. Os amarelos decidem então ocupar as jazidas de petróleo dos verdes (na região de Rio Grande), que em resposta obtêm o aval da ONU para tomar a usina binacional (na divisa do Rio Grande do Sul com Santa Catarina).

Este é o cenário da guerra simulada que movimenta, desde ontem, os 8 mil militares da Aeronáutica, Exército e Marinha envolvidos na Operação Laçador, treinamento que testa a integração das Forças Armadas. Santa Cruz do Sul é ponto-chave do país Amarelo, onde a Aeronáutica instalou, no pátio do Aeroporto Luiz Beck da Silva, o radar transportável italiano MRCS 403. Um contingente de 19 militares – incluindo mulheres – do 4º esquadrão do 1º Grupo de Comunicações e Controle (1º GCC), sediado na Base Aérea de Santa Maria, está atuando na cidade.

A movimentação na base montada no aeroporto, no entanto, lembra pouco o cenário de que há dois países em conflito. Isso porque o radar serve para captar a movimentação aérea em um raio de 300 quilômetros no entorno da cidade e enviar, via satélite, para o Centro Integrado de Defesa Aérea e Controle do Tráfego Aéreo (Cindacta) II, em Curitiba (PR). É lá que fica o controle do fictício país Amarelo. O comando dos verdes fica na Base Aérea de Canoas.

O capitão especialista em comunicações Nilvande Alves Brito alerta, no entanto, que haverá movimentação no céu de Santa Cruz. Isso porque pontos como o que foi montado na cidade são sempre um dos primeiros alvos dos inimigos. "E teremos que nos defender", acrescenta. Ontem à tarde caças já sobrevoaram a cidade. Os que estão sediados em Santa Maria tentarão impedir a aproximação dos de Canoas. "Se eles conseguirem passar é sinal que nos atingiram", resume. Conforme Alves Brito, caças dos modelos F5, A1 e Mirage 2000 deverão defender e atacar a base de Santa Cruz. A operação vai até o fim do mês.

ATENÇÃO

A Aeronáutica mobiliza 53 aeronaves na Operação Laçador, sem contar unidades como a montada em Santa Cruz. A Marinha participa com 13 navios, dois submarinos, quatro lanchas e oito helicópteros, além de mergulhadores e paraquedistas. O Exército está representado por militares das 3ª, 5ª e 6ª divisões e da 3ª e da 5ª Região Militar.

Joanna reforça o pelotão das Forças Armadas

Nadadora também foi "convocada" para participar dos Jogos Mundiais Militares, em 2011, no Rio

Ana Paula Santos e Cassio Zirpoli - Diário de Pernambuco

Um pelotão de elite das Forças Armadas do Brasil começou a ser montado há cinco meses. Uma tropa que reúne sargentos de todos os cantos do país. Os mais fortes. Os mais rápidos. Os mais ágeis. São 72 ao todo.

Unidos com a missão de defender o país daqui a dois anos, numa "batalha" agendada para acontecer em pleno Rio de Janeiro. Um dos últimos a se apresentar ao grupamento especial foi o sargento Maranhão. Na verdade, "a" sargento. Joanna Maranhão, 22 anos. Ela mesma, a nadadora com o melhor resultado do país nos Jogos Olímpicos. Assim como ela, os outros 71 "neo-militares" vão representar o Brasil na 5ª edição dos Jogos Mundiais Militares, em julho de 2011.

Joanna mal encontrou tempo para desfazer as malas. Chegou recentemente de Moscou, na Rússia, onde surpreendeu com medalhas e recordes na etapa da Copa do Mundo de Natação. "Vai ser uma experiência completamente nova para mim. Estou curiosa e ao mesmo tempo tranquila em relação aos jogos. Vou ter que me concentrar neste período de adaptação. Posso dizer que o Brasil vai estar bem representado", comentou Joanna, que seguiu de carro para o Rio de Janeiro - juntamente com a também nadadora Daynara Lopes - onde se apresentou ontem no quartel da Urca. O paraibano Kaio Márcio Almeida, que bateu recorde mundial nos 200m borboleta em piscina curta da etapa da Copa do Mundo, em Estocolmo, na Suécia, é outro nome confirmado para defender o Brasil na competição.

E os reforços não estão restritos à piscina. No atletismo, nomes consagrados farão parte da delegação nacional. Vicente Lenílson, Hudson Souza e os pernambucanos Keila Costa e Jessé Farias são apenas alguns inscritos. No tatame, um verdadeiro festival de medalhistas darão sua contribuição às Forças Armandas do Brasil. Tiago Camilo, Luciano Corrêa, Flávio Canto e Leandro Guilheiro compõem o timaço.

A prática de se reforçar com atletas civis é comum nos Jogos Mundiais Militares. "Lançamos um edital de convocação aberto à população. Depois da análise dos currículos, os que forem selecionados atravessarão um estágio básico de noção da função que irão exercer", explicou major Cerqueira Lima, oficial de comunicação social da Comissão de Desporto do Exército. Mais de cem países estão sendo aguardados nos Jogos.

NÚMEROS

228 atletas participaram do processo de seleção

20 modalidades serão disputadas

54 sargentos temporários masculino foram incorporados ao Exército Brasileiro

18 são do sexo feminino

72 é o total de atletas recrutados

9 são o números de participantes de Pernambuco até o momento (Yane Marques, Larissa Lelys, Cecília Frej, Keila Costa, Jessé Farias de Lima, Joanna Maranhão, Paula Baracho, Paulo Pontes e Gustavo Fortuna)

Operação Laçador coloca tropas em movimento

Zero Hora
 
Até o próximo dia 27, o Rio Grande do Sul é o cenário de uma guerra simulada deflagrada ontem entre os países Amarelo e Verde.

Por duas semanas, os gaúchos poderão acompanhar parte dos exercícios aéreos e terrestres que ocorrerão em diferentes pontos do Estado – dividido ao meio de Norte a Sul – durante a Operação Laçador.

No conflito armado criado pelo Ministério da Defesa, o país Amarelo (formado pelo oeste gaúcho) é o agressor. Após tomar os campos de petróleo no Atlântico pertencentes ao país Verde (formado pela região leste do Estado, mais Santa Catarina, Paraná, São Paulo e Rio de Janeiro), a nação amarela ameaça agora invadir a hidrelétrica binacional da fronteira dos dois países. A partir daí se dá o conflito em que as tropas verdes – formada pelas Forças Armadas do Brasil no exercício – tentam invadir o território amarelo e tomar a hidrelétrica antes de o inimigo se aproximar.

Mas o que os gaúchos poderão conferir ao vivo dessa guerra de mentirinha? Segundo o coronel Hegel Pereira Brito, responsável pelas operações do exército verde no simulado, a grande movimentação de tropas verdes será notada nos próximos dias, quando centenas de militares seguirem em comboio de Santa Cruz do Sul até Nonoai, passando por pontos que deverão ser conquistados durante a guerra fictícia.

Quem morar perto da hidrelétrica de Itá, alçada à condição de usina binacional no conflito virtual, também poderá observar a tomada do local por militares do exército verde.

– O deslocamento de aeronaves será notado no céu. A base de Santa Maria pertence ao país Amarelo, e a de Canoas é do país verde – explica o oficial.

Comboios de militares também serão vistos entre Pelotas e Rio Grande, onde parte da área portuária será ocupada por tropas verdes. Já em São Borja, na Fronteira Oeste, serão feitos exercícios de tiro, transposição de leito de rios e descida de paraquedistas no campo de treinamento de Saicã.

Militar do Exército investigado

O Dia
 
A polícia está à procura de um sargento do Exército por suspeita de integrar uma milícia que atua na Zona Oeste do Rio e na Região dos Lagos. O militar, que serve em uma unidade em Deodoro, é o dono da Blazer preta blindada, com a placa adulterada (LNW 2194, de Itaguaí), que tinha sirene e estroboscópios nas lanternas dianteiras e traseiras, apreendida quinta-feira por agentes da Delegacia de Homicídios de Niterói e São Gonçalo, em Magalhães Bastos.

O veículo está avaliado em R$ 120 mil, segundo o delegado Paulo Henrique da Silva Pinto, e era utilizado para se passar por uma viatura da Coordenadoria de Recursos Operacionais (Core) da Policia Civil.

O carro foi apreendido dentro de um lava-jato e levado para a 33ªDP (Realengo). Na delegacia, em vez do sargento, quem apareceu para tentar liberar a Blazer foram quatro advogados.
 
O delegado Paulo Henrique disse que já há indícios de o militar possui outros carros e imóveis, bens incompatíveis com sua renda.

Marinha tem nova sede no Morada do Ouro

ALECY ALVES
Da Reportagem - Diário de Cuiabá

A unidade da Marinha do Brasil em Cuiabá ganhou nova sede e está sendo elevada da condição de Agência Fluvial para Delegacia Fluvial. Hoje, às 18h, acontece a inauguração do prédio, que fica na avenida Oátamo Canavarros, bairro Morada do Ouro (em frente ao Sesi Park).

Para entregar a nova sede à população cuiabana, está em Cuiabá o contra-almirante Edilandes Santos, integrante da Capitania Pluvial do Pantanal, à qual a Delegacia está subordinada operacional e administrativamente. No comando da ex-Agência Fluvial desde julho deste ano, o capitão Ulisses Welp Sá, 39 anos, explicou que como Delegacia a unidade ganhou o reforço de oito marinheiros. O efetivo saltou de 14 militares para 22 servidores.

A nova sede, construída numa área ampla, assegura melhores condições de trabalho e de atendimento ao público. A Marinha está sendo contemplada com esse novo espaço depois de mais de 30 anos num pequeno e antigo prédio do bairro Porto. As novas dependências fazem parte do Plano Reestruturação Organizacional do Sistema de Segurança e Tráfego Aquaviário, que prevê também a criação de Agências pluviais em Mato Grosso, além de outras ações.

A unidade cuiabana da Marinha é responsável pela fiscalização de 389.242 metros quadrados, o que compreende 65 municípios do Estado de Mato Grosso. De acordo com dados da instituição, pouco mais de oito mil embarcações estão cadastrada na Delegacia. Entre outras atribuições, o órgão é responsável por inspeções navais, vistorias, instauração e condução de inquéritos administrativos de ocorrências envolvendo embarcações.

O capitão Ulisses Welp destacou que para pilotar qualquer embarcação em rios, lagos ou no mar, a pessoa precisa ser habilitada pela Marinha. A carteira de habilitação se divide em amadora e profissional, esta última para quem trabalha com transporte de passageiros e cargas. Até mesmo para aqueles que dispõem de pequenos barcos de passeio, para lazer em família, a habilitação é necessária, assim como colete salva-vida para todos os ocupantes. O desrespeito à legislação pode resultar na perda de embarcação e multas que variam de R$ 60 a R$ 1,2 mil.

França dá medalha para petista pró-Rafale

Cláudio Humberto - Jornal de Brasília
 
Heróis da Resistência Francesa contra os nazistas, escritores, artistas e outros VIPs já ganharam a condecoração. Chegou a vez do ex-governador do Acre Jorge Viana receber a Légion D' honneur - a mais alta honraria da França. Por quê? O presidente Nicolas Sarkozy justificou a medalha "pelos serviços prestados" na intermediação (lobby?) com a França para comprar os 36 caças de combate Rafale.

Conselhos, conselheiros

Jorge Viana, como não poderia deixar de ser, preside um conselho de administração, o da Helibrás, que fabricará helicópteros com a França.

Caso de espionagem eleva tensão entre Chile e Peru

Militar peruano é preso sob acusação de vender dados sigilosos a governo chileno Santiago nega participação no episódio; presidente do Peru, Alan García, critica ato de "republiqueta" e cobra explicações de vizinho

DA REDAÇÃO - Folha de S.Paulo

Um suposto caso de espionagem militar desatou a pior crise diplomática entre Chile e Peru dos últimos anos, após a prisão de um oficial da Força Aérea peruana acusado de repassar dados sigilosos a Santiago.

Preso pela polícia peruana no último dia 30 em Lima, Víctor Ariza Mendoza, 45, é acusado pelo Ministério Público de ter recebido, em média, US$ 3.000 mensais desde setembro de 2005, em troca de informações confidenciais sobre o sistema de segurança do Peru.

O caso veio a público na quinta-feira passada. Em sinal de contrariedade pelo episódio, o presidente do Peru, Alan García, antecipou no final de semana sua volta do fórum da Apec (Cooperação Econômica Ásia-Pacífico), em Cingapura, e cancelou encontro que manteria no local com a mandatária chilena, Michelle Bachelet.

Ontem, após reunião de segurança em Lima, García pediu "serenidade" no episódio, mas disse que o caso de espionagem, que descreveu como "próprio de uma republiqueta", deixa "muito ruim a imagem do Chile perante o mundo".

Considerado um dos presidentes à direita na América do Sul, ao lado de Álvaro Uribe, da Colômbia, García poupou a esquerdista Bachelet e atribuiu a suposta espionagem a setores conservadores, adeptos a costumes "ditatoriais e pinochetistas na relação com os vizinhos" - referência à ditadura do general Augusto Pinochet (1973-1990).

"Não afirmamos que a presidente Bachelet seja responsável", disse García, para em seguida cobrar explicações "qualquer que seja o nível dos funcionários envolvidos".

O Chile negou envolvimento no caso. "O governo do Chile não pratica espionagem, e não temos nenhuma informação disponível que permita nem sequer vislumbrar algum tipo de participação chilena", afirmou o ministro das Relações Exteriores, Mariano Fernández.

Segundo a imprensa do Peru, entre as informações vendidas por Mendoza estão um planejamento estratégico da Força Aérea peruana para 2021 e códigos criptografados do sistema de comunicação da Embaixada do Peru em Santiago -onde o suboficial trabalhou em 2002.

No Chile, políticos governistas e de oposição apontaram a existência de uma campanha para afetar a imagem do país. Questionaram ainda o fato de o caso ter sido divulgado na imprensa peruana no mesmo dia em que os EUA autorizaram uma possível venda de US$ 660 milhões em armas ao Chile.

O aumento da tensão bilateral ocorre justamente quando o governo García promove um tour pela região para promover o desarmamento. Em razão do episódio, o peruano suspendeu a visita de uma ministra ao Chile para tratar do tema, agendada para esta semana.

Rivais na Guerra do Pacífico, no final do século 19, Chile e Peru são unidos por laços comerciais e migratórios típicos de países vizinhos, mas têm um conflito de fronteira pendente -em 2008, o Peru apresentou à Corte Internacional de Haia uma demanda em que busca delimitar sua fronteira marítima com o Chile.

Com agências internacionais

Emirados sinalizam abrir mão de Rafale por avião de 5ª geração

IGOR GIELOW
SECRETÁRIO DE REDAÇÃObr> DA SUCURSAL DE BRASÍLIA

Depois de ver reforçada a intenção pública do governo brasileiro em selecioná-lo como seu novo caça em palavras do presidente Lula no fim de semana, o francês Rafale (da Dassault) sofreu ontem um revés para suas pretensões de se tornar um produto de exportação.

O comandante da Força Aérea dos Emirados Árabes Unidos afirmou que um "caça de quinta geração" está nos planos do seu país "em um par de anos".

Como os Emirados são o único mercado em que a escolha do Rafale era considerada certa, e o avião é um produto avançado da chamada "quarta geração", a fala foi vista por analistas como uma ducha de água fria para os franceses, uma vez que não haveria espaço para os dois produtos no mesmo país.

O único avião de quinta geração que deverá estar disponível no mercado ainda nesta década é o americano F-35.

A má notícia vem logo depois de Lula citar, por ato falho ou não, "acordos dos caças" em entrevista após reunião com seu colega Nicolas Sarkozy no sábado. O que existe hoje é uma parceria estratégica que inclui o fornecimento de submarinos e helicópteros franceses.

A importância da posição dos Emirados, ainda que exagerada por concorrentes que viram na notícia mais uma oportunidade para mostrar a suposta inviabilidade do custo do Rafale, é real. A Dassault não comentou o caso.

Se o Brasil desponta como único mercado externo para o caça, seus custos operacionais tendem a crescer. Assim, a pressão de Paris tende a subir por seu produto, e o Brasil tenta com isso buscar um melhor preço.

Em mais de uma ocasião, Lula defendeu a compra do Rafale, desde que seu preço fosse reduzido. O negócio pode custar R$ 10 bilhões.

Em treino, militares protegem pré-sal e invadem "Itaipu"

GRACILIANO ROCHA
DA AGÊNCIA FOLHA, EM PORTO ALEGRE

As Forças Armadas iniciaram ontem um exercício no qual militares simularão a defesa de instalações de petróleo no mar e a tomada de uma "Itaipu" fictícia.

Com um contingente de 8.000 militares do Exército, da Marinha e da Aeronáutica, a Operação Laçador é o maior exercício combinado da América Latina, segundo o Comando Militar do Sul, que coordena a operação.

Numa alusão às reservas do pré-sal, a simulação começa com a invasão a instalações petrolíferas por um país imaginário.

Outra ação será a tomada de uma usina hidrelétrica no rio Uruguai, entre Itá (SC) e Aratiba (RS).

Na simulação, a usina de Itá fica na divisa imaginária entre os dois países em litígio e é "binacional", assim como Itaipu, objeto de polêmicas entre o Brasil e o Paraguai.

O general-de-brigada Antônio Carlos Krieger negou que o exercício possa causar mal-estar político com o país vizinho porque, segundo ele, as atividades serão realizadas longe da fronteira.

