30 abril 2010

União Europeia discutirá compra de armas

InfoRel
 
No que depender do Peru, a compra de armamentos será um dos principais temas discutidos na VI Cúpula União Europeia – América Latina e Caribe, que será realizada em Madri, em maio.
 
O Peru quer que europeus, latinos e caribenhos, aprovem medidas que limitem os gastos com material bélico.

A Cúpula começa no dia 17 com um encontro empresarial. No dia 18, os Chefes de Estado e de Governo, terão um encontro reservado quando o presidente peruano Alan García, entregará a proposta.

No dia 19, García presidirá a reunião de Chefes de Estado e de Governo com a Troika européia quando será assinado o acordo comercial Peru-Colômbia – União Europeia.

Entre 6 e 8 de junho, o Peru sediará a 40º Assembleia-Geral da Organização dos Estados Americanos (OEA), que também terá o armamentismo regional como principal tema.

Orçamento

O Brasil conta com US$ 26, 2 bilhões para gastar em defesa.

A Colômbia, US$ 6 bilhões, o Chile, US$ 4,4 bilhões, a Venezuela, US$ 3,3 bilhões, a Argentina, US$ 2,6 bilhões, o Equador, US$ 1,6 bilhão, o Peru, US$ 1,5 bilhão, o Uruguai, US$ 316 milhões, Bolívia, US$ 269 milhões, e o Paraguai, US$ 149 milhões.

Para se ter uma idéia do abismo que existe na região, a Bolívia gastou entre 2004 e 2008, um total de US$ 905 milhões.

Enquanto a Venezuela negocia um crédito de US$ 5 bilhões para gastar em material de defesa com a Rússia, a Bolívia pode conseguir US$ 150 milhões.

Brasil ajuda a reconstruir Haiti

Correio do Povo
 
O Exército Brasileiro recebeu um reforço de peso no Haiti: 35 veículos 4X4 em versão militarizada produzidos pela MAN Latin America, braço de caminhões da Volkswagen. Outros 30 caminhões seguirão para Porto Príncipe, a capital haitiana, nos próximos meses.

Até o final do ano serão 312 unidades Worker 15.210 4X4. Os caminhões têm sido utilizados no transporte de tropas, alimentos e remédios, e participam dos comboios de patrulhamento em bairros onde a população enfrenta a violência urbana e as precárias condições de sobrevivência.

Para aprovar o Worker 15.210 4X4, o Exército o submeteu a rodagens por terrenos arenosos, alagados e com lama, além de manobras de embarque aéreo e marítimo, transporte de pontes, uso de biodiesel em mistura B2 (2% de mistura ao diesel convencional) e até testes de balística.

A frota Volkswagen no Haiti tem assistência técnica dos mecânicos do próprio Exército, treinados juntamente com os motoristas pela MAN Latin America. Os itens de manutenção foram embarcados para o país caribenho nos próprios caminhões.

Sobre as Forças Armadas

Mestre em operações militares e diretor-presidente de Inteligência Operacional
 
André Soares - Estado de Minas

Comemora-se em 8 de maio o Dia da Vitória, data do término da Segunda Guerra Mundial (1939-1945). É um excelente ensejo para a sociedade brasileira refletir sobre a realidade de nossas forças armadas, porquanto a próxima guerra se avizinha. Se por um lado o Brasil se orgulha de ser um país pacifista, de honrar os lemas "ordem e progresso" da sua bandeira nacional e de se tornar uma potência mundial, por outro lado se esquece que a soberania nacional tem um elevado custo e a história demonstra que o povo que não for disposto a lutar pela sua paz, não a merece.

"Si vis pacem, para bellum" é uma antiga e sábia expressão latina que significa "se queres a paz, prepara-te para a guerra" – porque ela sempre vem. Infelizmente, nossos governantes ao longo da nossa história se embriagaram com a estupidez de achar que o pacifismo e o não imperialismo nacionais imunizariam o Brasil contra as guerras, como se essa fosse uma decisão exclusivamente unilateral.

Desde o término da guerra do Paraguai (1870), o destino nos tem proporcionado o usufruto de um período sem guerras, que estamos retribuindo com a ingratidão de mais de um século com as nossas Forças Armadas, lançadas ao ostracismo operacional. Nesse interregno, tivemos na segunda guerra mundial um evidente episódio do despreparo militar nacional, pois a participação da nossa Força Expedicionária Brasileira (FEB) naquele conflito armado foi salva exclusivamente pela bravura e heroísmo dos nossos pracinhas. Entretanto, se são eles os únicos brasileiros em mais de 100 anos que realmente combateram na guerra em defesa do país, hoje não recebem sequer a devida reverência da pátria amada.

Atualmente, sob o ponto de vista de emprego militar para a defesa nacional, as Forças Armadas brasileiras são não operacionais. Isto significa que são capazes de lutar, mas não de vencer, porque tropas operacionais são forjadas nas lides do emprego em combate, e não dentro dos quartéis. Esse é o contexto das Forças Armadas brasileiras, cuja situação é idêntica ao cirurgião que nunca operou, ao engenheiro que nunca construiu, e pior, ao militar que nunca combateu, pois os nossos atuais comandantes militares, em suas longas carreiras profissionais, sequer viveram o "bom combate" como os nossos queridos e corajosos pracinhas, conquanto ostentem medalhas, muitas medalhas.

Inúmeros são os problemas desse quadro de falência múltipla como: destinação às forças armadas de ínfimos recursos orçamentários, majoritariamente empregados em despesas com pessoal e custeio; política nacional de defesa historicamente desencontrada e retórica; defasagem doutrinária de emprego militar; sucateamento do arsenal e indústria bélicos; crescente defasagem e dependência tecnológicas; vultosos e obscuros gastos com aquisição de equipamentos militares exclusivamente à mercê de critérios políticos e personalistas; deficiências de integração tático-operacional no emprego em conjunto dos elementos de combate das três forças; desvio funcional e priorização de atividades subsidiárias em detrimento das operacionais; cultura de valorização da atividade-meio e esvaziamento da atividade-fim; poder militar nacional superdimensionado, estruturado exclusivamente em ilhas de excelência das Forças Armadas; grave evasão, notadamente dos quadros de oficiais; e fuga da carreira militar por parte dos jovens brasileiros promissores que, embora vocacionados, acertadamente não se submetem a uma vida indigna de baixos vencimentos.

A comemorar, apenas o patriotismo exacerbado dos militares brasileiros, submetidos aos imperativos de uma vida totalizante, de renúncia e dedicação exclusiva ao país, embora marcada por indesejáveis privações impostas à família militar. Portanto, há muito por fazer, a começar pela rediscussão do papel constitucional das Forças Armadas brasileiras e do assistencialista serviço militar obrigatório, pois guerras não são vencidas apenas com o patriotismo de bravos soldados, mas por forças armadas profissionais e operacionais.

Brasil avalia doação de aviões ao Paraguai

Comissão do Senado aprova proposta em meio a crise de segurança na fronteira

João Naves de Oliveira com Reuters, Efe e Afp - O Estado de S.Paulo
ESPECIAL PARA O ESTADO
CAMPO GRANDE

Uma comissão do Senado brasileiro aprovou ontem a doação de três aviões militares para o Paraguai como parte de um acordo de cooperação militar. A doação é feita em meio a uma megaoperação no Paraguai de combate a grupos de narcotraficantes que atuam na fronteira com o Brasil.

Na segunda-feira, o senador paraguaio Robert Acevedo foi ferido num atentado atribuído por investigadores paraguaios à facção criminosa brasileira Primeiro Comando da Capital (PCC).

A doação brasileira, sugerida pelo senador Romeu Tuma, ainda deve ser votada em plenário no Senado para ser levada para a Câmara dos Deputados. Os três aviões Embraer T-27 Tucanos servem para treinamento militar e já foram vendidos para vários países latinoamericanos.

Não foi anunciado se os aviões doados seriam novos.

Armados com fuzis e usando uniformes de camuflagem, soldados do Exército paraguaio assumiram ontem o patrulhamento das ruas de Pedro Juan Caballero, cidade que, desde segunda-feira, converteu-se no epicentro de uma das maiores operações de combate aos grupos narcotraficantes que atuam na fronteira entre o Paraguai e o Brasil.

Ontem, Acevedo, que foi ferido no braço e na cabeça, deixou o hospital dizendo estar seguro de que sofrerá novos ataques. Ele insiste que o PCC é o responsável pelo atentado. "Meu trabalho contra o narcotráfico causou enormes prejuízos para os narcotraficantes, principalmente nos últimos dois anos quando grandes criminosos foram presos e quadrilhas desbaratadas", afirmou Acevedo ao Estado. "Esse foi o motivo do atentado."

A região de Amambay, cuja capital é Pedro Juan Caballero, está sob estado de exceção desde o fim de semana, juntamente com outros quatro departamentos: Alto Paraguay, Presidente Hayes, San Pedro e Concepción, todos na região centro-norte do país. A medida foi declarada inicialmente para que as forças de segurança paraguaias tivessem mais poder para combater a guerrilha Exército do Povo Paraguaio (EPP), que recentemente matou quatro pessoas em um ataque contra uma fazenda em Concepción.

O regime vigorará por 30 dias, período durante o qual liberdades constitucionais - como as de associação e de livre circulação - estarão suprimidas. O Exército também pode realizar detenções de suspeitos sem mandato de busca.

Com o estado de exceção, o presidente Fernando Lugo espera dar uma resposta aos setores que o acusam de incapacidade para enfrentar a insegurança e de ter mantido contato com líderes do EPP, quando era bispo em San Pedro.

O EPP é acusado pela Justiça local de tráfico de drogas, vários sequestros e de manter ligações com as Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (Farc).

Impostos.