O custo da operação, que se encerra no dia 27, não foi informado.

16 Novembro 2009

Compra de caças para a FAB esquenta briga

InfoRel

As três empresas finalistas na concorrência para o fornecimento de 36 aviões de combate para a Força Aérea Brasileira (FAB), intensificam a briga nos bastidores para garantir um contrato que pode chegar aos US$ 4 bilhões.
O governo prometeu divulgar o nome da vencedora em outubro, mas as divergências entre o que querem o presidente Lula e o ministro da Defesa, Nelson Jobim, e o que defendem os oficiais da Aeronáutica, adiou o anúncio oficial.
Lula e Jobim querem confirmar a escolha do Rafale, da francesa Dassault. Os militares que analisam as propostas tecnicamente preferem o Gripen, da sueca Saab.
Por conta dessa briga, já se cogita até mesmo o cancelamento do processo e a criação no próximo ano do programa FX3.
Na semana passada, o diretor da Dassault no Brasil, Jean Marc Merinaldo, criticou a Boeing e a Saab, que segundo ele, estariam plantando notícias falsas na imprensa.
Apesar de não revelar o preço do Rafale, afirmou que o avião não é 40% mais caro que os concorrentes. Para Merinaldo, falta compostura às empresas concorrentes.
O executivo explicou que o preço não pode ser divulgado por questões contratuais. Há um acordo de confidencialidade firmado entre as empresas e a FAB.
Ele disse que o preço do Rafale é compatível com os valores praticados pela concorrência. Em setembro, o presidente francês Nicolas Sarkozy garantiu que a Dassault venderia o caça pelo mesmo preço cobrado das Forças Armadas da França.
Estima-se que a França pegue cerca de 50 milhões de euros por unidade. De acordo com os concorrentes, a Dassault venderia o Rafale por 98 milhões de euros para o Brasil.
Merinaldo afirmou ainda que seriam necessários dos Gripen para executar a tarefa de um Rafale, o sucessor do Mirage 2000.
“O Gripen é um monomotor da classe Mirage 2000, de classe diferente do Rafale que é um bimotor que traz mais segurança e capacidade operacional superior. A depender da missão, são necessários dois Mirage 2000 para executar a missão de um Rafale”, explicou Jean Marc Merinaldo.
Transferência de tecnologia
O diretor da Dassault confirmou que a transferência de tecnologia não será de 100% e que chegará aos 50% apenas na entrega da 36ª aeronave.
Pela proposta entregue à FAB, as seis primeiras aeronaves serão montadas na França. As 30 seguintes no Brasil.
Além disso, a França se comprometeu com a compra de dez aviões KC 390 da Embraer.
Análise da Notícia
O ministro da Defesa, Nelson Jobim, afirmou que a transferência de tecnologia é crucial para a definição da empresa que vai fornecer os caças para a Força Aérea.
Foi a senha para as concorrentes do Rafale detonarem o projeto francês. A transferência de tecnologia chegará aos 50% apenas na entrega da última das 36 aeronaves.
O ministro garantiu em audiência pública no Senado que essa transferência seria de 100%.
Como Brasil pretende adquirir o conhecimento para poder fabricar um caça e comercializá-lo na região, o F18 teve suas chances reduzidas ao mínimo.
Mas o Gripen possui componentes norte-americanos e isso é suficiente para os Estados Unidos vetarem sua venda para países considerados hostis.
Restou o Rafale, mas o francês também conta com equipamentos fabricados pelos norte-americanos.
A considerar o discurso oficial, os três teriam de ser eliminados do processo.
No Congresso já se fala em adiamento da decisão com a criação do FX3. A Saab estaria interessada nessa solução. Com mais tempo, poderia virar o jogo.
Especialistas afirmam que a FAB vai cometer um erro colossal se optar pelo Gripen. Seria repetir o erro cometido com o projeto AMX.

Lula inclui caças entre os acordos com a França

O Estado de S.Paulo

 

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva incluiu "os aviões de caça" Rafale, da francesa Dassault, entre os acordos formalizados na Parceria Estratégica firmada entre o Brasil e a França. A citação ocorreu durante sua visita ao presidente Nicolas Sarkozy, no Palácio do Eliseu.

A menção foi feita no sábado à imprensa quando Lula relatava temas do encontro. Após dedicar amplo espaço à questão climática, ele lembrou da importância da Parceria Estratégica, cujo viés mais importante se concentra na área militar.

"Além de sermos amigos, precisamos ter um pensamento estratégico para os próximos 50, 100 anos", afirmou. "Começamos a estabelecer, nessa ideia da estratégia entre França e Brasil, os acordos dos submarinos, os acordos dos helicópteros, os acordos dos aviões de caça."

Lula fez referência indireta às demais empresas que participam da escolha Projeto F -X2 – a norte-americana Boeing, com o F-18 Super Hornet, e a sueca Saab, com o Gripen NG -, destinada à aquisição de 36 aviões de alta tecnologia para o reeequipamento da Força Aérea Brasileira (FAB). "É uma coisa complicada. Nós temos concorrentes e precisamos conversar com muito jeito."

Lula tem repetido declarações que mostram sua preferência pelo caça francês, mesmo com a análise técnica ainda aberta. Na véspera do Dia 7 de Setembro, quando ocorreu a segunda visita oficial de Sarkozy ao País, o governo brasileiro chegou a assinar um documento garantindo à Dassault e ao Estado francês "negociações privilegiadas" para aquisição das aeronaves.

13 Novembro 2009

Surgimento de milícias antitaleban causa preocupação

Matthias Gebauer - Der Spiegel
Em Kunduz (Afeganistão)
 
Para compensar a falta de pessoal para combater o Taleban, o governo afegão encorajou a formação de milícias armadas na província de Kunduz. Mas os soldados alemães que atuam na área não sabem ao certo como lidar com esses bandos itinerantes de guerrilheiros.

Gachi Nabi acreditava que os seus dias de "Comandante Nabi" haviam terminado. "A minha jaqueta militar estava pendurada no guarda-roupa havia anos", diz o turcomeno de 49 anos, enquanto ajeita o colarinho de pele falsa da sua capa de chuva camuflada. "Até mesmo o meu fuzil Kalashnikov estava bastante enferrujado". Gachi mudou-se de Kanduz há sete anos, quando as forças armadas dos Estados Unidos expulsaram o Taleban. Em vez de liderar um grupo de "mujahadeens" contra o Taleban, ele tornou-se gerente de um restaurante especializado em peixes. "Ganhamos bastante dinheiro", conta ele. "Ao final do dia, tínhamos cerca de US$ 300 no caixa. A vida era melhor do que durante a guerra".
 
Mas, várias semanas atrás, Gachi transformou-se mais uma vez no Comandante Nabi. Juntamente com cerca de 60 combatentes, em sua maioria jovens das áreas vizinhas, Gachi patrulha o distrito de Qalay-I-Zal, na região norte da província de Kunduz, o dia inteiro. O ex-"mujahadeen" descreve o grupo como algo semelhante a uma organização de vigilância de bairros. Na realidade, porém, trata-se de uma milícia fortemente armada - e, segundo as leis afegãs, ilegal - que foi criada antes das eleições parlamentares afegãs de 20 de agosto último. Gachi diz que indivíduos da região lhe telefonaram e lhe contaram as atrocidades que o Taleban estava cometendo. Elas imploraram a ele que as ajudasse a expulsar os militantes.

"A maioria das pessoas possui um fuzil AK-47"

Desta forma, conta Gachi, ele retornou a Qalay-I-Zal alguns dias antes das eleições. Junto com anciões que chefiam clãs da região, ele foi de vila em vila para recrutar combatentes. O treinamento mostrou-se praticamente desnecessário. "Quase todo mundo sabe como usar uma arma", diz ele. "Além do mais, a maioria das pessoas tem um fuzil AK-47 em casa. Assim sendo, o processo todo foi muito rápido".

Durante as noites seguintes, Gachi e os seus soldados simplesmente aguardaram em várias ruas pela chegada do Taleban. Quando os membros do grupo surgiram, eles os enfrentaram. Houve baixas dos dois lados; na primeira noite Gachi perdeu cinco homens. Mas, no fim das contas, a sua milícia conseguiu convencer o Taleban a retirar-se.

O governo afegão pretendia originalmente usar várias unidades de milícias locais, incluindo a de Gachi, como uma solução temporária para aumentar a segurança no período da eleição presidencial. A ideia era que essas unidades preenchessem lacunas provocadas pela carência de soldados e policiais. Entretanto, esses grupos acabaram adquirindo uma vida própria. Eles são atualmente um elemento integrante da arquitetura da segurança de Kunduz, incluindo esta capital provincial no norte do Afeganistão, onde os soldados alemães estão estacionados.

Onde a polícia teme circular

Ninguém sabe ao certo quantas dessas milícias surgiram nesse ínterim. Quando o chefe de polícia Abdul Razak Yakubi fica de pé no seu escritório bem mobiliado e mostra com uma vareta a localização de grupos individuais em um mapa da província de Kunduz, é fácil perder de vista o quadro geral. Yakubi, que geralmente é conhecido apenas como General Razak e que é bastante respeitado pelas forças alemãs na área, sente muito entusiasmo em relação aos grupos guerrilheiros. "Cabul não me fornecerá mais nenhum policial para Kunduz", diz ele. Assim sendo, ele aceita qualquer combatente que puder receber. "Por ora, eles são apenas milícias", explica Yakubi. "Mas talvez nós sejamos capazes de transformá-los em verdadeiros policiais nos próximos anos".

Muita gente em Kunduz deseja falar com o Comandante Nabi. Na última terça-feira, ele estava sentado ao lado de alguns anciões de Qalay-I-Zal com o chefe dos serviços de inteligência em Kunduz. Não havia nenhum assento vazio na sala enorme e cheia de sofás. Outros líderes de milícias chegaram em grupos de três e quatro pessoas, vindos de Khanabad, no sudeste, de Aliabad, ainda mais ao sul, ou de Imam Saheb, no norte. Os nomes desses lugares são familiares na Alemanha porque são neles que os soldados alemães são frequentemente alvos de ataques - ou são neles que os militares da Alemanha preferem evitar o confronto por uma questão de segurança própria. Lá a presença policial é muito pequena e o Taleban domina. São nesses locais que cada vez mais surgem exércitos privados, como o do Comandante Nabi.

As autoridades apreciam a presença das milícias. O chefe dos serviços de inteligência perguntou aos líderes, um a um, do que eles necessitavam. A resposta é sempre a mesma: armas, rádios, carros. A seguir ele perguntou se os integrantes das milícias tinham qualquer informação sobre a localização de líderes talebans. Um a um, os homens se aproximaram, incluindo alguns que trazem há anos as cicatrizes adquiridas quando combatiam como "mujahadeen". Eles forneceram os nomes de líderes talebans e detalhes sobre onde estes poderiam estar escondidos.

O Comandante Nabi conhece bem o seu inimigo; ele se chama Mulá Selba. O comandante diz que este líder não é visto desde que ele começou a lutar contra o Taleban. "Mas se ele reaparecer, nós resolveremos o problema à nossa maneira", afirma Nabi, com um tom que agrada o chefe de inteligência.

Armando os desarmados

Mesmo assim, os soldados alemães estacionados lá não se sentem totalmente confortáveis com a ideia de exércitos privados combaterem o Taleban. As autoridades calculam que haja de 200 a 400 grupos armados patrulhando a área em torno de Kunduz. Mas ninguém sabe ao certo. De fato, em várias ocasiões as patrulhas alemãs se viram em situações delicadas com as milícias. "De longe, tudo o que vemos é um grupo de homens armados. Como é que vamos saber se eles são talebans ou outros criminosos - ou se irão nos atacar?", diz um oficial alemão.

A discussão sobre as milícias é tão antiga quanto a própria guerra no Afeganistão. Em várias ocasiões a ideia de usar grupos de guerrilha para objetivos específicos foi discutida. E, à medida que os Estados Unidos implementarem a sua nova estratégia para o Afeganistão, isso certamente voltará a ser uma opção. Quando as milícias foram utilizadas, elas tiveram um sucesso apenas parcial. Porém, quando as coisas não saem erradas, ex-aliados podem transformar-se rapidamente no inimigo. Os Estados Unidos, que atualmente possuem uma grande base em Kunduz, estão envolvidos indiretamente em operações para armar as milícias - muitas vezes sem consultarem os alemães que lá combatem.
 
Trabalhar em conjunto com essas milícias gera vários problemas práticos. Mas um dos aspectos mais espinhosos deste arranjo - pelo menos para aqueles que ainda acreditam nos objetivos nobres da missão no Afeganistão - é o rearmamento. Em uma tentativa de reduzir o número de armas no Afeganistão, o Ocidente pagou milhões para persuadir os afegãos a entregarem os seus Kalashnikovs por US$ 100 (67 euros, R$ 174). Mas agora os alemães tem que recuar e observar pessoas cujas faces eles reconhecem do processo de desarmamento receberem novos rifles e lançadores de foguetes.

Amigo de hoje, inimigo de amanhã

Os alemães acham que poderá haver problemas ainda mais sérios no futuro. No momento, as milícias ainda estão sendo lançadas em sua maioria contra o Taleban. Mas os oficiais alemães perguntam o que acontecerá se grupos que foram armados e que obtiveram experiência de batalha agirem independentemente e começarem a buscar a sua própria agenda. Embora o governo alemão tenha necessitado bastante dos guerrilheiros durante a eleição, os seus ex-aliados poderiam rapidamente voltar-se contra o Estado fraco e defender o seu território com as armas obtidas - e não apenas contra as investidas do Taleban.

De fato, muitos céticos temem que o atual encorajamento à formação de exércitos privados poderia significar o início de um novo processo de desintegração no Afeganistão. Eles acreditam que vários clãs já estão discutindo as suas rixas com as milícias. Tais temores foram alimentados pelo fato de que , em uma recente reunião do conselho provincial de Kunduz que discutia a redução do número de distritos da província, as novas fronteiras que foram propostas eram mais ou menos idênticas àquelas que definem as áreas de influência de várias milícias.

De fato, grande parte da discussão focou-se em Qalay-I-Zal, a área na qual o Comandante Nabi e os seus homens exercem o poder. Mas Gachi insiste que não sabe nada sobre a discussão.

A seguir os seus homens entraram de novo na picape Toyota branca, penduraram as suas armas e enrolaram lenços em volta do rosto para protegerem-se da areia. Se não fosse pelos óculos de sol que tanto apreciam, eles poderiam ser facilmente confundidos com combatentes talebans.

Tradução: UOL

12 Novembro 2009

Dassault critica concorrência por vazamento de informações e nega preço 40% maior

GABRIELA GUERREIRO
da Folha Online, em Brasília 

Em meio à disputa entre França, Suécia e Estados Unidos pela venda de 36 aviões caça ao Brasil, o diretor da empresa francesa Dassault no Brasil, Jean Marc Merialdo, rebateu nesta quinta-feira críticas das concorrentes contrárias ao Rafale -- aeronave produzida pela empresa europeia. Ao classificar de "falta de compostura" algumas informações divulgadas pelas empresas Gripen (Suécia) e Boeing (EUA) contra o Rafale, Merialdo negou que a aeronave tenha um preço 40% mais alto que as demais. 

O representante da Dassault, que convocou entrevista coletiva para rebater as críticas das concorrentes, não quis revelar o preço da aeronave ao argumentar que a concorrência firmada pela FAB (Força Aérea Brasileira) impede divulgação de valores. "Respeitamos o termo de confidencialidade que assinamos com a Força Aérea Brasileira, o que deveria ter sido feito pelos outros concorrentes. Vimos a informação de que a proposta do Rafale seria 40% mais cara que do F-18 [Boeing]. Essa informação não tem fundamento", afirmou. 

Segundo Merialdo, o valor oferecido ao governo brasileiro é "compatível" com a de outras aeronaves da mesma classe, assim como segue o preço oferecido ao governo francês pelos Rafale. 

"Eu não posso sair da posição de confidencialidade em relação aos preços. As últimas propostas já foram entregues à FAB. O compromisso inicialmente firmado pelo governo francês, e cumprido pela empresa, era que os preços eram compatíveis com os preços oferecidos à Força Aérea Francesa." 

A redução de preços do Rafale teria sido resultado de pressões do presidente francês, Nicolas Sarkozy, cedendo ao governo brasileiro. 

Durante sua visita ao Brasil, em setembro, Sarkozy teria se comprometido diante das autoridades brasileiras a oferecer um preço equivalente ao que as Forças Armadas francesas pagam pelos Rafale --estimado em 50 milhões de euros cada um. Há especulações de que o valor inicial seria de 98 milhões de euros por aeronave vendida ao Brasil, mas a Dassault não confirma a informação. 

O representante da Dassault disse não acreditar que o F-18 (da Boeing) tenha preços menores que o Rafale. "Não posso abrir mão do meu compromisso de confidencialidade, mas certamente o Rafale e o F-18 são aeronaves de classes comparáveis. A diferença de preço entre eles não é de 40%", disse. 

Apesar de não falar em valores, Merialdo desmentiu rumores de que o avião sueco Gripen (da empresa Saab) custaria a metade de cada Rafale. Na tentativa de minimizar a proposta da Suécia, Merialdo disse que seriam necessários dois Gripen para executar a mesma missão de um Rafale. 