Ontem, o governo Lugo sofreu o segundo revés em sua estratégia de combate à criminalidade. O Senado adiou por mais três anos a entrada em vigor de um imposto de renda sobre pessoa física que, de acordo com o ministro da Economia, Dionisio Borba, aumentaria em US$ 30 milhões anuais a receita para a segurança pública.
"Não somos contra o imposto, mas não aceitamos que ele seja controlado pelo governo de turno. Queremos uma administração clara. Não confiamos nessa gente não idônea", disse o senador oposicionista José Boveda, dando sinais de que o discurso de união contra o crime organizado pode não produzir o efeito esperado pelo governo.

A primeira derrota de Lugo ocorreu ainda no fim de semana, quando o Congresso aprovou o período de 30 dias para o estado de exceção, contrariando o apelo governista por pelo menos 60 dias.

Política comum

. Lugo se encontrará com o presidente brasileiro Luiz Inácio Lula da Silva no dia 3, em Ponta Porã. Segundo fontes dos governo paraguaio, um dos objetivos da reunião é criar uma política comum de segurança fronteiriça contra o narcotráfico.

"Esse tema se impôs depois do ataque violento que teve como alvo o senador Acevedo", afirmou o ex-chanceler do Paraguai e atual assessor presidencial, Hamed Franco.

Passando o quepe

Ilimar Franco - O Globo

Sem conseguir convencer o Ministério do Planejamento a descontingenciar R$3,1 bilhões do seu orçamento, a Marinha enviou ontem ao Congresso uma força-tarefa a fim de obter a liberação de R$1,5 bilhão para a compra do submarino nuclear francês Scorpene. Para evitar o calote, o Comando remanejou de outras áreas R$1 bilhão e, em maio, terá de desembolsar mais R$500 milhões. Se não pagar, a multa é de R$160 milhões.

28 abril 2010

Instituto de Estudos Avançados (IEAv) inicia uma “nova era” da exploração espacial

Em meados do mês de março de 2010, cientistas e engenheiros do Laboratório de Aerotermodinâmica e Hipersônica Professor Henry Nagamatsu do Instituto de Estudos Avançados, em São José dos Campos, sob a orientação do professor Antonio Carlos de Oliveira, deram um grande passo rumo ao futuro da exploração espacial através de uma série de ensaios do voo em alta velocidade de um veículo lançador leve, propulsionado por feixes de luz laser de alta energia por pulso.

Para tanto, o túnel de vento hipersônico T3, do IEAv, um "canhão" de radiação laser e câmeras de alta velocidade, foram cuidadosamente sincronizados em laboratório. Como um único ensaio do vôo hipersônico é geralmente muito rápido (até 10 ms ou cem vezes mais curto que um "piscar dos olhos"), o emprego de câmaras de alta velocidade (cerca de 2 milhões de imagens por segundo ou cem mil vezes mais veloz que a visão humana) são essenciais para visualizar em detalhes o mecanismo de funcionamento deste veículo aeroespacial.

O ar atmosférico é inteiramente comprimido pela onda de choque oblíqua principal gerada pela parte dianteira ou "nariz" do veículo para a câmara de ionização do mesmo (análogo à câmara de combustão de um motor foguete convencional), onde um único feixe de luz laser de aproximadamente 1 GW (potência suficiente para alimentar dez mil residências num único segundo) é focalizado pela parte trazeira ou tubeira refletora do veículo, de maneira a converter a energia do laser em energia de movimento do veículo. O movimento acelerado do veículo é sustentado por sucessivas ondas de choques geradas na focalização repetida do feixe de luz laser. Estes ensaios de voo são inéditos no mundo, abrindo novas perspectivas de acesso econômico, rápido e seguro ao espaço.
 
Fonte: IEAv

27 abril 2010

Força Aérea do Irã melhora F-14

Poder Aéreo 

A IRIAF (Islamic Republic of Iran Air Force) disse que seus F-14 agora possuem um radar nacional e motores melhorados. A frota de Grumman F-14 Tomcat foi comprada dos EUA na época do Xá Reza Pahlevi.

Desde a Revolução Islâmica de 1979, os EUA impuseram um embargo de armas ao Irã, que incluiu a venda de novos F-14 e peças de reposição.

Aziz Nasirzadeh, um oficial de alta patente da IRIAF, descreve a frota de F-14 como completamente revitalizada.

Ele disse também que os F-14 podem receber novas armas e que o Irã agora é capaz de produzir radares para eles e melhorar os motores das aeronaves, sem a dependência de importações.

FONTE: Tehran Times

O senhor das armas

Isto É

No sábado 17, a Aeronáutica apresentou em Porto Velho (RO) os três primeiros exemplares de um lote de 12 helicópteros MI-35 comprados da Rússia por US$ 363 milhões (R$ 635 milhões). Equipados com canhões, mísseis e bombas, são sofisticadas máquinas de guerra que vão operar no patrulhamento da Amazônia. Desde que o contrato começou a ser negociado em 2005 até o voo inaugural, a FAB manteve silêncio incomum sobre o negócio. O sigilo ajudou a encobrir a presença constante na mesa de negociações de um ex- membro da própria FAB: o brigadeiro da reserva Wilson José Romão, que, apenas dez anos depois de abandonar a farda, se tornou um dos mais poderosos comerciantes de armas do Brasil. Dono da empresa de assessoria Logitec, diretor da Abimde – o sindicato da indústria bélica – e com relações no Comando da Aeronáutica, Romão tem aproveitado como poucos o boom de investimentos no setor e a ampliação das ambições geopolíticas nacionais.

Além do contrato dos MI-35, feito com a ajuda de um mercador de armas paquistanês chamado Shehzad Shaikh, Romão está por trás da venda de 100 mísseis da Mectron para o Paquistão, num negócio de 85 milhões de euros (R$ 200 milhões). Ele acaba de intermediar a venda de paraquedas para a Venezuela e mantém conversações com Colômbia, Equador, Peru e Chile. Além da Mectron, Romão representa os interesses das empresas brasileiras CBC, Equipaer, Condor, Imbel e Engepron. O brigadeiro ainda tentou emplacar a venda para o Brasil de helicópteros de transporte MI-171 e torce pelo cancelamento do programa F-X2 para a compra de 36 aviões de combate, na esperança de reabilitar o caça russo Sukhoi na disputa. Nada mal para um brigadeiro duas estrelas. "Fui diretor da Divisão de Material Bélico da FAB. Estou apenas usando minha experiência. Se eu não trabalhar, morro", argumenta.

Em tese, não há nenhum crime no fato de Romão ter constituído uma empresa especializada na venda de armas e equipamentos militares e ganhar dinheiro com os negócios que faz. O problema é que na própria Aeronáutica a atuação do militar da reserva é vista com desconfiança por seus ex-colegas de farda. Muitos admitem, abertamente até, que no caso da compra dos helicópteros de combate MI-35, o governo brasileiro poderia ter economizado, no mínimo, algo próximo a US$ 20 milhões, se não houvesse a participação de intermediadores.

A FAB não encontra explicação, por exemplo, para a triangulação feita por Romão com o comerciante paquistanês Shaikh na venda dos MI-35. "O Romão ficava calado e o Shaikh fazia umas ligações para Moscou. Sinceramente, não sei o que eles estavam fazendo ali", questiona o brigadeiro Edgar de Oliveira Jr., chefe do Centro Logístico da Aeronáutica. Indicado pelo comandante Juniti Saito para coordenar e fiscalizar as negociações com os russos, Oliveira Jr. garante que "tudo poderia ter sido tratado diretamente com a Rosoboronexport", a gigante estatal russa de defesa. Shaikh é um dos maiores comerciantes de armas do mundo, com ligações em praticamente todos os países interessados em equipar-se militarmente. Atuan do intimamente com a indústria bélica russa, esteve no Brasil na semana passada acompanhando o presidente Dimitri Medvedev. No Brasil seu parceiro de negócios é Romão.

As comissões para esse tipo de negócio variam entre 2% e 3%. Fazendo as contas, o contrato dos MI-35 teria rendido US$ 11 milhões (quase R$ 20 milhões) em comissões aos intermediários. "Isso é uma injustiça", disse Romão à ISTOÉ., referindo-se às suspeitas levantadas sobre sua atuação.

"Tudo o que eu ganho está declarado. Pago meus impostos", garante.

RESPOSTA DO CECOMSAER À IMPRENSA

A negociação pelo Brasil para aquisição de 12 helicópteros MI-35 da Rússia foi firmado diretamente entre o Comando da Aeronáutica (COMAER) e a empresa russa Rosoboronexport, sem a participação de intermediários.

Além da aquisição de 12 helicópteros de ataque citados na matéria, o contrato firmado pelo COMAER engloba ainda: um simulador de voo com transferência de tecnologia, treinamento de pilotos e mecânicos na Rússia e no Brasil, um Centro de Treinamento computadorizado, armamentos os mais variados, customização de equipamentos às necessidades do país, suporte logístico, internação no Brasil de oficinas completas para a manutenção de motores, caixas de engrenagem, rotores principal e de cauda, bem como estruturas do helicóptero, etc.

Por fim, do contrato firmado surgiu o acordo de intercâmbio entre os órgãos de certificação e homologação entre os dois países, Brasil e Rússia. Tal fato possibilitará ao Brasil oferecer serviços de manutenção a helicópteros russos operando em outros países.

CENTRO DE COMUNICAÇÃO SOCIAL DA AERONÁUTICA

Crítica expõe mal-estar militar na Venezuela


Analistas dizem que reclamação pública sobre influência cubana por general da reserva pode ser foco de tensão no futuro

Governo não rebate críticas, mas site ligado ao chavismo tece loas ao auxílio de Cuba e diz que militar reformado promove "show midiático"

FLÁVIA MARREIRO
DE CARACAS - Folha de SP

A crítica do general da reserva Antonio Rivero à presença cubana nas Forças Armadas da Venezuela deve ser motor de um debate sobre as mudanças na doutrina militar, o que pode gerar tensão no futuro, dizem analistas ouvidos pela Folha.