"Não é correto comparar valores de caças de classes diferentes. O Gripen é um monomotor da classe Mirage 2000, de classe diferente do Rafale, seu sucessor. O Rafale é bimotor que traz mais segurança e capacidade operacional superior. A depender da missão, são necessários dois Mirage 2000 para executar a missão de um Rafale", disse. 

Tecnologia

O representante da Dassault reiterou que, na oferta feita à Força Aérea, há o compromisso de transferência integral de tecnologia para que o Brasil tenha acesso ao sistema tecnológico da aeronave. Na proposta da Dassault, no entanto, está claro que a França vai transferir apenas 50% de tecnologia de produção da aeronave para o Brasil. 

"As seis primeiras aeronaves serão construídas na França com participação brasileira e entrega rápida dos caças à FAB. Os demais 30 serão montadas no Brasil, com transferência gradativa, chegando a 50% na 36ª aeronave", explicou. 

Também está prevista, segundo o representante da Dassault, a compra de dez aviões KC-390 da Embraer pelo governo francês. "O consórcio Rafale se compromete em ser parceiro para desenvolver o KC junto com a Embraer, transferindo ainda novas tecnologias", disse. 

Merialdo também desmentiu críticas das concorrentes de que somente a França tem os Rafale em atividade, sem interesse de outros países pela aeronave. 

No início de outubro, as três empresas que disputam a preferência brasileira apresentaram suas propostas ao governo brasileiro para a venda de 36 caças, o que incluía a transferência de tecnologia e, em alguns casos, o compromisso de compra de aviões brasileiros. O presidente Luiz Inácio Lula da Silva vai dar a palavra final sobre a proposta escolhida, depois de análise técnica feita pela FAB.

ONU pede às Coreias que evitem hostilidades

Jornal do Brasil
 
O secretário-geral da Organização das Nações Unidas (ONU), Ban Ki-moon, pediu ontem aos governos de Pyongyang e Seul que se contenham ao máximo e resolvam suas pendências a partir do diálogo, depois que uma patrulha naval norte-coreana e uma embarcação da Marinha da Coreia do Sul trocaram tiros na linha fronteiriça do Mar Amarelo.

Ban, que antes de assumir o atual cargo foi chanceler da Coreia do Sul, acompanha de perto o desenvolvimento da tensa situação na Península Coreana, palco na terça-feira do primeiro enfrentamento naval entre os dois países em sete anos.

Hillar y Apesar da escalada das tensões na região, a secretária de Estado norteamericana, Hillary Clinton, garantiu ontem que os planos do governo Obama de enviar um representante a Pyongyang pela primeira vez não serão interrompidos.

Uma das prioridades de Obama na região é a retomada do diálogo sobre o programa nuclear nortecoreano.

– Isso de forma alguma afeta a decisão de enviar o embaixador (Stephen) Bosworth. Achamos que se trata de um passo importante que fica em pé por si só – disse Hillary em entrevista coletiva durante uma reunião do bloco regional Apec, em Cingapura.
 
A Coreia do Norte costuma usar ações militares para se colocar na agenda de grandes eventos diplomáticos, e recentemente provocou alarme ao anunciar que aumentará a produção de plutônio para armas nucleares. Ao mesmo tempo, o regime comunista pleiteia um diálogo direto com Washington.

– Estamos obviamente esperando que a situação não se agrave, e encorajados pela reação calma que tem estado presente até agora – disse Hillary.

O presidente dos EUA, Barack Obama, chega nesta semana ao Japão para o início de uma viagem de nove dias à Ásia, e a ameaça nortecoreana para esta região economicamente vital estará no topo da sua agenda.

Os EUA anunciaram na terçafeira a decisão de mandar Bosworth, seu representante especial para a Coreia do Norte, a fim de manter um diálogo bilateral que possa estimular Pyongyang a voltar a um processo multilateral mais amplo, destinado a acabar com o programa de armas nucleares do país.

Os militares da Coreia do Sul estão em alerta elevado contra uma outra possível incursão, mas não houve nova atividade suspeita do Norte perto da fronteira marítima, segundo autoridades.

Legisladores se opõem a compra de aviões Embraer

Jornal do Brasil
 
Dois parlamentares dos Estados Unidos disseram ter escrito uma carta para o secretário de Defesa norte-americano, Robert Gates, pedindo que ele se oponha a qualquer negociação para que os EUA adquiram aviões de ataque leve fabricados pela brasileira Embraer.

O senador Sam Brownback e o deputado Todd Tiahrt, ambos do Kansas, pediram, em carta datada de 9 de novembro, que Gates confirme se o governo norte-americano manteve ou planeja manter qualquer discussão sobre a compra ou arrendamento de pelo menos 100 aviões Super Tucano.

"Escrevemos para expressar nossa enfática e inequívoca objeção a qualquer acordo desse tipo", disseram os parlamentares na carta, divulgada em comunicado.

Segundo Brownback e Tiahrt, tal acordo prejulgaria uma análise em andamento pela Força Aérea dos EUA para plataformas nacionais alternativas que possam realizar missões de ataque leve e reconhecimento armado, o que poderia abrir caminho para o financiamento de um programa desse tipo a partir de 2011.

Os parlamentares acrescentaram que os militares norte-americanos já investiram pesadamente no desenvolvimento do Hawker-Beechcraft AT-6B, fabricado pela empresa privada Hawker-Beechcraft, do Kansas.

Segundo os congressistas, não permitir que a empresa dispute a concorrência provocará "objeções enfáticas do Congresso".

Competição Tanto o Senado como a Câmara dos Deputados dos EUA aprovaram recentemente projetos que pedem uma "competição total e aberta para o arrendamento ou compra de aviões de ataque leve".

"Na crise atual da aviação, seria irresponsável para o departamento tomar quaisquer medidas na direção de comprar ou arrendar um avião estrangeiro quando uma opção fabricada nos Estados Unidos está disponível para qualquer competição que possa resultar da análise de alternativas", disseram.

Aumento do efetivo em tempos de paz

Jornal da Câmara
 
Aprovado pela Comissão de Finanças e Tributação, o PL 4752/09, do Executivo, aumenta em 13.495 militares o efetivo do Comando da Aeronáutica em tempo de paz. Pela proposta, a nova composição dos cargos sofreria a seguinte variação:

- oficiais superiores: de 2.455 para 3.200;

- oficiais intermediários e subalternos: de 5.700 para 7.800;

- sub-oficiais e sargentos: de 26.200 para 34.000;

- cabos e soldados: de 31.000 para 34.100; e

- taifeiros (responsáveis pelo serviço de câmara, como limpeza e arrumação): de 2.000 para 1.750.

O projeto, que tramita em caráter conclusivo e em regime de prioridade, também já foi aprovado pela Comissão de Relações Exteriores e de Defesa Nacional e ainda será analisado pela Comissão de Constituição e Justiça e de Cidadania.

O relator, deputado Julio Semeghini (PSDB-SP), defendeu a aprovação da proposta com emenda que condiciona a criação dos cargos à sua autorização expressa em anexo específico da Lei Orçamentária Anual.

Sadi Cassol elogia ações da Marinha na região amazônica

Jornal do Senado
 
Sadi Cassol (PT-TO), em discurso ontem, registrou o trabalho realizado pela Marinha do Brasil junto às populações ribeirinhas da Amazônia. Na semana passada, o parlamentar e um grupo de deputados participaram de uma visita ao navio de assistência hospitalar Carlos Chagas, que prestou atendimento à comunidade Terra Nova (AM), às margens do rio Amazonas.

– Não fossem os profissionais da Marinha, cerca de 20, entre médicos, dentistas, enfermeiros e farmacêuticos, talvez aquela sofrida parcela da população brasileira não contasse com um atendimento médico-odontológico de qualidade – disse.

Ao atracar na comunidade Terra Nova, contou Sadi Cassol, a população aguardava os profissionais de saúde da Marinha para a realização de exames médicos, odontológicos e testes laboratoriais, com o imediato diagnóstico, e a prescrição e doação de medicamentos.

– É um trabalho exemplar que a Marinha do Brasil vem prestando à população mais distante dos centros urbanos e mais carente de acesso aos serviços de saúde pública – afirmou o parlamentar.

Aernnova monta centro de desenvolvimento no Brasil

Virgínia Silveira, para o Valor, de São José dos Campos

A perspectiva de participação em projetos como o do Trem Bala e dos caças de combate da Força Aérea Brasileira (FAB), além de uma maior proximidade com seu principal cliente, a Embraer, foram decisivos para que o grupo espanhol Aernnova Engineering decidisse trazer para o Brasil uma unidade do seu centro internacional de desenvolvimento de projetos de engenharia. O objetivo da empresa, segundo o diretor presidente, Adel Ben-Smida, é transformar o centro brasileiro em uma base de desenvolvimento de tecnologia para a América Latina.

O projeto já está sendo colocado em prática com a contratação de uma equipe de 15 engenheiros e técnicos brasileiros, sendo que seis deles já receberam treinamento nos centros de engenharia da empresa na Espanha e nos Estados Unidos. "De imediato, contrataremos um total de 20 profissionais, mas a nossa matriz espanhola não impôs nenhum limite no número de empregados que serão incorporados ao novo centro, pois isso vai depender dos projetos que iremos desenvolver a partir de agora", comentou.

Segundo o executivo, o primeiro contrato da Aernnova Engenharia do Brasil foi assinado com a Avibrás Aeroespacial, mas a empresa já está trabalhando em vários outros projetos de desenvolvimento, inclusive no setor automobilístico. Os planos da Aernnova Engenharia também incluem parcerias com universidades brasileiras nas áreas de pesquisa e desenvolvimento em material composto, a especialidade do grupo espanhol. "Já fechamos uma parceria com a Universidade de Taubaté (Unitau) e estamos iniciando uma conversa com o Instituto Tecnológico de Aeronáutica (ITA)", explicou.

A Aernnova já opera dois centros na Espanha (Madri e Vitória), que atendem aos clientes da empresa na Europa, e um em Michigan, nos Estados Unidos, dedicado também ao mercado canadense.

O novo empreendimento foi instalado na fábrica da Aernnova do Brasil, em São José dos Campos. A unidade começou a operar em 2004, com a fabricação de partes estruturais dos jatos da Embraer. A Aernnova, antiga Gamesa, é parceira de risco da Embraer desde 1993 e participa dos programas dos jatos ERJ-145, fornecendo as asas e do 170/190, com a produção da fuselagem traseira e empenagem.

Além da Embraer, a Aernnova também tem como principais clientes as americanas Boeing e Sikorsky, a canadense Bombardier e a europeia Airbus. A empresa também atua nos segmentos de automação, transportes, naval e energia eólica. A área de engenharia da empresa é formada por cerca de 950 engenheiros, sendo que 43% são especialistas em desenho, 29% em cálculo estrutural e 18% em fabricação.

A Embraer, segundo o diretor-presidente da Aernnova, é uma das principais clientes do grupo espanhol no mundo, respondendo por cerca de 40% do seu faturamento, que em 2008 foi da ordem de € 490 milhões. "Temos grande interesse em participar do desenvolvimento de outros programas da Embraer, como o do cargueiro KC-390, e o fato de trazer nosso centro de engenharia para o Brasil é uma demonstração de que queremos estreitar nossas relações com a empresa", explicou Smida.

Segundo o executivo, a proximidade da área de desenvolvimento era uma das reivindicações da Embraer, pois facilita o trabalho da engenharia.

A participação da atividade de engenharia nas vendas da companhia, segundo relatório anual publicado pela empresa, representa mais de 25% do valor da Aernnova. As áreas de engenharia de produto e sistemas e engenharia de fabricação estão entre as principais atividades da divisão de engenharia da empresa. A Aernnova também é parceira de risco nos programas das aeronaves Airbus A380 e Airbus A350, além de participar de vários outros programas na área de defesa, como o do helicóptero Eurocopter Tigre, Casa 235 e 295 e o do caça europeu Eurofighter.

Oferta da Dassault inclui parceria com a Embraer

De São José dos Campos

Considerada a parceira estratégica preferencial do Brasil pelo presidente Lula, a Dassault, finalista na concorrência para a compra de 36 caças para a Força Aérea Brasileira (FAB), propôs ao governo a transferência irrestrita de tecnologia para 67 projetos brasileiros. Segundo a Dassault, a oferta entregue ao Comando da Aeronáutica no final de outubro, cobre mais de 100% do valor do contrato de compra dos caças, estimado em US$ 4 bilhões.

A Dassault Aviation participa do programa F-X2 da FAB com o consórcio Rafale International, formado também pelas empresas francesas Snecma, do grupo Safran, e a Thales. De acordo com a empresa, o consórcio se comprometeu em fazer a montagem, no Brasil, de 30 dos 36 caças que serão comprados pelo programa F-X2, com peças fabricadas no país por empresas brasileiras. "Faremos a montagem no Brasil a partir do sétimo caça, com linha de fabricação na Embraer", afirmou um porta-voz.

Segundo ele, o consórcio espera que, pelo menos, 50% das peças do Rafale sejam produzidas no Brasil até o final da entrega dos 36 aviões previstos neste primeiro contrato, mas há a possibilidade de, no futuro, a FAB comprar até 120 caças. "Faremos não só peças pequenas, mas também partes estruturais, como as asas, que vão poder ser fabricadas pela Embraer, caso vençamos este contrato", afirmou. O presidente da Associação das Indústrias Aeroespaciais do Brasil (AIAB), Walter Bartels, ressalta que os novos projetos de aquisição de equipamentos de defesa devem promover a autonomia tecnológica da indústria brasileira. "O processo de transferência de tecnologia se dá quando se realiza a inovação ou o desenvolvimento tecnológico dentro da indústria". Bartels cita o caso do programa AMX, feito em cooperação com empresas e o governo italiano. "O Brasil pagou 30% do seu desenvolvimento e dominou 100% do avião".

O programa de cooperação industrial, mais o pacote de transferência de tecnologias, proposto pela Dassault, prevê a criação de três mil empregos diretos e indiretos no Brasil, por um período de 10 anos. Este número, de acordo com o executivo da empresa, poderá ser ampliado para 24 mil, com as atividades de fabricação dos caças nas indústrias do setor aeroespacial brasileiro e também da transferência de tecnologia, através da criação de inúmeros subprodutos.

A Embraer, de acordo com o executivo, será a principal empresa de cooperação do consórcio Rafale, juntamente com o Departamento de Ciência e Tecnologia Aeroespacial (DCTA), ambos em São José dos Campos (SP). "Como fabricante Aeronáutica e integradora de sistemas, a Embraer terá total autonomia para liderar em cooperação com a indústria brasileira, as adaptações e aperfeiçoamentos futuros na aeronave Rafale e seus sistemas", afirma o Consórcio Rafale em documento.

Cooperar com a Embraer, segundo o porta voz da Dassault, vai ampliar os conhecimentos da empresa, dando a ela autonomia para realizar, de forma independente, o projeto da próxima geração de caças brasileiros. "A indústria brasileira e, especialmente a Embraer, adquiriram novas capacidades tecnológicas com o programa AMX. Com o Rafale elas poderão ir muito além do que conquistaram com o AMX", ressalta o executivo.

Como prometido pelo presidente francês Nicolas Sarkozy, durante sua visita ao Brasil, no dia 7 de setembro, o consórcio Rafale reforça seu interesse em apoiar o desenvolvimento do cargueiro KC-390, da Embraer. Essa parceria poderá ser realizada através da transferência de tecnologia no campo do domínio chave e altamente sensível dos Sistemas Digitais de Controle de Vôo (DFCS). "É importante destacar que as tecnologia DFCS são dominadas por pouquíssimas empresas no mundo e desejadas por muitas", afirma o porta-voz.

A transferência de tecnologias sensíveis, que o Brasil ainda não tem o domínio, também é um dos pontos de destaque da proposta do Consórcio Rafale, segundo o porta-voz da empresa. A aprovação para transferência irrestrita de tecnologia, de acordo com o executivo, já foi oficialmente notificada ao Comando da Aeronáutica por autoridades francesas.

Entre as tecnologias consideradas essenciais oferecidas pelas empresas do consórcio Dassault estão a integração aeromecânica de armas e casulos, engenharia da estrutura do avião, software de radar e de sistema de missão, tecnologias de sistemas digitais de controle de voo, integração de motor, aplicativos de pirotecnia espacial, projetos de redes de sistemas de veículos aéreos não tripulados, entre outros. (V.S.)

Caça não é ""jujuba"", diz ministro Jobim

O Estado de S.Paulo
 
O ministro da Defesa, Nelson Jobim, disse ontem que a transferência de tecnologia será mais importante que o preço na decisão do governo sobre a compra de 36 aviões de caça para a Aeronáutica. Numa referência indireta às declarações do diretor da empresa sueca Gripen, de que pelo preço de um dos concorrentes o Brasil poderia levar dois do modelo sueco, Jobim disse que o País não está comprando "jujuba". A compra só será definida no fim do mês, avisou o ministro.

11 Novembro 2009

Defesa quer mais médicos no serviço militar

Projeto enviado ao Congresso tenta facilitar convocação de profissionais para trabalharem em áreas remotas do país

Justiça tem liberado de atuar nas Forças Armadas quem é convocado após ter sido dispensado do serviço por excesso de contingente

ANGELA PINHO
JOHANNA NUBLAT
DA SUCURSAL DE BRASÍLIA - FOLHA DE S.PAULO
 
O governo federal quer facilitar a convocação de médicos para o serviço militar obrigatório, mesmo após eles terem sido dispensados anteriormente por excesso de contingente.
 