Rivero, que passou à reserva no começo do mês, afirmou anteontem, em mais de uma entrevista, que militares cubanos participam de atividades de planejamento, treinamento e inteligência e não descartou que sua crítica ao tema seja compartilhada por colegas ainda na ativa. Ele criticou ainda a formação da Milícia Nacional Bolivariana - que treina civis e é o quarto componente das Forças Armadase a "politização" do corpo militar.

O general foi, até 2008, diretor de Proteção Civil, equivalente à Defesa Civil no Brasil, e até o começo deste ano era chefe do Estado-Maior da 5ª Divisão de Infantaria de Selva.

"A declaração dele, que é um homem que tinha proeminência pública, é a expressão de um certo mal-estar que deve haver nas Forças Armadas. Todos temos amigos militares. O que ele disse outros falam", diz o jornalista e sociólogo opositor Teodoro Petkoff sobre a suposta ingerência cubana.

Ele e Luis Alberto Buttó, professor da Universidade Simón Bolívar, ressalvam ser difícil avaliar a reverberação interna da crítica de Rivero.

A controvérsia sobre a influência cubana no governo Chávez povoa o noticiário venezuelano, predominantemente de aberta oposição a Chávez. 

No começo do ano, reportagens apontaram o elo cubano como motivo para a renúncia do então vice-presidente Ramón Carrizález e de outros três integrantes do gabinete. Uma fonte próxima ao governador do Estado de Lara, Henri Falcón, recentemente rompido com o chavismo, afirmou à Folha que ele foi procurado por um grupo de militares no fim de março para tratar do tema.

O governo Chávez não comentou as declarações do general. No site ligado ao chavismo www.aporrea.org, um texto afirma que, ao reclamar "da preciosa ajuda que a inteligência militar cubana presta ao Exército venezuelano", o general quer armar um show midiático para lançar-se às eleições legislativas de setembro - Rivero não descarta concorrer. 

Para o professor Buttó, o que está em jogo são as mudanças no corpo militar venezuelano desde 1999, quando a Constituição retirou o termo "apolítico" da definição das Forças Armadas. Diz que, portanto, não é inconstitucional que os militares se expressem politicamente, como requerido por Chávez, mas que isso pode trazer tensões no futuro. "A identificação deveria ser com a nação."

Como Rivero, ele critica o fato de que, por meio da Lei Orgânica das Forças Armadas aprovada em 2009, Chávez tenha agora uma patente militar. "Pela Constituição, ele é o Comandante em Chefe das Forças Armadas. Ao ganhar cargo operativo militar, parte da hierarquia, exclui-se a supremacia civil sobre os militares."

Novas armas para ataques rápidos


David Sanger
Thom Shanker
The New York Times - Jornal do Brasil

Nos próximos anos, o presidente americano Barack Obama vai decidir se empregará uma nova classe de armas, capazes de atingir qualquer ponto do planeta a partir dos Estados Unidos em menos de uma hora, com tamanha força e precisão que diminuiriam enormemente a necessidade americana de seu arsenal nuclear.

Mas desde já as preocupações com a tecnologia são tão fortes que o governo Obama cedeu a uma exigência da Rússia, a de que os Estados Unidos eliminem um míssil nuclear para cada uma dessas armas convencionais posicionadas pelo Pentágono.

Esse artigo, segundo a Casa Branca, está presente no Tratado Novo Start, que Obama e o presidente Dmitri Medvedev assinaram em Praga há duas semanas.

Chamada Prompt Global Strike (Ataque Global Rápido), a nova arma é projetada para realizar tarefas como atingir Osama Bin Laden em uma caverna, se o local correto puder ser encontrado; destruir um míssil norte-coreano enquanto está sendo conduzido para a plataforma de lançamento; ou destruir uma usina nuclear iraniana – tudo isso sem cruzar o limiar nuclear.

Na teoria, a arma atirará uma ogiva convencional de peso enorme a uma alta velocidade e com extrema precisão, gerando o poder destrutivo localizado de uma ogiva nuclear.

A ideia não é nova: o presidente George Bush e sua equipe promoveram a tecnologia, imaginando que esta nova geração de armas convencionais substituiria as ogivas nucleares nos submarinos. 

Em encontros com o presidente Bush, os líderes russos se queixaram de que a tecnologia poderia aumentar o risco de uma guerra nuclear, porque a Rússia não teria como saber se os mísseis contêm ogivas nucleares ou convencionais. Bush e seus assessores concluíram que os russos estavam certos.

Parcialmente em consequência, a ideia "não foi a lugar nenhum no governo Bush", disse o secretário de Defesa, Robert Gates, que serviu a ambos os presidentes, recentemente no programa This Week da ABC. Mas ele disse que ela foi "abraçada pelo novo governo".

O próprio Obama citou o conceito em recente entrevista ao New York Times, dizendo que ela faz parte de um esforço "para dar menos ênfase às armas nucleares", assegurando ao mesmotempo que "a capacidade de nossas armas convencionais seja um meio de intimidação eficaz em todas as circunstâncias, exceto as mais extremas". 

Investimento 

A equipe de segurança nacional de Obama descartou a ideia de colocar as novas armas convencionais em submarinos.

Em vez disso, a Casa Branca pediu ao Congresso cerca de US$ 250 milhões para o próximo ano para explorar a nova alternativa, uma que utiliza a tecnologia militar mais avançada atual, assim como algumas que ainda nem foram inventadas.

O preço final do sistema permanece desconhecido. O senador John McCain do Arizona, o líder da bancada republicana no Comitê de Serviços Armados do Senado, disse em audiência na quinta-feira que o Prompt Global Strike seria "essencial e decisivo, mas também caro".

Ele ficaria baseado, ao menos inicialmente, na Costa Oeste, provavelmente na Base Vandenberg da Força Aérea.

Segundo o plano de Obama, a ogiva Prompt Global Strike seria montada em um míssil de longo alcance para iniciar sua jornada rumo ao alvo.

Ela viajaria pela atmosfera a uma velocidade várias vezes superior a do som, gerando tanto calor que precisaria ser protegida com materiais especiais para evitar o derretimento. 

Neste aspecto, é semelhante ao problema enfrentado pelos projetistas do ônibus espacial décadas atrás.

Mas como o veículo permaneceria dentro da atmosfera em vez de ir ao espaço, ele seria bem mais manobrável do que um míssil balístico, capaz de evitar o espaço aéreo de países neutros, por exemplo, ou evitar território hostil. Seus projetistas notam que ele poderia voar diretamente até o meio do Golfo Pérsico antes de dar uma forte guinada rumo ao alvo.

Se o presidente quiser agir contra um alvo em particular mais rapidamente do que isso, a única coisa mais rápida é uma resposta nuclear Kevin Chilton general do Comando Estratégico.

Navio dos EUA deixa Fortaleza


Diário do Nordeste 

Atracado desde a quarta-feira passada no cais do Mucuripe, o navio norte-americano USS Klakring, que seguiu viagem ontem, chamou a atenção de curiosos e até de experientes marinheiros, principalmente pelo fato de quatro contêineres terem estado nas duas extremidades da embarcação.

Os contêineres foram exigidos pelos militares norte-americanos, alegando maior segurança para a embarcação e a tripulação, composta por 22 oficiais, 16 suboficiais e 175 praças. Ao longo dos 138 metros de comprimento do navio, ninguém pôde passar sem a permissão de um sentinela da fragata. 

Viagem

O fato inusitado para os fortalezenses e precavido para os norte-americanos, conforme reconhecem, durou até a manhã de ontem, quando a embarcação seguiu viagem para Salvador, na Bahia, depois para o Uruguai, até chegar à Argentina, quando irá compor uma operação multinacional chamada Unitas, que, em 2010, completa 50 anos.

O comandante do USS Klakring, capitão-de-fragata Scott Smith, explicou que o arranjo com os contêineres tem sido uma prática adotada pela Marinha dos Estados Unidos, onde quer seus navios aportem. "Embora não haja terrorismo no Brasil, somos um alvo em qualquer parte do mundo. Com os contêineres, criamos um espaço privado, a fim de que possamos reagir diante de um ataque".

Além do exotismo e da preocupação com a segurança, o comandante da fragata informou que a missão pretende fortalecer o intercâmbio das Marinhas envolvidas (Brasil e EUA).

Alegria de viver

Veterano do Exército não dispensa, aos 77 anos, os saltos de paraquedas
 
Jornal de Brasília
 
A primeira coisa que se nota ao observar Paulo Izaias de Macedo Filho, 77 anos, é o orgulho no olhar. Um brilho vitorioso de veterano das Forças Armadas, que carrega nos olhos e na medalha presa à sua boina azul. "Sou vencedor em tudo o que faço e quando entro em qualquer competição é para ganhar. Meu destino é voar alto", diz. E a paixão eterna do veterano são seus voos. O coronel reformado do Exército já foi paraquedista e salta de paraquedas anualmente para matar a saudade e se sentir mais vivo.
 
Nascido em São José de Mipibu, Rio Grande do Norte, Paulo sempre teve admiração pelas Forças Armadas e foi influenciado pelo cunhado, também militar, a seguir esse rumo. "Desde pequeno achava muito bonita e nobre a vida dos militares. Com a influência do meu cunhado, descobri que era essa a minha vocação", diz.
 
Decidido a realizar seu sonho, Paulo se matriculou na Escola Preparatória de Cadetes de Fortaleza, em 1950. Mas foi somente em 1956 que saltou de paraquedas pela primeira vez na Academia Militar dos Agulhas Negras, no Rio de Janeiro. "Com o passar do tempo, no Exército, fui começando a ter preferência pelas operações mais complexas e difíceis. O paraquedismo foi o que mais me desafiou", conta.