O Ministério da Defesa enviou ao Congresso projeto de lei para acabar com interpretações da Justiça que têm liberado diversos profissionais chamados pelas Forças Armadas.

A proposta também atinge veterinários, farmacêuticos e dentistas, mas o foco principal é nos médicos. Desde 2005, 796 deles conseguiram ser liberados da convocação pela Justiça.

Neste ano, prestaram o serviço 1.747 médicos, entre convocados após terem sido dispensados por estarem na faculdade ou por excesso de contingente.

A legislação que permite a convocação de profissionais de saúde fala em quem tem "certificado de reservista". A Justiça, porém, tem decidido favoravelmente aos profissionais que entram com ação seguindo a interpretação pela qual quem foi dispensado por excesso de contingente antes de começar a faculdade não poderia ser chamado depois da formatura. O projeto explicita que o convocado pode ter sido dispensado por "excesso de contingente".

Ao resolver essa questão jurídica, o ministério afirma que quer amenizar a falta de profissionais em áreas remotas.

"É cada vez mais grave a situação gerada pela ausência de médicos nas áreas mais carentes, ditas inóspitas, a exemplo da Amazônia, onde muitas vezes o único atendimento à população local, incluindo os indígenas, é realizado por ação das Organizações Militares de Saúde ou de postos médicos localizados nos quartéis", diz a pasta.

No Norte, cada médico cuida de 1.051 habitantes, enquanto no Sudeste, a média é de 400 habitantes por profissional.

Periferias de grandes cidades também têm carência, diz Aparecida Linhares, secretária de Saúde de Diadema e vice do Conselho Nacional de Secretarias Municipais de Saúde.

"É uma resolução imediatista de um problema crônico, que é a falta de política de assistência em áreas remotas", diz Roberto d"Ávila, presidente do Conselho Federal de Medicina.

Para ele, a proposta é "melhor do que nada", mas ressalta que os convocados serão jovens com pouca experiência que não terão estrutura. "O máximo que farão será levar paciente para cidades maiores", afirma.

"Querem levar uma garrafa de água mineral para resolver o problema de uma seca", critica Paulo Argollo, da Federação Nacional dos Médicos.

O Ministério da Saúde evita entrar em detalhes sobre o projeto, mas diz que ele não resolve o problema da falta de profissionais em áreas remotas.

Para Francisco Campos, secretário de Gestão do Trabalho e Educação na Saúde do ministério, não há unidades das Forças Armadas em todas as localidades carentes de médicos.

O projeto do Ministério da Defesa, enviado em setembro, está na Comissão de Seguridade Social e Família da Câmara. Para entrar em vigor, ainda precisará passar por outras duas comissões e pelo Senado.

Governo envia projeto que reformula Defesa

Se for aprovado pelo Congresso, Aeronáutica e Marinha poderão revistar aviões e dar ordem de prisão

ELIANE CANTANHÊDE
COLUNISTA DA FOLHA

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva deve enviar hoje ao Congresso o projeto de Lei Complementar que reformula a Defesa e as Forças Armadas, permitindo que a Aeronáutica e a Marinha possam revistar aviões e embarcações e eventualmente apreender suas mercadorias e dar ordem de prisão a seus ocupantes, como o Exército pode fazer com veículos e pessoas nas fronteiras.

O ministro da Defesa, Nelson Jobim, ao justificar a mudança, cita a Lei do Abate, pela qual a Aeronáutica pode interceptar e até derrubar aeronaves ilegais ou suspeitas que sobrevoem o espaço aéreo brasileiro, mas não revistá-las em solo e prender suas tripulações.

Além disso, segundo ele, a Lei do Abate gerou uma espécie de migração do narcotráfico: em vez de aviões, os criminosos passaram a preferir usar embarcações e circular em rios, já que as lanchas da Marinha não têm poder de polícia sobre elas.

Jobim citou um exemplo do que ocorre hoje: no dia 30 de outubro, a FAB (Força Aérea Brasileira) interceptou um avião suspeito, obrigou-o a pousar na região de Cristalina, em Goiás, mas não teve poderes para abordar os tripulantes e evitar que fugissem até que a polícia chegasse. A aeronave transportava 150 kg de cocaína.

Com a nova lei, que Jobim espera ser aprovada até o primeiro semestre do próximo ano pelo Congresso, os oficiais da FAB poderiam ter agido antes da chegada da polícia.
 
A nova lei também agregará maior segurança legal para militares do Exército que atuem para garantia da lei e da ordem durante épocas de campanhas e nos dias de eleições.
 
Atualmente, eles são sujeitos a processos na Justiça Comum. Com o novo texto, eles responderão na Justiça Militar.

Esse foro já é previsto desde 2004 para militares do Exército nas fronteiras e, além de estendido para eles em épocas de eleição, também será para oficiais e soldados da Aeronáutica e da Marinha que venham a exercer poderes de polícia em rios ou com aviões em solo.

Jobim considera que isso servirá de freio para ações judiciais contra militares, mas ressalta que, "fora isso, a nova lei não prevê nenhuma mudança para a atuação das Forças Armadas em áreas urbanas".

Ao mesmo tempo, o Ministério da Defesa negociou com o TSE (Tribunal Superior Eleitoral) uma "regra de engajamento" para os soldados que atuem durante campanhas ou no dia da eleição a chamado dos governadores ou prefeitos. Essa regra lista as condutas e os limites permitidos a soldados que recebam esse tipo de missão.

A nova lei complementar é consoante com a Estratégia Nacional de Defesa, aprovada pelo Conselho de Defesa Nacional e transformada em decreto pelo presidente. Seus dois outros pilares são a criação do Estado Maior de Defesa e a consolidação dos orçamentos das três Forças na Defesa.

O novo Estado Maior de Defesa será comandado por um oficial da reserva, com quatro estrelas (maior patente militar) e mesma posição na hierarquia dos comandantes da Aeronáutica, da Marinha e do Exército.

Chávez pede que país se prepare para guerra

Líder diz a Obama que não use a Colômbia para atacar a Venezuela
 
O Estado de S.Paulo

O presidente venezuelano, Hugo Chávez, pediu ontem aos líderes militares que estejam "prontos para a guerra" e preparem o povo para "defender a pátria" ante uma agressão. As declarações foram feitas em meio a uma elevada tensão com a vizinha Colômbia por causa de um acordo de cessão de bases colombianas aos EUA.

"Senhor comandante da guarnição militar, batalhões de milícias, vamos treinar. Estudantes revolucionários, trabalhadores, mulheres: todos preparados para defender esta pátria sagrada que se chama Venezuela", disse Chávez em seu programa semanal de rádio e TV Alô, presidente! "Se vivêssemos em um mundo no qual se respeitasse a soberania dos povos e o direito internacional poderíamos nos dedicar a qualquer coisa menos nos preparar para a guerra", acrescentou.

Ele também pediu ao presidente americano, Barack Obama, para que não se equivoque usando a Colômbia para atacar a Venezuela. "Estamos dispostos a tudo, mas a Venezuela não será jamais uma colônia ianque nem de ninguém." Chávez destacou que seu país foi "cauteloso" com o triunfo de Obama "e logo percebeu a verdade". Segundo ele, o "império está vivo e mais ameaçador do que nunca".

"O governo colombiano transferiu-se para os EUA. Já não está em Bogotá. O governo e a oligarquia colombianos tiraram as máscaras", acrescentou o líder bolivariano. As relações entre a Venezuela e a Colômbia sofreram altos e baixos na última década e vivem nova crise desde julho.

Chávez congelou as relações bilaterais após a Colômbia anunciar que pretendia ceder o uso de sete de suas bases aos EUA.

Bogotá disse que levará as "ameaças de guerra" de Chávez ao Conselho de Segurança da ONU e à Organização dos Estados Americanos (OEA), mas manifestou sua disposição ao diálogo franco.

MEDIAÇÃO

Ainda ontem, o presidente da Confederação de Câmaras de Comércio da Colômbia, Eugenio Marulanda, pediu a mediação urgente da ONU ou do Brasil para reduzir as tensões com a Venezuela após Chávez dizer que seu país está se preparando para a guerra. "Necessitamos uma mediação internacional de alto nível, como da ONU ou de (presidente Luiz Inácio) Lula da Silva, para dissuadir essa loucura que se tornou a relação entre Colômbia e Venezuela", disse Marulanda.

HISTÓRICO DE TENSÕES

12/2004

- Rodrigo Granda, "chanceler das Farc", é sequestrado em Caracas e, dias depois, as autoridades colombianas anunciaram sua captura

11/2007

- Colômbia acusa presidente venezuelano de intromissão ao atuar como mediador para libertação de reféns das Farc

3/2008

- Operação colombiana no Equador mata o número 2 das Farc. Chávez e Correa enviam Exército para fronteira

15/7/2009

- Uribe anuncia acordo militar com EUA, o que irrita Chávez e outros vizinhos

Paquistão negocia míssil com empresa de SP

Venda coloca Brasil em saia-justa, já que Índia, parceira estratégica do país, protesta contra negócios com o rival do sul asiático. 

No ano passado, Mectron e Paquistão haviam fechado a negociação de um primeiro lote de cem mísseis, que custou 85 milhões de euros.

Igor Gielow - Folha de S.Paulo


A empresa paulista Mectron negocia com o governo do Paquistão o fornecimento de um novo lote de mísseis, de um modelo diferente do que foi comprado em negócio polêmico fechado no fim do ano passado. A eventual concretização da negociação ainda embrionária promete nova saia-justa para o governo brasileiro contornar, uma vez que a Índia já protestou veementemente contra a primeira venda. Desde a partilha pós-colonial em 1947, Índia e Paquistão são arquirrivais e já travaram três grandes guerras e inúmeros conflitos menores.

Para complicar, o ministro Nelson Jobim (Defesa), principal defensor do negócio de 2008, desembarca na Índia no começo de dezembro justamente para contatos com os militares do país.

Toda venda militar brasileira precisa ser aprovada pelo Itamaraty e, depois, pelo Ministério da Defesa. Na ocasião do primeiro lote de mísseis, cem unidades do modelo MAR-1 por 85 milhões, o então número dois da diplomacia, o hoje ministro de Assuntos Estratégicos Samuel Pinheiro Guimarães, se opôs ao negócio porque iria ferir suscetibilidades dos indianos. A Índia é considerada parceira estratégica do Brasil em fóruns como o Ibas (Índia-Brasíl-África do Sul), e o momento então era diplomaticamente sensível. O centro financeiro indiano de Mumbai havia acabado de ser atacado por terroristas de origem paquistanesa, numa série de ações que deixou quase 200 mortos.

O governo brasileiro foi o avalista do negócio da Mectron, concedendo um seguro de crédito de 25 milhões de euros por meio do Banco do Brasil. A coincidência da aprovação logo após os ataques gerou um duro pedido de explicações da Embaixada da Índia. A posição de Jobim, de que vetar o negócio implicaria acusar o governo paquistanês pelos ataques, prevaleceu. Posteriormente, um grupo de diplomatas indianos foi recebido na Defesa e recebeu explicações consideradas satisfatórias por eles de que nenhuma tecnologia sensível seria repassada.

Negociações

O novo negócio, conforme a Folha apurou, começou a ser discutido numa visita de representantes da Mectron ao Paquistão há mais de três meses. Há um intercâmbio constante de técnicos brasileiros e militares paquistaneses, por conta do contrato do MAR-1, então a visita passou despercebida. Paquistão e Ministério da Defesa não falam sobre o assunto, mas a Folha apurou que o governo brasileiro não foi avisado ainda da negociação. A Mectron, procurada pela reportagem, afirmou que não poderia falar sobre seus negócios -de resto, uma praxe no delicado campo em que atua.

A venda agora não seria dos MAR-1, mísseis que buscam destruir alvos que emitem sinais de radar, como baterias antiaéreas. Desta vez, o Paquistão mostrou interesse nos mísseis ar-ar, para combate aéreo.

A Mectron já fabrica o MAA-1 Piranha, míssil básico da aviação de caça brasileira, mas o modelo é de uma geração já obsoleta. Logo, a opção deverá recair sobre o MAA-1B, o Piranha-2, cujo desenvolvimento está em etapa final. Como no caso do MAR-1, um eventual contrato poderá fornecer o impulso final para a confecção em escala industrial do míssil.

A empresa, surgida dos escombros do parque bélico nacional nos anos 90, é um centro de excelência em engenharia. Será uma das principais beneficiárias de repasse de tecnologia caso a Força Aérea feche a compra dos seus novos caças.

No Itamaraty, há a preocupação em não melindrar os parceiros indianos -em termos econômicos, o volume comercial com Nova Déli pode chegar aos US$ 10 bilhões em 2010, enquanto com Islamabad não chega a US$ 500 milhões.

Objetivamente, os mísseis não mudam o equilíbrio de forças entre os rivais. O que detém os países de ir à guerra hoje, a qual seria ganha de forma convencional pela militarmente superior Índia, é o fato de ambos terem armas nucleares.

Venda de mísseis brasileiros ao Paquistão pode irritar Índia

Tânia Monteiro e
Denise Chrispim Marin, BRASÍLIA - O Estado de S.Paulo


Avalizada em 2008 pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva, a exportação de mísseis fabricados pela companhia brasileira Mectron ao Paquistão poderá se transformar em nova dor de cabeça para o governo. A empresa estaria em negociações com Islamabad para a venda de mais um lote desse armamento ao Paquistão, país que tem como inimigo e alvo a Índia, parceira estratégica do Brasil e sócia em dois foros emergentes.

"Ainda não tenho notícias desse negócio. Não recebemos nenhum pedido de autorização. Mas, se aparecer, cada dia com a sua agonia", afirmou o ministro da Defesa, Nelson Jobim, após confirmar a transação entre a Mectron e o Paquistão no ano passado. 

A venda de um lote de cem mísseis, em 2008, teria totalizado 85 milhões, segundo a Folha de S. Paulo. Mas os dados desse comércio foram omitidos das estatísticas oficiais brasileiras por se tratar de um bem altamente sensível, como explicou o Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior. Como se trata de uma exportação controlada pelo governo, o processo foi submetido à avaliação do Itamaraty, que desaconselhou o negócio por seu potencial de criar problemas bilaterais entre o Brasil e a Índia. 

O Ministério da Defesa, a outra área do governo que deve se manifestar sobre o comércio exterior de armas e munições, deu seu aval. Diante do impasse entre os dois ministérios, a questão foi levada ao presidente Lula, que liberou o embarque.

Jobim justificou ontem que, como o contrato já havia sido firmado e submetido à Câmara de Comércio Exterior, teria de ser honrado. Na ocasião, as reclamações encaminhadas pela Índia ao Brasil acabaram contornadas com o argumento de que Nova Délhi também poderia se valer do Brasil como provedor de mísseis e os EUA fornecem armas para Índia e Paquistão. Em 2008, as reclamações não chegaram a repercutir no andamento dos projetos bilaterais nem no encaminhamento do Foro Ibas (Índia, Brasil e África do Sul) e do Foro Bric (Brasil, Rússia, Índia e China), duas das frentes de convergência de economias em desenvolvimento.

Apoio do Reino Unido reforça a oferta Gripen da Suécia ao Brasil

Por Craig Hoyle - Flight International

É esperado que, no final de novembro, o Brasil faça o anúncio oficial sobre a negociação inicial de 36 caças para o programa FX-2, após uma avaliação que incluiu os caças Boeing F/A-18E/F Super Hornet, o Dassault Rafale e o Saab Gripen NG.


De acordo com fontes da indústria, a seleção da plataforma deverá ser confirmada pelo Conselho Nacional de Defesa do Brasil – presidido por Luiz Ignacio Lula da Silva – após a entrega de um relatório com 26.000 páginas, compilado pela Aeronáutica, sob a supervisão de seu comandante, o Brigadeiro Juniti Saito.

Com a proximidade da decisão final, a Saab montou uma operação final, com o objetivo de promover o Gripen NG que, segundo a empresa, é o candidato preferido da FAB e da Embraer, a futura parceira da empresa vencedora na fabricação da aeronave selecionada.

Ultimamente, os esforços envidados pela empresa sueca ganharam também o apoio do governo do Reino Unido, que lançou todo o seu peso em respaldo ao Gripen, após a escolha, para o modelo NG, do radar AESA (active electronically scanned array) Vixen 1000E/ES05 Raven, fabricado pela Selex Sensors & Airborne Systems.

Segundo o órgão de Comércio & Investimentos do Reino Unido, o conteúdo britânico do Gripen NG, no momento, é igual a 20% de seu valor, sobretudo em função da seleção feita pelo radar, sendo que outras possíveis integrações poderiam aumentar esta taxa para 25%.

Tudo indicava que o resultado da disputa pelo contrato do FX-2 já havia sido determinado, em 7 de setembro, quando o Presidente Lula e seu colega francês, Nicolas Sarkozy, participaram juntos de uma coletiva de imprensa, quando foi manifestada a preferência pelo Rafale.

Rapidamente, o Ministro da Defesa do Brasil se distanciou desta declaração e convidou as três empresas participantes para uma segunda rodada de melhores propostas.

De acordo com uma fonte do setor, a Saab teme que razões políticas dêem a vitória ao Rafale, no Brasil, com uma escolha que fortaleça ainda mais a relação estratégica do País com a França. 

O governo do Presidente Lula já firmou acordos, no valor aproximado de US$ 12 bilhões, para adquirir equipamentos dos franceses, incluindo os helicópteros Eurocopter EC725 e submarinos.

A Saab promove os menores custos de aquisição e operacionais do Gripen NG, em comparação com seus rivais bimotores, além de fazer promessas significativas de natureza industrial e técnica. 

"Nossa única intenção é compratilhar nossa tecnologia", diz um executivo da empresa, acrescentando ainda: "podemos fazer uma diferença considerável para a sua indústria".

A oferta final da Suécia vem acompanhado de um pacote de contrapartida, avaliado em 175% do valor do contrato do programa FX-2, incluindo também atividades conjuntas de desenvolvimento do Gripen NG. A intenção da Saab é viabilizar, para 2014, a produção dos primeiros exemplares, saindo simultaneamente das linhas de produção, montadas no Brasil e na Suécia.

Sua oferta incluiria ainda a possibilidade da Embraer de liderar futuras campanhas de exportação, na América Latina. A Saab já identificou possíveis oportunidades de vendas na Argentina, Colômbia, Equador, México e Peru.

10 Novembro 2009

Garantia das fronteiras é ponto-chave do programa

Roberto Godoy - O Estado de S.Paulo

A prioridade dos programas de modernização da Defesa é a garantia dos 16.886 quilômetros de fronteiras do País, dos quais 11.500 quilômetros contidos na Amazônia. As Forças Armadas que o plano prevê terão 300 mil combatentes, aproximadamente o mesmo número atual - mas, nesse contingente renovado, os times de operações especializadas e de pronta resposta serão a maioria da tropa. Essa meta deve ser atingida até 2016. Segundo o ministro da Defesa, Nelson Jobim, "o objetivo é o de criar um conjunto harmonioso e de fácil mobilização".

Pela Estratégia Nacional de Defesa, as três Forças passam a ter a agilidade necessária ao cumprimento de missões de deslocamento rápido - algo como ter os primeiros times prontos para embarque em 40 minutos. As unidades preparadas para esse tipo de ação já estão sendo transferidas para locais próximos de bases aéreas. A Brigada de Operações Especiais, por exemplo, saiu do Rio. Foi instalada em Goiânia, para onde vai também a Brigada de Paraquedistas. A partir do Planalto Central, os dois grupos podem chegar em pouco tempo a qualquer ponto do território nacional.

A primeira etapa do programa cria três batalhões de fuzileiros navais, uma Esquadra Marítima ao Norte, o Sistema de Gerenciamento do Mar, 20 postos de fiscalização na Amazônia, 8 brigadas, 21 pelotões de fronteira, uma rede de vigilância eletrônica terrestre e três bases aéreas na região norte.
 
O programa corre risco pelo viés financeiro. De acordo com a área econômica do governo, em julho a conta de investimentos dos comandos militares tinha, congelados, 47% dos recursos previstos para 2009. Só para atender seus compromissos com a Copa e a Olimpíada, o Comando do Exército precisa de R$ 2 bilhões ao ano até 2014.

País terá em março novo sistema de controle aéreo

Projeto, batizado pela FAB de Sagitário, está sendo desenvolvido em Curitiba para aumentar segurança de voo

Leila Suwwan Enviada especial - O Globo

CURITIBA. Há dois anos, a Força Aérea Brasileira está desenvolvendo sigilosamente um novo sistema de controle de tráfego aéreo, aperfeiçoando o antigo, criticado por controladores aéreos após a colisão no ar entre o jato Legacy e o Boeing da Gol, em setembro de 2006. A nova plataforma de visualização, batizada de Sagitário, começa a funcionar em março de 2010 no Cindacta2 (Curitiba) e será implantada em todo o país até 2012.

O software traz novos alertas de segurança para situações de risco, como conflito de rotas e perda do sinal do transponder do avião. O custo inicial de desenvolvimento do Sagitário foi de R$ 6,9 milhões. Outros R$ 14 milhões serão pagos pela instalação, pelo treinamento da equipe e pela garantia do produto.

O Sagitário deve coroar a recuperação da Aeronáutica depois da crise aérea, quando controladores se rebelaram e deficiências no setor foram reveladas.

Três anos depois do motim de sargentos, o sistema será inaugurado pelo brigadeiro Carlos Vuyk de Aquino, que era o comandante do Cindacta-1 (de Brasília) no auge da crise.

— Os níveis de alerta desse software são mais avançados.

As recomendações de segurança aérea estão sendo implementadas — garantiu Aquino, hoje presidente da Comissão de Implantação do Sistema de Controle do Espaço Aéreo (Ciscea).

O GLOBO visitou o Cindacta3, onde a sala de controle é subterrânea, localizada num bunker a 20 metros de profundidade, construído no início dos anos 80.

O centro controla voos na região Sul e partes do Sudeste e CentroOeste. O centro de controle de área já está dividido em dois: o X-4000 (o modelo atual) e Sagitário funcionam lado a lado durante os testes. Em outra sala, turmas de controladores recém-formados são treinadas em turnos de 8 horas, durante 10 dias.

— É a tendência no mundo inteiro.

É uma garotada que cresceu no mundo interativo e se dá melhor. A ambientação é rápida, eles têm experiência com esse ambiente — explicou o comandante do centro, coronel Leônidas de Araújo Medeiros Júnior.

O país tem uma média diária de 4 mil voos, e o crescimento anual está projetado em 8% a 10%.
 
O aumento depende de infraestrutura aeroportuária e regulação das empresas, responsabilidades de Infraero e Anac.

Modelo aumenta alertas de erros na rota dos aviões

"Na versão final, em 2011, gravação será digital e automática"

CURITIBA. A empresa contratada para desenvolver o novo sistema, a Atech Tecnologias Críticas, usou como base licenças concedidas pela Eurocontrol (agência de segurança aérea da Europa), e pretende exportar o pacote a países vizinhos. De acordo com Delfim Miyamaru, diretor da Atech, o novo sistema está pronto para a nova geração de controle aéreo, de comunicações por satélite. Esse modelo de troca de informações entre pilotos e controladores dispensa o rastreamento por radares e o contato por rádio.

O Sagitário (Sistema Avançado de Gerenciamento de Informações de Tráfego Aéreo e Relatórios de Interesse Operacional) foi desenhado para reduzir o cansaço, aumentar os alertas e facilitar o trabalho. Cores e contrastes foram mudados para reduzir a fadiga visual. Os planos de voo estarão disponíveis na tela, o que permitirá eliminar as strips, pequenos pedaços de papel que continham esses dados.

E apresentará alertas para possíveis conflitos de rota.

Duas novidades aplacam polêmicas a respeito do funcionamento do atual sistema, o X4000, por ocasião do acidente com o voo 1907 da Gol: um alerta em janela vermelha avisará quando o controle aéreo para de receber o sinal do transponder do avião. Esse equipamento troca informações com os radares, permitindo a verificação exata de altitude das aeronaves. O Legacy estava com transponder inoperante. Haverá aviso de mudanças de altitude. O Legacy, sem contato com controladores, não mudou sua altitude conforme constava no plano de vôo.

Navios das Coreias do Norte e do Sul se enfrentam no Mar Ocidental

Seul, 10 nov (EFE).- Uma patrulha naval norte-coreana e uma embarcação da Marinha da Coreia do Sul trocaram hoje disparos nas águas do Mar Ocidental (Mar Amarelo), incidente sem informações de vítimas, segundo a agência sul-coreana Yonhap.

A agência, que cita uma fonte do Ministério da Defesa em Seul, informa que uma patrulha norte-coreana cruzou a linha de fronteira marítima, o que levou à embarcação da Coreia do Sul a realizar "disparos de advertência", respondidos prontamente pelos norte-coreanos.

O navio patrulha do regime comunista de Pyongyang "aparentemente sofreu danos", assinalou esse responsável de Defesa.

Na fronteira marítima em águas do Mar Ocidental já aconteceram enfrentamentos no passado, com baixas entre navios das duas Coreias.

Em 2002, navios de guerra norte-coreanos dispararam contra navios da Coreia do Sul e causaram quatro mortos e 18 feridos, em um fato pelo que posteriormente Pyongyang se desculpou.

Três anos antes, em 1999, aconteceu outro enfrentamento que acabou com o naufrágio de um navio de Pyongyang e a morte de cerca de 80 marinheiros.

A zona de fronteira marítima entre as duas Coreias é especialmente conflituosa, já que Pyongyang rejeita a polêmica Linha do Limite do Norte (NLL), estabelecida no final da Guerra da Coreia (1950-1953) pelas tropas da ONU lideradas pelos EUA.

Trata-se de uma linha fronteiriça que é objeto de disputa por ambas partes, que se acusaram mutuamente de violá-la em numerosas ocasiões.

A Coreia do Norte assinalou em inúmeras vezes que as incursões de seu vizinho do sul são "premeditadas" para intensificar a tensão, enquanto Seul repete acusações similares contra Pyongyang.

O enfrentamento de hoje aconteceu no meio das tentativas internacionais para que a Coreia do Norte retome as negociações dirigidas a sua desnuclearização.

09 Novembro 2009

Jobim duvida que EUA transfiram tecnologia

"O problema com os Estados Unidos é o passado", diz ministro no Rio ao lembrar o histórico de embargos norte-americanos

Durante visita ao Centro Tecnológico do Exército, ministro da Defesa diz que os Estados Unidos têm um histórico de embargos

RAPHAEL GOMIDE
DA SUCURSAL DO RIO - FOLHA DE S.PAULO

O ministro Nelson Jobim (Defesa) disse ontem abertamente que tem dúvidas de que os EUA vão cumprir a promessa de transferir tecnologia caso o Brasil opte pela compra dos caças americanos da Boeing.

"O problema com os Estados Unidos é o passado. O passado é o grande exemplo de embargo em transferência de tecnologia. Agora hoje assistimos a isso aqui: as informações que tivemos no CTEX em relação a alguns produtos" [que os EUA venderam, mas não transferiram a tecnologia], disse Jobim no Centro Tecnológico do Exército, no Rio de Janeiro.

Um caso simbólico foi o veto dos EUA à venda de aviões Super Tucanos, que tinham componentes americanos, à Venezuela. Jobim disse que ainda não recebeu da Aeronáutica os relatórios técnicos com a avaliação dos três caças -o francês Rafale, da Dassault, o Super Hornet, da Boeing, e o sueco Gripen NP, da Saab. De acordo com ele, esse material deve ser entregue a ele no fim do mês.

Segundo Jobim, "se não houver nenhuma objeção técnica, a decisão [da licitação] é política".

Ao conversar com os oficiais do CTEX, Jobim fez questão de perguntar se tinham componentes estrangeiros e como era a transferência de tecnologia.

Em vários casos, disse, "tivemos informações de que uma empresa americana só poderia fornecer daqui a dez anos, pelo preço altíssimo, o que mostra que são mecanismos de embargo. Isso faz parte do jogo. Todos os países do mundo não querem que os outros se desenvolvam, mas o Brasil vai se desenvolver tecnicamente", afirmou.

A Folha ouviu um alto oficial das Forças Armadas que relatou diversos problemas com os EUA neste assunto -e citou o caso da compra de quatro helicópteros Blackhawk adquiridos pelo Exército em um pacote que previa outras seis aeronaves. O contingenciamento de recursos impediu o restante do negócio: segundo esse militar, os norte-americanos se recusaram a trocar o motor e a atualizar os helicópteros. Outros episódios em que fabricantes norte-americanos dificultariam as vendas e o acesso a novas tecnologias são frequentes, disse.

Ontem, o jornal francês "Libération" publicou que a Dassault reduziu em 40% o valor do avião, de 90 milhões para 50 milhões. A Dassault nega.

Militares investigam hipótese de ''fogo amigo'' ter feito vítimas

Diante do caos, muitos soldados tentaram ajudar os colegas usando a própria roupa para fazer bandagens

REUTERS E AP

Vestindo uniforme militar, o major Nidal Malik Hasan entrou no centro de atendimento médico da Base de Fort Hood, no Texas, às 13h30 locais carregando duas pistolas, nenhuma pertencia às Forças Armadas. Segundo os militares, uma das armas era uma semiautomática, o que explicaria a dimensão e a rapidez do massacre. Em apenas 10 minutos, Hasan matou 12 soldados, 1 policial e feriu outras 30 pessoas. Cerca de 400 militares estavam no prédio no momento do ataque, a maioria aguardando atendimento médico.

O que se viu a seguir, segundo testemunhas, foi um verdadeiro caos: tiros para todos os lados e soldados se jogando no chão em busca de proteção. Diante da confusão, os investigadores não descartam a possibilidade de que algumas das vítimas tenham morrido por "fogo amigo" em meio à intensa troca de tiros.

O general Bob Cone, um dos comandantes da Base de Fort Hood, afirmou ontem que testemunhas disseram que Hasan, durante a matança, teria gritado "Deus é grande" ("Allahu akbar", em árabe). De acordo com o general Cone, no entanto, os investigadores ainda não confirmaram oficialmente a informação.

Quem interrompeu o massacre foi a policial civil Kimberly Munley, autora dos quatro disparos que derrubaram Hasan. Na troca de tiros com o major, Kimberly também se feriu - segundo o comando militar, a policial está hospitalizada e seu estado é estável.

O general Cone contou que Kimberly e uma parceira policial responderam ao chamado do tiroteio em menos de três minutos. "Foi realmente uma resposta fantástica e bastante agressiva dessa policial", afirmou o general.

Depois que o atirador foi abatido, os próprios sobreviventes lacraram a entrada do prédio e as sirenes, normalmente usadas para alertar sobre tornados, foram ligadas para manter a população da cidade de Fort Hood dentro de suas casas.

Detalhes sobre o que ocorreu nos dez minutos de massacre ainda são um mistério. Os investigadores militares trabalham em sigilo, com a ajuda do FBI (polícia federal). Eles estão analisando as trajetórias dos disparos , as armas e o tipo de munição usada.

O comando militar revelou também que muitos soldados, diante da quantidade de feridos, tentaram ajudar os colegas rasgando as próprias roupas para fazer bandagens. Dos 30 feridos, 28 foram internados e pelo menos a metade teve de passar por cirurgias na noite de quinta-feira. Ontem, todos apresentavam estado de saúde estável.

Investigadores buscam motivos de major para matança em base

Problemas psiquiátricos, medo de ser enviado ao front e perseguição religiosa são possíveis razões; 13 foram mortos

Gustavo Chacra - O Estado de S.Paulo

Problemas psiquiátricos, insatisfação pela possibilidade de ser enviado ao Afeganistão para lutar ao lado das tropas americanas, perseguição por ser muçulmano e radicalismo islâmico eram algumas das possíveis motivações citadas ontem como responsáveis por levar o major Nidal Malik Hasan, de 39 anos, a matar outras 13 pessoas na base militar de Fort Hood, no Texas, na quinta-feira.

Temendo as consequências do episódio, o presidente dos EUA, Barack Obama, pediu para que as pessoas não tirassem conclusões apressadas. "Não temos as respostas ainda e peço cautela para evitar conclusões antes que tenhamos todos os fatos", afirmou. A Casa Branca não comentou o ataque de um franco-atirador ontem, em Orlando, na Flórida, que deixou um morto e seis feridos.

Hasan escapou dos tiros de outros militares que tentavam conter seu ataque, mas foi atingido pela policial Kimberly Munley. Ele está internado em coma, segundo a rede CNN. De acordo com autoridades americanas, não há condições de interrogá-lo. Por enquanto, as investigações estão focadas no seu histórico pessoal e em suas atividades durante o dia do ataque.

Horas antes de começar a atirar indiscriminadamente contra outros oficiais e civis, o major, vestindo uma roupa típica muçulmana, comprou café e um bolo em uma lanchonete da base, onde vivem 65 mil pessoas, a grande maioria militares que retornam e soldados que embarcam para o Iraque e o Afeganistão. Nas cenas gravadas pelo sistema de segurança, ele sorria e aparentava calma. Outra imagem exibe o major entrando em um carro no estacionamento, com a mesma vestimenta.

O comando militar da base de Fort Hood informou ontem que, em sites voltados para radicais islâmicos, há comentários de uma pessoa com o nome de Nidal Hasan que compara os suicidas islâmicos aos camicases japoneses, defendendo este tipo de ação.

Entidades islâmicas e árabes dos EUA condenaram o ataque de Hasan em comunicados divulgados por internet, em TVs e rádios. Elas disseram que, em vários outros casos de atiradores, não é levada em consideração a origem do responsável. Desta vez, segundo as mesmas entidades, a fé muçulmana e a origem árabe de Hasan estão sendo enfatizadas apenas por preconceito. Nascido nos EUA, o major é filho de um bem-sucedido empresário do ramo de restaurantes que imigrou de uma cidade palestina próxima a Jerusalém há mais de quatro décadas.

INSATISFAÇÃO

Hasan, de acordo com alguns relatos, estaria insatisfeito com sua provável mobilização para o Afeganistão. O major não concordava com as guerras e demonstrava decepção com o presidente Obama. Ele tentou até mesmo pagar de volta ao Exército os gastos com sua educação para poder se livrar do front. Hasan formou-se em bioquímica e, posteriormente, cursou medicina.