De acordo com o veterano, quando se está no ar, não se tem tempo para sentir medo. "A emoção tem de ser domada. Obtemos esse estado por meio de um intenso treinamento físico e psicológico

Além disso, temos muitas coisas a preparar antes do salto, de forma que passa tudo muito rápido. Quando saltamos, já temos tudo em mente. "Estamos preparados", diz.

A vida nas alturas pode não causar medo, mas Paulo não esquece o grande susto que viveu no campo de Gramacho, no Rio de Janeiro. Ao saltar do avião e contar e fazer a contagem regressiva, o paraquedas não abriu. "É nessas horas que temos de ter o pensamento relâmpago. Nem pensei, só puxei o punho do paraquedas reserva e ele abriu", diz. Foram os poucos segundos de maior tensão na vida de Paulo. "Senti um alívio inexplicável ao tocar os pés no chão. É por acidentes como esse que não salto de olhos fechados.

Tenho que ver bem o punho do paraquedas reserva", explica. Paulo não deixou a situação difícil interferir na vontade de voar. Ele tentou convencer até a mãe, que morria de receio de ver o filho saltando, a se acostumar com a ideia. "Ela me pedia pra não contar quando fosse saltar, para que não se preocupasse", conta. Mas, para sua alegria, o paraquedista foi surpreendido com a presença materna em um de seus saltos. "Não sei o que ela estava pensando, mas disse que queria me ver. Cruzei as pernas e até joguei talco lá de cima para ela me identificar", diverte-se.

A frequência dos saltos pode ter diminuído, mas Paulo encontra motivação no carinho dado pelos nove filhos e quatro netos e nas lembranças das incontáveis homenagens que lhe foram feitas. A homenagem da qual o veterano mais se orgulha é a boina azul que descansa na parede de sua casa. O objeto é dado por meio de um concurso entre militares e os qualifica para participar de tropas que servem nas Forças de Paz da ONU para a resolução de conflitos internacionais.
 
"O futuro pede lembranças felizes, e nada melhor do que a alegria da sensação de missão cumprida", afirma.

EUA travam ''guerra de videogame''


Embora ataques feitos por aviões não tripulados no Paquistão e Afeganistão sejam seguros para americanos, danos colaterais são enormes

Patrícia Campos Mello - O Estado de S.Paulo 

A mais de 10 mil quilômetros do Paquistão e do Afeganistão, confortavelmente sentados em suas poltronas, em centros de controle nos Estados Unidos, soldados americanos estão travando uma guerra de controle remoto.

De uma base militar em Nevada, a uma hora de Las Vegas, e do quartel-general da CIA, em Langley, esses americanos pilotam Predators e Reapers - as principais aeronaves de pilotagem remota (RPAs) - que sobrevoam zonas tribais do Paquistão e confins do Afeganistão. Segundo o Pentágono, boa parte da liderança do Taleban e da Al-Qaeda foi morta com mísseis e bombas disparados por essas aeronaves. O problema é que esses ataques não são cirúrgicos.

Embora sejam seguros para os americanos e eficientes contra a Al-Qaeda, os danos colaterais são enormes: segundo entidades de direitos humanos, entre 30% e 70% das mais de 1.000 vítimas dos ataques desde 2006 são civis inocentes.

Há mais de 7 mil RPAs americanas sendo usadas no Afeganistão, Paquistão e Iraque. É difícil precisar, mas calcula-se que a vida de milhares de soldados americanos foi salva com o uso desses jatos, disse ao Estado Peter Warren Singer, diretor do Centro de Defesa do Século 21 no Brookings Institution.

Mas os desafios morais e éticos representados por essa guerra de videogame são enormes. O sentimento antiamericano na região está crescendo por causa dos ataques dos RPAs. Uma música de rock popular no Paquistão diz que os americanos travam uma guerra sem honra, na qual nem arriscam suas vidas nem lutam cara a cara.

Esse sentimento antiamericano e as centenas de mortes de civis levam as populações locais a apoiarem os insurgentes - o que acaba minando os esforços dos EUA para ganhar a guerra.

Investimento. Mesmo assim, a disseminação dos RPAs é inexorável, diz Singer. Um terço do futuros aviões da Força Aérea dos EUA será não tripulado. O avanço da guerra de videogame não se restringe aos EUA - 43 outros países também estão construindo, comprando e usando RPAs, entre eles, o Irã. Um MQ1, nome técnico do Predator, tem 8 metros de comprimento, tipicamente carrega dois mísseis Hellfire, um embaixo de cada asa, cada um pesando 45 quilos. O sistema todo custa US$ 20 milhões. Um MQ9, ou Reaper, tem 17 metros, pode levar entre 2 e 4 bombas de 230 quilos cada uma, ou mísseis Hellfire. Custa US$ 53 milhões. O orçamento de 2010 do Departamento de Defesa aloca US$ 3,5 bilhões só para RPAs. Houve um aumento de 800% no número de RPAs desde 2004. 

No caso da Força Aérea, a grande maioria das missões de RPAs é para reconhecimento e vigilância. Em poucos casos, os Predators e Reapers atacam com mísseis e bombas inimigos identificados por forças americanas no fronte.

Já os ataques contra insurgentes no Paquistão são conduzidos pela CIA. Trata-se de uma guerra clandestina, cuja existência não é abertamente admitida pela Casa Branca, que não precisou pedir autorização ao Congresso e nem presta contas disso.

Em texto para a revista Foreign Affairs, Daniel Byman, diretor do Centro de estudos de Segurança da Universidade Georgetown, diz que os ataques de RPAs vêm reduzindo a ameaça da Al-Qaeda pelo menos temporariamente, e por isso são a "alternativa menos ruim" no momento. "Mas apesar de todas as precauções, ataques contínuos de Predator vão matar civis inocentes, além do inimigo", disse Byman.

Philip Alston, investigador especial do conselho de Direitos Humanos da ONU, elaborou um relatório sobre as mortes de civis causadas por ataques de RPAs americanos em 2009. "O governo americano deveria monitorar o número de civis mortos em seus ataques com aeronaves não tripuladas e limitar danos colaterais", afirmou Alston. Segundo ele, o uso "cada vez mais frequente" de RPAs pelos EUA é "preocupante".

Ministério quer elevar quadro a 500 mil efetivos

Wilson Tosta - O Estado de S.Paulo

O Ministério da Defesa reconhece ter aumentado em termos reais seus gastos no governo do presidente Lula, mas afirma estar "corrigindo os efeitos da séria crise fiscal que afetou o Brasil nas décadas de 80 e 90 e que restringiu investimentos em todas as áreas relevantes da vida nacional".
 
Com números ligeiramente diferentes dos do Estado, em uma mais série longa (de 1995 a 2010), mas na mesma direção, o ministério diz que, após queda de gastos de R$ 50,29 bilhões (2001) para R$ 49,54 bilhões (2002) e R$ 36,92 bilhões (2003), o governo aumentou as despesas para voltar a investir.

O texto admite que o País vai gastar mais com defesa e revela que a administração estuda ampliação de pessoal que, em duas décadas, elevaria o efetivo para quase 500 mil militares permanentes (fora recrutas).

"Essa expansão dos investimentos segue as prioridades da Estratégia Nacional de Defesa (END), que terá, entre outras ações, um plano de equipamento e integração das Forças Armadas para os próximos 20 anos", diz a resposta oficial via e-mail. O aumento de gastos será causado pelos novos equipamentos, como 4 submarinos da classe Scorpène, o submarino nuclear brasileiro e 50 helicópteros de transporte, comprados pelo Brasil.

Lula amplia 45% gasto com defesa em 5 anos

Expansão - maior que na saúde e menor que na educação - deve crescer mais, afirmam especialistas, mas ministério diz estar só repondo cortes

Wilson Tosta - O Estado de S.Paulo

Mesmo antes de iniciar o pagamento da maior parte de suas compras militares, que incluem submarinos, helicópteros e um lote de 36 caças, o governo federal elevou os gastos com defesa em 44,54% reais, de 2004 a 2009.

Levantamento do Estado no Portal da Transparência mostra que o Ministério da Defesa desembolsou, em 2009, R$ 47,13 bilhões, contra R$ 32,6 bilhões (já corrigidos) em 2004. A variação é maior do que o aumento real dos gastos do Ministério da Saúde (31,2%), mas menor do que os do Ministério da Educação: 70%.

"O orçamento da Defesa tende a ser ainda maior. Tem os aviões, tem a nova base de submarinos", afirma o professor Márcio Scalércio, do Departamento de Relações Internacionais da Pontifícia Universidade Católica do Rio (PUC-RJ). Nos dois anos comparados, o Ministério da Defesa ficou em terceiro lugar em gastos, só atrás de Fazenda e Previdência Social.

"É preciso lembrar que a Defesa juntou os Ministérios da Marinha, Exército e Aeronáutica", diz o professor, que também destaca que nos anos 80 e 90 do século passado houve muita contenção de despesas na área, com sucateamento das Forças Armadas. O Ministério da Defesa argumenta que o aumento de gastos de 2004 a 2009 foi, na verdade, uma recuperação de recursos cortados em anos anteriores.

Scalércio explica que a maior parte do dinheiro das Forças Armadas, que têm 309.996 militares na ativa, além de funcionários civis e recrutas, vai para pessoal. "Boa parte do dinheiro vai para pagar salários e pensões. O oficial, em geral, vai até coronel, depois vem o funil, porque poucos viram generais. O sujeito então vai para a reserva na casa dos 40 anos, vai fazer mestrado, doutorado, trabalhar na iniciativa privada", diz o professor, destacando que isso é direito dos militares.

O professor Thomas Heye, coordenador da Graduação em Relações Internacionais do Departamento de Ciência Política da Universidade Federal Fluminense (UFF), também acredita que haverá mais gastos. "O Brasil tem de ter meios de defesa. Tem de reaparelhar, não se trata de corrida armamentista."