Em seu período no Exército, sempre trabalhou como psiquiatra, atendendo veteranos do Iraque e do Afeganistão. As histórias dos pacientes teriam deixado Hasan ainda mais preocupado e contrariado com seu provável deslocamento. Pessoas próximas do major disseram que ele temia sofrer o mesmo estresse dos militares que tratava. Nos últimos anos, depois do 11 de Setembro, segundo sua tia, ele também passou a reclamar do preconceito de colegas pelo fato de ser muçulmano. A família divulgou uma nota lamentando o ataque.

Marinha terá nova base perto da Amazônia

Segunda Esquadra será instalada na Baía de São Marcos, no Maranhão

Tânia Monteiro - O Estado de S.Paulo

A segunda esquadra da Marinha do Brasil vai ter como base às águas da Ponta da Espera, na Baía de São Marcos, em São Luís (MA). É um megaempreendimento que integra o planejamento da Estratégia Nacional de Defesa e que implicará a transferência para a região da capital maranhense de pelo menos 6 mil militares. No total, considerando os familiares, o Estado receberá em torno de 12 mil pessoas diretamente ligadas à base da nova esquadra.

Para a Marinha, a escolha é técnica e levou em conta a estrutura portuária, as condições de navegabilidade na Baía de São Marcos, a grande variação de marés e as características do litoral - reentrâncias e profundidade do canal marítimo. Todas esses parâmetros foram considerados favoráveis para operar embarcações 24 horas por dia, como exige o projeto da Força Naval.

A localização da nova esquadra também deixa a estrutura da Marinha mais próxima do apoio às demandas de outro projeto da Estratégia Nacional de Defesa, batizado de Amazônia Segura - prevê instalação de 26 postos navais na região para aumentar a presença do Estado e a segurança territorial.

A primeira esquadra está fundeada no Rio de Janeiro. O planejamento da Marinha prevê que nada seja retirado de lá ou de outros pontos do País para reforçar a Amazônia, mas que sejam criados e adquiridos novos meios navais para reaparelhar a Força. No projeto de reequipamento para criação da segunda esquadra está prevista a aquisição, no prazo de 30 anos, de um porta-aviões, um navio de múltiplas tarefas - que recebe helicópteros - e outros tipos de embarcações.

Está prevista também a compra de dois navios de apoio logístico, que transportarão água, combustível e peças de reposição, além de um barco para socorro de submarino, um rebocador de alto mar e um navio de transporte de apoio.

Trina e seis novos helicópteros, 24 aviões de interceptação e ataque, quatro aviões de alarme aéreo antecipado, quatro aviões de transporte e reabastecimento em voo, e quatro aviões de vigilância marítima com radar equiparão o sistema que vai servir no Norte do País.

A Marinha quer ainda criar uma espécie de Sivam do Mar, um sistema que funcionaria como um grande centro de operações navais. Alguns dos braços do sistema já existem, mas terão de ser integrados e ampliados.

Para isso, será preciso comprar pelo menos radares de longo alcance, que serão instalados no litoral - terão como missão cobrir a Amazônia Azul e ajudar na proteção do pré-sal. Hoje, a Marinha não possui nenhum radar de longo alcance.

Pelo planejamento estratégico, esses radares de longo alcance serão instalados na Bacia de Campos, na Bacia de Santos, em um ponto extremo do Nordeste, chamado área do Cabo Calcanhar, próximo a Natal (RN), em Fernando de Noronha, na fronteira marítima norte e na fronteira marítima sul.

Está prevista ainda a compra de 10 veículos aéreos não tripulados, os chamados VANTs.

Ministro critica EUA no caso da compra dos caças

LUCIANA NUNES LEAL - O Estado de S.Paulo

Em visita ao Centro Tecnológico do Exército (CTEx), o ministro da Defesa, Nelson Jobim, criticou ontem a resistência dos países, em especial os Estados Unidos, em transferir tecnologia. Jobim ouviu vários relatos sobre a resistência de empresas norte-americanas em repassar tecnologia ao Exército brasileiro, travando o avanço de projetos como a fabricação de componentes para mísseis.
 
"Faz parte do jogo. Todos os países do mundo não querem que os outros se desenvolvam tecnologicamente, mas o Brasil vai se desenvolver", disse.
 
A transferência de tecnologia é um dos pontos mais importantes que serão levados em conta pelo governo brasileiro na compra de 36 caças para a FAB.

"O problema com os Estados Unidos são as questões do passado. O passado é um grande exemplo de embargo da transferência de tecnologia. Hoje assistimos isso aqui, com informações que tivemos no CTEx em relação a alguns setores", disse o ministro.

Irã teria testado ogiva nuclear avançada

Jornal do Brasil
 
A agência nuclear da ONU pediu que o Irã explicasse evidências que sugerem que os cientistas iranianos fizeram experimentos com um projeto de ogiva nuclear avançado, relatou o jornal The Guardian na edição ontem.

O jornal, citando o que descreve como "documentação previamente inédita" de um dossiê da Agência Internacional de Energia Atômica (AIEA), disse que os cientistas iranianos podem ter testado componentes altamente explosivos de um dispositivo de "implosão de dois pontos".

A AIEA disse em setembro que não tem provas de que o Irã mantenha ou de que já manteve um programa de bomba atômica.

O Ministério das Relações Exteriores do Irã e a Organização de Energia Atômica do Irã (AEOI) não quiseram comentar a notícia.

O comunicado da AIEA em setembro foi uma resposta a relatos anteriores citando o que chamou de um documento secreto da AIEA, dizendo que especialistas da agência concordaram que o Irã agora tinha os meios de construir bombas atômicas e estava desenvolvendo um sistema de mísseis capaz de levar uma ogiva nuclear.

O Guardian disse que mesmo a existência de uma tecnologia de ogiva nuclear de implosão de dois pontos é oficialmente secreta tanto nos EUA quanto na Grã-Bretanha.

Essa tecnologia permite a produção de ogivas menores e mais simples, tornando mais fácil colocar uma ogiva em um míssil, explicou o jornal.

Dassault nega que tenha reduzido preço de caça

Jornal do Brasil
 
A francesa Dassault negou ontem ter reduzido, a pedido do governo da França, o preço de seus caças Rafale em 40% nas negociações para vender a aeronave à Força Aérea Brasileira, como foi publicado no jornal francês Libération. O Rafale disputa a preferência brasileira com o sueco Gripen e o americano F-18.

Por meio de um porta-voz, a Dassault afirmou que as informações "são falsas" e que a empresa "não costuma negociar em público".

A redução de preços teria sido resultado de pressões do presidente francês, Nicolas Sarkozy, que durante sua visita ao Brasil em setembro se comprometeu diante das autoridades brasileiras a oferecer um preço equivalente ao que as Forças Armadas francesas pagam pelos Rafale – quase 50 milhões de euros cada um. O valor inicial seria de 98 milhões de euros por aeronave.
 
Segundo o Libération, o corte nos preços pode ser insuficiente para que a França ganhe a disputa. Uma fonte não identificada citada pelo jornal diz que a Dassault "aposta em uma escolha política do Brasil a favor dos Rafale para não diminuir tanto o preço, como Paris gostaria".

As autoridades governamentais francesas defendem um preço muito baixo que permita fechar a operação e lançar assim outras possíveis vendas deste avião, cuja trajetória comercial até agora tem sido decepcionante – apenas a França o usa.

No início de outubro, as três empresas que disputam a preferência brasileira apresentaram suas propostas ao governo brasileiro para a venda de 36 caças, o que incluía a transferência de tecnologia e, em alguns casos, o compromisso de compra de aviões brasileiros.

O ministro da Defesa, Nelson Jobim, garantiu ontem que a disputa entre os fabricantes para fornecer os aviões ao Brasil está "fortíssima", mas evitou polemizar.

– Não entro em briga de empresa.

O problema com os Estados Unidos são as questões do passado.

O passado é um grande exemplo de embargo da transferência de tecnologia – alertou.

Jobim explicou que ouviu relatos dos militares denunciando que as empresas norte-americanas só iriam fornecer tecnologia para a conclusão de equipamentos militares, como baterias, pilhas térmicas e propelentes, daqui a 10 anos. Mas a dificuldade de concretizar acordos de troca de tecnologia, na avaliação do ministro, é um problema para vários países.

– Isso faz parte do jogo – afirmou.

– Todos os países do mundo não querem que os outros se desenvolvam tecnologicamente. Mas o Brasil vai se desenvolver.

O Ministério da Defesa pretende anunciar o vencedor da licitação para a compra de 36 aviões caça até o fim do ano. A Aeronáutica ainda avalia as propostas recebidas.

(Com agências)

Lugo troca cúpula militar de novo

Substituição é a quarta no governo; para oposição, presidente acusou oficiais destituídos de golpe
 
O Globo

ASSUNÇÃO. Pela quarta vez em sua gestão, o presidente do Paraguai, Fernando Lugo, substituiu todo o alto comando de Marinha, Exército e Força Aérea do país. A medida causou protestos entre a oposição e os militares.

Ontem, o general Juan Oscar Velázquez foi promovido a comandante das Forças Armadas, 48 horas após ser destituído do posto de chefe do Exército. Segundo o governo, as substituições foram "procedimentos administrativos normais e legais".

Na quarta-feira, Lugo desmentira a suspeita de que um golpe militar estaria sendo tramado. A atual controvérsia agrava a crise política vivida pelo líder, que assumiu em agosto de 2008.

Segundo comunicado oficial, as mudanças "são uma atribuição única e exclusiva do presidente".

Na terça-feira, Lugo dissera que havia "bolsões" golpistas entre militares, mas depois desmentiu as especulações.

Para a oposição, porém, as mudanças são uma forma de Lugo assegurar a lealdade da cúpula militar. Juan Oscar Velázquez — considerado um homem de confiança do presidente — foi nomeado para o cargo máximo das Forças Armadas no lugar de Cíbar Benítez. Após reunir-se com Lugo para acertar sua saída, Benítez teria dito, segundo a Rádio Nacional, que Velázquez "é oriundo de San Pedro, onde anos atrás conheceu o presidente Lugo quando (este) ainda era bispo daquela diocese".

Ex-chefe das Forças Armadas, o general Bernardino Soto Estigarribia, hoje reservista e opositor, disse que as destituições foram "humilhantes" e lançaram sobre os oficiais substituídos o "estigma de golpistas". O chefe destituído da Força Aérea, general Darío Dávalos, se disse "irritado", já que ficou sabendo de sua saída "por meio da imprensa", sem explicação oficial.

Jobim quer papel de polícia para as Forças Armadas

Projeto ainda será enviado ao Congresso; diretor da PF critica, Tarso e Gilmar apoiam

Flávio Tabak e Tatiana Farah - O Globo

RIO E SÃO PAULO. O ministro da Defesa, Nelson Jobim, disse ontem que Marinha e Aeronáutica estão preparadas para atuar como polícia nas regiões de fronteira, como pretende o governo, e que isso aconteceria na ausência de policiais. A proposta de mudança na Lei Complementar 97, que regulamenta parte das atribuições das Forças Armadas, está na Casa Civil e, segundo o ministro, "já está tudo definido e revisado pelo presidente da República, só falta enviar ao Congresso".

Jobim, porém, não deu prazo para esse envio: — Se por acaso não tiver nenhum policial civil ou federal, Aeronáutica e Marinha poderão fazer o flagrante.

O ministro lembrou que, em 2004, uma outra lei já deu força de polícia para o Exército atuar nas divisas do país.

— O Exército já pode fazer patrulhamento, revistas e prisões em flagrante suplementando o trabalho da Polícia Civil nessas regiões — disse o ministro, destacando que, fora de áreas de fronteira, as Forças Armadas podem apenas atuar na garantia da lei e da ordem.

Segundo Jobim, o narcotráfico utiliza canais marítimos e aéreos e é preciso dar agilidade às Forças Armadas neste combate. Pela legislação atual, uma aeronave da FAB pode interceptar um avião a serviço do narcotráfico, mas, na ausência de policiais federais no momento do pouso, os militares não têm competência legal para efetuar revistas e a prisão em flagrante. O mesmo ocorre com embarcações da Marinha.

Se aprovada a proposta da Defesa, Marinha e Aeronáutica também poderão fazer revistas e efetuar prisões em flagrante.

O presidente do Supremo Tribunal Federal, ministro Gilmar Mendes, disse considerar que a proposta é uma "boa iniciativa".

Segundo o ministro, Exército, Marinha e Aeronáutica precisam trabalhar de forma integrada com outros órgãos de segurança pública: — No Rio, há uma crise que acaba sempre respingando nas autoridades locais. A droga vem de fora e há um grande problema no policiamento. As Forças Armadas têm condições de monitorar as fronteiras.

O ministro da Justiça, Tarso Genro, também disse ser favorável às mudanças. Segundo ele, a atuação de Forças Armadas na segurança pública não afetará as funções das polícias, "apenas será preenchido o vácuo, na ausência dos policiais, principalmente em áreas de fronteira na Amazônia".

O diretor-geral da Polícia Federal, Luiz Fernando Corrêa, discorda. Ele disse ser temerário dar poder de polícia às Forças Armadas. Segundo ele, não se trata de "uma visão corporativa", mas os papéis de cada poder devem estar bem definidos na Constituição.

Centro de desenvolvimento esportivo apoiado pelo CISM começa a funcionar com curso de voleibol

Ministério da Defesa
 
Brasília, 5/11/2009 - Um curso destinado a preparar militares treinadores de voleibol para os 5º Jogos Mundiais Militares, que acontecerão em julho de 2011 no Rio de Janeiro, foi o primeiro evento organizado pelo Centro Regional de Desenvolvimento do Conselho Internacional do Esporte Militar (CISM).

O Curso de Treinador de Voleibol aconteceu entre 18 e 25 de outubro no Centro Brasileiro de Treinamento de Voleibol, em Saquarema, Rio de Janeiro, local onde a seleção brasileira de voleibol costuma se preparar antes de competições de alto nível, como a Liga Mundial e os Jogos Olímpicos. Foi organizado pela Comissão Desportiva Militar do Brasil, em cooperação com a Comissão de Desportos do Exército e a Confederação Brasileira de Voleibol.

A criação de um centro de desenvolvimento esportivo regional no Brasil tem o apoio do CISM e objetiva formar técnicos e atletas em modalidades olímpicas. Durante sete dias, 12 participantes provenientes de cinco países membros do CISM -- Brasil, Chile, Irã , Paraguai e Venezuela -- tiveram aulas teóricas e práticas. A carga horária foi de 54 horas. O principal instrutor do curso foi Percy Oncken, seis vezes campeão do mundo como treinador da equipe brasileira de voleibol juvenil e júnior.

O programa abrangeu todos os aspectos relacionados com a condução de equipes de voleibol nas áreas: física, psicológica, técnica, tática, processo decisório, estatística e fisiológicas. No final do curso, os participantes foram testados em três domínios distintos: apresentação teórica, prática e oral.

Colômbia diz que levará ameaças de guerra da Venezuela à ONU e à OEA

Ameaça foi feitas por Chávez, no programa "Alô Presidente".
Colômbia diz que não fará um só gesto de guerra.
 
Da Efe
 
O Governo da Colômbia anunciou neste domingo (8) que levará as ameaças de guerra lançadas pelo presidente venezuelano, Hugo Chávez, ao Conselho de Segurança da Organização das Nações Unidas (ONU) e à Organização dos Estados Americanos (OEA).

"A Colômbia não fez nem fará um só gesto de guerra à comunidade internacional, muito menos a países irmãos", diz um comunicado divulgado pela presidência da Colômbia. O texto diz que o governo "mantém sua disposição ao diálogo franco" para sair da crise com a Venezuela.

Em discurso feito em seu programa dominical "Alô Presidente", Chávez pediu neste domingo (8) a militares e civis venezuelanos que se preparem para a guerra em uma advertência aos governos da Colômbia e dos Estados Unidos.

"Não se engane e ordene um ataque contra a Venezuela utilizando à Colômbia, nós estamos dispostos a tudo", disse referindo-se ao presidente americano Barack Obama.

Chavez, que em repetidas ocasiões acusou Washington de ter um plano para desestabilizar seu governo, ordenou na rádio aos membros da Força Armada Bolivariana a "preparar-se para a guerra como a melhor forma para evitá-la".

"Nós sempre fomos cautelosos com o triunfo do presidente Obama, mas bem cedo começamos a entender toda a verdade. O império está aí, vivo e mais ameaçador do que nunca", disse Chávez. Ele também advertiu que o conflito se estenderia a todo o continente e duraria "cem anos". 

Afirmação de Fidel

Chávez lembrou uma afirmação do ex-presidente cubano Fidel Castro de que os Estados Unidos se juntaram à Colômbia e agora tem livre acesso ao continente através da permissão para que os soldados americanos utilizem as bases militares do país sul-americano.

O governante venezuelano ressaltou que Castro, com todo o peso de sua autoridade histórica, denunciou a entrega de um país do qual não há precedente.

"O Governo da Colômbia transformou um país irmão em uma colônia ianque", disse Chávez, antes de afirmar que não hesita em que "algum dia a Colômbia será novamente um país livre, como hoje é a Venezuela".

05 Novembro 2009

Tiroteio em base militar nos EUA deixa ao menos 7 mortos e 20 feridos


 
 
 
Em São Paulo
 
Sete pessoas morreram e outras 20 ficaram feridas nesta quinta-feira (5) em um tiroteio na base militar de Fort Hood, em Kileen, no Estado norte-americano do Texas, informou o Pentágono.
 