Heye diz que, nos governos militares de 1964 a 1985, pouco se investia em equipamentos, porque as tropas eram voltadas para combater o "inimigo interno". Por esse termo, a esquerda era definida nas políticas da Doutrina de Segurança Nacional, adotada por ditaduras militares na América Latina nos anos 60, 70 e início dos 80. "O trabalho de contrainsurgência é relativamente barato", diz.
 
"Agora, a coisa mudou. Nossas Forças Armadas estão voltadas para fora. O problema é a segurança regional."

Bofetada brasileira

Carlos Larreátegui - O Globo

O acordo de cooperação militar subscrito entre o Brasil e os Estados Unidos representa uma dura bofetada nos países da Aliança Bolivariana para os Povos da América (Alba, a organização capitaneada pela Venezuela e integrada por Cuba, Bolívia, Equador, Nicarágua, Dominica, San Vicente e Granadinas, Antigua e Barbuda).

É, também, um sério revés para a nascente União de Nações Sul-Americanas (Unasul, criada pelo Brasil com o objetivo de um dia constituir uma zona livre de comércio na América do Sul).

Embora o Itamaraty tenha procurado baixar o tom da repercussão, assinalando tratar-se de um mero acordo de "cooperação e diálogo" e que, de nenhuma forma, poderia ser comparado ao controvertido convênio entre Bogotá e Washington, esta aproximação provocará profundas fissuras na Unasul.

Isso na mesma época em que os Estados Unidos redobram suas ações diplomáticas para fortalecer seus laços militares com aliados como Peru, Chile e Colômbia. O isolamento dos países da Alba vai se tornando patético.

Em julho de 2009, Colômbia e os EUA subscreveram um acordo militar que desatou uma tormenta sem precedentes no hemisfério. "Têm planos para nos invadir (EUA)", declarou Hugo Chávez.

E o ministro de Segurança do Equador, Miguel Carvajal, disse que não se podia descartar "uma escalada militar entre Colômbia e Equador".

Os discursos anti-imperialistas dos anos 60 ressoaram com força entre consultas e protestos no continente. A Venezuela procurou atiçar o fogo interrompendo até as trocas comerciais com a Colômbia e congelando as relações com seu vizinho.

O acordo aceito pelo Brasil prevê, entre outras coisas, a cooperação em segurança tecnológica, apoio logístico, pesquisa e parâmetros para a compra e venda de arsenal militar. Não há dúvida de que este país, fiel à sua tradição pragmática em política exterior, subscreveu o acordo com a intenção de que sua crescente indústria militar penetre no gigantesco mercado norte-americano; empresas como Embraer poderiam estruturar negócios sem precedentes com o Departamento de Defesa dos EUA. Por tudo isso, fontes do Pentágono disseram que se trata de "algo enorme" que os Estados Unidos vinham buscando há muito e que estreitará as relações militares de maneira significativa.

É verdade que o acordo militar assinado pelo Brasil, ao contrário do feito por Bogotá e Washington, não contempla a utilização de bases nem a presença permanente de pessoal militar em seu território. Há que anotar, no entanto, que os dois acordos militares são um "Defense Cooperation Agreement" (DCA), muito similares na sua natureza e conceito. Com isto, o Brasil deixou os países da Alba sem chão.

Tanque de guerra tomba e militar do Exército morre

Correio do Estado
 
O terceiro-sargento do Exército, Guilherme Gonçalves César, de 24 anos, morreu em acidente ontem de manhã durante treinamento militar na Fazenda Paraíso, em Terenos. Segundo informações do 20º Regimento de Cavalaria Blindado (RCB) da Capital, onde o militar era lotado, o jovem estava numa Viatura Blindada de Transporte de Pessoal (VBTP) modelo M113 - tanque de guerra sobre esteiras - que tombou, caindo sobre o corpo do sargento, que estava parcialmente fora do veículo. O sargento era natural de Minas Gerais e ainda chegou a ser socorrido, mas não resistiu. Não há informações sobre as causas do acidente.

Acidente em treinamento mata militar do Exército em fazenda no MS

O Imparcial
 
Conforme boletim de ocorrência (7082/2010), a viatura blindada onde estava o militar tombou durante exercício de instrução básica.
 
O 3º sargento do Exército Guilherme Gonçalves César, de 24 anos, morreu nesta segunda-feira em um acidente ocorrido durante treinamento do 20º Regimento de Cavalaria Blindado, em uma fazenda em Terenos, no Mato Grosso do Sul. Conforme boletim de ocorrência (7082/2010), a viatura blindada onde estava o militar tombou durante exercício de instrução básica, por volta das 7 horas.
 
César recebeu atendimento no local e foi levado para o Hospital Geral do Exército, em Campo Grande, mas morreu antes de ser atendido.

26 abril 2010

Tem marinheira no judô

Judocas da Oi/Sogipa ingressam na Marinha para lutar nos Jogos Mundiais Militares, que ocorrem no Rio de Janeiro em 2011

Mariana Oselame - Correio do Povo

Foi instantâneo, quase instintivo. Quando o Hino Nacional Brasileiro começou a ser executado em San Salvador, há duas semanas, a campeã pan-americana Mayra Aguiar espalmou as mãos e imediatamente ficou na posição de sentido. Afinal, a medalha de ouro na categoria até 78kg foi a primeira da gaúcha desde o ingresso na Marinha do Brasil, em março deste ano. "Agora somos atletas diferentes, pessoas diferentes. Somos militares", explicou a judoca ao Correio do Povo antes de um treino no tatame da Sogipa.

Mayra faz parte do grupo de 194 atletas de alto nível que ingressaram nas Forças Armadas para defender o Brasil. Engana-se, no entanto, quem pensa que a judoca vai pegar em armas para brigar pelo país. A luta de Mayra e de atletas como Taciana Lima e Natália Bordignon será no tatame nos Jogos Mundiais Militares, em julho de 2011, no Rio de Janeiro. "Somos voluntárias. Abriu um edital, nos inscrevemos e então passamos por testes físicos e entrevistas para fazer o curso de quatro semanas", destacou Taciana, da categoria até 48kg, que se formou com Mayra há um mês no Rio.

Primeira judoca da Oi/Sogipa a ingressar na Marinha, ainda no ano passado, Natália diz que o fato de ser judoca ajudou bastante no aprendizado militar. "Lá mesmo, no quartel, eles diziam que o pessoal do judô era muito mais disciplinado em relação aos outros. É um esporte em que se aprende a cair e a levantar, e na Marinha é a mesma coisa. Tem que saber respeitar e baixar a cabeça para o superior", argumentou a atleta da categoria até 70kg.

Durante o período em que ficaram aquarteladas, as três judocas marinheiras cumpriram uma rotina digna do rigor militar. O despertar era às 6h e, antes do café da manhã com horário e duração controlados e das aulas sobre militarismo, elas deveriam "formar" no pátio do quartel. "No começo, acordávamos ainda mais cedo porque não sabíamos fazer o coque baixo, sem nenhum cabelo arrepiado", admite Natália. A boa aparência das marinheiras, por sinal, é um dos aspectos mais cobrados. "Eles passam um por um para conferir se está tudo certo. Se não estiver, tem bronca!", diz Mayra, em tom de brincadeira.

Acostumadas ao quimono, as judocas também precisaram se adaptar a uma nova realidade: a farda. "Pode ver que é uma roupa bem grande, cobre tudo", mostra Natália. "É um sufoco para colocar, uma tem que ajudar a outra, mas a gente se sente importante", confessa Taciana. Mayra, por sua vez,  pareceu ainda não estar muito acostumada à vida de militar. "Esqueci o sapato!", revelou no início da entrevista, se desculpando por não ter trazido o calçado oficial das marinheiras.

Por enquanto, pelo menos até julho de 2011, o esquecimento de Mayra vai ficar por isso mesmo.

Mas ela que se lembre da farda completa até os Jogos Mundiais. Porque quando as judocas marinheiras voltarem a prestar continência, não terá desculpa. Esqueceu o sapato? Pode pagar as flexões ou abdominais.

Aviões para a FAB: modelagem do desenvolvimento econômico

Emanuel Fernandes - Jornal da Câmara

Recentemente, em conjunto com o engenheiro Ozires Silva, tornei pública a proposta para nacionalização da produção dos 36 aviões de combate que serão adquiridos pelo governo brasileiro para  equipar a FAB (Força Aérea Brasileira). Destaco, aqui, os principais pontos da proposta. Nos processos tradicionais, nas importações gerais de material militar, o governo tem aparecido como contratante direto do fornecedor estrangeiro selecionado pelos requisitos das Forças Armadas, colocando em execução o contrato de compra. Procedendo dessa forma, cresce o risco de se perderem aspectos importantes em quase todo o capítulo da chamada "transferência de tecnologia ou de conhecimento". Uma alternativa, eficaz e de resultados provados, poderia ser a metodologia seguida por muitas nações do mundo desenvolvido, em particular, a consolidada pela legislação nos Estados Unidos, em vigor desde 1933.
 
Essa legislação, o Buy American Act, determina que toda e qualquer aquisição de material militar, pelo governo, necessariamente deve ser feita por meio de empresas nacionais. O processo é simples. A Força Armada, com seus estudos técnicos e com a observância da estratégia de defesa nacional, determina o material de que necessita, modifica as especificações e requisitos técnicos, e seleciona o fornecedor estrangeiro. A proposta é aprovada pelo governo e, ato contínuo, um fornecedor doméstico, empresa ou consórcios de empresas, reconhecidamente competentes, é contratado para fabricar e entregar o equipamento militar desejado. Adotado tal procedimento no Brasil, um produtor nacional, sujeito à jurisdição brasileira, e acompanhado pelas autoridades militares, prepara e firma o acordo com o supridor estrangeiro, com todas as cláusulas aprovadas pelos órgãos governamentais nacionais.

Nesse processo, uma entidade industrial local passa a ser a contratante do fornecedor externo, em substituição ao governo, com toda a autoridade técnica e manufatureira necessárias. Esse processo supera qualquer dúvida sobre propriedade intelectual ou transferência de tecnologia e amplia o leque de resultados, pois o diálogo se dará entre as empresas encarregadas da fabricação do produto. Cria-se uma vinculação de longo prazo, certamente útil para a operação de produtos tão sofisticados como os modernos equipamentos militares. Essa forma de fornecer um produto estrangeiro para uma Força Armada brasileira já tem exemplo nacional. Logo no início da vida produtiva da Embraer, em 1970, a empresa foi contratada pelo então Ministério da Aeronáutica para produzir o jato de treinamento AT-26 Xavante. Seguindo os procedimentos descritos, a Embraer contratou a fornecedora italiana Aermacchi, selecionada numa competição semelhante a que vivemos na atualidade. Essa diretriz governamental resultou num programa muito bem-sucedido. O mérito da proposta está provado por inúmeras iniciativas do mesmo tipo em vários países do mundo e, como acentuado, parte de um exemplo também já ocorrido no Brasil.

Deputado Federal pelo PSDB de São Paulo e presidente da Comissão de Relações Exteriores e de Defesa Nacional

Chávez aumenta em 40% o soldo dos militares

Iniciativa é parte do esforço do líder venezuelano para consolidar a lealdade das Forças Armadas a apenas cinco meses das eleições

Afp, Reuters e AP - O Estado de S.Paulo
CARACAS

O presidente Hugo Chávez anunciou ontem um aumento de 40% para todos os integrantes das Forças Armadas venezuelanas. Segundo analistas, o aumento maior que a inflação (de 25%) tem como objetivo consolidar o apoio dos militares ao presidente venezuelano, a apenas cinco meses das eleições legislativas.

O anúncio foi feito no momento em que o governo venezuelano vem sendo criticado por problemas, como os apagões constantes, o aumento da violência e o mau manejo da economia. Chávez explicou, em seu programa de TV semanal Alô, Presidente que o ajuste dos militares será retroativo ao dia 1º de abril e tem como objetivo permitir que eles "possam viver com dignidade".

Em janeiro, o presidente venezuelano anunciou um aumento do salário mínimo de apenas 25% - 10% entrou em vigor em março e os outros 15% devem vigorar a partir de setembro.
 
Ex-coronel paraquedista, Chávez já foi bastante criticado por uma parte das Forças Armadas do país. Até o ano passado, alguns oficiais venezuelanos vinham manifestando abertamente seu ressentimento sobre o que consideram a politização de uma instituição orgulhosa e relativamente independente. A introdução do lema "Pátria, socialismo ou morte", em 2007, por exemplo, sofreu grande resistência de alguns militares.

Em fevereiro de 2009, porém, Chávez iniciou uma campanha para favorecer seus aliados e expurgar seus críticos das Forças Armadas, em uma tentativa de fortalecer o seu controle sobre a instituição.

Raúl Isaías Baduel, ex-chefe do Exército venezuelano e antigo confidente de Chávez, foi detido há um ano por supostamente desviar recursos das Forças Armadas.

Em março do ano passado, Chávez também substituiu o alto escalão do Exército, da Força Aérea e da chamada Milícia Bolivariana, criada, segundo o presidente venezuelano, para afastar a ameaça de invasão dos EUA.

Além disso, de acordo com denúncias de jornais venezuelanos, mais de 800 militares foram destituídos nos últimos anos depois que surgiram dúvidas sobre sua lealdade a Chávez.

Mesmo pressionado pela comunidade internacional, Irã testa cinco

Além do exercício militar, feito em rota importante para o comércio de petróleo, Teerã anuncia que fabricará aviões teleguiados

Reuters, Afp e Efe - O Estado de S.Paulo

Pressionado pela comunidade internacional por causa de seu programa nuclear, o Irã testou ontem cinco mísseis em um amplo exercício militar na região do Estreito de Ormuz, uma das principais rotas de comércio de petróleo e gás do mundo. A informação foi divulgada pela agência oficial de notícias Fars News.

Segundo uma autoridade iraniana, citada pela agência de notícias France Presse, o objetivo do teste era, primeiro, garantir que as forças navais, terrestres e aéreas da Guarda Revolucionária iraniana tenham capacidade de "preservar a segurança na região". Segundo, dar uma resposta às "ameaças nucleares" de Washington.

O comandante da força aérea da Guarda Revolucionária, Amir Ali Hajizadeh, também anunciou que o Irã pretende fabricar aviões espiões teleguiados. Segundo o oficial, a decisão foi tomada após um protótipo de fabricação nacional, batizado de Pahapad, ter sido testado com sucesso durante as manobras militares no Golfo Pérsico e no Estreito de Ormuz - que estão sendo realizadas desde quintafeira.
 
"Além de voos de reconhecimento sobre o campo de batalha, esses aviões podem entrar em combate e ser úteis na hora de transferir informação em tempo real", disse Hajizadeh.

Citado pela imprensa local, Massoud Jazayeri, comandante da Guarda Revolucionária, alertou que os exercícios militares mostram que os "inimigos do Irã" se arrependerão se resolverem atacar o país.

Os EUA e a Europa, que exigem o fim do programa nuclear iraniano, pretendem aprovar em breve no Conselho de Segurança da ONU mais sanções contra Teerã, caso o governo do presidente Mahmoud Ahmadinejad não coopere.

Desafiando a comunidade internacional, Teerã tem anunciado avanços em sua capacidade militar, em uma aparente tentativa de mostrar que o país estaria pronto para ataques de Israel ou dos EUA. Na semana passada, o Pentágono disse que ações militares contra o Irã continuam sendo uma opção, enquanto Washington insiste na diplomacia e na pressão por novas sanções.

Segundo autoridades iranianas, um dos mísseis testados ontem teria um alcance de 300 quilômetros. O alcance dos outros quatro não foi revelado. Apesar de estar submetido a um embargo armamentista desde os anos 80, o Irã desenvolveu um programa bélico que lhe permitiu modernizar seu Exército e dotá-lo de armas, como mísseis de médio alcance. Analistas advertem, porém, que é difícil saber o grau de precisão e desenvolvimento do arsenal de Teerã.

Diálogo na AIEA. Ontem, o chanceler iraniano, Manoucher Mottaki, reuniu-se em Viena com o diretor da Agência Internacional de Energia Atômica (AIEA), Yukia Amano. Ambos discutiram a proposta de permitir que o Irã compre combustível nuclear de outros países em troca da desistência de enriquecimento de urânio. No fim do dia, porém, a conversa não parecia ter avançado.

Para entender

A questão nuclear iraniana é um dos pontos mais sensíveis da diplomacia mundial. Teerã afirma desenvolver um programa nuclear para fins pacíficos, mas a comunidade internacional, liderada por EUA e Europa, acredita que o país esteja buscando a bomba atômica. Até agora, foram três rodadas de sanções contra o regime dos aiatolás. A primeira, aprovada pelo Conselho de Segurança da ONU, em dezembro de 2006, restringia o comércio de material nuclear e congelava ativos de empresas e de indivíduos que participassem do programa iraniano. Em março de 2007, uma segunda rodada de sanções proibiu a venda de armas e ampliou o congelamento de ativos de firmas que fizessem negócios com o Irã. A terceira rodada foi imposta em março de 2008. Ela aumentou a lista de indivíduos e de órgãos cujos ativos estão congelados. Nenhuma delas, porém, fez Teerã desistir do programa nuclear.

Desde então, americanos e europeus negociam novas sanções. Ontem, a julgar pelo teste dos mísseis, o Irã não parece muito preocupado com isso.

Alheio à pressão internacional, Irã testa mísseis e ameaça inimigos

Apesar dos apelos da ONU, país planeja expandir seu programa nuclear
 
O Globo

TEERÃ. A Guarda Revolucionária do Irã testou ontem cinco mísseis no Estreito de Hormuz, uma das principais vias de escoamento de petróleo da região. A ação militar aconteceu num momento em que crescem as tensões entre o país e o Ocidente por conta do programa nuclear iraniano, que muitos acreditam ser destinado à confecção de bombas atômicas.

Durante o treinamento, o comandante da Guarda, Massoud Jazayeri, disse à agência oficial Irna que o Irã tem um plano de dissuasão que deixaria o inimigo arrependido se lançasse um ataque contra o país. Ele ainda reiterou a posição do Irã de que forças estrangeiras na região deveriam partir, aparentemente se referindo à presença dos EUA nos vizinhos Iraque e Afeganistão.

— Os que vieram para nossa região devem partir, porque os consideramos como o inimigo — alertou.

De acordo com a agência local Fars, as unidades navais da Guarda Revolucionária dispararam cinco mísseis contra um alvo, sem deixar claro se são mísseis recém-criados. "Apesar dos diferentes locais de onde os mísseis foram disparados, todos eles atingiram o alvo simultaneamente e o destruíram completamente" informou a Fars.

Acordo prevê fornecimento de urânio do Zimbábue

O exercício, um dos muitos que o país tem levado a cabo aparentemente para demonstrar sua capacidade de revide contra possíveis ataques de Israel ou dos Estados Unidos, coincidiu com um acordo firmado com o Zimbábue para o fornecimento de urânio, a matériaprima principal para geração de energia nuclear.

Segundo reportagem do jornal britânico "The Sunday Telegraph", o acordo foi assinado, longe do olhar da imprensa, durante uma visita do ministro de Estado para Assuntos Presidenciais, Didymus Mutasa, no mês passado. O intercâmbio prevê que o Irã forneça petróleo para movimentar a economia enfraquecida do Zimbábue, enquanto o governo de Robert Mugabe permite o acesso a suas reservas de urânio.

— Apoiamos o direito do Irã de usar energia nuclear de forma pacífica — afirmou Mugabe.

Os Estados Unidos defenderam mais sanções da ONU contra Teerã por conta da recusa em suspender suas atividades nucleares como determinado pelo Conselho de Segurança da organização.