O general Rusell Honoré, antigo subcomandante da base, disse ao canal "CNN" que o incidente foi protagonizado por dois soldados armados com rifles M16.

Um dos autores dos disparos foi preso, mas o outro conseguiu fugir, disse o Exército.

O Pentágono não deu mais detalhes do incidente e ainda não se sabe se as vítimas são civis ou militares.

O presidente Barack Obama já teria sido informado dos fatos ocorridos na base, que está temporariamente fechada.

As autoridades destacaram equipes de emergência da base militar para fazer o atendimento às vítimas.

*Com informações das agências internacionais

EUA usarão aeroportos comerciais

Polêmico acordo entre os dois países prevê utilização dos sete terminais internacionais por jatos militares americanos, segundo publicou a imprensa colombiana
 
Jornal do Commércio

BOGOTÁ – Aviões militares dos Estados Unidos poderão usar aeroportos comerciais de operação internacional da Colômbia no âmbito do acordo militar assinado na última sexta-feira entre os dois países. "Irá se estabelecer um mecanismo para determinar a estimativa do número de voos que farão uso de aeroportos internacionais, em conformidade com as leis e regulamentos colombianos", diz o texto do tratado, de acordo com informação divulgada anteontem no site do Ministério das Relações Exteriores da Colômbia.

O país sul-americano tem atualmente sete pistas aéreas internacionais – Barranquilla, Cartagena e San Andrés (Caribe, ao norte), Bogotá (centro), Cali (Sul), Medellín (noroeste) e Bucaramanga (leste).

"O uso de aeronaves exigem aparelhamento em terra para o fornecimento de combustível e em alguns casos para análise técnica, o que exigirá funcionários estrangeiros nesses aeroportos", afirmou o jornal colombiano El Tiempo em sua edição de ontem.

Antes de entrar em vigor esse acordo de dez anos entre Colômbia e EUA, aviões militares americanos eram obrigados a desembarcar no aeroporto Eldorado de Bogotá e de lá viajar para outros destinos.

DESPREZO

O líder cubano Fidel Castro acusou ontem o presidente dos Estados Unidos, Barack Obama, de tratar com "desprezo" a América Latina ao assinar o acordo o uso de sete bases militares colombianas pelo Exército americano.

Em um artigo publicado no jornal oficial Granma, Fidel ressalta que, com o uso dessas bases, os EUA "ameaçam não só a Venezuela, como todos os povos do centro e do sul de nosso Hemisfério". "Não se trata de um ato do governo (George W.) Bush. É Barack Obama que assina esse acordo, violando normas legais, constitucionais e éticas, enquanto os frutos da funesta base militar ianque de Palmerola, em Honduras, ainda são exibidos ao mundo", ressaltou.

O ex-presidente cubano, de 83 anos, que se afastou do governo há três anos e meio por motivos de saúde, lembrou que o golpe de Estado em Honduras "foi efetuado durante a atual administração" de Obama. "Nunca se tratou com tanto desprezo os povos latino-americanos deste Hemisfério. Se equivoca o presidente dos Estados Unidos e se equivocam seus assessores, se seguirem por esse caminho sórdido e depreciativo em relação aos povos da América Latina", acrescentou Fidel.

O texto do acordo foi considerado desequilibrado a favor dos EUA e potencialmente violador da soberania colombiana pelo Conselho de Estado da Colômbia, órgão jurídico consultivo máximo do país.

Morte de civil em abate de aeronave vai à Justiça Militar

Jornal do Senado
 
Projeto do senador Magno Malta (PL-ES) que atribui à Justiça Militar a competência para julgar integrante da corporação que cometer crime doloso contra a vida de civil no caso de ação de abate de aeronave, conhecida como "tiro de destruição", foi aprovado ontem pela Comissão de Constituição, Justiça e Cidadania (CCJ). A decisão terminativa caberá à Comissão de Relações Exteriores e Defesa Nacional (CRE).

Relatado pelo senador Alvaro Dias (PSDB-PR), que recomendou a aprovação, o projeto (PLS 218/09) altera o artigo 9º do Código Penal Militar, que atribui à Justiça comum a competência para julgar crimes militares em tempo de paz, com intenção de matar e cometidos contra civil. O projeto abre exceção para abate de aeronave.

A aeronave poderá ser detida por autoridades aeronáuticas, fazendárias ou da Polícia Federal em várias situações, segundo o Código Brasileiro de Aeronáutica (artigo 303): no caso de voo no espaço aéreo brasileiro com infração das convenções ou atos internacionais, ou das autorizações para tal fim; se, entrando no espaço aéreo, desrespeitar a obrigatoriedade de pouso em aeroporto internacional; para exame dos certificados e outros documentos indispensáveis; para verificação da carga no caso de restrição legal ou de porte proibido de equipamento; e para averiguação de ilícito. Poderão ser empregados os meios que a autoridade julgar necessários para forçar a aeronave a pousar.

Modificado pela "Lei do Abate" (Lei 9.614/98), o código estabelece ainda que, esgotados os meios coercitivos previstos em lei, a aeronave fica sujeita à medida de destruição após autorização do presidente da República ou da autoridade por ele delegada.

Segundo Magno Malta, com o Decreto 5.144/04, a Força Aérea Brasileira pode tomar medidas que conduzam ao abate da aeronave e, "muito provavelmente", à morte de seus ocupantes. "O piloto estaria assim cometendo crime doloso contra a vida, devendo ser levado ao tribunal do júri", explicou.

Para o senador, parece evidente que a conduta do militar que cumpre ordens e derruba aeronave civil considerada hostil não pode ser equiparada ao comportamento de alguém que cometa um homicídio comum, sujeitando-se ao tribunal do júri.

Transferência de tecnologia é essencial

Virgínia Silveira, para o Valor, de São José dos Campos

O presidente da Associação das Indústrias Aeroespaciais do Brasil (AIAB), Walter Bartels, disse que o processo efetivo de absorção de tecnologia ocorre através da realização da inovação ou do desenvolvimento tecnológico dentro da indústria. "É difícil transferir tecnologia de quem criou para quem vai produzir. Como regra geral, a tecnologia sensível ou para elevação do nível militar, não se transfere, não se adquire, incorpora-se."

Para o executivo, a compra de caças supersônicos de empresas estrangeiras é necessária neste momento, pelas necessidades de curto prazo da FAB, mas o país necessita possuir, obrigatoriamente, uma capacidade real de dissuasão e isso só será possível se os respectivos meios forem de domínio tecnológico brasileiro, desenvolvidos e produzidos no país. "A indústria aeroespacial brasileira espera que, futuramente, não sejam mais necessárias aquisições no exterior mas, em casos excepcionais, sejam feitas através de um contratante principal brasileiro como ocorre em países desenvolvidos", afirmou.

Bartels cita o caso do programa AMX, em que o Brasil levou vantagem porque pagou 30% do seu desenvolvimento e dominou 100% do avião. Entre as tecnologias resultantes desse projeto de cooperação, que o presidente da AIAB participou ativamente pela Embraer, Bartels destaca a aerodinâmica transônica, sistema de aviônica de navegação e ataque integrado, usinagem mecânica de peças complexas e comandos de voo "fly by wire", que depois foram aplicados no desenvolvimento dos jatos comerciais da Embraer.

Para o presidente da Associação Brasileira das Indústrias de Materiais de Defesa e Segurança (ABIMDE), Carlos Frederico Queiroz de Aguiar, o processo de aquisição dos caças do programa F-X2 é um dos melhores dos últimos 30 anos. "O processo de hoje se baseia na experiência dos erros e dos acertos do passado e tem sido um processo de aquisição mais realista e mais adequado ao tipo de aquisição, ou seja, a de um equipamento que tem de gerar no país um efeito multiplicador de absorção de tecnologia pela base industrial de defesa do país."

Segundo Aguiar, qualquer que venha a ser a decisão, haverá grandes benefícios para a indústria nacional, graças à política de "offset" (contrapartida) que a FAB e o Ministério da Defesa vêm reafirmando desde o início do processo do F-X2. O executivo lembra que a FAB estabeleceu que 80% do offset deverá se constituir em transferência de tecnologia direta no programa. Além disso, segundo ele, os três concorrentes têm se aplicado em oferecer também trocas comerciais significativas, ou seja, compras de equipamentos no Brasil, principalmente aeronaves da Embraer.

O fato de a decisão ser política, na opinião do presidente da ABIMDE, não exclui as demais considerações inerentes ao processo. O executivo disse que os empresários envolvidos no processo estão satisfeitos com os acordos até agora firmados e que muitos já se preparam para a fase de contratação e operacional que virá logo após a decisão final. "De um modo geral percebo um clima de satisfação e de expectativa nas empresas de grande porte como também nas de médio porte".

Fornecedores dizem que Gripen vai gerar mais negócios no país

FAB enviou pedido de informações para várias empresas que atuam no setor aeroespacial

Virgínia Silveira, para o Valor, de São José dos Campos

A gerência do programa F-X2, de renovação dos caças da Força Aérea Brasileira (FAB), solicitou às empresas do setor aeroespacial uma nova avaliação das últimas propostas, que foram encaminhadas pelas três fabricantes que disputam o contrato estimado entre US$ 4 e 7 US$ bilhões - Boeing, Dassault e Gripen. Segundo informações de duas empresas consultadas pela FAB, foi feito um pedido adicional de esclarecimento sobre a expectativa de geração de emprego nas empresas do setor com os possíveis programas de transferência de tecnologia do F-X2.

O pedido, de acordo com especialistas que acompanham o processo de compra dos caças, foi enviado para a Embraer, Aeroeletrônica, Mectron, Atech, Friuli, Winnstal, Akaer, Imbra Aerospace, Focal , Graúna, entre outras. As últimas respostas foram encaminhadas à FAB na quarta-feira da semana passada. A Aeronáutica está finalizando o relatório técnico de avaliação das três concorrentes e a previsão é que ainda este mês o documento seja encaminhado ao ministro da Defesa, Nelson Jobim.

A reportagem solicitou ao Centro de Comunicação Social da Aeronáutica (Cecomsaer) informações sobre o novo pedido de esclarecimento encaminhado pela FAB às empresas, mas não obteve retorno até o fechamento desta edição.

Ao contrário do programa de aquisição dos helicópteros franceses, em que a FAB optou por reforçar as contrapartidas industriais, com maior envolvimento das empresas brasileiras na produção de peças e na prestação de serviços, o programa dos caças tem como foco estratégico a capacitação tecnológica da indústria nacional para a construção futura de um caça supersônico. Entre as empresas que atuam mais na área de desenvolvimento de engenharia a preferência se dá pelo sueco Gripen, pela proposta de desenvolvimento conjunto da aeronave.

"A proposta da Saab é a que melhor atende aos interesses da indústria do setor, porque prevê um trabalho conjunto de desenvolvimento do avião. Num prazo de 10 a 15 anos teremos competência de fazer um caça supersônico com engenharia brasileira", comenta o diretor presidente da Imbra Aerospace, Jairo Cândido. O executivo, que também é diretor do Departamento de Defesa da Fiesp, coordenou as rodadas de negociação das três concorrentes do F-X2. Segundo ele, a maior parte das 150 empresas que participaram desses encontros também revelaram uma preferência pela oferta sueca, no que diz respeito a transferência de tecnologia.

"Este é o sentimento da indústria e o governo brasileiro também tem dito que não compra mais produtos de prateleira na área de defesa". A opinião do empresário também é compartilhada pelo diretor do Ciesp de São José dos Campos, Almir Fernandes. Segundo ele, pelo menos 30 das cerca de 50 empresas da cadeia Aeronáutica brasileira acreditam que a Saab oferece melhores oportunidades de participação dessas empresas no desenvolvimento de tecnologias estratégicas, desde a fase de projeto até o nível de produção.

Lideradas pela Akaer, as empresas Friuli, Winnstal, Minoica e Friuli já estão trabalhando no desenvolvimento do novo caça sueco Gripen NG, projeto que foi ofertado pela fabricante Saab ao programa F-X2. A T1, holding que reúne as cinco empresas brasileiras, será a responsável pelo projeto e produção da fuselagem central, fuselagem traseira e asas do Gripen NG.
 
"Fabricar peças não agrega nenhum valor. O que nós queremos é dominar a tecnologia de desenvolvimento dos caças para, em poucos anos, sermos exportadores desse tipo de aeronave e de tecnologias que consolidarão a expansão da nossa indústria Aeronáutica, hoje bastante dependente de apenas um fornecedor, que é a Embraer", ressalta o diretor executivo da Akaer, César Augusto da Silva.
 
No fim de outubro, o vice-presidente da Embraer para o Mercado de Defesa, Orlando José Ferreira Neto, declarou ao Valor que, do ponto de vista de transferência de tecnologia, a "oferta da empresa sueca Saab é a que vai assegurar ao Brasil o conhecimento e a agregação de tecnologia dentro da premissa ´on the job doing´, ou seja, aprender fazendo".
 
Segundo o executivo, o Gripen é o único que oferece oportunidade para o Brasil começar o desenvolvimento de um caça do zero. "Não estamos interessados em fabricar peças. Buscamos o domínio de conhecimento que ainda não temos e que nos será útil no desenvolvimento de futuras aeronaves." A capacitação da indústria nacional, segundo Ferreira Neto, é primordial para garantir a autonomia do país no futuro para fazer modificações nos aviões que a FAB vai adquirir e para construir um novo caça.

O presidente da Atech, uma das empresas do setor de defesa, consideradas estratégicas pelo governo brasileiro, Tarcísio Takashi Muta, disse que, a exemplo do que aconteceu com o sistema de tráfego aéreo no país, a escolha dos novos caças deve priorizar o aspecto de domínio dos sistemas da aeronave para sermos capazes de fazer as modificações que a FAB julgar necessárias. A Atech participou do processo de absorção de tecnologia de controle de tráfego aéreo, o que permitiu que o Brasil atingisse autonomia no gerenciamento do seu espaço aéreo.

"Ajudaremos a Colômbia e a Venezuela a vigiar a fronteira"

El País
Em Madri

Ele é o homem mais influente do entorno do presidente brasileiro, Luiz Inácio Lula da Silva, e um dos artífices da decolagem definitiva do Brasil em política externa. De passagem por Madri, convidado pela Fundação Marcelino Botín, Marco Aurélio Garcia insiste que a liderança do Brasil pretender ser integradora e aponta soluções para a explosiva situação na fronteira entre Venezuela e Colômbia.

El País: O Brasil está preparado para assumir o lado escuro - crítica, imagem negativa - de ser um líder mundial?

Marco Aurélio Garcia: Tentamos não assumir essa idéia do Brasil como potência por uma questão do que devem ser as relações em nossa região. Fizemos todos os esforços necessários para que se diminua essa imagem de potência, apesar de isso ter nos criado problemas internos como quando não reagimos a certas atitudes belicosas da Bolívia em relação ao gás ou quando assinamos recentemente um acordo com o Paraguai pela eletricidade.

El País: A liderança não é só como um a vê, mas como os demais a veem. E a percepção é de que o Brasil é uma potência que começa a agir como tal.

Garcia: O Brasil ganhou muita visibilidade, sem dúvida, devido à personalidade de Lula e por sua diplomacia, mas essencialmente porque deixamos de ser o país do futuro e enfrentamos os desafios que temos pela frente, especialmente o da desigualdade. É muito importante que no Brasil os governantes não se embriaguem com os sucessos, porque o país sempre teve altos e baixos, o que sempre foi um desastre total. Finalmente as coisas começaram a mudar, e isso se nota.

El País: E, como se não tivesse suficiente destaque internacional, o Brasil vai ocupar um lugar no Conselho de Segurança da ONU em um momento crucial deste, sobretudo com o assunto do Irã e a energia atômica.

Garcia: Nossa posição nesse assunto é insistir em que a energia nuclear iraniana deve servir para fins pacíficos e deve existir um controle da Agência Internacional de Energia Atômica. Mas, sobretudo, é preciso reduzir a tensão. Obama nos disse que acha importante conversarmos com o Irã. Talvez os iranianos escutem de nós coisas que não escutam de outros.

El País: Obama dá mais atenção a América Latina que Bush?

Garcia: Os movimentos da diplomacia de Obama ainda são contraditórios. Por exemplo, em relação a Cuba e a Honduras. Quanto ao que aconteceu com a Colômbia e as bases [cedidas aos EUA], não nos parece correto. Não podemos impedir que a Colômbia tome suas decisões, mas há necessidade de garantias de que não ocorrerá um desequilíbrio na região.

El País: Mas até agora se considerava que esse desequilíbrio vinha mais de Chávez.

Garcia: Sempre apostamos nas soluções dialogadas: por exemplo, seria muito interessante que a Venezuela e a Colômbia acordassem um sistema de vigilância conjunta de sua fronteira comum. E eu não excluiria um pacto de não-agressão.

El País: E que papel tem o Brasil?

Garcia: Para a monitoração conjunta, ajudaríamos com meios técnicos, como aviões de vigilância.

Tradução: Luiz Roberto Mendes Gonçalves

Lula proclamou a aliança com a França antes de haver tempo para consideração de questões

O silêncio dos negócios
 
Jânio de Freitas - Folha de S.Paulo

A propaganda de vendedor feita pelo ministro da Defesa francês, Hervé Morin, respondeu apenas com um fugidio "sans problème" à questão essencial para que o Brasil não compre ilusão supondo pagar bilhões de dólares pela tecnologia, com o direito de utilizá-la para vendas internacionais, de aviões de caça. Sejam os franceses Rafale da Dassault, os suecos Gripen da Saab ou os norteamericanos F-18 da Boeing.

Hervé Morin veio receber com Nelson Jobim o prêmio Personalidade França-Brasil-2009, mais do que justificado pela venda de submarinos e de uma obra gigante suspeitamente presenteada à Odebrecht. Mas usou a oportunidade para antecipar-se, na promoção do negócio com os Rafale, à chegada dos dirigentes da Boeing para promover o seu F-18.

"Estamos oferecendo ao Brasil um índice de transferência de tecnologia como a França jamais propôs a outro país", apregoou Morin e nada há, em princípio, a opor a tal afirmação. Apesar disso, é aí que estão a obscuridade e o risco em que Lula embarcou às cegas.

Se parte dos preços siderais dos aviões incluem a transferência de sua tecnologia, para que o Brasil possa vir a construí-los e vendê-los, são indispensáveis garantias de que a transferência não está sujeita a restrições de terceiros e, além disso, de que não haverá divisão de áreas internacionais para vendas, como já se deu com a indústria automobilística. Tais garantias não estão nem sequer mencionadas nem mesmo pela parte brasileira.

Os Rafale têm componentes de fabricação ou de patente norte-americanas, os Gripen as têm de origem inglesa. Um e outro estão autorizados pelas indústrias e pelo governo dos Estados Unidos e da Inglaterra a transferir o domínio de seus produtos e até autorizar a serem vendidos, no futuro, pelo Brasil? Nada é dito a respeito, quer pelo Ministério da Defesa brasileiro, quer pelos três ofertantes dos aviões.

Sabe-se, porém, que as restrições a componentes são frequentes, e comuns por parte dos Estados Unidos quando se trata de equipamento militar. A Embraer foi impedida de fechar valiosa venda de aviões Tucano à Venezuela pelos Estados Unidos, por haver componentes norte-americanos em seu avião. Os russos ganharam o negócio com seu admirado Sukhoi, já excluído da "concorrência" brasileira sob outro silêncio do Ministério da Defesa brasileiro.

Sem a explicitada concordância dos fabricantes e detentores de patentes de todos os equipamentos dos aviões, o Brasil por certo terá problemas idênticos ao da Embraer. E talvez até de produção para uso próprio, a depender de circunstâncias políticas internacionais.

Lula proclamou a aliança estratégica com a França (e

Nelson Jobim
toca os negócios com o estaleiro DCNS, a Odebrecht e a Dassault), com base só na sua "preferência" napoleônica, muito antes de haver tempo para a consideração das questões essenciais pela parte brasileira. O montante multibilionário da transação e seu projetado desdobramento, previsto para quatro vezes o gasto atual, dão ao país ao menos o direito de ser informado sobre as garantias dos negócios que se fazem à sua revelia.

Pacto de EUA e Colômbia é detalhista

RICARDO BONALUME NETO
DA REPORTAGEM LOCAL - FOLHA DE S.PAULO

Esta lá, com todas as letras: EUA e Colômbia se comprometem neste novo acordo suplementar de defesa a respeitar a soberania e a não intervir em terceiros países. Mas não há dúvida de que o venezuelano Hugo Chávez, ou um de seus aliados na esquerda latino-americana, buscará pelo em ovo no minucioso texto.

Muito mais que descrever operações militares potenciais, o acordo dá detalhes que regulam o cotidiano dos militares americanos e seus dependentes em sete bases colombianas, desde o pagamento ou não de impostos e taxas ao uso de uniformes, até questões de correio e telecomunicações.

O texto do acordo, de 25 artigos com quase 6.000 palavras, não usa nenhuma vez o termo "combate". O Congresso dos EUA proíbe seus militares de entrarem em combate na Colômbia. Seu papel é de meros assessores, além de apoiarem o uso das bases por aviões e navios de guerra americanos.

O texto deixa claro que o objetivo é cooperar em ações contra drogas e terrorismo, que é como os EUA e a Colômbia definem as atividades de grupos irregulares como as Farc (Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia), que combatem o Estado colombiano.

Em termos militares, o acordo revela as áreas de cooperação: "interoperabilidade, procedimentos conjuntos, logística e equipamento, treinamento e instrução, trocas de inteligência, capacidades de vigilância e reconhecimento, exercícios combinados e outras atividades mutuamente definidas, a fim de lidar com ameaças comuns à paz, estabilidade, liberdade e democracia".

Não há nada de muito espetacular nessas definições. Há anos existe uma tendência mundial de operações e exercícios militares entre forças de vários países; o caso mais óbvio é o das missões de paz. Parte fundamental no processo é ter procedimentos operacionais padronizados, por exemplo na área de comunicações.

O uso das bases dentro da rede mundial americana de transporte aéreo também deverá ser detalhado em arranjos posteriores. Os países deverão estabelecer conjuntamente os procedimentos para entrada, sobrevoo e pouso de aeronaves do governo dos EUA, "consistentes com a lei colombiana".

Convém repetir o óbvio: se quiserem atacar um dia a Venezuela ou outro país que considerem hostil, os EUA não precisarão de bases na Colômbia. Além de causar transtornos diplomáticos ao anfitrião, seria militarmente desnecessário.

Bases no Caribe permitem a bombardeiros alcançar a Venezuela diretamente. As distâncias das bases da fronteira com a Venezuela são irrelevantes.

Um -dos 11- porta-aviões nuclear dos EUA carrega 85 aviões de combate, mais poderio que a maioria das forças aéreas latino-americanas.

Ironicamente, o Brasil já firmou pactos similares com os EUA. Um deles foi assinado em maio de 1942, já com os dois países envolvidos na Segunda Guerra, contra Alemanha e Itália. Mas uma versão preliminar fora assinada em outubro de 1941, antes mesmo que os dois entrassem na guerra.

Os EUA entraram em guerra em dezembro de 1941, e o Brasil, só em agosto de 1942. Ou seja, por mais de meio ano o país estava em estado de nem paz, nem guerra, com aviões e navios dos EUA realizando missões de patrulha ao longo do litoral brasileiro. Eventualmente essa esquadra americana na América Latina foi batizada de 4ª Frota, agora recriada.

Como a Colômbia, o Brasil fez questão de prover a vigilância das suas bases com seus próprios soldados e permitiu a construção de prédios pelo aliado, que depois da guerra reverteram a controle brasileiro (como prevê o acordo entre Washington e Bogotá).

Mas, com a entrada do país na guerra, o Brasil fez algo que nem os colombianos estão fazendo.

Por motivos operacionais óbvios, a pequena força aeronaval brasileira ficou sob comando dos EUA. A Força Naval do Nordeste era, de fato, parte da hoje "polêmica" 4ª Frota.

Lugo afasta os chefes das Forças Armadas

O Estado de S.Paulo
 
O presidente do Paraguai, Fernando Lugo, afastou ontem os comandantes do Exército, da Marinha e da Aeronáutica, segundo um comunicado entregue à imprensa. Os afastamentos ocorrem um dia após Lugo ter descartado a possibilidade de um golpe militar no país. O comunicado entregue apenas reproduziu a decisão, sem explicar os motivos para as mudanças e indicando que hoje novos comandantes assumirão as chefias do Exército, da Marinha e da Aeronáutica.

Para Itamaraty, acordo abre brecha para ataque

Denise Chrispim Marin, BRASÍLIA - O Estado de S.Paulo

O governo brasileiro não duvida que o acordo militar entre a Colômbia e os EUA, firmado na sexta-feira em Bogotá, abrirá uma brecha para ataques à Venezuela e a outros países sul-americanos. A análise preliminar do texto reforçou a convicção do Itamaraty de que as garantias de que os países vizinhos não serão agredidos pelas forças colombianas e americanas são insuficientes. Também provocou surpresa a constatação de que, além do uso de sete bases aéreas da Colômbia, o acordo prevê que aviões militares americanos possam usar os sete aeroportos internacionais do país.

Ciente das cobranças de "transparência" que recebeu nos últimos meses dos países vizinhos, o governo colombiano permitiu o acesso ao texto integral do acordo, desde anteontem, no site do Ministério das Relações Exteriores. Mas, não enviou previamente o documento às chancelarias sulamericanas.

O chanceler Celso Amorim obteve uma cópia ontem. O texto enfatiza a necessidade de fortalecer a relação estratégica de segurança entre EUA e Colômbia para ''enfrentar as ameaças comuns à paz, à estabilidade, à liberdade e à democracia''.

A mesma expressão está reproduzida entre os objetivos do acordo que, em princípio, deveria se ater à luta contra o narcotráfico e ao terrorismo. Para o Itamaraty, isso seria suficiente para justificar iniciativas conjuntas dos EUA e da Colômbia contra a Venezuela, que há anos converteu-se em inimigo de Bogotá.

Brasil negocia pacto de não-agressão

Acordo ajudaria região a superar desconfianças surgidas após assinatura de tratado militar entre Colômbia e EUA

Denise Chrispim Marin, BRASÍLIA - O Estado de S.Paulo

O Itamaraty começou a negociar um tratado de não-agressão na América do Sul, como meio de contornar os conflitos provocados pelo acordo militar entre a Colômbia e os EUA, assinado sexta-feira. O tratado terá o objetivo garantir aos signatários que não serão alvos de ataques de vizinhos que venham a atuar em cooperação militar com países de outras regiões. O Itamaraty espera convencer o Equador, país que preside este ano a União das Nações Sul-Americanas (Unasul), a encampar a ideia e levá-la à consulta das chancelarias dos outros membros do bloco.

A seus assessores, o ministro das Relações Exteriores, Celso Amorim, afirmou que essa saída multilateral será uma forma de lidar com a polêmica causada pela decisão da Colômbia de fechar um acordo que permitirá aos EUA manter militares em sete bases no país. Segundo o ministro, o tratado reforçaria garantias fundamentais que venham a ser escritas sem ênfase nos acordos bilaterais e permitiria a tão ambicionada "construção de confiança" entre os países da América Sul. Seria, por fim, um meio de dissipar temores - os reais e os infundados.

O tratado de não-agressão serviria como um princípio básico de garantia jurídica a ser respeitado em todos os compromissos na área de defesa dos países da Unasul, sem exclusões. Assim, apaziguaria Bogotá, ao contemplar sua insistente preocupação de que todos os acordos de defesa fechados pelos parceiros sul-americanos com países de fora da região deveriam ser postos sobre a mesa e incluir garantias. Essa exigência tem como fundamento a ausência de garantias de não-agressão nos acordos celebrados pela Venezuela com Irã e Rússia.

Para que o tratado alcance o objetivo imaginado por Amorim, o Conselho Sul-Americano de Defesa deverá debater pelo menos duas questões básicas. Primeiro, se o novo acordo seguirá a receita do Tratado de Tlatelolco, de 1967, pelo qual nações militarmente mais desenvolvidas se comprometem a não minar o status da América Latina e Caribe como região livre de armas nucleares. Uma resposta positiva significaria a negociação para que EUA, Rússia, Irã e França, entre outros, forneçam garantias de que não alimentarão nem participarão de conflitos na América do Sul.

A segunda questão diz respeito ao registro dos acordos no Conselho de Defesa, ou seja, a quebra da confidencialidade do documento.

Israel apreende um navio de armas

Jornal do Brasil
 
A Marinha israelense apreendeu um navio de contêineres no Mediterrâneo que levava mais de 60 toneladas de mísseis, foguetes e armas antitanque do Irã para o grupo militante libanês Hezbollah, segundo autoridades de Defesa de Israel. A embarcação foi levada para o porto israelense de Ashdod, no sul do país.

– Havia (foguetes) Katyusha, cujo propósito é atingir civis – acusou o vice-ministro da Defesa, Matan Vilnai, à Rádio do Exército israelense, acrescentando que o armamento fortaleceria o Hezbollah e aumentaria sua capacidade de atingir Israel.

Segundo o Ministério da Defesa israelense, a captura ocorreu na madrugada de ontem, perto de Chipre. Em entrevista coletiva, Vilnai expressou dúvidas sobre se a tripulação sabia que as armas estavam a bordo. A Marinha israelense não forneceu provas de que o material iria para o grupo militante xiita do Líbano. Esta foi a segunda maior apreensão de armas realizada por Israel.
 
Pr ecedente O Hezbollah disparou quase 4 mil foguetes contra Israel numa guerra em 2006, e autoridades israelenses afirmam que o grupo vem se rearmando desde o conflito, que durou 34 dias.
 
Uma porta-voz militar israelense afirmou que a Marinha havia avistado, durante checagens de rotina, o cargueiro Francop operando sob o disfarce de um navio de auxílio humanitário, tendo como capitão um polonês e levando a bandeira de Antígua a 160 quilômetros da costa israelense.

– Eles suspeitaram que o navio carregava armas e, depois de uma inspeção inicial, munições foram encontradas. O navio foi levado ao litoral – disse a porta-voz.

O correspondente para assuntos militares da Rádio Israel identificou o navio como o Francop, uma embarcação de 137 metros que transporta contêineres, e afirmou que ele está agora atracado no porto de Ashdod, ao sul de Tel Aviv.

A emissora de TV israelense Channel 10 disse que Israel tinha informações antecipadas sobre a embarcação. Fontes militares afirmaram que comandos navais abordaram o navio ainda em águas internacionais.

Em comunicado oficial, o ministro da Defesa israelense, Ehud Barak, disse que o armamento tinha como destino "a arena terrorista no norte", numa aparente referência ao Hezbollah.

Em outra nota, o primeiroministro israelense, Benjamin Netanyahu, afirmou que as armas encontradas "poderiam ter atingido cidades israelenses". Um alto oficial do Exército libanês se recusou a comentar a notícia, dizendo que o fato ocorreu fora das águas do país.

04 Novembro 2009

Jornada debate segurança operacional da aviação de helicópteros

I COMAR

A segurança operacional da aviação de helicópteros na região amazônica é o tema da I Jornada Amazônica de Segurança de Vôo, realizada pelo Primeiro do Oitavo Grupo de Aviação (1º/8º Gav – Esquadrão Falcão), unidade aérea de asas rotativas sediada na Base Aérea de Belém (BABE). O evento acontece no dia 07 de novembro, das 08h às 17h, no Belém Soft Hotel. As inscrições podem ser feitas no site www.jornadaamazonica.com.br.

Voltado para pilotos, mecânicos, controladores de voo, empresários do setor aéreo, fabricantes, oficinas de manutenção e qualquer outra empresa ou pessoa que presta serviço para operadores de helicópteros, este evento visa atualizar conhecimentos que aumentem a segurança e qualidade da aviação de asa rotativa no norte do país através de palestras de especialistas em aviação militar.

A Jornada faz parte das comemorações do 37º aniversário do Esquadrão Falcão e presta uma homenagem às vítimas do acidente com o helicóptero H-UH FAB 8532 ocorrido no dia 14 de novembro de 2008, onde 4 militares do efetivo do Esquadrão Falcão faleceram.

Os participantes terão oportunidade de atualizar conhecimentos por meio de palestras sobre responsabilidade no transporte aeromédico; análise dos riscos da operação de helicópteros em região amazônica; meteorologia e a segurança de vôo, procedimentos emergenciais em helicópteros monomotores, aspectos médicos em tripulantes de helicópteros, aviação de segurança pública e defesa civil em região de floresta tropical, dentre outras.

1º GCC se mobiliza para Operação Comdaex-Laçador no Sul do País

CECOMSAER

 

O Primeiro Grupo de Comunicações e Controle (1º GCC) permanece em intensa mobilização no Estado do Rio Grande do Sul para as instalações, montagens e o transporte dos equipamentos e infraestruturas de defesa aérea a serem utilizadas na Operação Comdaex-Laçador.

Na última quarta-feira, 28 de outubro, o Esquadrão Mangrulho, 4º/ 1º GCC, deslocou da Base Aérea de Santa Maria – em um comboio de duas carretas, dois caminhões e duas viaturas – o Radar de Defesa Aérea Tridimensional MRCS-413, e demais materiais de apoio, para o Aeroporto de Santa Cruz do Sul, no interior do RS, que assim como Canoas, Santa Maria e Pelotas, abrigará recursos instalados pelo GCC.

Desde a chegada, o equipamento vem passando por um complexo processo de instalação e ajustes, que consiste também na montagem de outras estruturas de apoio, como geradores de energia, antenas para comunicação por satélite, além de shelters que abrigarão as equipagens das áreas técnicas e administrativas.

O trabalho dos esquadrões do 1º GCC, nessa fase de preparativos para o exercício, é de vital importância para o sucesso da Operação, que unirá Aeronáutica, Exército e Marinha durante praticamente todo o mês de novembro.

Responsável pelo provimento de meios transportáveis de comunicação, controle e alarme aéreo em locais desprovidos destes recursos ou com instalações fixas insuficientes, a unidade é a única de toda a Força Aérea Brasileira com expertise e pessoal especializado para o transporte e a montagem destas estruturas imprescindíveis em operações deste porte.

O apoio do 1º GCC a mais uma operação de grande porte com o fornecimento de serviços altamente especializados será tema de uma reportagem especial da Revista Aeroespaço na edição de dezembro.

 

03 Novembro 2009

Confira os aviões de caça que o governo brasileiro quer comprar






 
Os repórteres do Fantástico embarcaram nos aviões de caça mais modernos do mundo e por alguns momentos chegaram a pilotar. Um dos modelos será escolhido pelo governo para proteger o espaço aéreo.