Ontem, o ministro das Relações Exteriores do Irã, Manouchehr Mottaki, se encontrou com o chefe da agência nuclear da ONU para discutir a empacada proposta de troca de combustível nuclear que pode suavizar a disputa de Teerã com o Ocidente, além das inspeções na República Islâmica.

23 abril 2010

Fragata Independência enfrenta Porta Aviões britânico em conflito simulado

Navio da Marinha do Brasil atacou HMS Ark Royal.


Da Redação, com informações do DefesaNet

No dia 19 de abril a Fragata brasileira Independência (F44), que participa da operação Joint Warrior 101, detectou passivamente sinais de um radar e identificou como sendo de detroyer USS Barry. A F44 se manteve escondida em meio a navios pesqueiros e mercantes, sempre com seu radar desligado.



Uma densa nuvem encobria a visão na direção do contato com o USS Barry, mas após alguns minutos a nuvem se dissipou e foi possível identificar três navios, o USS Barry, o Navio Tanque RFA Fort George e o Porta Aviões britânico HMS Ark Royal, a nau capitania da Real Marinha Britânica.

Imediatamente identificados como inimigos no contexto do conflito simulado, a Fragata Independência atacou os três navios com dois mísseis Exocet em cada um, completando o ataque com 20 granadas do canhão de 4.5 polegadas sobre o HMS Ark Royal. O navio aliado USS Laboon também auxiliou no ataque lançando mísseis no Porta-Aviões.

Três horas depois o destroyer inimigo HMS Sutherland foi atacado também pela Fragata Independência com ajuda do HMS Cornwall.

O exercício Join Warrior 101 vai até o dia 23 de abril, e conta com a participação da Marinha do Brasil, do Reino Unido, da Alemanha, da Nova Zelândia, Polônia, Holanda, Bélgica, Itália, Estados Unidos e França.

Defesa Brasil

Salvador recebe navio da Marinha norte-americana

Defesa Brasil    

O navio da Marinha norte-americana USS Klakring (FFG 42), fragata da classe Oliver Hazard Perry, chegará a Salvador nesta terça-feira, 27 de abril, para uma visita de cinco dias à capital baiana.

 
O navio participará da Southern Seas Deployment 2010, um exercício naval anual realizado no Caribe, América do Sul e América Central, cujos objetivos são a interação com países da região, treinamento e aprendizado mútuo. O grupo de navios dos EUA tem a denominação Task Group 40.0, e é comandado pelo Comandante do Esquadrão de contratorpedeiro Quatro Zero.

Entre os dias 27 de abril e 1º de maio em Salvador, a tripulação do Klakring realizará intercâmbio profissional com a Marinha brasileira, para a troca de experiências e melhores práticas em diversos temas. Durante a visita do navio, a tripulação do navio estará engajada em trabalhos voluntários na capital baiana. Além disso, os marinheiros do Klakring também participarão de eventos esportivos e atividades sociais.

“Trabalhar e trocar ideias e metodologias com nossos parceiros da Marinha do Brasil aumenta nossa confiança de que teremos a experiência necessária para cumprir nossas missões,” declarou o Capitão-de-Mar-e-Guerra Rodelio Laco, Comandante do Task Group 40.0.

Nos últimos anos, as Marinhas de Brasil e EUA têm participado de diversos exercícios bilaterais e multilaterais e desempenhado trabalhos conjuntos de assistência humanitária em toda a região, como ocorreu recentemente nos esforços de ajuda após o terremoto no Haiti.

Fonte: Consulado Geral dos Estados Unidos no Rio de Janeiro

22 abril 2010

Coreia do Norte torpedeou navio do Sul, diz agência

Jack Kim
Em Seul - UOL Notícias
 
Os militares sul-coreanos acreditam que um torpedo disparado pela Coreia do Norte provocou o naufrágio de um navio no mês passado, com base em informações reunidas em conjunto com os Estados Unidos, disse a agência de notícias Yonhap nesta quinta-feira.
 
Se confirmado, terá sido um dos incidentes mais graves entre os dois rivais desde o fim da Guerra da Coreia (1950-53), e colocará mais pressão política sobre o presidente sulcoreano, Lee Myung-bak -- embora analistas não antevejam um conflito armado.

Logo após o incidente, o braço de inteligência dos militares notificou ao governo um "certo" envolvimento norte-coreano, segundo relato de uma fonte militar à Yonhap. Lee tem sido criticado por um suposto excesso de cautela no trato com a Coreia do Norte. O governo exigiu uma minuciosa investigação do naufrágio, que teria matado até 46 marinheiros.

A reação comedida da Coreia do Sul tranquilizou os mercados, e o ministério da Defesa disse que não comentaria o assunto.
 
"Os submarinos da Coreia do Norte estão todos armados com torpedos pesados, com ogivas de 200 quilos, disse a fonte militar à Yonhap. "A avaliação da inteligência militar é de que o Norte atacou com um torpedo pesado."

A embarcação militar Cheonan naufragou perto de um trecho de fronteira marítima disputada  entre as duas Coreias. O governo pretende içar em breve a metade frontal da embarcação de 1.200 toneladas, e só depois disso irá se manifestar oficialmente sobre a causa da explosão que a afundou.

Mesmo se a culpa for atribuída a Pyongyang, há pouco que Seul possa fazer, segundo analistas, porque uma reação militar poderia prejudicar a rápida recuperação econômica sul-coreana, além de fortalecer internamente o regime comunista norte-coreano.

Sob o governo de Lee, a Coreia do Sul abandonou a ajuda incondicional ao Norte, de modo a pressionar o miserável vizinho a abrir mão de suas armas, especialmente as atômicas.

"A questão nuclear ainda não foi resolvida. Isso e o incidente do Cheonan servem para infligir um impacto negativo sobre o governo Lee", disse o analista político Lee Nam- young, da Universidade Sejong, em Seul.

A reclusa Coreia do Norte negou envolvimento com o naufrágio na costa oeste da península, cenário de duas letais batalhas navais na última década. Pyongyang acusou Lee de usar o incidente para obter benefícios políticos antes das eleições locais sul-coreanas de junho.

Augusto pede apoio ao projeto das turbinas brasileiras

Jornal do Senado
 
Augusto Botelho (PT-RR) pediu o apoio do governo para o projeto de desenvolvimento das primeiras turbinas brasileiras para jatos ou para geração de eletricidade. O primeiro protótipo (com potência de 1.300 hp) está pronto, mas agora são necessários pelo menos R$ 117 milhões até 2014 para a produção de outros protótipos.

Augusto saudou os engenheiros da Polaris Engenharia, pequena empresa que desenvolveu a turbina com engenheiros do Centro Tecnológico de Aeronáutica (CTA), de São José dos Campos (SP). A Polaris trabalhou com uma verba de apenas R$ 3 milhões. O senador lembrou que apenas quatro países (Canadá, Estados Unidos, França e Inglaterra) têm capacidade de fabricar e de certificar turbinas aeronáuticas.

Teerã faz testes militares com navios e mísseis

DA REUTERS

Numa aparente manobra para intimidar inimigos, o Irã disse que iniciará hoje três dias de exercícios militares no estreito de Hormuz (sul), uma região de importância geopolítica crucial por ser ponto de passagem de cerca de 40% da produção mundial de petróleo.

A mídia disse que serão testados mísseis de médio e curto alcances e haverá exercícios com forças aéreas, marítimas e terrestres. As manobras surgem em meio ao acirramento das tensões entre o Ocidente, que acusa Teerã de enriquecer urânio para produzir a bomba atômica, e o Irã, que diz ter um programa nuclear pacífico.

Os EUA disseram ontem ver com bons olhos a disposição da Turquia em atuar como depositária do estoque de urânio iraniano, se houver acordo entre Teerã e a Agência Internacional de Energia Atômica (AIEA).

PIF PAF e ARGUS vencem torneio de defesa aérea

CECOMSAER
 
A Unidade de caça Pif-Paf, do 2º Esquadrão do 1º GavCa, sagrou-se bicampeã do Torneio de Defesa Aérea (TORDEFAe 2010) encerrado nesta segunda-feira, 19, na Base Aérea de Santa Cruz, na zona oeste do Rio de Janeiro. A Unidade de Comunicação e Controle, Argus, ficou com o título de tricampeã da tradicional disputa, que envolve oficias e graduados, promovida de 2 em 2 anos pelo Comando de Defesa Aeroespacial Brasileiro (COMDABRA).

Durante três dias, pilotos, mecânicos, controladores de vôo e aeronaves foram testados em simulações de ameaça do espaço aéreo. "Simulamos todas as situações possíveis para medir o nível de operacionalidade e o resultado foi muito positivo", avaliou o Major-Brigadeiro-do-Ar Gerson Nogueira Machado de Oliveira.

Participaram da competição 60 pilotos de 10 Esquadrões, pertencentes a nove organizações da FAB, e nove Órgãos de Controle de Operações Aéreas Militares (OCOAM).
 
Pela primeira vez em duas décadas desde a criação do TORDEFAE, a Marinha do Brasil participou do Torneio. A Marinha foi representada pelo Esquadrão de VF-1, Unidade de Interceptação e Ataque. "É o momento de nivelar doutrina e trocar conhecimentos", afirma o Major Brigadeiro Machado.

No total, participaram do TORDEFAE 40 aeronaves de caça nos modelos F-5, Mirrage F-2000, Super Tucano A-29 e Xavante AT-26, da FAB, e os A-4, da Marinha do Brasil. Aeronaves E-99, de controle e alarme, também foram engajadas na missão.

Berço da aviação de caça promove encontro de gerações no RJ

CECOMSAER
 
Considerado um dos mais tradicionais eventos da Força Aérea Brasileira (FAB), a Reunião da Aviação de Caça (RAC) começou nesta semana (19/4), na Base Aérea de Santa Cruz, zona oeste do Rio de Janeiro. A cerimônia de abertura da 65ª edição da RAC foi presidida pelo Comandante do Comando-Geral de Operações Aéreas (COMGAR), Tenente-Brigadeiro-Ar Gilberto Antonio Saboya Burnier.

Além das boas vindas, integrantes dos 11 esquadrões receberam do Comandante da Terceira Força Aérea (III FAE), Major-Brigadeiro Antonio Carlos Moretti Bermudez, o novo cachecol de voo que passa a ser padrão entre os caçadores. Semelhante ao distintivo usado nos macacões de voo, a faixa de tecido azul tem a figura do Patrono da Aviação de Caça, Brig Nero Moura e trechos da canção Carnaval em Veneza, Hino da Aviação de Caça.

Além de demonstrações operacionais com aeronaves F-5, A-1 e A-29, a RAC promoverá uma exposição de aviões como o F-2000 e o R-99 no hangar do Zeppellin, um dos últimos hangares para dirigíveis existentes no mundo, tombado pelo Instituto de Patrimônio Histórico.

O ponto alto do evento será no próximo dia 22, Dia da Aviação de Caça do Brasil. A data marca o maior número de missões realizadas em um único dia pelos militares durante a 2 Guerra Mundial.

 
O encontro de várias gerações de caçadores na Base Aérea de Santa Cruz, berço da aviação de caça, mantém viva uma tradição que começou na década de 40.
 
Monumento TF-33 – Um TF-33, fabricado pela americana Lockheed, foi instalado na principal entrada da Base Aérea de Santa Cruz. A aeronave de matrícula 4348 está gravada com o nome do Tenente-Coronel Aviador Berthier Figueiredo Prates, primeiro piloto brasileiro a voar a aeronave e responsável pela implantação do avião no Curso de Formação de Pilotos de caça no Primeiro do Quarto Grupo de Aviação, em Fortaleza.

FAB participa de resgates simulados na Operação Angel Thunder nos Estados Unidos

CECOMSAER
 
Treinar buscas e resgates de pessoas em situação de perigo. Com esse objetivo, militares da Força Aérea Brasileira participam da Operação Angel Thunder, no estado do Arizona, nos Estados Unidos. O exercício é considerado referência mundial de treinamento para missões dessa natureza.

No cenário desértico, pilotos da FAB decolaram em helicópteros HH-60 Pave Hawk (15/04). "Havia a antiaérea simulada e tiros de armas. Quatro aeronaves de caça A-10 se incumbiram de eliminar essas ameaças para que pudéssemos pousar para resgatar um piloto que havia se ejetado sobre o local", descreveu o Tenente Aviador Bruno Roque Teixeira, do efetivo do 7º/8º Grupo de Aviação.

De acordo com os militares, a ação foi rápida, precisa e muito valiosa em ensinamentos.  "Foi importante perceber como a missão se desenvolveu, a forma como as comunicações foram feitas, assim como o comportamento da tripulação frente às ameaças e a recuperação do ferido", complementou o oficial que ainda pôde acompanhar o reabastecimento em voo dos helicópteros.

Para os militares, o intercâmbio com os americanos aprimora o trabalho das tripulações da Aeronáutica, já que a FAB dispõe de H-60 Black Hawk. Esse tipo de aeronave é uma versão daquela em que são realizados os exercícios simulados de guerra.

No dia 16, o Esquadrão Aeroterrestre de Salvamento (EAS), conhecido como PARA-SAR, teve a oportunidade de operar junto às Forças Especiais dos Estados Unidos, Chile e Colômbia em um resgate de dois pilotos que se ejetaram no deserto.

Para chegar ao local as equipes saltaram de uma aeronave C-130 e caminharam várias horas para encontrarem os feridos.

"Foi a primeira vez que operamos no deserto que é um ambiente semelhante à caatinga brasileira, onde já tínhamos experiência, o que contribui para não sentirmos uma diferença muito grande" comentou o Comandante do EAS, Tenente Coronel Infante Josoe dos Santos Lubas.

A missão foi finalizada quando os pilotos machucados foram postos em helicópteros, junto com os militares da Forças Especiais.

Para o Comandante, mais uma vez foi possível conhecer a forma como cada País trabalha, seus equipamentos e assim absorver o que de melhor pode ser transferido para a realidade do Brasil. Novas manobras serão realizadas nos próximos dias na Operação Angel Thunder.  O exercício segue até o dia 23.

21 abril 2010

Acidente entre dois helicópteros mata um general e seis oficiais colombianos

Globo News

Um dos helicópteros tinha acabado de decolar quando se chocou com o outro e um deles explodiu logo depois de cair. A explosão ocorreu numa base militar, a duzentos quilômetros de Bogotá.

20 abril 2010

Granada explode em treinamento e deixa 5 militares do Exército feridos no Acre

O Globo
 
Cinco militares do Exército ficaram feridos nesta quinta-feira na explosão de uma granada de mão no 61º Batalhão de Infantaria de Selva (61º BIS), em Cruzeiro do Sul, no Acre. O acidente aconteceu durante um treinamento militar com o explosivo, por volta das 10h40m, horário local. Segundo o Centro de Comunicação Social do Exército, em Brasília, as vítimas não correm risco de morrer.

Os feridos receberam os primeiros socorros no local pela equipe médica do batalhão e foram levados em seguida para o Hospital Regional do Juruá. O Comando do Batalhão, ainda segundo o Exército, determinou a abertura de Inquérito Policial Militar (IPM) para apurar os fatos.

Em nota, Centro de Comunicação Social do Exército ressaltou que o treinamento "faz parte do Programa Padrão de Instrução Militar, era conduzido por militar capacitado para tal, e obedecia aos parâmetros de segurança" e que o Exército "está prestando todo o apoio necessário às vítimas, bem como aos seus familiares".

Cinco soldados do 7º BEC passam mal após treinamento

 
Esta sexta-feira, 16, tinha tudo para ser um dia de comemoração para cinco famílias de recrutas, com a entrega da boina, um dos ritos mais tradicionais do Exército Brasileiro, e que sucede os exercícios de guerra de mesmo nome.

Mas a Operação Boina — quatro dias de intenso treinamento dentro da floresta –, como parte do serviço militar de um ano, não foi uma experiência gratificante para os soldados Mendes, Mateus, Bruno Lima, Alisson e Cleiton. Os cinco soldados do 7º Batalhão de Engenharia e Construção, o 7º BEC, entraram em convulsão, quando participavam dos últimos treinamentos, em uma área de mata do município de Senador Guiomard (25 quilômetros de Rio Branco), na tarde desta quinta-feira, 15.

Os recrutas foram levados para o Hospital Geral de Senador Guiomard, apresentando contrações involuntárias, febre e reações de instabilidade emocional. Os soldados faziam parte de uma tropa de 92 soldados que participavam do último dia de exercícios da Operação. Um deles, o mais estável, afirmou que tiveram que caminhar 12 quilômetros pela BR-317, em meio ao sol da tarde, o que pode ter causado insolação.

Eles deram entrada no hospital de Senador Guiomard por volta das 16 horas, e às 19 horas, os três foram encaminhados ao Hospital de Base de Rio Branco, em ambulância do Serviço Móvel de Urgência e de Emergência, o Samu. Segundo informou o capitão Júlio André, oficial de Comunicação do 7º BEC, a marcha é o último exercício da Operação e eles estavam retornando à base quando o incidente aconteceu.

"Trata-se de um período de instrução que eles passam no quartel, mas o calor extremo que fez em Rio Branco acabou causando isso", afirmou o capitão. O modo como as vítimas foram conduzidas para o hospital gerou revolta em alguns funcionários do Hospital de Senador Guiomard. "Um deles foi trazido na "gravata" por um sargento moreno alto e que dispensou maca", denunciou uma funcionária do hospital.

"Se houve alguma coisa desse tipo, cadê os nomes das pessoas que estão dizendo isso?", perguntou o oficial da Comunicação, ao que prontamente a reportagem respondeu que mesmo que tivessem os nomes eles não seriam fornecidos.

"Se houve isso é preciso que alguém denuncie para que possamos puxar a orelha", rebateu o representante do 7º BEC.

Na manhã desta sexta-feira, 16, as famílias dos soldados eram aguardadas no quartel para a entrega de suas boinas.

Corpo médico questiona tratamento dispensado pelo Exército

Quem viu os cinco soldados chegarem ao hospital pôde observar que além da instrução, os oficias e as praças mais graduadas costumam extrapolar as ações de subserviência ao Exército Brasileiro, para além dos campos de treinamentos. A impressão de quem estava no hospital é a de que a pressão psicológica combinada à exaustão física causou danos severos, em especial, a dois deles.

"Ta bom, ta bom (gritos e choro)", gritava um deles, enquanto era contido por enfermeiros. O recruta se debatia dentro da ambulância e prosseguia: "tem que ter um final, tem que ter um final!"

Já dentro da ambulância, o recruta delirante gritava: "Eu tenho que terminar, eu tenho que terminar", seguido de muito choro. Uma enfermeira chamada para auxiliar na imobilização do soldado responde: "Você já foi liberado". "Não, eu na fui, não fui", (mais choro).

Uma assistente de enfermagem chegou a chorar diante do que ela classificou de humilhação e desrespeito por parte do comando da operação. "Um sargento chegou com um desses rapazes na 'gravata'. Ele o pegou pelo pescoço e o arrastou lá para dentro", narra.

"Ofereci uma maca, mas o cara, que eu acho que é um sargento, me disse: não, não precisa de maca coisa nenhuma". Segundo o médico Lúcio Fernandes de Souza, os cinco recrutas chegaram apresentando sinais de desidratação. Mas dois deles estavam estáveis.

"Pelo que vemos preliminarmente é que eles estão desidratados e apresentam distúrbios neurológicos graves. Não sei até que ponto isso pode ser reversível". O médico acompanhou a remoção dos recrutas para Rio Branco.